Para Desenvolvimento do País Há Necessidade de Aumento do Número de Estudantes no Ensino Superior

Beth Koike (Valor, 24/11/21) informa: nenhum país consegue se desenvolver tendo apenas 20% da população, na faixa etária de 30 anos, com Ensino Superior. Esse é o caso do Brasil. A afirmação é de Eduardo Parente, presidente da Yduqs, segundo maior grupo de Ensino Superior privado do país.

Em sua visão, em mundo ideal, toda a educação brasileira – desde o ensino infantil até o superior – deveria ser pública.

O país enfrenta um problema estrutural. Cerca de 50 milhões de alunos da educação básica, o que representa cerca de 70% do total, estudam na rede pública, mas a farta maioria ingressa em faculdades privadas. Já nas universidades públicas, onde a concorrência no vestibular é mais acirrada, ocorre o inverso: quase todos vêm de colégios particulares.

No Ensino Superior, 2 milhões estão matriculados na rede pública e 6,5 milhões nas instituições privadas. “Apesar desse cenário, evoluímos na educação, mas não podemos estar satisfeitos com a qualidade”, disse Parente.

Formado pela UFRJ, o executivo falou sobre algumas sugestões para melhorar a qualidade da educação básica pública. Entre elas, a capacitação de professores com uso de tecnologia e adoção de sistemas de ensino, que tem um formato padronizado de aprendizagem. A própria Yduqs adotou para seus alunos da Estácio um sistema de ensino desenvolvido por professores da UFRJ e do Ibmec, instituição de ensino que pertence ao grupo desde 2019.

Outra sugestão de Parente, inspirada numa experiência observada literalmente dentro de casa, é a implementação do ProUni, programa de bolsas de estudo em troca de isenção de impostos, no ensino médio. “Meus filhos estudam numa escola, classe A-B, que dá muitas bolsas. Tenho certeza que meus filhos aprendem muito com essa convivência, desenvolvem a empatia”, contou Parente, que é pai de três filhos.

Na esfera do Ensino Superior privada, o executivo defendeu o FIES, programa de financiamento estudantil do governo federal, como caminho para aumentar o volume de alunos na faculdade. Logo após o programa ter reduzido drasticamente de tamanho, em 2015, no segundo governo Dilma Roussef (PT), algumas instituições de ensino como a Yduqs passaram a oferecer crédito estudantil, mas a iniciativa durou pouco tempo devido ao tamanho da necessidade dos alunos. “Não somos banco, é muito difícil”, disse.

Os grupos educacionais tentaram propor uma parceria com o governo para administrar a inadimplência do Fies, que bateu em mais de 70%, mas a oferta não foi aceita. Na Yduqs, a taxa de calote, no terceiro trimestre deste ano, foi de 12%, patamar pré-pandemia.

Ainda sobre o FIES, ele falou que uma medida que ajudaria na expansão do programa é o desconto da mensalidade do financiamento em folha de pagamento, que apesar de estar contemplada em uma lei, nunca foi implementada. “Nem sempre, o governo consegue fazer tudo o que está na lei”, disse o executivo que participou, como voluntário, da equipe de transição entre os governos Dilma e Temer.

Durante a live, o presidente da Yduqs destacou diversas vezes a importância do estudo como caminho para melhora na qualidade de vida e inserção social dos alunos. Na Estácio, 80% dos estudantes são os primeiros da família a ingressar no ensino superior, 54% são negros e 65% trabalham.

A companhia, que tem cerca de 1 milhão de alunos no ensino superior, criou recentemente um programa de trainee somente para negros. “Fizemos um programa aos moldes do Magalu [Magazine Luiza] e estamos tendo resultados muito positivos”, disse Parente.

O executivo defendeu ainda o aprendizado contínuo, uma reciclagem a cada três, quatro anos, diante da inovação por qual vem passando o mundo e disse acreditar que “a nossa geração vai ser a primeira a aprender muito com a seguinte”.

Ele exemplifica o aprendizado que vem tendo com a equipe da starutp QConcursos, adquirida pela Yqdus. “Eles não têm medo de testar, de errar. Essa nova geração tem mais autoestima, tem mais conhecimento. É muito interessante, estou adorando”, disse o executivo de 50 anos.

Com o aumento da vacinação, a demanda pelo ensino superior volta a crescer. Pesquisa realizada com 1 mil potenciais alunos de instituições de ensino particulares mostra que 63% pretendem ingressar na faculdade no começo do próximo ano.

Esse índice é 25 pontos percentuais superior ao registrado um ano atrás, quando ainda não havia campanha de imunização no país e apenas 38% tinham intenção de se matricular no começo de 2021. O estudo foi produzido pela consultoria Educa Insights em parcerias com a Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes).

O levantamento, realizado neste mês, mostra ainda que entre os entrevistados que escolhem cursos na modalidade a distância, 67% querem iniciar os estudos no começo de 2022 e 13% deles preferem a metade do próximo ano. Quando a opção é por uma graduação presencial, 63% devem ingressar no próximo semestre e 14%, no segundo semestre de 2022.

“A pesquisa identifica o crescimento da confiança dos estudantes em ingressar na graduação a partir de agora, visto que muitos foram vacinados e a pandemia mostra indícios de retração no Brasil”, disse Celso Niskier, presidente da Abmes.

Segundo Daniel Infante, fundador e diretor da Educa Insights, consultoria especializada em educação, os resultados da pesquisa validam o primeiro passo da retomada da intenção de matrícula. “Esse é o primeiro passo e tem uma série de desdobramentos necessários para que a intenção se transforme em ingresso, como o momento da economia que impacta diretamente na renda das famílias”, disse Infante.

As companhias de capital aberto – Ânima, Cruzeiro do Sul, Kroton, Ser Educacional e Yduqs – registraram já no vestibular da metade deste ano um aumento no volume de novas matrículas de cursos presenciais, um desempenho que não era percebido há vários trimestres devido à pandemia da covid-19 e redução do Fies, programa de financiamento estudantil do governo federal que vem reduzindo de tamanho, gradativamente, desde 2015.

Praticamente após dois anos letivos com aulas remotas devido ao isolamento social, o modelo pedagógico predominante será o híbrido, cujo conteúdo didático pode ser ministrado presencialmente ou on-line.

Ficou bem claro que o futuro do ensino é híbrido e que as instituições de ensino superior devem aproveitar a oportunidade de retomada das matrículas para oferecer aos alunos uma grade inovadora com conteúdos que sigam o modelo dos quadrantes híbridos. Os quadrantes híbridos é um conjunto de quatro modelos pedagógicos que fazem sentido no atual cenário pós-pandemia.

A ideia é que a faculdade tenha liberdade para escolher uma dessas quatro opções de aprendizagem:

1. presencial síncrona (modelo que contempla aulas e atividades práticas realizadas presencialmente com todos os alunos juntos),

2. presencial assíncrona (atividades práticas presenciais, sendo que os alunos podem realizá-las em momentos distintos),

3. virtual síncrona (aulas e atividades on-line ministradas em tempo real) e

4. virtual assíncrona (aulas gravadas e outras atividades virtuais).

Para os alunos pesquisados, só 45% da carga horária dos cursos deveriam ser dedicadas às aulas presenciais tradicionais. O restante deveria ser ministrado por aulas remotas (16%), conteúdos digitais (16%) ou trabalhos práticos em comunidades ou empresas (23%).

Em relação ao Enem, o levantamento mostra que só 10% pretendem usar a nota do exame para se candidatar a uma bolsa do ProUni. Já 79% têm a expectativa de conseguir o melhor desconto ou bolsa possível direto com a faculdade.

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