Cadeia Produtiva, Comercial, e de Manutenção, Reformas e Demolição da Construção

A FIESP divulgou um documento de referência para o  12º ConstruBusiness: Investir com Responsabilidade. Ele informa que a cadeia da construção reúne empresas de todas as etapas produtivas e investidores em qualquer tipo de ativo produzido pela construção. Os investidores estão na ponta desta cadeia, demandando residências, escritórios, centros comerciais, estradas, redes de trens metropolitanos, aeroportos e toda sorte de edificações e bens de infraestrutura. As empresas projetam e constroem imóveis e obras de infraestrutura, fabricam ou vendem materiais de construção, financiam operações, entre outras atividades.

No Brasil, estima-se que esse conjunto de empresas reúna um contingente de cerca de 6,2 milhões de trabalhadores com carteira assinada em 2016, o que representa 6,9% da força de trabalho ocupada no país no 3o. trimestre daquele ano: 89,835 milhões. Considerando os empreendedores, trabalhadores por conta própria, empregados sem carteira e aprendizes na cadeia da construção, o número de pessoas ocupadas deve alcançar 12,5 milhões em 2016, ou 13,7% da população ocupada no país (Gráfico 2.1).

Estima-se que os investimentos em construção devam atingir R$ 592 bilhões em 2016, o que equivale a cerca de 60% da formação bruta de capital fixo e 9,3% do PIB do país em 2016 (Gráfico 2.2). Nesse montante estão incluídos o valor das obras realizadas pelas construtoras, que deve somar cerca de R$ 347 bilhões, e o valor das obras realizadas por trabalhadores por conta própria e reformas, no valor de R$ 245 bilhões. Isso significa que, em 2016, o total de investimentos realizados no país em estradas, aeroportos, redes de esgoto, escolas, hospitais, edificações residenciais e comerciais, indústrias, obras de manutenção e reformas aproxima-se de R$ 2,9 mil por habitante.

Apesar de os dados indicarem uma situação superior à observada em meados da década passada, o desempenho observado nos últimos anos causa apreensão. O valor dos investimentos em construção realizados em 2016 deve ser aproximadamente 10% menor que o valor das obras executadas em 2014, ano em que os investimentos em construção alcançaram 11,5% do PIB brasileiro. Isso equivale a uma queda de cerca de 20% em termos reais nos últimos dois anos. A evolução dos valores reais dessas obras desde 2007 é apresentada no Gráfico 2.3.

Segundo a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), das obras realizadas em 2014, R$ 191,6 bilhões corresponderam ao valor das construções de edifícios. As obras de infraestrutura urbana alcançaram investimentos de R$ 12,9 bilhões. Estima-se que os serviços técnicos de construção associados a essas duas atividades totalizaram investimentos de R$ 26,7 bilhões. Assim, os investimentos em desenvolvimento urbano realizados no ano de 2014 alcançaram R$ 231,2 bilhões, o que correspondeu a 59,4% do valor das obras e serviços da construção naquele ano.

As obras de infraestrutura econômica – que englobam a construção de rodovias, ferrovias, obras de arte especiais, obras portuárias, de transporte por dutos, de infraestrutura para energia elétrica e de telecomunicações – somaram R$ 102,3 bilhões em 2014. Os serviços especializados para construção empregados nessas obras alcançaram o valor de R$ 35 bilhões. Além disso, houve R$ 14,6 bilhões de investimentos em montagens e instalações industriais. Assim, as obras em infraestrutura econômica totalizaram R$ 151,9 bilhões em 2014, ou seja, 40,6% do total do valor das obras e serviços de construção realizados por construtoras.

Somando-se ao valor de R$ 5,9 bilhões com receitas indiretas (revendas de materiais de demolição, aluguel de terrenos para estacionamento, aluguéis de imóveis em negociação, etc.), o valor de obras e serviços realizados pelas construtoras alcançou R$ 389 bilhões em 2014, um valor muito próximo ao que havia sido projetado no caderno técnico do 11o ConstruBusiness, que foi de R$ 387 bilhões.

