Livro Verde do BNDES

No ano em que faz 65 anos, com a divulgação do Livro Verde, o BNDES toma a iniciativa de fazer uma prestação de contas à sociedade brasileira acerca de sua atuação ao longo do atual século, no período 2001-2016.

A publicação se destina a um duplo propósito. Por um lado, expor o conjunto de temas controversos que cercaram a atuação da instituição nesse período. Por outro, apresentar uma espécie de relatório, na forma de um balanço, de forma integrada e abrangente, de sua atuação em diversos campos ao longo desses 16 anos.

O arquivo disponível poderá sofrer alterações até o lançamento da versão final.

Apresentação Em Defesa do BNDES

Em convite da AFBNDES – Associação dos Funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, fiz uma palestra-debate no Auditório do BNDES no Rio de Janeiro. Os slides estão em: FERNANDO N. COSTA – Em Defesa do BNDES 17.03.2017.

Outra palestra “Em Defesa dos Bancos Públicos” no Senado Federal – DF no dia 13 de junho de 2017: FERNANDO N. COSTA – Frente Parlamentar Em Defesa dos Bancos Públicos 13.06.17

A Economia dos Desajustados

A bela Alexa Clay (foto acima) é norte-americana, tem 33 anos, mesmo assim transita bem no mundo acadêmico e corporativo mais tradicional. Seu livro “A Economia dos Desajustados” (editora Figurati), escrito em parceria com Kyra Maya Phillips, é um best-seller entre jovens e executivos atrás de alternativas informais para um mundo em crise. Traduzido para mais de 15 idiomas, ele rendeu às autoras um programa na NatGeo, artigos na “Harvard Business Review” e o crédito do Fórum Econômico Mundial como um dos melhores livros de negócios da atualidade. Desde o lançamento em 2015, ela tem viajado o mundo dando palestras e workshops em empresas globais, universidades, ONGs, feiras e festivais de inovação como o SXSW.

Alexa esteve em São Paulo em um evento da Cia de Talentos para falar para mais de 200 executivos interessados em entender as transformações do mundo atual. Em seu livro, ela pesquisa como as companhias podem aprender a promover inovação usando a sabedoria informal dos hackers, traficantes, falsificadores, gangsters e ‘outsiders’, em geral. Um submundo, que, segundo ela, movimenta mais de US$ 10 trilhões na economia informal. “São exemplos de empreendedores à margem da sociedade que precisaram burlar leis para desenvolver seus negócios e que acabam sendo bastante inovadores em seus métodos e práticas de gestão.” Continue reading “A Economia dos Desajustados”

Disputa pelo Mercado Brasileiro de Automóveis

Marli Olmos e Victória Mantoan (Valor, 21/06/17) informam que a Volkswagen tenta recuperar terreno perdido para a concorrência. Em dez anos, a participação da Volks no mercado brasileiro caiu de 22,97% para 11,50%. Para os empregados da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), a notícia de um lançamento de novo modelo de automóvel consagra uma negociação iniciada há cinco anos, quando surgiram os primeiros sinais de excesso de mão de obra. O Polo é fruto de um acordo para tentar amenizar a ociosidade que ainda persiste.

A Volks, líder de mercado até o início dos anos 2000, não é a única, entre as grandes, a renovar a linha para tentar recuperar espaço perdido. Há poucos dias, a Fiat apresentou o Argo, sucessor da linha Palio, o modelo de maior sucesso da marca italiana no Brasil e que começou a ficar desgastado depois de inúmeras remodelagens ao longo dos seus 20 anos de estrada. Entre 2007 e 2016 a participação da Fiat caiu de 25,94% para 15,35%.

A líder agora é a General Motors. Mas, apesar de ter se destacado ao desbancar a Fiat do primeiro lugar, em 2016, a montadora americana também sofreu com o avanço da concorrência. Tinha 21,29% do mercado brasileiro de carros e comerciais leves há dez anos e fechou o ano passado com 17,41%, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), que acompanha o licenciamento nacional.

A crise mexeu com gigantes. Há uma década GM, Fiat e Volks eram donas de 70% do mercado brasileiro. Em 2016 somaram, juntas, 44,2%. Os mais de 25 pontos percentuais perdidos pelas três foram conquistados principalmente por asiáticas, como a coreana Hyundai e a japonesa Toyota, que com pouco mais de 9%, cada uma, das vendas de 2016, passaram à frente da Ford, que permaneceu estagnada. Continue reading “Disputa pelo Mercado Brasileiro de Automóveis”

Modernização em Ondas por David Kupfer

David Kupfer é diretor do Instituto de Economia da UFRJ e pesquisador do Grupo de Indústria e Competitividade (GIC-IE/UFRJ). Publicou artigo (Valor, 22/06/17) sobre as ondas de inovações tecnológicas. Reproduzo-o abaixo.

