Elevação do Custo Médio da Dívida Pública Federal

A alta da taxa Selic, a inflação pressionada e condições mais adversas de mercado levaram o custo da dívida pública ao maior patamar em quase quatro anos.

De acordo com o Tesouro Nacional, o custo médio acumulado em 12 meses do estoque da Dívida Pública Federal (DPF) alcançou 9,86% em maio, o nível mais elevado desde novembro de 2018. Quando se olha para a Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi), a taxa ficou em 10,58%, a maior desde outubro de 2017.

Dois fatores explicam a elevação, segundo o coordenador-geral de operações da dívida pública do Tesouro Nacional, Luís Felipe Vital. O primeiro é o patamar mais alto de indexadores aos quais o estoque atual da dívida está atrelado, como a taxa básica de juros e o IPCA. Desde o início do ano passado, a Selic subiu de 2% ao ano para 13,25% ao ano, e o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) sinalizou mais uma alta de pelo menos 0,25 ponto percentual para agosto. O IPCA acumulado em 12 meses estava em 11,73% até maio, bem acima da meta para este ano, de 3,5%.

Vital lembrou que a “reposição desse estoque também está sendo feita em nível mais alto”, ou seja, as novas emissões têm saído com taxas mais altas, refletindo a Selic mais elevada e a piora nas condições de mercado. No mês passado, o custo médio anual das emissões da DPMFi foi de 11,69%, o mais alto desde maio de 2017.

“Maio foi marcado pelo aumento da aversão ao risco, devido à expectativa de aperto monetário nos Estados Unidos e pressões inflacionárias em nível global”, disse o Tesouro Nacional no sumário-executivo do Relatório Mensal da Dívida. “A curva de juros futuros doméstica ganhou nível com a sinalização do Copom de continuidade do ciclo de aperto monetário, além do aumento nos preços do petróleo e a desvalorização do câmbio.”

Para o estrategista-chefe da Renascença DTVM, Sergio Goldenstein, o aumento no custo reflete a pressão nos juros e na inflação, e ele “continuará se elevando” porque é medido em 12 meses. Assim, números antigos e mais baixos serão substituídos por novos e maiores.

O Tesouro também afirmou no RMD que, em junho, “pressões inflacionárias, expectativas sobre o ritmo de aperto monetário nos Estados Unidos e o risco de recessão em algumas economias seguem causando aversão ao risco nos mercados globais”. No Brasil, acrescentou, esse contexto fez com que a curva de juros apresentasse ganho de nível (ou seja, houve um aumento mais forte dos vencimentos de prazos mais longos dos contratos de juros futuros).

Por sua vez, o colchão de liquidez da dívida terminou maio em R$ 1,108 trilhão, suficiente para cobrir 9,47 meses de vencimentos de títulos à frente. De acordo com Vital, essa base “dá bastante conforto” para a administração da dívida no período. Ele destacou que a estratégia do Tesouro envolve, em momentos de turbulência, o uso dessa reserva em vez da colocação de novos títulos no mercado.

Porém, o Santander afirmou em relatório que, apesar de o colchão de liquidez estar em um “nível confortável” para enfrentar “as incertezas de 2022, o cenário para a administração da dívida permanece desafiador no médio prazo”. Esse desafio se tornou maior “principalmente” depois do aumento recente tanto da Selic quanto das estimativas para o IPCA.

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