Petrobras: Reajuste Aparente

O que restou da Petrobras após a Gestão (A)Parente?

André Ramalho e Ivo Ribeiro (Valor, 13/07/18) mostra a continuidade administrativa. Há pouco mais de um mês no cargo de presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, ex-diretor financeiro da estatal, assumiu o comando com a missão de pisar no acelerador e entregar ao mercado, ainda neste ano, os compromissos de venda de ativos e redução de dívidas.

Ao mesmo tempo, o executivo tem pela frente um debate público em torno da política de preços dos combustíveis. Após um ano de reajustes diários serviu de pano de fundo para a greve dos caminhoneiros, em maio de 2018, e levou à saída o então presidente, Pedro Parente.

Monteiro afirma a empresa reconhecer o impacto que tem sobre a sociedade. Está aberta ao debate, mas alerta: a artificialidade dos preços é incompatível com a missão da empresa de desenvolver o pré-sal.

“A Petrobras tem um impacto muito grande para a economia como um todo e tem de estar aberta a ouvir a sociedade. Mas não vamos abrir mão de ter uma política comercial realista“, disse.

A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Valor. Depois, o quadro atual da desalavancagem financeira da Petrobras.

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Mapa das startups e Participações de Municípios no VA de Indústria e Serviços

Gustavo Brigatto (Valor, 11/07/18) mostra: o mapa das startups está se descentralizando no Brasil, com histórias de sucesso em localidades fora dos cinco centros com mais companhias novatas de tecnologia: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Florianópolis e Recife.

“É natural grandes centros receberem mais atenção. O problema é, com o passar do tempo, o custo de extrair a inovação nessas regiões ficar mais alto e o ambiente, mais competitivo. Por isso é importante olhar para outros lugares”, diz o presidente da Associação Brasileira das Startups (Abstartups).

Em um esforço para promover essa “interiorização“, a associação fez, em parceria com a Accenture, uma pesquisa para entender onde estão as startups, como essas empresas se organizam e como está o entorno delas. É o chamado ecossistema. Inclui investidores, instituições de ensino, órgãos de fomento etc. Continue reading “Mapa das startups e Participações de Municípios no VA de Indústria e Serviços”

Para Avanço da Inovação no Brasil

É praticamente um consenso entre empresários, gestores públicos e especialistas que a capacidade de inovar é determinante para a competitividade das empresas e das nações. Entretanto, a inovação pode não só estimular o crescimento econômico, mas também ajudar a solucionar problemas econômicos e sociais complexos em áreas como saúde, educação, segurança, mobilidade urbana, gestão pública, equidade e sustentabilidade.

Na Carta IEDI 863 são discutidas algumas iniciativas para fazer avançar a inovação no Brasil, tendo como substrato o estudo realizado por Paulo Tigre, PhD em Política Científica e Tecnológica pela Universidade de Sussex (Inglaterra) e Professor Titular (aposentado) do Instituto de Economia da UFRJ.

Este estudo, cuja versão integral encontra-se no site, faz parte de uma série de quinze trabalhos realizados para subsidiar a elaboração da estratégia industrial do IEDI, a ser divulgada em breve. Alguns deles já estão disponíveis: Cartas IEDI n. 855 de 26/6/18; n. 856, de 28/6/18; n. 857 de 29/618; n. 858 de 2/7/18; n. 859 de 3/7/18; n. 860 de 5/7/18 e n. 862 de 10/7/18.

Segundo o autor, são três as linhas de ação que poderiam melhorar o quadro da inovação no país, sintetizadas a seguir: Continue reading “Para Avanço da Inovação no Brasil”

Censo Agro 2017

O Censo Agro 2017 identificou, até o momento, 5.072.152 estabelecimentos agropecuários no Brasil, em uma área total de 350.253.329 hectares. Em relação ao Censo Agro 2006, essa área cresceu 5% (16,5 milhões de hectares, o equivalente a área do estado do Acre) apesar da redução de 2% (103.484 unidades) no número de estabelecimentos. No entanto, quando se excluem os produtores sem área, há aumento de 74.864 estabelecimentos. Ressalta-se, ainda, que diferenças metodológicas contribuíram para que total de produtores sem área caísse de 255.019, em 2006, para 76.671 em 2017.

