Desemprego Rural com Aumento da Tecnologia e Produtividade e Reconhecimento de Erro Estratégico

Thais Carrança (Valor, 20/01/2020) informa: o setor agropecuário deixou de empregar quase 1,8 milhão de pessoas desde 2012. Entre o terceiro trimestre daquele ano e o de 2019, a população ocupada diretamente na atividade diminuiu de 10,3 milhões para 8,5 milhões. Somente na passagem de 2018 ao ano passado, foram 174 mil pessoas a menos trabalhando no campo, apesar de um crescimento estimado de 2,39% da produção agropecuária.

Os ganhos de produtividade, o avanço da mecanização e a maior concentração da produção explicam a redução ano a ano da mão de obra na agricultura, apesar do crescimento quase contínuo da produção no país, dizem especialistas. Segundo eles, no entanto, a renda gerada pelo agronegócio fomenta a criação de empregos em outros ramos da atividade, como a indústria e o setor de serviços. Continuar a ler

Efeito Lava-Jato: Pedidos de Recuperação Judicial (RJ)

Ana Paula Ragazzi (Valor, 07/01/2020) informa: uma análise da consultoria Alvarez & Marsal com os dados das 20 maiores recuperações judiciais do país mostra o volume de dívidas das empresas nessa condição ter atingido R$ 242 bilhões, em outubro de 2019, superando em 62%, o valor de dezembro de 2018. Mesmo retirando da amostra a Odebrecht, o maior processo de todos, envolvendo a renegociação de R$ 80 bilhões, o crescimento seria de 10%. Em 2018, o total de dívidas das 20 maiores empresas em RJ havia caído 5%.

Ainda conforme o estudo, apesar da queda de 2% no acumulado total de pedidos de recuperações judiciais de janeiro a outubro de 2019, houve um incremento substancial, de 18%, no número de pedidos de maio a outubro de 2019 em relação a igual intervalo de 2018. A avaliação da consultoria é o aumento de pedidos refletir a demora na retomada do crescimento econômico mais robusto, esperada apenas para depois da saída do atual (des)governo. Continuar a ler

Brasil despenca nos Rankings Internacionais e O Mercado acha “tudo bem”!

A Carta IEDI 968 informa: as exportações mundiais de mercadorias, segundo o anuário mais recente da Organização Mundial do Comércio (World Trade Statistical Review 2019), registraram, em valor, 10% de aumento em 2018, devido principalmente à elevação do preço do petróleo e seus derivados. Em volume, o desempenho foi bem mais modesto e inferior ao de 2017: +2,8%.

O ranking dos maiores exportadores de bens do mundo se manteve bastante estável de 2017 para 2018. A China continua líder nas exportações, com crescimento de 10% em 2018, em valor. Em seguida, vieram Estados Unidos, Alemanha, Japão e Holanda. Do lado das importações, também houve estabilidade no ranking mundial, sendo liderado, neste caso, pelos Estados Unidos.

Enquanto as primeiras posições seguiram inalteradas, o Brasil mais uma vez foi rebaixado no ranking de maiores exportadores, embora suas vendas externas de bens tenham crescido 10% (para US$ 240 bilhões) na passagem de 2017 para 2018. Desceu um degrau no período, passando a ocupar a 27ª colocação. Nosso retrocesso é patente: perdemos 5 posições em 10 anos, porque éramos o 22º maior exportador de bens em 2008, e a disparidade com o tamanho de nossa economia só aumenta, pois temos o 9º maior PIB do mundo.

Quando se trata das importações de bens, o Brasil segue em outra direção. Nossa posição subiu de 29º para 28º, devido a um crescimento de 20% do valor de bens importados (US$ 189 bilhões). Cabe observar, porém, a crise recente de 2015-2016 e a recuperação muito lenta fizeram o país descer alguns degraus neste ranking. Em 2014, por exemplo, éramos o 22º maior importador de mercadorias.

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Zeragem da Petrobras: “Petróleo não é mais nosso!”

De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a importação de gasolina A (produzida nas refinarias, antes da adição do etanol anidro) respondeu por 11% das vendas internas do produto em 2018, de 28 bilhões de litros. No caso do óleo diesel antes da adição do biodiesel, a dependência externa foi ainda maior, de 23%, considerando um total de vendas internas de 50,2 bilhões de litros. Em relação ao gás liquefeito de petróleo (GLP, conhecido como gás de cozinha), o volume importado respondeu por 33% das vendas totais, de 13,3 bilhões de litros. Os dados consolidados do mercado de combustíveis em 2019 devem ser divulgados ainda no primeiro trimestre deste ano.

O Brasil possui atualmente um total de 17 refinarias, com capacidade de processamento de aproximadamente 2,3 milhões de barris diários de petróleo. A Petrobras responde por 98% do mercado de refino brasileiro.

André Ramalho e Rodrigo Polito (Valor, 02/01/2020) informam: com a posse de um governo privatizante e consequente abandono de um nacionalismo estratégico, trocado pela ideologia neoliberal, os anos 2020 prometem ser de profundas transformações para a Petrobras. A atual estratégia de desmanche não foi anunciada para os eleitores votantes no capitão em 2018: é um estelionato eleitoral por muitos creditarem ao militar eleito a tradição nacionalista do Exército brasileiro.