“Observada pelo chamado lado real, a economia brasileira exibe uma marcante regularidade histórica expressa na tendência a experimentar processos de modernização em ondas. Trata-se do fato de atravessar longos períodos de imobilismo, nos quais se acumulam grandes defasagens tecnológicas, expressas em crescentes hiatos de produtividade e competitividade em relação às melhores práticas internacionais, seguidos de períodos de modernização concentrados em um curto intervalo de tempo.

Grosso modo, no pós-Segunda Guerra Mundial ocorreram três ondas de modernização.

A primeira, cuja característica mais proeminente foi a implantação de uma indústria de bens duráveis no país, teve lugar durante, aproximadamente, os anos em torno do Plano de Metas na segunda metade da década de 1950.

A segunda concentrou-se em período um pouco mais longo, de cerca de sete anos, ocorridos durante os 1o e 2o PND nos anos 1970, quando se incorporou setores modernos de produção de commodities agrícolas, metálicas, químicas e energéticas.

Por fim, uma terceira onda, com duração aproximada de quatro anos, verificou-se após o Plano Real, na segunda metade dos anos 1990. Diferentemente das anteriores, não se caracterizou pela adição de novos setores ao tecido produtivo, limitando-se estritamente a um ciclo de atualização tecnológica de produtos e processos pré-existentes. Continue reading “Modernização em Ondas por David Kupfer”

Advogado-do-Diabo em defesa da “Desindustrialização”

Os “fortes e não-oprimidos” necessitam de defesa?! Evidentemente, dispensam-na. No entanto, a postura científica exige seguidas tentativas de falsear hipóteses para verificar se elas se sustentam. Senão, trocamos por outra. Não há fidelidade no mundo da Ciência.

Iconoclasta é nome dado ao membro do movimento de contestação à veneração de ícones religiosos que surgiu no século VIII denominado Iconoclastia. Este termo significa literalmente “quebrador de imagem”. Engloba os indivíduos que não respeitam tradições e crenças estabelecidas ou se opõem a qualquer tipo de culto ou veneração seja de imagens ou outros elementos. O termo abrange ainda aqueles que destroem monumentos, obras de arte e símbolos. Principalmente, rejeitam a veneração de imagens religiosas por considerar o ato como idolatria.

Luddismo é o movimento ocorrido na Inglaterra no século XIX, liderado pelo operário Ned Ludd, contrário à introdução de máquinas na indústria têxtil, pela crença de que isso levaria ao desemprego dos artesãos e, consequentemente, ao caos social. Por extensão, refere-se à posição contrária a qualquer avanço tecnológico, por considerá-lo socialmente prejudicial.

Então, esta é a contenda aqui apresentada: Iconoclastia versus Luddismo! Atuarei em defesa da “desindustrialização” contra os contrários (sic) à introdução de automação robótica na indústria, pela crença de que isso levaria ao desemprego de operários. A posição contrária a qualquer avanço tecnológico, por considerá-lo socialmente prejudicial, reage contra o progresso histórico, portanto, é reacionária, isto é, contrária às ideias de um processo de transformação da sociedade. Continue reading “Advogado-do-Diabo em defesa da “Desindustrialização””

Concentração das Atividades Tecnológicas

No artigo Transformações na estrutura produtiva global, desindustrialização e desenvolvimento industrial no Brasil, publicado na Revista de Economia Política, vol. 37, nº 1 (146), pp. 189-207, janeiro-março/2017, os coautores Célio Hiratuka e Fernando Sarti mostram que:

  • por um lado, a crescente internacionalização, mensurada por dados de comércio, investimento e produção manufatureira, mostra sinais de crescente participação de países em desenvolvimento, embora de um conjunto relativamente restrito de países;
  • por outro lado, as informações sobre a capacidade de comando através de redes de propriedade das grandes corporações globais apontam para um processo de maior concentração e centralização do capital.

Quando se observam os dados de internacionalização das atividades tecnológicas das empresas transnacionais (ETN), que justamente conferem a estas empresas a capacidade para absorver grande parte do valor criado ao longo dessas cadeias globais, também se observa uma situação de grande concentração. Em relação a esse último aspecto, Hiratuka e Sarti destacam que os gastos em P&D permanecem muito concentrados nos países desenvolvidos e dominados por um grupo reduzido de ETN.

Considerando as informações das 1.500 maiores empresas em termos de gastos em P&D, estas foram responsáveis por cerca de 45% dos gastos mundiais (inclusive os realizados fora do setor privado) em 2011. Considerando apenas as 100 maiores, estas representaram cerca de ¼ do total global e quase 60% das 1.500 maiores.

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