Políticas Econômicas em Resposta à Pandemia

Também foram verificadas desigualdades marcantes nas respostas de diferentes países à crise. Reflete diferenças nos recursos e ferramentas de políticas públicas à disposição dos governos.

Enquanto a pandemia se intensificava em 2020, foram observadas amplas variações na extensão e no escopo dos programas governamentais de apoio. Muitos países de renda baixa enfrentaram dificuldades para mobilizar os recursos necessários para combater os efeitos imediatos da pandemia, ou tiveram de contrair novas dívidas significativas para financiar sua resposta à crise.

Metade dos países de renda baixa elegíveis para a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI, na sigla em inglês) do G20, por exemplo, já estavam superendividados ou em uma situação de quase superendividamento antes da pandemia20.

Durante o primeiro ano da pandemia, o estoque da dívida desses países aumentou de 54% para 61% do PIB, limitando ainda mais sua capacidade de responder à possibilidade de uma recuperação prolongada21.

Embora esses níveis de dívida sejam baixos quando comparados aos observados nas economias avançadas, estes têm uma capacidade de gestão da dívida muito maior. Níveis elevados de dívida estão associados ao início de crises de solvência em países de baixa renda22.

A figura O.4 apresenta a variação acentuada na escala das respostas fiscais de diferentes países à pandemia. Como percentagem do PIB e considerando qualquer métrica histórica, a magnitude da resposta fiscal foi quase uniformemente ampla nos países de renda alta e uniformemente limitada ou inexistente em países de renda baixa. Nos países de renda média, a resposta fiscal variou significativamente, refletindo diferenças marcantes na capacidade e disposição dos governos de mobilizar recursos fiscais e investir em programas de apoio.

Em muitos casos, medidas fiscais emergenciais foram apoiadas por grandes intervenções de política monetária. Vários Bancos Centrais de economias emergentes usaram, pela primeira vez na sua história, políticas monetárias não convencionais, como, por exemplo, programas de compra de ativos.

Esses programas apoiaram a resposta fiscal e forneceram liquidez ao sistema financeiro no momento mais crítico da crise. No entanto, a capacidade dos Bancos Centrais de apoiar a resposta à crise dessa maneira variou drasticamente.

Tais ferramentas foram mais amplamente utilizadas e mais eficazes em países de renda média alta. Eles tinham mercados de capitais mais desenvolvidos e um sistema financeiro mais sofisticado.

Em contraste, na maioria dos países de renda baixa, os governos foram limitados em sua resposta à crise porque a política monetária não foi capaz de desempenhar um papel de apoio semelhante.

O impacto inicial da pandemia se traduziu em aumento da desigualdade entre os países, em grande medida devido às restrições enfrentadas por muitos governos enfrentaram para ajudar famílias e empresas23.

Embora a pobreza tenha aumentado globalmente, quase todas as pessoas rebaixadas para uma situação de pobreza extrema, ou seja, pessoas vivendo com menos de US$ 1,90 por dia, como resultado da crise vivem em países de renda baixa e média baixa24.

Além da escala das políticas de resposta, também houve uma grande variação nas combinações das ferramentas usadas pelos países para combater os efeitos econômicos imediatos da pandemia. Isso é ilustrado pela figura O.5.

Ela apresenta a percentagem de países em cada grupo de renda com adoção dos diferentes tipos de medidas fiscais, monetárias e financeiras. A figura destaca algumas diferenças nos pacotes de políticas.

Elas podem ser explicadas por restrições de recursos, bem como algumas diferenças relacionadas à natureza dos riscos econômicos enfrentados por diferentes países.

As economias de renda alta e média alta, por exemplo, fizeram uso muito mais amplo de políticas financeiras, como, por exemplo, moratórias de dívida. Isto porque as instituições financeiras nesses países estão muito mais expostas a empréstimos para famílias e pequenas empresas, cujo risco de crédito foi gravemente afetado pela pandemia.

A figura O.5 também evidencia: as respostas imediatas à pandemia incluíram uma série de ferramentas de políticas nunca antes testadas em economias emergentes, tampouco adotadas em escala semelhante.

Um exemplo são as extensas moratórias de dívidas e suspensões de cadastros negativos adotadas por diversos países ao redor do mundo. Embora esses programas tenham desempenhado um papel importante na mitigação dos problemas de liquidez de curto prazo enfrentados por famílias e empresas, eles não abordaram necessariamente a capacidade futura de pagamento e tiveram a consequência indesejada de esconder prejuízos nos empréstimos, criando um novo problema: a falta de transparência sobre os riscos de crédito e a verdadeira situação do setor financeiro.

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