Armadilha da Liquidez ou Ciclo de Deflação da Dívida

A participação média do consumo das famílias no PIB brasileiro, entre 1995 e 2020, foi de 62,8%. Desde 2015, com a queda do investimento (FBCF) do patamar de 21% para 15% do PIB, gasto governamental no patamar de 20%, o consumo se aproxima de 65%. Os pequenos saldos do balanço comercial, em termos do PIB, sendo deficitário na década corrente, exceto nos anos de 2016 a 2018, levam à dedução de o mercado interno – e não o externo – ser o maior sustentáculo do crescimento da renda no Brasil.

O gráfico acima demonstra uma total correlação entre as evoluções do consumo das famílias e do PIB. Uma linha de pensamento econômico, denominada “novo-clássica”, adota uma visão do lado da oferta, porque enfatiza a capacidade produtiva de bens e serviços. As flutuações econômicas nesses modelos são impulsionadas por mudanças na capacidade produtiva da economia. Seus adeptos focam a produtividade dos fatores de produção.

A produção da economia seria determinada pelos recursos disponíveis para produção, e não por qualquer mudança na demanda. Na ausência de algum acidente climático ou sanitário, para justificar uma quebra de oferta, a única razão pela qual uma família cortaria seu consumo seria uma mudança em suas preferências ou crenças.

Essa visão dos fundamentos tem dificuldade em explicar contrações cíclicas nas economias. Na realidade, recessões graves são desencadeadas mesmo quando não ocorre nenhuma destruição da capacidade produtiva.

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Renda Básica Universal e Gestão do Dinheiro Público

Valores e comportamentos frente ao presente e ao futuro se refletem no grau de preocupação com o dinheiro disponível em fluxo de renda e no patrimônio líquido financeiro dos indivíduos. Pesquisa da ANBIMA, “Dinheiro na Trajetória da Vida do Brasileiro”, publicada em julho de 2017, procurou identificar grupos com um nível interno de homogeneidade e suficientemente heterogêneos frente aos demais.

Nessa segmentação, foram identificados, em pesquisa qualitativa, cinco grupos de comportamentos: sonhador (7%), despreocupado (12%), camaleão (27%), planejador (23%), construtor (30%). O tamanho de cada variava conforme o perfil geracional.

A geração Z (16 a 21 anos) se diferencia mais. Tem maior participação de sonhador (14%), despreocupado (17%), planejador (29%), e menor de camaleão (11%) e construtor (27%). Seus perfis ainda estão em formação.

Nas gerações X (40-52 anos) e baby-boomers – BB (53-72 anos), o perfil camaleão (34%) predomina sobre o planejador. Este vai perdendo participação de acordo com o aumento de idade: Z (29%), Y (25%), Z (20%), BB (18%).

Os comportamentos típicos de cada perfil são expressos nas seguintes características:

  1. Sonhador: investimento só se for com as grandes quantias necessárias para viabilizar seu projeto de vida megalomaníaco;
  2. Despreocupado: prefere viver o presente em lugar de se preocupar com o futuro, gasta com prazer sem pensar em investimento, acha sempre ser possível dar um jeito no fim, isto se ele viver até a longínqua aposentadoria;
  3. Camaleão: não sobra dinheiro para investimento, porque toda a renda recebida é gasta em consumo, conta com crédito emergencial para sobreviver a cada mês;
  4. Planejador: planeja um investimento automático de certa parcela da renda recebida, com metas definidas para cada ano, contando com a capitalização do seu dinheiro com foco no longo prazo;
  5. Construtor: poupa se tiver sobra de renda sobre o consumo, porque necessita de segurança para o futuro, e esse dinheiro guardado lhe dá segurança.

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Paradoxo Brasileiro: Baixar Juro Aumenta Poupança

Em artigo recente, “Impostos, Títulos de Dívida Pública ou Moeda”, publicado no GGN no dia 03/06/2020, contei brevemente a história da origem do mercado de títulos públicos nos séculos XIV e XV. Está na busca da capacidade de financiar guerras, ou seja, pagar soldados mercenários estrangeiros em soldo, moeda bizantina lastreada em ouro.

