Desemprego Rural com Aumento da Tecnologia e Produtividade e Reconhecimento de Erro Estratégico

Thais Carrança (Valor, 20/01/2020) informa: o setor agropecuário deixou de empregar quase 1,8 milhão de pessoas desde 2012. Entre o terceiro trimestre daquele ano e o de 2019, a população ocupada diretamente na atividade diminuiu de 10,3 milhões para 8,5 milhões. Somente na passagem de 2018 ao ano passado, foram 174 mil pessoas a menos trabalhando no campo, apesar de um crescimento estimado de 2,39% da produção agropecuária.

Os ganhos de produtividade, o avanço da mecanização e a maior concentração da produção explicam a redução ano a ano da mão de obra na agricultura, apesar do crescimento quase contínuo da produção no país, dizem especialistas. Segundo eles, no entanto, a renda gerada pelo agronegócio fomenta a criação de empregos em outros ramos da atividade, como a indústria e o setor de serviços. Continuar a ler

Brasil despenca nos Rankings Internacionais e O Mercado acha “tudo bem”!

A Carta IEDI 968 informa: as exportações mundiais de mercadorias, segundo o anuário mais recente da Organização Mundial do Comércio (World Trade Statistical Review 2019), registraram, em valor, 10% de aumento em 2018, devido principalmente à elevação do preço do petróleo e seus derivados. Em volume, o desempenho foi bem mais modesto e inferior ao de 2017: +2,8%.

O ranking dos maiores exportadores de bens do mundo se manteve bastante estável de 2017 para 2018. A China continua líder nas exportações, com crescimento de 10% em 2018, em valor. Em seguida, vieram Estados Unidos, Alemanha, Japão e Holanda. Do lado das importações, também houve estabilidade no ranking mundial, sendo liderado, neste caso, pelos Estados Unidos.

Enquanto as primeiras posições seguiram inalteradas, o Brasil mais uma vez foi rebaixado no ranking de maiores exportadores, embora suas vendas externas de bens tenham crescido 10% (para US$ 240 bilhões) na passagem de 2017 para 2018. Desceu um degrau no período, passando a ocupar a 27ª colocação. Nosso retrocesso é patente: perdemos 5 posições em 10 anos, porque éramos o 22º maior exportador de bens em 2008, e a disparidade com o tamanho de nossa economia só aumenta, pois temos o 9º maior PIB do mundo.

Quando se trata das importações de bens, o Brasil segue em outra direção. Nossa posição subiu de 29º para 28º, devido a um crescimento de 20% do valor de bens importados (US$ 189 bilhões). Cabe observar, porém, a crise recente de 2015-2016 e a recuperação muito lenta fizeram o país descer alguns degraus neste ranking. Em 2014, por exemplo, éramos o 22º maior importador de mercadorias.

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Aliança da Casta dos Mercadores-Industriais com a dos Militares leva à Perda de Apoio dos Desenvolvimentistas

A venda de veículos novos cresceu 10,48% no país em 2019, mas ainda está distante dos patamares pré-crise, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). A melhora foi generalizada em todos os segmentos ao incluir automóveis, ônibus, caminhões e motocicletas. Tiveram pequeno avanço nos resultados, na comparação com ano anterior. Ao todo, foram emplacadas 4,036 milhões de unidades no país, ante 3,653 milhões no ano anterior.

Ainda assim, conforme a entidade, o número fica distante dos volumes observados antes da crise econômica golpista, fomentada com apoio da FIESP. Ela atingiu o país nos últimos anos. Em 2013, as vendas registradas foram de 5,5 milhões de veículos. O volume chegou a cair para 3,2 milhões de emplacamentos em 2016, ano do golpe.

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Economistas de O Mercado Vidente, ou melhor, Onipotente, Onipresente e Onisciente, cuja impropriedade lógica é própria de Ser Sobrenatural

Alex Ribeiro (Valor, 18/12/2019) afirma: marcada por uma das maiores recessões da história, a década chega ao fim e deverá deixar um legado negativo para a se começar. Os economistas videntes acreditam, de forma sustentada, o Brasil possa crescer algo como apenas 1,5% por ano, embora no curto prazo haja espaço para superar esse percentual, devido à alta capacidade ociosa do capital e do trabalho. Mesmo com o ajuste fiscal e as reformas neoliberais em curso, o consenso da pesquisa Focus de expectativas do mercado financeiro [“vida inteligente”] dentro de quatro anos, a economia atinja uma velocidade máxima de cruzeiro de 2,5%.

A esperança é os economistas estarem mais uma vez enganados, como estiveram há uma década. Eles acreditavam, então, o Brasil haver entrado em uma fase duradoura de prosperidade, com taxas de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5%. Até os economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI), geralmente mais contidos nas suas projeções, previam um crescimento médio de 4,3%.

A média de crescimento de 2010 a 2019 será de 1,38%, considerando uma estimativa de expansão de 1,1% do PIB neste ano. Com base no começo oficial da próxima década, a se iniciar em 2021, a média de avanço do PIB em dez anos ainda mais desfavorável. No período de 2011 a 2020, ela é de 0,86%, levando em conta uma expansão do PIB de 2,25% para o próximo ano. Isto porque nesse período considerado ficará de fora o avanço da economia de 7,5% registrado em 2010. Volta, Lula!

Confira a ladainha apologética dos economistas-chefes de O Mercado (os mesmos de sempre) e demais propagandistas “chapa-branca”. Tomam como obrigação profissional a propaganda enganosa. Ao contrário de todos os economistas heterodoxos e/ou desenvolvimentistas, eles confiam no ex-parceiro, o oportunista ex-banqueiro de negócios, disposto a ser puxa-saco do capitão reformado a fim de propiciar bons negócios privados para sua casta de mercadores.

