Balanço do ocorrido nos cinco anos seguintes ao Golpe de 2016

César Locatelli e José Celso Cardoso Jr. publicaram muito bom balanço do ocorrido nos cinco anos seguintes ao Golpe de 2016: https://www.cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FEconomia-Politica%2FEconomia-brasileira-pos-golpe-5-anos-de-retrocesso%2F7%2F51491&fbclid=IwAR0RsomeBfz5BbY51GNBqwNTQ0VKEAPEytGWTITsjb309hs4kpDotBAyvJw

“Passados 5 anos do afastamento de Dilma, e quase 6 anos da publicação do projeto “Ponte para o Futuro”, é preciso avaliar se os pretensos objetivos do plano foram alcançados. “A presente crise fiscal e, principalmente econômica, com retração do PIB, alta inflação, juros muito elevados, desemprego crescente, paralisação dos investimentos produtivos e a completa ausência de horizontes estão obrigando a sociedade a encarar de frente o seu destino”, apontava o plano.

Certamente já se passou tempo suficiente para, ao menos, vermos sinais de progresso nas “políticas sociais que combatam efetivamente a pobreza e criem oportunidades para todos”. Bem como no encaminhamento das soluções para os problemas apontados: “crise fiscal e, principalmente econômica”, “retração do PIB”, “a alta inflação”, “os juros elevados”, “o desemprego crescente”, “paralisação dos investimentos” e, sobretudo, “a completa ausência de horizontes”.

Na avaliação, publicada na Carta Maior, os coautores advertem: “não será, contudo, definitiva, dado que o processo continua em curso e ainda pode piorar muito. Tampouco, será extensa, foram pinçados poucos tópicos julgados exemplares”.

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Energia Hidrelétrica X Eólica ou Solar

O Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, com governos estaduais e usuários do rio entre seus integrantes, criticou duramente as mudanças de vazão nas usinas hidrelétricas do Velho Chico a fim de ampliar o fornecimento de energia do Nordeste para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste.

Uma das ações tomadas nesta semana pelo Ministério de Minas e Energia, que acabou sendo ofuscada pelo aumento da bandeira tarifária e pelo bônus dado aos consumidores para uma redução voluntária da demanda, foi liberar mais água das usinas hidrelétricas no curso do São Francisco.

Com isso, o objetivo do governo é gerar mais energia na região Nordeste e transferir esse excedente para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, onde está a pior situação dos reservatórios no país.

Para o comitê, no entanto, essa estratégia pode trazer de volta a ameaça de colapso hídrico vivenciada pela bacia há poucos anos e colocar em risco a segurança no abastecimento de 2022 em diante.

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Efeito Seca pós-2012: Desencadeamento de Dependência de Trajetória Caótica

Em 1926, o economista russo Nikolai Kondratiev apresentou a ideia de ondas longas da conjuntura, a hipótese da existência de ciclos longos na dinâmica do capitalismo mundial com fases de prosperidade, recessão, depressão, recuperação. Podem ser ciclos tecnológicos como a revolução industrial inglesa (textil de algodão: 1800-1850); indústria ferroviária (aço: 1850-1900); engenharia química e elétrica (1900-1950); petroquímica (extrativa de petróleo: 1950-2000); automação robótica (tecnologia de informações: 2000-…).

A máxima duração de um ciclo solar foi de treze anos e oito meses, pertence ao ciclo 4 (de setembro de 1784 a maio de 1798). O ciclo de menor duração foi o número 2, com nove anos exatos (de junho de 1766 a junho de 1775). Nos períodos de atividade mais elevada, conhecidos como máximo solar, as manchas solares aparecem, enquanto que períodos de atividades mais baixas são denominados de mínimo solar.

ciclo solar 24, cujo início estava previsto para março de 2008 pelo NOAA, e que teve um alarme falso em 4 de janeiro daquele ano (a mancha solar detectada era remanescente do ciclo 23), parece ter começado efetivamente em 22 de setembro de 2008. Todavia, e até 30 de janeiro de 2009, com o surgimento de apenas seis novas manchas, a previsão passou a ser o período de máximo solar só ter principiado realmente em meados de 2010, atingindo o ápice em 2013.

