Guia para Aposentadoria

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Para os “inocentes-úteis” que apoiaram o golpe parlamentarista na democracia brasileira, agora, já deve estar claro que o único propósito do conluio parlamentar golpista sob a liderança do duo PMDB-PSDB e partidos satélites foi:

  1. defender os parlamentares implicados no financiamento eleitoral corrupto e
  2. tomar “medidas impopulares” favoráveis à solvabilidade da dívida soberana e ao mercado de Previdência Complementar e outros ativos financeiros.

A reforma proposta pelo governo não eleito e sem legitimidade política na Previdência Social fará o brasileiro trabalhar mais tempo para, em muitos casos, receber uma aposentadoria menor do que a assegurada pelas regras em vigor, se a ala golpista do Congresso aprovar as mudanças. Só não fará isso se houver imensa pressão social contra esses congressistas oportunistas.

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição), apresentada no dia 6 de dezembro de 2016, define idade mínima de 65 anos e 25 anos de contribuição como condições para a aposentadoria de todos os trabalhadores, homens ou mulheres, incluindo funcionários públicos.

Para receber o valor máximo a que tem direito, no entanto, o trabalhador terá que contribuir com a Previdência por 49 anos se o Congresso aprovar o plano do governo.

A proposta só assegura benefício equivalente a 51% da média salarial mais 1% por ano de contribuição. Uma pessoa que se aposentasse com o requisito mínimo (65 anos de idade e 25 de contribuição) receberia 76% do valor. Os outros 24% dependeriam de mais 24 anos de contribuição.

Hoje, quem contribuiu por 15 anos e tem 65 anos pode acessar 85% da sua aposentadoria. Pelas novas regras, teria de trabalhar 10 anos a mais do que isso –25 anos– e, mesmo assim, só teria acesso a 76% do seu benefício.

Os apoiadores do golpe nos benefícios sociais, cinicamente, dizem que “é necessário reduzir a chamada taxa de reposiçãoo valor da aposentadoria em relação ao salário. Eles aponta que, no Brasil, essa taxa é de 96%, enquanto a média mundial é de 69%”.

Só se esquecem que a renda média per capita de todas as fontes de brasileiros com rendimentos é apenas R$ 1.746,00, ou seja, cerca de dois salários mínimos!

O Brasil é um país com milhares de pobres e poucos ricos. Pela PNAD 2015, apenas 1,7% da população ocupada — considerando o contingente de 94,8 milhões em 2015, eram 1,6 milhão pessoas — recebiam mais do que dez salários mínimos (R$ 8.800), sendo a Classe B [10-20 SM] 1,4% e a Classe A [>20 SM] 0,3% ou 284,4 mil pessoas. A Classe C [2-10 SM] tinha 21% da PO, a Classe D [1-2 SM], 37%, tendo aumentado em 3,5 pontos percentuais em 2015, e a Classe E [<1 SM], 30,4%.

A nova fórmula proposta pelo governo golpista para o cálculo das aposentadorias com seu projeto de reforma da Previdência reduz o valor dos benefícios, independentemente do tempo de contribuição ou da idade do trabalhador.

Se a proposta for aprovada, o INSS passará a considerar todos os salários do trabalhador, incluindo os mais baixos, para calcular uma renda média ao longo da vida profissional e chegar ao valor do benefício mensal a ser pago.

Pelas regras atuais, salários mais baixos, correspondentes a 20% do período em que o trabalhador contribuiu com a Previdência, são descartados no cálculo, o que eleva o salário médio e, portanto, o valor do benefício.

É sobre a média salarial mais baixa que serão calculadas as aposentadorias se a reforma da Previdência for aprovada no Congresso como planeja o governo golpista e temeroso!

Além da idade mínima de 65 anos, o governo quer exigir 25 anos de contribuição ao INSS. Cumpridas essas exigências, o valor da aposentadoria será equivalente a no mínimo 76% da média salarial, mais 1% por ano adicional de contribuição com o INSS.

Para receber o valor integral, no entanto, seria preciso ficar na ativa por 49 anos. O teto para os benefícios pagos pelo INSS hoje é de R$ 5.189. Logo, todos os trabalhadores das classes ABC necessitarão providenciar Previdência Complementar, i.é, ativos financeiros como reservas para aposentadoria!

Trabalhadores enquadrados na regra de transição proposta pelo governo (homens com mais de 50 anos e mulheres com mais de 45) também teriam todos os salários considerados pelo cálculo.

A PEC prevê uma regra de transição para homens com 50 anos de idade ou mais e mulheres de 45 anos ou mais. Eles teriam que pagar uma espécie de pedágio para poder se aposentar, trabalhando 50% mais tempo do que o que faltar pelas regras atuais.

