Aliança das Castas dos Militares e Mercadores contra a Casta dos Sábios-Tecnocratas

Áreas de saúde e educação concentraram o crescimento do número de servidores nas últimas três décadas, durante o arremedo de “socialdemocracia” no Brasil após a Constituinte de 1988. Agora, o governo militarizado do capitão reformado deseja cortar os direitos adquiridos, para construção do Estado de Bem-Estar Social, após o fim da ditadura militar!

Pior, uma opinião pública mal informada ou deformada pela imprensa oficiosa chapa-branca condena os servidores públicos como “privilegiados”. Ora, boa parte tem Ensino Superior e fez concursos públicos.

Quem não passou nesses concursos não deveria os condenar por rancor, mesmo porque a maioria dos serviços públicos em Educação, Saúde e Segurança Pública é prestado com qualidade apenas se houver gente capacitada. Por exemplo, o pessoal da Segurança Pública é muito mal formado e deformado pelo corporativismo militar. Neste não se mexe.

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Troca de Seis por Meia-Dúzia: Aumenta desconto de INSS, Cai desconto do Imposto de Renda

Marta Watanabe (Valor, 21/02/2020) informa: a partir deste mês de março de 2020 entrarão em vigor novas alíquotas de contribuição previdenciária, devidas pelos trabalhadores do setor privado. Eles estão no Regime Geral de Previdência Social (RGPS). A mudança deverá trazer redução de carga com a contribuição para quem ganha abaixo de R$ 4,7 mil mensais. No caso do governo federal, a expectativa é de perda de arrecadação de R$ 26,3 bilhões em dez anos, considerando contribuição previdenciária e Imposto de Renda (IR). Os cálculos são da Instituição Fiscal Independente (IFI).

A mudança na contribuição a partir de março foi determinada pela Emenda Constitucional 6, da reforma da Previdência. Atualmente as alíquotas do regime geral variam de 8% a 11%, com três faixas salariais. A partir deste mês, as alíquotas das contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vão variar de 7,5% a 14%, com quatro faixas salariais. O INSS reúne majoritariamente trabalhadores do setor privado, incluindo também celetistas do setor público.

Tão importante quanto a mudanças nas alíquotas será a da forma de cálculo. Antes se aplicava a alíquota cheia conforme a faixa salarial. A partir de março, as alíquotas serão aplicadas também de acordo com a faixa salarial, mas de forma progressiva. O que não muda é a parcela da renda superior ao teto dos benefícios no RGPS – R$ 6.101,06. Ela continua livre de tributação. Continuar a ler

Complementariedade Profissional Cooperativa

Barbara Bigarelli (Valor, 06/02/2020) avalia: o debate sobre o futuro do trabalho está concentrado prioritariamente nos trabalhadores a serem substituídos pelas máquinas. Os estudos com mais sucesso sobre o tema apresentam previsões da eliminação massiva de empregos já na próxima década. Dessa discussão de robôs versus humanos (e quem irá triunfar), Frank Neffke, diretor de pesquisa do Growth Lab – instituto do Center for International Development (CID), da Universidade de Harvard – prefere se ausentar.

Em um estudo recente, publicado no final de dezembro na Science Advances, preferiu analisar a probabilidade dos profissionais serem substituídos por seus próprios colegas. “O mecanismo é semelhante: se uma máquina ou uma pessoa entra no seu local de trabalho e pode fazer o que você faz, isso não é bom para a carreira. No momento, a discussão se concentra principalmente nas pessoas a serem deslocadas pelas tecnologias, não nas pessoas a serem complementadas por elas e como as últimas poderiam compensar as primeiras”.

Ao criar um “ecossistema de habilidades” a partir das informações educacionais de nove milhões de trabalhadores da Suécia, Neffke e seu time concluíram: apenas ter habilidades valiosas é insuficiente para um profissional ganhar mais, ser bem- sucedido e ajudar a elevar a produtividade de sua equipe profissional.

