BNDES terá recursos para combater o desemprego?

Alex Ribeiro (Valor, 03/10/17) comete um equívoco em sua análise contábil. Ele parece não saber a diferença entre um contador e um economista: a hipótese. Aquele registra fatos do passado ao presente, este imagina cenários do presente ao futuro.

Então, a pergunta macro-sistêmica não é “se o caixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é suficiente para fazer o pagamento antecipado de R$ 180 bilhões de empréstimos ao Tesouro Nacional ao longo deste e do próximo ano, de acordo com as demonstrações contábeis do banco federal”. É sim se ele ajudará a combater no futuro próximo o imenso desemprego atual na população brasileira.

Olha a ingenuidade de sua afirmação: “só faltariam recursos para fazer o pré-pagamento à União na hipótese de o BNDES promover uma aceleração nas concessões de crédito até 2018. A discussão sobre o pagamento antecipado ao Tesouro Nacional, portanto, é na essência sobre o tamanho que o BNDES terá nos próximos anos”. Assim, acriticamente, assume tudo que seu patrão (O Globo) mandou seu editor (Valor) publicar em favor do plano maquiavélico do governo golpista: destruir os bancos públicos desenvolvimentistas para, supostamente, abrir espaço para O Mercado privado. Continue reading “BNDES terá recursos para combater o desemprego?”

Se não fossem os Bancos Públicos o BRIC seria apenas RIC

Alex Ribeiro (Valor, 06/10/17) mostra que os neoliberais do governo golpista levou os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a níveis abaixo dos anteriores à Era Social-Desenvolvimentista, quando a instituição financeira ainda não havia sido transformada em um instrumento desenvolvimentista pelo governo Lula de maneira similar ao uso dos bancos públicos pelos demais países do BRIC.

Levantamento feito pelo Valor mostra que, nos 12 meses encerrados em agosto de 2017, os desembolsos do BNDES somaram R$ 77,7 bilhões, cifra que se aproxima muito da média de R$ 78,4 bilhões observada entre 2000 e 2005, em valores atualizados pela inflação. Em 2005, ocorreu o pico de desembolsos do período, com um volume de R$ 90,250 bilhões.

Essa é apenas uma das métricas possíveis de comparação. Os valores em proporção do Produto Interno Bruto (PIB) dão uma ideia dos desembolsos em relação ao tamanho da economia. As liberações chegaram a cerca de 1,2% do PIB nos 12 meses até agosto, algo como 40% menores do que a média de 2,1% do PIB de 2000 a 2005.

Os dados dão uma dimensão histórica do BNDES nesse momento em que o tamanho da instituição está sob ataque dos economistas neoliberais inconsequentes com a história do Brasil. São cúmplices do governo temeroso em relação ao pagamento antecipado de R$ 180 bilhões ao Tesouro Nacional de empréstimos feitos ao banco para evitar o impeachment do Temer pela “regra de ouro”. Continue reading “Se não fossem os Bancos Públicos o BRIC seria apenas RIC”

O Raquítico Mercado de Capitais Brasileiro como Substituto do BNDES?!

Como eu disse em outro post, não admiro praticamente ninguém entre os colunistas midiáticos pró-O Mercado. Eles abundam na “grande” imprensa brasileira. Mas em toda a regra há exceções.

Pela pesquisa quantitativa, em cima de balanços de sociedades abertas e fechadas, mas não pela análise qualitativa, i.é, ortodoxa e sem originalidade, acompanho o Carlos Antonio Rocca, diretor do Centro de Estudos do Mercado de Capitais (Cemec) do Instituto Ibmec. Porém, discordo das opiniões apriorísticas dele.

Por exemplo, em seminário entre os mesmos economistas midiáticos de sempre (Valor 11/10/17), ele disse que “não há dúvida que o BNDES sobreviverá sem os R$ 180 bilhões retornados ao Tesouro. O BNDES já diminuiu sensivelmente a participação dele [no financiamento do investimento de longo prazo]”, diz Rocca.

Os dados consolidados pela equipe do Cemec (ver quadro 1) mostram que a parcela do banco no financiamento dos investimentos (medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF) rondava o nível dos 3% do PIB entre 2009 e 2014 e hoje está em 0,8%. É também verdade que a própria FBCF caiu do nível dos 18% para 14% do PIB com a Grande Depressão provocada pela volta da Velha Matriz Neoliberal em 2015. Continue reading “O Raquítico Mercado de Capitais Brasileiro como Substituto do BNDES?!”

