El Salvador adota Bitcoin como “Salvador da Pátria”

Enquanto El Salvador se torna o primeiro país a adotar o bitcoin como moeda legal, além do dólar, alguns bancos centrais pelo mundo questionam a eficácia do criptoativo como dinheiro e comparam seu uso a “negociar selos”. [As ilhas da Bahmas, por minha lembrança, já tinha adotado o CBDC, mas não o bitcoin. A conferir a fuga de dinheiro do tráfego de drogas para essas moedas da América Central…]

O anúncio do governo salvadorenho foi feito na terça-feira, 7 de setembro, quando aqui o infeliz com o risco de prisão ou morte vangloriava de ter poder para dar um golpe de Estado! O presidente Nayib Bukele pressionou pela adoção da criptomoeda. Disse: a medida vai ajudar a população a economizar US$ 600 milhões por ano em remessas do exterior. Além disso, Bukele também afirmou: a adoção do bitcoin vai dar acesso a serviços financeiros para aqueles sem conta bancária.

Para Alejandro Díaz de León, presidente do Banco Central do México (Banxico), o bitcoin, no entanto, é “mais como uma estratégia de investimento de alta volatilidade e de alto risco” do que como dinheiro,. Na sua visão, o bitcoin não cumpre as três funções básicas da moeda: servir como 1) instrumento de troca, 2) unidade de medida (para os demais preços da economia) e 3) reserva de valor.

“Se não é uma boa reserva de valor e pode ter uma volatilidade muito grande, um dia subir 10% e no outro cair 10%, a população não vai querer que seu poder de compra, que seu salário suba ou caia 10% de um dia para outro. Nesse sentido, não é uma boa reserva de valor“, exemplificou.

A troca de bitcoins por bens ou serviços é “mais uma espécie de truque“, afirmou Díaz, “porque você está trocando um bem por outro, mas não tanto dinheiro por um bem”.

Díaz disse haver espaço para os criptoativos em usos e aplicações tecnológicas, mas esse espaço não combina “de maneira plena com as funções do dinheiro”. “Sentimos que os Bancos Centrais continuam sendo os entes que têm os melhores atributos para prover o dinheiro da economia”, afirmou.

Ele observou ainda que o caso de El Salvador é muito particular, porque “há muitos anos eles renunciaram, como país, a emitir sua própria moeda”. O dólar americano tem sido a moeda oficial de El Salvador desde 2001 e permanecerá sendo utilizado em paralelo com o bitcoin. “Eles não têm controle sobre a oferta monetária de dólar estadunidense”, lembrou Díaz.

Em um evento fechado com banqueiros também no dia 9, Stefan Ingves, presidente do Banco Central da Suécia (Sveriges Riksbank), uma das autoridades monetárias mais antigas do mundo, comparou a compra e venda de bitcoins a selos comerciais e questionou o poder de permanência das moedas sem o apoio de governos.

“O dinheiro privado geralmente entra em colapso mais cedo ou mais tarde”, disse Ingves. “E, claro, você pode ficar rico negociando bitcoin, mas é comparável a negociar selos.”

Ingves já tinha afirmado, no início deste ano: o bitcoin e outras criptomoedas provavelmente não escaparão da supervisão regulatória se sua popularidade crescer.

Em carta do gestor, a BLP Asset observou: o presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, da sigla em inglês), Garry Genser, quer mais supervisão de criptoativos para proteger os investidores. “Ele fez um longo discurso no Aspen Security Forum. Existem atualmente 12 propostas de Bitcoin ETF na sua mesa, então a pressão está claramente crescendo para que a SEC decida como deseja avançar com a regulamentação desse novo mercado“, comenta a gestora.

#BitcoinDay

O que o presidente Bukele declarou ser o #BitcoinDay em El Salvador veio com alguns “soluços”, avaliou Carsten Menke, chefe de pesquisa da área de “Next Generation” da Julius Baer. “Os preços cederam em até 20%, na melhor das hipóteses explicados pelo conhecido fenômeno ‘compre o boato, venda o fato'”.

Olhando além de El Salvador, Menke disse: não acredita outros países grandes seguirem o exemplo e adotarem o bitcoin como moeda legal. “Isso se deve principalmente ao fato de que o bitcoin não tem velocidade e escalabilidade para servir como um sistema de pagamento“, afirma. “Em vez disso, o bitcoin poderia se tornar uma forma de ‘ouro digital‘, embora até agora não tenha mostrado as mesmas características de porto seguro.”

No webinar, Díaz disse: o dinheiro tinha que ser ágil e um bom meio de pagamento e que, por isso, o Banxico trabalhava 24h por dia, sete dias por semana. Ele afirmou ainda que o bitcoin se assemelha mais a um “metal precioso”, do que a uma moeda de curso forçado e cotidiano.

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