Uma pessoa que estiver a um ano da aposentadoria na data da promulgação da PEC teria de trabalhar um ano e meio para se aposentar. Pessoas que entrarem na transição, no entanto, também teriam de seguir a nova fórmula de cálculo dos benefícios.

A PEC também prevê um gatilho para elevar a idade mínima com o envelhecimento da população no futuro: sempre que a expectativa de sobrevida após os 65 anos aumentar um ano, a idade mínima subiria um ano. De acordo com as projeções do governo, a idade mínima poderia chegar a 67 em 2060.

Os economistas aculturados nos States defendem o governo golpista, dizendo que “ele acertou ao propor esse mecanismo. É um mérito desconstitucionalizar a idade de aposentadoria. Vários países do mundo estão adotando isso.” É uma vergonha nacional este tipo de gente submissa!

Os golpistas são indiferentes, por exemplo, à consequência social de deixar as viúvas pobres sem aposentadoria à mingua, pois elas ganharão a metade da pensão do falecido marido, deixando esta de estar vinculada ao salário mínimo!  Viverão com 1/2 salário mínimo?!

Não haverá mudança para quem já tiver direito adquirido quando a PEC entrar em vigor. “Nada, absolutamente nada, se altera para aquelas pessoas que já recebem suas aposentadorias, suas pensões, e também para aquelas pessoas que mesmo que não se aposentaram já completaram condições de acesso”, afirmou o secretário de Previdência, Marcelo Caetano. Quem acredita em palavra de golpista traidor?

Fernanda Brigatti (FSP, 06/12/16) escreveu uma espécie de Guia para Aposentadoria.

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50 Anos da UNICAMP: Instituto de Economia

ie-unicampO Instituto de Economia (IE) é conhecido pela produção de um pensamento crítico da teoria econômica ortodoxa, que teve como ponto de partida as reflexões sobre o desenvolvimento latino-americano feitas nos anos 1950 e 1960 pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) e se debruçou sobre particularidades do capitalismo brasileiro, ao propor um diagnóstico e um receituário diferentes dos que prevalecem nos países centrais.

Recorrendo a um conjunto de autores clássicos como John Maynard Keynes, Karl Marx ou Joseph Schumpeter, os economistas da Unicamp formaram o que se convencionou chamar de Escola de Campinas, que, em seus primórdios, ajudou a compreender, por exemplo, as origens da industrialização brasileira ou a formação do mercado de trabalho no país.

Mais tarde, seus pesquisadores ampliaram a diversidade de temas e se aprofundaram em linhas de pesquisa como inovação tecnológica, economia agrícola, inflação acelerada, sistema bancário brasileiro, teoria alternativa da moeda, desenvolvimento regional e urbano, concentração da riqueza e social-desenvolvimentismo.

Leia mais em reportagem de Fabrício Marques na Edição Comemorativa de 50 Anos da UNICAMP da Revista Pesquisa da FAPESP (setembro de 2016): Instituto de Economia – Unicamp

Perfil Geral da Profissão de Economista

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A ocupação de Economistas emprega 42,2 mil profissionais, ocupando o 169º lugar no ranking de ocupações no Brasil.

O município brasileiro que mais emprega nessa ocupação é São Paulo – SP com 10,8 Mil Empregos (26%).

A atividade de Administração Pública em Geral é a que mais possui Economistas com 4,37 Mil Empregos (10%). Em Educação, emprega-se 1,27 mil economistas.

A renda mensal média é de R$ 6,18 Mil

idade média dos empregados é de 36,6 anos (2014).

Atividade com maior renda média mensal: CAIXAS ECONÔMICAS com R$ 23,0 Mil

Obs.: a ocupação de Analistas Econômico-Financeiros emprega 65,3 mil profissionais, ocupando o 126º lugar no ranking de ocupações no Brasil. O município brasileiro que mais emprega nessa ocupação é São Paulo – SP com 24,5 mil empregos; e a atividade de Bancos Múltiplos, com Carteira Comercial é a que mais possui Analistas Econômico-Financeiros. A renda mensal média é de R$ 5,11 Mil e a idade média dos empregados é de 33,5 (2014). Continue reading “Perfil Geral da Profissão de Economista”

Rede de Relacionamentos: Panaceia

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O segredo da felicidade não é a ignorância, tampouco a redução das expectativas. Riqueza e fama, obsessões dos mais jovens, também não garantem nada. A chave para uma vida longa e feliz, revelam pesquisadores de Harvard, nos Estados Unidos, é a força dos relacionamentos com o parceiro, principalmente, mas também com a família e os amigos.

