Economista: Agente Racional

Número de Concluintes em Áreas de Negócios

Há racionalidade em se tornar um economista? De acordo com a Tabela de Salários no Brasil, elaborada pela consultoria Robert Half e publicada pela revista Exame, o salário inicial de um economista é de R$ 3.000,00, podendo chegar a R$ 40.000,00:

  • Economista Júnior: R$ R$ 3.000,00 a R$ 6.000.00
  • Economista Pleno: R$ 6.000,00 a R$ 10.000,00
  • Economista Sênior: R$ 10.000,00 a R$ 20.000,00
  • Economista Chefe: R$ 20.000,00 a R$ 40.000,00

O levantamento salarial do site de empregos Catho indica que o cargo de economista tem salário a partir de 3 mil reais, podendo chegar a 6,5 mil reais. A média salarial nacional para a posição de economista, segundo o site, é de R$ 3.780,21.

O site SALARIÔMETRO (http://www.salarios.org.br/#/salariometro) indica que o valor R$ 3.694,00 representa o salário médio inicial para a ocupação CBO 251215 – Analista Financeiro (economista) com o perfil escolhido nesta consulta. Foi calculado com base em todas as 1398 contratações observadas entre nov/2015 e abr/2016. Já com base nas 436 contratações observadas na faixa de idade de 25 a 29 anos, o valor era de R$ 3.822,00. Com base nas 43 contratações observadas de profissionais na faixa de idade de 50 a 64 anos, o valor era de R$ 4.914,00. Continue reading “Economista: Agente Racional”

Pergunta-Chave: Economistas são necessários?

Relação:C:V 1991-1996-2002Número de Cursos Matrículas e Concluintes 1990-95-2002A queda da relação candidato / vaga do curso de Economia em IES privada vem desde a Era Neoliberal (1990-2002) como a Tabela 3 acima indica. Em que pese isso, a oferta de vagas em faculdades privadas continuou se expandindo.

Em 2014, formaram-se 5.569 economistas, ou seja, número abaixo do de 2002 (7.654) e pouco acima do de 1990 (5.343) — ver Tabela 4. Grosso modo, nesse quarto de século, é possível estimar que graduou-se um número próximo de 150 mil economistas. Será que todos estão ocupados? Exercem a profissão?

Face ao debate a respeito dos motivos da queda da demanda por cursos de Economia que não pertencem a centros de ensino de excelência, é comum se confundir demanda por formação em Ciências Econômicas com demanda do mercado de trabalho. Para essa hipótese ser verdadeira, os adolescentes-vestibulandos teriam informações perfeitas sobre flutuações da conjuntura econômica! E, sendo assim, dispensariam estudar Economia… Continue reading “Pergunta-Chave: Economistas são necessários?”

Profissão: Economista

Área de Negócios 2003 X 2014

Coordenadores de Ensino têm se queixado da queda da demanda de vestibulandos pelo Curso de Economia. Muitos cursos ficam em torno da média, por exemplo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL): 3 candidatos / vaga (C/V). Em 2015, PUC-SP ficou com C/V de 2,3 e a PUC-RJ, 4,9 (541 por 110). Esta aumentou para 5,3 em 2016. No caso da UFRJ, em 2010, teve 1.292 candidatos para 160 vagas, ou seja, C/V de 8,1. Em 2011, diminuiu a oferta de vagas para 120 e com 1.389 candidatos aumentou sua relação para 11,6. Ela fica na Praia Vermelha.

Na Praia de Botafogo, a FGV/EPGE – Escola Brasileira de Economia e Finanças, apenas no período diurno, conceito 5 (Máximo) no ENADE, obteve relação C/V de 15,1 no vestibular de 2015. A FGV/EESP – Escola de Economia de São Paulo, cobrando mensalidade de R$ 3.506,00, exigindo período integral, também obteve relação C/V de 15 no primeiro vestibular do mesmo ano 2015.