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Estagdesigualdade: Economia Brasileira Rastejante

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,6% no 3º trimestre de 2019 frente ao 2º trimestre de 2019, na série com ajuste sazonal. Em relação a igual período de 2018, o crescimento foi de 1,2%. No acumulado em quatro trimestres terminados no 3º trimestre de 2019, o PIB registrou crescimento de 1,0%, frente aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Já acumulado do ano até o mês de setembro, o PIB cresceu 1,0%, em relação a igual período de 2018. Continuar a ler

Desindustrialização e Desatualização Tecnológica: País em Retrocesso Histórico

Denise Neumann (Valor, 01/11/2019) escreveu reportagem sobre a desindustrialização brasileira estar levando ao atraso tecnológico do País. O governo incompetente não faz nada porque prega o “laissez-faire”. Então, a pergunta é: por que se apoderou do Estado? Para destruí-lo — e junto com ele o País?!

No ano 2001, a Cristália foi o destaque setorial na indústria farmacêutica, na primeira edição do anuário “Valor 1000”. Naquele ano, a indústria, nascida dentro do setor de serviços – foi fundada por um grupo de médicos donos de um hospital em Itapira, a 200km de São Paulo – ocupou a 663a posição entre as mil maiores empresas do Brasil. Enquanto frequentou a lista das melhores em 15 das 19 edições do anuário, a empresa cresceu e entrou também no restrito grupo dos dez maiores fabricantes de medicamentos do país.

O caminho traçado pela Cristália, no entanto, foi como andar na contramão do setor e da indústria brasileira. A empresa investe em média 4% do seu faturamento líquido em inovação, tem 107 patentes registradas (mas mais de 300 depositadas), 54% da sua receita vem de matérias-primas feitas no Brasil e, enquanto grandes farmacêuticas anunciam o fechamento de suas plantas no país, ela acabou de inaugurar mais uma fábrica.

A Calçados Beira Rio também foi o destaque do setor Têxtil, Couro e Vestuário há 18 anos. Desde então, passou de 8 para 12 fábricas, todas no Rio Grande do Sul, e de 5 mil para 11 mil funcionários, período em que ampliou o peso das exportações para 17% do faturamento.

Também em rota contrária a do setor em que atua, que encolheu pressionado pelas importações e pela falta de competitividade na exportação, a Beira Rio hoje mantém uma equipe exclusiva para pesquisar o que os consumidores e os influenciadores estão dizendo nas redes. Com base nesse acompanhamento e ancorada na agilidade de produção que montou nos últimos anos, faz lançamentos quinzenais para entregar aquilo com que o consumidor apenas começou a sonhar.

As duas empresas não só se mantiveram no grupo das melhores indústrias em operação no Brasil como galgaram mais de 300 posições no ranking das mil maiores entre 2001 e 2019 (respectivamente, resultados de 2000 e 2018). São estratégias que se destacam em tempos de forte desindustrialização. Atualmente, apenas R$ 11 de cada R$ 100 gerados no país todos os anos vêm da indústria de transformação.

Entre as mil maiores empresas em operação no país, retratadas anualmente no ranking do Valor, o maior drama da indústria não está na perda de tamanho, mas no seu empobrecimento tecnológico. Entre as mil maiores de todos os setores, o peso da indústria (sem Petrobras) passou de 48,1% em 2000 para 45,7% no ano passado (edição 2019 do ranking).

Mas, olhando para dentro da indústria, hoje, nada menos que 36,8% da receita vem de alimentos, bebidas e fumo, peso que era de 20,2% no ano 2000, enquanto a contribuição do setor eletroeletrônico encolheu quase 5 pontos, caindo de 8,3% para apenas 3,8% ao longo desse período, sem falar no quase sumiço da indústria de informática. Também perderam espaço a indústria de veículos e peças e setores tradicionais como têxtil, vestuário e calçados, enquanto a indústria relacionada à exploração de commodities avançou.

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Cadeia Global Produtiva de Automóveis: Impacto da Mudança Comportamental dos Consumidores

Delphine Strauss (Financial Times, 06/11/2019) avalia: em meio à pior desaceleração da economia mundial desde a crise financeira de 2008, há um setor possível de ser considerado tanto culpado quanto vítima.

A indústria automotiva impacta o estado da economia mundial muito mais do que a sua proporção na produção como um todo sugeriria: as montadoras têm longas cadeias de fornecimento de autopeças terceirizadas; também consomem grandes quantidades de matérias-primas e produtos químicos, têxteis e eletrônicos; e seu desempenho afeta milhões de empregos nos setores de serviços de vendas, de reparos e de manutenção.

Em 2018, o setor encolheu pela primeira vez desde a crise mundial. O Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que esse declínio na produção automotiva representou mais de 25% da desaceleração na economia global entre 2017 e 2018.

O setor também pode ser o responsável por até um terço da desaceleração do crescimento no comércio global observada entre 2017 e 2018, segundo informou o FMI em outubro, depois de calcular os efeitos secundários sobre o comércio de autopeças e outros bens intermediários.

O setor de carros tem pesado muito na atividade industrial e no crescimento. A previsão do FMI de uma modesta recuperação no comércio global em 2020 depende de uma recuperação da indústria automotiva. A análise, no entanto, também ressalta o potencial de que ocorram mais impactos negativos se o setor se tornar a próxima vítima da escalada na guerra comercial entre Estados Unidos e União Europeia (UE). A Casa Branca deve decidir em 13 de novembro se vai impor sobretaxa de 25% à importação de veículos de países europeus.

Alguns executivos do setor automotivo já responsabilizam a política comercial dos EUA por grande parte de seus infortúnios, em particular pela forte desaceleração no mercado chinês, que vinha puxando o crescimento das vendas mundiais.

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