Atual diretor do estudo que descobriu a “fórmula mágica”, o psiquiatra Robert Waldinger se tornou uma celebridade disputada em todo o mundo. Na internet, uma palestra que ele proferiu sobre o tema já teve mais de 10 milhões de visualizações.

Em entrevista concedida à Folha (FSP, 06/09/16), o psiquiatra afirma que os resultados foram além do esperado. “Não me surpreende saber que relações fortes não só tornam as pessoas mais felizes, mas também as tornam mais saudáveis”, diz.

Com base em dados coletados durante quase oito décadas, os pesquisadores observaram que a manutenção de relacionamentos significativos é o principal fator de influência para o bem-estar e a saúde, capaz de reduzir o risco de doenças crônicas e mentais e a perda de memória. Continue reading “Rede de Relacionamentos: Panaceia”

Formação do Economista no Brasil Contemporâneo

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Resumo: O objetivo deste artigo — TDIE-279 – Formação do Economista no Brasil Contemporâneo — é apresentar alternativas metodológicas para o ensino de Economia no Brasil contemporâneo.

A análise do conteúdo dos cursos é realizada em três níveis de abstração:

  1. Ciência Econômica Abstrata ou Economia Pura,
  2. Economia Aplicada,
  3. Arte da Economia.

Cada um deles se divide entre:

  1. Economia Positivao que é – e
  2. Economia Normativao que deveria ser.

A principal proposta é de superação da formação “ortodoxa” dos economistas brasileiros por uma atualizada com a nova fronteira teórica pluralista e interdisciplinar.

Como argumentação em defesa da hipótese de que a formação contemporânea, em tempos de crise, deve ser mais generalista, exigindo maior abertura teórica e tolerância ideológica, faz uma breve análise da história do pensamento econômico brasileiro e examina a situação dos cursos e do profissional formado por eles.

MotivaçãoCarta Convite da ANGE ao Fernando Nogueira da Costa

cartaz_ange_2016Programação do XXXI Congresso da ANGE

Para Pregar Corte de Salários É Necessário Novo-Desenvolvimentista?

salarios-do-setor-publico-e-do-setor-privado Um efeito positivo da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014), com hegemonia de um partido de origem trabalhista na coalizão presidencialista, afinal traída e golpeada, foi a melhor distribuição da renda do trabalho, em que pese o agravamento da concentração da riqueza financeira e imobiliária. Outro foi a recuperação dos salários dos servidores públicos que tinham sido aviltados na Era Neoliberal (1995-2002).

Paradoxalmente, supostos aliados dos social-desenvolvimentistas, os economistas novos-desenvolvimentistas, além de pregar o choque cambial-choque inflacionário-choque de juros, passaram a defender o corte não só dos salários reais com esse triplo choque, mas também dos salários nominais do setor público! Surge logo a pergunta, com aliados como estes, quem precisa de inimigos como os neoliberais?

Bresser-Pereira, no artigo “Reflexões sobre o Novo Desenvolvimentismo e o Desenvolvimentismo Clássico” (Revista de Economia Política, vol. 36, nº 2 (143), pp. 237-265, abril-junho/2016), já tinha criticado que “o social-desenvolvimentismo não só carece do status de sistema teórico, mas também comete graves erros de política econômica e revela incapacidade de compreender os problemas políticos envolvidos no desenvolvimento econômico. Essa incapacidade origina-se em sua dificuldade para compreender a lógica do desenvolvimento capitalista – uma lógica frequentemente perversa, mas da qual o formulador de políticas não pode fugir. Tome-se por exemplo as crises econômicas e o custo dos ajustes macroeconômicos. Recaem sobre os trabalhadores, cujos salários são reduzidos, e sobre os rentistas, cujas taxas de juros e preços dos ativos caem, e não sobre os lucros, já que o objetivo do ajuste é restaurar a taxa de lucro”.

Sem dúvida, os social-desenvolvimentistas lutam para escapar dessa lógica – e fazer com que o custo do ajuste atinja principalmente os rentistas. Achamos que é possível alcançar esse objetivo, simplesmente, reduzindo-se a disparidade da taxa de juros. Contra essa instituição econômica extrativista – a maior taxa de juro do mundo fixada, arbitrariamente, pelo Banco Central do Brasil – que todos os desenvolvimentistas deveriam se aliar – e não digladiar uns contra os outros.

Decorrente desse argumento que a lógica perversa é inelutável, os novos-desenvolvimentistas propõem-se a defender, aliando-se assim aos neoliberais, o corte de gastos com pessoal no governo! Continue reading “Para Pregar Corte de Salários É Necessário Novo-Desenvolvimentista?”