Efeitos da Pandemia sobre a Demografia Mundial

Marsílea Gombata (Valor, 17/05/21) informa: a pandemia deve alterar a demografia mundial, levando a um encolhimento da população em muitos países não apenas pelo maior número de mortes, mas também pela queda da taxa de natalidade. Para completar, o fechamento de fronteiras internacionais congelou fluxos migratórios, que ainda não retornaram aos patamares pré-covid-19, contribuindo para a desaceleração do crescimento populacional.

Dados mais consolidados sobre população global de 2020 só devem ser disponibilizados em meados de junho pela Divisão de População do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas. Mas estatísticas dos próprios países apontam para quedas populacionais não vistas há anos e até mesmo décadas.

No ano passado, por exemplo, a Alemanha não teve crescimento da população pela primeira vez desde 2011. O Escritório Federal de Estatística da Alemanha (Destatis) atribui esse cenário à menor imigração por conta da covid-19 e ao aumento do número de mortes. Na Rússia a população encolheu no ano passado pela primeira vez em 15 anos por conta da pandemia. O mesmo em relação ao total de habitantes de Londres, que deve diminuir pela primeira vez em 31 anos, indo de 9 milhões em 2020 para 8,7 milhões, segundo a PricewaterhouseCoopers.

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Crítica ao Plano de Gastos de Biden: Temor de Aumento de Impostos e Morte do Neoliberalismo escondido como Temor de Inflação

A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, alertou as principais economias globais precisam injetar novo apoio fiscal significativo para garantir uma recuperação robusta da crise causada pela pandemia de covid-19. “O trabalho ainda não está concluído, considerando a elevada incerteza e o risco de cicatrizes permanentes”, afirmou em encontro virtual do Banco Mundial e do FMI.

Para financiar gastos fiscais ambiciosos o suficiente para garantir uma recuperação inclusiva, Yellen tem destacado a proposta do presidente Biden de um imposto mínimo global sobre as grandes multinacionais. A secretária do Tesouro defende o fim da guerra fiscal global e uma repartição justa dos impostos cobrados das empresas. Isso elevaria a arrecadação e daria aos governos mais espaço para medidas fiscais de apoio à economia.

Edward Luce (Financial Times 09/04/2021) escreveu artigo de crítica contra o aumento da carga tributária, mas apelando para o medo da inflação: eutanásia dos rentistas e perda real do poder aquisitivo.

A última vez em que o déficit público dos EUA, como percentual do Produto Interno Bruto (PIB), permaneceu acima de 10% por mais de um ano foi durante a Segunda Guerra Mundial. Joe Biden era um bebê. Poucos tinham ouvido falar de Harry Truman. Num momento em que Biden está próximo de completar seus 100 primeiros dias como presidente, o tamanho de sua arriscada cartada começa a ficar claro. Como parcela da economia dos EUA, a expansão fiscal de Biden é muitas vezes maior que os gastos de Lyndon Johnson em “armas e manteiga”. Prenunciou a mais recente era de inflação alta do país.

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Proposta de Reforma Tributária do Biden X Guerra Fiscal entre Países

Chris Giles (Financial Times, 09/04/2021) informa: há décadas, o sistema internacional de tributação das empresas tem irritado quase todo mundo – a não ser os acionistas das maiores multinacionais e os países com baixa tributação.

À medida que a proporção dos lucros das empresas em relação à economia mundial foi aumentando e os salários, caindo, os grandes países passaram a ter cada vez mais dificuldade para tributar esses ganhos.

Isso, enfim, pode mudar, graças às propostas apresentadas pelo governo de Joe Biden nos EUA em documento de 21 páginas enviado ontem a mais de 100 países, ao qual o “Financial Times” teve acesso a partir de diversas fontes.

A proposta procura romper o impasse nas longas negociações mundiais promovidas pelo clube das nações ricas, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), oferecendo pela primeira vez o que representa uma grande barganha.

