Planos de Carreira Profissional e Desigualdade Salarial

Obs.: no mercado de trabalho formal, o salário médio das 10,202 milhões de pessoas com nível de Educação Superior (R$ 5.832,38) foi quase o triplo do pessoal sem nível superior (R$1.971,82). Em termos de salários mínimos, o salário médio era de 3,3 salários entre os homens e de 2,7 entre as mulheres, e de 2,1 salários mínimos entre as pessoas sem nível superior e 6,2 salários mínimos entre aqueles com nível superior. No ano de 2017, as 5 milhões de empresas e outras organizações ativas no País ocupavam, em 31 de dezembro, 51,9 milhões de pessoas (40 milhões dos 92 milhões de pessoas ocupadas são, então, informais), das quais 45,1 milhões como assalariadas, sendo 35 milhões sem Educação Superior. Todos juntos receberam R$ 1,7 trilhão em salários e outras remunerações. Essas e outras informações integram o estudo Estatísticas do Cadastro Central de Empresas – CEMPRE 2017, pesquisa-base do IBGE. 

Alguns cientistas estão empenhados em conhecer os fatores racionais e emocionais capazes de levar os indivíduos a gastar ou investir. Áreas distintas da ciência estão somando conhecimentos para estruturar o campo de estudo destinado a cumprir essa tarefa: a Neuroeconomia. Ela é resultado da união de ferramentas de investigação e conhecimentos da Psicologia, da Economia e da Neurologia. Esta tem sofisticados aparelhos de diagnóstico por imagem ou tomografia, por ressonância magnética funcional e/ou por eletroencefalograma portátil, em forma de capacete com eletrodos para mapear o funcionamento do cérebro sob determinados estímulos.

Ofereci, no semestre passado, um curso eletivo para alunos do último ano de graduação de Economia pela Unicamp para divulgar ensinamentos sobre a cultura financeira. São conhecimentos a respeito das formas de acumulação e manutenção de riqueza através da seleção de carteira de ativos. Ensinei técnicas de planejamento financeiro da vida pessoal até a aposentadoria, para substituir a renda do trabalho pela renda do capital financeiro e/ou imobiliário. É uma necessidade para todos os profissionais cujos vencimentos superam o teto do INSS (R$ 5.840 em 2019) com o objetivo de manter seu padrão de vida durante a aposentadoria.

Os alunos adquiriram uma educação financeira a respeito de rendas do trabalho, do capital produtivo, do capital financeiro, do capital imobiliário. Aprenderam rudimentos de neuromarketing para prevenções contra os impulsos emocionais para consumir. Obtiverem conhecimentos de Neuroeconomia ou psicologia dos investidores em Finanças Comportamentais. Discutirmos o que seria a economia da felicidade ou da boa vida. Na avaliação final, solicitei de cada aluno um planejamento financeiro da vida pessoal e/ou familiar, inclusive no período da aposentadoria.

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Algoritmos detectam Emoções: Previsão de Comportamentos Humanos

Marília de Camargo Cesar (Valor, 25/04/19) informa: o mercado de contact center, formado pelas empresas especializadas em serviços de atendimento ao consumidor, está migrando suas operações para a nuvem computacional, sistema pelo qual softwares e serviços são acessados via internet e pagos como se fossem uma conta de água ou luz. Com isso, os custos operacionais dessas empresas, que usam inteligência artificial para prever o comportamento do consumidor e fazer análise avançada de dados, estão caindo, o que ajuda a impulsionar e o desenvolvimento de novos produtos.

A tecnologia disponível já é capaz não somente de produzir sofisticados relatórios e métricas a partir das conversas com o cliente – feitas por telefone, pelo celular, por chats virtuais ou via site da companhia. Mas pode também analisar suas emoções e personalidade. Dependendo das palavras ou frases ditas ou escritas no diálogo, o software distingue o perfil e encaminha a chamada para o atendente que combine melhor com aquela pessoa.

Na Atento, maior empresa de contact center da América Latina, com 46 mil estações de trabalho e 80 mil funcionários, a adoção da plataforma Nice Nexidia, que avalia o comportamento dos clientes durante o atendimento, resultou num aumento de 40% na produtividade dos agentes. A checagem feita pelos supervisores das conversas dos atendentes passou a ser feita em menos tempo – de 1.300 segundos caiu para 800, por conversa. Continuar a ler

Quatro Tipos de Escritor segundo Design do Escritor

Os 4 tipos de escritor são, embora não pareça, uma ferramenta essencial do ponto vista literário, porque define a maneira como você escreve sua história.

Antes de tudo, há dois métodos básicos:

  1. o Método Criador diz respeito a apenas escrever e mais nada, escrevendo milhares de palavras sem parar, aproveitando o brainstorm, literalmente, tempestade cerebral, mas na verdade é uma série de ideias surgindo na sua mente até ela se esgotar.
  2. o Método Editor consiste em revisar o material já escrito de maneira a torná-lo mais legível e poético, e não só palavra ao lado de palavra.

Os Métodos em si têm de coexistir, mesmo quando você só escrever seus capítulos e os publicar, o simples fato de filtrar uma parte das ideias já seria no caso o Método Editor, enquanto escrever seria o Criador.

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Employer Brand Research: Preferências de Gerações Profissionais

Stela Campos (Valor, 25/04/19) informa: se puder escolher, o jovem brasileiro prefere trabalhar em uma multinacional. Ele quer um bom salário, benefícios, treinamentos e fazer parte de uma gestão sólida. Acima de tudo, espera ter estabilidade, o que significa que, para ele, as startups e suas incertezas não estão no radar neste momento.

