Brasil à Venda: Crime de Lesa Patria do Conluio da Direita Neoliberal

Os neoliberais com oportunismo estão acabando com a soberania do Estado nacional ao destruírem o BNDES, instituição financeira chave para não se depender do capital estrangeiro, e venderem o patrimônio público. A economia brasileira está se subordinando ao Capitalismo de Estado chinês. Quem viver, verá…

Roberto Rockmann (Valor – Eu&Fim-de-Semana, 14/06/19) publicou reportagem investigativa sobre a privataria do atual governo do capitão. Atua como tivesse recebido um “cheque-em-branco” para implementar um programa não debatido na campanha eleitoral. Ganhou, circunstancialmente, por 6 pontos percentuais dos votos válidos (55% X 45%), mas não tem hoje o apoio da maioria da população. Portanto, não tem legitimidade para implementar a destruição do Estado brasileiro em nome de interesses privados e estrangeiros.

É um crime lesa pátria porque esta aliança política traiçoeira causa prejuízos irreversíveis ao País, ameaçando o futuro da Democracia, da Soberania e da Liberdade de seu povo, bem como efetuando desvios fraudulentos dos cofres públicos e da propriedade estatal com privatização não autorizada pelo Congresso Nacional. Impõe com isso um regime autoritário fundamentado na direita radical, aparelhando o Estado e subjugando a vontade popular ao fraudar o debate eleitoral para alcançar o Poder.

“O desenho do setor de infraestrutura no Brasil tem se caracterizado pela maior presença de estatais estrangeiras em concessões, parcerias público-privadas (PPPs) e obras. Em cinco anos, mais de R$ 120 bilhões foram gastos por companhias internacionais em aquisições, fusões ou pagamento de outorgas. Esse movimento de desnacionalização vai crescer. Continuar a ler

Por que a economia brasileira não cresce

Fernando Rocha é economista­-chefe e sócio da JGP; Arlindo Vergaças é sócio fundador e diretor da JGP. Ambos publicaram artigo (Valor, 03/05/19) sobre tema a respeito do qual escrevi um Texto para Discussão nesta semana, embora eu esteja preocupado mais com a tendência de crescimento em longo prazo:

Porque a Economia Brasileira não tem um Crescimento Sustentado em longo prazo (I), por Fernando Nogueira da Costa

 

 

Reproduzo o artigo deles abaixo por apresentar uma visão de participantes de O Mercado. Discordo da queda da taxa de crescimento demográfico como causa do baixo crescimento em contexto de elevadíssima subutilização da força de trabalho. O problema crucial é faltar oferta de emprego e, quando houver, ela será desqualificada para ocupá-los.

Critico também o conceito utilizado de produtividade. Ele é indicador ex-post, i.é, após os fatos transcorridos. Logo, quando a produção ou renda está baixa, devido ao diminuto investimento multiplicador de renda e empregos, ao dividi-la pelo número de trabalhadores empregados, dedutivamente, se registra uma baixa produtividade. Portanto, ela indica apenas a baixa produção. Esta se elevará com investimentos em máquinas e equipamentos “poupadores de mão-de-obra”. Nesse caso, aumentará a produtividade dos trabalhadores qualificados capazes de ainda ficarem empregados.

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Entraves na Desalavancagem Financeira das Empresas Não-Financeiras

Arícia Martins (Valor. 03/05/19) informa: o cenário de reação fraca da atividade em 2018 teve reflexo na rentabilidade das empresas industriais. Elas mostraram resultados inferiores aos de outros ramos da economia, tendência a se repetir este ano, se a retomada não deslanchar. Segundo levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), os indicadores de lucratividade do setor melhoraram no ano passado, mas de forma concentrada e insuficiente para dar início a um novo ciclo de investimentos produtivos.

No agregado de 318 companhias não financeiras com dados contábeis disponíveis, a margem líquida de lucro (relação entre lucro líquido e receita líquida) subiu de 4,3% para 7,6% entre 2017 e 2018, superando com folga o percentual de 2,7% registrado em 2014, ano anterior à recessão. Mesmo excluindo Petrobras, Eletrobras e Vale da amostra – que, pelos seus tamanhos, distorcem os resultados -, a margem líquida aumentou 1,4 ponto na passagem anual, para 5,9%, também acima do patamar de cinco anos atrás (5,6%).

