Mito-Fundador da Nação Brasileira: País Sustentado pela Agricultura

Agricultura no Brasil

Antes de ler abaixo essa matéria publicada no exterior, analise no quadro abaixo o diminuto peso relativo da agricultura brasileira na composição do PIB — 5,2%. Nunca vi um cálculo preciso, via Matriz de Insumos-Produtos, dos efeitos encadeamentos da chamada agroindústria brasileira. Há especialistas que “chutam” até mais do que a soma de seu valor agregado com o da indústria geral, superestimando sua participação no PIB.  Isso não significa que ela não seja um componente importante ao interagir com os demais em um Sistema Complexo. E que seja decisiva para as exportações brasileiras.

% Setoriais no PIB 2000-2015

“O Brasil está sendo golpeado por uma profunda recessão, uma crise política e a epidemia do vírus zika, mas numa área o país continua sendo uma potência mundial: a agricultura.

Neste ano, o Brasil deve registrar uma safra recorde de soja e uma quase recorde de milho, segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab. Os produtores brasileiros também parecem prontos para alcançar safras recorde de café e cana-de-açúcar em 2016, enquanto os criadores de gado, frango e porco anteveem novos aumentos nas exportações.

As abundantes colheitas e os numerosos rebanhos são um raro ponto positivo na economia brasileira, que em 2015 apresentou sua maior contração nos últimos 35 anos e deve encolher mais 3,7% em 2016. A agricultura foi o único setor do Brasil que se expandiu no ano passado, em 1,8%, ao passo que o produto interno bruto recuou 3,8%. Continue reading “Mito-Fundador da Nação Brasileira: País Sustentado pela Agricultura”

Estudo da Organização Mundial do Comércio (OMC): Cadeias Globais de Valor (CGV)

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Assis Moreira (Valor, 07/03/16) divulga Estudo da Organização Mundial do Comércio (OMC) que quantifica vários aspectos da dinâmica do comércio internacional e mostra como as exportações e importações de 61 economias estão conectadas globalmente. O Brasil aumenta sua participação nas cadeias globais de valor (CGV) e o setor de serviços contribui cada vez mais para a competitividade das exportações de manufaturados do país.

Segundo o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, há cada vez mais conteúdo importado nos produtos e serviços que os países exportam. Por ano, cresce em 9,9% a contribuição de insumos importados para as exportações globais. Economias em desenvolvimento estão aumentando sua participação nas cadeias globais de valor, inclusive em um ritmo mais acelerado que as economias maduras. “Importações e exportações de bens e de serviços se complementam cada vez mais”, diz Azevêdo.

Pelos dados da OMC, a participação do Brasil nas cadeias globais de valor está em alta. Cerca de 11% de tudo que o país exporta, incluindo bens e serviços, se deve a insumos importados. E cerca de 25% das exportações brasileiras são reprocessadas ou utilizadas como insumos por outras companhias no exterior e exportadas depois para terceiros mercados.

Somando os dois indicadores, o peso total das cadeias globais de valor no total exportado pelo Brasil ficou em 35% em 2011, representando alta de 14% por ano, na media, acima do crescimento de 13% nos países em desenvolvimento e de 8% nos países desenvolvidos.

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Ascensão e Queda da Economia do Petróleo

Lucros e projeções de investimentos de petroleiras 2014-15Efeito desemprego na indústria de petróleo

Petroleiras instaladas no Mar do Norte estão investindo em novas técnicas de extensão da vida útil de campos antigos e de aumento da recuperação de óleo em poços em operação para aumentar a rentabilidade dos projetos, frente à dramática queda dos preços do petróleo. Com essa fórmula, que pode ser aplicada no cenário brasileiro, o custo médio de produção de petróleo na região deve cair 24% até o fim de 2016, de US$ 21 para US$ 16 o barril, de acordo com projeções da agência de óleo e gás natural do governo britânico.

As soluções aplicadas no Mar do Norte são de grande interesse para o Brasil porque a produção naquela região tem perfil semelhante à da Bacia de Campos, ainda a principal produtora do Brasil, respondendo por 65% da extração total de óleo do país hoje. Os campos do Mar do Norte têm aspectos de profundidade, temperatura e pressão parecidos com os da Bacia de Campos e, além disso, as regiões são maduras e registram declínio de produção.

No Brasil, o custo de extração (“lifting cost”) da Petrobras, em seu balanço do primeiro semestre de 2015, estava em US$ 14,36 o barril, sem a participação governamental. Estima-se que esse valor tenha recuado, principalmente devido ao aumento da produção no pré-sal, onde o lifting cost, segundo a estatal, é de US$ 8 a US$ 9 o barril, devido à alta produtividade dos poços da região.