Entre os estabelecimentos com 1.000 ha ou mais, houve aumentos tanto em número (mais 3.287) quanto em área (mais 16,3 milhões de ha). Sua participação na área total passou de 45% para 47,5% de 2006 para 2017. Já os estabelecimentos entre 100 e 1000 ha viram sua participação na área total cair de 33,8% para 32% (menos 814.574 ha) e tiveram uma diminuição de 4.152 unidades.

Quanto à condição legal da terra, a proporção de estabelecimentos em terras próprias cresceu de 76,2% para 82%, mas a participação destes estabelecimentos na área total diminuiu de 90,5% para 85,4%. Já a proporção de estabelecimentos com terras arrendadas caiu de 6,5%, em 2006, para 6,3%, em 2017, embora a participação da modalidade na área total tenha crescido de 4,5% para 8,6%.

Em 2017, havia 15.036.978 pessoas ocupadas nos estabelecimentos agropecuários. Em 11 anos, isso representa uma queda de 1,5 milhão de pessoas, incluindo produtores, seus parentes, trabalhadores temporários e permanentes. A média de ocupados por estabelecimento também caiu de 3,2 pessoas, em 2006, para 3 pessoas, em 2017. Em sentido oposto, o número de tratores cresceu 49,7% no período e chegou a 1,22 milhão de unidades. Em 2017, cerca de 734 mil estabelecimentos utilizavam tratores.

Destaca-se, ainda, que 1.681.001 produtores utilizaram agrotóxicos em 2017, um aumento de 20,4% em relação a 2006. O uso de irrigação também se ampliou, com aumento de 52% tanto em estabelecimentos (502.425) quanto em área (6.903.048 hectares). Além disso, o acesso à Internet nos estabelecimentos agropecuários cresceu 1.790,1%, passando de 75 mil, em 2006, para 1.425.323 produtores que declararam ter acesso em 2017.

Cerca de 15,5% dos produtores disseram nunca ter frequentado escola e 79,1% não foram além do nível fundamental. Já a participação de mulheres e idosos de 65 anos ou mais na direção dos estabelecimentos aumentou, chegando a, respectivamente, 18,6% e 21,41%. Em 2006, as mulheres representavam 12,7% dos produtores e os idosos, 17,52%. Além disso, pela primeira vez, o Censo Agro investigou a cor ou raça dos produtores: 52% deles eram pretos ou pardos e 45% eram brancos, distribuição semelhante à da população do país, segundo a PNAD Contínua 2017.

Entre os endereços visitados, apenas 6.582 (ou 0,13%) não responderam ao Censo Agro 2017. Os resultados apresentados nesta divulgação preliminar ainda não incluem cerca de 3 mil questionários que estão passando por processo de validação e 1.213 estabelecimentos de coleta especial (empresas e grande produtores).

Esta divulgação preliminar do Censo Agropecuário 2017 traz informações sobre as características do produtor agropecuário e dos estabelecimentos; a condição legal das terras e do produtor; pessoal ocupado; infraestrutura dos estabelecimentos; características da pecuária e da produção vegetal (efetivos e produtos da silvicultura, horticultura, floricultura, extração vegetal, lavouras permanente e temporária), entre outros temas. O material de apoio desta divulgação do Censo Agro 2017 está abaixo:

 

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Complexo Soja e Projeções da Produção e Exportação da Agropecuária Brasileira

Kauanna Navarro e Fernando Lopes (Valor, 24/07/18) informam: segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), o “complexo soja” lidera as exportações brasileiras do agronegócio, setor no qual é o carro-chefe, e é um dos principais itens do balanço comercial do país em geral. Brasil e EUA dominam as exportações mundiais da oleaginosa, enquanto a China responde pela maior parte da importação do produto.