Para a indústria, porém, a melhora foi bem mais tímida. No conjunto de 131 empresas do setor, desconsiderando Petrobras e Vale, o indicador avançou 0,9 ponto em 2018 sobre o ano anterior, para 4,6%. Com essa evolução, a margem líquida das companhias industriais ainda está 1,1 ponto abaixo do nível de 2014. Continuar a ler

Rendas Per Capita Comparadas no Tempo e no Espaço

Sergio Lamucci (Valor, 21/05/19) informa: o Brasil perdeu terreno em relação a outros emergentes nas últimas décadas, distanciando-se do nível de renda dos países desenvolvidos, em vez de se aproximar. Com o baixíssimo crescimento da produtividade, o PIB per capita brasileiro corresponde hoje a pouco mais de um quarto do americano. Em 1980, equivalia a quase 40%. Nesse período:

  • o PIB per capita do Chile passou de 27,4% para 41,5% do indicador dos EUA;
  • o da China, de 2,5% para 28,9%; e
  • o da Coreia do Sul, de 17,5% para 66%.

Os números levam em conta o critério de paridade do poder de compra (PPP, na sigla em inglês), com base em estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Coordenador de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Armando Castelar diz: o Brasil está ficando mais pobre em termos relativos, na comparação com outros países. O país fica mais distante dos países de renda alta, como os EUA, em vez de ficar mais próximo. Nesse sentido, é um processo inverso ao desenvolvimento. “É um processo de subdesenvolvimento não em relação a si mesmo, mas em relação ao resto do mundo.” O critério de paridade de poder de compra busca eliminar as diferenças de custo de vida, facilitando a comparação entre os países.

Em 1980, o PIB per capita brasileiro era de US$ 11.372, equivalendo a 39% do americano. Em 2018, era apenas 26% maior do que em 1980. Os US$ 14.359 do ano passado equivalem a 25,8% do PIB per capita dos EUA. No mesmo período, o PIB per capita sul-coreano cresceu 623%, e o chileno, 189%. O indicador americano, mesmo partindo de um nível bem mais alto em 1980, aumentou 91% nesse intervalo.

O desempenho do PIB per capita brasileiro recente tem sido ainda pior. Nos últimos anos, o país sofreu uma gravíssima recessão, que durou do segundo trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2016, e a economia cresceu apenas 1,1% em 2017 e também em 2018. Depois de bater no pico de US$ 15.562 em 2014, o PIB per capita do Brasil recuou nos três anos seguintes, ficando praticamente estável no ano passado, quando subiu 0,4%. Continuar a ler

Empresas Não-Financeiras: Sem Desalavancagem Financeira

O ano de 2018 poderia ter sido o momento de uma retomada mais consistente do crescimento econômico. Não foi o que aconteceu e os balanços patrimoniais das empresas de capital aberto mostram as consequências disso:

  1. a melhora da rentabilidade foi tímida e muito desigual entre os setores,
  2. o endividamento permaneceu elevado e
  3. pouco se avançou a redução das despesas financeiras.

Esta Carta IEDI 927 analisa indicadores dos balanços de 318 grandes corporações não financeiras de capital aberto em 2018. As empresas foram agregadas de tal maneira que podemos avaliar o desempenho dos grandes setores da economia: indústria, serviços e comércio, isolando os efeitos de gigantes como Petrobras, Vale e Eletrobras.

De modo geral, a evolução foi mais favorável no segundo semestre de 2018 do que no primeiro semestre, quando a paralização dos caminhoneiros perturbou muito a produção e a distribuição de mercadorias.

Em boa medida a melhora esteve relacionada à vigência de patamares mais elevados dos preços de commodities e às mudanças na Petrobras. No agregado da amostra de empresas, a margem líquida de lucro saltou de 4,3% em 2017 para 7,6% em 2018. Excluídas as gigantes Petrobras, Vale e Eletrobras, a margem passou de 4,5% para 5,9%, retornando ao nível de 2014 (5,6%). Mas isso não ocorreu para todos.

