Competitividade Brasileira: Necessidade de Elevação da Produtividade no Setor de Serviços

Produtividades setoriais relativasJorge Arbache é professor de economia da UnB. Publicou outro artigo (Valor, 10/06/15) a respeito de um setor de atividade que, felizmente, passou a ser pesquisado no País: a produtividade do Setor de Serviços. Compartilho-o abaixo.

“A discussão sobre a importância da produtividade finalmente começou a se popularizar no Brasil, o que são boas novas para as perspectivas do crescimento econômico, redução da pobreza e da desigualdade, contenção da inflação e aumento da competitividade internacional. Embora a produtividade tenha grande contribuição para a prosperidade das nações em geral, é em contextos de crescente escassez de capital e de trabalho que a produtividade passa à condição de elemento crítico e até determinante do desenvolvimento.

E esse parece ser o caso do Brasil.

  • De fato, temos, de um lado, uma taxa de poupança muito aquém da necessária para financiar os investimentos de que tanto precisamos [FNC: funding que financia investimentos] e é improvável que ela venha a aumentar de forma significativa no horizonte previsível.
  • De outro lado, passamos por rápida e intensa transformação demográfica que já nos encaminha para um quadro de escassez de força de trabalho .[FNC: ?!] Temos, portanto, que aprender a fazer mais com o mesmo, ou seja, temos que aumentar substancialmente a nossa produtividade.

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Valeu, Eliezer Batista!

Principais Produtos Exportados 2014Principais compradores do minério de ferro 2012Embora a Vale exporte para o Japão menos de 10% do seu total exportado, ela responde por cerca de um quarto do fornecimento de minério de ferro para este País. Essa venda é feita, via mercado transoceânico, para grandes siderúrgicas japonesas. “Nossa participação no Japão no mercado de minério de ferro, em termos históricos, é de cerca 25%”, disse Marcos Turini, diretor responsável pelas operações da Vale no mercado japonês. Leia mais a respeito do negócio brasileiro do minério de ferro: http://www.ibram.org.br/sites/1300/1382/00004035.pdf

O alto teor de ferro do minério da Vale, em especial de Carajás, no Pará, tem garantido presença importante para a mineradora brasileira no Japão, cujas siderúrgicas desenvolveram um nicho de mercado apoiado em produtos de alto valor agregado.

A Vale disputa o mercado japonês sobretudo com as mineradoras australianas. Segundo especialistas, a Rio Tinto é a principal fornecedora de minério de ferro para os japoneses, sendo seguida pela Vale e pela BHP Billiton. No ano passado, a Vale vendeu para as siderúrgicas japonesas 27,2 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas, volume 13% abaixo dos 31,19 milhões de toneladas de 2013. Foi o volume mais baixo de vendas da Vale para as siderúrgicas japonesas desde 2011.

DocevaleFrancisco Góes (Valor, 28/05/15) resgata a epopeia histórica da construção da Vale, uma das maiores empresas brasileiras, através de traços biográficos de Eliezer Batista. É relevante compartilhar esse registro histórico para conhecimento geral dos cidadãos brasileiros.

Em 1961, o engenheiro Eliezer Batista, duas vezes presidente da Vale, fez a primeira de suas 178 viagens ao Japão. Naqueles dias, cumpriu intensa agenda de encontros para falar do potencial da mina de ferro de Itabira, em Minas Gerais, e sobre a necessidade de construção de um novo terminal portuário em Vitória (ES). Em coquetel, em Tóquio, conheceu Toshio Doko, reconstrutor do Japão no pós-guerra. “Quando vi, estava ao lado dele no meio do salão. Não tinha nada para falar com ele, nem ele comigo. Graças aos milagrosos poderes do saquê soltei o verbo.” Doko abriu portas, facilitou contatos e colaborou na montagem do projeto que culminaria com a construção do porto de Tubarão, na capital capixaba, inaugurado em 1966. “Vejam só a importância do saquê para a mineração brasileira”, disse bem-humorado Batista no livro “Conversas com Eliezer“.

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Sincronia entre Ciclos Econômicos dos Países do BRICS

Sincronia de Ciclos dos BRICSSincronia é o estado ou a condição de dois ou mais fenômenos ou fatos passados ou atuais que ocorrem simultaneamente e são, de certo modo, relacionados entre si. No caso, a sincronia refere-se à ocorrência simultânea ou em ritmo regular e definido de ciclos econômicos dos grandes países emergentes.

O que ocorre nos BRICS — grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — afeta mais estes próprios países do que o que acontece nas economias desenvolvidas. A existência de um ciclo comum entre os cinco países é a conclusão que os economistas Roberto Castello Branco e João Victor Issler, segundo Cristian Klein (Valor, 09/06/15).

No trabalho, Castello Branco e Issler analisam a correlação do Produto Interno Bruto (PIB) e da produção industrial dos integrantes do Brics. Desde 2000, as taxas de crescimento do PIB trimestral destes países apresentam similaridade. Quando alguma economia cresce ou se retrai, a outra vai na mesma direção, ainda que em patamares diferentes.

