Razão do Antipetismo: Inexistência Prática de Outros Partidos

Na esteira da aparente “onda Lula” para a eleição de 2022, o PT alcançou no fim do ano passado seu melhor resultado na preferência partidária do brasileiro desde 2013. Segundo recente pesquisa Datafolha, o partido é o preferido de 28% dos entrevistados.

Em um muito distante segundo lugar, aparecem empatados PSDB e MDB, ambos com 2% cada um. Empatados tecnicamente com eles, PDT e PSOL têm cada um 1%. Os demais partidos não chegaram a pontuar.

A pesquisa foi realizada de 13 e 16 de dezembro de 2021 com 3.666 pessoas, em 191 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou menos.

Em meados do ano eleitoral de 2018, a FSP tinha publicado: “o PT atingiu 24% de preferência partidária após o início da disputa eleitoral deste ano, o melhor desempenho da sigla desde maio de 2014, informa pesquisa Datafolha. Naquela ocasião, 23% do eleitorado tinha simpatia pelo partido. O partido tinha crescido em relação ao levantamento anterior, de junho deste ano, quando foi mencionado por 19%. 

O predomínio petista na preferência do eleitorado permanece incontestável. Empatados em segundo lugar, PSDB e MDB foram citados por apenas 4% dos entrevistados.  PDT, PSB e PSOL tiveram 1% dos votos. As demais siglas somadas alcançaram 4%.”

PT é o partido preferido dos brasileiros desde 1999.

O resultado de agora é bem próximo ao melhor desempenho já registrado pela sigla, 31% em abril de 2012, no primeiro mandato de Dilma Rousseff. Vivia-se ainda o rescaldo do crescimento econômico dos governos Lula (2003-2010), mas o partido entraria pouco depois em processo de queda brusca.

​​Em junho de 2013, milhares de pessoas foram às ruas do país em protesto contra a má qualidade dos serviços públicos e os políticos em geral. Era “rebeldia sem causa” em busca do “padrão FIFA”…

Ocupando a Presidência com Dilma, o PT foi o partido que levou o maior baque. Em pesquisa no final daquele mês, foi citado por 19%. Três meses antes, havia marcado 29%.

Nos levantamentos seguintes, a queda prosseguiu. Em 2014 teve início a Lava Jato, que revelou um largo esquema de corrupção nos governos petistas. Prisões de expoentes da sigla e a recessão econômica derrubaram ainda mais a simpatia pela agremiação.

Em março de 2015, mês em que protestos contra o governo Dilma reuniram quase 1 milhão de pessoas pelo país, o PT chegou ao seu pior resultado em anos recentes, com 9% das menções.

Teve o mesmo índice em dezembro de 2016, após o impeachment de Dilma. Menos que isso o PT só registrou em agosto de 1989, com 6%.

Em abril de 2017, talvez em razão da também alta rejeição do governo de Michel Temer, o partido saltou para 15%. De forma geral, passou para a faixa dos 20% nas pesquisas seguintes, guinada que não foi freada nem pela prisão de Lula, em abril de 2018. Quatro meses depois, o PT registrava 24%.

Com pequenas variações, manteve-se nesse patamar nos anos seguintes. Em julho deste ano marcou 22%, 23% em setembro e agora 28%.

Lula foi solto em novembro de 2019 e desde então vem acumulando uma série de vitórias, comprovando serem falsas as acusações contra ele, o que pode ter se refletido na avaliação geral de seu partido.

Em março de 2021, o STF declarou a parcialidade do ex-juiz federal Sergio Moro no caso do tríplex de Guarujá e anulou a condenação de Lula, que voltou a estar apto a disputar a eleição do ano que vem. Em agosto, juíza de Brasília extinguiu a punição do ex-presidente referente ao sítio de Atibaia.

Segundo o Datafolha, Lula tem 48% das intenções de voto nas eleições presidenciais de 2022, o que já lhe garantiria a vitória no primeiro turno. Lula também é considerado o melhor presidente do país para 51% dos brasileiros.