Em vez de pagar impostos, para cobrir os déficits provocados pela economia de guerra, os cidadãos ricos optaram por emprestar dinheiro para o governo, dominado por eles mesmos. Em compensação desses empréstimos, eles recebiam juros.

Além desses rendimentos, os cidadãos ricos também puderam obter liquidez. Tais títulos de dívida pública, com risco soberano, podiam ser vendidos a outros cidadãos, em mercado secundário, caso o investidor necessitasse de dinheiro de imediato.

A razão pela qual a rolagem dessa dívida ter continuidade se deveu aos ricos também controlarem as finanças públicas. Quem os emitia e vendia era também membro da autarquia compradora. Dessa forma, nasceu a exigência da elite em zelar, sobretudo, para seus juros serem sempre pagos, seja por impostos, seja por emissão monetária.

Na Era Moderna, políticas públicas na área de saúde, educação, segurança, etc., passam a justificar a ampliação da dívida pública. Títulos soberanos são uma forma segura de acumulação de riqueza financeira com a sobra dos rendimentos do trabalho recebendo juros do governo. O capital de origem trabalhista é majoritário.

Por exemplo, as participações relativas dos detentores da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) em maio de 2020 demonstra alterações significativas em relação a 2014, fim da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014). As Instituições Financeiras diminuíram de 30% para 26%, os Fundos (com segmentos de clientes PF) aumentaram de 20% para 26%, a Previdência Complementar elevou de 17% também para 26%, enquanto os investidores não-residentes diminuíram de 19% para 9%. Isso demonstra a perda de confiança do capital estrangeiro com a volta da Velha Matriz Neoliberal – VMN (2015-2020). Demais grupos permaneceram em torno de 14%.

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Desafio para Mercados e Planejadores Imperfeitos

Os Estados desenvolvimentistas se envolvem em grandes programas de investimento, seja realizando diretamente investimentos em energia, através de empresas estatais, seja através de parcerias público-privadas garantindo uma infraestrutura logística necessária. Em geral, o investimento direto estrangeiro focaliza em bens de consumo durável e/ou em criar uma base para exportação. Por conta das patentes tecnológicas, ele é indispensável à industrialização na fronteira de conhecimento.

Em geral, as economias com esse projeto de desenvolvimento industrial tinham grande território com recursos naturais disponíveis, inclusive para exportação e geração de capacidade de importar. Tinham também farta mão-de-obra na zona rural.

Com a mecanização do campo houve fator de repulsão para justificar a migração para a zona industrial. Faltava mais fatores de atração em bens públicos como os governos investirem em construção de habitações não precárias, cuidados de saúde pública, educação pública de qualidade, segurança pública, transporte urbano, enfim, um Estado de Bem-estar Social.

O Brasil, nos anos 1940-1980, foi o país com mais rápido crescimento de renda no mundo: média anual de 7,1% no PIB. Era como o sudeste asiático se tornou, principalmente após a reforma de Deng-Xiao-Ping na China em 1979, mas não só ela, como também Coreia do Sul, Taiwan, Singapura, Vietnam, etc.

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Impostos, Títulos de Dívida Pública ou Moeda

Uma situação emergencial como nesta pandemia está sendo comparada com Economia de Guerra. Esta é um conjunto de práticas econômicas excepcionais, aplicadas durante certos períodos históricos de extremo isolamento econômico. Geralmente, mas nem sempre, estão ligadas à ocorrência de conflito armado. Tais práticas tem como objetivo manter as atividades econômicas indispensáveis ao país, a autossuficiência em termos de garantia da produção de alimentos e o abastecimento de itens básicos ao consumo.

Para a administração de uma Economia de Guerra, de fato, quando é atacado por inimigo externo, o Estado precisa exercer total controle da economia. Durante uma pandemia, não é o caso de atendimento das necessidades militares como a priorização da autossuficiência em termos de produtos básicos e material bélico produzido pela indústria militar, o aumento da produção da indústria pesada, como a siderurgia, a aplicação de medidas para redução de consumo de energia, o recurso à mão de obra feminina de baixo custo para preencher postos de trabalho antes ocupados por homens convocados pelas Forças Armadas, o fomento da agropecuária produtora de alimentos em lugar da agricultura de exportação, e a administração dos preços agrícolas.

