Acordo com UE reduz alíquota de carro em 50%

Assis Moreira (Valor, 19/07/21) informa: o Brasil abrirá uma cota de importação anual de 32 mil veículos da Europa com tarifa de 17,5%, ou seja metade da alíquota normal, por sete anos, a partir do momento em que o acordo Mercosul-União Europeia (UE) entrar em vigor.

Depois dos sete anos com cota, começará a desgravação (mecanismo de redução) da tarifa até chegar a zero nos oito anos seguintes nesse setor. A área automotiva é considerada uma dos mais importantes no acordo.

Por sua vez, o café solúvel brasileiro, muito exportado para a Europa, terá acesso sem tarifa nos 27 países da UE quatro anos depois da entrada em vigor do acordo birregional. A tarifa atualmente é de 9%, muito alta para os padrões europeus. E, com sua eliminação, o produto brasileiro com valor agregado poderá ganhar mercado.

Essas informações foram detalhadas, pela primeira vez, ao mesmo tempo pelos países do Mercosul e pela União Europeia, com a publicação dos cronogramas de redução tarifária e dos compromissos em matéria de serviços e compras públicas pelo acordo birregional.

O objetivo claramente é de buscar algum “movimento” e que não pareça que o acordo está paralisado, apesar da resistência de alguns Estados-membros europeus, que se dizem inquietos com os problemas ambientais no Brasil.

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Temor dos Bancos face ao Subi-Desci (CBDC): Moeda Digital do Banco Central

Com o fim da Olimpíada de Tóquio, intensificam-se os preparativos para os jogos de inverno em Pequim em fevereiro. Estes darão sinal de partida a uma disputa internacional muito maior que o esqui alpino.

A China pretende fazer uma reivindicação territorial antecipada no novo mundo das moedas digitais dos bancos centrais (CBDCs, na sigla em inglês). Ela dará aos estrangeiros sua primeira chance real de realizar pagamentos usando o yuan eletrônico emitido pelo Banco do Povo da China, o banco central chinês.

Qualquer banqueiro entre os visitantes poderá ter calafrios não atribuíveis a temperaturas negativas. As moedas digitais dos bancos centrais podem provocar uma ruptura significativa na indústria bancária.

Novas formas de moedas digitais prometem ser fáceis e baratas de manter e intercambiar. Isso dá a elas o potencial de abalar as bases de poder das moedas nacionais convencionais.

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Ingresso Líquido de IDP cobre Déficit no Balanço de Transações Correntes

O ingresso líquido de investimentos diretos no país (IDP) já está há três meses abaixo da estimativa do Banco Central (BC). Ao mesmo tempo, a entrada de recursos em carteira vem ganhando força e já mais do que compensa a remessa líquida registrada no ano passado, causada pela pandemia.

Em junho, o Brasil registrou entrada, sempre em termos líquidos, de apenas US$ 174 milhões de IDP, conforme divulgado ontem pela autoridade monetária. A estimativa era de ingresso de US$ 2,5 bilhões. A última vez em que a entrada de IDP ficou em linha com a estimativas do BC foi em março (ingresso de US$ 6,9 bilhões, com projeção de US$ 7 bilhões).

O IDP é considerado por vários economistas a fonte mais estável de financiamento das contas externas. Entram na rubrica: recursos destinados à participação no capital; empréstimos diretos concedidos por matrizes de empresas multinacionais às filiais no país e vice-versa; retorno de investimentos brasileiros no exterior.

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Brasil, perto do Carvão e longe da Eletricidade

Nicole Oliveira, diretora do Instituto Internacional Arayara, é mestra em direito internacional e resolução de conflitos pela Leopold-Franzens Universität Innsbruck e Universidad Para La Paz. Publicou artigo (Valor, 23/07/21) sobre o Brasil estar perdendo importância na geopolítica e geoeconomia mundial.

