Escola Superior de Administração Bancária (ESAB)

Castelo para formar gestores dos Bacens

Antes de ler a reportagem abaixo, eu já andava defendendo, em textos e palestras, que talvez a solução para o problema de interferência política na escolha de dirigentes nos bancos públicos, inclusive para os do Banco Central do Brasil, esteja na exigência, para todos os candidatos, de formação em uma Escola Superior de Administração Bancária (ESAB), ou seja, uma pós-graduação de excelência à semelhança do Instituto Rio Branco do Itamaraty ou da ESAF – Escola Superior de Administração Fazendária. Se tanto servidor público concursado quanto profissional interessado na carreira, ambos fossem obrigados a ter cumprido essa obrigação, previamente a qualquer indicação governamental, a qualificação seria superior.

Schloss Hachenburg

Tom Fairless (WSJ apud Valor, 16/05/16) informa que, por trás das muralhas de um castelo do século XII que se ergue acima das florestas de um vale de Hachenburg, na Alemanha, a quase 50 quilômetros da cidade grande mais próxima, o país está formando sua primeira linha de defesa contra a instabilidade estrangeira.

Muito tempo atrás, o Schloss Hachenburg era um palácio de condes locais. Agora, é uma escola para uma elite acadêmica composta por cerca de 350 jovens, de ambos os sexos. O castelo oferece apenas um curso: bancos centrais. E que tipo de estudante o frequenta? Os que têm “aversão ao risco”, diz o reitor, Erich Keller.

A antiga moeda da Alemanha, o marco, desapareceu em 2002 com a chegada do euro, e o país indica apenas um dos 25 membros do conselho diretor do Banco Central Europeu (BCE), o mesmo número que a ilha de Malta. Ainda assim, o Bundesbank, o banco central alemão, e sua universidade particular aqui no castelo, chamada Universidade Deutsche Bundesbank de Ciências Aplicadas, continua produzindo formandos.

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Executivos versus Empresas e Arrocho Salarial

Remuneração de Executivos

Letícia Arcoverde (Valor, 07/04/2016) informa que a remuneração executiva nas empresas brasileiras não está alinhada com resultados financeiros que geram valor e trazem retorno aos acionistas, segundo um estudo da consultoria PwC e da Fundação Getulio Vargas (FGV) com 134 companhias de capital aberto. A maioria delas (76%) não registrou geração de valor e teve queda no lucro líquido, mas ainda assim aumentou a remuneração fixa e variável de seus altos executivos.

As organizações incluídas no estudo compõem o Índice de Governança Corporativa da Bovespa, e estão listadas no Novo Mercado ou nos níveis 1 e 2 da bolsa. Das companhias analisadas, 42% apresentaram faturamento acima de R$ 3 bilhões em 2014. Não foram incluídas instituições financeiras, por causa das diferenças nas regras contábeis. A pesquisa teve como base os demonstrativos financeiros e os formulários de referência, que incluem informações sobre remuneração executiva, publicados entre 2010 e 2015.

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Processo de “Pejotização”: de Salários Tributados para Lucros e Dividendos Isentos

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Marta Watanabe (Valor, 07/03/16) divulga estudo de José Roberto Afonso, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), e de Paulo Vales, engenheiro e consultor de empresas, comprovando que parcela importante dos empregados com carteira assinada, principalmente os de alta renda, está se transformando em pessoa jurídica. Essa mudança estrutural do mercado de trabalho tende a se agravar com a recessão e compromete o subsídio cruzado do regime previdenciário, sistema pelo qual os trabalhadores de maiores salários financiam os de renda mais baixa.

Para Afonso, os dados da Pnad trimestral, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já mostram o efeito da recessão sobre essa mudança estrutural. Segundo a Pnad, os trabalhadores do setor privado com carteira assinada representavam 39,2% da população ocupada no fim de 2013. No trimestre encerrado em novembro do ano passado, dado mais recente disponível, a fatia caiu para 38,4%. No mesmo período o trabalhador por conta própria avançou na participação de 23,2% para 24,5%.

“O desemprego cresceu inicialmente entre aqueles assalariados de maior renda. Há uma troca clara e rápida de posição entre aqueles ocupados com carteira assinada relativamente aos trabalhadores por conta própria”, diz Afonso.