Além de resultar em um maior volume de exportação de soja brasileira, a briga entre EUA e China está tornando essas vendas mais rentáveis, já que os prêmios pagos pelo grão nos portos do país em relação às cotações em Chicago estão em níveis poucas vezes registrados. Para algumas cargas já superam US$ 2 o bushel (medida equivalente a 27,2 quilos) em Paranaguá (PR), sendo que os contratos para novembro fecharam no dia 23/07/18 a US$ 8,6275 por bushel na bolsa americana.

Apesar de ser uma boa notícia para tradings e produtores do Brasil, uma alta excessiva poderá deixar a soja brasileira com destino ao mercado chinês mais cara que a dos EUA, mesmo com a sobretaxa de 25% imposta por Pequim ao produto americano. Atualmente, a tonelada da soja destinada à China sai por US$ 413 a tonelada no Golfo do México, considerando a sobretaxa de 25%, enquanto em Paranaguá o valor alcança US$ 390. Continue reading “Complexo Soja e Projeções da Produção e Exportação da Agropecuária Brasileira”

Perspectivas Agrícolas 2018-2027

Os preços de produtos agrícolas deverão continuar baixos no mercado internacional, sobretudo em um cenário de estoques elevados como o atual, o que torna uma retomada improvável nos próximos anos. A avaliação é do relatório “Perspectivas Agrícolas 2018-2027” da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Economico (OCDE) e da Agência da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO).

O relatório nota a produção rural ter aumentado fortemente em todas as categorias de produtos, atingindo no ano passado cifras recordes nos casos de cereais, carnes e produtos lácteos, enquanto os estoques se mantiveram em níveis jamais vistos.

Paralelamente, o crescimento da demanda começou a diminuir. Apoiada nos últimos dez anos pela alta de renda por habitante na China — estimulante do consumo de carnes, peixes e alimentos para animais — a demanda agora desacelera, em um cenário onde não se identifica nenhuma outra fonte de expansão para compensar a situação chinesa.

Em consequência disso, os preços reais da maioria dos produtos agrícolas deverá baixar nos próximos dez anos. A desaceleração da demanda deverá persistir ao longo dos próximos anos. O consumo por habitante de numerosos produtos deverá estagnar em escala mundial, sobretudo os de alimentos de base como cereais, raízes e tubérculos, cujos níveis de consumo estão próximos da saturação em vários países. Continue reading “Perspectivas Agrícolas 2018-2027”

Indústria e Agronegócio Brasileiro

O sucesso do agronegócio no Brasil é cada vez mais reconhecido e tem tido impactos positivos na economia brasileira. Por exemplo, durante a recente recessão o setor foi o único, entre os mais importantes, a continuar crescendo e investindo, como pode ser visto no gráfico acima. Entre 2014 e 2017 o PIB contraiu-se 6%, a indústria de transformação encolheu incríveis 12,1% e o setor de serviços perdeu 5%. No mesmo período, o setor agrícola cresceu 11,7%!

Na verdade, o contraste é ainda mais expressivo se considerarmos a queda de 4,3% no PIB agrícola do ano de 2016 deveu-se, exclusivamente, ao clima. Naquele ano, o conhecido fenômeno do El Niño produziu uma perda de safra: a produção de algodão e grãos foi de 180 milhões de toneladas, 11% menor se comparada à do ano anterior. No entanto, a área cultivada, sob controle dos produtores, cresceu 0,4% no comparativo com 2015 e a renda agrícola, 9%, pois a quebra de safra produziu preços maiores. Assim, pode-se dizer: o agronegócio, do ponto de vista de investimentos e renda, cresceu em todos os anos, mesmo durante a crise.

A mensagem deste trabalho de José Roberto Mendonça de Barros (Doutor em Economia pela Universidade de São Paulo – USP e Sócio fundador da MB Associados), realizado sob encomenda do IEDI, é: o agronegócio tem muito mais impacto na indústria do que geralmente se imagina. Além disso, como o segmento continuará crescendo (sobretudo pela expansão da demanda externa por nossos produtos) essa importância tenderá a se elevar.

Finalmente, o progresso tecnológico do setor está levando, entre outras coisas, a gerar valor através da criação de novos produtos industriais, com demanda relativamente elástica, inclusive, pela possibilidade de substituição de bens oriundos do petróleo. 

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