Diferença entre “O Mundo” e “Meu Mundo”

Transcrição da excelente Palestra TED realizada por Devdutt Pattanaik:

“Para entender o ramo da mitologia e quais são as tarefas de um “Executivo Principal de Crenças” você precisa escutar uma estória de Ganesha, o deus com cabeça de elefante que é o escrivão dos contadores de estórias, e seu irmão, o chefe guerreiro dos deuses, Kartikeya. Os dois irmãos um dia decidiram competir em uma corrida, dando 3 voltas ao mundo. Kartikeya montou em seu pavão e voou pelos continentes e pelas montanhas e pelos oceanos. Ele deu uma volta, duas voltas, ele deu três voltas. Mas seu irmão, Ganesha, simplesmente deu três voltas ao redor de seus pais uma, duas, três, e disse, “ganhei.” “Como assim?” disse Kartikeya. E Ganesha disse, “Você deu uma volta no mundo.” Eu dei uma volta “no meu mundo.”” E que importa mais?

Se você entende a diferença entre “o mundo” e “meu mundo” você entende a diferença entre logos e mythos.

  1. O mundo” é objetivo, lógico, universal, factual, científico.
  2. Meu mundo” é subjetivo. É emocional. É pessoal. É sobre percepções, pensamentos, sentimentos, sonhos. É o sistema de crenças que carregamos. É o mito em que vivemos.
  • “O mundo” nos diz como o mundo funciona, como o sol nasce, como nascemos.
  • Meu mundo” nos diz porque o sol nasce, porque nascemos.

Toda cultura tenta se entender: “Por que nós existimos?” E toda cultura inventa sua própria compreensão da vida, sua própria versão personalizada da mitologia.

Cultura é uma reação à natureza.

Esta compreensão de nossos ancestrais é transmitido de geração a geração na forma de estórias, símbolos e rituais, que são sempre indiferentes à razão. E quando você a estuda, você se dá conta de que diferentes povos do mundo tem uma compreensão diferente do mundo. Pessoas diferentes vêm coisas de forma diferente. têm pontos de vista diferentes.

[FNC: essa palestra questiona as explicações institucionalistas para a desigualdade mundial, tanto os seis aplicativos que diferenciam a Civilização Ocidental e a Civilização Oriental — competição, ciência, direitos de propriedade, medicina, consumismo, ética protestante do trabalho sob o espírito do capitalismo –, segundo Niall Ferguson, quanto a Teoria da Desigualdade Mundial, elaborada por Daron Acemoglu e James Robinson, de que se deduz a necessidade de implantação de instituições inclusivas a la democracia ocidental (euro-americana) em todo o mundo. Hipoteticamente, foram responsáveis pelos sucessos de algumas Nações mais desenvolvidas no Ocidente.

Todos os povos desejam o enriquecimento baseado em direito à propriedade privada, no livre-mercado e na meritocracia individualista? Ou será que predomina, em tradição secular de muitos povos, um conformismo religioso e conservador com suas instituições extrativistas e exclusivas? Será desejável e possível a superação da milenar estratificação social via castas dinásticas? As pessoas per si superam “o mundinho familiar“, ou seja, o amor filial relativo a, pertencente a ou próprio de filho(a), em que há filiação, dependência, subordinação? Ou a submissão (servidão) voluntária à alguma religião?] Continue reading “Diferença entre “O Mundo” e “Meu Mundo””

Cinco Ted Talks Recomendadas pelo Curador

É difícil pensar a comunicação de ideias contemporânea sem falar de Ted Talks e da revolução implantada pelo americano Chris Anderson, de 59 anos, curador de palestras de até 18 minutos no formato de vídeos digitais oferecidas gratuitamente na rede. As conferências tornaram-se sinônimo de troca de conhecimento relevante de forma leve e profunda no mundo digital e, no ano passado, alcançaram 1 bilhão de visitas.

Presidente do Ted, Anderson lança agora a edição brasileira de “Ted Talks: O Guia Oficial do Ted para Falar em Público” (Intrínseca). Como aqui resenhamos, o livro é um mix de manual de oratória e defesa de um renascimento do discurso oral como forma central de transmissão de ideias.

Desde 2001, o Ted Talks é parte da Sapling Foundation, fundação privada sem fins lucrativos criada por Anderson em 1996. A receita vem de patrocínio privado, propaganda inserida no site do Ted e nos vídeos, além dos ingressos cobrados para assistir ao vivo as conferências, apoio institucional dado à fundação, direito de licenciamento de palestras e da publicação de livros.

Eduardo Graça (Valor, 08/07/16) lhe perguntou: Se tivesse de escolher cinco Ted Talks que jamais sairiam de sua prateleira, quais seriam?

Anderson: Não posso escolher. Mas posso falar de vídeos cult, não tão vistos, mas que amo.

O de Richard Turere, extraordinário: um menino Masaii [grupo étnico presente no Sul do Quênia e Norte da Tanzânia] de 12 anos que aprendeu eletrônica por conta própria e usou seus conhecimentos de forma original.