Se ainda faltassem provas de o governo do Brasil estar na contramão climática, a decisão da União Europeia (UE), de taxar a importação de produtos intensivos em carbono, mostrou cabalmente que o aumento da participação na matriz energética de combustíveis fósseis e o desmatamento que bate sucessivos recordes são anti produtivos até para as forças econômicas que sustentam o Palácio do Planalto. Elas têm na Europa um dos principais destinos para as suas exportações.

A situação é tão grave que coloca o Brasil sob os riscos de ser excluído dos mais importantes fluxos de comércio mundial, além da nova geopolítica da transição energética, esta que já vem sendo liderada com larga vantagem por China, EUA e Europa.

As medidas europeias planejam mudar o setor industrial em todas as suas cadeias de valor nos próximos cinco anos. Isto significará destruir ou reconverter complexos industriais inteiros, que serão substituídos por novos, que dependerão de novos ciclos tecnológicos

A mostra mais recente dessa situação esdrúxula se deu em 14 de julho. A UE anunciou que submeterá suas importações aos padrões ambientais europeus, que caminham no sentido de se descarbonizar rapidamente. Será frontalmente atingido, por exemplo, o grande negócio agrícola brasileiro, um dos pilares de sustentação política do Planalto.

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Efeito China, Termos de Troca e Eleições

Depois do choque de preços de 2020, desencadeado pelo colapso da demanda em meio à pandemia, o petróleo fechou o primeiro semestre com forte recuperação, cotado, em média, a US$ 64,80. O barril subiu 51,3% em relação aos seis primeiros meses do ano passado, sustentado pelos sinais de melhora do consumo à medida que a vacinação avança pelo mundo. A continuidade da trajetória de alta dos preços, daqui para frente, vai depender de fatores como o comportamento das variantes da covid-19 e de como os membros e aliados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (a Opep+) se posicionarão no segundo semestre do ano.

O barril do tipo Brent rompeu, em junho, a barreira dos US$ 70 e atingiu o pico de US$ 76 no dia 25 – a cotação mais alta do petróleo desde outubro de 2018. O otimismo com a recuperação econômica nos Estados Unidos, traduzido nas quedas consecutivas dos estoques, tem dado suporte à escalada recente da commodity.

A recuperação dos preços tem impacto direto no humor das petroleiras, que começam, aos poucos, a ganhar confiança para avançar com novos projetos. No Brasil, em junho a Petrobras, Equinor e a Karoon anunciaram investimentos de cerca de US$ 10,5 bilhões para os próximos anos.

A percepção, no mercado, é o consumo estar se recuperando mais rápido do que a oferta.

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Efeitos da Pandemia sobre a Demografia Mundial

Marsílea Gombata (Valor, 17/05/21) informa: a pandemia deve alterar a demografia mundial, levando a um encolhimento da população em muitos países não apenas pelo maior número de mortes, mas também pela queda da taxa de natalidade. Para completar, o fechamento de fronteiras internacionais congelou fluxos migratórios, que ainda não retornaram aos patamares pré-covid-19, contribuindo para a desaceleração do crescimento populacional.

Dados mais consolidados sobre população global de 2020 só devem ser disponibilizados em meados de junho pela Divisão de População do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas. Mas estatísticas dos próprios países apontam para quedas populacionais não vistas há anos e até mesmo décadas.

No ano passado, por exemplo, a Alemanha não teve crescimento da população pela primeira vez desde 2011. O Escritório Federal de Estatística da Alemanha (Destatis) atribui esse cenário à menor imigração por conta da covid-19 e ao aumento do número de mortes. Na Rússia a população encolheu no ano passado pela primeira vez em 15 anos por conta da pandemia. O mesmo em relação ao total de habitantes de Londres, que deve diminuir pela primeira vez em 31 anos, indo de 9 milhões em 2020 para 8,7 milhões, segundo a PricewaterhouseCoopers.

