Desalavancagem Financeira do BNDES


Alô, alô, TCU, agora não é “pedalada bancária”?! Não é ARO (Adiantamento de Receita Orçamentária)?! Não, agora os golpistas se calam. O BNDES terá que antecipar pagamento de dívida com o Tesouro Nacional R$ 50 bilhões neste ano e R$ 130 bilhões em 2018.

De 2008 a 2015, o Tesouro emprestou R$ 523,86 bilhões ao BNDES, a valores da época. A operação tinha um subsídio implícito, uma vez que o Tesouro captava recursos à taxa básica de juros (Selic) e os emprestava ao banco estatal à TJLP, bem mais baixa, ou seja, a Selic teria de ser rebaixada como agora foi para não haver esse “subsídio implícito”. Havia, ainda, o subsídio explícito – o BNDES emprestava às empresas a uma taxa inferior à TJLP, no PSI.

 

As duas formas de subsídio somavam, em dezembro do ano passado, despesa de R$ 133,8 bilhões, segundo projeção feita pelo Tesouro até 2060, último ano de vencimento da dívida do BNDES. Provavelmente, não incorporou os dividendos pagos pelo Banco e os impostos possibilitados pelo desenvolvimento nessa sua conta. Em 2016, o Banco antecipou R$ 117 bilhões. Enfim, os golpistas estão minguando o BNDES, como era um de seus projetos oportunistas. Continua o desmanche neoliberal do Estado Desenvolvimentista.

Ribamar Oliveira e Murillo Camarotto (Valor, 15/09/17) informam que a proposta defendida pela direção do BNDES – usar ações para antecipar o pagamento de empréstimos ao Tesouro – não ajuda o governo a cumprir a “regra de ouro” do Orçamento neste e no próximo ano, um dos objetivos da área econômica. Além disso, a operação não é neutra do ponto de vista fiscal, pois eleva a dívida líquida do setor público.

A “regra de ouro” do Orçamento prevê que o governo só pode emitir títulos públicos em montante igual às despesas de capital (investimentos, inversões financeiras, juros e amortizações). Como a União vem registrando seguidos e elevados déficits primários, corre o risco de emitir títulos em volume superior às despesas de capital. O governo usou, em 2016, e pretende usar neste e no próximo ano os pagamentos antecipados do BNDES para abater a dívida e assim não ferir a “regra de ouro”.

Ao receber as ações do BNDES, o Tesouro teria que vendê-las em mercado, mas não poderia fazê-lo de imediato e em montantes elevados, pois isso iria derrubar as cotações das ações. Assim, não teria os recursos de que precisa para abater a dívida. E os neoliberais ainda dizem que o mercado de capitais brasileiro pode substituir o BNDES… Continue reading “Desalavancagem Financeira do BNDES”

Mercado de Capitais X BNDES

Boletim-FI-20170908-Grafico-II.jpg

A falsa hipótese dos neoliberais, não comprovada pelos dados existentes, é que a retração do BNDES levará à ocupação do vácuo pelo mercado de capitais brasileiro. O “sonho dos PhDeuses” é edificar, em um processo de Tropicalização Antropofágica Miscigenada, um mercado de capitais similar ao norte-americano! É o que aprenderam nos States: “tudo que é bom para os USA, é bom para o Brasil”…

Aqui, o volume no mercado de capitais chega a ser influenciado pela estratégia de captação de uma única companhia. No entanto, a ANBIMA avalia, p.ex., que “o número de ofertas de Notas Promissórias pode sinalizar que, com a expectativa de redução mais acentuada das taxas de juros, as empresas estejam optando por instrumentos de curto prazo, visando a troca por dívidas de custos ainda mais baixos nos próximos meses, com possível alongamento dos vencimentos”.

Do total do volume captado com notas promissórias em 2017, 70,5% dos recursos foram para companhias de capital aberto, o que representa uma mudança de perfil em comparação a 2016, quando houve equilíbrio entre as captações de companhias abertas (50,3%) e fechadas (49,7%).

De janeiro a agosto de 2017, as operações no mercado de capitais doméstico chegaram a R$ 93,3 bilhões, um crescimento expressivo (59%) em comparação ao mesmo período do ano passado. O avanço das ofertas foi puxado pelas ações, 275% superiores às de 2016, seguidas das notas promissórias (154%), FIDCs (153%) e debêntures (32,5%). Os CRIs e CRAs foram os únicos instrumentos que tiveram queda nos volumes captados, de 63% e 1,6%, respectivamente. Continue reading “Mercado de Capitais X BNDES”

Salvando o Capitalismo dos Capitalistas?!