Diferente do momento auspicioso do início dos anos 2010, quando a petroleira vivia as benesses da alta do petróleo no mercado internacional e se consolidava como uma empresa integrada de energia, a estatal caminha agora para se tornar, nos próximos anos, uma empresa menor, concentrada apenas nos projetos de maior retorno, com foco em exploração e produção de óleo e gás.

O reposicionamento estratégico promete boas perspectivas de rentabilidade apenas para seus acionistas, incluindo a União, e prejuízo para os consumidores brasileiros. Por outro lado, aumenta a exposição da companhia aos riscos das flutuações de uma indústria acostumada a picos e vales.

O atual plano de negócios da Petrobras prevê a saída da estatal de campos maduros em terra e águas rasas, da petroquímica Braskem, dos setores de transporte e distribuição de gás natural e da produção de biocombustíveis e fertilizantes. Além disso, a petroleira vai reduzir sua fatia no refino. Continuar a ler

Aliança da Casta dos Mercadores-Industriais com a dos Militares leva à Perda de Apoio dos Desenvolvimentistas

A venda de veículos novos cresceu 10,48% no país em 2019, mas ainda está distante dos patamares pré-crise, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). A melhora foi generalizada em todos os segmentos ao incluir automóveis, ônibus, caminhões e motocicletas. Tiveram pequeno avanço nos resultados, na comparação com ano anterior. Ao todo, foram emplacadas 4,036 milhões de unidades no país, ante 3,653 milhões no ano anterior.

Ainda assim, conforme a entidade, o número fica distante dos volumes observados antes da crise econômica golpista, fomentada com apoio da FIESP. Ela atingiu o país nos últimos anos. Em 2013, as vendas registradas foram de 5,5 milhões de veículos. O volume chegou a cair para 3,2 milhões de emplacamentos em 2016, ano do golpe.

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Cenário Internacional Pessimista

No ano de 2019 até o último dia 27, o fluxo cambial tem saída líquida de US$ 43,253 bilhões do Brasil. Deste total, US$ 61,154 bilhões vieram da conta financeira, enquanto a conta comercial tem contribuição positiva de US$ 17,901 bilhões.

A corrente de comércio, indicador considerado mais importante se comparado ao saldo comercial, caiu 5,7% entre 2018 e 2019, pela média diária. O indicador soma as exportações e as importações. Passou de US$ 420,5 bilhões no ano retrasado para US$ 401,4 bilhões no ano passado, A corrente de comércio sobre o PIB, hoje, gira em torno de 24%, bem abaixo do esperado.

A queda dos preços foi “muito maior” se comparada à queda dos volumes de exportação ou importação. Houve uma queda das exportações de 4,7% entre janeiro e setembro do ano passado, na comparação com o mesmo período de 2018. No entanto, quando são retirados da conta fatores negativos ligados ao comércio com a Argentina e a China, as exportações crescem 1,8% no mesmo tipo de comparação.

Hoje, é observado um aumento da incerteza na economia mundial com fatores como o Brexit e a guerra comercial. O crescimento do comércio mundial em 2019 foi o menor desde 2009.

Entre os “choques de curto prazo” sobre a economia brasileira estiveram a crise argentina, com impacto de US$ 5,2 bilhões sobre as exportações de manufaturados, e a crise da febre suína na China, com impacto negativo de US$ 6,7 bilhões sobre as exportações de soja, embora tenha aumentado a exportação do complexo de carnes.

Economistas de O Mercado Vidente, ou melhor, Onipotente, Onipresente e Onisciente, cuja impropriedade lógica é própria de Ser Sobrenatural

Alex Ribeiro (Valor, 18/12/2019) afirma: marcada por uma das maiores recessões da história, a década chega ao fim e deverá deixar um legado negativo para a se começar. Os economistas videntes acreditam, de forma sustentada, o Brasil possa crescer algo como apenas 1,5% por ano, embora no curto prazo haja espaço para superar esse percentual, devido à alta capacidade ociosa do capital e do trabalho. Mesmo com o ajuste fiscal e as reformas neoliberais em curso, o consenso da pesquisa Focus de expectativas do mercado financeiro [“vida inteligente”] dentro de quatro anos, a economia atinja uma velocidade máxima de cruzeiro de 2,5%.

A esperança é os economistas estarem mais uma vez enganados, como estiveram há uma década. Eles acreditavam, então, o Brasil haver entrado em uma fase duradoura de prosperidade, com taxas de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5%. Até os economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI), geralmente mais contidos nas suas projeções, previam um crescimento médio de 4,3%.

A média de crescimento de 2010 a 2019 será de 1,38%, considerando uma estimativa de expansão de 1,1% do PIB neste ano. Com base no começo oficial da próxima década, a se iniciar em 2021, a média de avanço do PIB em dez anos ainda mais desfavorável. No período de 2011 a 2020, ela é de 0,86%, levando em conta uma expansão do PIB de 2,25% para o próximo ano. Isto porque nesse período considerado ficará de fora o avanço da economia de 7,5% registrado em 2010. Volta, Lula!

Confira a ladainha apologética dos economistas-chefes de O Mercado (os mesmos de sempre) e demais propagandistas “chapa-branca”. Tomam como obrigação profissional a propaganda enganosa. Ao contrário de todos os economistas heterodoxos e/ou desenvolvimentistas, eles confiam no ex-parceiro, o oportunista ex-banqueiro de negócios, disposto a ser puxa-saco do capitão reformado a fim de propiciar bons negócios privados para sua casta de mercadores.

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