Estratégia Social-Desenvolvimentista de Inclusão Social de Consumidores no Mercado Interno Brasileiro

 Embora a maioria dos gastos dos consumidores ocorra nas regiões mais ricas do mundo, o número de consumidores tem se espalhado um pouco mais uniformemente entre regiões industriais e em desenvolvimento. A existência de um consumidor classe global foi contabilizada por considerar inclusas nos mercados internos as pessoas que recebiam renda anual de US$ 7.000 por paridade de poder de compra – uma medida de renda ajustada para representar o poder de compra em moeda local. Esta era, aproximadamente, o nível da linha de pobreza oficial na Europa Ocidental. Esta classe global de consumidores totalizava cerca de 1,7 bilhão de pessoas, ou seja, mais de um quarto das pessoas no mundo em 2002. (Ver tabela 1-2.)

Essa classe global de consumidores varia amplamente em níveis de riqueza, mas seus membros são tipicamente usuários de televisores, telefones, e Internet, juntamente com a cultura e as ideias que esses produtos transmitem.

Quase metade dessa classe global de consumidores vivia em países em desenvolvimento, com a China e a Índia somando mais de 20% do total global. (Ver tabela 1-3). A classe de consumidores combinada desses dois países somava 362 milhões de pessoas e já era maior do que esta classe em toda a Europa Ocidental, embora o habitante chinês ou indiano, naturalmente, consumia, em média per capita, substancialmente menos do que a média do europeu. Continue reading “Estratégia Social-Desenvolvimentista de Inclusão Social de Consumidores no Mercado Interno Brasileiro”

As economias emergentes estão se desindustrializando muito rapidamente?

As economias emergentes estão se desindustrializando muito rapidamente?

por Esteban Ortiz-Ospina e Nicolas Lippolis

Fonte (30 de outubro de 2017): https://ourworldindata.org/growth-and-structural-transformation-are-emerging-economies-industrializing-too-quickly/

À medida que os países desenvolvidos de hoje se tornavam mais ricos, eles experimentaram um processo de transformação estrutural. Isso significa que eles passaram por um período de industrialização, pois o centro de gravidade econômico passou, primeiro, da agricultura para a fabricação e, depois, passou por um período de desindustrialização, passando o peso da fabricação para os serviços.

Em uma publicação no blog dos autores Esteban Ortiz-Ospina e Nicolas Lippolis – https://ourworldindata.org/structural-transformation-and-deindustrialization-evidence-from-todays-rich-countries/ —, com ilustrações gráficas dinâmicas,   eles discutem esse padrão com mais detalhes. Eu reproduzo abaixo o texto traduzido, mas é bom ver o dinamismo dos gráficos no blog deles.

Como isso se compara à experiência mais recente das economias emergentes? Os países em desenvolvimento de hoje seguem um processo similar de transformação estrutural?

Nesta publicação no blog, Ortiz-Ospina e Lippolis mostram que os padrões de transformação estrutural nos países em desenvolvimento são diferentes dos das economias avançadas e pós-industriais. Especificamente, mostram que as economias emergentes estão desindustrializando mais rapidamente. Explicam como e por que isso está acontecendo, e se devemos estar preocupados com isso.

Na primeira seção, exploram as generalizadas tendências da industrialização e, depois de apontar os padrões comuns, passam a uma análise dos aspectos particulares que tornam a transformação estrutural nos países de baixa renda um fenômeno atual — e talvez problemático. Continue reading “As economias emergentes estão se desindustrializando muito rapidamente?”

Abordagem Estruturalista, Economia que Neoliberal desconhece: Pré-Sal

Imaginem o que seria a produção brasileira de petróleo e gás se os governos Lula e Dilma não tivessem investido na extração em águas profundas… A depender dos neoliberais, que nada constroem, sem o pré-sal o País não teria o mesmo superávit no balanço comercial que está obtendo no ano corrente!

André Ramalho (Valor, 16/10/17) informa que, enquanto o pré-sal desperta a cobiça das maiores petroleiras do mundo e se consolida como a principal fronteira exploratória do Brasil, os demais polos de produção do país convivem de um modo geral com o declínio de suas atividades e baixa atratividade de investimentos. Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostram que, se não fosse a Bacia de Santos, onde estão situadas as maiores descobertas do pré-sal, a produção nacional caminharia em 2017 para o seu terceiro ano seguido de queda.

A 14a Rodada de blocos exploratórios, em setembro, reforçou o quanto as grandes multinacionais estão focadas no pré-sal: os oito blocos arrematados em águas ultraprofundas da Bacia Campos, que margeiam o polígono do pré-sal e têm potencial para descobertas desse tipo, responderam por 75% dos compromissos de investimentos assumidos pelas petroleiras na licitação e por 95% dos bônus de assinatura do leilão.

Foram essas áreas que garantiram o sucesso arrecadatório da rodada, de R$ 3,8 bilhões, e onde se deram os lances mais disputados do leilão, com participações de empresas como Petrobras e Exxon Mobil, Shell, BP, Total, Repsol e a CNOOC.

Fora de Campos, no entanto, as grandes multinacionais mostraram interesse por poucos ativos na Bacia do Espírito Santo (CNOOC e Repsol) e em Sergipe- Alagoas (Exxon) – uma das principais apostas em águas profundas fora do eixo tradicional de Campos e Santos. O número de blocos negociados na 14a Rodada (35), inclusive, foi o mais baixo desde 4a Rodada da ANP, em 2002, quando foram arrematadas 21 áreas. Continue reading “Abordagem Estruturalista, Economia que Neoliberal desconhece: Pré-Sal”

Abordagem Estruturalista, Economia que Neoliberal desconhece: Agroindústria

Lauro Veiga Filho (Valor, 17/10/17) informa que, nas contas da equipe de pesquisa e análise setorial do Rabobank, a agropecuária deverá apresentar um salto de 11% neste ano, considerando-se exclusivamente a produção primária, após recuar 6,6% em 2016. O volume recorde colhido pelo país na safra 2016/17, estimado em 238,5 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ajudou a impulsionar o valor agregado pelo setor ao Produto Interno Bruto (PIB). Mas essa contribuição tende a ser mais modesta em 2018, ou praticamente nula, sempre no setor primário.

