Influenciadores Digitais em Finanças Pessoais

O comportamento do dólar, a volatilidade das ações e as  tendências para criptomoedas são temas cada vez mais presentes nas mesas de bar e nas redes sociais. Não à toa, o FMuíednrdicaaoedsoMBaritkceotingnúmero de influenciadores digitais que falam sobre investimentos só cresce.

Levantamento realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) identificou 277 perfis ativos de influenciadores no país entre 6 de fevereiro e 31 de dezembro do ano passado, 11 a mais do que no rastreamento anterior, feito entre setembro de 2020 e fevereiro de 2021. Mas o número que de fato chama atenção é o de seguidores, que alcançou a marca dos 91,5 milhões, crescimento de 23,6% na mesma base de comparação.

Os dados da segunda edição da pesquisa “FInfluence: quem fala de investimentos nas redes sociais, cujos resultados foram antecipados para Daniele Camba (Valor, 24/02/22)

De acordo com o estudo, os influenciadores foram responsáveis por 406 mil publicações em seus perfis, o que representa um

aumento de 153% em relação à primeira pesquisa. Do total das publicações, 62,5% foram no Twitter, vindo bem abaixo o Instagram e o Facebook, com 15,6% e 12%, respectivamente.

Apesar de terem participação ainda baixa, as redes sociais da Meta, controlada por Mark Zuckerberg, ganharam um pedaço do mercado do Twitter de um ano para outro. Enquanto o Twitter perdeu 8,5 pontos percentuais, o Facebook ganhou 3,6 pontos (indo de 8,4% para 12%) e o Instagtram, 3,8 pontos.

Os números consideram dados públicos dos perfis dos influenciadores. Informações de engajamento e audiência são privados e, portanto, somente o dono do perfil tem acesso a eles.

Para Marcelo Billi, superintendente de comunicação, certificação e educação de investidores da Anbima, os resultados mostram que os influenciadores vieram para atender a uma enorme demanda dos investidores (especialmente os de menor porte) por informações e da forma mais simples e informal possível – o que muitas vezes não se encontra em bancos e corretoras.

“Essa enorme busca por influenciadores mostra que os investidores procuram nesses canais um aconselhamentofinanceiro, uma conversa de igual para igual, que em muitos momentos as instituições financeiras não estão conseguindo atender”, diz.

A pesquisa da Anbima também mostra quais são os dez maiores influenciadores na área de investimentos. Em primeiro lugar está o “Economista Sincero”, do economista Charles Mendlowicz. Em segundo, vem Nathália Arcuri, que também aparece em quarto lugar por meio do “Me Poupe!”, fundado por ela. Em terceiro lugar, ficou Bruno Perini, do canal “Você MAIS Rico”.

Há vários tipos de influenciadores, mas as cinco maiores categorias (produtores de conteúdo, analistas, traders, investidores independentes e especialistas), juntas, respondem por 59% de tudo que é postado. O maior grupo é o de produtores de conteúdo (são 53, dos 277 identificados), onde se encaixam nomes como Arcuri, Perini, Charles Mendlowicz, Thiago Nigro (do Primo Rico) e Gustavo Cerbasi.

A força desses perfis tem levado bancos e corretoras a se aproximar dos influenciadores de olho em seus seguidores – muitas vezes, na casa dos milhões.

A pesquisa mostra que, dos 277 influenciadores mapeados, 17% já tiveram alguma relação com banco, corretora ou plataforma de investimentos. A XP lidera o ranking, tendo parceria com seis influenciadores. BTGClearEQIGenial Suno têm parceria com três perfis cada. ModalClube do Valor NuInvest têm acordos com dois cada.

Indagado se essa relação entre instituições financeiras e influenciadores configura algum conflito de interesse, Billi afirma que sempre pode haver uma zona cinzenta nesses relacionamentos, mas é algo que pode ser resolvido com transparência.

“É legítimo bancos, corretoras, assets quererem se aproximar das pessoas que chegam ao grande público. A única coisa é que os termos do relacionamento precisam estar claros para todo mundo. Se o influenciador X tem um contrato comercial com o banco Y, pode falar dos produtos desse banco, mas as pessoas precisam saber que existe uma relação entre eles.”

Entre os ativos mais comentados nas redes sociais, as criptomoedas têm ganhado destaque. As moedas virtuais já representam 21,3% das menções feitas por influenciadores, não muito distantes de câmbio, com 27%, e ações, com 24,5%. As criptos deixaram assuntos muito mais tradicionais da indústria de investimentos, como dividendos (10,6%), commodities (2%), CDI (1,4%) e Tesouro Direto (1,1%).

Na primeira edição da pesquisa, a Anbima detectou 7,3 mil menções às criptomoedas. Agora, no levantamento mais recente, foram 23 mil citações.

Segundo o superintendente da Anbima, a entidade colocou as moedas virtuais entre as prioridades do seu Plano Anual de Ação de 2022 exatamente para entender melhor esse novo mundo. “Queremos entender e nos aproximar desse segmento de finanças descentralizadas [conhecidas como DeFi]”, diz Billi. A entidade também deve criar uma autorregulação para a gestão de ativos de criptomoedas.

Outro tema que desperta forte demanda nas redes são conteúdos que falem sobre operações de curto prazo em bolsa, como o “day trade” (compra e venda de um papel no mesmo dia). Diante do interesse, não falta quem ocupe esse espaço. Dos 277 influenciadores mapeados, 32 se encaixam na categoria traders – em geral, mostram suas rotinas de compra e venda de ações, dão dicas de operações em bolsa, muitas delas de curtíssimo prazo.

Esse é um dos segmentos mais polêmicos de influenciadores. Há uma zona cinzenta e, em alguns casos, existe a suspeita a vitrine de “influenciador digital” é na verdade usada para manipular o mercado. Ou seja, o investidor por trás do perfil está posicionado num determinado papel e usa as redes sociais para atrair incautos, contribuindo para inflar os preços. Com os ativos valorizados, ele desfaz a posição.

Esse comportamento tem preocupado o mercado. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já disse em várias ocasiões que está atenta a esse tipo de atuação. Billi, da Anbima, lembra que pessoas mal intencionadas não são uma novidade das redes sociais. A diferença é que agora eles usam a tecnologia, por meio dela, têm um alcance maior. Na visão do superintendente, um mercado amplo e com um número crescente de investidores são o melhor antídoto. Quanto mais gente olhando o assunto, afirma, mais difícil se torna essas atitudes passarem despercebidas.

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