As principais economias avançadas do mundo teriam poder para elevar os impostos sobre pessoas jurídicas sobre as gigantes tecnológicas americanas e outras multinacionais. Em troca, seria introduzido um piso mundial para o imposto cobrado das empresas, que permitiria ao governo Biden conseguir uma arrecadação adicional significativa das empresas com sede nos EUA para financiar seu programa de investimentos em infraestrutura.

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Proposta Tributária de Biden para Países: taxa ‘big techs’ e elimina paraíso fiscal

Assis Moreira (Valor, 09/04/2021) informa: o presidente dos EUA, Joe Biden, ofereceu um grande barganha aos parceiros para alcançar um novo acordo global de taxação das multinacionais, e com isso obter receita para pagar seu ambicioso projeto de infraestrutura, de US$ 2,3 trilhões.

O governo americano propõe um novo modelo de repartição do lucro das múltis, de forma que as “big techs”, como Apple, Amazon, Facebook, não poderão escapar de pagar tributo nos mercados onde realizam seus negócios mesmo sem ter uma presença física local.

Fazendo isso, os EUA esperam convencer sobretudo os europeus a aceitar um imposto de renda mínimo global para empresas. Para Washington, essa é uma espécie de segurança para limitar a guerra fiscal entre os países e não afetar empresas americanas que serão submetidas a taxação interna maior pelos planos de Biden.

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Tributação Progressiva e Imposto Mínimo Global: Proposta do Governo Biden

Os investidores em ações dos Estados Unidos estão tentando avaliar a força de uma “tempestade” formada no horizonte, enquanto o presidente Joe Biden pressiona por aumentos de impostos. Reverteriam parcialmente a bonança histórica concedida à América corporativa por seu antecessor.

As ações atingiram novos picos, enquanto administradores de fundos descartavam riscos. Eles vão de aumentos nos custos dos empréstimos a valorizações elevadas descoladas de bons fundamentos. Está no horizonte uma nova onda de coronavírus a atingir partes dos Estados Unidos e outras importantes economias globais.

Mas a proposta de Biden de aumentar os impostos corporativos de 21% para 28% e instituir um novo imposto mínimo global representa uma nova ameaça. Alguns analistas reacionários advertem: ela poderá descarrilar o aumento constante das ações americanas.

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Plano Biden para Infraestrutura

O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou, no dia 01/04/2021, um plano de investimentos em infraestrutura de US$ 2 trilhões. Prevê maior taxação das empresas americanas e dos paraísos fiscais para financiar as obras. Para tentar superar a resistência política ao seu plano, Biden disse a iniciativa ser necessária para remodelar a maior economia do mundo e conter a ascensão da China.

Pela proposta de Biden caberá ao setor empresarial arcar com projetos. Eles colocarão milhões de americanos a trabalhar em obras de infraestrutura, como estradas, assim como no combate às mudanças climáticas e na ampliação de serviços sociais, como o cuidado com idosos.

“É um investimento que ocorre uma vez em cada geração nos EUA, diferente de tudo o que já vimos ou fizemos”, disse Biden em Pittsburgh. “É grande, sim. É ousado, sim. E podemos realizá-lo.”

A segunda proposta legislativa de vários trilhões de dólares de Biden em dois meses no cargo tem como meta oferecer suporte para uma economia castigada pela pandemia de covid-19. Ela também promete fortalecer os sindicatos e a capacidade de resistência do país às mudanças climáticas, objetivos de longa data da esquerda democratas.

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Especulação com Ações de Exportadoras por conta do Ciclo de Commodities

Olívia Bulla (Valor, 05/04/21) avalia: uma década depois do último superciclo das commodities, em vigor de 2002 a 2011, a bolsa brasileira se prepara para uma nova temporada de alta dos preços dos insumos básicos, antecipando uma forte recuperação econômica global, sustentada pela China. Mas o novo boom de matérias-primas terá características diferentes, devido às “ambições verdes” do país asiático.