Ao longo deste ano, segundo calcula o Rabobank, o setor deverá responder por todo o crescimento projetado para a economia em geral, alguma coisa na faixa de 0,6%. A atividade econômica nos demais setores tende a zero. No próximo ano, o PIB total poderá registrar elevação de 2,0%, na avaliação da instituição, mas a agropecuária deverá se contentar com 0,7%. Porém, na série histórica do banco, o setor tem se comportado melhor do que a média. Entre 1997 e 2016, aponta a instituição, o PIB agropecuário cresceu a uma taxa média anual de 3,3% diante de 2,3% para o restante da economia.

Em seu conceito mais amplo, que inclui a produção primária, fabricantes e distribuidores de insumos, agroindústria e todos os setores que prestam serviços associados à agropecuária, o agronegócio teve variação de 0,36% no acumulado entre janeiro e maio em relação a igual intervalo de 2016, dado mais recente do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. No primeiro semestre, para comparação, o PIB do país ficou estagnado.

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Energia Eólica: 51% da Geração no Nordeste

Daniela Chiaretti (Valor, 19/10/17) informa que, durante um dia, até as 18h, a energia hidráulica responde por 62,5% da geração do Brasil, as térmicas, por 24%, e eólicas, 9,6%, segundo dados do ONS, o Operador Nacional do Sistema Elétrico. O acumulado à mesma hora, no Nordeste, revela uma surpresa: são as eólicas as responsáveis por mais da metade da geração (51%) na região, seguidas pelas térmicas (32%) enquanto a energia hídrica aparecia com modestos 14%.

Este perfil energético único no país, provocado pela forte seca que deprime os reservatórios pelo quinto ano consecutivo e pela forte entrada de projetos eólicos na região, chamou a atenção da direção da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que observa que o Nordeste tornou-se um laboratório de introdução de energias renováveis na matriz brasileira.

“O Nordeste tornou-se um espelho do futuro do Brasil”, disse Luiz Augusto Barroso, presidente da EPE, durante o workshop “O Futuro do Setor Elétrico – segurança e flexibilidade nos contextos de Brasil e Alemanha“, no Rio. Continue reading “Energia Eólica: 51% da Geração no Nordeste”

BNDES terá recursos para combater o desemprego?

Alex Ribeiro (Valor, 03/10/17) comete um equívoco em sua análise contábil. Ele parece não saber a diferença entre um contador e um economista: a hipótese. Aquele registra fatos do passado ao presente, este imagina cenários do presente ao futuro.

Então, a pergunta macro-sistêmica não é “se o caixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é suficiente para fazer o pagamento antecipado de R$ 180 bilhões de empréstimos ao Tesouro Nacional ao longo deste e do próximo ano, de acordo com as demonstrações contábeis do banco federal”. É sim se ele ajudará a combater no futuro próximo o imenso desemprego atual na população brasileira.

Olha a ingenuidade de sua afirmação: “só faltariam recursos para fazer o pré-pagamento à União na hipótese de o BNDES promover uma aceleração nas concessões de crédito até 2018. A discussão sobre o pagamento antecipado ao Tesouro Nacional, portanto, é na essência sobre o tamanho que o BNDES terá nos próximos anos”. Assim, acriticamente, assume tudo que seu patrão (O Globo) mandou seu editor (Valor) publicar em favor do plano maquiavélico do governo golpista: destruir os bancos públicos desenvolvimentistas para, supostamente, abrir espaço para O Mercado privado. Continue reading “BNDES terá recursos para combater o desemprego?”

Se não fossem os Bancos Públicos o BRIC seria apenas RIC

Alex Ribeiro (Valor, 06/10/17) mostra que os neoliberais do governo golpista levou os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a níveis abaixo dos anteriores à Era Social-Desenvolvimentista, quando a instituição financeira ainda não havia sido transformada em um instrumento desenvolvimentista pelo governo Lula de maneira similar ao uso dos bancos públicos pelos demais países do BRIC.

Levantamento feito pelo Valor mostra que, nos 12 meses encerrados em agosto de 2017, os desembolsos do BNDES somaram R$ 77,7 bilhões, cifra que se aproxima muito da média de R$ 78,4 bilhões observada entre 2000 e 2005, em valores atualizados pela inflação. Em 2005, ocorreu o pico de desembolsos do período, com um volume de R$ 90,250 bilhões.

Essa é apenas uma das métricas possíveis de comparação. Os valores em proporção do Produto Interno Bruto (PIB) dão uma ideia dos desembolsos em relação ao tamanho da economia. As liberações chegaram a cerca de 1,2% do PIB nos 12 meses até agosto, algo como 40% menores do que a média de 2,1% do PIB de 2000 a 2005.

Os dados dão uma dimensão histórica do BNDES nesse momento em que o tamanho da instituição está sob ataque dos economistas neoliberais inconsequentes com a história do Brasil. São cúmplices do governo temeroso em relação ao pagamento antecipado de R$ 180 bilhões ao Tesouro Nacional de empréstimos feitos ao banco para evitar o impeachment do Temer pela “regra de ouro”. Continue reading “Se não fossem os Bancos Públicos o BRIC seria apenas RIC”