Escola Paulista de Sociologia: Fernando Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso: A Ciência e a Política como Vocação” é artigo assinado por Leôncio Martins Rodrigues, publicado na coletânea organizada por André Botelho e Lilia Schwartz, “Um enigma chamado Brasil” (São Paulo: Companhia das Letras; 2015).

A produção intelectual de FHC, mais do que a da maioria, liga-se de modo estreito às injunções políticas que afetaram sua vida. Nesse texto, porém, procurar-se-á limitar a um mínimo as referências à sua carreira de homem público, por duas vezes presidente da República, mas enfatizar a análise de suas obras intelectuais. Continue reading “Escola Paulista de Sociologia: Fernando Henrique Cardoso”

As economias emergentes estão se desindustrializando muito rapidamente?

As economias emergentes estão se desindustrializando muito rapidamente?

por Esteban Ortiz-Ospina e Nicolas Lippolis

Fonte (30 de outubro de 2017): https://ourworldindata.org/growth-and-structural-transformation-are-emerging-economies-industrializing-too-quickly/

À medida que os países desenvolvidos de hoje se tornavam mais ricos, eles experimentaram um processo de transformação estrutural. Isso significa que eles passaram por um período de industrialização, pois o centro de gravidade econômico passou, primeiro, da agricultura para a fabricação e, depois, passou por um período de desindustrialização, passando o peso da fabricação para os serviços.

Em uma publicação no blog dos autores Esteban Ortiz-Ospina e Nicolas Lippolis – https://ourworldindata.org/structural-transformation-and-deindustrialization-evidence-from-todays-rich-countries/ —, com ilustrações gráficas dinâmicas,   eles discutem esse padrão com mais detalhes. Eu reproduzo abaixo o texto traduzido, mas é bom ver o dinamismo dos gráficos no blog deles.

Como isso se compara à experiência mais recente das economias emergentes? Os países em desenvolvimento de hoje seguem um processo similar de transformação estrutural?

Nesta publicação no blog, Ortiz-Ospina e Lippolis mostram que os padrões de transformação estrutural nos países em desenvolvimento são diferentes dos das economias avançadas e pós-industriais. Especificamente, mostram que as economias emergentes estão desindustrializando mais rapidamente. Explicam como e por que isso está acontecendo, e se devemos estar preocupados com isso.

Na primeira seção, exploram as generalizadas tendências da industrialização e, depois de apontar os padrões comuns, passam a uma análise dos aspectos particulares que tornam a transformação estrutural nos países de baixa renda um fenômeno atual — e talvez problemático. Continue reading “As economias emergentes estão se desindustrializando muito rapidamente?”

Queda da Indústria Brasileira no Atual Contexto Mundial Benigno

Confira, no ranking mundial, a queda de PIB baseado em PPC do Brasil com a volta da Velha Matriz Neoliberal em 2015. Em 2005, durante o Governo Lula, a indústria brasileira era 2,9% da mundial; em 2016, sua representatividade caiu para 1,8%. Enquanto isso, a China e a Índia, utilizando-se da alavancagem financeira propiciada por seus bancos públicos, elevam seus PIBs. A China ultrapassou os EUA em 2014.

Confirme abaixo a importância de líderes como Lula, Obama e Merkel para seus países adotarem estratégia desenvolvimentista e compare com o quadro depressivo atual em função do golpe de Estado “semi-parlamentarista”.

 

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Salvando o Capitalismo dos Capitalistas?!

A sub-casta dos sábios-economistas neoliberais dizem coisas absurdas sem a menor vergonha! São mais realistas que o rei, ou seja, mais capitalistas que os donos do capital!

Pior, quando é um leviano observador “de fora”, costuma afirmar com empáfia coisas idiotas, não tendo consciência do mal que faz contra a própria reputação profissional e os demais idiotas que o acolhem e o louvam.

Leia (como exemplo dessa interferência externa descabida) sobre a Rede Atlas do movimento internacional direitista que esteve por trás do golpe no Brasil: Atlas Network. São ativistas neoliberais e/ou facistóides patrocinados pela Atlas Economic Research Foundation, uma organização sem fins lucrativos que os lidera, conhecida agora simplesmente como a Rede Atlas. Ao tramar e apoiar o golpe de Estado atentou contra a soberania nacional.

