Crime Lesa Pátria: Desmanche Neoliberal do BNDES

Francisco Góes (Valor, 19/06/19) entrevistou o ex-presidente da instituição de fomento, Paulo Rabello de Castro, a respeito da nomeação do engenheiro Gustavo Montezano. Amigo de baladas de um dos filhos do capitão-miliciano, foi apontado para ser o novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ele terá de enfrentar uma “escolha de Sofia” – uma decisão difícil, tomada sob pressão -, no entendimento do e “A escolha se dará entre ser um gestor público, honrando o nome do pai dele [Roberto Montezano] ou ser mais um pau mandado“, disse Rabello, que presidiu o BNDES no governo de Michel Temer.

Devolução de recursos potenciais para financiamento deve ganhar rapidez com novo presidente Montezano. O pau-mandado foi indicado pelo governo para presidir o BNDES com duas prioridades bem definidas.

  1. Uma delas é a devolução de “empréstimos perpétuos” ao Tesouro Nacional: isto não é “pedalada fiscal”?!
  2. A outra prioridade do governo preocupado só com perseguição político-ideológica, com a mesma retórica desde a campanha eleitoral, cobra a fake-news divulgada por ele: abertura da “caixa-preta” do BNDES, em especial em relação aos contratos de apoio à exportação de serviços para Cuba e Venezuela. Continuar a ler

Entraves na Desalavancagem Financeira das Empresas Não-Financeiras

Arícia Martins (Valor. 03/05/19) informa: o cenário de reação fraca da atividade em 2018 teve reflexo na rentabilidade das empresas industriais. Elas mostraram resultados inferiores aos de outros ramos da economia, tendência a se repetir este ano, se a retomada não deslanchar. Segundo levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), os indicadores de lucratividade do setor melhoraram no ano passado, mas de forma concentrada e insuficiente para dar início a um novo ciclo de investimentos produtivos.

No agregado de 318 companhias não financeiras com dados contábeis disponíveis, a margem líquida de lucro (relação entre lucro líquido e receita líquida) subiu de 4,3% para 7,6% entre 2017 e 2018, superando com folga o percentual de 2,7% registrado em 2014, ano anterior à recessão. Mesmo excluindo Petrobras, Eletrobras e Vale da amostra – que, pelos seus tamanhos, distorcem os resultados -, a margem líquida aumentou 1,4 ponto na passagem anual, para 5,9%, também acima do patamar de cinco anos atrás (5,6%).

Para a indústria, porém, a melhora foi bem mais tímida. No conjunto de 131 empresas do setor, desconsiderando Petrobras e Vale, o indicador avançou 0,9 ponto em 2018 sobre o ano anterior, para 4,6%. Com essa evolução, a margem líquida das companhias industriais ainda está 1,1 ponto abaixo do nível de 2014. Continuar a ler

Empresas Não-Financeiras: Sem Desalavancagem Financeira

O ano de 2018 poderia ter sido o momento de uma retomada mais consistente do crescimento econômico. Não foi o que aconteceu e os balanços patrimoniais das empresas de capital aberto mostram as consequências disso:

  1. a melhora da rentabilidade foi tímida e muito desigual entre os setores,
  2. o endividamento permaneceu elevado e
  3. pouco se avançou a redução das despesas financeiras.

Esta Carta IEDI 927 analisa indicadores dos balanços de 318 grandes corporações não financeiras de capital aberto em 2018. As empresas foram agregadas de tal maneira que podemos avaliar o desempenho dos grandes setores da economia: indústria, serviços e comércio, isolando os efeitos de gigantes como Petrobras, Vale e Eletrobras.

De modo geral, a evolução foi mais favorável no segundo semestre de 2018 do que no primeiro semestre, quando a paralização dos caminhoneiros perturbou muito a produção e a distribuição de mercadorias.

Em boa medida a melhora esteve relacionada à vigência de patamares mais elevados dos preços de commodities e às mudanças na Petrobras. No agregado da amostra de empresas, a margem líquida de lucro saltou de 4,3% em 2017 para 7,6% em 2018. Excluídas as gigantes Petrobras, Vale e Eletrobras, a margem passou de 4,5% para 5,9%, retornando ao nível de 2014 (5,6%). Mas isso não ocorreu para todos.

Para a indústria (excluídas a Petrobras e a Vale), o quadro progrediu apenas parcialmente. A margem líquida de lucro subiu de 3,7% em 2017 para 4,6% em 2018, mas esse movimento não foi capaz de restaurar a rentabilidade aos patamares anteriores à crise recente. Em 2014 a margem tinha sido de 5,7%.

Além de modesto, este movimento positivo na indústria foi muito concentrado em poucos ramos, principalmente na extrativa e em alguns segmentos de insumos básicos. O grupo de bens de consumo não duráveis e semiduráveis, por sua vez, contribuiu negativamente para a recomposição da rentabilidade média do setor.

Quem apresentou, de fato, melhorias significativas na rentabilidade em 2018 foram as empresas dos setores de comércio e serviços. Na indústria, a lucratividade aumentou de maneira limitada, fazendo com que o endividamento e as despesas financeiras permanecessem fardos importantes. Esta é mais uma dimensão do pífio desempenho industrial, cuja produção física voltou ao vermelho desde o final do ano passado.

Para o agregado das empresas como um todo, o endividamento bancário manteve a tendência de crescimento em 2018, variando +6,7% e atingindo a cifra de R$ 1,5 trilhão, impulsionado, entre outros fatores, pela desvalorização do real do período, na faixa de 20%. A indústria, por sua vez, viu seu endividamento subir mais intensamente: +11% em relação a 2017, chegando a R$ 414,6 bilhões, quando excluídas as gigantes Petrobras e Vale. Continuar a ler

Emissões para Financiamento de Corporações via Mercado de Capitais: Encarteiramento de FIFs e Bancos

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As emissões no mercado de capitais em março totalizaram R$ 8,7 bilhões, 42,4 % abaixo do mês anterior. No ano, o resultado acumulado registra R$ 40,4 bilhões contra R$ 42,6 bilhões do mesmo período do ano passado.  Em 2019, foram registradas 125 operações contra 197 do primeiro trimestre de 2018.

As notas promissórias, títulos corporativos que normalmente apresentam um prazo inferior às debêntures, foram os títulos mais representativos das emissões domésticas em março, com 23% do total, seguida das próprias debêntures (22%), CRA e FII (20% cada). Continuar a ler