Investimento em Infraestrutura

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A sociedade brasileira assiste (e sente na pele) a divulgação progressiva do custo do golpe parlamentarista no regime presidencialista. Tainara Machado (Valor, 19/12/16) avalia que o investimento brasileiro em infraestrutura deve ter sido o menor da história recente em 2016, segundo estudo da Pezco Microanalysis. No ano, os aportes para projetos na área diminuíram em R$ 96 bilhões, estima a consultoria, queda real de 6,2% em relação a 2015.

Com isso, os investimentos em infraestrutura devem ter caído para cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), nível não visto desde 2000, início da série calculada pela consultoria. Isso mal é suficiente para repor a depreciação do capital. Em 2015, o investimento já havia sido bastante baixo, de apenas 1,7% do PIB.

O estudo de Leonardo Correia e Hélcio Takeda não considera os investimentos no setor de óleo e gás e se baseia em uma série de dados de agências regulatórias a associações setoriais e balanços de empresas do ramo.

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BNDES: Entre o Desenvolvimentismo e o Neoliberalismo (1982-2004)

BNDES - EntradaRecebi a seguinte mensagem de uma querida amiga, cuja obra recomendo fortemente a leitura:

Caríssimos amigos,

Talvez para vocês não tenha a importância que tem para mim, mas não posso deixar de compartilhar a alegria que sinto por mais um trabalho de fôlego que realizei.

Nos últimos dois anos, vivi enrolada e envolvida com essa pesquisa, me afastando de amigos, trabalhando nos finais de semana, virando noite … Hoje, recebi a notícia de que meu trabalho estava pronto e impresso. Este, sinceramente, é o terceiro trabalho importante que fiz. Tenho várias outras publicações, mas nada relevante…

Em 2004, ter escrito um artigo sobre O Poder das Telecomunicações dos EUA, publicado em O Poder Americano, do Prof. J. L. Fiori, me valeu o elogio do Paulo Arantes, professor da USP. Recentemente, com as denúncias do Snowden, percebi a importância do que havia escrito, mesmo que não soubesse muito bem a dimensão sistêmica quando escrevi o artigo.

Em 2010, o Centro Celso Furtado publicou uma pesquisa, coordenada pela Conceição Tavares, da qual participei. Escrevemos sobre o BNDES – 1952 a 1982, ou seja, escrevemos sobre a história do Banco desde a sua criação até a guinada que sofreu em meio à crise da dívida externa. Esta publicação é considerada de referência sobre o Banco, já esgotada.

Agora, em 2016, sob a minha coordenação, depois de muito lutar para que o Centro Celso Furtado financiasse a pesquisa, Memórias do Desenvolvimento nº 5 | BNDES: Entre o desenvolvimentismo e o neoliberalismo (1982-2004). Escrevemos sobre o período das privatizações, analisando o BNDES de 1982 a 2004. É um trabalho relevante, tenho certeza!

Analisamos o processo de evolução das privatizações dentro do BNDES. Entrevistamos vários divergentes, como o Persio Arida, o Mendonça de Barros, a Elena Landau, o Fernando Perrone, enfim, entrevistamos aqueles que comandaram e estruturaram as privatizações no Brasil. Creiam-me, é uma pesquisa importante e por nos termos, mesmo que aos trancos e barrancos, ter dado conta dela…

Beijo a todos,

Mando o link, pois vá lá que alguém queira dar uma olhadinha ….
  
http://www.centrocelsofurtado.org.br/arquivos/image/201612091725190.Mem%C3%B3rias%20do%20desenvolvimento%205.pdf  
 
Gloria Moraes

DSc. Engenharia de Produção
Professora de Economia da Universidade Mackenzie – Rio

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Vinte e Um Anos de Economia Brasileira (1995-2015)

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investimento-publico-2002-13Caros amigos (as),

Com um atraso quase imperdoável,  motivado por uma série de alterações imprevistas na disponibilidade e conteúdo dos dados e informações utilizadas, aí vai a nova edição dos “Vinte Anos”, que agora são XXI, incluindo os dados de 2015, cuja versão em PowerPoint estará disponível a partir do dia 7 de dezembro de 2016 no site do Centro de Altos Estudos Brasil Século XXI: www.altosestudosbrasilxxi.org.br/

Gerson Gomes

Download: Vinte-e-Um Anos de Economia Brasileira 1995-2015

FNC: trata-se da melhor publicação de gráficos disponível para comparar a Era Neoliberal (1995-2002) com a Era Socialdesenvolvimentista (2003-2014), agora acrescentada do ano do estelionato eleitoral com a volta da Velha Matriz Neoliberal (2015). Praticamente todas as curvas em ascensão dos gráficos se revertem com a política econômica levyana!

Retrocesso na Cidadania Financeira

fgc-por-faixas-jun-2016produtas-bancarios-de-ricos-dez15-jun16Uma conquista da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014) foi o acesso popular a bancos e crédito. Através de contas bancárias o “dinheiro de pobre” podia ter proteção contra a inflação. Com crédito ao consumidor de baixa renda, a aquisição de bens domésticos propiciava mobilidade social e melhor qualidade de vida. Essa inclusão no mercado, deixando de ser um “cidadão de segunda categoria” ao não ter esse direito econômico, era uma conquista de cidadania financeira.

A significativa queda (-3,7% no ano) da relação crédito / PIB de 54,1% em janeiro para 50,8% em setembro de 2016, segundo o Banco Central, já alertava para o impacto da volta da Velha Matriz Neoliberal. Durante o governo FHC tinha caído de 36,6% em 1994 para 24,7% em 2003, indicando que os neoliberais, em sua obsessão de apenas cortar gastos, para via depressão diminuir a inflação e o risco da eutanásia dos rentistas, não se utilizam de política de crédito para incentivar o crescimento da renda e do emprego.

