Redução da Jornada de Trabalho Semanal para quatro dias: bandeira-de-luta

BBC News Brasil (FSP, 07/09/19) fez uma reportagem sobre tema defendido por mim como um novo direito da cidadania a ser conquistado: a redução da jornada de trabalho semanal para quatro dias.

A história é familiar: um trabalhador finalmente se aposenta e se sente perdido sobre como preencher longos dias sem ocupação. Para as pessoas que dão muito valor a identidades profissionais, a rotina sem trabalho nada mais é que uma versão pálida da vida.

Andrew Yang, pré-candidato presidencial democrata nos EUA, expressa alguns dos medos comuns sobre a falta de trabalho quando diz: “Está claro pelos dados, pelo senso comum e pela experiência humana que muitas, muitas pessoas não ficam bem sem trabalho. Ficamos ociosos e oferecemos menos, apesar de termos mais tempo. E, com o tempo, tendemos a jogar videogames e a beber mais. A sociedade geralmente se sai muito mal sem trabalho“.

No entanto, não há consenso de que o emprego remunerado seja a chave para uma vida ativa.

O conceito japonês de “ikigai“, por exemplo, expressa “felicidade na vida“, ou o “motivo de acordar de manhã”. Entre as mulheres e homens japoneses pesquisados em 2010, menos de um terço citou o trabalho como ikigai.

Hobbies, relacionamentos e trabalho não-remunerado: tudo isso pode resultar em uma vida rica e significativa. A ponto de a aposentadoria poder se tornar até um conceito estranho, como acontece em Okinawa, no Japão, uma cidade cujos moradores são conhecidos por terem vida longa.

Por outro lado, para muitas pessoas em empregos precários, com baixos salários ou com recursos limitados de aposentadoria, preocupar-se com a vida fora do trabalho pode ser um luxo inacessível. Continuar a ler

Bandeira-de-luta: Corte da Jornada de Trabalho Semanal (sem Corte de Salário) depois de 100 anos

Se a Reforma da Previdência aumenta cinco anos de vida ativa, serão mais 9.200 horas de trabalho até se aposentar, totalizando 64.400 horas, pagando mais contribuições, e tendo menos vida inativa até o falecimento; os trabalhadores só perderão. Contrapartida: negociar 48 semanas X 36 horas = 1.728 horas anuais; considerando 35 anos de trabalho, seriam 60.480 horas trabalhadas na vida ativa; elevaria em 5.280 horas a carga de trabalho anterior, mas teria mais um dia livre na semana.

Minha bandeira-de-luta: cortar a jornada de trabalho semanal, trocando trabalho alienante por trabalho criativo sem corte dos salários por conta da maior produtividade durante a atual revolução tecnológica.

Duas diretoras de recursos humanos da Unilever estão trabalhando somente três dias por semana— ao invés dos tradicionais cinco — desde abril. Assim como a jornada, o salário das duas profissionais também foi reduzido, e agora elas recebem 60% do que ganhavam antes. “Trabalhando 60% do tempo, as duas recebem 60% do salário e os benefícios seguem a mesma lógica”, explica o vice-presidente de recursos humanos da multinacional.

Não se trata de uma redução forçada da jornada em função de um corte de custos da empresa. Trabalhar menos foi uma escolha das duas executivas, que agora compartilham o mesmo cargo e se dividem entre as tarefas da função, em um modelo que a Unilever está chamando de “job sharing” ou cargo compartilhado.

Pela organização feita, nenhuma das duas trabalha às sextas-feiras e há dois dias na semana quando ambas estão simultaneamente na companhia para alinhar o trabalho e fazer reuniões presenciais com a equipe.

A ideia do “job sharing” surgiu de uma conversa entre as duas diretoras. Elas estavam passando por um momento de vida em que gostariam de ter mais tempo para se dedicarem aos filhos e aos estudos. Uma, com dois filhos, estava prestes a voltar de licença- maternidade, e outra, também mãe de dois, gostaria de ter mais tempo para a família e os estudos.

Juntas, começaram a imaginar como seria dividir a mesma função e trabalhar menos. Já haviam tido contato com profissionais da companhia em outros países. Eles faziam “job sharing”. Fizeram algumas consultas internas para pensar em como estruturar o novo modelo, montou-se a proposta, apresentou-se para o ‘board’ e eles aprovaram.

Com maior poder de barganha, consegue-se retomar o salário anterior com menor jornada semanal por conta da maior produtividade!