Tão importante quanto investir em educação e novas competências, estão as habilidades de seus colegas de trabalho. Se eles possuírem habilidades semelhantes, a interação será menos produtiva e a remuneração de ambos não aumentará com o tempo. Caso tenham habilidades completares, o cenário é o oposto e a tendência dessa colaboração é, no longo prazo, de melhorias na remuneração, salário e carreira.

Os efeitos salariais da complementaridade são fortes: para trabalhadores com formação superior, ter colegas de trabalho altamente complementares é tão valioso quanto o próprio diploma. A interação certa também ajudaria a diminuir o turnover, à medida que os profissionais qualificados tendem a deixar a empresa se seus colegas têm conhecimento parecido e podem substituí-los.

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Educação sob Demanda: Conteúdo Personalizado… e Bem Pago

Jacílio Saraiva (Valor, 10/02/2020 informa: negócios do vinho, investimentos em startups, transformação digital, fintechs e gestão de carreiras de figuras públicas. Essas modas são alguns dos novos temas de cursos de pós-graduação. Quatro grandes instituições privadas de ensino vão os lançar em 2020. Ao todo, são 25 opções inéditas.

As escolas apontam novas tendências, como:

  1. a personalização (ou customização) de disciplinas de acordo com as necessidades do aluno,
  2. um avanço de 20% das aulas on-line sobre o total das grades e
  3. uma queda estimada de até 60%, ao ano, desde 2017, da quantidade de empresas bancando a formação dos funcionários.

Em lugar do Ensino de Excelência Público e Gratuito, disponível nas Universidades Federais e Estaduais, os preços começam em R$ 5,4 mil e podem atingir R$ 91,9 mil, de acordo com o tipo de programa, duração e conteúdo. O ensino pago também estão adotando o pagamento facilitado, com a ampliação do prazo de parcelamento, de 24 para até 36 meses. Continuar a ler

Nova Face da Economia (por Dani Rodrik)

Dani Rodrik é professor de economia política internacional da Faculdade de Governo John F. Kennedy, da Universidade de Harvard, é autor de “Straight Talk on Trade: Ideas for a Sane World Economy”. Em artigo (Valor, 13/01/2020) escreveu sobre diversidade de gêneros e etnia na profissão de economistas. Compartilho-o abaixo.

“Em resposta a pressões de dentro e de fora, a profissão de economista está gradualmente mudando para melhor. Não por acaso, o retrocesso populista que varreu as democracias avançadas nos últimos anos produziu um profundo exame de consciência sobre essa área do conhecimento. Afinal, a austeridade, os acordos de livre-comércio, a liberalização financeira e a desregulamentação trabalhista que causaram o populismo se fundamentaram nas ideias dos economistas.

Mas a transformação vai além dos pressupostos da política econômica. No âmbito da disciplina, há finalmente uma avaliação das práticas hierárquicas e da agressiva cultura seminarística que produziram um ambiente inóspito para mulheres e minorias.

Pesquisa de 2019 realizada pela antiga e conceituada entidade de classe profissional American Economic Association (AEA) revelou: quase metade das economistas se sentiam discriminadas ou tratadas injustamente devido ao seu gênero. Quase um terço dos economistas não brancos se sentiam tratados injustamente devido à sua identidade racial ou étnica.

Podemos nos aferrar a estruturas institucionais que sustentam os privilégios e restringem as oportunidades. Ou podemos conceber instituições que são coerentes com a busca não apenas da riqueza compartilhada como também de um conceito ampliado de liberdade

Essas deficiências podem ser correlatas. Uma profissão menos diversificada e menos aberta a identidades diferentes é mais tendente a exibir o pensamento único (ditado pelo desejo de conformidade no grupo) e soberba. Se ela pretende gerar ideias que ajudem a sociedade a alcançar prosperidade inclusiva, terá de começar a se tornar, ela mesma, mais inclusiva.

