Lucros X Salários ou Produtividade X Desindustrialização?

Thiago de Moraes Moreira é economista da Petrobras e professor de Macroeconomia do Corecon/RJ. Publicou artigo (Valor, 25/04/17) sobre “desindustrialização“. Compartilho-o abaixo.

“Múltiplos esforços têm sido despendidos pelos economistas no sentido de entender as causas fundamentais que jogaram a economia brasileira na brutal recessão econômica de 2015/16. Gostaria de trazer à tona um dos tópicos recorrentes nos fóruns de discussão e que diz respeito ao encolhimento nas margens de lucros dos empresários brasileiros. Este movimento é considerado por muitos como uma das motivações centrais da crise, na medida em que impôs uma forte restrição financeira às empresas, levando a aumentos dos níveis de endividamento e forte queda dos investimentos.

Tais análises costumam destacar que a redução nos lucros teve como principal justificativa a trajetória persistente de incrementos salariais em ritmo superior à evolução da produtividade do trabalho, o que elevou de forma expressiva o custo do trabalho. Esta dinâmica seria, em grande medida, reflexo da política de valorização do salário mínimo dos governos petistas, iniciada no segundo governo Lula, aprofundada a partir de 2009 como parte das medidas anticíclicas no combate à crise financeira internacional e mantida no governo Dilma. Continue reading “Lucros X Salários ou Produtividade X Desindustrialização?”

Tecnologia de Carros Autônomos

Brooke Masters (FT, 29/05/17) afirma que “o atual entusiasmo do Vale do Silício pelas startups ligadas à tecnologia de carros autônomos está sendo chamado de a nova corrida do ouro da Califórnia. Mas a onda de investimentos está se parecendo mais com a de 1999 [que deu origem à “bolha da internet“] do que com a de 1849.

A tecnologia dos carros sem motorista claramente tem o potencial de ser revolucionária, e alguns fundadores de startups já ganharam na loteria. A General Motors (GM) comprou a Cruise, uma startup de carros autônomos, por US$ 581 milhões, a Ford injetou US$ 1 bilhão na empresa iniciante de inteligência artificial Argo AI.

As companhias de tecnologia também estão entrando na festa: a Intel pagou US$ 15 bilhões pela Mobileye de Israel, uma fabricante de sensores e softwares para direção autônoma, e o Uber comprou por US$ 680 milhões a Otto, uma empresa de caminhões de direção robótica. Continue reading “Tecnologia de Carros Autônomos”

Brasil: o maior produtor de petróleo da América Latina

Marsílea Gombata (Valor, 21/06/17) informa que, com a queda de produção de petróleo na Venezuela e no México, o Brasil se tornou o maior produtor de petróleo da América Latina. Desde o ano passado, a produção nacional tem superado a dos principais países exportadores de petróleo da região. Essa tendência deve se reforçar neste ano.

Segundo a edição de 2017 do “BP Statistical Review of World Energy“, lançada recentemente, o Brasil superou a produção da Venezuela e do México em 2016 (veja gráfico acima). Enquanto o Brasil registrou média diária de 2,6 milhões de barris/dia, a Venezuela encerrou o ano em 2,41 milhões, e o México em 2,45 milhões. Em 2015 a produção venezuelana era de 2,64 milhões de barris/dia e ainda superava a do México (2,58 milhões) e do Brasil (2,52 milhões).

Essa troca de posições ocorreu tanto pelo aumento da produção brasileiro quanto principalmente pela queda de produção venezuelana e mexicana. E a tendência é o Brasil continuar liderando o ranking regional neste ano. Continue reading “Brasil: o maior produtor de petróleo da América Latina”

Planejamento do Setor Energético no Brasil: O petróleo não é nosso?!