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Precariado do Século XXI

Standing é Ph.D pela Universidade de Cambrigde e pesquisa há décadas como as mudanças estruturais no mercado de trabalho, atreladas à globalização e à revolução tecnológica, constróem um novo grupo social e econômico, o qual ele chama de precariado. O termo, surgido na década de 1980 entre as mudanças do modelo de produção em massa, foi ressignificado em 2011, quando Standing lançou “O Precariado – A nova classe perigosa” – que ganhou edição brasileira pela editora Grupo Autêntica, em 2013. Leia mais sobre na entrevista completa com o economista britânico. Continuar a ler

Respostas Políticas às novas Formas de Trabalho com Desemprego Tecnológico

Ana Conceição (Valor, 25/07/19) informa: enquanto a tecnologia cria novas relações de trabalho, muitas vezes informais, e ameaça deixar muita gente sem emprego, alguns países começam a avaliar que tipo de política pública pode ser adotada para realocar trabalhadores ou simplesmente proporcionar uma renda mais estável à população. As ideias vão da adoção de uma renda mínima à extensão de benefícios sociais para quem não tem emprego formal. No Brasil, onde já existe uma espécie de renda básica, especialistas apontam para a necessidade de mudanças no sistema de ensino de jovens e requalificação de adultos.

Recentemente, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) enviou questionários aos países que fazem parte do grupo perguntando que medidas estão sendo estudadas ou implementadas, tendo em vista o avanço da tecnologia sobre o mercado de trabalho e as mudanças demográficas. As respostas foram reunidas no relatório “Respostas Políticas às novas Formas de Trabalho“, lançado neste ano. Segundo a OCDE, medidas de proteção social têm de ser adaptadas à nova ordem, especialmente porque o trabalho por conta própria, em tempo parcial e intermitente está aumentando no mundo. Além disso, muitos adultos no bloco – 6 em cada 10 – não têm as habilidades tecnológicas necessárias para esse novo mercado.

As medidas mais comuns citadas são a extensão do seguro-desemprego a trabalhadores por conta própria e informais, a melhora no acesso de intermitentes e autônomos a benefícios, como auxílio-maternidade e seguro saúde. Em um dos casos, na Estônia, foi citada a implantação de um sistema de saúde universal, como o SUS brasileiro. Projetos de renda básica são escassos e a maioria se limita a regiões específicas e não a países. O caso mais rumoroso, o da Finlândia, foi deixado de lado após dois anos de testes. Mas essa iniciativa tem defensores ilustres como Elon Musk, CEO da Tesla, e o prêmio Nobel de Economia Angus Deaton.

Esse tipo de programa pode diminuir os impactos sociais e econômicos da diminuição drástica de postos de trabalho, com recursos vindo, por exemplo, da tributação da automatização nas empresas, afirma Herbert Kimura, pesquisador do Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações (Lamfo), da UnB. Mas como o impacto real da automação ainda é uma incógnita, é difícil avaliar se de fato as iniciativas de políticas públicas serão efetivas no médio e longo prazo. “Os governos têm de realmente colocar como prioritária a discussão da automação, dados os impactos sociais desconhecidos que, no entanto, podem ser profundos”, afirma Kimura.

Nem todo mundo vai ser aproveitado pelo mercado de trabalho, em especial os trabalhadores mais velhos. Neste caso, é preciso haver políticas como a renda mínima, afirma o economista Sergio Firpo, professor titular do Insper especialista em mercado de trabalho. Ele pondera, contudo, que se um projeto de requalificação de trabalhadores for colocado em prática, talvez o impacto do desemprego não seja tão alto. “Parte dessa mão de obra seria realocada em outras atividades”, diz. Continuar a ler

Luta pelo Teto Salarial Justo em Carreira Profissional baseada em Méritos

O teto salarial do funcionalismo público de São Paulo é, dentre todos os estados da federação, o penúltimo em termos de valores, ficando à frente apenas do Estado do Espírito Santo por R$ 48,59 (confira aqui). Há anos a ADunicamp tem se articulado com outras entidades de representação de servidores na luta pela equiparação do teto aos outros estados da federação.

Em junho de 2018, após muito trabalho de convencimento dos/as deputados/as na ALESP, a mudança do teto salarial pela PEC 05/2016 – deixaria de ser baseado no subsídio do governador e passaria a ter como referência o salário dos desembargadores – foi aprovada, em segundo turno, por 65 votos favoráveis e 4 contrários, vindo à luz a Emenda Constitucional 46/2018.

Após esta vitória, o prefeito de São Bernardo do Campo Orlando Morando (PSDB), do mesmo partido do governador candidato à eleição presidencial em 2022, entrou com uma ação de inconstitucionalidade, ou seja, judicializou a questão. Até então, estava em âmbito político: o menor salário dos governadores é do Estado com a maior arrecadação!

