Lideranças Setoriais na Retomada do Crescimento: Políticas para Componentes da Demanda

Na edição de 4 de julho de 2019, o jornal Valor publicou dois artigos com pluralismo ideológico como deveria ser a prática contumaz da “grande imprensa brasileira”. Permitiu a comparação de posicionamentos analíticos da linha de pensamento social-desenvolvimentista e neoliberal.

Thiago de Moraes Moreira é mestre em Economia pela UFRJ e professor de Macroeconomia do Corecon/RJ. Carlos von Doellinger é economista e presidente do Ipea. Este “Chicago’s Boy” é também da velha guarda da EPGE-FGV, participante do regime militar ditatorial brasileiro. É típico do oportunismo carrerista-ideológico, sem pudor pela incongruência da passagem do liberalismo à americana (esquerda), adotado inclusive por professores da Escola de Chicago, para o neoliberalismo à brasileira (extrema-direita), quando não foi lamber as botas dos militares ditatoriais do Chile de Pinochet.

Reproduzo primeiro o artigo do desenvolvimentista. Depois, o do neoliberal. Compare. Continuar a ler

Fim da História? (por Edward Amadeo)

As empresas no Brasil e em outros países da América Latina têm sido mais lucrativas do que na China e em outros mercados da Ásia com crescimento econômico bem mais elevado, segundo um estudo da Comissão para América Latina da Economia Alemã (LADW) com a consultoria McKinsey.

Análise de milhares de empresas em todo o mundo mostra que, entre 2000 e 2017, o Ebitda médio (lucro antes de juros, impostos e amortização, uma medida de rentabilidade da empresa utilizada por investidores) foi de 14% no Brasil e 18% na Argentina no setor industrial, comparado a 11% na Malásia e 8% na China.

Em 2017, a rentabilidade nos mercados latino-americanos foi similar ou maior se comparada à obtida em outras economias emergentes em setores como financeiro, imobiliário, industrial e “utilities” (gás, água e eletricidade).

Sobretudo as grandes companhias na América Latina têm superado outros emergentes em termos de rendimento, embora as taxas de crescimento na região variem apenas entre 2% e 2,5% por ano, em comparação com até 10% anuais nos países asiáticos no período.

Edward Amadeo (Valor, 24/06/19) avalia a história mundial recente.

Há 20 anos, o Ocidente comemorava o “fim da história”, os Bancos Centrais (BCs) comemoravam a “grande moderação” e a China sua entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC).

O Fim da História” é o título do livro de Francis Fukuyama para designar a
supremacia do modelo de democracia liberal depois da debacle da União
Soviética e a queda do muro de Berlin. A Grande Moderação é o título de uma
palestra de Ben Bernanke ao se referir à suavização dos ciclos econômicos
resultante do ganho de credibilidade dos BCs. Pela OMC a China ingressou no mundo cada vez mais interligado do comércio e do investimento entre empresas.

Não mais. Em vários países, os líderes políticos vêm desafiando as instituições da democracia liberal, os BCs vêm pelejando para reativar o crescimento e atingir suas metas de inflação, e a China está em guerra comercial e tecnológica com os EUA.

O que se passou nesses 20 anos? Continuar a ler

Pós-Golpes (1964 e 2016): Menores Taxa de investimento em 50 anos

Sergio Lamucci (Valor, 27/06/19) informa: a taxa de investimento no Brasil está no menor nível em pouco mais de 50 anos, evidenciando a fraqueza dos gastos no país com máquinas e equipamentos, construção civil e inovação. Na média dos últimos quatro anos, a taxa ficou em apenas 15,5% do PIB – um percentual tão baixo só é encontrado na média dos quatro anos até 1967, segundo estudo dos economistas Marcel Balassiano e Juliana Trece, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Reverter esse quadro é fundamental para que a economia possa reagir e crescer mais e, com isso, aumentar a geração de empregos.

Ao analisar uma série longa, usar uma média móvel de quatro anos é um modo de suavizar a volatilidade de curto prazo. Para a média dos últimos quatro anos, os dois economistas utilizaram a taxa de investimento de 2016, 2017, 2018 e a do primeiro trimestre de 2019. A formação bruta de capital fixo (FBCF, medida do que se investe em máquinas e equipamentos, construção civil e inovação) sofreu muito na recessão, que durou do segundo trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2016, e se recupera muito lentamente desde 2017.