A nova cara da disciplina ficou em evidência quando a AEA se reuniu para seus encontros anuais em San Diego no começo deste mês. Houve muitos dos habituais simpósios de especialistas sobre tópicos como política monetária, regulamentação e crescimento econômico. Mas havia um sabor inconfundivelmente diferente nos trabalhos deste ano. Continuar a ler

Governador do Estado de São Paulo contra as Universidades Estaduais

A Procuradoria Geral do Estado de São Paulo (PGE) apresentou em 24/1 petição ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para ser admitida como amicus curiae na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6.257, ajuizada pelo Partido Social Democrático (PSD) a pedido do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Na mesma petição, a PGE solicita nada menos que a revogação da medida cautelar (liminar) decidida uma semana antes (em 18/1) pelo ministro Dias Toffoli, presidente do STF. Ele acatou os argumentos da ADIN e igualou o teto salarial dos docentes das universidades estaduais de todo o país ao teto salarial das universidades federais (cerca de R$ 39 mil).

Após a publicação da liminar, Unicamp anuncia a folha de pagamentos de fevereiro (a ser paga em março) já observará o novo teto de R$ 39 mil.

A PGE representa o Estado de São Paulo nos tribunais. Ainda se for admitida como amicus curiae, seus pedidos referentes ao mérito da ADI — além da revogação da cautelar, medidas como “a inclusão do processo em pauta para apreciação da cautelar deferida” e a “improcedência [definitiva] do pedido” — não necessariamente serão aceitos pelo tribunal.

Obviamente, o intuito da PGE é impedir o aumento do teto salarial nas universidades estaduais paulistas: USP, Unesp e Unicamp. Como o procurador geral do Estado é nomeado pelo governador, esse vínculo invariavelmente gera uma subordinação da PGE ao governo estadual, embora não devesse ocorrer de forma alguma. É difícil imaginar uma iniciativa de tal importância tenha sido tomada pela procuradora geral Maria Lia sem o aval do governador João Doria (PSDB). A decisão de pedir a revogação da cautelar proferida por Toffoli equivale a uma “declaração de guerra” do Palácio dos Bandeirantes aos professores universitários do Estado de São Paulo.

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Economia Comportamental: Heterodoxia incorporada ao Mainstream

Tim Harford (Financial Times, 10/01/2020) publicou reportagem sobre o foco dos principais economistas da atualidade. Disciplina vem incluindo diferentes objetos de pesquisa, novas ferramentas e diversidade, embora tímida, de etnia e gênero de estudiosos.

O Prêmio Nobel de Economia Robert Solow disse ter muito tempo desde quando se sentia “incomodado” com o fato de a maioria das pessoas, até as mais estudadas, não ter “uma ideia clara do que é a economia e do que fazem os economistas”.

Solow nasceu no Brooklyn, em 1924, em uma “família de classe média baixa”, como ele descreve, e foi criado durante a Grande Depressão. Embora seu pai não tenha sofrido de falta de trabalho, Solow diz, desde os oito anos, ter consciência da constante preocupação sentida pelos pais e de “que as preocupações deles eram puramente econômicas sobre o que iria acontecer, sobre como conseguiriam chegar ao fim do mês”.

Essa consciência iria modelar sua forma de pensar ao longo da vida. Ele ganhou uma bolsa para Harvard aos 16 anos e começou a carreira acadêmica na qual ele chegaria ao ponto mais alto de seu campo, o Nobel, em 1987, por suas contribuições para a teoria do crescimento econômico. Apesar da aclamação, Solow, hoje com 95 anos, continuava sentindo que, para o público em geral, seu assunto de estudo era frustrantemente nebuloso. Então, há alguns anos, em um jantar com amigos, sentou por acaso ao lado da fotógrafa Mariana Cook. Ela havia concluído pouco tempo antes um projeto fotografando 92 matemáticos, desde vencedores da Medalha Fields até jovens em início de carreira.

Solow sugeriu ela embarcar em uma série similar de retratos, mas de economistas – e Mariana aceitou. Como ele escreve na introdução do livro resultante da conversa (“Economists”, Yale University Press, importado), que contém 90 retratos em preto e branco feitos por Mariana ao longo de três anos: “A ideia solta se tornou uma realidade, e eu me vi envolvido de diversas formas. Naturalmente, tive que me perguntar: Será que fazer um livro de retratos de acadêmicos economistas era algo útil ou razoável ou mesmo são de se fazer?”.

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