“Os cães ladram, a caravana passa”: Avanço na Produção de Petróleo no Pré-Sal

Longe de saírem do mercado, as petrolíferas americanas surpreenderam suas concorrentes mundiais ao manter ou mesmo aumentar a produção enquanto os preços nos EUA despencavam de US$ 100 para US$ 70 o barril no fim de 2014, tendo fechado próximo de US$ 40 no dia 21/08/15. Ainda mais surpreendente é que a Arábia Saudita, na verdade, ampliou sua produção em meio à queda nos preços, o que os analistas dizem ser um esforço preventivo para evitar que concorrentes, como o Iraque, roubem seus clientes na Ásia.

O resultado é uma versão petrolífera de uma guerra de trincheiras, com todos os produtores tentando conquistar uma fatia maior de mercado, custe o que custar.

E isso está produzindo vencedores e perdedores ao redor do mundo, levando a uma nova alta nas vendas de picapes beberronas nos EUA e provocando o caos na economia da Venezuela. Continuar a ler

Por Que as Informações Crescem: A Evolução da Ordem de Átomos para Economias

United States - Economic Complexity IndexBrazil - Economica Complexity IndexPaulo Gala é estrategista e diretor de renda fixa e multimercados da FAR – Fator Administração de Recursos. Em resenha publicada no jornal Valor (04/08/15), afirma que  “o mais recente livro de Cesar Hidalgo, físico e professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), é leitura obrigatória para entender a riqueza e a pobreza de países”. O desenvolvimento econômico surge, neste “Why Information Grows – The Evolution of Order from Atoms to Economies“, como a capacidade de criação de uma rede produtiva sofisticada.

“Para Hidalgo, países ricos são aqueles com alta capacidade computacional para processar informação e gerar produtos em uma intrincada rede produtiva. Trata-se, obviamente, de entender a riqueza e a pobreza de países a partir da ótica de domínio de conhecimento e tecnologia, como já faziam os economistas clássicos do desenvolvimento, mas, agora, em uma roupagem mais atual e com ampla sustentação empírica, a partir da utilização de enormes bancos de dados.

Os principais insights do livro estão baseados em trabalhos conjuntos de Hidalgo e Ricardo Hausmann para o “Atlas da Complexidade Econômica” (click no link), de 2011, uma parceria entre o Media Lab do MIT e a Kennedy School de Harvard. A metodologia criada para medir a complexidade econômica de diversos países — ou sua “capacidade computacional”, nos termos de Hidalgo — culminou nesse atlas, que reúne extenso material sobre mais de 750 produtos e quase 150 países, com base em observações feitas ao longo das últimas cinco décadas.

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Preenchendo a Lacuna: Investimento em Infraestrutura no Brasil

Brazil Top 10 Commodity ExportsBrazil -Infrastructure QualityCont.Sergio Lamucci (Valor, 03/08/15) informa a respeito de um  estudo de economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI): http://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2015/wp15180.pdf. O programa de concessões em infraestrutura do governo tende a acelerar o investimento na área, mas não deve ser suficiente para impulsionar significativamente o crescimento potencial do país, podendo ainda ser prejudicado pelas investigações relacionadas à Petrobras. “Reformas de governança serão cruciais para melhorar a eficiência do investimento”, afirma o relatório, observando também que várias das maiores empreiteiras do país estão envolvidas nas investigações do episódio da Petrobras, o que pode diminuir o acesso dessas empresas a financiamento.

Escrito por Mercedes García-Escribano, Carlos Goes e Izabela Karpowicz, o estudo diz que a infraestrutura insuficiente no Brasil é um “grande obstáculo ao crescimento, ao limitar a integração doméstica e a afetar a competitividade externa”. Segundo eles, mudanças para aperfeiçoar os padrões de governança serão necessárias para acompanhar os esforços para enfrentar a lacuna de infraestrutura, tornando o ambiente de negócios mais atraente para investimentos estrangeiros e domésticos. Isso é fundamental num cenário em que a competição regional para atrair mais recursos deve se intensificar.

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Competitividade Brasileira: Necessidade de Elevação da Produtividade no Setor de Serviços

Produtividades setoriais relativasJorge Arbache é professor de economia da UnB. Publicou outro artigo (Valor, 10/06/15) a respeito de um setor de atividade que, felizmente, passou a ser pesquisado no País: a produtividade do Setor de Serviços. Compartilho-o abaixo.

“A discussão sobre a importância da produtividade finalmente começou a se popularizar no Brasil, o que são boas novas para as perspectivas do crescimento econômico, redução da pobreza e da desigualdade, contenção da inflação e aumento da competitividade internacional. Embora a produtividade tenha grande contribuição para a prosperidade das nações em geral, é em contextos de crescente escassez de capital e de trabalho que a produtividade passa à condição de elemento crítico e até determinante do desenvolvimento.

E esse parece ser o caso do Brasil.