Uma medida de como o Brasil investe pouco ao notar é, em 2018, 152 países de uma amostra de 172 economias terem uma taxa de investimento superior à brasileira, ou seja, 88,4% do total. Os números são do Fundo Monetário Internacional (FMI). No ano passado, a FBCF ficou em 15,8% do PIB. Segundo ele, a taxa média global ficou um pouco mais de dez pontos percentuais do PIB acima da do Brasil, em 26,2% do PIB. Com uma baixa taxa de investimento, o país tem pouca capacidade de crescer a um ritmo mais forte de modo sustentado. Continuar a ler

Desmatamento da Amazônia: Crime Ambiental do Clã Bolsonaro

Daniela Chiaretti (Valor, 25/06/19) informa: em 30 anos a floresta amazônica poderá estar dividida e com mais da metade das espécies de árvores ameaçada de extinção. A diagonal que dividirá o maior bloco de floresta tropical do mundo em uma parte ainda contínua, e outra completamente fragmentada, pode ser o resultado do desmatamento combinado ao impacto da mudança climática sobre a Amazônia.

O aquecimento global combinado ao desmatamento pode significar perda na riqueza de espécies de árvores de 58%, até 2050, no cenário pessimista, e de 43%, no otimista. O desmatamento sozinho, se continuar no ritmo atual, causaria uma redução entre 19% e 33%. O efeito da mudança do clima global na floresta é mais devastador – causaria redução nas espécies de árvores entre 47% e 53%.

Esses resultados alarmantes são algumas conclusões de estudo publicado na “Nature Climate Change” por três pesquisadores brasileiros e um holandês.

O grupo estudou a distribuição original de cada uma das 10.071 espécies de árvores amazônicas conhecidas. O número médio de espécies em área de 10 km2 seria de cerca de 1.500 espécies. Ali, onde as espécies estão confortáveis, coletaram informações de precipitação e temperatura. Depois cruzaram estes mapas com modelos climáticos e de desmatamento que fazem projeções para 2050. Continuar a ler

4a. Revolução Industrial: Atraso Brasileiro em Inovação Tecnológica

Vijay Gosula e Rafael Oliveira (Valor, 25/06/19) publicaram artigo sobre a Quarta Revolução Industrial. Reproduzo-o abaixo, seguido de um balanço do estado da arte tecnológica no Brasil.

“A chegada da quarta revolução industrial tem gerado questionamentos sobre a convivência de homens e robôs no ambiente de trabalho, em um futuro bem próximo. O potencial desta nova era em oferecer assertividade e velocidade no processo produtivo de modo que erros humanos e perdas na produção se tornem cada vez mais raros é surpreendente.

As tecnologias e ferramentas necessárias para aderir aos avanços da quarta revolução industrial, de fato, já temos. Mas quão próximos estamos dessa realidade?

Em nossa experiência no setor, vemos que os empresários brasileiros estão entusiasmados em relação aos temas de automação, internet das coisas e “advanced analytics” (análise avançada de dados).

Ponderam-se especialmente os benefícios dessas tecnologias para ganhos de competitividade. Uma pesquisa realizada pela McKinsey no ano passado com empresários brasileiros mostrou que 73% dos executivos de setores como automotivo, químico e de logística têm como prioridade a digitalização do negócio. O mesmo estudo aponta que 58% deles estão confiantes de que suas companhias avançaram na quarta revolução industrial na mesma medida que seus concorrentes. Somente 10% acham que estão atrasados e 32% acreditam estar à frente da concorrência.

Apesar disso, a implementação dessas soluções tem avançado a passos lentos. Continuar a ler

Ajuste Estrutural para sair da Semiestagnação (por LCBP)

Luiz Carlos Bresser-Pereira (Valor, 08/04/19) afirma: “desde 2007, quando foi publicado meu livro “Macroeconomia da Estagnação”, venho afirmando que a economia brasileira está semiestagnada desde 1980. Enquanto crescia 4,5% ao ano, entre 1950 e 1980. Desde 1980 cresce menos que 1% ao ano.

