Petrobras: Reajuste Aparente

O que restou da Petrobras após a Gestão (A)Parente?

André Ramalho e Ivo Ribeiro (Valor, 13/07/18) mostra a continuidade administrativa. Há pouco mais de um mês no cargo de presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, ex-diretor financeiro da estatal, assumiu o comando com a missão de pisar no acelerador e entregar ao mercado, ainda neste ano, os compromissos de venda de ativos e redução de dívidas.

Ao mesmo tempo, o executivo tem pela frente um debate público em torno da política de preços dos combustíveis. Após um ano de reajustes diários serviu de pano de fundo para a greve dos caminhoneiros, em maio de 2018, e levou à saída o então presidente, Pedro Parente.

Monteiro afirma a empresa reconhecer o impacto que tem sobre a sociedade. Está aberta ao debate, mas alerta: a artificialidade dos preços é incompatível com a missão da empresa de desenvolver o pré-sal.

“A Petrobras tem um impacto muito grande para a economia como um todo e tem de estar aberta a ouvir a sociedade. Mas não vamos abrir mão de ter uma política comercial realista“, disse.

A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Valor. Depois, o quadro atual da desalavancagem financeira da Petrobras.

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Plano A-Parente Serpente da Petrobras para BRF: “Dois Passos Atrás Para Um A Frente”…

Luiz Henrique Mendes (Valor, 02/07/18) apresenta um estudo de caso relevante para se entender como estão as grandes empresas brasileiras.

Era 3 de dezembro de 2015. No melhor ano de sua história, a BRF anunciava, de um vez só, três aquisições no exterior, por US$ 500 milhões. Estava em curso o projeto liderado pela gestora de recursos Tarpon e pelo empresário Abilio Diniz para transformar a companhia em um negócio global. De lá para cá, porém, a maré virou. Na última sexta-feira, a companhia de alimentos anunciou que aqueles negócios adquiridos em 2015 serão vendidos – e em conjunto com outros ativos.

Substituto de Abilio na presidência do Conselho de Administração da BRF desde 27 de abril e CEO da empresa há duas semanas — depois da “greve dos caminhoneiros” lhe dar um “passa-fora, moleque” da Petrobras com sua estapafúrdia política de reajustes diários dos preços dos combustíveis –, Pedro Parente anunciou uma “freada de arrumação” para tirar a empresa da crise, o que provocará a demissão mais de 4 mil funcionários no Brasil. Com a venda de ativos e outras medidas como a antecipação de recebíveis, a BRF pretende obter R$ 5 bilhões ainda neste ano.

Em teleconferência com analistas de O Mercado, o vice-presidente executivo global da BRF afirmou que a maior parte dos R$ 5 bilhões que a companhia pretende obter virá das vendas das operações na Europa, na Argentina e na Tailândia. Essas operações foram responsáveis por mais de R$ 3 bilhões em vendas no ano passado: 10% do faturamento de R$ 33 bilhões reportado pela companhia.

Ao deixar de produzir nessas regiões, a BRF vai concentrar a atuação:

  1. no Brasil, onde é a líder com as marcas Sadia e Perdigão,
  2. nos mercados muçulmanos (sobretudo no Oriente Médio) e também
  3. na Ásia. Continue reading “Plano A-Parente Serpente da Petrobras para BRF: “Dois Passos Atrás Para Um A Frente”…”

Desalavancagem Financeira e Reestruturação das Empresas: Prontas para Retomada do Crescimento?

Para elaborar um Plano de Governo, no contexto atual da economia brasileira, é óbvia a prioridade ser a retomada do crescimento da renda e do emprego, ampliando antes o mercado consumidor e a arrecadação fiscal, para posterior ajuste das Finanças Públicas. Para tanto, a concessão de crédito, para para PFs, quanto para PJs, será necessário. Daí brotam perguntas-chaves:

  1. o processo de desalavancagem financeira, i.é, queda do endividamento em relação às receitas, já findou para as empresas?
  2. quando cair a ameaça de desemprego as famílias reiniciarão novo ciclo de endividamento?
  3. os bancos públicos estarão capitalizados o suficiente para puxar a retomada do crédito, seja livre, seja direcionado?

