As economias emergentes estão se desindustrializando muito rapidamente?

As economias emergentes estão se desindustrializando muito rapidamente?

por Esteban Ortiz-Ospina e Nicolas Lippolis

Fonte (30 de outubro de 2017): https://ourworldindata.org/growth-and-structural-transformation-are-emerging-economies-industrializing-too-quickly/

À medida que os países desenvolvidos de hoje se tornavam mais ricos, eles experimentaram um processo de transformação estrutural. Isso significa que eles passaram por um período de industrialização, pois o centro de gravidade econômico passou, primeiro, da agricultura para a fabricação e, depois, passou por um período de desindustrialização, passando o peso da fabricação para os serviços.

Em uma publicação no blog dos autores Esteban Ortiz-Ospina e Nicolas Lippolis – https://ourworldindata.org/structural-transformation-and-deindustrialization-evidence-from-todays-rich-countries/ —, com ilustrações gráficas dinâmicas,   eles discutem esse padrão com mais detalhes. Eu reproduzo abaixo o texto traduzido, mas é bom ver o dinamismo dos gráficos no blog deles.

Como isso se compara à experiência mais recente das economias emergentes? Os países em desenvolvimento de hoje seguem um processo similar de transformação estrutural?

Nesta publicação no blog, Ortiz-Ospina e Lippolis mostram que os padrões de transformação estrutural nos países em desenvolvimento são diferentes dos das economias avançadas e pós-industriais. Especificamente, mostram que as economias emergentes estão desindustrializando mais rapidamente. Explicam como e por que isso está acontecendo, e se devemos estar preocupados com isso.

Na primeira seção, exploram as generalizadas tendências da industrialização e, depois de apontar os padrões comuns, passam a uma análise dos aspectos particulares que tornam a transformação estrutural nos países de baixa renda um fenômeno atual — e talvez problemático. Continue reading “As economias emergentes estão se desindustrializando muito rapidamente?”

Queda da Indústria Brasileira no Atual Contexto Mundial Benigno

Confira, no ranking mundial, a queda de PIB baseado em PPC do Brasil com a volta da Velha Matriz Neoliberal em 2015. Em 2005, durante o Governo Lula, a indústria brasileira era 2,9% da mundial; em 2016, sua representatividade caiu para 1,8%. Enquanto isso, a China e a Índia, utilizando-se da alavancagem financeira propiciada por seus bancos públicos, elevam seus PIBs. A China ultrapassou os EUA em 2014.

Confirme abaixo a importância de líderes como Lula, Obama e Merkel para seus países adotarem estratégia desenvolvimentista e compare com o quadro depressivo atual em função do golpe de Estado “semi-parlamentarista”.

 

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Salvando o Capitalismo dos Capitalistas?!

A sub-casta dos sábios-economistas neoliberais dizem coisas absurdas sem a menor vergonha! São mais realistas que o rei, ou seja, mais capitalistas que os donos do capital!

Pior, quando é um leviano observador “de fora”, costuma afirmar com empáfia coisas idiotas, não tendo consciência do mal que faz contra a própria reputação profissional e os demais idiotas que o acolhem e o louvam.

Leia (como exemplo dessa interferência externa descabida) sobre a Rede Atlas do movimento internacional direitista que esteve por trás do golpe no Brasil: Atlas Network. São ativistas neoliberais e/ou facistóides patrocinados pela Atlas Economic Research Foundation, uma organização sem fins lucrativos que os lidera, conhecida agora simplesmente como a Rede Atlas. Ao tramar e apoiar o golpe de Estado atentou contra a soberania nacional.

O italiano Luigi Zingales, economista e professor da Universidade de Chicago, diz que “a Itália e o Brasil têm o mesmo nível de corrupção, o mesmo nível de intervenção governamental”. Ele é um dos mais reconhecidos especialistas — e crítico — do capitalismo de compadrio, em que alguns poucos setores empresariais formam aliança econômica e política com o governo, combinação rica na produção de ineficiência e corrupção. Seus dois livros tratam do tema: “Salvando o capitalismo dos capitalistas” e “Um capitalismo para o povo: Reencontrando a chave da prosperidade americana“.

O Brasil, infelizmente, é um dos grandes exemplos desse tipo de modelo pouco transparente. Em épocas de profundas mudanças na estrutura econômica nacional, Zingales sugere medidas radicais para que o país não apenas supere a pior crise de sua história, mas dê um salto institucional. Por exemplo: a substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pela Taxa de Longo Prazo (TLP), alvo da ira de entidades empresariais, não é o bastante, diz o neoliberal. O oportunismo político apressado é aterrador!

“O BNDES é muito poderoso e muito forte”, diz. “Talvez fosse possível dividi-lo e privatizar algumas partes.” Sem medidas desse tipo, afirma, o Brasil está condenado a permanecer indefinidamente no ciclo negativo: “O capitalismo de compadrio populista está muito vivo e bem no Brasil.” Este representante da classe média “moralista e justiceira”, que não se enxerga, paradoxalmente, em nome de seu suposto saber, age contra os capitalistas e contra o povo!

Zingales participou do 8o Congresso de Mercados Financeiro e de Capitais, onde falou ao Estevão Taiar (Valor, 28/08/17): Continue reading “Salvando o Capitalismo dos Capitalistas?!”

