Ajuste Econômico e Crise Estrutural da Indústria

Nesta edição #21 da Revista Política Social e Desenvolvimento, seguimos no debate sobre a gestão macroeconômica ortodoxa e seus impactos na interdição da agenda de desenvolvimento e ameaça às conquistas sociais. Com artigos de Mariana Mazzucato,  Caetano Penna, Célio Hiratuka, Cristina Fróes De Borja Reis, Fernando Sarti, Marcelo Arend.

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Relatório de Efetividade do BNDES

Atuação Anticíclica do BNDESBNDES X FBCFO BNDES está divulgando seu primeiro Relatório de Efetividade, em conjunto com ações de ampliação de transparência. Este é um instrumento de demonstração das ações do Banco para a sociedade e uma ferramenta para aprendizado interno.

São apresentados no relatório indicadores de “entregas físicas” e de efeitos gerados pela atuação do Banco com ênfase nas prioridades corporativas.‎ Também estão disponíveis um conjunto de avaliações de efetividade.

O endereço é:
http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/conhecimento/efetividade/relatorio_efetividade_2007_2014.pdf.

Conflito Distributivo e Ideologia

mafalda-apagador-de-ideologiasPresenciei, no auditório do IE-UNICAMP, um debate entre economistas recém formados pela FGV-EESP e Universidade de Viçosa, dois dos quais trabalham no mercado financeiro, uma fez pós-graduação no exterior e outro iniciou a busca de emprego. Todos são membros do grupo que dirige o interessante site Terraço Econômico.

Falaram sobre conjuntura política e econômica. Impressionou-me mais como repetem o discurso pasteurizado de “economistas de O Mercado”. Estes produzem um empobrecimento das qualidades de autenticidade expressiva da teoria econômica neoclássica, misturando-a com o neoliberalismo, com o intuito de agradar ao público-alvo (“opinião especializada”) ou tornar sua mensagem mais chã à opinião pública.

Aberto o debate, não conseguiram dar uma resposta convincente a um estudante que, simplesmente, perguntou: “o que ocorrerá após o ajuste fiscal? Quais são as perspectivas em longo prazo da economia brasileira?”. Deram a impressão que só aprenderam a mimetizar o discurso convencional sobre política econômica em curto prazo. Será que, ultrapassada a (má) conjuntura, as “livres-forças-do-mercado” tomarão as “rédeas-da-história”, conduzindo o nosso futuro ao melhor equilíbrio possível?!

Então, como não havia contraponto, não resisti a lhes perguntar: “qual é a ideologia de cada um de vocês? Quem se define a favor do livre-mercado ou da regulação governamental?”. Continuar a ler

Competitividade Brasileira: Necessidade de Elevação da Produtividade no Setor de Serviços

Produtividades setoriais relativasJorge Arbache é professor de economia da UnB. Publicou outro artigo (Valor, 10/06/15) a respeito de um setor de atividade que, felizmente, passou a ser pesquisado no País: a produtividade do Setor de Serviços. Compartilho-o abaixo.

“A discussão sobre a importância da produtividade finalmente começou a se popularizar no Brasil, o que são boas novas para as perspectivas do crescimento econômico, redução da pobreza e da desigualdade, contenção da inflação e aumento da competitividade internacional. Embora a produtividade tenha grande contribuição para a prosperidade das nações em geral, é em contextos de crescente escassez de capital e de trabalho que a produtividade passa à condição de elemento crítico e até determinante do desenvolvimento.

E esse parece ser o caso do Brasil.

  • De fato, temos, de um lado, uma taxa de poupança muito aquém da necessária para financiar os investimentos de que tanto precisamos [FNC: funding que financia investimentos] e é improvável que ela venha a aumentar de forma significativa no horizonte previsível.
  • De outro lado, passamos por rápida e intensa transformação demográfica que já nos encaminha para um quadro de escassez de força de trabalho .[FNC: ?!] Temos, portanto, que aprender a fazer mais com o mesmo, ou seja, temos que aumentar substancialmente a nossa produtividade.

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Valeu, Eliezer Batista!

