Em Defesa do Social Desenvolvimentismo no BNDES

Na sexta-feira, participei de um ato político “Em Defesa do BNDES“, realizado pela AFBNDES, no auditório da sede do banco no Rio de Janeiro. Fiz uma apresentação que transcrevi como artigo (FERNANDO N. COSTA – Em Defesa do Social-Desenvolvimentismo no BNDES) e foi postada no Jornal GGN do Luís Nassif:
http://jornalggn.com.br/noticia/em-defesa-do-social-desenvolvimentismo-no-bndes-por-fernando-nogueira-da-costa

Voltei de “alma-lavada” do ato, como contei para minha amiga, a Professora Maria da Conceição Tavares, a quem visitei em seguida. E ela está atenta acompanhando a tudo!

Lá estavam todos os políticos cariocas da oposição (Lindberg Farias, Alessandro Molon, Chico Alencar, Jandira Feghali, etc.), uma frente ampla em que se juntaram representantes de associações patronais e sindicatos de trabalhadores. Eles assistiram e apoiaram minha exposição e a do Ernani Teixeira (UFRJ). Aliás, a dele foi ótima!

A senadora Gleisi Hoffmann (PR), também presente, disse que tentará viabilizar um convite para nós darmos nosso depoimento a respeito do BNDES no Senado Federal.

Seminário da AFBNDES Em Defesa do BNDES

 

Obs.: veja acima a queda do lucro do BNDES e do BNDESPAR, devido à volta da Velha Matriz Neoliberal em 2015 e ao golpe de Estado em 2016.

Ideias para fortalecer a contribuição do BNDES na retomada do desenvolvimento econômico do Brasil

10:00 – 10:10 – Abertura – Thiago Mitidieri – Presidente da AFBNDES

10:10 – 12:00 – Mesa 1: Ideias da Área Acadêmica e de Parlamentares

Academia: 

  • Ernani Teixeira – UFRJ
  • Fernando Nogueira da Costa – Unicamp
  • Download da Apresentação (Completa):

FERNANDO N. COSTA – Em Defesa do BNDES 17.03.2017 Continue reading “Seminário da AFBNDES Em Defesa do BNDES”

Inovações Financeiras Quae Sera Tamen

Dívida Bruta sem Compromissadas Compromissadas X Reservas Cambiais Operações Compromissadas 2007-2014 Operações Compromissadas

Algumas iniciativas que, finalmente, o Banco Central do Brasil (BCB) está tomando já eram sugeridas por “economistas heterodoxos” há anos. Por exemplo, segundo Cristiano Romero (Valor, 01/02/17), o BCB vai criar um novo instrumento de política monetária: o “depósito voluntário”.

A medida chegou a ser discutida no início do ano passado, ainda no governo Dilma Rousseff. A proposta foi feita inicialmente pelo economista-chefe do banco Safra, Carlos Kawall (meu ex-colega de doutorado no IE-UNICAMP), que comandou o Tesouro em 2006, durante o Governo Lula.

Kawall fez um estudo sobre os balanços de bancos centrais desde 2000. Além da necessidade de esterilização tradicional decorrente da compra de reservas cambiais, os BCs foram obrigados, depois da crise global de 2008, a esterilizar os fluxos de recursos gerados pelas políticas de afrouxamento monetário adotadas pelos Estados Unidos, a União Europeia, a Inglaterra e o Japão.

A criação dos “depósitos voluntários” ou remunerados foi uma importante inovação promovida pelos bancos centrais no pós-crise. No Brasil, o BCB lançou mão das operações compromissadas, um instrumento criticado por economistas heterodoxos pelo fato de aumentar sobremaneira a dívida pública e, portanto, a necessidade de geração de superávits primários nas contas públicas para fazer frente ao pagamento de juros dessa dívida.

Veja as consequências econômicas (e políticas) do tempo perdido pela lerdeza em executar essa inovação financeira! A dívida bruta, elevada em parte por um instrumento de política monetária (e não fiscal), impactou as expectativas de investidores estrangeiros e agências de avaliação de risco!  Continue reading “Inovações Financeiras Quae Sera Tamen”

Desmanche Neoliberal do BNDES

Quem financia em longo prazoAssim como Trump está desmanchando os avanços da Era Obama, aqui o governo golpista, sem ter o apoio dos eleitores ao seu programa neoliberal de corte de direitos sociais e desmanche dos bancos públicos desenvolvimentistas, dá prosseguimento a sua sanha destruidora dos avanços da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014).

Busca implementar o que está na chamada “Proposta Arida“, publicada em 2005 pela Casa das Garças, um “ninho de tucanos”, organizada por ex-professores neoliberais da PUC-RJ. Em última análise, Pérsio Arida propõe deixar morrer por inanição os bancos públicos com a suposta hipótese que, assim, o mercado de capitais privados florescerá! Ilusão que logo a casta dos mercadores-industriais se dará conta

Em comunicado, a Associação dos profissionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) faz uma crítica à mudança em curso na metodologia de cálculo da TJLP, que prevê que a taxa de juros do banco flutue como uma taxa de mercado:

“Trata-se de uma mudança profunda na precificação do crédito do BNDES, com impactos significativos sobre o Banco e sobre o investimento em capital fixo no Brasil”.

Para os empregados, se a taxa de juros do BNDES virar uma taxa de mercado, o banco deixa de ser um banco de fomento e passa a ser uma instituição mais comercial. Confira a íntegra do texto: Continue reading “Desmanche Neoliberal do BNDES”

BNDES: Entre o Desenvolvimentismo e o Neoliberalismo (1982-2004)

BNDES - EntradaRecebi a seguinte mensagem de uma querida amiga, cuja obra recomendo fortemente a leitura:

Caríssimos amigos,

Talvez para vocês não tenha a importância que tem para mim, mas não posso deixar de compartilhar a alegria que sinto por mais um trabalho de fôlego que realizei.