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Produtividade do Trabalho e Crescimento Econômico

Por Luque, Silber, Luna e Zagha (Valor, 15/08/21)

A estagnação da produtividade do trabalho no Brasil é notória. Tem sido o tema de uma variedade de artigos acadêmicos e estudos por instituições nacionais e internacionais. Dois estudos recentes da OCDE resumem bem as conclusões sobre o assunto. Eles mostram que produtividade do trabalhador brasileiro cresce a taxas modestas, bem menores do que em outros países. O resultado é que em 2019 a produtividade do trabalhador brasileiro era 73% mais baixa do que a dos países mais avançados da OECD. Esses estudos identificam quatro causas dessa baixa produtividade.

1. Proteção às empresas menos produtivas. Em cada setor da economia brasileira se encontram firmas com produtividade comparável às das mais avançadas do mundo. Mas elas coexistem com um grande número de firmas muito menos produtivas. As firmas mais competitivas crescem pouco porque as menos competitivas são protegidas por incentivos fiscais (Simples, tributação reduzida para firmas com receita menor do que R$ 478 milhões, guerras fiscais entre Estados) e regulatórios.

2. Ensino de baixa qualidade. O Brasil realizou em poucas décadas a façanha de universalizar a educação primária, e expandir a secundária. Mas a qualidade da educação é bem inferior à de outros países, o que afeta a produtividade do trabalho.

3. O custo Brasil. Burocracia, lentidão da Justiça, regulações e um sistema tributário fragmentado, insegurança jurídica, inclusive na área fiscal, seriam uma terceira causa da baixa produtividade do trabalho no Brasil.

4. Barreiras à importação. O Brasil tem entre as tarifas mais altas do mundo, assim como barreiras não tarifárias, em particular sobre bens de capital e insumos intermediários, que isolam o país da competição externa e dos benefícios do comercio internacional.

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Acordo com UE reduz alíquota de carro em 50%

Assis Moreira (Valor, 19/07/21) informa: o Brasil abrirá uma cota de importação anual de 32 mil veículos da Europa com tarifa de 17,5%, ou seja metade da alíquota normal, por sete anos, a partir do momento em que o acordo Mercosul-União Europeia (UE) entrar em vigor.

Depois dos sete anos com cota, começará a desgravação (mecanismo de redução) da tarifa até chegar a zero nos oito anos seguintes nesse setor. A área automotiva é considerada uma dos mais importantes no acordo.

Por sua vez, o café solúvel brasileiro, muito exportado para a Europa, terá acesso sem tarifa nos 27 países da UE quatro anos depois da entrada em vigor do acordo birregional. A tarifa atualmente é de 9%, muito alta para os padrões europeus. E, com sua eliminação, o produto brasileiro com valor agregado poderá ganhar mercado.

Essas informações foram detalhadas, pela primeira vez, ao mesmo tempo pelos países do Mercosul e pela União Europeia, com a publicação dos cronogramas de redução tarifária e dos compromissos em matéria de serviços e compras públicas pelo acordo birregional.

O objetivo claramente é de buscar algum “movimento” e que não pareça que o acordo está paralisado, apesar da resistência de alguns Estados-membros europeus, que se dizem inquietos com os problemas ambientais no Brasil.

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Temor dos Bancos face ao Subi-Desci (CBDC): Moeda Digital do Banco Central

Com o fim da Olimpíada de Tóquio, intensificam-se os preparativos para os jogos de inverno em Pequim em fevereiro. Estes darão sinal de partida a uma disputa internacional muito maior que o esqui alpino.

A China pretende fazer uma reivindicação territorial antecipada no novo mundo das moedas digitais dos bancos centrais (CBDCs, na sigla em inglês). Ela dará aos estrangeiros sua primeira chance real de realizar pagamentos usando o yuan eletrônico emitido pelo Banco do Povo da China, o banco central chinês.