A direita não gosta de ouvir isto porque esteve no governo entre 1990 e 2002 (exceto 1993-1994), e desde 2016. A esquerda, também, porque governou entre 2003 e 2015. Em nenhum desses períodos o desenvolvimento econômico foi realmente retomado. Há algum tempo, Edmar Bacha reconheceu a semiestagnação. Foi um avanço. Agora leio no Valor de 14/3, um artigo de dois técnicos do Fundo Monetário Internacional (Antonio Spilimbergo e Krishna Srinivasan) que também reconhecem o fato. Ótimo. Mas para explicar o problema repetem o diagnóstico padrão da ortodoxia liberal: “faltam reformas”.

Um país deve estar permanentemente realizando reformas institucionais, mas é equivocado pensar que o Brasil não se desenvolve por falta de reformas. De que adiantaram a privatização, a abertura comercial e a abertura financeira dos anos 1990? Depois delas o Brasil continuou a não crescer. De que adiantou o equilíbrio fiscal entre 1999 e 2013? Nesse período o país, felizmente, apresentou um belo superavit primário, mas não cresceu a não ser quando houve o boom de commodities entre 2006 e 2010.

Aumento da produtividade ou o desenvolvimento econômico dependem de muitas coisas, mas dependem principalmente do investimento privado e do investimento público. Ora, a taxa de investimento caiu muito no Brasil, como podemos ver na tabela na qual comparamos três anos dos 1970s, depois que o “milagre” já acabara, com os últimos dois anos, depois de terminada a recessão. A queda aconteceu principalmente no investimento, mas isto não foi compensado pelo aumento do investimento privado, que também caiu. Continuar a ler

Custo/Benefício da Operação Lava-Jato: Destruição das Maiores Construtoras e Financiamento Empresarial Proibido dos “Uotzap” para Eleição do Capitão

A verdade está aparecendo e desmascarando os “mitos” da direita brasileira: o capitão reformado agradecendo a prisão do concorrente com a nomeação do juiz parcial, orientador de procuradores teleguiados para a perseguição político-partidária. O custo social (desemprego massivo) e econômico (falências das maiores construtoras) da operação Lava-Jato valeu o benefício somente para a direita: destruição da democracia eleitoral brasileira?!

Graziella Valenti e Taís Hirata (Valor, 01/07/19) informa aos cidadãos brasileiros sensatos e enganados pela artimanha da direita persecutória do líder popular favorito à eleição de 2018 até sua prisão: as maiores construtoras brasileiras, pressionadas para a delação premiada na Operação Lava-Jato, encolheram drasticamente. Do auge vivido em 2015 até o fim de 2018, a receita líquida das líderes registra um queda de 85%, de R$ 71 bilhões para R$ 10,6 bilhões, de acordo com levantamento realizado pelo Valor com base nos balanços das companhias. Esse grupo inclui Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, UTC Engenharia e Constran.

A OAS, que era a segunda maior desse ramo em 2015, ainda não publicou o balanço do ano passado e por isso não foi incluída no grupo. Considerando a empresa e seus números até 2017, é possível verificar que em apenas dois anos, a receita despencou 75%, pois o volume faturado pelas oito maiores saiu de R$ 75,6 bilhões, em 2015, para R$ 18,3 bilhões, em 2017.

O Valor ouviu diversos especialistas do setor sobre qual será o futuro dessas companhias. Não há consenso se voltarão a conquistar grandes obras. Mas predomina a percepção de, se elas sobreviverem, terão tamanho muito inferior ao do período áureo.

A explicação para a queda tão abrupta é um amálgama entre a própria Lava- Jato, que teve início em 2014, e a crise econômica nacional. A operação mitificada como a maior ação de combate à corrupção no Brasil é, para muitos, a explicação para a paralisação dos investimentos em infraestrutura no país.

Mas, para completar, a situação das contas públicas sofreu grave deterioração e os orçamentos foram congelados, reduzindo os investimentos dos governos.

A crise desse setor, que levou ao dramático encolhimento dos negócios, resultou também na perda de 1 milhão de empregos formais no Brasil, entre 2014 e 2019, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Construção Pesada e Infraestrutura (Sinicon). O país inteiro, nesse período, teve redução de 2,6 milhões de postos formais – ou seja, esse ramo sozinho respondeu por quase 40% da perda de empregos.

A paralisação da economia nacional, em especial do investimento em infraestrutura, não permitiu um teste real sobre a sobrevivência desses negócios. Duvida-se se o modelo de acordos de leniência serão suficiente para o perdão sócio- econômico. Continuar a ler