A crise tende a acentuar a migração de trabalhadores com maior renda para o grupo das pessoas jurídicas. Essa transformação, porém, acontece há mais de uma década. O levantamento foi realizado para a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).

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Eco-nomista e Narciso

Ranking 1 a 10Ranking 11 a 25Ranking 26 a 293Havia um ortodoxo chamado Narciso. Sua Academia, ansiosa por saber o destino profissional do estudante, consultou à deusa Capes, que emitiu um parecer via double-blind peer review:

Será ele reconhecido por revisão paritária ou arbitragem (refereeing em inglês)?

Desde que não leia a si mesmo, respondeu Capes. Assim, a Academia providenciou que o estudante dileto nunca lesse seu texto publicado em português.

O jovem acreditou ter uma inteligência única – e sua Academia cuidou de divulgar essa auto validação ilusória. Ele passou a ser admirado por todos ortodoxos quantos encontrava. Embora nunca tivesse lido o próprio texto, pressentia, pelas reações dos seus pares, que era inteligente; mas não conseguia ter certeza, e dependia que lhe dissessem quão inteligente era para se sentir confiante e seguro. Assim, tornou-se um profissional muito voltado para si mesmo. Continue reading “Eco-nomista e Narciso”

Remunerações de Executivos

Ganhos de remuneraçãoRemunerações de Financistas 2015Letícia Arcoverde (Valor, 10/08/15) informa que os cargos gerenciais da área de vendas estão entre os que mais tiveram ganho salarial neste ano na comparação com 2014, segundo estudo de remuneração da empresa de recrutamento Michael Page. Clique aqui para acessar o estudo. Os setores de tecnologia e de seguros também se destacaram em meio ao momento econômico turbulento, que resultou em salários de diversos setores e funções em queda ou com aumentos mais tímidos que o ano passado.

O estudo analisou os rendimentos fixos brutos de mais de 500 cargos de média e alta gerência, com base em entrevistas realizadas com mais de 100 mil profissionais ao longo dos últimos 12 meses. Os dados não descontam o valor da inflação no período.

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O Começo do Fim (por José Tadeu Jorge)

Campus UNICAMPO reitor da UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas, José Tadeu Jorge, 62 anos, doutor em Ciência de Alimentos, depois de muito tempo batalhar,  obteve “direito à resposta” na Folha de S.Paulo. Esta publicou uma reportagem leviana ao obter na Justiça o direito de publicar os nomes e salários de todos os professores da Unicamp. Não publicou nada sobre o ponto-chave da questão do teto salarial artificial.

Para que? Só serviu para mostrar como a política de “caçador de marajás” (sic), trazida por Collor ao imaginário nacional, encontra hoje um adepto na figura do Governador de São Paulo, potencial candidato à Presidente na eleição de 2018. O subsídio atual do governador paulista, de R$ 21.600, é o terceiro mais baixo da Federação, superior apenas aos do Ceará e do Espírito Santo. Com essa ruptura da carreira meritocrática, um Professor em Universidade Federal pode ganhar cerca de R$ 12 mil a mais do que um docente de mesmo nível em Universidade Estadual Paulista.  Reproduzo o artigo publicado na FSP, em 27 de agosto de 2015, abaixo. Continue reading “O Começo do Fim (por José Tadeu Jorge)”

Formar Cidadãos, Novos-Ricos ou Mão-de-Obra Barata?

TraineeOs programas de trainee das “Big Four“, grandes consultorias formadoras de pretendentes a se tornarem “novos-ricos”, atraem milhares de jovens todos os anos. Na EY, são cerca de cem mil inscritos para aproximadamente 800 vagas. Na PwC, a média é de 35 mil interessados a cada edição, para até 700 vagas. Na Deloitte o número de inscritos fica em cerca de 50 mil e, desses, mais ou menos 600 ingressam na consultoria a cada ano. Já na KPMG, a última edição do programa reuniu 27 mil interessados para 560 vagas.

Após o término do programa de trainee, 95% permanecem nas consultorias e, após esse período, o “turnover” na empresa fica em torno de 18%. Para quem fica, o cargo gerencial chega entre seis e sete anos e com 11 anos de carreira é possível se tornar sócio ou diretor executivo. Quantos restaram de sua turma com um turnover de quase 1/5 por ano?

E em que tipo de cidadão o “sobrevivente” novo-rico tende a se transformar? Veja, leia, e reflita.

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