Emissões para Financiamento de Corporações via Mercado de Capitais: Encarteiramento de FIFs e Bancos

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As emissões no mercado de capitais em março totalizaram R$ 8,7 bilhões, 42,4 % abaixo do mês anterior. No ano, o resultado acumulado registra R$ 40,4 bilhões contra R$ 42,6 bilhões do mesmo período do ano passado.  Em 2019, foram registradas 125 operações contra 197 do primeiro trimestre de 2018.

As notas promissórias, títulos corporativos que normalmente apresentam um prazo inferior às debêntures, foram os títulos mais representativos das emissões domésticas em março, com 23% do total, seguida das próprias debêntures (22%), CRA e FII (20% cada). Continuar a ler

Desmanche dos Bancos Públicos e Fim do Crédito Direcionado: E a Retomada do Crescimento Econômico?

Silvia Rosa e Talita Moreira (Valor, 14/01/19) informam: para cumprir o objetivo de reduzir distorções e impulsionar o mercado de crédito, o governo terá de atacar não apenas subsídios do Tesouro, mas rever, de forma ampla, as operações com taxas reguladas. Do estoque de R$ 1,487 trilhão em crédito direcionado no país em novembro de 2018, 89,8% referem-se a empréstimos com taxas de juros limitadas por normas específicas e que não podem ser livremente pactuados pelo mercado. Essas operações embutem alguma forma de subsídio, seja concedida pelo governo ou, indiretamente, pela sociedade.

Isso significa que 41,7% do volume de crédito no Brasil não tem preço definido pelo mercado. Por isso, a economia brasileira com absurdas taxas de juros de mercado com recursos livres ainda funciona!

O financiamento imobiliário e as linhas do BNDES constituem o grosso (81,5%) do saldo desses empréstimos. São áreas em que os subsídios do Tesouro já vêm em queda, mas que continuam sendo beneficiadas, respectivamente, por fontes de funding mais baratas, como as do FGTS e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

O BNDES sempre concedeu empréstimos com taxas inferiores às de mercado livre. Mas passou por uma mudança contra o subsídio no crédito no ano passado. Foi quando substituiu a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que era fixada pelo Conselho Monetário Nacional e subsidiada, pela Taxa de Longo Prazo (TLP), que deve se igualar à remuneração dos títulos públicos atrelados à inflação (NTN-B) em cinco anos. Isso ajudou a reduzir a diferença entre o custo de captação do Tesouro e a taxa concedida nos empréstimos. A TLP está hoje em 6,96%, ainda abaixo do custo médio do Tesouro, de 10,11% ao ano em novembro. Continuar a ler

Privatização do Mercado de Crédito

Vamos desestatizar o mercado de crédito.” A enfática afirmação foi feita pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ex-banqueiro de negócios, cuja doutrina neoliberal vem da Escola de Chicago, mas foi recauchutada pela direita com a ultraliberal Escola Austríaca.  Em discurso na cerimônia quando formalmente assumiu o cargo, de imediato, sinalizou a transferência do mercado de crédito para o mercado de capitais do setor privado.

Em todo o tempo o novo comandante da economia enfatizou a importância de uma guinada liberal no Brasil após décadas de gestão baseada na linha social-democrata. Ele criticou a política de empréstimo praticada pelas instituições federais até o ano de 2015.

“Os bancos se perderam nos grandes programas em que piratas privados,
burocratas corruptos e criaturas do pântano político se associaram contra o
povo brasileiro”, sentenciou Guedes, associando o que chamou de
centralização de poder do estatal à corrupção e ao baixo crescimento econômico do país nas últimas décadas.

Ele questionou a real necessidade de haver crédito público, mas apontou que, dada a realidade de que o Brasil dispõe dessas instituições, elas deveriam priorizar o financiamento para as empresas de menor porte, deixando as grandes companhias buscarem o mercado privado.

Nesse sentido, apontou que pretende retomar todos os recursos que o Tesouro Nacional emprestou ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para Guedes, essa política expulsou investimentos e premiou rentistas. E para a turma de Chicago’s Oldies é BNDE sem S! Continuar a ler

Corta tudo, vende tudo: good business para “os parças” de O Mercado

Francisco Góes (Valor, 11/12/18) informa: a meta do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de vender este ano R$ 12 bilhões em participações acionárias da carteira da subsidiária BNDESPar é possível de ser atingida, mas não será feita a qualquer custo.

De janeiro a setembro de 2018, a BNDESPar vendeu R$ 6,4 bilhões em ações e obteve ganho de R$ 4,78 bilhões com essas operações. A venda a mercado de ações de Vale e de Petrobras e o desinvestimento integral da posição do banco em Eletropaulo responderam por quase todo o resultado da BNDESPar com alienações até setembro.

Sua diretoria neoliberal estava trabalhando para atingir a meta de R$ 12 bilhões em vendas de ações em 2018, mas dependia das condições de mercado. O banco não tinha a obrigação de vender todo esse valor naquele ano. Caso as condições de mercado não fossem favoráveis, o banco poderia esperar um melhor momento para fazer a venda, talvez no começo do ano de 2019.

No imaginário neoliberal, no ano de 2019 o banco vai ter boa perspectiva, com a recuperação da economia, para desinvestir de ativos maduros na carteira. Há metas de desinvestimento em discussão, mas o mais relevante é se o novo governo ultraliberal e o futuro presidente neoliberal do banco, Joaquim Levy, vão se entender para encontrar políticas estruturadas na BNDESPar com a finalidade de vender as ações com mercado e compradores “parceiros” do ex-banqueiro de negócios no comando da economia. Continuar a ler