PIB em 2014 varia 0,1% e totaliza R$ 5,52 trilhões

Em relação ao terceiro trimestre, o PIB do quarto trimestre de 2014 cresceu 0,3%, levando-se em consideração a série com ajuste sazonal. A Agropecuária teve expansão de 1,8%, a Indústria manteve-se praticamente estável (-0,1%) e os Serviços cresceram 0,3%. Na comparação com o quarto trimestre de 2013, o PIB variou -0,2%, sendo que o valor adicionado a preços básicos variou -0,2%, e os impostos sobre produtos -0,6%. A Indústria recuou (-1,9%), enquanto os Serviços (0,4%) e a Agropecuária (1,2%) tiveram variação positiva.

No ano de 2014, o PIB variou 0,1%em relação a 2013. A estabilidade do PIB resultou da variação positiva de 0,2% do valor adicionado e do recuo nos impostos (-0,3%). Nessa comparação, a Agropecuária (0,4%) e os Serviços (0,7%) cresceram e a Indústria caiu (-1,2%). Em 2014, o PIB alcançou R$ 5,52 trilhões (valores correntes). O PIB per capita ficou em R$ 27.229, com queda (-0,7%), em volume, em relação a 2013.

A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na páginahttp://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/pib/defaultcnt.shtm. Informações sobre a nova série do Sistema de Contas Nacionais (referência 2010) estão disponíveis em http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&idnoticia=2841.

Taxa de Crescimento Anualizado do PIB 1997-2014Taxas de Investimento e de Poupança 2010-2014FBCF 2010-2010Componentes da Demanda no PIB 2000-2014Participações percentuais das atividades 2000-2014

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Revista Política Social e Desenvolvimento

Política Social e Desenvolvimento 16Nesta edição #16 da Revista Política Social e Desenvolvimento, seguimos no debate sobre a gestão macroeconômica e seus impactos sobre o desenvolvimento e a questão social. Os três artigos desta edição fornecem subsídios para um questionamento dos ajustes e um panorama das opções disponíveis, como elas aparecem no cenário internacional, e as possibilidades abertas para o Brasil.

O artigo “Estado da Arte da Política Econômica”, de Fernando Nogueira da Costa, lança uma questão para debate: com base na experiência internacional, quais são as alternativas para a gestão da política econômica brasileira neste cenário pós-crise? Qual é o estado das artes desse debate no plano internacional?

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Apresentação no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas – Rio de Janeiro

IBRE-FGV

Em resposta ao convite do Samuel Pessôa para eu apresentar um seminário no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, nesta segunda feira, às 10:30, fiz a seguinte apresentação:

FERNANDO COSTA – Debate sobre Poupança no IBRE-FGV 16.03.15

Obs.: no pdf aparece uma parte — Debate Teórico — que deixei oculta. Sua exposição não foi necessária e/ou demandada.

Investimento no Sistema de Contas Nacionais

Ampliação da fronteira de ativos fixos da FBCF

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) é a operação do Sistema de Contas Nacionais (SCN) que registra a ampliação da capacidade produtiva futura de uma economia por meio de investimentos correntes em ativos fixos, ou seja, bens produzidos factíveis de utilização repetida e contínua em outros processos produtivos por tempo superior a um ano sem, no entanto, serem efetivamente consumidos pelos mesmos.

A precedente metodologia de cálculo da FBCF no SCN brasileiro era, grosso modo, constituída de projeções baseadas em índices de volume e preços, por produto, dos valores contidos na Matriz de Formação Bruta de Capital Fixo do ano base 1985 – construída a partir dos últimos Censos Econômicos realizados pelo IBGE. Já no contexto da nova base, a indisponibilidade de dados censitários levou à adoção de novos métodos e bases de dados para o cálculo da FBCF no Brasil.

Quanto às fontes de informações, a principal mudança refere-se ao emprego dos dados desidentificados da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fornecidos pela Secretaria da Receita Federal. Essa base de dados foi utilizada para a construção da matriz de FBCF do ano base 2000, assim como para a mensuração do valor da demanda de investimento de determinadas unidades institucionais nos anos correntes.