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Crítica ao Plano de Gastos de Biden: Temor de Aumento de Impostos e Morte do Neoliberalismo escondido como Temor de Inflação

A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, alertou as principais economias globais precisam injetar novo apoio fiscal significativo para garantir uma recuperação robusta da crise causada pela pandemia de covid-19. “O trabalho ainda não está concluído, considerando a elevada incerteza e o risco de cicatrizes permanentes”, afirmou em encontro virtual do Banco Mundial e do FMI.

Para financiar gastos fiscais ambiciosos o suficiente para garantir uma recuperação inclusiva, Yellen tem destacado a proposta do presidente Biden de um imposto mínimo global sobre as grandes multinacionais. A secretária do Tesouro defende o fim da guerra fiscal global e uma repartição justa dos impostos cobrados das empresas. Isso elevaria a arrecadação e daria aos governos mais espaço para medidas fiscais de apoio à economia.

Edward Luce (Financial Times 09/04/2021) escreveu artigo de crítica contra o aumento da carga tributária, mas apelando para o medo da inflação: eutanásia dos rentistas e perda real do poder aquisitivo.

A última vez em que o déficit público dos EUA, como percentual do Produto Interno Bruto (PIB), permaneceu acima de 10% por mais de um ano foi durante a Segunda Guerra Mundial. Joe Biden era um bebê. Poucos tinham ouvido falar de Harry Truman. Num momento em que Biden está próximo de completar seus 100 primeiros dias como presidente, o tamanho de sua arriscada cartada começa a ficar claro. Como parcela da economia dos EUA, a expansão fiscal de Biden é muitas vezes maior que os gastos de Lyndon Johnson em “armas e manteiga”. Prenunciou a mais recente era de inflação alta do país.

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Proposta de Reforma Tributária do Biden X Guerra Fiscal entre Países

Chris Giles (Financial Times, 09/04/2021) informa: há décadas, o sistema internacional de tributação das empresas tem irritado quase todo mundo – a não ser os acionistas das maiores multinacionais e os países com baixa tributação.

À medida que a proporção dos lucros das empresas em relação à economia mundial foi aumentando e os salários, caindo, os grandes países passaram a ter cada vez mais dificuldade para tributar esses ganhos.

Isso, enfim, pode mudar, graças às propostas apresentadas pelo governo de Joe Biden nos EUA em documento de 21 páginas enviado ontem a mais de 100 países, ao qual o “Financial Times” teve acesso a partir de diversas fontes.

A proposta procura romper o impasse nas longas negociações mundiais promovidas pelo clube das nações ricas, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), oferecendo pela primeira vez o que representa uma grande barganha.

As principais economias avançadas do mundo teriam poder para elevar os impostos sobre pessoas jurídicas sobre as gigantes tecnológicas americanas e outras multinacionais. Em troca, seria introduzido um piso mundial para o imposto cobrado das empresas, que permitiria ao governo Biden conseguir uma arrecadação adicional significativa das empresas com sede nos EUA para financiar seu programa de investimentos em infraestrutura.

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Proposta Tributária de Biden para Países: taxa ‘big techs’ e elimina paraíso fiscal

Assis Moreira (Valor, 09/04/2021) informa: o presidente dos EUA, Joe Biden, ofereceu um grande barganha aos parceiros para alcançar um novo acordo global de taxação das multinacionais, e com isso obter receita para pagar seu ambicioso projeto de infraestrutura, de US$ 2,3 trilhões.

O governo americano propõe um novo modelo de repartição do lucro das múltis, de forma que as “big techs”, como Apple, Amazon, Facebook, não poderão escapar de pagar tributo nos mercados onde realizam seus negócios mesmo sem ter uma presença física local.

Fazendo isso, os EUA esperam convencer sobretudo os europeus a aceitar um imposto de renda mínimo global para empresas. Para Washington, essa é uma espécie de segurança para limitar a guerra fiscal entre os países e não afetar empresas americanas que serão submetidas a taxação interna maior pelos planos de Biden.