Empregando o mesmo método, é possível projetar o valor das obras realizadas pelas construtoras em 2016 tomando por base as evoluções da produção, do emprego e dos preços da construção de 2014 em diante. Estima-se que o valor dessas obras tenha caído 11,8% desde 2014, atingindo R$ 347 bilhões em 2016. Portanto, houve redução de R$ 42,4 bilhões no valor de investimentos em construção realizados pelas construtoras. Isso equivale a uma retração real de 20,4% dos investimentos no período.

Etapas Produtivas da Cadeia da Construção

A produção é visualizada nos canteiros de obra de todo o país. Neles, os trabalhadores operam máquinas, equipamentos e ferramentas que montam, agregam e transformam diferentes materiais de construção. A indústria de materiais produz os insumos empregados nas obras: cimento e argamassas; concreto e artefatos de cimento e fibrocimento; vergalhões e produtos de metal; produtos asfálticos; perfis e esquadrias; tijolos, telhas e produtos cerâmicos; fios, cabos e materiais elétricos; tintas e vernizes; tubos, conexões e produtos de plástico; vidro; metais sanitários e válvulas; elevadores e escadas rolantes, etc.

Esses produtos industriais, por sua vez, empregam matérias-primas de outras indústrias, como a indústria da mineração. Exemplos disso são a produção de vergalhão, que emprega ferro-gusa produzido a partir do minério de ferro, e a produção de esquadrias de alumínio, feitas a partir de perfis que vêm do metal produzido a partir da bauxita. Vale observar que a maior parte das cadeias industriais que fabricam materiais de construção é intensiva em energia – visto que empregam grandes volumes de gás natural ou de energia elétrica – ou é elevado o peso das despesas com energia no custo da transformação industrial.

Parte dos materiais de construção é destinada aos sistemas industrializados, enquanto outra parcela é encaminhada ao comércio atacadista e varejista, responsável por direcionar os materiais à construção imobiliária e à construção pesada (infraestrutura), de acordo com suas demandas. Os sistemas industrializados consistem na pré-fabricação de componentes da obra divididos em módulos, cuja incorporação na construção se dá com técnica própria, compondo a construção industrial.

O setor de construção se integra aos setores de serviços imobiliários e de manutenção e reformas.

  • O setor imobiliário é responsável por comercializar as casas e os edifícios produzidos.
  • Por sua vez, o setor de manutenção e reformas é responsável por expandir o ciclo de vida das edificações.
  • Por fim, ocorrem incorporações, demolições e reconstruções.

Permeando a cadeia nas suas diversas etapas, há necessidade de mão de obra em diversos níveis, bem como de serviços técnicos especializados, como engenharia, arquitetura, instalações e sistemas prediais. Analisando a cadeia da construção sob o ponto de vista da sustentabilidade, é possível estabelecer os serviços técnicos especializados como o primeiro agente da cadeia, independentemente do estágio do ciclo de vida em que o empreendimento se encontra.

A abordagem da sustentabilidade requer que toda atividade realizada na cadeia da construção seja precedida de um planejamento abrangente. A escolha do local do empreendimento, o tipo, a quantidade e a qualidade dos materiais a serem empregados, e o bem-estar dos usuários são variáveis que devem ser consideradas, mensuradas e validadas antes de se colocar em movimento qualquer outro elo da cadeia. Este trabalho é dos engenheiros, arquitetos, geólogos, biólogos, administradores, economistas, entre outros profissionais, que devem trabalhar em conjunto para garantir que qualquer iniciativa gere os melhores efeitos líquidos, isto é, o maior benefício com o menor custo e o menor desperdício possíveis.

Há também um conjunto grande de empresas prestadoras de serviços na mineração, na indústria de materiais, no comércio e na construção. São empresas de serviços profissionais (advocacia, contabilidade, propaganda e marketing e consultoria, por exemplo), serviços logísticos, serviços financeiros (seguros e financiamentos) e serviços de apoio à atividade econômica (segurança, alimentação, tecnologia de informação, comunicações, etc.).