Em relação ao método, uma das principais inovações do novo SCN, e que tornam suas estatísticas mais apuradas, refere-se à obtenção da demanda de FBCF para os anos correntes. Tendo em vista que a maior parte das novas fontes de informações é disponibilizada anualmente, os valores correntes deste agregado macroeconômico não mais são obtidos a partir da evolução de um ano base, isto é, passam a ser calculados para cada ano da série. Portanto, as técnicas empregadas na elaboração da matriz de formação de capital para o ano base 2000 são semelhantes às seguidas na mensuração da demanda dos anos correntes. Continuar a ler

Poupança no Sistema de Contas Nacionais

CEI-SCN 3 T 2014-13

O Sistema de Contas Nacionais tem como marco central, além das Tabelas de Recursos e Usos – TRU, as Contas Econômicas Integradas – CEI, quadro que integra as contas correntes, de acumulação e patrimoniais do Sistema, permitindo uma visão de conjunto da economia.

O Método das Partidas Dobradas foi descrito pela primeira vez em 1494, na Itália, pelo frade Luca Pacioli no livro “Summa de Arithmetica, Geometria, Proportioni et Proportionalità” [Coleção de conhecimentos de Aritmética, Geometria, Proporção e Proporcionalidade], no capítulo “Particulario de computies et Scripturis” [Contabilidade por Partidas Dobradas], que fala sobre um tratado da Contabilidade. Neste capítulo, ele enfatiza que a teoria contábil do débito e do crédito corresponde à teoria dos números positivos e negativos. O método teve rápida difusão e foi universalmente aceito e adotado desde esta época, sendo hoje considerado um dos pilares da Contabilidade moderna, sendo inclusive utilizado em Contabilidade Social.

Este método exige que, em cada lançamento, o valor total lançado nas contas a débito deve ser sempre igual ao total do valor lançado nas contas a crédito. Em outras palavras, não há devedor sem credor correspondente. A todo débito corresponde um crédito de igual valor – e vice-versa. Se aumentar de um lado, deve consequentemente aumentar do outro lado também. Como é mais comum uma transação conter somente duas entradas, sendo uma entrada de crédito em uma conta e uma entrada de débito em outra conta, daí a origem da qualificação “dobrado“. Continuar a ler

Debate sobre Poupança: Crítica Heterodoxa

Investimento e Poupança Nacional Bruta 2000-2014

Os economistas heterodoxos criticam vários equívocos da sabedoria convencional a respeito do conceito de “poupança”. Percebe-se logo que, quando cai o investimento, em anos de recessão, em que há queda do PIB, amplia-se a capacidade ociosa e reverte-se a expectativa dos empresários. Isso leva à suspensão de seus projetos de ampliação da capacidade produtiva. Em outras palavras, quando cai a renda, consequentemente, também cai o resíduo contábil classificado como “poupança”.

Importante é destacar a aparente correlação, com ou sem defasagem, entre as séries anuais da poupança total (ou investimento) e de crescimento do PIB. Mas é correlação espúria, devido à interdependência demonstrada. Conceitualmente, quando cresce o investimento, multiplica-se a renda, que resulta em maior “poupança”, dada pela diferença entre a renda e o consumo do período. E vice-versa.

O cálculo da composição da poupança agregada é residual, ou seja, tendo seu total, obtido pelo investimento, subtrai-se o que é possível apurar diretamente: a “poupança externa” (déficit na conta corrente do balanço de pagamentos) e a “poupança do governo” (déficit público descontando-se seus investimentos). A “poupança privada”, portanto, é resíduo contábil, obtida indiretamente, pois não há possibilidade de levantamento estatístico do “consumo agregado”, para subtraí-lo da renda gerada no período, e obter diretamente essa poupança.

Sendo assim, evidentemente, dado o investimento e/ou a poupança total, elevando-se o déficit no balanço de transações correntes, por exemplo, em razão de câmbio defasado, déficit do balanço comercial, crescimento de viagens internacionais, despesas com fretes, remessas de lucros e dividendos, pagamento de juros internacionais, etc., vai se obter queda da “poupança interna”. Sendo o déficit público a outra informação disponível, alcança-se por diferença a “poupança privada”. Continuar a ler