Eco-nomista e Narciso

Ranking 1 a 10Ranking 11 a 25Ranking 26 a 293Havia um ortodoxo chamado Narciso. Sua Academia, ansiosa por saber o destino profissional do estudante, consultou à deusa Capes, que emitiu um parecer via double-blind peer review:

Será ele reconhecido por revisão paritária ou arbitragem (refereeing em inglês)?

Desde que não leia a si mesmo, respondeu Capes. Assim, a Academia providenciou que o estudante dileto nunca lesse seu texto publicado em português.

O jovem acreditou ter uma inteligência única – e sua Academia cuidou de divulgar essa auto validação ilusória. Ele passou a ser admirado por todos ortodoxos quantos encontrava. Embora nunca tivesse lido o próprio texto, pressentia, pelas reações dos seus pares, que era inteligente; mas não conseguia ter certeza, e dependia que lhe dissessem quão inteligente era para se sentir confiante e seguro. Assim, tornou-se um profissional muito voltado para si mesmo. Continue reading “Eco-nomista e Narciso”

Remunerações de Executivos

Ganhos de remuneraçãoRemunerações de Financistas 2015Letícia Arcoverde (Valor, 10/08/15) informa que os cargos gerenciais da área de vendas estão entre os que mais tiveram ganho salarial neste ano na comparação com 2014, segundo estudo de remuneração da empresa de recrutamento Michael Page. Clique aqui para acessar o estudo. Os setores de tecnologia e de seguros também se destacaram em meio ao momento econômico turbulento, que resultou em salários de diversos setores e funções em queda ou com aumentos mais tímidos que o ano passado.

O estudo analisou os rendimentos fixos brutos de mais de 500 cargos de média e alta gerência, com base em entrevistas realizadas com mais de 100 mil profissionais ao longo dos últimos 12 meses. Os dados não descontam o valor da inflação no período.

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O Começo do Fim (por José Tadeu Jorge)

Campus UNICAMPO reitor da UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas, José Tadeu Jorge, 62 anos, doutor em Ciência de Alimentos, depois de muito tempo batalhar,  obteve “direito à resposta” na Folha de S.Paulo. Esta publicou uma reportagem leviana ao obter na Justiça o direito de publicar os nomes e salários de todos os professores da Unicamp. Não publicou nada sobre o ponto-chave da questão do teto salarial artificial.

Para que? Só serviu para mostrar como a política de “caçador de marajás” (sic), trazida por Collor ao imaginário nacional, encontra hoje um adepto na figura do Governador de São Paulo, potencial candidato à Presidente na eleição de 2018. O subsídio atual do governador paulista, de R$ 21.600, é o terceiro mais baixo da Federação, superior apenas aos do Ceará e do Espírito Santo. Com essa ruptura da carreira meritocrática, um Professor em Universidade Federal pode ganhar cerca de R$ 12 mil a mais do que um docente de mesmo nível em Universidade Estadual Paulista.  Reproduzo o artigo publicado na FSP, em 27 de agosto de 2015, abaixo. Continue reading “O Começo do Fim (por José Tadeu Jorge)”

Formar Cidadãos, Novos-Ricos ou Mão-de-Obra Barata?

TraineeOs programas de trainee das “Big Four“, grandes consultorias formadoras de pretendentes a se tornarem “novos-ricos”, atraem milhares de jovens todos os anos. Na EY, são cerca de cem mil inscritos para aproximadamente 800 vagas. Na PwC, a média é de 35 mil interessados a cada edição, para até 700 vagas. Na Deloitte o número de inscritos fica em cerca de 50 mil e, desses, mais ou menos 600 ingressam na consultoria a cada ano. Já na KPMG, a última edição do programa reuniu 27 mil interessados para 560 vagas.

Após o término do programa de trainee, 95% permanecem nas consultorias e, após esse período, o “turnover” na empresa fica em torno de 18%. Para quem fica, o cargo gerencial chega entre seis e sete anos e com 11 anos de carreira é possível se tornar sócio ou diretor executivo. Quantos restaram de sua turma com um turnover de quase 1/5 por ano?

E em que tipo de cidadão o “sobrevivente” novo-rico tende a se transformar? Veja, leia, e reflita.

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Teto Salarial nas Universidades Paulistas (por Alcir Pécora e Francisco Foot Hardman)

Salários da Unicamp

Neste último mês, a questão do teto salarial dos servidores na USP, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (Unesp) tem sido apresentada da mesma forma forçada e escandalosa – da qual, até agora, O Estado de S. Paulo tem sido uma grata exceção. Mais do que isso, já em editorial de 19/4/2014 (página A3)– disponível em http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,os-salarios-da-usp-imp-,1155916 – apresentava argumentos sólidos para inibir qualquer tentativa demagógica de tratar o assunto. Infelizmente, não foi o bastante. Quando há má-fé e tendenciosidade, é difícil que a razão prevaleça.

O primeiro ponto a considerar quando se fala em teto para os servidores universitários paulistas é que, segundo a Constituição federal, a matéria da educação pública superior deve ser tratada em termos nacionais, para a toda Federação, e não de forma regional. É o que está reforçado em extenso parecer, de 2013, do ex-ministro do STF Eros Grau. A prevalecerem como critério para tetos federal, estaduais e municipais os subsídios respectivos dos juízes do Supremo, dos governadores e dos prefeitos, poderia haver, em tese, 27 tetos estaduais e 5.600 tetos municipais – um contrassenso lógico, jurídico e social.