A produção da cadeia da construção também sustenta as atividades da indústria de máquinas e equipamentos, visto que todas as etapas produtivas empregam bens de capital para produzir seus produtos. São caminhões do transporte, caldeiras da indústria de materiais, computadores do comércio ou gruas das construtoras (Figura 2.1).

Principais números da cadeia produtiva

Em 2016, os investimentos estimados em obras e serviços de construção devem alcançar R$ 592 bilhões e gerar um PIB de R$ 502,1 bilhões na cadeia produtiva da construção. Essas atividades devem envolver 12,5 milhões de pessoas na média do ano, gerando uma folha de pagamentos de R$ 269 bilhões, ou 54% da renda gerada na cadeia produtiva. O faturamento em todos os elos da cadeia deve superar R$ 1,1 trilhão este ano.

A maior parcela da renda ou do PIB da cadeia produtiva – 64,5%, somando R$ 321 bilhões – será gerada no setor da construção este ano, que considera tanto as produções das construtoras, que executam obras ou etapas das obras de engenharia, quanto das obras de autogestão, autoconstrução e reformas. A indústria de materiais, máquinas e equipamentos para construção deve gerar um PIB de R$ 58,4 bilhões em 2016, ou 10,8% do PIB da cadeia, empregando 772 mil pessoas. A venda de materiais de construção – representada pelo comércio atacadista e varejista – deve ocupar 1,054 milhão de pessoas e gerar um valor adicionado de aproximadamente R$ 43 bilhões, 8,7% do total gerado na cadeia produtiva da construção em 2016.

As atividades de prestação de serviços compreendem incorporação, compra e venda de imóveis, aluguel de máquinas e equipamentos e serviços técnicos profissionais, como os de projetos de engenharia e arquitetura. Também estão incluídos os serviços de manutenção predial, como a conservação de elevadores e de outras máquinas e equipamentos prediais. O PIB dessas atividades deve alcançar R$ 79,6 bilhões em 2016, ou 16% do PIB da cadeia, e deve ocupar cerca de 1,9 milhões de pessoas (Tabelas 2.1 e 2.2).

O Gráfico 2.4 traz a evolução do PIB a preços constantes da cadeia produtiva da construção, considerando os deflatores de cada elo da cadeia. Chama a atenção o fato de que essa renda deve cair 15,4% em termos reais entre 2014 e 2016, indicando fortes retrações dos salários pagos, da arrecadação de impostos e dos lucros auferidos pelas empresas.

Nota-se, conforme o Gráfico 2.5, a redução relativa das obras realizadas por construtoras. O PIB da construção gerado pelas construtoras e incorporadoras, que passava de 60% em 2012, já se aproxima de 50% em 2016.

Indústria de Construção: “Eu era feliz… e não defendi a Dilma contra o golpe”

As incorporadoras imobiliárias lançaram um total de 6,3 milhões de unidades entre 2008 e 2017, sendo que 77,8% dentro do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, mostrou estudo divulgado no dia 28/11/17 pela Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Os empreendimentos de médio e alto padrão corresponderam a 20,7% dos lançamentos desde 2008 até agosto deste ano, enquanto imóveis comerciais representaram 1,6%, destacou o economista da Fipe, Eduardo Zylberstajn, ao apresentar o estudo “Cadeia de valor e importância socioeconômica da incorporação imobiliária no Brasil“, em São Paulo.

Segundo Zylberstajn, o setor respondeu pela criação média de 1,9 milhão de empregos por ano em todo o país entre 2010 e 2017. “O pico da geração de empregos foi em 2014, quando foram gerados 2,5 milhões de vagas”, comentou o economista.

O estudo apontou, ainda, que a arrecadação de impostos com incorporação imobiliária e atividades relacionadas foi de R$ 157,4 bilhões entre 2010 e 2017, o equivalente a uma media de R$ 19,7 bilhões por ano. O auge também foi observado em 2014, quando o setor arrecadou R$ 25,1 bilhões. Continue reading “Indústria de Construção: “Eu era feliz… e não defendi a Dilma contra o golpe””

Emprego Formal na Indústria de Transformação por Intensidade Tecnológica

Segundo a Carta IEDI 818, Depois de uma severa crise de 2014/2016, a indústria vem conseguindo manter resultados positivos em 2017. Com isso, a despeito de uma performance que ainda deixa a desejar, o pior parece ter ficado para trás. Como resultado, o emprego industrial, que havia se comportado como uma verdadeira engrenagem de destruição de postos de trabalho, agora é uma das principais alavancas do aumento do número de ocupados.