Por sua vez, o INSPER, cujo valor da mensalidade para Administração e Economia durante o ano de 2016 é R$ 3.920,00, enquanto o de Engenharia é R$ 3.136,00, oferece 150 vagas em Administração (concorrência de 6,62 candidatos/vaga) e 75 em Economia (concorrência de 4,81 candidatos/vaga). Seu aluno pode obter dupla titulação em Administração e Economia, cumprindo horário integral (manhã e tarde) com apenas um ano a mais de estudo. Com apenas mais um ano de pagamento dessa mensalidade, ele pode se graduar em ambos os cursos. Como isso é possível? O INSPER afirma que sua grade curricular é fortemente integrada.

A FUVEST 2016, encarregada do vestibular da USP, anunciou para Economia, Administração, Ciências Contábeis e Atuária em São Paulo 590 vagas para 5745 candidatos, ou seja, a relação C/V de 9.7. Para Economia Empresarial e Controladoria em Ribeirão Preto, respectivamente, 63; 373; e 5,9. Para Economia em Piracicaba: 40; 299; e 7,5. Para Economia em Ribeirão Preto: 40; 465; e 11,6.

O IE-UNICAMP tem uma trajetória histórica distinta em termos de sua demanda comparada com a desses cursos. No vestibular de 1996, ofereceu 70 vagas e teve 1.190 inscritos: C/V de 17. Em 2003, já com a ampliação de mais 35 vagas em Curso Noturno, teve neste a C/V de 21,2 e aumentou no Integral para 21,5. Em 2015, aumentou neste Integral para 24,4 e em 2016 para 25,6. No Noturno, nesses últimos anos, C/V de 21,7 e 26,1. Em outras palavras, sua graduação (“heterodoxa”, sic) se destaca por ter demanda “fora-da-curva”, isto é, com inclinação positiva e crescente! Continue reading “Profissão: Economista”

Formação Tardia da Sub-Casta dos Sábios-Universitários no Brasil

Evolução das Estatísticas do Ensino Superior no Brasil 1962-1998Gráfico 1962-1998

O atraso cultural de nosso País está revelado na história brasileira da formação tardia da sub-casta dos sábios-universitários. Ela se diferencia da casta dos sábios-pregadores ou sacerdotes de outrora. Está bem ilustrada no gráfico acima. Antes da “modernização conservadora” da ditadura, ocorrida após o Golpe Militar de 1964, só se formaram 19.049 profissionais universitários em 1963. Eram 4,3 alunos matriculados por docente.

Depois da retomada da democracia, no final dessa série temporal, em 1998, essa relação já tinha se multiplicado para 12,9. E a sub-casta recebia 274.384 profissionais universitários no ano. No total acumulado nesses 35 anos já tinham se formado 5.954.028 universitários no País que possuía população total de 169,5 milhões de habitantes. Essa minoria (elite intelectual?) era apenas 4%.

Vejamos outros aspectos quantitativos dessa história. Continue reading “Formação Tardia da Sub-Casta dos Sábios-Universitários no Brasil”

Intolerância Ideológica dos Neoliberais Golpistas com os Desenvolvimentistas

Rio de Janeiro - A economista Maria Silvia Bastos Marques, toma posse como nova presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no edifício-sede, centro do Rio (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Nomeada por um governo golpista, a economista Maria Silvia Bastos Marques não tem pudor de tomar posse como nova presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES): carreirismo…

Como um dos fundadores do Centro Celso Furtado, e abominando o discurso de ódio e intolerância ideológica predominante, aqui e agora, eu me solidarizo com o teor da seguinte mensagem que recebi da minha amiga Glorinha:

“Venho pensando no quanto a classe média se deixou enganar nesse processo de impeachment… Não quero fazer análise, pois o silêncio dela a mim me parece conter uma certa vergonha, pois eu a cada dia que passo mais envergonhada fico por ela…

Esta semana, entreguei para o Centro Celso Furtado uma pesquisa que demoramos dois anos para concluir: eu, o Prof. Victor Araújo, a Profa. Hildete e o Calos Renato. Estudamos o BNDES entre 1982 e 2004, haja vista que já tínhamos publicado, em 2010, o período compreendido entre 1952 e 1982.