Neste post se examina o que se passa com muitas empresas não-financeiras através de reportagem publicada por Carlos Rydlewski (Valor – Eu&Fim-de-Semana, 18/05/18). Continue reading “Desalavancagem Financeira e Reestruturação das Empresas: Prontas para Retomada do Crescimento?”

Resultados da Pesquisa Capitais Brasileiros no Exterior (CBE)

A pesquisa Capitais Brasileiros no Exterior (CBE) fornece panorama dos investimentos realizados por empresas e pessoas físicas residentes no Brasil em ativos no exterior. As principais modalidades de investimento são

  1. investimento direto,
  2. investimento em portfólio (ações e títulos), e
  3. outros investimentos (concessões de créditos comerciais e empréstimos, depósitos e imóveis).

O CBE é a principal fonte de dados para a compilação de estoques dos ativos externos que compõem a Posição de Investimento Internacional (PII), à exceção dos ativos de reserva. O estoque de reservas internacionais atingiu US$ 379,5 bilhões em junho de 2018, correspondendo a 367% da dívida externa de curto prazo residual (exceto operações intercompanhia e títulos de renda fixa negociados no mercado doméstico).

A pesquisa anual de CBE é conduzida pelo Banco Central desde 2001 e é obrigatória para pessoas físicas e jurídicas detentoras de ativos no exterior, ao fim de cada ano-base, em montante igual ou superior ao equivalente a US$100 mil.

Os dados coletados no CBE ano-base 2017 foram compilados e incorporados às estatísticas da PII. Em 2017, a posição total de ativos brasileiros no exterior atingiu US$ 498,8 bilhões, recorde da série histórica, e expansão de 9,4% em relação à posição de 2016.

Dentre as modalidades, destaque-se o Investimento direto – Participação no capital, modalidade de maior importância em toda a série. Contribuiu para a ampliação dos estoques investidos no exterior em 2017 (elevação de US$42,9 bilhões ante 2016, equivalentes a 13,6%), acumulando US$ 357,9 bilhões. Esse tipo de investimento compreende alocações de capital em empresas não residentes, em que o investidor residente detenha 10% ou mais do poder de voto na empresa no exterior, além da posse de imóveis.

Mapa das startups e Participações de Municípios no VA de Indústria e Serviços

Gustavo Brigatto (Valor, 11/07/18) mostra: o mapa das startups está se descentralizando no Brasil, com histórias de sucesso em localidades fora dos cinco centros com mais companhias novatas de tecnologia: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Florianópolis e Recife.

“É natural grandes centros receberem mais atenção. O problema é, com o passar do tempo, o custo de extrair a inovação nessas regiões ficar mais alto e o ambiente, mais competitivo. Por isso é importante olhar para outros lugares”, diz o presidente da Associação Brasileira das Startups (Abstartups).

Em um esforço para promover essa “interiorização“, a associação fez, em parceria com a Accenture, uma pesquisa para entender onde estão as startups, como essas empresas se organizam e como está o entorno delas. É o chamado ecossistema. Inclui investidores, instituições de ensino, órgãos de fomento etc. Continue reading “Mapa das startups e Participações de Municípios no VA de Indústria e Serviços”

Para Avanço da Inovação no Brasil

É praticamente um consenso entre empresários, gestores públicos e especialistas que a capacidade de inovar é determinante para a competitividade das empresas e das nações. Entretanto, a inovação pode não só estimular o crescimento econômico, mas também ajudar a solucionar problemas econômicos e sociais complexos em áreas como saúde, educação, segurança, mobilidade urbana, gestão pública, equidade e sustentabilidade.

Na Carta IEDI 863 são discutidas algumas iniciativas para fazer avançar a inovação no Brasil, tendo como substrato o estudo realizado por Paulo Tigre, PhD em Política Científica e Tecnológica pela Universidade de Sussex (Inglaterra) e Professor Titular (aposentado) do Instituto de Economia da UFRJ.

Este estudo, cuja versão integral encontra-se no site, faz parte de uma série de quinze trabalhos realizados para subsidiar a elaboração da estratégia industrial do IEDI, a ser divulgada em breve. Alguns deles já estão disponíveis: Cartas IEDI n. 855 de 26/6/18; n. 856, de 28/6/18; n. 857 de 29/618; n. 858 de 2/7/18; n. 859 de 3/7/18; n. 860 de 5/7/18 e n. 862 de 10/7/18.