Segundo os dados da PNAD-IBGE, ainda que tenha permanecido no negativo ao longo da primeira metade de 2017, a população ocupada avançou, no terceiro trimestre do ano, 1,6% frente ao mesmo período de 2016. Por ora, entretanto, o perfil das vagas geradas não é dos melhores, pois tem se concentrado no mercado informal (empregado sem carteira e por conta própria) e não no mercado formal que segue em retração.

O presente estudo do IEDI se debruça sobre o desempenho do emprego industrial formal, ao longo do período de crise (2014-2016) bem como na fase de reação agora em 2017. São levados em conta a evolução do número de postos formais de emprego, que são preponderantes na indústria. Este tipo de ocupação, como se sabe, é caracterizada por maior estabilidade, maiores salários e um fluxo de rendimentos mais regular, de modo a ampliar o acesso ao crédito. Com isso, o emprego formal contribui muito para transformar ganhos de rendimento real em consumo.

Além disso, serão analisadas as trajetórias do emprego formal nos segmentos da indústria agrupados por intensidade tecnológica, seguindo a metodologia da OCDE. São quatro as faixas identificadas: alta, média-alta, média-baixa e baixa intensidade tecnológica. Para tanto, são utilizadas duas bases de dados de emprego formal divulgadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE): a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), que registra o estoque de trabalhadores formais em 31/12 de cada ano, e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), que se refere ao fluxo de criação líquida de vagas dos trabalhadores formais regidos pelo regime CLT (Consolidação das Leis de Trabalho), disponível até setembro de 2017. Continue reading “Emprego Formal na Indústria de Transformação por Intensidade Tecnológica”

Desempenho da Indústria de Transformação Por Intensidade Tecnológica

A Carta IEDI 817 veio em boa hora me informar a respeito do desempenho recente em relação ao grau de complexidade tecnológica da indústria brasileira. O comportamento da produção física da indústria de transformação pode ser visualizado com maior detalhe pela sua decomposição em quatro segmentos de atividades por intensidade tecnológica, conforme procedimentos da OCDE: alta intensidade, media-alta, média-baixa e baixa intensidade.

Ressalve-se que, com as melhorias metodológicas da PIM-PF, utilizou-se a indústria de transformação sem considerar a atividade de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos. Tal ramo começou a ser discriminado na versão mais nova da Classificação Industrial Internacional Uniforme (CIIU) e, por conseguinte, na versão 2 da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). Na sequência estão tabulados resultados selecionados para os segmentos de intensidade tecnológica, sujeitos à revisão.

Ao se confrontar o terceiro trimestre de 2017 com igual período de 2016, apenas a faixa de média-baixa não logrou expansão. As demais cresceram, com destaque para a de média-alta. No comparativo entre meses de setembro, só a de alta intensidade sofreu queda. No acumulado do ano e em doze meses, os segmentos de alta e de média-baixa registraram declínio. Continue reading “Desempenho da Indústria de Transformação Por Intensidade Tecnológica”

Padrões de Intensidade Tecnológica da Indústria Brasileira: Um Estudo Comparativo Com Os Países Centrais

Artigo de autoria de André Tosi Furtado e Ruy de Quadros Carvalho (São Paulo Em Perspectiva, v. 19, n. 1, p. 70-84, jan./mar. 2005) propôs uma classificação dos setores industriais de acordo com a sua intensidade em P&D em quatro grandes grupos. Cada um dos grupos recebeu uma denominação similar à da classificação da OCDE.