A sub-casta dos sábios-economistas neoliberais dizem coisas absurdas sem a menor vergonha! São mais realistas que o rei, ou seja, mais capitalistas que os donos do capital!

Pior, quando é um leviano observador “de fora”, costuma afirmar com empáfia coisas idiotas, não tendo consciência do mal que faz contra a própria reputação profissional e os demais idiotas que o acolhem e o louvam.

Leia (como exemplo dessa interferência externa descabida) sobre a Rede Atlas do movimento internacional direitista que esteve por trás do golpe no Brasil: Atlas Network. São ativistas neoliberais e/ou facistóides patrocinados pela Atlas Economic Research Foundation, uma organização sem fins lucrativos que os lidera, conhecida agora simplesmente como a Rede Atlas. Ao tramar e apoiar o golpe de Estado atentou contra a soberania nacional.

O italiano Luigi Zingales, economista e professor da Universidade de Chicago, diz que “a Itália e o Brasil têm o mesmo nível de corrupção, o mesmo nível de intervenção governamental”. Ele é um dos mais reconhecidos especialistas — e crítico — do capitalismo de compadrio, em que alguns poucos setores empresariais formam aliança econômica e política com o governo, combinação rica na produção de ineficiência e corrupção. Seus dois livros tratam do tema: “Salvando o capitalismo dos capitalistas” e “Um capitalismo para o povo: Reencontrando a chave da prosperidade americana“.

O Brasil, infelizmente, é um dos grandes exemplos desse tipo de modelo pouco transparente. Em épocas de profundas mudanças na estrutura econômica nacional, Zingales sugere medidas radicais para que o país não apenas supere a pior crise de sua história, mas dê um salto institucional. Por exemplo: a substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pela Taxa de Longo Prazo (TLP), alvo da ira de entidades empresariais, não é o bastante, diz o neoliberal. O oportunismo político apressado é aterrador!

“O BNDES é muito poderoso e muito forte”, diz. “Talvez fosse possível dividi-lo e privatizar algumas partes.” Sem medidas desse tipo, afirma, o Brasil está condenado a permanecer indefinidamente no ciclo negativo: “O capitalismo de compadrio populista está muito vivo e bem no Brasil.” Este representante da classe média “moralista e justiceira”, que não se enxerga, paradoxalmente, em nome de seu suposto saber, age contra os capitalistas e contra o povo!

Zingales participou do 8o Congresso de Mercados Financeiro e de Capitais, onde falou ao Estevão Taiar (Valor, 28/08/17): Continue reading “Salvando o Capitalismo dos Capitalistas?!”

Padrão de Financiamento dos Investimentos: BNDES X Endividamento Externo

Sergio Lamucci e Catherine Vieira (Valor, 04/09/17) informam que a parcela do investimento financiada por empréstimos do BNDES encolheu ao menor nível desde pelo menos 2004 nos quatro trimestres encerrados em junho, ao mesmo tempo em que aumentou a fatia bancada com recursos de investidores estrangeiros. Nesse período, a formação bruta de capital fixo (FBCF) ficou em 14% do PIB, dos quais apenas 0,8% do PIB, ou 5,5% do total, foram financiados com dinheiro do banco de fomento, aponta levantamento do Centro de Estudos do Mercado de Capitais (Cemec), do Instituto Ibmec. Os números do Cemec não incluem o investimento das administrações públicas e a variação de estoques.

Em 2014, o investimento com recursos do BNDES foi de 2,6% do PIB, ou 15,2% do total da FBCF, medida do que se investe em máquinas e equipamentos, construção civil e inovação. O pico da participação do banco foi em 2009, quando o BNDES respondeu por 18% da FBCF.

Diretor do Cemec, Carlos Antonio Rocca avalia que a perda da participação do BNDES se deve mais à queda na demanda por empréstimos do banco, em um cenário de grande ociosidade na economia. Além disso, houve também um recuo na oferta de financiamentos a taxas muito subsidiadas, abaixo da inflação. “Acabou o dinheiro do Tesouro”, diz Rocca, em uma referência aos repasses do governo ao banco de fomento realizados entre 2009 e 2014, nas gestões dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, para atuação anticíclica que levou à menor taxa de desemprego da série histórica, mesmo em época de crise mundial.