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Resultado Positivo do Regime de Partilha dos Campos do Pré-sal

Plataforma no Campo de Lula

Quando projeto do senador José Serra (PSDB-SP), que altera o regime de partilha dos campos do pré-sal, por  oportunismo político está em vias de ser votado no Senado Federal, Daniel Rittner (Valor, 23/02/16) dá uma boa notícia sobre os resultados desse regime: o Brasil é apontado pela Agência Internacional de Energia (AIE) como segundo país onde a produção de petróleo mais deve crescer nos próximos cinco anos, fora da Opep, o cartel dos grandes países produtores.

Daqui até 2021, a extração subirá dos atuais 2,53 milhões para 3,36 milhões de barris por dia, em ritmo de crescimento inferior apenas ao dos Estados Unidos. As estimativas constam de relatório lançado no dia 21/02/16 pela AIE com projeções de médio prazo sobre o mercado de energia.

“A despeito de todos os problemas logísticos e institucionais, a produção de petróleo está em alta”, afirma a entidade. O relatório cita o escândalo de corrupção investigado pela Operação Lava-Jato, dívida elevada da Petrobras e atrasos na entrega de equipamentos como sondas e plataformas como fatores de incertezas para o cumprimento das previsões.

Mesmo assim, a AIE aposta em um acréscimo de 830 mil barris por dia na produção brasileira durante o próximo quinquênio, com reforços vindos especialmente do pré-sal. Esse aumento deverá mais do que compensar a queda em campos maduros.

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Balanço Comercial de Óleo e Gás

Balanço Comercial de Óleo e Gás 2000-2015

Fábio Pupo e Lucas Marchesini (Valor, 22/01/16) informam que, depois de dois anos registrando valores significativamente desfavoráveis no balanço comercial de petróleo e derivados, o Brasil começa a registrar um cenário de equilíbrio entre a exportação e a importação desses produtos. O ano de 2015 terminou com déficit de US$ 5,73 bilhões, 66% menor que o atingido um ano antes. Para 2016, a projeção do governo é que o Brasil tenha nova redução no saldo negativo, podendo até reverter o quadro e registrar o primeiro superávit em quase 20 anos.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o movimento em direção ao equilíbrio no balanço comercial do petróleo é influenciado principalmente pela queda de demanda interna, causada pela retração da economia.

A menor atividade faz com que empresas consumam menos derivados como combustíveis, diesel, gasolina e nafta. Por isso, a produção nacional tem mais condições de atender à demanda doméstica. Esse cenário fez com que a importação de petróleo, derivados e gás natural caísse 46% no país em 2015, para US$ 22,2 bilhões. Em volume, a queda foi de 11%, para 51,2 bilhões de toneladas.

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O Processo de Formação de Preços na Economia Brasileira

Frequência de mudançs de preçosFatores para decisões de preços

Este boxe, publicado no Relatório da Inflação de dezembro de 2015, apresenta alguns resultados do artigo “Price-Setting Behavior in Brazil: Survey Evidence” de autoria de Arnildo Correa, Myrian Petrassi e Rafael Santos, a ser divulgado na Série Trabalhos para Discussão do Banco Central do Brasil.

A forma como a política monetária afeta a economia real e a inflação depende, pelo menos no curto prazo, das características do processo de ajuste de preços. Em particular, os efeitos macroeconômicos de choques nominais mensurados em modelos frequentemente usados por bancos centrais para análise de política monetária dependem da hipótese de rigidez de preços assumida na modelagem. Por essa razão, a fixação de preços na economia tem sido objeto de estudo de extensa literatura.

Embora a exploração de grandes bases de dados microeconômicos mensurando o comportamento dos preços tenha produzido resultados importantes para a caracterização da rigidez nominal, existem ainda aspectos da decisão de preços que não estão completamente compreendidos.

Vários artigos têm explorado dados qualitativos produzidos por entrevistas com dirigentes de firmas sobre as práticas de reajuste de preços. Essas informações qualitativas complementam os estudos baseados em micro dados e ajudam a compreender a decisão de reajuste por parte das firmas, e, portanto, o processo de formação de preços na economia. Continue reading “O Processo de Formação de Preços na Economia Brasileira”

Ciclos de Expansão da Economia Norte-Americana

Ciclo de Longa Duração - EUA

Sérgio Lamucci (Valor, 11/11/15) informa que a economia americana cresce a um ritmo modesto desde que saiu da recessão, em junho de 2009, mas o atual ciclo de expansão tem se mostrado resistente e duradouro. Os EUA avançam há 76 meses, o quinto período mais longo desde meados do século XX, e as perspectivas são de que o crescimento continue por mais alguns anos. Para o banco Goldman Sachs, há a chance de 60% de o ciclo atual durar uma década, o que igualaria o recorde de 120 meses atingido entre março de 1991 e março de 2001.

A força do consumo, amparada num mercado de trabalho mais firme e na retomada do setor imobiliário, sugere que a expansão deverá se manter em ritmo moderado nos próximos trimestres. O dólar valorizado e a fraqueza da economia global jogam contra um crescimento mais forte, mas contribuem para evitar pressões inflacionárias relevantes nos EUA. Continue reading “Ciclos de Expansão da Economia Norte-Americana”