No entanto, as diferenças de intensidade entre esses grupos são bem menores no caso brasileiro do que no da OCDE. Esse esforço ainda não é suficiente para gerar uma nova classificação setorial porque o Brasil é apenas um caso. Ainda assim, tal classificação foi útil para identificar fatores críticos que explicam a diferença em relação aos padrões setoriais existentes nos países desenvolvidos.

Com o intuito de ajudar a explicar as distinções de intensidade de P&D dos setores industriais brasileiros, quatro importantes fatores foram identificados:

  1. origem do capital;
  2. o conteúdo de produção local;
  3. conteúdo codificado/tácito da tecnologia; e
  4. políticas públicas.

A origem estrangeira do capital e o grau de codificação da tecnologia podem contribuir negativamente para o nível de esforço local, ao passo que o maior conteúdo local, o maior grau de conhecimento tácito da tecnologia e as políticas públicas de promoção da inovação podem agir de maneira contrária, ou seja, induzindo o maior nível de esforço tecnológico local. Continue reading “Padrões de Intensidade Tecnológica da Indústria Brasileira: Um Estudo Comparativo Com Os Países Centrais”

Indústria Automobilística no Brasil: Protagonista no Palco de uma Eminente Transformação Global

No artigo com o título acima, cujos coautores são Carlos Sakuramoto e Luiz Carlos DiSerio (EAESP / FGV), apresentam um estudo sobre os impactos que uma cadeia de suprimentos globalizada em conjunto com as políticas macroeconômicas pode causar ao desenvolvimento de todo um setor econômico em um país emergente ou não. Tem poder de influenciar as estratégias corporativas globais e os destinos dos arranjos produtivos de todo um setor industrial.

As estratégias corporativas são globais, mas a implementação é regional. Cada país é soberano e independente, possuindo suas próprias diretrizes e prioridades macroeconômica.

Para o estudo, utilizou-se entrevistas em profundidade com executivos da área, assim como a realização de um “workshop” reunindo montadoras, fornecedores e universidades, para discutir as causas da estagnação da indústria automobilística brasileira. Aponta as tendências para o cenário futuro com a política de incentivo fiscal adotado pelo governo social-desenvolvimentista brasileiro, conhecido como INOVAR AUTO (Decreto 7819/2012), e os impactos na cadeia de suprimentos global.

Ao final desta pesquisa, constatou-se a fragilidade do setor automotivo no Brasil, devido a:

  1. a arquitetura internacionalizada e desbalanceada da cadeia de suprimentos, com grandes multinacionais dividindo o mesmo cenário competitivo com pequenas empresas nacionais e ainda familiares;
  2. os elevados e crescentes custos de produção;
  3. a instabilidade macroeconômica que acelera o processo de esvaziamento da produção local e a redução do nível de empregos;
  4. a utilização intensiva de automação.

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Cadeia Produtiva do Setor Automobilístico e Capacitação Tecnológica

Ana Valéria Carneiro Dias, Simone Vasconcelos Ribeiro Galina e Flavio D’Angelo Silva, pesquisadores da Universidade de São Paulo – Departamento de Engenharia de Produção, mostram que as relações entre os fornecedores de vários níveis e as montadoras na cadeia automobilística brasileira são indicados na figura acima. Observa-se que poucos fornecedores em todos os níveis de fornecimento se relacionam diretamente com a montadora, exceto fornecedores de vidros e óleos.

O setor de autopeças, em sua maioria, é cliente de produtores de matérias-primas básicas, normalmente grandes empresas até bem pouco tempo sob controle do Estado brasileiro. Isso deixa o setor entre dois setores oligopolizados.

O relacionamento direto de fornecedores da base indica um elevado grau de integração vertical, tendência esta predominante na indústria automobilística brasileira no passado. A tendência atual indica para o fornecimento de conjuntos e, principalmente, de sistemas.

As empresas automobilísticas, em sua maioria, abandonam a produção de componentes e a montagem de pequenos conjuntos, dedicando-se à montagem de grandes sistemas no veículo. Existem casos de empresas que adquirem sistemas e o serviço de montagem sobre a plataforma do veículo. Continue reading “Cadeia Produtiva do Setor Automobilístico e Capacitação Tecnológica”