[Fernando Nogueira da Costa: os neoliberais se regozijam pelo crescimento do endividamento externo das empresas brasileiras em consequência do desmanche do Estado desenvolvimentista e seus bancos públicos!] Continue reading “Padrão de Financiamento dos Investimentos: BNDES X Endividamento Externo”

Elevação das Exportações Brasileiras

Marta Watanabe (Valor, 28/08/17) informa que, responsável por superávits comerciais recordes em 2017, o crescimento vigoroso das exportações brasileiras no primeiro semestre superou em mais de dez pontos percentuais o ritmo de alta das vendas externas da maior parte do comércio internacional. De janeiro a junho o valor dos embarques brasileiros aumentou 19,34% contra iguais meses de 2016. No mesmo período as exportações totais mundiais cresceram 8,5%. Os dados são da Organização Mundial do Comércio (OMC), que reúne os dados mensais de exportação e importação divulgados por 70 economias responsáveis por 90% do comércio mundial.

A taxa de crescimento das exportações brasileiras superou a de países como Estados Unidos e China, que tiveram alta de 6,7% e de 8,5%, respectivamente, na mesma comparação. Os países da União Europeia avançaram 4,7%, com alta de 3,8% no comércio intrabloco e de 6,3% na exportação para outros países. No México, as vendas cresceram 10,4%.

A pauta de exportação brasileira contribui para esse desempenho. Ela é formada principalmente por commodities que passaram por elevação de preço ou que tiveram alta de volume, por conta de safra maior. Continue reading “Elevação das Exportações Brasileiras”

Economicismo ou Politicismo

Economicismo é quando o analista acha que a conjuntura econômica determina a escolha política. Politicismo é vice-versa, ou seja, a redução de tudo à política.

Cabe indagar: uma decisão “técnica” – tipo “certo ou errado” –  pode ser tomada por maioria de votos?!  Se não é por consenso técnico, é uma decisão política, isto é, por ação coletiva, atendendo a certos interesses (por exemplo, do capital) e não a outros (por exclusão, do trabalho).

A decisão “política” é neutra, imparcial, sábia?  Por suas filiações teóricas monolíticas, os membros do COPOM têm controvérsias analíticas entre si?  Não sofrem do viés heurístico da auto validação ilusória, pois só conversam com “gente que pensa igual”? Isso não os leva a cometer erros de avaliação?

Pela ausência de “mandato dual”, em que as decisões do Banco Central do Brasil seriam orientadas tanto para o combate à inflação como ao desemprego, não há “conflito de interesses” por parte dos fixadores da taxa de juros básica? Eles não deveriam se dizer “impedidos” de elevar os juros sem limite, beneficiando sua própria renda do capital financeiro?

A política econômica não é apenas a aplicação da teoria econômica. Ela requer que se ultrapassem as fronteiras estreitas da área econômica e que se leve em consideração, igualmente, a esfera da política e dos conflitos de interesses sociais.

A política econômica bem-sucedida existe apenas quando se combinam as ações econômicas e as ações políticas.  As experiências das sociedades democráticas de tipo ocidental resultam em Teoria da Política Econômica Democrática. Continue reading “Economicismo ou Politicismo”

Corte do Spread do BNDES

Francisco Goes (Valor, 28/08/17) informa que uma decisão tomada este mês pelo Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mudando a forma de cálculo do retorno sobre o ativo (ROA) da carteira de crédito vai abrir espaço para a instituição de fomento reduzir os “spreads” das operações financeiras. A medida surge em momento em que o BNDES precisa buscar formas de ser mais competitivo como resultado da provável introdução, a partir de janeiro de 2018, da Taxa de Longo Prazo (TLP) que servirá como referência para os empréstimos do banco.

Em 4 de agosto, o Conselho de Administração do BNDES fixou pela primeira vez um ROA de 0,4% ao ano para os ativos de crédito. Até então esse índice era de 0,7% com a conta sendo feita sobre o total dos ativos do banco, incluindo o crédito, a renda variável e títulos em tesouraria. O ROA é um indicador financeiro que demonstra a capacidade dos ativos de uma empresa em gerar resultados.

Para especialistas, a medida vai reduzir o retorno ao controlador, o Tesouro Nacional, o que a diretoria e o corpo técnico do BNDES negam. “O retorno para o Tesouro não vai cair porque o banco será mais eficiente na renda fixa e variável. Baixamos o retorno sobre ativos no crédito porque queremos competir com spreads mais baixos”, disse o diretor financeiro do BNDES, Carlos Thadeu de Freitas. A partir da decisão do Conselho de Administração, a diretoria do banco vai poder calibrar os “spreads” para baixo. Continue reading “Corte do Spread do BNDES”