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Chimérica contrapartida da Chisil

ChiméricaDavid Kupfer é professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Grupo de Indústria e Competitividade (GIC-IE/UFRJ). Obtive em um artigo dele os dados acima, talvez os mais expressivos, em termos sintéticos, do que se denomina de “Chimérica“: a integração industrial entre a China e a América. Através de IDE (Investimento Direto Estrangeiro) norte-americano na China, condicionado à transferência de tecnologia, criou-se uma nova divisão internacional do trabalho: a China produz, os EUA consomem — e recebem financiamento chinês que lá aplica parte de suas imensas reservas cambiais. Nesse contexto, grosso modo, os BRIC emergiram, sendo o Brasil “a fazenda do mundo”, a Rússia “a usina do mundo”, a Índia “o escritório do mundo”, e a China “a fábrica do mundo”!

Evidentemente, isso é uma caricatura metafórica, pois todos esses grandes países emergentes têm uma economia multidiversificada com todos as atividades.

Compartilho abaixo outro artigo dele (Valor, 08/06/15) sobre a potencial colaboração entre China e Brasil:Chisil“? Continuar a ler

Indústria de Transformação X Indústria Extrativa: Desindustrialização?!

Indústria Extrativa X de TransformaçãoParticipações percentuais das atividades 2000-2014Sempre considerei o termo “desindustrialização” impreciso. Se observarmos a série temporal com participações no PIB (ver acima) da Indústria (Geral), a queda da Indústria de Transformação foi, em parte, preenchida pela elevação da Indústria Extrativa e demais indústrias, principalmente após a retomada da Construção Civil. Assim, não relativizando o fenômeno, ou seja, tratando-o como absoluto e não observando as demais atividades industriais, prejudica a visão estratégica do futuro da economia brasileira: tornar-se uma economia multidiversificada, mas com grande dependência das exportações de duas commodities naturais: petróleo e minério de ferro. Não é à toa que a Petrobras e a Vale são as duas maiores empresas brasileiras.

Arícia Martins (Valor, 28/05/15) informa que, apesar dos problemas enfrentados pela Petrobras e da queda nas cotações do minério de ferro, o setor extrativo mineral é um dos poucos que se descolou do cenário recessivo e cresceu neste início de ano, trajetória que, segundo especialistas, deve continuar ao longo de 2015. Enquanto a produção da indústria de transformação seguiu seu calvário e recuou 2,8% na passagem do último trimestre de 2014 para o primeiro de 2015, feitos os ajustes sazonais, a atividade da indústria extrativa subiu 2,2% na mesma comparação.

O IBGE não divulga o desempenho da indústria extrativa separado por segmentos, mas, a partir dos resultados das duas grandes empresas do país do setor, é possível concluir que tanto a produção de óleo quanto a de minério influenciaram a alta. O minério responde por cerca de 65% do setor extrativo, enquanto o petróleo tem peso de 35%.

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Balanço de Exportações e Importações de Serviços

Balanço de ServiçosDaniel Rittner (Valor, 19/05/15) informa que o governo mapeou detalhadamente o déficit no balanço de serviços para planejar ações de inteligência comercial e diminuir um rombo de US$ 47,2 bilhões nas contas externas. Esse saldo negativo foi o terceiro maior do planeta no ano passado, em uma lista de 20 países, atrás somente da China e da Alemanha. Desde 2009, o vermelho na conta de serviços quase triplicou, já que as importações cresceram 97,3% e as exportações aumentaram 51,7%.

Esses números fazem parte de um novo sistema de contabilidade lançado no dia 19 de maio de 2015 pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O Siscoserv, que terá divulgação semestral, toma como base o registro obrigatório de informações pelas empresas. Junto com o Banco Central e com a Receita Federal, o ministério vinha trabalhando desde 2006 na estruturação dos dados, já que era preciso estabelecer nomenclaturas para esses serviços.

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Perfil do Exportador Paulista

PEP 2014

Sergio Leo é jornalista e especialista em relações internacionais pela UnB. É autor do livro “Ascensão e Queda do Império X”, lançado em 2014. Em sua coluna (Valor, 13/04/15) resenhou o seguinte estudo: FIESP – Perfil do Exportador Paulista-2014

Download de Estudo do SEADE sobre a importância das exportações para as diversas regiões paulistas:

http://www.seade.gov.br/wp-content/uploads/2014/06/Primeira_Analise_n10_janeiro2_2014.pdf

Principal motor da economia brasileira, São Paulo começa a ver surgir novos polos de exportação de maior valor agregado, mas a venda ao exterior de produtos de alta intensidade tecnológica, como aviões, farmacêuticos, instrumentos médicos e computadores representa, ainda, apenas 11,1% do total. Produtos de média-alta intensidade tecnológica, como veículos, máquinas e equipamentos mecânicos e produtos químicos somam 29,7% de todas as exportações do Estado. Já as importações de produtos com alta ou média-alta intensidade são 65,5% do total.

Com origem concentrada nas regiões de São Paulo, Campinas e São José dos Campos, essas exportações altamente competitivas começam a partir em maior quantidade também de outros centros urbanos, como São Carlos, com a instalação de novas fábricas.

O detalhamento das vocações exportadoras de cada município paulista resulta de um estudo ainda inédito recém-concluído pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, que pode mudar a maneira governamental de incentivar a produção industrial no país.

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