Juros é para Ganhar, não para Pagar!

Luis Moraes, diretor executivo da Wimo, escreveu artigo (Valor, 22/06/22) em defesa da necessidade de Educação Financeira para fazer o uso correto de cartões de crédito.

O brasileiro não usufrui das melhores soluções de crédito à disposição. Imagine ter que fazer uma viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro. Você pediria um carro de aplicativo ou compraria uma passagem de avião? A resposta parece óbvia, mas muitos iriam de carro, porque não se planejam e esta é a alternativa simples, pois está na palma da mão.

O mesmo raciocínio serve ao uso de um cheque especial ou rotativo do cartão de crédito. Pagar o mínimo da fatura do cartão para cobrir gastos no final do mês pode ser a opção mais fácil, mas nem de longe é a mais barata ou a mais eficiente.

Apesar de ser algo considerado simples e rápido para os consumidores, nem sempre o cartão de crédito é ideal para as necessidades dos clientes, levando em conta que as taxas de juros cobradas podem acabar os prejudicando ao invés de auxiliar na diminuição das dívidas, algo que nos deixa longe da realidade econômica e da educação financeira ideal no país.

Mesmo com o desespero de boa parte dos brasileiros frente à alta taxa de desemprego e a queda na renda média, consequência especialmente da recessão econômica por conta dos impactos da covid-19, a informação de que o mercado de crédito dispõe de opções bem mais interessantes parece ainda não chegar ou convencer este nicho da população, cujas dívidas muitas vezes são verdadeiras bolas de neve. Não à toa o cheque especial – erroneamente – é protagonista.

Há oportunidades crescentes de oferta de crédito, muito além do ambiente bancário e bem mais simples do que notabilizado no passado. Agora existem melhores níveis de praticidade, comodidade e segurança. Os sistemas de consulta para saber se o solicitante é bom pagador avançaram muito. A tecnologia também agiliza os processos cada vez mais digitalizados.

Embora a oferta de crédito seja o cerne do negócio, a educação financeira para a destinação sustentável dos recursos é que deveria estar no propósito das melhores instituições financeiras do Brasil. É preciso colocar-se como agente ativo na construção de uma sociedade que sabe usar dos recursos financeiros disponíveis, levando mais dignidade e igualdade de oportunidades a todos.

É ótimo que o crédito de livre destinação esteja chegando de forma rápida a mais nichos de clientes. Mas a velocidade lenta da divulgação, massificação e percepção da importância da educação financeira nos leva à pergunta: estamos no caminho certo ou produzindo exércitos de pessoas reféns do endividamento?

Aposentados do INSS estão entre os públicos-alvo recorrentes de empresas com oferta de crédito. Um dia após a concessão do benefício social já há garantias de renda fixa constante para essas pessoas.

Por consequência quase que natural, o desejo de consumir ou resolver algum problema leva os cidadãos a pegar o celular, solicitar crédito adicional e, horas depois, ter dinheiro extra disponível na conta. Contudo, geralmente sem fazer a correta leitura do mercado, uma pesquisa, ter esclarecimento e confiança em alternativas novas, que os orientem sobre 1. a capacidade de gerenciamento da receita X despesa e 2. a chance de comprometimento ou elevação do padrão de vida para os próximos anos.

A educação financeira e a destinação do crédito precisam ser consideradas tanto nos movimentos para eliminação de dívidas como os voltados aos investimentos. Aposentados e outros não devem promover um incremento temporário em seu nível de consumo a ponto de prejudicar longas etapas subsequentes da vida.

Agora imagine um autônomo sem renda fixa tomar o crédito para pagar a reforma ou ampliação de sua residência. Ele está assumindo que precisará reduzir seu padrão de vida no médio prazo?

A destinação do crédito não irá gerar benefício adicional de renda mensal, ao mesmo tempo que haverá comprometimento financeiro. Compensa o investimento na adequação do patrimônio físico mesmo que ele esteja pensando na valorização e venda futura? Há equilíbrio para as contas do dia a dia?

E quanto ao micro ou pequeno empresário que busca crédito para quitar pagamentos, ter capital de giro ou ainda com a destinação de ampliar seu negócio?

O retorno bem projetado para o uso do empréstimo tem de ser superior aos custos financeiros (juros, taxas e correções) envolvidos. Existem soluções com garantia imobiliária que propiciam valores mais em conta e longos prazos de pagamento. A informação qualificada gera afinidade, relacionamento, credibilidade e preferência.

Pense, compare e avalie: quem te empresta ou fornece crédito está preocupado se você terá condições mesmo de pagar? Ou tal instituição vê você como um número rentável e ignora o papel que tem na sociedade?

A educação financeira baseada na elucidação do “para qual destino deve se tomar o crédito”, sempre que possível, ajuda no planejamento e leva mais pessoas a progredir na vida. Todos devem saber usar o empréstimo como instrumento mais seguro de protagonismo e investimento com vistas às realizações sustentáveis. Esse olhar gera riqueza, emprego e renda para fazer um Brasil mais desenvolvido.

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