Pior Equipe Econômica da História do Brasil: ex-Banqueiro de Negócios + Ideólogos Neoliberais de Direita

Rodrigo Zeidan (FSP, 03/04/22) é Professor da New York University Shanghai (China) e da Fundação Dom Cabral. É doutor em economia pela UFRJ. Diagnosticou corretamente a fraude do “Posto Ipiranga” do pior presidente da história brasileira. Só acreditou no “vendedor de terrenos na lua” os ideólogos neoliberais…

Qual o papel de uma equipe econômica? Implementar boas políticas de crescimento e distribuição de renda, aumentar a credibilidade interna e externamente, melhorar o ambiente de negócios e gerenciar expectativas para cultivar investimentos. E, no meio de uma pandemia, salvar a população.

O saldo, que vejo, da equipe econômica de Paulo Guedes é inequívoco. Ele capitaneia a pior equipe econômica da história brasileira, e conseguiu uma façanha que deveria ser impossível: nos fazer ter saudades de Guido Mantega e Zélia Cardoso de Mello.

Os danos da administração de Paulo Guedes, Sachsida, e outros, vão durar décadas. E não é exagero. Pessoas não ressuscitam, desmatamento pode nunca ser revertido, armar a população vai gerar milhares de mortes, fome limita o desenvolvimento humano e perdemos pelo menos 0,5% de PIB potencial por pelo menos dez anos.

Não podemos nos esquecer do dia 16 de novembro de 2020, uma semana depois da Pfizer anunciar que a vacina estava próxima. Adolfo Sachsida, crítico do Bolsa Família, apoiador da liberação do porte de armas e do Escola Sem Partido, discípulo de Olavo de Carvalho, e que já jogou nos pobres e miseráveis a culpa pelo déficit da Previdência, veio a público dizer que achava baixíssima a probabilidade de segunda onda. Que o setor de serviços estaria cada vez mais forte. Que estava tranquilo, porque vários estados teriam atingido a imunidade de rebanho.

Ele e a equipe econômica pareciam lutar contra toda e qualquer medida de isolamento social, mesmo com a vacina batendo na porta. O argumento do governo seria de que isso geraria queda do PIB. Mas PIB é meio, não é fim. Foram incapazes de entender o básico sobre um indicador de bem-estar que tem suas limitações. Ele é irrelevante se alguém está a sete palmos abaixo da terra. Não se respira PIB.

E se o objetivo do governo era manter a economia funcionando, ele não foi alcançado. E a razão é simples: recuperação econômica é questão de confiança. Quando os economistas batem cabeça e perdem tempo desmontando programas importantes, só para trazê-los de volta piores e com nomes diferentes, as pessoas param de gastar e as empresas param de investir.

O PIB brasileiro deve crescer somente 0,5% esse ano, no meio de um boom de commodities e explosão de crescimento mundial. Os países ricos devem crescer 3,5% e os países em desenvolvimento, 5%. A América Latina? 3%.

O papel exercido por essa equipe econômica parece ter sido chancelar a destruição institucional do país. O governo atua pelo desmatamento? Guedes minimiza a destruição ambiental. O governo quer dar aumentos para o funcionalismo? A equipe arranja um jeito de manipular a lei do teto. O presidente faz campanha anti-vacina? A equipe econômica corta verbas para compra e distribuição de vacinas.

É bom lembrar que a equipe econômica foi contra o auxílio emergencial e se não fosse o Congresso empurrar goela abaixo teríamos um desastre ainda maior. O que temos depois de três anos do super poderoso ministro da Economia? Um péssimo ambiente de negócios, com economistas se preocupando em taxar ainda mais importações de pessoas físicas. Uma economia sem perspectivas, com crescimento até 2025 na casa de 1,5%, abaixo do crescimento populacional.

Um país com pior distribuição de renda, mais desmatamento, fome, e sem qualquer investimento educacional. Estagflação com mais de 660 mil mortos. Vejo que o governo nos entregou peste, fome e morte. E não creio que já tenha acabado.

1 thought on “Pior Equipe Econômica da História do Brasil: ex-Banqueiro de Negócios + Ideólogos Neoliberais de Direita

  1. Republicou isto em Iso Sendacz – Brasil and commented:
    De fato, obtivemos resultados muito ruins, agravados pela crise sanitária. Os preços sobem, o salário compra cada vez menos, os negócios fecham e os empregos minguam.
    “E não creio que tenha acabado”.

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