Para a indústria (excluídas a Petrobras e a Vale), o quadro progrediu apenas parcialmente. A margem líquida de lucro subiu de 3,7% em 2017 para 4,6% em 2018, mas esse movimento não foi capaz de restaurar a rentabilidade aos patamares anteriores à crise recente. Em 2014 a margem tinha sido de 5,7%.

Além de modesto, este movimento positivo na indústria foi muito concentrado em poucos ramos, principalmente na extrativa e em alguns segmentos de insumos básicos. O grupo de bens de consumo não duráveis e semiduráveis, por sua vez, contribuiu negativamente para a recomposição da rentabilidade média do setor.

Quem apresentou, de fato, melhorias significativas na rentabilidade em 2018 foram as empresas dos setores de comércio e serviços. Na indústria, a lucratividade aumentou de maneira limitada, fazendo com que o endividamento e as despesas financeiras permanecessem fardos importantes. Esta é mais uma dimensão do pífio desempenho industrial, cuja produção física voltou ao vermelho desde o final do ano passado.

Para o agregado das empresas como um todo, o endividamento bancário manteve a tendência de crescimento em 2018, variando +6,7% e atingindo a cifra de R$ 1,5 trilhão, impulsionado, entre outros fatores, pela desvalorização do real do período, na faixa de 20%. A indústria, por sua vez, viu seu endividamento subir mais intensamente: +11% em relação a 2017, chegando a R$ 414,6 bilhões, quando excluídas as gigantes Petrobras e Vale. Continuar a ler

Seminários para Debate de um Projeto Nacional

Cristian Klein e Francisco Góes (Valor – Eu&Fim-de-Semana, 26/04/19) escreveram reportagem sobre um Seminários para Debate de um Projeto Nacional.

Brasil acima de tudo” está no bordão repisado pelo presidente da República, mas é uma casa de shows no bairro do Catete, no Rio, que tem se transformado, semanalmente, no QG da defesa de um projeto nacional — distante do ideário da nova direita bolsonarista. Em meio à onda conservadora, políticos, artistas, acadêmicos e diplomatas, reunidos no Casarão Ameno Resedá, estão se dedicando a debater o país em 36 seminários. Até dezembro de 2019, pretendem apontar rumos para a nação que, em três anos, completará o bicentenário da Independência.

É com esse marco histórico em mente que o professor e consultor Darc Costa, de 70 anos, presidente do Instituto Brasilidade, decidiu reunir um time de especialistas em diversas áreas – da infraestrutura e energia, passando por música, cinema e arquitetura, à política externa – para achar respostas ao dilema da questão nacional. Mais uma vez, a empreitada é em parceria com o amigo e economista Carlos Lessa, com quem fundou o instituto e de quem foi vice-presidente na gestão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre 2003 e 2004.

Estudioso de questões estratégicas, Darc Costa tem como principal preocupação a retomada de um projeto nacional que, afirma, o Brasil perdeu a partir dos anos 80, mas cuja articulação depende agora de um ex-capitão do Exército. Em sua visão, Jair Bolsonaro representa uma ruptura ao predomínio do pensamento liberal paulista, vigente desde a redemocratização de 1985 e que já havia dado as cartas na República Velha, entre 1889 e 1930. “Só que Bolsonaro não tem escopo teórico para conduzir o processo. Não tem a formação, por exemplo, de um general Mourão [vice-presidente], que demonstra ser muito mais sólida”, compara.

Costa afirma que apenas quando o Brasil reconstruir o seu projeto de país, como houve entre as décadas de 30 e 80, é que haverá solução para grandes problemas, como o crescimento e a redução da desigualdade social. Cita a importância do marechal Mário Travassos (1891-1973), que escreveu quando ainda era capitão, em 1935, o livro “Projeção Continental do Brasil”, que “lastreou toda a política externa do Brasil durante cinco décadas, a partir da era Vargas”.

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