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Da Linha Mestra À Estrutura da Apresentação

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Chris Anderson, no livro “TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público”, examina esta palavra: “estrutura”. Ela é crucial. Diferentes palestras podem ter diferentes estruturas ligadas à linha mestra central.

  1. Uma palestra pode começar com uma introdução ao problema em que o palestrante está trabalhando e contar uma história que o ilustre.
  2. Pode então passar para algumas tentativas históricas de solucionar o problema e dar dois exemplos que acabaram fracassando.
  3. Pode avançar com a solução proposta pelo palestrante, incluindo um fato novo e eloquente que sustente sua ideia.
  4. E pode terminar com três implicações para o futuro.

Imagine a estrutura da palestra como uma árvore. Há uma linha mestra central, que sobe verticalmente e na qual os galhos representam expansões da narrativa principal:

  1. um perto da base para a história de abertura;
  2. dois um pouco acima, na seção de história, para os exemplos fracassados;
  3. um para a solução proposta, que destaque o fato novo; e
  4. três no alto, ilustrando as implicações para o futuro.

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Jeito Certo e Jeito Errado de Palestrar

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Chris Anderson, no livro “TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público”, afirma que “o jeito errado de condensar sua palestra é incluir todos os fatos que você acha que precisa dizer e, depois, reduzir o tempo dedicado a cada um”.

Curiosamente, é bem possível que você consiga criar um roteiro que produza esse resultado. Todos os pontos importantes que você deseja cobrir estão lá, de forma sucinta. O trabalho foi apresentado em toda a sua extensão!

Você pode até achar que há uma linha mestra ligando todos os aspectos, uma ampla fundamentação do trabalho. Você pode ter a impressão de que deu a essa preparação o melhor de si e fez o possível para se ajustar ao tempo concedido.

Entretanto, uma linha mestra que ligue muitos conceitos não funciona. Há uma consequência grave quando você passa muito depressa por diversos assuntos: eles não causam impacto. Continue reading “Jeito Certo e Jeito Errado de Palestrar”

Linha Mestra de uma Palestra

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Chris Anderson, no livro “TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público”,  destaca algo que acontece com muita frequência: “você está na plateia, ouvindo alguém falar, e percebe que a pessoa poderia fazer uma palestra excelente, melhor do que a que está fazendo.” Ele não suporta ver palestrantes de grande potencial estragarem sua chance.

O objetivo de uma palestra consiste em… dizer algo significativo. No entanto, é impressionante o número de palestras que não atingem esse objetivo. De fato, muitas coisas são ditas nelas. Mas, por um ou outro motivo, a plateia não recebe nada que possa levar consigo. Belos slides e carisma não fazem mal algum, mas, se o palestrante não presenteia o público com algo real e valioso, tudo o que ele fez, na melhor das hipóteses, foi entretê-lo.

A principal razão dessa tragédia é que o palestrante não preparou um plano correto para sua apresentação. Talvez a palestra tenha sido planejada tópico a tópico, ou mesmo frase a frase, mas em momento algum o autor se dedicou ao seu plano geral, à sua integralidade.

Existe uma expressão útil usada com frequência na análise de peças, filmes e romances, mas que também se aplica a palestras. É a “linha mestra”, o tema que une os elementos narrativos. Toda palestra precisa de uma. Continue reading “Linha Mestra de uma Palestra”

Quatro Estilos Negativos de Palestras

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Chris Anderson, no livro “TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público”, diz que existem inúmeras formas de preparar uma grande palestra. Antes de tudo, porém, é preciso levar em conta algumas dicas de segurança fundamentais. Certos estilos de palestra são ruins, perigosos tanto para a reputação do palestrante quanto para a satisfação da plateia. Eis quatro deles, dos quais convém fugir a todo custo:

  1. Conversa de vendedor;
  2. Divagações;
  3. Tédio organizacional;
  4. Desempenho motivador.

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Chega de Procrastinar

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Chris Anderson, no livro “TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público”, sugere que “você pode usar a oportunidade de falar em público como motivação para se enfronhar mais em determinado assunto. Em maior ou menor grau, todos sofremos de alguma forma de procrastinação ou preguiça. Em princípio, há muitas coisas que gostaríamos de conhecer melhor, “mas, sabe como é, essa tal de internet nos faz perder muito tempo”

A oportunidade de falar em público pode ser apenas o estímulo de que você precisa para se dedicar a um projeto de pesquisa sério. Qualquer um com um computador ou um smartphone tem acesso a grande parte da informação existente no mundo. É questão de começar a pesquisar e ver o que é possível descobrir.

Na verdade, as perguntas que você faz ao realizar sua pesquisa ajudam a criar o plano geral de sua palestra.

  1. Quais são as questões mais relevantes?
  2. Como elas se relacionam?
  3. Como explicá-las de maneira clara?
  4. Quais são os enigmas ainda sem boas respostas?
  5. Quais são as principais controvérsias?

Você pode usar sua viagem de descoberta para propor os momentos-chave de revelação da palestra. Continue reading “Chega de Procrastinar”