Aplica-se também medidas de redução do consumo privado, incluindo o racionamento de produtos importados, tanto para a indústria, quanto para as famílias. Dado o esgotamento da capacidade produtiva, adota-se uma política monetária extremamente austera, visando evitar processos de “inflação verdadeira”, quando a demanda monetizada vai além da possibilidade real de oferta de produtos – e os preços disparam.

Dois debates públicos estão em pauta. Um diz respeito ao financiamento monetário do déficit público, provocado por gastos sociais necessários para pagamento de auxílio emergencial. Outro se refere a transformar esse auxílio em renda permanente, espécie de Renda Básica Universal (RBU), antevista como necessária, brevemente, quando o desemprego tecnológico por conta da automação e robotização resultantes da 4ª. Revolução Industrial se disseminar pela economia mundial.

A pergunta-chave, fácil de ser feita e complexa para ser respondida, de maneira não leviana, é dirigida a economistas: por que não se emite moeda para pagar a RBU?

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Populismo de Extrema-Direita Chocando o Ovo-da-Serpente Fascista

Na conjuntura vivenciada atualmente no Brasil, necessitamos conhecer as experiências tanto do populismo de direita, quanto do populismo de esquerda. Supostamente, esse conhecimento precaveria repetirmos erros políticos e econômicos já cometidos em outros países.

A Daily Observations é a principal publicação de pesquisa da Bridgewater, o maior fundo de hedge do mundo, fundado por Ray Dalio. Um relatório dela permite a leitura de uma síntese sobre o fenômeno do Populismo. Foi preparado por Ray Dalio, Steven Kryger, Jason Rogers e Gardner Davis e publicado, em 22 de março de 2017, após a eleição de Donald Trump, em 2016. Leia parte do relatório em: RAY DALIO e outros. Populismo – Falar em Nome do Povo.

No original, os coautores resumiram catorze casos de populistas em dez países em cerca de 55 páginas. Ray Dalio e equipe descreveram o que viram como o modelo populista arquetípico. Embora não haja dois casos idênticos, a maioria é semelhante a ponto de parecer existir uma espécie de “Manual Populista”.

Ao conhecer esses casos históricos, podemos os comparar a evolução dos casos contemporâneos. Propicia-nos entender melhor o fenômeno, para antecipar se ele pode se desenvolver hoje, por exemplo, nos Estados Unidos e no Brasil. Continuar a ler

Grande Mestre: Carlos Lessa, Intérprete do Brasil (1936-2020)

  

Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa era professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2003. Lessa foi professor do Instituto Rio Branco, ministrou cursos na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e no Instituto Latino-americano de Pesquisas (Ilpes), da ONU, da Universidade do Chile e da Unicamp. Foi ainda consultor da Fundação para o Desenvolvimento da Administração Pública (Fundap). É autor dos livros “Quinze anos de Política Econômica”, “O Conceito de Política Econômica: Ciência ou Ideologia?”, e “O Rio de todos os Brasis”, entre outros.

Foi meu professor de “Economia Brasileira”, dividindo a docência com a professora Maria da Conceição Tavares, ela ensinando a evolução cíclica, ele dando aulas sobre a política econômica, no primeiro curso oferecido em conjunto por eles no Mestrado da UNICAMP, em 1976. Era um espetáculo, cada qual dando o melhor de si. Considero o Lessa o melhor orador entre todos os economistas. Ninguém o consegue superar em metáforas humorísticas!

Sempre o admirei por sua imensa cultura e prazeroso humor. Assisti-lo ou conversar com ele era divertidíssimo. Mesmo quando tínhamos nossas diferenças políticas, ambos sendo militantes no início dos anos 80, reencontrávamos em reuniões político-sindicais, provocávamos um ao outro, e ríamos!