Qualquer banqueiro entre os visitantes poderá ter calafrios não atribuíveis a temperaturas negativas. As moedas digitais dos bancos centrais podem provocar uma ruptura significativa na indústria bancária.

Novas formas de moedas digitais prometem ser fáceis e baratas de manter e intercambiar. Isso dá a elas o potencial de abalar as bases de poder das moedas nacionais convencionais.

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Análise Neoliberal dos Benefícios Tributários

Cristiano Romero (Valor, 05/08/21) continua sua investida contras “os privilegiados”, isto é, “os outros”. Sua análise é a típica neoliberal: tudo é culpa de O Governo, jamais de O Mercado. Confira abaixo.

“Há um consenso no debate nacional de que a economia brasileira padece de grave desequilíbrio fiscal, uma vez que o Estado, considerando-se todos os entes da Federação, gasta muito mais do que arrecada. Quando isso acontece, e no caso deste país a que se chama de Brasil o déficit das finanças públicas é estrutural, a dívida pública não para de crescer e, se a tendência não muda em algum momento, o prêmio (a taxa de juros) cobrado pelo mercado para financiar o governo escala às alturas, provocando três efeitos indigestos. Ei-los:

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Investimentos no Brasil: Cortina de Fumaça da SPE

A expressão cortina-de-fumaça é usada como alusão a técnicas utilizadas por estrategistas militares para esconder suas forças ou veículos por trás de uma nuvem de fumaça, seja ela natural ou produzida artificialmente, para enganar e confundir o inimigo, dando-lhes a oportunidade para empregar uma manobra de contra ataque ou retirada. O recurso também é utilizado por ilusionistas para desorientar o público, desviando sua atenção do momento da execução do truque. Por exemplo, o uso do recurso, mostrado na foto abaixo, faria o inimigo morrer de rir1

A atual equipe econômica instalada no ministério da Economia se especializou em vender ideologia ou “cortina-de-fumaça”. Confira a propaganda enganosa do “discurso oficial” da SPE: só serve para empresários do tipo “me engane que eu gosto”…

O investimento lidera a recuperação da economia após a crise gerada pela pandemia de covid-19, mesmo com a menor participação do setor público, diz a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia. A retomada, acrescenta, está acontecendo a taxas mais altas que nas crises anteriores e o investimento puxa esse processo “a despeito da redução da participação do setor público”, com menores níveis de consumo e investimento estatal.

A secretaria neoliberal, sempre preocupada em criticar a Era Social-Desenvolvimentista, afirma: se até 2013 o investimento era, em grande parte, financiado por recursos públicos, hoje isso se dá majoritariamente via setor privado. “Não se deve comparar taxas de investimento, que naquela época eram mais altas que hoje, mas sim, a qualidade desse investimento, que é melhor atualmente”, diz em nota informativa divulgada no dia 27/07/21.

Para a SPE, o importante não é “quantidade” de FBCF, mas sim a “qualidade”: se for realizada pelo setor privado pode ser muito diminuta! Deveriam devolver os diplomas de economistas!

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Investimentos do BCB com Reservas Cambiais

Depois de obter a maior rentabilidade em 12 anos, o Banco Central fez alguns ajustes na estratégia de investimento dos US$ 353,448 bilhões em reservas internacionais para se preparar para o ambiente de alta de juros e de inflação internacionais e para se adequar às mudanças no passivo externo do país.

O prazo médio dos investimentos foi reduzido de 2,78 anos para 2,54 anos ao longo de 2020, deixando as reservas internacionais um pouco menos expostas a uma alta na curva de juros de prazos mais longos.

O BC aumentou ainda a sua exposição ao ouro, que passou de 1,2% para 1,94% das reservas no primeiro semestre deste ano. O metal costuma ser usado por investidores como proteção contra os riscos de alta da inflação em países desenvolvidos.

