Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) – 2016

Entre 2007 e 2016, a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) mostrou uma queda da participação das obras de infraestrutura (de 41,3% para 29,5%) no valor adicionado desse setor, enquanto aumentou a representtividade da construção de edifícios (de 39,7% para 45,9%), e dos serviços especializados (de 19% para 24,6%).

O total da receita bruta chegou a R$ 319,6 bilhões em 2016. O valor das obras e serviços da construção atingiu R$ 299,1 bilhões, sendo que 31,5% vieram das obras contratadas por entidades públicas (R$ 94,1 bilhões) e o restante por pessoas físicas e/ou entidades privadas.

Havia 127 mil empresas ativas da indústria, ocupando cerca de 2,0 milhões de pessoas em 2016. O gasto com salários, retiradas e outras remunerações chegaram a R$ 58,5 bilhões e o salário médio mensal foi de R$ 2.235,16.

Obras e/ ou serviços da construção executados pelas empresas de construção continuou a ser o item mais importante do setor e responsável por 91,4% da sua receita bruta total, o equivalente a R$ 292,1 bilhões em 2016. Outras informações podem ser obtidas no material de apoio do IBGE:

 

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GeoEconomia e Custo de Transporte

Sempre achei, em Geoeconomia, que a localização e, portanto, o custo de transporte é ainda uma das dificuldades relativas superiores do comércio externo do Brasil. É a maior economia do hemisfério Sul, mas isso dificulta a concorrência com o Norte.

Fernanda Pires (Valor, 13/03/18) informa que os fretes marítimos de importação entre a China e o Brasil, uma das principais rotas do comércio exterior brasileiro, subiu quase seis vezes nos últimos dois anos e fecharam 2017 com a média mais alta do mundo na comparação com outros destinos.

Conforme dados levantados pela consultoria Solve Shipping, o frete spot referência de um contêiner de 20 pés (Teu) saindo do porto de Xangai para o de Santos encerrou 2017 em US$ 2,7 mil em média. É mais que o dobro do registrado na segunda rota mais cara, entre Xangai e a Costa Leste dos Estados Unidos.

A explicação é simples. De um lado, caiu à metade, para três, o número de serviços de navegação entre Ásia e Brasil de outubro de 2015 a dezembro de 2017. Uma medida deliberada dos armadores (donos de navios) após anos de superoferta no transporte marítimo que derrubaram os fretes e afetaram seus balanços. Além disso, houve queda nas importações brasileiras em virtude da crise.

De outro lado, está a falta de infraestrutura nos portos brasileiros, impedindo que os grandes navios sejam usados à plena capacidade. Consequentemente, a economia de escala por contêiner transportado é menor do que a de outras rotas.

Junta a isso ao histórico domínio mafioso do líder do MDB sobre o porto de Santos e… estamos entendidos! Continue reading “GeoEconomia e Custo de Transporte”

Dependência de Trajetória: Seca-Choque Tarifário-Choque Inflacionário-Choque de Juros

Confira no gráfico acima que os neoliberais (1995-2006 e 2015-2016) liberam os preços administrados  e os desenvolvimentistas (2007-2014) colocam as empresas de serviços de utilidade pública trabalhando em favor do seu público-alvo: o povo brasileiro. Os esnobes acionistas minoritários dessas empresas criticam essa postura como “populista”. E golpeam o governo social-desenvolvimentista!

De janeiro de 1995 a maio de 2016, o conjunto dos preços administrados do IPCA avançou 664,1%, enquanto o conjunto dos preços livres aumentou 301,3%. Entre os preços administrados que mais subiram, destacam-se os preços de gás de botijão (1257,8%) e plano de saúde (820,4%).

No período mais recente, de janeiro de 2015 a maio de 2016, a inflação dos preços administrados (19,7%) também foi maior que a inflação dos preços livres (12,0%). Esse comportamento antes do golpe parlamentarista foi o contrário do que ocorreu nos anos imediatamente anteriores (2012 a 2014), refletindo um realinhamento daquela em relação a esta. No segundo semestre de 2017, os preços administrados foram elevados, significativamente, enquanto os preços livres, por causa da deflação de alimentos, despencavam.