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211,5 Milhões sob um Trouxa

Em videoconferência promovida pelo Itaú BBA, no dia 9 de maio de 2020, o ministro parasita da Economia, centralizador da Fazenda, Planejamento, Trabalho, Previdência, Indústria e Comércio sob seu oportunismo de aliar sua casta de mercadores-financistas à casta dos militares, criticou a concentração do sistema bancário do Brasil. Para ele, com reformas neoliberais haverá ampliação de investimentos e a economia ficará mais competitiva.

“Em vez de termos 200 milhões de trouxas sendo explorados por seis bancos, seis empreiteiras, seis empresas de cabotagem, seis distribuidoras de combustíveis; em vez de sermos isso, vai ser o contrário. Teremos centenas, milhares de empresas”.

O posto Ipiranga assumiu todo o poder sob o olhar complacente e ignorante de seu capitão tendo como principal projeto cortar os direitos previdenciários dos trabalhadores brasileiros. Cumprida essa missão, não consegue entregar nenhum projeto de retomada do crescimento da renda e do emprego na economia brasileira – mas continua parasitando nossa vida pública, ou seja, vivendo à custa dos “trouxas”.

Suas ideias nefastas constituem a pura ideologia neoliberal. Sua parolagem é defender “reformas estruturantes no país para estimular investimentos e criar uma classe média empreendedora como forma de estimular a economia.” Em sua tagarelice, lengalenga, conversa sem consequência, haveria maior valorização dos trabalhadores, porque a mão-de-obra seria menor. Pasme com tanta ignorância!

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Endividamento Externo Corporativo

Analistas sensatos, pragmáticos e não ideológicos, já reconhecem: um problema fundamental é os sistemas financeiros modernos serem deixados livres. Inevitavelmente, eles criam dívidas em quantidades excessivas e, em particular, dívidas não dirigidas a financiar novos investimentos produtivos, mas à compra de ativos já existentes, sobretudo imóveis.

Essa criação excessiva de dívida impulsiona os booms e, em consequência, os crashes financeiros. A desalavancagem financeira deixada como herança é a explicação da anemia na recuperação da crise financeira desde 2009.

Após anos de rápido crescimento do crédito, muitas empresas e famílias ficaram super comprometidas com dívidas para apostar em tendência firme de alta dos preços dos imóveis. Depois, quando a confiança no aumento desses preços diminuiu, elas cortaram o investimento e o consumo na tentativa de reduzir suas dívidas e recompor patrimônio líquido. Essa tentativa de desalavancagem financeira ainda impede a recuperação.

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Tradução do “Financês”: Sistema de Crédito Privado

E agora, mercado de capitais? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu…

As emissões de mercado de capitais registraram captação de R$ 19,7 bilhões, em março de 2020, uma redução de 57,8% em relação ao mês anterior. No ano, o total captado de R$ 81,4 bilhões ainda superou os R$ 60,6 bilhões do mesmo período do ano passado.

Os efeitos da crise sanitária no país e no mundo, detonada em março de 2020, levaram a um processo de postergação das operações de mercado de capitais diante da incerteza dos investidores quanto à evolução da pandemia no curto e médio prazo. As maiores captações foram das debêntures com R$ 5,6 bilhões (equivalente a 28 operações). Representaram 28,6% do total. As ofertas subsequentes de ações (follow-ons) vinham apresentando volume relevante nos últimos meses, assim como as captações externas de títulos e ações, mas não registraram mais nenhuma captação.

No trimestre, as debêntures registraram captação de R$ 16,8 bilhões, contra R$ 28,1 bilhões do mesmo período do ano passado. Até março, os maiores subscritores de ofertas públicas foram os próprios intermediários e participantes ligados à oferta, com 77,8% do volume ofertado. Os fundos de investimento ficaram com apenas 17,5 %.

O prazo médio de colocação foi de 6,2 anos contra 4,9 anos das emissões registradas no primeiro trimestre de 2019. Desses recursos, 42,3% foram direcionados para o capital de giro. O refinanciamento do passivo das empresas, incluindo a recompra ou resgate de debêntures de emissão anterior, o item mais relevante nas captações de debêntures nos últimos anos de desalavancagem financeira, representou 24,2% da captação.