Segundo o autor, são três as linhas de ação que poderiam melhorar o quadro da inovação no país, sintetizadas a seguir: Continue reading “Para Avanço da Inovação no Brasil”

Censo Agro 2017

O Censo Agro 2017 identificou, até o momento, 5.072.152 estabelecimentos agropecuários no Brasil, em uma área total de 350.253.329 hectares. Em relação ao Censo Agro 2006, essa área cresceu 5% (16,5 milhões de hectares, o equivalente a área do estado do Acre) apesar da redução de 2% (103.484 unidades) no número de estabelecimentos. No entanto, quando se excluem os produtores sem área, há aumento de 74.864 estabelecimentos. Ressalta-se, ainda, que diferenças metodológicas contribuíram para que total de produtores sem área caísse de 255.019, em 2006, para 76.671 em 2017.

Entre os estabelecimentos com 1.000 ha ou mais, houve aumentos tanto em número (mais 3.287) quanto em área (mais 16,3 milhões de ha). Sua participação na área total passou de 45% para 47,5% de 2006 para 2017. Já os estabelecimentos entre 100 e 1000 ha viram sua participação na área total cair de 33,8% para 32% (menos 814.574 ha) e tiveram uma diminuição de 4.152 unidades.

Quanto à condição legal da terra, a proporção de estabelecimentos em terras próprias cresceu de 76,2% para 82%, mas a participação destes estabelecimentos na área total diminuiu de 90,5% para 85,4%. Já a proporção de estabelecimentos com terras arrendadas caiu de 6,5%, em 2006, para 6,3%, em 2017, embora a participação da modalidade na área total tenha crescido de 4,5% para 8,6%.

Em 2017, havia 15.036.978 pessoas ocupadas nos estabelecimentos agropecuários. Em 11 anos, isso representa uma queda de 1,5 milhão de pessoas, incluindo produtores, seus parentes, trabalhadores temporários e permanentes. A média de ocupados por estabelecimento também caiu de 3,2 pessoas, em 2006, para 3 pessoas, em 2017. Em sentido oposto, o número de tratores cresceu 49,7% no período e chegou a 1,22 milhão de unidades. Em 2017, cerca de 734 mil estabelecimentos utilizavam tratores.

Destaca-se, ainda, que 1.681.001 produtores utilizaram agrotóxicos em 2017, um aumento de 20,4% em relação a 2006. O uso de irrigação também se ampliou, com aumento de 52% tanto em estabelecimentos (502.425) quanto em área (6.903.048 hectares). Além disso, o acesso à Internet nos estabelecimentos agropecuários cresceu 1.790,1%, passando de 75 mil, em 2006, para 1.425.323 produtores que declararam ter acesso em 2017.

Cerca de 15,5% dos produtores disseram nunca ter frequentado escola e 79,1% não foram além do nível fundamental. Já a participação de mulheres e idosos de 65 anos ou mais na direção dos estabelecimentos aumentou, chegando a, respectivamente, 18,6% e 21,41%. Em 2006, as mulheres representavam 12,7% dos produtores e os idosos, 17,52%. Além disso, pela primeira vez, o Censo Agro investigou a cor ou raça dos produtores: 52% deles eram pretos ou pardos e 45% eram brancos, distribuição semelhante à da população do país, segundo a PNAD Contínua 2017.

Entre os endereços visitados, apenas 6.582 (ou 0,13%) não responderam ao Censo Agro 2017. Os resultados apresentados nesta divulgação preliminar ainda não incluem cerca de 3 mil questionários que estão passando por processo de validação e 1.213 estabelecimentos de coleta especial (empresas e grande produtores).

Esta divulgação preliminar do Censo Agropecuário 2017 traz informações sobre as características do produtor agropecuário e dos estabelecimentos; a condição legal das terras e do produtor; pessoal ocupado; infraestrutura dos estabelecimentos; características da pecuária e da produção vegetal (efetivos e produtos da silvicultura, horticultura, floricultura, extração vegetal, lavouras permanente e temporária), entre outros temas. O material de apoio desta divulgação do Censo Agro 2017 está abaixo:

 

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