Principais Produtos Exportados 2014Principais compradores do minério de ferro 2012Embora a Vale exporte para o Japão menos de 10% do seu total exportado, ela responde por cerca de um quarto do fornecimento de minério de ferro para este País. Essa venda é feita, via mercado transoceânico, para grandes siderúrgicas japonesas. “Nossa participação no Japão no mercado de minério de ferro, em termos históricos, é de cerca 25%”, disse Marcos Turini, diretor responsável pelas operações da Vale no mercado japonês. Leia mais a respeito do negócio brasileiro do minério de ferro: http://www.ibram.org.br/sites/1300/1382/00004035.pdf

O alto teor de ferro do minério da Vale, em especial de Carajás, no Pará, tem garantido presença importante para a mineradora brasileira no Japão, cujas siderúrgicas desenvolveram um nicho de mercado apoiado em produtos de alto valor agregado.

A Vale disputa o mercado japonês sobretudo com as mineradoras australianas. Segundo especialistas, a Rio Tinto é a principal fornecedora de minério de ferro para os japoneses, sendo seguida pela Vale e pela BHP Billiton. No ano passado, a Vale vendeu para as siderúrgicas japonesas 27,2 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas, volume 13% abaixo dos 31,19 milhões de toneladas de 2013. Foi o volume mais baixo de vendas da Vale para as siderúrgicas japonesas desde 2011.

DocevaleFrancisco Góes (Valor, 28/05/15) resgata a epopeia histórica da construção da Vale, uma das maiores empresas brasileiras, através de traços biográficos de Eliezer Batista. É relevante compartilhar esse registro histórico para conhecimento geral dos cidadãos brasileiros.

Em 1961, o engenheiro Eliezer Batista, duas vezes presidente da Vale, fez a primeira de suas 178 viagens ao Japão. Naqueles dias, cumpriu intensa agenda de encontros para falar do potencial da mina de ferro de Itabira, em Minas Gerais, e sobre a necessidade de construção de um novo terminal portuário em Vitória (ES). Em coquetel, em Tóquio, conheceu Toshio Doko, reconstrutor do Japão no pós-guerra. “Quando vi, estava ao lado dele no meio do salão. Não tinha nada para falar com ele, nem ele comigo. Graças aos milagrosos poderes do saquê soltei o verbo.” Doko abriu portas, facilitou contatos e colaborou na montagem do projeto que culminaria com a construção do porto de Tubarão, na capital capixaba, inaugurado em 1966. “Vejam só a importância do saquê para a mineração brasileira”, disse bem-humorado Batista no livro “Conversas com Eliezer“.

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Sincronia entre Ciclos Econômicos dos Países do BRICS

Sincronia de Ciclos dos BRICSSincronia é o estado ou a condição de dois ou mais fenômenos ou fatos passados ou atuais que ocorrem simultaneamente e são, de certo modo, relacionados entre si. No caso, a sincronia refere-se à ocorrência simultânea ou em ritmo regular e definido de ciclos econômicos dos grandes países emergentes.

O que ocorre nos BRICS — grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — afeta mais estes próprios países do que o que acontece nas economias desenvolvidas. A existência de um ciclo comum entre os cinco países é a conclusão que os economistas Roberto Castello Branco e João Victor Issler, segundo Cristian Klein (Valor, 09/06/15).

No trabalho, Castello Branco e Issler analisam a correlação do Produto Interno Bruto (PIB) e da produção industrial dos integrantes do Brics. Desde 2000, as taxas de crescimento do PIB trimestral destes países apresentam similaridade. Quando alguma economia cresce ou se retrai, a outra vai na mesma direção, ainda que em patamares diferentes.

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Chimérica contrapartida da Chisil

ChiméricaDavid Kupfer é professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Grupo de Indústria e Competitividade (GIC-IE/UFRJ). Obtive em um artigo dele os dados acima, talvez os mais expressivos, em termos sintéticos, do que se denomina de “Chimérica“: a integração industrial entre a China e a América. Através de IDE (Investimento Direto Estrangeiro) norte-americano na China, condicionado à transferência de tecnologia, criou-se uma nova divisão internacional do trabalho: a China produz, os EUA consomem — e recebem financiamento chinês que lá aplica parte de suas imensas reservas cambiais. Nesse contexto, grosso modo, os BRIC emergiram, sendo o Brasil “a fazenda do mundo”, a Rússia “a usina do mundo”, a Índia “o escritório do mundo”, e a China “a fábrica do mundo”!

Evidentemente, isso é uma caricatura metafórica, pois todos esses grandes países emergentes têm uma economia multidiversificada com todos as atividades.

Compartilho abaixo outro artigo dele (Valor, 08/06/15) sobre a potencial colaboração entre China e Brasil:Chisil“? Continuar a ler