O italiano Luigi Zingales, economista e professor da Universidade de Chicago, diz que “a Itália e o Brasil têm o mesmo nível de corrupção, o mesmo nível de intervenção governamental”. Ele é um dos mais reconhecidos especialistas — e crítico — do capitalismo de compadrio, em que alguns poucos setores empresariais formam aliança econômica e política com o governo, combinação rica na produção de ineficiência e corrupção. Seus dois livros tratam do tema: “Salvando o capitalismo dos capitalistas” e “Um capitalismo para o povo: Reencontrando a chave da prosperidade americana“.

O Brasil, infelizmente, é um dos grandes exemplos desse tipo de modelo pouco transparente. Em épocas de profundas mudanças na estrutura econômica nacional, Zingales sugere medidas radicais para que o país não apenas supere a pior crise de sua história, mas dê um salto institucional. Por exemplo: a substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pela Taxa de Longo Prazo (TLP), alvo da ira de entidades empresariais, não é o bastante, diz o neoliberal. O oportunismo político apressado é aterrador!

“O BNDES é muito poderoso e muito forte”, diz. “Talvez fosse possível dividi-lo e privatizar algumas partes.” Sem medidas desse tipo, afirma, o Brasil está condenado a permanecer indefinidamente no ciclo negativo: “O capitalismo de compadrio populista está muito vivo e bem no Brasil.” Este representante da classe média “moralista e justiceira”, que não se enxerga, paradoxalmente, em nome de seu suposto saber, age contra os capitalistas e contra o povo!

Zingales participou do 8o Congresso de Mercados Financeiro e de Capitais, onde falou ao Estevão Taiar (Valor, 28/08/17): Continue reading “Salvando o Capitalismo dos Capitalistas?!”

Elevação das Exportações Brasileiras

Marta Watanabe (Valor, 28/08/17) informa que, responsável por superávits comerciais recordes em 2017, o crescimento vigoroso das exportações brasileiras no primeiro semestre superou em mais de dez pontos percentuais o ritmo de alta das vendas externas da maior parte do comércio internacional. De janeiro a junho o valor dos embarques brasileiros aumentou 19,34% contra iguais meses de 2016. No mesmo período as exportações totais mundiais cresceram 8,5%. Os dados são da Organização Mundial do Comércio (OMC), que reúne os dados mensais de exportação e importação divulgados por 70 economias responsáveis por 90% do comércio mundial.

A taxa de crescimento das exportações brasileiras superou a de países como Estados Unidos e China, que tiveram alta de 6,7% e de 8,5%, respectivamente, na mesma comparação. Os países da União Europeia avançaram 4,7%, com alta de 3,8% no comércio intrabloco e de 6,3% na exportação para outros países. No México, as vendas cresceram 10,4%.

A pauta de exportação brasileira contribui para esse desempenho. Ela é formada principalmente por commodities que passaram por elevação de preço ou que tiveram alta de volume, por conta de safra maior. Continue reading “Elevação das Exportações Brasileiras”

Horizontes 2030: Igualdade no Centro do Desenvolvimento Sustentável

Horizontes 2030: a igualdade no centro do desenvolvimento sustentável

O mundo vive uma mudança de época. A comunidade internacional, respondendo aos desequilíbrios econômicos, distributivos e ambientais do estilo de desenvolvimento dominante, aprovou recentemente a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus 17 Objetivos.

Este documento, que a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) apresenta aos Estados membros no trigésimo sexto período de sessões, complementa analiticamente essa Agenda com base na perspectiva estruturalista do desenvolvimento e sob o ponto de vista dos países da América Latina e do Caribe. Continue reading “Horizontes 2030: Igualdade no Centro do Desenvolvimento Sustentável”

Ranking da Felicidade em Países

A felicidade está ganhando atenção como indicador socioeconômico. Em discurso recente, a diretora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP) defendeu o indicador como uma arma contra a ‘tirania’ do Produto Interno Bruto (PIB).

O índice da felicidade é composto de sete quesitos:

  1. Produto Interno Bruto (PIB) per capita;
  2. assistência social;
  3. expectativa de vida saudável;
  4. liberdade para as escolhas de vida;
  5. generosidade;
  6. percepção da corrupção; e
  7. distopia (este último indicador une os outros seis em um país hipotético com a pior situação).

Curiosamente, o Brasil está em 22o. lugar e a percepção da corrupção por parte da população é, relativamente, baixa. Isto apesar do contínuo bombardeio de manchetes escandalosas da mídia…

As Nações Unidas defendem o uso do World Happiness Report 17-3-2017 para além do ranking. Na publicação de 2017, por exemplo, o documento se aprofundou no tema da felicidade no trabalho e na situação da China e do continente africano. Para 2018, o tema será o da migração. Continue reading “Ranking da Felicidade em Países”