O foco de Pequim na agenda ESG (de melhores práticas ambientais, sociais e de governança) tende a provocar efeitos distintos em diferentes segmentos no mercado acionário local. A primeira impressão é a de a recente alta nos preços do petróleo, do minério de ferro, da soja e do milho, somada à resposta do governo chinês para a retomada da atividade pós-pandemia, resultar no consumo crescente e prolongado de commodities industriais.

Porém, é preciso antes compreender o novo estágio de desenvolvimento econômico chinês. A China deve crescer mais de 6% neste ano, abaixo da previsão de crescimento da economia americana, de 8%, no mesmo período. A China reduziu a importância em relação à meta de expansão do Produto Interno Bruto (PIB). O crescimento econômico continua sendo importante, mas a velocidade não parece ser tão importante quanto antes.

Afinal, a China já não é mais a mesma de dez anos atrás. “Não é aquela que consumia uma insanidade de commodities”, explica o diretor da gestora do banco Fator, Paulo Gala. Ele lembra: no último superciclo, o PIB chinês crescia mais de 10% ao ano, com forte demanda da metalurgia para a construção de projetos de infraestrutura, de transporte ferroviário e urbanização das cidades. “Isso hoje já está construído e a demanda chinesa [por matérias-primas] não é mais tão intensiva”, afirma.

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Plano Biden

As perspectivas para a economia global melhoraram com o avanço na vacinação em muitos países e o novo pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão dos EUA. Poderá adicionar 1 ponto percentual à expansão global, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O plano do presidente Joe Biden nos EUA alimentará o crescimento econômico global em 2021. Poderá alcançar 5,6%, segundo as novas projeções da OCDE. Isso significa 1,4 ponto percentual além do estimado em dezembro.

O pacote americano, diz a OCDE, representa uma das maiores injeções de estímulo à maior economia do mundo nas últimas décadas. Isso e mais a vacinação poderão impulsionar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA em mais de 3 pontos percentuais neste ano, para 6,5%, ajudando na demanda em países parceiros.

No caso do Brasil, o pacote americano deverá proporcionar um ganho adicional de 0,6 ponto no PIB. A estimativa atual é a economia brasileira crescer 3,7% neste ano. Duvido.

A recuperação em vários países pode ser travada pelo lento ritmo de vacinação. A imunização será o fator dominante para a perspectiva econômica global. Não foi feito o suficiente para acelerar a retomada. A cadência da vacinação não é suficiente para a retomada. É preciso fazer mais rápido e melhor’.

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Pacote de Biden: experimento de risco inflacionário?

Martin Wolf (Financial Times, 24/02/2021) pergunta: quanto estímulo fiscal é estímulo demais? O debate sobre essa questão entre os economistas que apoiam os objetivos do governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tornou-se acirrado.

Isso não é ruim: a política deve ser discutida. Nesta crise, como durante a crise financeira de 2008, é preciso avaliar os riscos de fazer muito pouco e os de fazer demasiado.

Mas uma coisa é certa: o fato de que o estímulo oferecido em 2009 foi pequeno demais não significa que disponibilizar muito mais do que aquilo seja o correto hoje. A política deve ser julgada por sua adequação às circunstâncias atuais, ao mesmo tempo enquanto se reconhecem as incertezas e o equilíbrio de riscos.

Alguns analistas parecem considerar inconcebível grande alta da inflação, porque isso não acontece faz muito tempo. Este é um argumento ruim. Em outros tempos, muitos pensavam que uma crise financeira mundial era inconcebível porque não acontecia há muito

Não tenho nenhuma objeção, em princípio, a gastos fiscais enormes. De fato, em janeiro de 2009, defendi a proposta de que os EUA deveriam incorrer em um déficit fiscal de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) até que os estragos nos balanços patrimoniais do setor privado fossem sanados. Pouco depois, argumentei: tínhamos de aprender com o Japão se quiséssemos entender os perigos que as economias ocidentais enfrentavam naquele momento. Também admiti desde o começo: uma pandemia é uma emergência, muito parecida com uma guerra. A política precisava realmente entrar em clima de guerra.