O ciclo de maturação de investimento em petróleo leva dez anos. No bicentenário da independência política do Brasil, em 2022, será o início de sua independência econômica? O superávit no balanço de transações correntes permitirá estabilizar a taxa de câmbio e, com ela, a taxa de inflação? O Fundo Soberano de Riqueza investirá os royalties sobre extração de petróleo em Educação (75%) e Saúde (25%)? Ou haverá mais desnacionalização no extrativismo de petróleo em benefício de capital estrangeiro?

André Ramalho (Valor, 08/06/17) informa sobre a futura transformação da economia brasileira em Economia do Petróleo. Este é o futuro que os estudos recentes da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam para a próxima década:

  1. uma produção de petróleo menos concentrada nas mãos da Petrobras e cada vez mais direcionada para exportações;
  2. uma recuperação lenta no consumo de combustíveis entre os veículos leves pelos próximos cinco anos e
  3. uma matriz veicular mais limpa, baseada na retomada dos investimentos no setor de etanol.

Responsável pelo planejamento do setor energético no Brasil, compilado no Plano Decenal de Energia (PDE), a EPE está revendo suas premissas econômicas e setoriais. José Mauro Coelho, diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da empresa, diz que o grande desafio da instituição é traçar projeções “mais críveis” e “coladas à realidade”, o que passa por assumir:

  1. uma participação menor da Petrobras nos investimentos em óleo e gás e
  2. um cenário de crescimento mais modesto da demanda interna.

Os estudos mais recentes da EPE indicam que:

  1. a participação da Petrobras na produção nacional de petróleo deve cair, dos atuais 78% para 70% até 2026, e
  2. o Brasil se tornará um “player muito importante” nas exportações. Continue reading “Planejamento do Setor Energético no Brasil: O petróleo não é nosso?!”

Social-Desenvolvimentismo para acabar com Déficit Habitacional

A FGV/Construbusiness, em 2010, estimou a necessidade de construção de 23,5 milhões de novas moradias entre 2010 e 2022, ano da comemoração do bicentenário da Independência do Brasil. Isto daria uma média anual de 1,8 milhão de UH, um recorde histórico jamais alcançado. Então, será necessário eleger (e reeleger) governos social-desenvolvimentistas, durante pelo menos seis mandatos consecutivos (24 anos) para as favelas no Brasil serem substituídas por bairros populares!

O Programa Minha Casa Minha vida, que entre 2009 e 2016 contratou 4,5 milhões de moradias e gerou investimentos de R$ 330 bilhões, é um programa que precisará ter continuidade  e novas iniciativas devem ser tomadas se o país quiser reverter o déficit habitacional, que é crescente. Entre 2009 e 2015, ele cresceu 5,9%, segundo pesquisa encomendada pelo Sinduscon-SP ao Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas.

A pesquisa indica que em 2015, para um contingente de 71,3 milhões de famílias, o país registrou um déficit habitacional de 7,7 milhões de domicílios. Naquele ano, haviam no país:

Gestão Temerária na Petrobras

Segue o segundo artigo da série em cooperação com o economista Cláudio Oliveira. Nosso objetivo é revelar a realidade da Petrobras.
Agradeço por comentários. Peço divulgação.
 
sds,
Felipe Coutinho

Presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras

Leia maisO Mito da Petrobras Quebrada

Resposta da FIESP à EPGE-FGV

José Ricardo Roriz Coelho é vice-presidente e diretor do Departamento de Competitividade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Respondeu ao panfleto em defesa do livre-mercado (e da vocação agrária-exportadora anti-industrial) de dois professores da EPGE-FGV — leia meu post: Capitalismo Idealizado contra Capitalismo Real. Outras versões desse post em artigos postados em Brasil Debate: Capitalismo de Livre-Mercado contra Capitalismo de Compadrio e Carta Capital: Capitalismo de Livre-Mercado contra Capitalismo de Compadrio. Reproduzo abaixo o artigo do representante da FIESP nessa reedição do debate ocorrido após a II Guerra entre Eugênio Gudin (EPGE-FGV) e Roberto Simonsen (FIESP).

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