O  texto FAQ 05 – Preços Administrados integra a série Perguntas Mais Frequentes (PMF), editada pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) do Banco Central do Brasil (BCB). Aborda temas econômicos de interesse de investidores e do público em geral. 

No Brasil, o termo “preços administrados por contrato e monitorados” – doravante simplesmente preços administrados – refere-se aos preços que são menos sensíveis às condições de oferta e de demanda porque são estabelecidos por contrato ou por órgão público. Como esses contratos preveem, muitas vezes, reajustes de acordo com a inflação passada, pode-se afirmar que essa indexação parcial à inflação ocorrida torna esses preços efetivamente “dependentes do passado” e pouco sensíveis ao ciclo econômico.  Continue reading “Dependência de Trajetória: Seca-Choque Tarifário-Choque Inflacionário-Choque de Juros”

Candidato Entreguista da Principal Riqueza Brasileira

O candidato de O Mercado rentista, o “picolé-de-chuchu” (passivo-e-omisso) já derrotado em 2006, segundo Vandson Lima (Valor, 08/02/18), afirmou que vários setores da Petrobras serão privatizados caso ele vença a disputa pelo Palácio do Planalto.

Mesmo a privatização total da Petrobras não está descartada pelo tucano, que se disse “totalmente favorável” à ideia de se desfazer de empresas em áreas que considera a participação do Estado desnecessária. Ele citou, nominalmente, Empresa Brasil de Comunicação (EBC); a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás); e a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) como candidatas ao repasse ao setor privado em sua gestão.

“Muitos setores da Petrobras podem ser privatizados. Inúmeras áreas que não são o core, o centro objetivo da empresa, tudo [isso] pode ser privatizado. Se tivermos um bom marco regulatório, até pode, no futuro, privatizar tudo“, afirmou Alckmin em Brasília, ao participar de reunião com representantes de diversos setores da indústria na sede do Sinduscon local.

[Fernando Nogueira da Costa: curiosamente, “o uso do cachimbo faz a boca torta”. Agora, em tese, sem caixa-dois, ele não poderia apelar para o financiamento eleitoral de O Mercado. Portanto, não necessitaria prometer que entregaria de graça o patrimônio público nacional! Aliás, um presidente da República não pode tratar a coisa pública como posse privada, prometendo vender tudo!]

A equipe que trabalha em seu plano de governo, inclusive, já trabalha em propostas sobre o tema. “Distribuição, por exemplo [que é lucrativa para compensar as pesquisas realizadas pela empresa estatal], não precisa ser da Petrobras. Tem 147 empresas estatais, precisa olhar uma a uma”. Ele ressalvou, contudo que a “Petrobras hoje está muito bem gerida pelo [presidente] Pedro Parente”. [Detalhe: o tucano demonstra sua parcialidade pró-grã tucanato.]

Questionado sobre a mudança de posição ao defender as privatizações agora, ao contrário do que fez na campanha presidencial em 2006, quando chegou até a vestir uma jaqueta com as marcas da Petrobras, Correios, Caixa e Banco do Brasil para assegurar que não ia vendê-las à iniciativa privada, Alckmin lembrou que, à época, sofreu com acusações do PT. “Lula dizia que eu ia privatizar o Banco do Brasil, o que era mentira. Não pretendia na época e não pretendo agora”, apontou.

Em seguida, o suspeito declara em “ato-falho”: “Quando fui vice-governador do Mario Covas, comandei o processo de privatizações em São Paulo. Petrobras não é primeiro ou único caso. Temos uma equipe estudando isso, modelos de concessão e PPP“.

É este o candidato alternativo ao de extrema direita no segundo turno da eleição presidencial?! Jamais, não passará!

