Indústria 4.0 na Alemanha

A Carta IEDI 807, divulgada em 28.09.2017, tem como tema a Indústria 4.0 na Alemanha e foi elaborada a partir do documento de divulgação “Industrie 4.0: Smart manufacturing for the future”, publicado em 2014 pela Agência Alemã de Investimento e Comércio (GTAI, na sigla em alemão), que traz o ponto de vista do governo federal alemão e das principais empresas industriais participantes da iniciativa. 

Como contraponto à visão dominante, a resenha traz os principais argumentos de dois artigos acadêmicos.

  1. O primeiro artigo, “Social Innovation Policy for Industry 4.0” de autoria do professor Daniel Burh da Universidade Eberhard Karls, de Tübingen, publicado em 2015, discute as possíveis consequências da Indústria 4.0 no mundo do trabalho e defende que a iniciativa seja definida e entendida como uma inovação social e não apenas como uma inovação tecnológica.
  2. O segundo artigo, “The Challenges of Industry 4.0 for Small and Medium-sized Enterprises”, de autoria do pesquisador Christian Schröder, do Institut für Mittelstandsforschung, publicado em 2016, analisa a difusão da Indústria 4.0 e aponta os obstáculos e desafios para o segmento de pequenas e médias empresas alemãs (conhecido como Mittelstand).  Continue reading “Indústria 4.0 na Alemanha”

Balanço Comercial do Agronegócio

Cristiano Zaia (Valor, 14/09/17) informa que, puxadas por soja e carnes, as receitas com as exportações do agronegócio brasileiro tiveram alta de 18,5% em agosto em relação ao mesmo mês de 2016, alcançando US$ 9 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), compilados pelo Ministério da Agricultura. Com o resultado, o setor foi responsável por 46,4% de todas as vendas externas do Brasil no mês.

De acordo com o ministério, as importações de produtos agropecuários recuaram 4% em agosto, para US$ 1,2 bilhão, em comparação com o mesmo período de 2016. Com o resultado, o superávit setorial ficou em US$ 7,8 bilhões, 23,8% acima de agosto de 2016.

Entre os itens mais exportados pelo país está o “complexo soja” (inclui grão, farelo e óleo), que geralmente lidera o ranking das exportações agrícolas do país. As vendas externas do complexo totalizaram US$ 2,7 bilhões em agosto, 28% superior a igual intervalo de 2016. Continue reading “Balanço Comercial do Agronegócio”

Peso da Exportação de Soja para a China

A pauta de exportação brasileira é formada principalmente por commodities que passaram por elevação de preço ou que tiveram alta de volume por conta de safra maior. Dos US$ 107,7 bilhões embarcados pelo Brasil no primeiro semestre, mais de 30% – US$ 34,8 bilhões – foram em minério de ferro, petróleo e soja. Enquanto a exportação do grão subiu 20% de janeiro a junho deste ano em relação a iguais meses de 2016, a de minério de ferro quase dobrou, com alta de US$ 4,7 bilhões para US$ 8,9 bilhões. A venda de petróleo mais do que dobrou no mesmo período, de US$ 4 bilhões para US$ 9,2 bilhões. A exportação do setor automotivo representou 7,3% do total; cresceu 31,8% no primeiro semestre de 2017, com alta de 11,7% na produção físicaPetróleo e combustível representam 7,5% do total exportado; minérios, 7,6%; complexo soja, 7,4%.

Há dez anos, o Brasil era o principal produtor e exportador de açúcar (41% do comércio mundial), café (23%) e suco de laranja (83%). Era o segundo produtor e primeiro exportador de álcool (38%), tabaco (27%), complexo soja (39%), carne bovina (33%) e carne de frango (39%). Era o terceiro produtor e terceiro exportador de milho (10%) e quarto exportador de carne suína (15%). Em exportação por produto, 26% dos produtos pertenciam à agroindústria.

Kauanna Navarro (Valor, 11/09/17) informa que, apesar do crescimento econômico mais lento, a China deverá ter uma demanda adicional de cerca de 35 milhões de toneladas de soja em dez anos, segundo o banco holandês Rabobank. De acordo com estudo, o Brasil poderá absorver 80% dessa demanda adicional. Se a previsão se confirmar, serão 28 milhões de toneladas a mais partindo dos portos brasileiros para o mercado chinês – o que, considerando o preço médio para o grão exportado em agosto, representa US$ 10,52 bilhões.

O estudo, assinado por Lief Chiang e Victor Ikeda, indica que a demanda chinesa crescerá ancorada na urbanização e consolidação da pecuária, especialmente do segmento de produção de suínos. A população urbana chinesa deverá sair de 56% para 65% do total do país em 2020, o que significa 150 milhões de pessoas a mais nas cidades. Nesse cenário, a importação de soja do país asiático deve sair de 91 milhões de toneladas no ciclo 2016/17 para 125 milhões de toneladas em 10 anos.

Na comparação com os Estados Unidos e Argentina, o Brasil – que já envia 80% da soja que exporta ao mercado chinês – é o país em melhores condições para atender a demanda da China. Para o Rabobank, em 10 anos, as exportações dos EUA crescerão apenas 5 milhões de toneladas, uma vez que não há muito espaço para aumento de produção. E, na Argentina, as exportações deverão crescer apenas 4 milhões de toneladas. Continue reading “Peso da Exportação de Soja para a China”

Coleção Atlas Econômico da Cultura Brasileira

O Ministério da Cultura (MinC) está lançando um trabalho inédito no País: a Coleção Atlas Econômico da Cultura Brasileira. Os dois primeiros volumes da coleção, que será composta de seis obras — lançados em evento no Itaú Cultural, em São Paulo — são o pontapé inicial para o que promete ser a ferramenta que faltava para uma maior valorização da Cultura como um importante segmento na composição do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. 