Na pesquisa que agora realizamos, sob minha coordenação, além da análise de desempenho, entrevistamos treze ex-dirigentes do BNDES, que generosamente nos mostraram o que pensam sobre as privatizações, pois estas foram, durante algum tempo, o principal envolvimento do Banco, já que eram uma inovação em seu histórico papel.

Nos explicaram também como foi trabalhar com análise de crédito; porque foram utilizadas as chamadas “moedas podres”, que poucos sabem que favoreceu a troca de não recebíveis por recebíveis; instrumentos e conceitos contábeis utilizados; como o BNDES começou a financiar o agronegócios; como o Banco, depois de ter privatizado a Vale, no governo Lula da Silva recomprou suas ações….

Enfim, fizemos, do meu ponto de vista, com a decisiva colaboração de nossos entrevistados — dos quais nenhum deles é filiado ao PT, mas alguns são filiados ao PSDB e ao PMDB — um belo resgate de um debate que, no Brasil, mais uma vez permanece no campo ideológico.

Entregamos o trabalho para o Centro Celso Furtado na quinta feira, e na sexta feira a Mª. Silvia Bastos Marques, atual presidente do BNDES, nomeada pelo governo interino, deu uma “ordem de despejo” ao Centro Celso Furtado, que funciona nas dependências do Banco. Continue reading “Intolerância Ideológica dos Neoliberais Golpistas com os Desenvolvimentistas”

Educação Executiva Continuada

sucesso-e-felicidade

Françoise Terzian (Valor, 27/06/16) cita: “Não há nada tão inútil quanto fazer eficientemente o que não deveria ser feito.” A frase do austríaco Peter Drucker, o pai da Administração moderna, resume bem o resultado de uma escolha mal feita.

Ter um MBA de peso no currículo, o projeto da maioria dos profissionais, é mais difícil do que se supõe. Não pelo desafio de ser aceito na escola, frequentar todas as aulas e sair-se exemplarmente bem. Antes de todo esse processo, é preciso muito cuidado na hora de escolher a instituição e o MBA mais adequados ao seu perfil e, consequentemente, às metas profissionais.

O Brasil tem, pelo menos, 1.000 cursos de MBAs, segundo o Guia do MBA de 2016, lançado recentemente pelo jornal “O Estado de S.Paulo” em parceria com a Associação Nacional de MBA (Anamba). É tanta opção que a escolha equivocada pode levar à perda de tempo e de dinheiro.

Com a crise, a busca por MBAs aumentou, o que é um fator importante para se diferenciar no momento da recolocação. Afinal, um profissional que fica fora da escola por cinco anos está literalmente fora do mercado. Motivo: falta de atualização deixa o indivíduo, por mais experiente que seja, aquém dos outros.

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Pejotização

CNPJ X DIRPF

Compare na Tabela acima, retirada das DIRPF 2014 – AC 2013, cujas colunas com rendimentos per capita e bens per capita elaborei, a vantagem de ter CNPJ. Cerca de 689 mil dirigentes de empresas têm baixo rendimento tributável per capita (R$ 46.600 no ano de 2013) porque são recebedores de lucros e dividendos isentos. Só ocorre essa isenção no Brasil e na Estônia…

O argumento dos empresários (Pessoas Físicas) para receber suas isenções fiscais é que suas empresas (Pessoas Jurídicas) já pagam impostos, assim, caso não fossem isentos, eles sofreriam bi-tributação! Oh, coitados, isso ocorre em todos os países civilizados…

E sua média de posse de riqueza era a quarta maior entre todas as ocupações: R$ 1,820 milhões, isso considerando seus imóveis com valor histórico. E ainda se indaga a causa da concentração de renda e riqueza no Brasil ser tão disparatada

Observe o efeito-demonstração para outros profissionais liberais fantasiados de microempresários sem sócios nem empregados.

Nelson Mannrich e Breno Ferreira Martins Vasconcelos são sócios do escritório Mannrich, Senra e Vasconcelos Advogados. Publicaram artigo (Valor, 20/06/16) comentam o fenômeno que, sempre que dou uma palestra remunerada, para me pagar solicitam meu CNPJ — e eu não tenho! Só CPF. Resultado: descontam-me 27,5% de imposto de renda… Reproduzo o artigo abaixo.

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