  • De fato, temos, de um lado, uma taxa de poupança muito aquém da necessária para financiar os investimentos de que tanto precisamos [FNC: funding que financia investimentos] e é improvável que ela venha a aumentar de forma significativa no horizonte previsível.
  • De outro lado, passamos por rápida e intensa transformação demográfica que já nos encaminha para um quadro de escassez de força de trabalho .[FNC: ?!] Temos, portanto, que aprender a fazer mais com o mesmo, ou seja, temos que aumentar substancialmente a nossa produtividade.

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Valeu, Eliezer Batista!

Principais Produtos Exportados 2014Principais compradores do minério de ferro 2012Embora a Vale exporte para o Japão menos de 10% do seu total exportado, ela responde por cerca de um quarto do fornecimento de minério de ferro para este País. Essa venda é feita, via mercado transoceânico, para grandes siderúrgicas japonesas. “Nossa participação no Japão no mercado de minério de ferro, em termos históricos, é de cerca 25%”, disse Marcos Turini, diretor responsável pelas operações da Vale no mercado japonês. Leia mais a respeito do negócio brasileiro do minério de ferro: http://www.ibram.org.br/sites/1300/1382/00004035.pdf

O alto teor de ferro do minério da Vale, em especial de Carajás, no Pará, tem garantido presença importante para a mineradora brasileira no Japão, cujas siderúrgicas desenvolveram um nicho de mercado apoiado em produtos de alto valor agregado.

A Vale disputa o mercado japonês sobretudo com as mineradoras australianas. Segundo especialistas, a Rio Tinto é a principal fornecedora de minério de ferro para os japoneses, sendo seguida pela Vale e pela BHP Billiton. No ano passado, a Vale vendeu para as siderúrgicas japonesas 27,2 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas, volume 13% abaixo dos 31,19 milhões de toneladas de 2013. Foi o volume mais baixo de vendas da Vale para as siderúrgicas japonesas desde 2011.

DocevaleFrancisco Góes (Valor, 28/05/15) resgata a epopeia histórica da construção da Vale, uma das maiores empresas brasileiras, através de traços biográficos de Eliezer Batista. É relevante compartilhar esse registro histórico para conhecimento geral dos cidadãos brasileiros.

Em 1961, o engenheiro Eliezer Batista, duas vezes presidente da Vale, fez a primeira de suas 178 viagens ao Japão. Naqueles dias, cumpriu intensa agenda de encontros para falar do potencial da mina de ferro de Itabira, em Minas Gerais, e sobre a necessidade de construção de um novo terminal portuário em Vitória (ES). Em coquetel, em Tóquio, conheceu Toshio Doko, reconstrutor do Japão no pós-guerra. “Quando vi, estava ao lado dele no meio do salão. Não tinha nada para falar com ele, nem ele comigo. Graças aos milagrosos poderes do saquê soltei o verbo.” Doko abriu portas, facilitou contatos e colaborou na montagem do projeto que culminaria com a construção do porto de Tubarão, na capital capixaba, inaugurado em 1966. “Vejam só a importância do saquê para a mineração brasileira”, disse bem-humorado Batista no livro “Conversas com Eliezer“.

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Sincronia entre Ciclos Econômicos dos Países do BRICS

Sincronia de Ciclos dos BRICSSincronia é o estado ou a condição de dois ou mais fenômenos ou fatos passados ou atuais que ocorrem simultaneamente e são, de certo modo, relacionados entre si. No caso, a sincronia refere-se à ocorrência simultânea ou em ritmo regular e definido de ciclos econômicos dos grandes países emergentes.

O que ocorre nos BRICS — grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — afeta mais estes próprios países do que o que acontece nas economias desenvolvidas. A existência de um ciclo comum entre os cinco países é a conclusão que os economistas Roberto Castello Branco e João Victor Issler, segundo Cristian Klein (Valor, 09/06/15).

No trabalho, Castello Branco e Issler analisam a correlação do Produto Interno Bruto (PIB) e da produção industrial dos integrantes do Brics. Desde 2000, as taxas de crescimento do PIB trimestral destes países apresentam similaridade. Quando alguma economia cresce ou se retrai, a outra vai na mesma direção, ainda que em patamares diferentes.

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Chimérica contrapartida da Chisil

ChiméricaDavid Kupfer é professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Grupo de Indústria e Competitividade (GIC-IE/UFRJ). Obtive em um artigo dele os dados acima, talvez os mais expressivos, em termos sintéticos, do que se denomina de “Chimérica“: a integração industrial entre a China e a América. Através de IDE (Investimento Direto Estrangeiro) norte-americano na China, condicionado à transferência de tecnologia, criou-se uma nova divisão internacional do trabalho: a China produz, os EUA consomem — e recebem financiamento chinês que lá aplica parte de suas imensas reservas cambiais. Nesse contexto, grosso modo, os BRIC emergiram, sendo o Brasil “a fazenda do mundo”, a Rússia “a usina do mundo”, a Índia “o escritório do mundo”, e a China “a fábrica do mundo”!

Evidentemente, isso é uma caricatura metafórica, pois todos esses grandes países emergentes têm uma economia multidiversificada com todos as atividades.

Compartilho abaixo outro artigo dele (Valor, 08/06/15) sobre a potencial colaboração entre China e Brasil:Chisil“? Continuar a ler