Elevação das Exportações Brasileiras

Marta Watanabe (Valor, 28/08/17) informa que, responsável por superávits comerciais recordes em 2017, o crescimento vigoroso das exportações brasileiras no primeiro semestre superou em mais de dez pontos percentuais o ritmo de alta das vendas externas da maior parte do comércio internacional. De janeiro a junho o valor dos embarques brasileiros aumentou 19,34% contra iguais meses de 2016. No mesmo período as exportações totais mundiais cresceram 8,5%. Os dados são da Organização Mundial do Comércio (OMC), que reúne os dados mensais de exportação e importação divulgados por 70 economias responsáveis por 90% do comércio mundial.

A taxa de crescimento das exportações brasileiras superou a de países como Estados Unidos e China, que tiveram alta de 6,7% e de 8,5%, respectivamente, na mesma comparação. Os países da União Europeia avançaram 4,7%, com alta de 3,8% no comércio intrabloco e de 6,3% na exportação para outros países. No México, as vendas cresceram 10,4%.

A pauta de exportação brasileira contribui para esse desempenho. Ela é formada principalmente por commodities que passaram por elevação de preço ou que tiveram alta de volume, por conta de safra maior. Continue reading “Elevação das Exportações Brasileiras”

Horizontes 2030: Igualdade no Centro do Desenvolvimento Sustentável

Horizontes 2030: a igualdade no centro do desenvolvimento sustentável

O mundo vive uma mudança de época. A comunidade internacional, respondendo aos desequilíbrios econômicos, distributivos e ambientais do estilo de desenvolvimento dominante, aprovou recentemente a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus 17 Objetivos.

Este documento, que a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) apresenta aos Estados membros no trigésimo sexto período de sessões, complementa analiticamente essa Agenda com base na perspectiva estruturalista do desenvolvimento e sob o ponto de vista dos países da América Latina e do Caribe. Continue reading “Horizontes 2030: Igualdade no Centro do Desenvolvimento Sustentável”

Ranking da Felicidade em Países

A felicidade está ganhando atenção como indicador socioeconômico. Em discurso recente, a diretora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP) defendeu o indicador como uma arma contra a ‘tirania’ do Produto Interno Bruto (PIB).

O índice da felicidade é composto de sete quesitos:

  1. Produto Interno Bruto (PIB) per capita;
  2. assistência social;
  3. expectativa de vida saudável;
  4. liberdade para as escolhas de vida;
  5. generosidade;
  6. percepção da corrupção; e
  7. distopia (este último indicador une os outros seis em um país hipotético com a pior situação).

Curiosamente, o Brasil está em 22o. lugar e a percepção da corrupção por parte da população é, relativamente, baixa. Isto apesar do contínuo bombardeio de manchetes escandalosas da mídia…

As Nações Unidas defendem o uso do World Happiness Report 17-3-2017 para além do ranking. Na publicação de 2017, por exemplo, o documento se aprofundou no tema da felicidade no trabalho e na situação da China e do continente africano. Para 2018, o tema será o da migração. Continue reading “Ranking da Felicidade em Países”

Porque é que a Inflação dos Estados Unidos é tão baixa?

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  • Os dados acima confirmam a hipótese neofisheriana de André Lara Resende, “vanguarda do pensamento econômico mundial” (sic)? 
  • Porque é que a flexibilização quantitativa tem coexistido com a estabilidade de preços nos Estados Unidos?
  • Porque é que a emissão monetária por parte da Reserva Federal não provocou uma inflação mais elevada?

Martin Feldstein, professor de Economia em Harvard, foi presidente do Conselho de Assessores de Economia de Ronald Reagan. Ele é também ex-presidente do National Bureau for Economic Research dos Estados Unidos.

Para responder essas intrigantes questões, naturalmente, ele não faz uma abordagem estruturalista a la Escola Desenvolvimentista Latino-Americana. Assim, não alerta sobre a especificidade da capacidade de emissão monetária por parte do governo dos EUA. Imprime papéis pintados de “dólar”, para fazer a monetização da dívida pública ou “afrouxamento monetário, e o resto mundo os aceita em troca de mercadorias! Além disso, os títulos de dívida pública norte-americanos são absorvidos em reservas cambiais dos países emergentes como China, Japão, Rússia, Brasil, Petro-Estados, etc. Logo, o resto do mundo financia o imenso déficit comercial norte-americano.

Obviamente, esta experiência é única e não pode ser generalizada como uma “nova teoria monetária”!

Os Estados Unidos fecharam 2016 com um déficit no balanço comercial de US$ 502,3 bilhões, o maior dos últimos quatro anos. Por países, o saldo negativo no comércio com a China caiu 5,5% em 2016, ficando em US$ 347 bilhões, abaixo do recorde de US$ 367 bilhões de 2015. Já com o México, as importações superaram as exportações em US$ 63,2 bilhões, uma alta de 4,2% e o valor mais alto desde 2011, de acordo com o Departamento de Comércio.

O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu penalizar países como China e México, que acusa de práticas comerciais injustas, responsáveis pela perda de milhões de empregos americanos. Trump pretende renegociar o mais rápido possível o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), assinado há mais de 20 anos com o México e o Canadá. Resta a simples pergunta: com o fim do livre-comércio global a inflação nos EUA permanecerá baixa?!

Reproduzo abaixo o artigo de Martin Feldstein.

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