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Tributação Progressiva e Imposto Mínimo Global: Proposta do Governo Biden

Os investidores em ações dos Estados Unidos estão tentando avaliar a força de uma “tempestade” formada no horizonte, enquanto o presidente Joe Biden pressiona por aumentos de impostos. Reverteriam parcialmente a bonança histórica concedida à América corporativa por seu antecessor.

As ações atingiram novos picos, enquanto administradores de fundos descartavam riscos. Eles vão de aumentos nos custos dos empréstimos a valorizações elevadas descoladas de bons fundamentos. Está no horizonte uma nova onda de coronavírus a atingir partes dos Estados Unidos e outras importantes economias globais.

Mas a proposta de Biden de aumentar os impostos corporativos de 21% para 28% e instituir um novo imposto mínimo global representa uma nova ameaça. Alguns analistas reacionários advertem: ela poderá descarrilar o aumento constante das ações americanas.

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Plano Biden para Infraestrutura

O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou, no dia 01/04/2021, um plano de investimentos em infraestrutura de US$ 2 trilhões. Prevê maior taxação das empresas americanas e dos paraísos fiscais para financiar as obras. Para tentar superar a resistência política ao seu plano, Biden disse a iniciativa ser necessária para remodelar a maior economia do mundo e conter a ascensão da China.

Pela proposta de Biden caberá ao setor empresarial arcar com projetos. Eles colocarão milhões de americanos a trabalhar em obras de infraestrutura, como estradas, assim como no combate às mudanças climáticas e na ampliação de serviços sociais, como o cuidado com idosos.

“É um investimento que ocorre uma vez em cada geração nos EUA, diferente de tudo o que já vimos ou fizemos”, disse Biden em Pittsburgh. “É grande, sim. É ousado, sim. E podemos realizá-lo.”

A segunda proposta legislativa de vários trilhões de dólares de Biden em dois meses no cargo tem como meta oferecer suporte para uma economia castigada pela pandemia de covid-19. Ela também promete fortalecer os sindicatos e a capacidade de resistência do país às mudanças climáticas, objetivos de longa data da esquerda democratas.

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Especulação com Ações de Exportadoras por conta do Ciclo de Commodities

Olívia Bulla (Valor, 05/04/21) avalia: uma década depois do último superciclo das commodities, em vigor de 2002 a 2011, a bolsa brasileira se prepara para uma nova temporada de alta dos preços dos insumos básicos, antecipando uma forte recuperação econômica global, sustentada pela China. Mas o novo boom de matérias-primas terá características diferentes, devido às “ambições verdes” do país asiático.

O foco de Pequim na agenda ESG (de melhores práticas ambientais, sociais e de governança) tende a provocar efeitos distintos em diferentes segmentos no mercado acionário local. A primeira impressão é a de a recente alta nos preços do petróleo, do minério de ferro, da soja e do milho, somada à resposta do governo chinês para a retomada da atividade pós-pandemia, resultar no consumo crescente e prolongado de commodities industriais.

Porém, é preciso antes compreender o novo estágio de desenvolvimento econômico chinês. A China deve crescer mais de 6% neste ano, abaixo da previsão de crescimento da economia americana, de 8%, no mesmo período. A China reduziu a importância em relação à meta de expansão do Produto Interno Bruto (PIB). O crescimento econômico continua sendo importante, mas a velocidade não parece ser tão importante quanto antes.

Afinal, a China já não é mais a mesma de dez anos atrás. “Não é aquela que consumia uma insanidade de commodities”, explica o diretor da gestora do banco Fator, Paulo Gala. Ele lembra: no último superciclo, o PIB chinês crescia mais de 10% ao ano, com forte demanda da metalurgia para a construção de projetos de infraestrutura, de transporte ferroviário e urbanização das cidades. “Isso hoje já está construído e a demanda chinesa [por matérias-primas] não é mais tão intensiva”, afirma.

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