Encantar os jovens e também os mais experientes é hoje o grande desafio para as companhias que estão empenhadas em melhorar a sua marca empregadora, sejam elas multinacionais ou startups.

Uma ampla pesquisa realizada pela Randstad, consultoria de capital humano, intitulada “Employer Brand Research” levantou o que atrai e o que desanima diferentes gerações em relação ao empregadores, em 32 países. No Brasil, foram entrevistados 4.073 profissionais, homens e mulheres, com idades entre 18 e 65 anos, sendo que a maior parte entre os 25 e 44 anos. São estudantes e profissionais, empregados e desempregados, predominantemente da região Sudeste do país.

As grandes lacunas, entre o que os empregados buscam e o que os empregadores oferecem no Brasil, dizem respeito a salário e benefícios, progressão de carreira e ambiente de trabalho. O que mais chama a atenção no levantamento, no entanto, sé quando se olha com lupa as demandas de cada grupo geracional. Continuar a ler

Efeito Halo: Viés da Primeira Impressão

Stela Campos (Valor, 02/05/19) narra: ao conduzir uma entrevista de emprego, o entrevistador costuma valorizar demais a primeira impressão sobre um candidato. Mesmo sem se dar conta, ele faz perguntas apenas capazes de reforçar a sua intuição. A tendência é ele supervalorizar essas respostas em detrimento de outras que deveriam ter maior peso, levando em conta os atributos requeridos para aquela vaga.

Um viés semelhante pode existir quando executivos precisam tomar decisões estratégicas importantes para o negócio como escolher o país onde deve ser instalada uma nova fábrica ou em qual startup devem investir. No geral, eles também se deixam levar por suas primeiras impressões e olham mais para os dados que corroboram com as suas expectativas.

A semelhança entre os processos de seleção de candidatos e de tomada de decisões estratégicas nas empresas é tema de um novo estudo conduzido pelo professor Daniel Kahneman, da Universidade de Princeton, vencedor do prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 2002, pelo professor de estratégia Olivier Sibony, da HEC Paris e pelo professor Dan Lovallo, da Universidade de Sidnei.

No estudo chamado “A Structure Approach to Strategic Decisions” (“uma aproximação estruturada para decisões estratégicas”), eles defendem os processos de entrevistas de emprego mais estruturados, usados por empresas como Google, Amazon e Mckinsey, garantirem maior assertividade nos recrutamentos. Por esta razão, podem servir de inspiração para gestores que precisam tomar decisões mais complexas.

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Trabalho na Vanguarda da Economia com Visão da Complexidade

Em “The Changing Face of Mainstream Economics”, escrito por David Colander, Ric Holt e Barkley Rosser (Middlebury College Economics Discussion Paper No. 03-27 – Department Of Economics – Middlebury College – http://www.middlebury.edu/~econ, November 2003), os coautores enfatizam a complexidade como um fator determinante do novo trabalho na vanguarda da Economia, porque lhes parece ser a visão por trás deste trabalho. Mas o trabalho real envolve um número grande de frentes. As pessoas ao trabalharem nessas frentes têm diferentes graus de conexão com a abordagem de complexidade mais ampla.

Junto com isso, e interagindo com isso, é uma nova abertura para ideias de outras disciplinas. Assim, a modelagem continua sendo o núcleo central da abordagem do mainstream, mas a natureza dos modelos complexos e os pressupostos subjacentes são muito mais abertos e transdisciplinar.

Há muita discussão agora sobre como descrever as pesquisas envolvendo mais de uma disciplina. O termo mais antigo é provavelmente multidisciplinar.

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Processo de Disseminação de Pensamento Econômico de Vanguarda

Em “The Changing Face of Mainstream Economics”, escrito por David Colander, Ric Holt e Barkley Rosser (Middlebury College Economics Discussion Paper No. 03-27 – Department Of Economics – Middlebury College – http://www.middlebury.edu/~econ, November 2003), os coautores sugerem: quando uma ideia é expressa em um modelo aceitável, o processo de disseminação é longo e prolongado. Funciona ao longo das seguintes etapas.

O trabalho na ponta geralmente aparece primeiro em documentos de trabalho apresentados em seminários de pós-graduação e oficinas incubadoras de novas ideias em Economia, embora às vezes essas ideias sejam inicialmente geradas por pessoas fora desses seminários. As ideias nesses documentos de trabalho gerarão discussões entre os professores em escolas de pós-graduação.

Algumas serão banidas sumariamente [muitas pelo argumento ad hominem (ao homem): desqualificação do interlocutor 
por não ser especialista ou 
por juízo negativo de suas intenções, atacando a pessoa, em vez da 
opinião dela, com a intenção de 
desviar a discussão e desacreditar a proposta desse oponente].

Outras serão tentativamente aceitas, e mencionadas aos professores de outras escolas. Algumas ideias geram um burburinho e, quando isso acontece, atrairá um interesse intenso. Aliás, isso geralmente ocorre antes da publicação.

Eventualmente, a ideia pode ser publicada em um dos principais periódicos ranqueados, mas essa publicação é frequentemente um processo de demarcação de lápides sobre apropriação da ideia alheia em vez de uma disseminação da nova ideia. A difusão da ideia em toda a elite da profissão já terá ocorrido, provavelmente, embora às vezes uma ideia seja publicada e não ser notada até algum tempo depois.

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