Ponderando, entre outros aspectos, o caráter nacional do conceito de educação pública superior, o Congresso Nacional aprovou a Emenda Constitucional n.º 47, em 2005, revendo a Emenda n.º 41, de 2003, que havia estabelecido aquela plêiade contraditória de tetos e subtetos. Facultava-se agora às unidades federativas, mediante emenda estadual, por decisão soberana de cada Assembleia Legislativa, ter como parâmetro o teto nacional, mas limitado a 90,25% deste, que equivalia ao subsídio máximo estabelecido para desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados.

Pois bem, nestes dez anos de vigência da Emenda n.º 47, nada menos que 20 das 27 unidades federativas aprovaram a revisão constitucional dos tetos estaduais. São Paulo ficou de fora, ao lado de mais seis Estados: Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Rondônia, Pará e Paraíba. Note-se ainda que nestes dois últimos Estados o subsídio do governador está em situação de paridade com o dos desembargadores, tornando desnecessária qualquer alteração. Portanto, a situação mais discrepante concentra-se apenas em cinco estados, entre eles, São Paulo. O subsídio atual do governador paulista, de R$ 21.600, é o terceiro mais baixo da Federação, superior apenas aos do Ceará e do Espírito Santo. Continue reading “Teto Salarial nas Universidades Paulistas (por Alcir Pécora e Francisco Foot Hardman)”

Pastiche do Caçador-de-Marajá

Matéria jornalística escandalosa, como é típica na imprensa brasileira, “não coloca o dedo na ferida” de maneira correta: o teto do governador tucano de São Paulo está artificialmente congelado para ferrar os servidores públicos que têm uma carreira docente baseada na meritocracia, avaliada por concursos públicos e defesas de teses acadêmicas. Geraldo Alckmin tem as benesses de poder não ter custos de manutenção, então, congela seu salário em cerca de 2/3 do nível dos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo federais, não acompanhando sequer os de outros governadores. Imaginem o que ocorreria no País caso esse sujeito fosse eleito Presidente da República como pleiteou em 2006…

No entanto, Diego Iwata Lima (FSP, 11/07/15) destaca não esse problema político, mas sim a infeliz declaração de um profissional ligado ao Poder Judiciário, que sabe se defender. Ele é o detentor do segundo maior salário da Unicamp: Octacílio Machado Ribeiro, procurador-geral da universidade. Ele diz não entender por que seus vencimentos brutos, de R$ 60,3 mil, continuam sendo reajustados. Desse montante, o procurador recebe R$ 39,7 mil líquidos mensais. Por que ele e não os professores titulares em final de carreira meritocrática?

“Eu não entendo por que o meu salário bruto continua sendo reajustado. O meu salário bruto sobe, mas as reduções também sobem proporcionalmente, de modo que meus vencimentos não se alteram”, afirma o procurador.

“Não há efeito prático, mas os recursos humanos da Unicamp decidiram que os salários brutos continuarão sendo reajustados, mesmo que isso não implique em ganhos para os servidores”, diz ele.

Congelado por força de decisão judicial, desde maio do ano passado, o salário do procurador não precisa obedecer ao teto de R$ 21.631,05 brutos válido para os professores. Os procuradores podem receber até R$ 30,3 mil. Por que?!

Reportagem da Folha mostrou que a Unicamp paga salários acima do teto a cerca de mil professores e técnicos, segundo dados da própria universidade divulgados nesta semana. Por que ela não mostrou que esse teto está congelado, artificialmente, por causa da política tucana de ajuste fiscal à custa dos salários de servidores públicos? Continue reading “Pastiche do Caçador-de-Marajá”

Quem Deve, Teme… e Treme para “Ganhar Um Cala-Boca”

Remuneração de CD e CA 2009-2013Thais Carrança (Valor, 28/05/15) informa que a remuneração dos Conselheiros de Administração das empresas de capital aberto cresceu acima da inflação em 2013, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

A pesquisa, realizada neste ano com base informações publicadas pelas empresas, mostra porém uma desaceleração em relação à alta identificada em 2012. O fenômeno deverá se aprofundar em 2014 e 2015, segundo o IBGC, diante da deterioração da situação econômica, com impacto sobre o lucro das empresas.

No entanto, o temor de executivos em assumir cargos em Conselhos de Administração, após a operação Lava-Jato, pode elevar os pagamentos a conselheiros um pouco mais adiante.

[FNC: Ora, quem não deve, não teme…]

A mediana da remuneração média anual do conselheiro por empresa saiu de R$ 129,5 mil em 2012 para R$ 144,6 mil em 2013, alta de 11,7% – diante de uma inflação medida pelo IPCA de 5,91% naquele ano. No caso dos diretores, a mediana da remuneração passou de R$ 1,099 milhão para R$ 1,235 milhão, em crescimento de 12,3%, em igual base de comparação.

[FNC: Ora, ora, a bagatela de R$ 10 mil (e um décimo-terceiro) por uma reunião mensal dos CAs e de R$ 100 mil por mês para cada diretor… ‘Tadinhos, têm que se locupletar…]

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