Também diversificou um pouco a aplicação por tipo de moeda. Aumentaram de perto de 1,21% para 1,7% os investimentos em ativos em “outras moedas”, ou seja, fora do grupo das cinco (dólar, euro, libra, iene e yuan) que compõem a cesta de direitos especiais de saque (DES) do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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Ingresso Líquido de IDP cobre Déficit no Balanço de Transações Correntes

O ingresso líquido de investimentos diretos no país (IDP) já está há três meses abaixo da estimativa do Banco Central (BC). Ao mesmo tempo, a entrada de recursos em carteira vem ganhando força e já mais do que compensa a remessa líquida registrada no ano passado, causada pela pandemia.

Em junho, o Brasil registrou entrada, sempre em termos líquidos, de apenas US$ 174 milhões de IDP, conforme divulgado ontem pela autoridade monetária. A estimativa era de ingresso de US$ 2,5 bilhões. A última vez em que a entrada de IDP ficou em linha com a estimativas do BC foi em março (ingresso de US$ 6,9 bilhões, com projeção de US$ 7 bilhões).

O IDP é considerado por vários economistas a fonte mais estável de financiamento das contas externas. Entram na rubrica: recursos destinados à participação no capital; empréstimos diretos concedidos por matrizes de empresas multinacionais às filiais no país e vice-versa; retorno de investimentos brasileiros no exterior.

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Sino-dependência ou super-ciclo de commodities?

Anais Fernandes (Valor, 28/07/21) informa: a retomada das economias locais, a desvalorização do real e a possibilidade de brechas nas cadeias globais têm ajudado as exportações brasileiras a ganhar terreno nos países latino-americanos em 2021, sobretudo pela venda de bens duráveis e de capital, como veículos e máquinas. Pode ser um movimento importante para a manufatura nacional, que perdeu espaço nos últimos anos com as vendas chinesas à região, mas o cenário ainda é de muitos desafios para que se possa pensar em uma recuperação estrutural desses mercados, dizem especialistas.

No geral, os embarques brasileiros aos pares latino-americanos cresceram no primeiro semestre deste ano mais pelo aumento do volume comercializado do que pela alta nos preços, diferentemente do que é observado nas exportações como um todo. De janeiro a junho de 2021, o volume exportado pelo Brasil cresceu 6,6%, ante igual período de 2020, enquanto os preços avançaram 25,2%.

Entre os latino-americanos, porém, o crescimento do volume exportado foi de 42,4% para a Argentina (com alta de 7,1% nos preços) e de 36% para outros países da América do Sul (7,9% nos preços). Ao México, o volume avançou 18,5%, e os preços, 17,9%. Enquanto isso, para os Estados Unidos e a União Europeia, o crescimento em volume foi menor, de 15,4% e 4,9%, pela ordem. Para a China, houve até pequena queda (2,6%), e o ganho de participação do país, para 34,4% das exportações brasileiras no período, é explicado mais pela alta de quase 39% nos preços. Os dados são do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

Argentina (3o), Chile (6o) e México (10o) são os países da América Latina entre os dez principais destinos dos embarques brasileiros em 2021, em valores, segundo dados do governo federal. Eles estão também entre as dez nações com as maiores variações absolutas nas exportações do primeiro semestre de 2020 para 2021.

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Volta do Efeito Orloff: risco de estagnação secular também no Brasil

Efeito Orloff tornou-se uma expressão popular inspirada em um comercial de televisão sobre uma bebida aparentemente sem causar efeitos de ressaca. Nesse comercial, um personagem apresentava-se bem disposto a ele próprio (depois de ter bebido), dizendo: “Eu sou você amanha”.

O Efeito Orloff é aplicado nos casos brasileiro e argentino, indicando o acontecido na Argentina (Plano Austral e falência do mesmo) aconteceria um pouco depois no Brasil (Plano Cruzado e fracasso do mesmo). Hoje indica a estagnação secular da economia brasileira, tal como o retrocesso histórico da economia argentina, de um país rico a um país decadente.

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