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Complexidade das Exportações do Brasil e Concorrência da China

A Carta IEDI n. 826 apresenta um  estudo que retoma trabalhos anteriores do IEDI sobre o tema da concorrência entre Brasil e China no comércio internacional, realizando uma análise da complexidade econômica do total de produtos exportados por esses países, bem como daqueles bens direcionados para os três principais mercados de destino das exportações brasileiras de manufaturados (Mercosul, Aladi e Nafta). Estudos anteriores podem ser consultados a partir das Cartas IEDI n. 590 de 20/09/2013 “O Dinamismo Exportador do Brasil e a Ameaça das Exportações Chinesas no Após Crise”, n. 716 de 26/01/2016 “Complexidade das Exportações Brasileiras: De Mal A Pior” e n. 769 de 20/01/2017 “Exportação de manufaturados: Concorrência China x Brasil”.

Nesta Carta, os últimos dados disponíveis, referentes ao ano de 2016, são comparados com os resultados de 2012, tomando como base as informações do Atlas da Complexidade Econômica (http://atlas.cid.harvard.edu/), que reúne uma série de indicadores de complexidade dos bens exportados por diferentes países. Para obter os dados de complexidade por produto exportado para os países que integram Mercosul, Aladi e Nafta, as informações foram cruzadas com as informações de comércio por produto do Trademap, construído pelo Centro de Comércio Internacional (ITC) da UNCTAD/WTO.

De acordo com os economistas que elaboraram o Atlas da Complexidade Econômica, Ricardo Hausmman e César Hidalgo (respectivamente da Universidade de Harvard e do Instituto Tecnológico de Massachusetts – MIT), a complexidade das exportações é determinante para o crescimento econômico de longo prazo dos países. Isto porque, alguns conjuntos de produtos no núcleo do tecido produtivo são mais essenciais para dinamizar outras atividades produtivas, por conta de seus efeitos de encadeamento e transbordamento, ou seja, por estabelecerem mais conexões com o restante das atividades econômicas. Neste grupo estão, principalmente, produtos eletrônicos, máquinas, materiais para construção, químicos e produtos relacionados à saúde).

Os dados mostram que o Brasil melhorou sua posição no ranking de complexidade econômica entre 2012 e 2016, passando do 50o. para o 42o. lugar. Contudo, nesse período, o Índice de Complexidade Econômica (ICE), além de ter diminuído, se tornou negativo. Ou seja, outros países devem ter apresentado uma redução maior no ICE, resultando na melhora da posição relativa do Brasil.

Esse resultado está em linha com a evolução do Brasil no ranking global de exportações de manufaturados, em que a posição do país, embora marginal, avançou do 31º para o 30º lugar entre 2015 e 2016 (de 0,59% para 0,61% do total), em muito devido ao recuo das exportações mundiais de manufaturados já que a alta das vendas externas desses bens pelo Brasil foi de apenas 1,8% no período.

Já a análise das exportações brasileiras e chinesas para os países do Mercosul, Aladi e Nafta, qualificando o tipo de produto exportado a partir do Índice de Complexidade do Produto (ICP), contribui para a compreensão dos determinantes da interrupção no biênio 2012-2015 da tendência de aumento da especialização das exportações brasileiras em produtos pouco dinâmicos observada entre 2008 e 2012.

O Brasil procurou se adaptar ao avanço da concorrência chinesa em seus principais mercados externos não apenas por meio da exportação de produtos de baixa complexidade, mas também exportando produtos de maior complexidade, como os da indústria de máquinas, em especial a automotiva, beneficiados pelos acordos comerciais com alguns países dessas regiões. Entretanto, a China destacou-se em produtos ainda mais sofisticados (sobretudo eletrônicos), resultado também associado a acordos comerciais entre países latino-americanos e países externos à região.

Frente à concorrência chinesa, os avanços do Brasil permanecem limitados, devendo o país:

  1. aumentar suas exportações de manufaturados de maior complexidade e
  2. ampliar suas competências produtivas em direção a bens similares dos que já produz.