Gênios da Profissão: Economistas Oniscientes Pró-Mercado

Depois de 43 anos após minha formatura continuo com o mesmo sentimento pessoal: gosto muito de estudar Economia, porém, não aprecio a companhia da maioria ortodoxa dos economistas. Corresponde à impressão popular: gente insensível ao drama popular! Só enxerga O Mercado Onisciente, Onipotente e Onipresente, como esse ser sobrenatural foi possível — e não uma contradição lógica…

José de Castro (Valor, 10/10/17) dá um bom exemplo disso. Conforme cálculos de Departamentos Econômicos de bancos privados, compostos naturalmente só de economistas louvadores de O Mercado 3 O’s, a taxa de juros de equilíbrio da economia brasileira pode ficar até 2,2 pontos percentuais menor quando a Taxa de Longo Prazo (TLP) estiver totalmente implementada, o que se espera que aconteça num prazo de até cinco anos.

[Fernando Nogueira da Costa: Ah, é? Guardemos a notícia e vamos conferir daqui a cinco anos. Quem viver, verá algo muito distinto. Quer apostar?]

Dessa forma, a Selic poderá testar patamares ainda mais baixos que o previsto por O Mercado financeiro, que hoje trabalha com juro de até 6,5% já para o ano que vem. A taxa de equilibrio é aquela que, teoricamente, permite máximo crescimento econômico ao mesmo tempo que mantém a inflação na meta.

[Fernando Nogueira da Costa: taxa natural é uma taxa hipotética que nenhum economista conhece ex-ante; só ex-post ele reconhece que aquela foi a taxa de equilíbrio com a taxa de mercado, mas aí já era…] Continue reading “Gênios da Profissão: Economistas Oniscientes Pró-Mercado”

Desmanche do BNDES

O “quadrilhão do peemedebismo e asseclas” se dedica, diuturnamente, ao desmanche do BNDES. Por que?

Uma resposta imediata seria para “vender facilidades ao mercado de capitais privado” no sentido de substitui-lo. EM 2016, cerca de 50,9% dos financiamentos com mais de 5 anos foram realizados pelo BNDES, 22,3% pelo BB e 12,7% pela Caixa, totalizando 86% do total.

A resposta mais elaborada exige entender o que é “desmanche”. Na gíria brasileira, refere-se ao local clandestino onde os carros roubados são desmontados e suas partes revendidas em separado. Entendeu?

Então, peça a peça, como está sendo realizado esse desmanche do BNDES a olhos vistos sob aplauso de cúmplices do “quadrilhão”, como os economistas neoliberais e os jornalistas “chapa-branca”?

Alex Ribeiro e Eduardo Campos (Valor, 29/09/17) informam que os subsídios implícitos nos empréstimos do BNDES deverão terminar até o fim do ano, com a decisão do governo de manter em 7% ao ano a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), mesmo com a queda significativa da taxa de inflação, caso seja confirmada a expectativa do mercado pra os cortes na taxa Selic. Para isso, o Conselho Monetário Nacional (CMN) manteve para o quarto trimestre a TJLP em 7% o ano, percentual em vigor desde abril passado. O IPCA está em menos de 2,5% aa, ou seja, houve um aumento brutal da TJLP!

Os juros básicos da economia, que hoje estão em 8,25% ao ano, deverão cair a 7,5% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de 24 e 25 de outubro, caso se confirme a ordem dada ao colegiado para uma desaceleração moderada no ritmo de cortes de juros, que foi de um ponto percentual nos últimos quatro encontros do colegiado.

Os economistas-chefe de O Mercado já determinaram que, na reunião de 5 e 6 de dezembro, o Copom vai cortar a taxa básica a 7% ao ano. Assim, é praticamente certo que o colegiado, de fato, corte os juros a 7% ao ano, já que as projeções de inflação da autoridade monetária indicam que, com a Selic nesse percentual, seriam cumpridas as metas de inflação até 2020.