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Hipótese do Excesso de Poupança: Troca do Consumo Presente pelo Futuro

Os consumidores das maiores economias do mundo acumularam uma poupança extra de US$ 2,9 trilhões durante os lockdowns. Esse imenso volume de dinheiro cria a possibilidade de uma recuperação vigorosa depois da recessão provocada pela pandemia?

As famílias dos EUA, Reino Unido, Japão e das maiores nações da zona do euro guardaram mais dinheiro quando se viram forçadas a permanecer em casa e longe das lojas, segundo estimativa da Bloomberg Economics. Provavelmente, continuarão a fazer isso enquanto persistirem restrições e governos proporcionarem estímulos.

Metade desse total (US$ 1,5 trilhão) diz respeito aos EUA. Isso é o dobro do crescimento médio anual do PIB americano observado na última expansão e equivale ao PIB anual da Coreia do Sul.

Essas poupanças deverão fornecer o dinheiro para a recuperação das economias quando a covid-19 for finalmente controlada com as campanhas de vacinação. Transformar-se-iam em funding de empréstimos em longo prazo.

Os otimistas estão apostando em uma onda de consumo, com as pessoas retornando a lojas, restaurantes, locais de entretenimento, eventos esportivos e turismo. Além disso, haveria aceleração nas compras de maior valor adiadas.

Os pessimistas ponderam o dinheiro poder ser usado para cobrir dívidas ou ficar guardado até a crise de saúde ter um fim estabelecido. Só assim os mercados de trabalho se fortaleceriam.

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Moeda Digital na China

Um Estado nacional dá suporte à sua soberania — e não se submete a O Mercado — com apoio em dois pilares: 1. monopólio das armas; 2. monopólio da emissão da moeda nacional oficial. Não pode dividir nem o Poder Militar com milicianos paramilitares, nem o Poder Econômico com emissores privados de moeda. Dito isso, veja abaixo o questionamento à soberania do Estado nacional chinês, feito por mídia porta-voz de O Mercado ocidental.

James Kynge e Sun Yu (Financial Times, de Hong Kong e Pequim 23/02/2021) propagam ideologia no lugar de se aterem aos fatos e dados. Dizem o projeto de moeda digital da China estar vinculado ao esforço do Partido Comunista para manter o controle sobre a sociedade e a economia. A implantação do e-yuan permitirá ao banco central extrair e analisar um enorme conjunto de dados sobre a atividade econômica de seus cidadãos — e combater o crime organizado com uso de lavagem de “dinheiro-sujo” e/ou de caixa-dois. Este quebra o monopólio estatal das armas!

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O Investimento Público é Socialismo?!

Continua a conversa entre o economista Michael Hudson e o jornalista Pepe Escobar sobre aspectos econômicos do conflito China X EUA:

Michael Hudson: Não há como reconstruir a infraestrutura porque, para começar, o sistema bancário nos Estados Unidos subsidiou por cem anos a economia de lixo, dizendo ser preciso equilibrar o orçamento. Se o governo cria crédito, é inflacionário; como se quando os bancos criassem, não fosse inflacionário. Bem, o efeito monetário é o mesmo, não importa quem cria o dinheiro. 

[Hudson deveria se atentar o efeito inflacionário do crédito depender da fase do ciclo econômico, isto é, se há ou não excesso de capacidade produtiva não utilizadas.]

Biden já disse: o presidente Trump obteve um grande déficit, vamos obter um monte de superávits ou um saldo orçamentário. Ele estava defendendo isso o tempo todo. Essencialmente, Biden está dizendo: temos de aumentar o desemprego em 20%, reduzir os salários em 20%, encolher a economia em cerca de 10% para os bancos não perderem dinheiro.

[Hudson já estava na oposição ao governo democrata antes de ele ter iniciado! Apenas com base em sua retórica pós-keynesiana.]

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