Além disso, vale ressaltar a importância de participar de acordos comerciais que envolvam produtos de maior complexidade econômica, notadamente com os países com os quais já apresentamos laços comerciais estreitos em manufaturados, como Mercosul, Aladi e Nafta. Continue reading “Complexidade das Exportações do Brasil e Concorrência da China”

Desastre Provocado pela “Equipe de Ouro” Neoliberal do Governo Golpista

O “pato amarelo” da FIESP golpeou um governo democrático e não alçou voo com o governo golpista. Com a Grande Depressão provocada por choque tarifário inflacionário, overdose de juros, fim de política de crédito público, e corte de gastos públicos, brevemente, para elevar os impostos, alegará que a arrecadação fiscal caiu. Veremos novamente o “pato amarelo” inflado e a FIESP “pagando almoço” para a atuação do Movimento Brasil Livre, financiado e apoiado pelas empresas Koch, os mesmos que sempre financiaram o Tea Party nos Estados Unidos?

Eduardo Belo (Valor, 29/12/17) informa o tamanho da conta paga pela indústria pelo apoio ao projeto político do presidente emedebista da FIESP: os principais setores da indústria de máquinas apenas torcem para se desgarrar da baixa média projetada para o Produto Interno Bruto (PIB). Depois de perder 45% do faturamento desde 2013 e encolher 3% em 2017, os fabricantes de bens de capital projetam expansão de 5% a 8% em 2018.

Os únicos motivos para previsão otimista são a baixa base de comparação e a retomada dos investimentos. Ainda assim a retomada dos investimentos se dará mais em função dos gargalos acumulados na economia após três anos de recessão. Continue reading “Desastre Provocado pela “Equipe de Ouro” Neoliberal do Governo Golpista”

Determinantes da Pauta de Exportação Brasileira

No Fernando Nogueira da Costa e outros – Economia Brasileira como Sistema Complexo TDIE 323, meus alunos do doutorado e eu levantamos a hipótese de que a pauta de exportação da economia brasileira não pode ser vista apenas a partir da oferta, i.é, da complexidade econômica na produção dos produtos exportados. O perfil da demanda externa, determinado pelos destinos das exportações, é o determinante-chave de sua composição. Os dados recentes permitem testar — e comprovar essa hipótese.

Marta Watanabe (Valor, 02/01/18) informa que o esforço de exportação das empresas brasileiras impulsionado pela crise econômica fez o Brasil melhorar sua posição na classificação da complexidade econômica das exportações. O país avançou nesse ranking do 50o. lugar para o 42o. lugar de 2012 para 2016. No mesmo período, porém, a China passou da 22a. para a 17a. posição.

Apesar da melhora dos dois países no período, a evolução foi diversa. O Brasil ocupava o 28o lugar em 1999. Desde então, sofreu redução contínua no Índice de Complexidade Econômica (ICE) dos embarques. A melhora só veio após 2014. O valor do índice brasileiro, porém, era melhor em 2012 (0,162) do que em 2016 (-0,084). Portanto, a evolução no ranking nesses quatro anos não aconteceu devido à maior complexidade econômica brasileira. Os demais países tiveram queda mais expressiva no índice no período, o que resultou na melhora da posição relativa do Brasil.

Na China, apesar de ligeiras oscilações, houve avanço contínuo do índice de complexidade a partir de 1999, quando o país ocupava o 45o. lugar. Ou seja, à época, quase 20 posições abaixo da do Brasil. Entre 2012 e 2016, o índice da China manteve-se igual (1,01). Também como reflexo da piora de desempenho dos demais países, e estabilidade levou a China ao avanço de posições no ranking.

Os dados estão em estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) feito com base nos indicadores do Atlas de Complexidade Econômica elaborado por pesquisadores da Universidade de Harvard e do Instituto Tecnológico de Massachusetts. O levantamento do Iedi cruzou os dados do Atlas com as informações disponíveis de comércio internacional por produto. Continue reading “Determinantes da Pauta de Exportação Brasileira”