SPACs: Special Purpose Acquisition Company ou Sociedade de Propósito Específico – SPE

Denis Morante é sócio-fundador da Fortezza Partners. Escreveu artigo (Valor, 07/01/22) explicando o que são as SPACs.

Desde 2020, temos visto a expressão Spac aparecer em jornais de negócios brasileiros – o que parece ser uma onda chegando ao nosso mercado. Este artigo explora o que são, dimensão do mercado, como funcionam, histórico nos EUA e os aspectos da recente chegada dessa tendência ao mercado brasileiro, bem como a nossa previsão de possíveis desdobramentos desse tipo de operação em território nacional.

As Spacs (sigla de Special Purpose Acquisition Company ou, em português, Sociedade de Propósito Específico – SPE) são normalmente criadas pelos “sponsors”, que são profissionais de renome no mercado, cuja credibilidade é capaz de atrair milhões de dólares em capital na listagem.

Esses sponsors costumam ser ex-executivos bem-sucedidos de empresas líderes em seus mercados de atuação, bem como gestores de fundos de investimento. Atualmente, há grandes gestores internacionalmente conhecidos que têm iniciado suas Spacs.

As Spacs possuem três fases em sua existência:

1) IPO: levantamento de caixa;

2) prospecção e negociação: período que dura normalmente dois anos, no qual os sponsors estão buscando a empresa operacional ideal para a fusão; e

3) aprovação da transação: quando ocorre a assembleia para que a Spac deixe de existir e a empresa operacional fechada passe a ser listada. É o momento do “de-Spacing” (o desfazimento da Spac).

Quais as dimensões desse mercado? Esse movimento se iniciou nos EUA há mais de 20 anos. Durante os últimos 15 anos, nunca houve um ano em que mais de cem Spacs foram listadas. Porém, em 2020, esse patamar foi rompido e o mercado americano atingiu o recorde de 248 Spacs listadas somente em um ano. Em 2021, o crescimento dessa categoria continuou. Até o final de outubro, já haviam sido listadas mais de 498 Spacs, com foco em tecnologia, consumo e saúde, ou seja, realmente o mercado está presenciando um “boom” de investimentos nessa categoria, com um crescimento acima de 100% até o fechamento do ano.

Em 2020, a cifra movimentada chegou a US$ 83 bilhões. Já em 2021, essas 498 novas Spacs já representam um volume superior a US$ 138 bilhões captados para investimentos.

Como funciona? A Spac é uma maneira diferente de uma empresa fechada chegar ao mercado de capitais sem passar pelo tradicional processo de abertura de capital. Basicamente, a transação entre Spac e empresa se caracteriza por ser um M&A (fusão e aquisição) tradicional e, portanto, traz uma série de vantagens e desvantagens, quando comparado ao tradicional processo de abertura de capital.

O que empresários devem esperar desse mercado em âmbito nacional? Já maduro nos EUA, a tendência se tornou uma fração importante das aberturas de capital americanas. No Brasil, não há legislação específica sobre o tema, mas já há iniciativas para tanto. Deste modo, as Spacs brasileiras deverão vir a ser reguladas nos próximos anos, conforme as listadas nos EUA comecem a avançar aqui no país, adquirindo companhias locais. Obviamente, o Brasil precisa desenvolver uma legislação pertinente em relação a aspectos tributários, legais, de segurança patrimonial e semelhança com a listagem de empresas na B3.

Recentemente, foram iniciadas as primeiras Spacs com foco no mercado nacional e já houve o primeiro “deal” envolvendo uma empresa brasileira. Alguns deles: HPX Corp, Alpha Capital, Waldencast Acquisition Corp, Pátria, XPAC; Meli Kaszek Pioneer Corp e, por último, Alvarez & Marsal – primeira Spac brasileira listada na bolsa local e que obteve o registro da CVM para levantar cerca de R$ 1 bilhão.

Juntas, essas e outras Spacs já captaram US$ 1,93 bilhão. O volume médio chega a US$ 240 milhões, portanto, uma média bastante similar à americana, de US$ 300 milhões por Spac.

No último mês de novembro, ocorreu finalmente a primeira transação, ou “de-Spacing”, envolvendo uma dessas Spacs e uma empresa brasileira: a Spac Alpha, que foi levantada em fevereiro de 2021, com sua fusão assinada com a Semantix, empresa brasileira focada em software como serviço (SaaS) e especializada em dados e inteligência artificial. A partir dessa transação, a Semantix chegará à bolsa americana com uma valorização de US$ 1 bilhão.

Em resumo, esse veículo deverá ser bastante aceito no mercado brasileiro tanto pelos investidores quanto pelas empresas, acompanhando fenômeno que já é bastante nítido no mercado americano que tem demonstrado extrema pujança e solidez em termos de lançamentos de novas Spacs.
Leia mais em:

Fernando Nogueira da Costa. Economia de Mercado de Capitais à Brasileira. agosto 2021

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