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP) julgou procedente a ação, declarando a inconstitucionalidade da EC 46/2018. Em seguida, o ANDES-SN – por iniciativa da ADunicamp, ADUSP e ADunesp -, assim como a própria ALESP, um partido político e a Associação dos Agentes Fiscais de Renda de São Paulo apresentaram recursos contra a decisão do TJ/SP. Esse processo foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 12 de julho último.

Essa situação impede professores com quase 70 anos e carreira meritocrática além de 35 anos se aposentarem, senão rebaixarão mais ainda seus vencimentos!

Planos de Carreira Profissional e Desigualdade Salarial

Obs.: no mercado de trabalho formal, o salário médio das 10,202 milhões de pessoas com nível de Educação Superior (R$ 5.832,38) foi quase o triplo do pessoal sem nível superior (R$1.971,82). Em termos de salários mínimos, o salário médio era de 3,3 salários entre os homens e de 2,7 entre as mulheres, e de 2,1 salários mínimos entre as pessoas sem nível superior e 6,2 salários mínimos entre aqueles com nível superior. No ano de 2017, as 5 milhões de empresas e outras organizações ativas no País ocupavam, em 31 de dezembro, 51,9 milhões de pessoas (40 milhões dos 92 milhões de pessoas ocupadas são, então, informais), das quais 45,1 milhões como assalariadas, sendo 35 milhões sem Educação Superior. Todos juntos receberam R$ 1,7 trilhão em salários e outras remunerações. Essas e outras informações integram o estudo Estatísticas do Cadastro Central de Empresas – CEMPRE 2017, pesquisa-base do IBGE. 

Alguns cientistas estão empenhados em conhecer os fatores racionais e emocionais capazes de levar os indivíduos a gastar ou investir. Áreas distintas da ciência estão somando conhecimentos para estruturar o campo de estudo destinado a cumprir essa tarefa: a Neuroeconomia. Ela é resultado da união de ferramentas de investigação e conhecimentos da Psicologia, da Economia e da Neurologia. Esta tem sofisticados aparelhos de diagnóstico por imagem ou tomografia, por ressonância magnética funcional e/ou por eletroencefalograma portátil, em forma de capacete com eletrodos para mapear o funcionamento do cérebro sob determinados estímulos.

Ofereci, no semestre passado, um curso eletivo para alunos do último ano de graduação de Economia pela Unicamp para divulgar ensinamentos sobre a cultura financeira. São conhecimentos a respeito das formas de acumulação e manutenção de riqueza através da seleção de carteira de ativos. Ensinei técnicas de planejamento financeiro da vida pessoal até a aposentadoria, para substituir a renda do trabalho pela renda do capital financeiro e/ou imobiliário. É uma necessidade para todos os profissionais cujos vencimentos superam o teto do INSS (R$ 5.840 em 2019) com o objetivo de manter seu padrão de vida durante a aposentadoria.

Os alunos adquiriram uma educação financeira a respeito de rendas do trabalho, do capital produtivo, do capital financeiro, do capital imobiliário. Aprenderam rudimentos de neuromarketing para prevenções contra os impulsos emocionais para consumir. Obtiverem conhecimentos de Neuroeconomia ou psicologia dos investidores em Finanças Comportamentais. Discutirmos o que seria a economia da felicidade ou da boa vida. Na avaliação final, solicitei de cada aluno um planejamento financeiro da vida pessoal e/ou familiar, inclusive no período da aposentadoria.

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Algoritmos detectam Emoções: Previsão de Comportamentos Humanos

Marília de Camargo Cesar (Valor, 25/04/19) informa: o mercado de contact center, formado pelas empresas especializadas em serviços de atendimento ao consumidor, está migrando suas operações para a nuvem computacional, sistema pelo qual softwares e serviços são acessados via internet e pagos como se fossem uma conta de água ou luz. Com isso, os custos operacionais dessas empresas, que usam inteligência artificial para prever o comportamento do consumidor e fazer análise avançada de dados, estão caindo, o que ajuda a impulsionar e o desenvolvimento de novos produtos.

A tecnologia disponível já é capaz não somente de produzir sofisticados relatórios e métricas a partir das conversas com o cliente – feitas por telefone, pelo celular, por chats virtuais ou via site da companhia. Mas pode também analisar suas emoções e personalidade. Dependendo das palavras ou frases ditas ou escritas no diálogo, o software distingue o perfil e encaminha a chamada para o atendente que combine melhor com aquela pessoa.

Na Atento, maior empresa de contact center da América Latina, com 46 mil estações de trabalho e 80 mil funcionários, a adoção da plataforma Nice Nexidia, que avalia o comportamento dos clientes durante o atendimento, resultou num aumento de 40% na produtividade dos agentes. A checagem feita pelos supervisores das conversas dos atendentes passou a ser feita em menos tempo – de 1.300 segundos caiu para 800, por conversa. Continuar a ler