Nos últimos dois anos, vivi enrolada e envolvida com essa pesquisa, me afastando de amigos, trabalhando nos finais de semana, virando noite … Hoje, recebi a notícia de que meu trabalho estava pronto e impresso. Este, sinceramente, é o terceiro trabalho importante que fiz. Tenho várias outras publicações, mas nada relevante…

Em 2004, ter escrito um artigo sobre O Poder das Telecomunicações dos EUA, publicado em O Poder Americano, do Prof. J. L. Fiori, me valeu o elogio do Paulo Arantes, professor da USP. Recentemente, com as denúncias do Snowden, percebi a importância do que havia escrito, mesmo que não soubesse muito bem a dimensão sistêmica quando escrevi o artigo.

Em 2010, o Centro Celso Furtado publicou uma pesquisa, coordenada pela Conceição Tavares, da qual participei. Escrevemos sobre o BNDES – 1952 a 1982, ou seja, escrevemos sobre a história do Banco desde a sua criação até a guinada que sofreu em meio à crise da dívida externa. Esta publicação é considerada de referência sobre o Banco, já esgotada.

Agora, em 2016, sob a minha coordenação, depois de muito lutar para que o Centro Celso Furtado financiasse a pesquisa, Memórias do Desenvolvimento nº 5 | BNDES: Entre o desenvolvimentismo e o neoliberalismo (1982-2004). Escrevemos sobre o período das privatizações, analisando o BNDES de 1982 a 2004. É um trabalho relevante, tenho certeza!

Analisamos o processo de evolução das privatizações dentro do BNDES. Entrevistamos vários divergentes, como o Persio Arida, o Mendonça de Barros, a Elena Landau, o Fernando Perrone, enfim, entrevistamos aqueles que comandaram e estruturaram as privatizações no Brasil. Creiam-me, é uma pesquisa importante e por nos termos, mesmo que aos trancos e barrancos, ter dado conta dela…

Beijo a todos,

Mando o link, pois vá lá que alguém queira dar uma olhadinha ….
  
http://www.centrocelsofurtado.org.br/arquivos/image/201612091725190.Mem%C3%B3rias%20do%20desenvolvimento%205.pdf  
 
Gloria Moraes

DSc. Engenharia de Produção
Professora de Economia da Universidade Mackenzie – Rio

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Retrocesso na Cidadania Financeira

fgc-por-faixas-jun-2016produtas-bancarios-de-ricos-dez15-jun16Uma conquista da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014) foi o acesso popular a bancos e crédito. Através de contas bancárias o “dinheiro de pobre” podia ter proteção contra a inflação. Com crédito ao consumidor de baixa renda, a aquisição de bens domésticos propiciava mobilidade social e melhor qualidade de vida. Essa inclusão no mercado, deixando de ser um “cidadão de segunda categoria” ao não ter esse direito econômico, era uma conquista de cidadania financeira.

A significativa queda (-3,7% no ano) da relação crédito / PIB de 54,1% em janeiro para 50,8% em setembro de 2016, segundo o Banco Central, já alertava para o impacto da volta da Velha Matriz Neoliberal. Durante o governo FHC tinha caído de 36,6% em 1994 para 24,7% em 2003, indicando que os neoliberais, em sua obsessão de apenas cortar gastos, para via depressão diminuir a inflação e o risco da eutanásia dos rentistas, não se utilizam de política de crédito para incentivar o crescimento da renda e do emprego.

O número de contas bancárias se elevou de 87,630 milhões no final de 2002 até 221,295 milhões em dezembro de 2015. No primeiro semestre do ano corrente, segundos dados do FGC, esse total já diminuiu -1,43%, ou seja, 3,154 milhões contas bancárias a menos. Cerca de 1,8 milhão foram contas na faixa até R$ 5.000,00. Na verdade, em todas as faixas até R$ 150.000,00 (99,36% do total), perderam-se clientes. Em outras palavras, apenas nas faixas acima desse valor (0,64% do total) abriram-se 25.855 novas contas. Continue reading “Retrocesso na Cidadania Financeira”

Golpe dentro do Golpe: Esvaziamento do BNDES e o Pato Amarelo da FIESP

padra%cc%83o-de-financiamento-dos-investimentos-2-t-2016O TCU deu aval para os parlamentares golpistas derrubarem um governo eleito, democraticamente, com base na falsa alegação de “pedalada fiscal”: empréstimos dos bancos públicos ao seu controlador. Consumado o golpe, agora, o próprio TCU dá aval à espécie de Antecipação de Receita Orçamentária (ARO) de R$ 100 bi do BNDES ao Tesouro Nacional!

Ora, isto agora não é “pedalada fiscal”?! É “despedalada”?! Não, a verdade “nua (pelada) e crua” é que os membros do TCU são da mesma laia dos parlamentares golpistas

O ponto central da avaliação sobre a legalidade da operação foi o enquadramento no Artigo 37 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que veda a antecipação de recursos de empresas públicas para a União. O diagnóstico foi de que, no caso específico das operações entre o BNDES e o Tesouro, isso não ficou configurado! O que?!

O TCU abriu uma auditoria específica para fiscalizar os quase R$ 500 bilhões captados pelo Tesouro com captação de funding em longo prazo, via lançamento de títulos de dívida pública com risco soberano, para gerar fontes de financiamento para o banco de fomento, durante os anos de atuação anticíclica no governo petista. O PT socorreu os associados da FIESP e foi golpeado! Casta ingrata…
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