O Datafolha realiza pesquisas sobre preferência partidária desde 1989. Na série histórica, a maior parcela da população sempre declarou não ter especial simpatia por nenhuma sigla. Nesta última sondagem, porém, houve queda nesse grupo. Passou de 61%, em setembro, para 54% agora.

A série histórica também traz algumas curiosidades. Na primeira década, o PMDB, hoje MDB, era o partido preferido do brasileiro. Chegou a marcar 19% em dezembro de 1992, mantendo sempre vantagem numérica, ou ao menos empate, com o PT.

No mesmo período de tempo, o PFL, hoje DEM, apresentava desempenho bem mais expressivo, como os 9% registrados em setembro de 1997. A virada dos anos 2000, contudo, marcou a definitiva ascensão do PT e a desidratação dessas duas siglas.

O MDB vem oscilando na casa dos 2% e 3% nos últimos três anos, enquanto o DEM deixou de pontuar desde meados de 2014.

O PSDB, em geral o segundo partido partido da preferência nacional, empatado com o MDB, nunca chegou a ultrapassar a barreira dos 10%, nem mesmo no governo de FHC. Em junho de 2015, num dos principais momentos de desgaste do PT, foi a 9%.Nos últimos três anos, não passou de 4%.

Na prática, constata-se que ou o brasileiro prefere o PT ou, como a maioria, não tem apreço por nenhuma sigla.

Fato curioso também ocorreu com o PSL. Partido nanico, até junho de 2018 nunca havia pontuado nas pesquisas do Datafolha, com a grande maioria das legendas nacionais. No entanto, Jair Bolsonaro naquele ano filiou-se ao PSL para disputar a Presidência.

onda bolsonarista teve efeito impressionante também na preferência partidária. Com o início da campanha eleitoral, o PSL passou a 1% no final de agosto daquele ano, 3% em setembro e 7% em outubro, tomando o segundo lugar da lista do PSDB e do MDB.

A partir de 2019, porém, a maré começou a refluir. Bolsonaro entrou em desavença com a sigla e se desfilou em novembro daquele ano. No mês seguinte, o PSL marcou 2%. Em julho deste ano, tinha 1%. Nas duas últimas pesquisas, nem pontuou.

Em fins de novembro, Bolsonaro se filiou ao PL. Depois de mais de uma década sem pontuar, o partido registrou 1% na última pesquisa.

Em 23 de agosto de 2018, a FSP informou:

O PT tem preferência acima da média nas regiões Nordeste (34%) e Norte (32%). Fica abaixo no Sul (17%), Centro-Oeste (17%) e Sudeste (20%). Nas cinco regiões a sigla mantém a liderança.

Nos principais colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas Gerais, o PT alcança 20% e 24%, respectivamente.

Em Pernambuco a preferência pelo PT chega a 34%, o dobro da registrada no Rio de Janeiro (17%). 

O Datafolha ouviu 8.433 pessoas em 313 municípios, de 20 a 21 de agosto de 2018. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou menos. A pesquisa é uma parceria da Folha e da TV Globo e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR 04023/2018. ​

Na série histórica, o MDB liderou a preferência por quase uma década, chegando a atingir 19% em 1992. Após empates com o PT, foi ultrapassado de forma definitiva em 1999. De 2010 para cá não passou de 7%. 

Também se desidratou o DEM (antigo PFL). Depois de registrar 9% em 1997 e 8% em 2002, vem marcando 0% desde 2014.

O PSDB, por sua vez, permanece estável na faixa de 3% a 7% no intervalo de quase 30 anos.”

1 thought on “Razão do Antipetismo: Inexistência Prática de Outros Partidos

  1. Boas notícias! O único problema é que essa parcela de 50% que não se manifestou não é politizada e é facilmente manipulada pelos candidatos através de fake news ou jogando com os medos e preconceitos.

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