O número de contas bancárias se elevou de 87,630 milhões no final de 2002 até 221,295 milhões em dezembro de 2015. No primeiro semestre do ano corrente, segundos dados do FGC, esse total já diminuiu -1,43%, ou seja, 3,154 milhões contas bancárias a menos. Cerca de 1,8 milhão foram contas na faixa até R$ 5.000,00. Na verdade, em todas as faixas até R$ 150.000,00 (99,36% do total), perderam-se clientes. Em outras palavras, apenas nas faixas acima desse valor (0,64% do total) abriram-se 25.855 novas contas. Continue reading “Retrocesso na Cidadania Financeira”

Desenvolvimento em Longo Prazo

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Em 1900, a renda per capita dos norte-americanos equivalia a 89,18% da renda per capita do Reino Unido, potência econômica no início do Século XX.

O Reino Unido caiu do primeiro lugar, em 1900, para o 7º lugar, em 2015, nesta lista de países selecionados de acordo com a disponibilidade de dados para 1900.

Países como Taiwan, Coréia do Sul, Noruega e Japão revelaram, no último século e início do Século XXI, um significativo crescimento de sua renda per capita.

Existe decadência econômica ou “regressão histórica”, pois alguns países ficaram mais pobres relativamente à potência econômica do início (Reino Unido) e do fim (Estados Unidos) desta série temporal: Reino Unido, Chile, Argentina e Índia.

O Brasil está regredindo (-7% do PIB) no biênio corrente (2015-2016), quando voltou a Velha Matriz Neoliberal, criando o locaute empresarial propício ao Golpe Parlamentarista, para adotar, de maneira temerosa, uma política de ajuste fiscal exclusiva, cortar direitos sociais, e garantir o pagamento da renda do capital financeiro em desfavor da renda do trabalho. Antes, quase conseguiu dobrar sua renda per capita em relação à da potência hegemônica.

A população brasileira em 1901 era composta de 17.901.245 habitantes, o PIB (em reais de 1999) era R$ 9.184 milhões, e o PIB per capita (também em reais de 1999), R$ 516, e em dólares de 2000, US$ 282, segundo o IBGE – Estatísticas do Século XX. No final do século passado, 166.112.518 habitantes, PIB de R$ 1.005.915 milhões, e per capita de R$ 6.056 e US$ 3.309, respectivamente. Então, a população se multiplicou em 9,3 vezes e o PIB em reais de 1999, em 109,5 vezes. Produtividade é isso aí…

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Dossiê Petrobras: Nacionalismo X Entreguismo

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A pergunta-chave sobre a Petrobras é: ela é uma empresa para servir, prioritariamente, ao Brasil ou aos seus acionistas minoritários, ou seja, O Mercado?

O Mercado sabotou o nacionalismo com uma reação política que atingiu o valor de mercado das ações da companhia. Depois do golpe contra o governo nacionalista, passou a se justificar, dizendo que, “frente às melhorias no perfil de liquidez da estatal e no ambiente regulatório do Brasil, a agência de classificação de riscos Moody’s elevou a nota de crédito da Petrobras de “B3” para “B2″ e mudou a perspectiva da companhia de negativo para estável”.

O valor de mercado da companhia, por sua vez, saltou 92,8% em cinco meses, de R$ 123,3 bilhões em primeiro de junho de 2016 para R$ 237,8 bilhões em 31 de outubro 2016! Essa trajetória de valorização tem relacionamento com mudanças em seus fundamentos econômicos ou  apenas reflete os efeitos do fim do processo de golpe parlamentarista contra a Presidenta eleita Dilma Rousseff?  

Foi ainda na administração Bendine que algumas das bases da gestão Parente começaram a ser estruturadas, dentre elas o início das negociações de uma série de desinvestimentos em curso e o foco na desalavancagem, a partir de cortes de investimentos e custos. Um dos principais avanços, nesse sentido, foi a aprovação, este ano, da reestruturação do modelo de governança da estatal, que prevê economia de R$ 1,8 bilhão por ano, a partir do corte no número de cargos de funções gerenciais. O reconhecimento da herança de seu antecessor se traduz na decisão de Parente de manter Ivan Monteiro, homem de confiança de Bendine, à frente da diretoria financeira.

Os especuladores com a ação da empresa apontam que um dos destaques do início da gestão é a transparência e comunicação com O Mercado e a mensagem de menor interferência do controlador. A divulgação de política de preços dos combustíveis em meados de outubro de 2016, por dar mais lucro à empresa, e assim atender pleito dos acionistas minoritários. Eles sofrem de miopia, só enxergando seus interesses em curto prazo e não vendo longe, i.é, a estratégia da empresa.

Os especuladores gananciosos dizem em tucanês: “isso pode ser transformador em geração de valor para a companhia, porque estamos falando de uma empresa que deixará de ser precificadora para seguir preços de mercado.” Ora, isso significa o preço do combustível oscilar de acordo com a volatilidade cambial e da cotação internacional do petróleo, estipulada pelo cartel da OPEP. Com uma taxa de inflação descontrolada e as decorrentes variações da taxa de juros Selic, a população brasileira que se dane em benefício dos especuladores!

O ponto crítico será subir os preços dos combustíveis. Baixar os preços — sem abaixar “na bomba-de-gasolina” — é mais fácil para o populismo de direita do que aumentar. A empresa terá autonomia para arrebentar a política antiinflacionária?!

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