Caso a Autoridade Monetária cumpra mais uma vez a ordem de O Mercado, em dezembro a Selic será igual à TJLP pela primeira vez na história. Isso encarece relativamente o crédito em longo prazo por causa da elevação real da TJLP, eliminando os subsídios implícitos nos empréstimos do BNDES, já que eles representam justamente a diferença entre os custos de captação do Tesouro, cuja principal referência é a taxa Selic, e a TJLP, usada nos empréstimos feitos pelo banco de fomento. Desde que foi criada, em 1994, a TJLP ficou sempre abaixo da Selic. Continue reading “Desmanche do BNDES”

Letargia do Governo Golpista no seu Estertor

Letargia é um estado de inconsciência, onde a pessoa aparenta estar em sono profundo e perde totalmente a capacidade de responder aos estímulos externos. A letargia também pode ser considerada uma psicopatologia, onde o indivíduo apresenta períodos variados de total inconsciência.

Em alguns casos o indivíduo pode permanecer consciente de tudo o que se passa ao seu redor, mas encontrando-se totalmente impossibilitado de reagir aos estímulos externos. Neste caso, dá-se o nome de letargia lúcida e costuma ser provocada em pessoas que sofreram com um intenso estresse emocional, por exemplo, com duas denúncias de corrupção e organização criminosa.

Uma das principais causas que pode levar ao estado de letargia brasileiro são “as infecções graves que afetam alguns pontos do sistema nervoso” tal como ocorre com o “quadrilhão do PMDB e asseclas” sitiado no bunker do Palácio do Planalto.

No sentido figurado da palavra, letargia também pode representar o estado de desânimo ou preguiça extrema de alguém. Alguns dos principais sinônimos de letargia são: adormecimento, entorpecimento, prostração, inércia. Presenciaremos até 2019 os últimos suspiros de um governo moribundo? Seu estertor será tão longo?

Claudia Safatle (Valor, 06/10/17) informa que o governo golpista definiu que pouco se importa com o BNDES, para o próximo ano, o prioritário agora é impedir o impeachment de Temer pela “regra de ouro”. É apenas isto que fundamenta a discussão sobre a antecipação dos pagamentos do banco ao Tesouro Nacional: evitar o estado terminal do governo mais impopular após a ditadura militar.

Em consequência, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social será, neste fim-de-linha para os golpistas, bem menor do que foi na Era Social-Desenvolvimentista. Os golpistas iludem ao dizer que “ele vai operar com políticas horizontais e concentrar os financiamentos em obras de infraestrutura, em médias, pequenas e micro empresas geradoras de emprego, em pesquisa, inovação e projetos ambientalmente sustentáveis”. Ora, ele, assim como o resto do governo golpista, ficará como um morto-vivo esperando 2019! Continue reading “Letargia do Governo Golpista no seu Estertor”

Capa para Acobertamento do Golpe do TCU

Ribamar Oliveira e Murillo Camarotto (Valor, 02/10/17) informa que a área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu uma investigação que foi aberta em maio de 2015 para verificar a regularidade dos empréstimos do Tesouro aos bancos estatais federais, mediante a emissão direta de títulos públicos. Em seu parecer, que ainda é mantido em sigilo, os auditores do TCU afirmam que as operações foram irregulares, pois contrariaram dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), segundo fontes credenciadas do tribunal de contas ouvidas pelo Valor. Sigilo?!

O parecer foi encaminhado ao ministro Aroldo Cedraz de Oliveira, relator do processo no TCU. Somente depois que Cedraz emitir seu parecer é que o plenário do Tribunal decidirá sobre a questão.

[Fernando Nogueira da Costa: O TCU não pertence ao Poder Judiciário, é apenas um braço do Poder Legislativo, aparelhado por apadrinhamento político dos parlamentares, que se prestou a dar um golpe na democracia brasileira no ano passado. Não conseguirá esconder essa mácula perante a História do Brasil.]

Na emissão direta, o Tesouro coloca os títulos na carteira da instituição financeira federal, ou seja, o papel não é adquirido pelo banco no mercado. Ao todo, o Tesouro emitiu diretamente R$ 462,1 bilhões aos bancos públicos, a quase totalidade para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Foram feitas emissões também para Caixa e Banco do Brasil. Continue reading “Capa para Acobertamento do Golpe do TCU”