Atualmente, o Brasil carece de um sistema unificado e padronizado para aferir a participação da Cultura no PIB nacional. Apelidado de “PIB da Cultura”, este sistema é chamado de Conta Satélite da Cultura e já existe em 21 países no mundo, sendo sete da América do Sul (Colômbia, Chile, Uruguai, Argentina, Peru, Bolívia e Equador). No Brasil, os dados existentes não são construídos com a periodicidade necessária para poderem ser comparados e não há consenso no setor sobre quais setores e subsetores deveriam ser acompanhados.

 O Atlas trará dados construídos com uma metodologia padrão para as diferentes regiões do Brasil. Os dois primeiros volumes, que trazem o marco referencial teórico e metodológico que será usado para aferição dos dados, esclarecem que o estudo será apoiado em quatro eixos: empreendimentos culturais, mão de obra do setor cultural, investimentos públicos e comércio exterior.

Atualmente só existem trabalhos que abordam emprego e empreendimentos no setor cultural. Ainda assim, de forma dispersa e usando diferentes metodologias. O Atlas aponta ainda para algumas das cadeias produtivas que serão estudadas de forma prioritária: audiovisual, games, mercado editorial, música e museus e patrimônio.

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Lucratividade e Endividamento das Empresas Não-Financeiras com o Golpe: Ajuste Incompleto

A CARTA IEDI 800 avalia que a economia brasileira vem dando os primeiros sinais de uma recuperação do nível de atividade econômica. O retorno do lucro líquido das empresas em 2016 e certo aumento, ainda que tímido, do investimento das empresas industriais no final do ano passado contribuíram para fortalecer a crença de que o pior momento da crise econômica pode estar passando para a indústria.

As informações contábeis de 296 empresas não financeiras tabuladas pelo IEDI com dados relativos à rentabilidade, endividamento e composição dos ativos para 2016 e para o primeiro trimestre de 2017 mostram, contudo, que ainda há um longo caminho a ser percorrido para a retomada sustentada da economia brasileira.  Continue reading “Lucratividade e Endividamento das Empresas Não-Financeiras com o Golpe: Ajuste Incompleto”

Como medir complexidade econômica por Hausmann e Hildalgo via Paulo Gala

Encontra-se no blog de Paulo Gala, entre outros temas de estudo que aprecio, o seguinte post, parte de seu livro. Aqui compartilho por sua importância como uma Introdução à Economia da Complexidade, estimulando a leitura do livro “Complexidade Econômica” de sua autoria.

Como medir a “complexidade econômica” de uma economia? Hausmann e Hildalgo criaram um método de extraordinária simplicidade e comparabilidade entre países. A partir da analise da pauta exportadora de uma determinada economia são capazes de medir de forma indireta a sofisticação tecnológica de seu tecido produtivo.

Os dois conceitos básicos para se medir se um país é complexo economicamente ou sofisticado são a ubiquidade e a diversidade de produtos encontrados na sua pauta exportadora.

Se uma determinada economia é capaz de produzir bens não ubíquos que não estão ou existem ao mesmo tempo em toda parte, ou seja, não onipresentes –, há indicação de que tem um sofisticado tecido produtivo. Claro que há um problema aqui de escassez relativa, especialmente de produtos naturais como diamantes e urânio, por exemplo.

Os bens não ubíquos devem ser divididos entre:

  1. aqueles que têm alto conteúdo tecnológico e, portanto, são de difícil produção (aviões por exemplo) e
  2. aqueles que são altamente escassos na natureza (nióbio por exemplo) e, portanto, tem uma não ubiquidade natural. Continue reading “Como medir complexidade econômica por Hausmann e Hildalgo via Paulo Gala”

Disputa pelo Mercado Brasileiro de Automóveis

Marli Olmos e Victória Mantoan (Valor, 21/06/17) informam que a Volkswagen tenta recuperar terreno perdido para a concorrência. Em dez anos, a participação da Volks no mercado brasileiro caiu de 22,97% para 11,50%. Para os empregados da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), a notícia de um lançamento de novo modelo de automóvel consagra uma negociação iniciada há cinco anos, quando surgiram os primeiros sinais de excesso de mão de obra. O Polo é fruto de um acordo para tentar amenizar a ociosidade que ainda persiste.

A Volks, líder de mercado até o início dos anos 2000, não é a única, entre as grandes, a renovar a linha para tentar recuperar espaço perdido. Há poucos dias, a Fiat apresentou o Argo, sucessor da linha Palio, o modelo de maior sucesso da marca italiana no Brasil e que começou a ficar desgastado depois de inúmeras remodelagens ao longo dos seus 20 anos de estrada. Entre 2007 e 2016 a participação da Fiat caiu de 25,94% para 15,35%.

A líder agora é a General Motors. Mas, apesar de ter se destacado ao desbancar a Fiat do primeiro lugar, em 2016, a montadora americana também sofreu com o avanço da concorrência. Tinha 21,29% do mercado brasileiro de carros e comerciais leves há dez anos e fechou o ano passado com 17,41%, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), que acompanha o licenciamento nacional.

A crise mexeu com gigantes. Há uma década GM, Fiat e Volks eram donas de 70% do mercado brasileiro. Em 2016 somaram, juntas, 44,2%. Os mais de 25 pontos percentuais perdidos pelas três foram conquistados principalmente por asiáticas, como a coreana Hyundai e a japonesa Toyota, que com pouco mais de 9%, cada uma, das vendas de 2016, passaram à frente da Ford, que permaneceu estagnada. Continue reading “Disputa pelo Mercado Brasileiro de Automóveis”