Os rendimentos negativos em Fundos de Investimentos com debêntures corporativas em suas carteiras levaram à solicitação massiva de resgates em março de 2020. O mercado de crédito privado sofreu o efeito de R$ 25,8 bilhões em resgates em fundos com esses papéis encarteirados. Com esse resultado, o patrimônio líquido deles caiu 14%, para R$ 174 bilhões de fevereiro para março.

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Tradução do “Financês”: Sistema Cambial

Apesar de usar US$ 48 bilhões das reservas internacionais, desde junho de 2019, e oferecer operações de swap cambial, o Banco Central do Brasil, diminuindo a taxa de juros, não conseguiu estancar a fuga de capitais e a depreciação da moeda nacional em ¼ de seu valor. Confira no Quadro acima.

Política cambial é o conjunto de ações governamentais, especialmente do Banco Central, diretamente relacionadas ao comportamento do mercado de câmbio. Destacam-se as ações referentes à estabilidade relativa das taxas de câmbio e ao equilíbrio no balanço de pagamentos.

O aumento da oferta de moeda estrangeira (o dólar, por exemplo) na economia tem como resultado a redução da cotação dessa moeda em relação à moeda nacional. Em sentido oposto, a redução da oferta de moeda estrangeira resulta no aumento de sua cotação.

As taxas de câmbio estão sujeitas à influência não só de variáveis relacionadas ao mercado brasileiro, mas também de forças de mercado globais. Variações na oferta de moeda estrangeira estão associadas às entradas e saídas de recursos destinados a investimento (direto ou em carteira) ou outras transações (pagamentos de exportações e importações de bens e serviços, rendas, aluguéis, etc.).

Os fundamentos macroeconômicos, como paridade entre taxa de juro interna e externa, saldo do balanço de transações correntes e paridade entre poder de compra interno e externo, além das operações especulativas no mercado de câmbio e a própria política cambial, são os determinantes principais da taxa de câmbio.

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Economia como um Componente de um Sistema Complexo

Leitor dos meus artigos no GGN, José Pontes, professor da UERJ/GESAR e aposentado pela COPPE-UFRJ, gentilmente, enviou-me seu artigo “Determinism, Chaos, Self-Organization and Entropy”, publicado nos Anais da Academia Brasileira de Ciências (2016). Ele percebeu termos interesse comum nessa área de conhecimento, apesar de sermos de origens profissionais distintas.

Entre os avanços e mudanças trazidos pela Ciência ao longo do século XX, dois são, em seu ponto de vista, de particular importância e abordados nesse trabalho:

  • por um lado, o fim de determinismo mecanicista, originário da extrapolação das realizações do sistema mecânico newtoniano nos séculos XVII e XVIII, e
  • por outro, o fim da aparente incompatibilidade entre a Biologia, onde o surgimento de estruturas ou emergência de ordem é lei, e a Física, postulando, desde século XIX, uma progressiva perda de ordem (ou desordem) em sistemas naturais, quantificados por um irreversível aumento da entropia.

Reconhece três mecanismos desempenharem papel-chave na construção de ordem:

  1. a condição necessária de não linearidade, presente em muitas das leis de evolução,
  2. o distanciamento do equilíbrio, onde os planos individuais seriam compatíveis entre si e com a disponibilidade de recursos naturais, produtivos e financeiros, e
  3. o novo paradigma, emergente nos últimos quarenta anos, onde redes apresentam propriedade coletivas de ordem não encontradas nos “nós” individuais, mas sim nos elos e/ou interconexões dinâmicos.

Discute como a difusão do determinismo, ocorrida nos princípios da Civilização Ocidental, levou à extrapolação desses princípios além dos limites do movimento progressivamente ocorrido nos corpos. As consequências dessa extrapolação provocaram conflitos científicos. A partir deles, atualmente, está disponível nova visão da evolução. O futuro esperado pode ser alterado ao se afastar das condições iniciais.

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