Economia Humana

Miguel Bacic me enviou outra resenha do livro resenhado no post O que a Economia pode aprender com as Humanidades: https://www.weforum.org/es/agenda/2017/07/economia-con-un-rostro-de-humanidades

Em uma pesquisa realizada em 2006, os professores universitários americanos foram questionados se era melhor ter conhecimento de vários campos de estudo ou de um único. Entre os professores de Psicologia, 79% estavam entusiasmados com o aprendizado interdisciplinar, assim como 73% dos sociólogos e 68% dos historiadores. Os menos entusiasmado? Economistas: apenas 42% dos entrevistados disseram que concordaram com a necessidade de entender o mundo através de uma lente multidisciplinar. Como um observador disse sem rodeios: “Os economistas, literalmente, pensam que não têm nada para aprender com os outros”!

Pelo caminho, os economistas se beneficiarão muito se expandirem o foco. Ao lidar com o que acontece com os seres humanos, a Economia tem muito a aprender com as Humanidades. Não só seus modelos poderiam ser mais realistas e suas previsões mais precisas, mas as políticas econômicas poderiam ser mais efetivas e mais justas.

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Nota de Pesar com o Falecimento do Regis Bonelli

Apesar de ser um leitor e admirador de sua obra, eu só tive três oportunidades de encontrar, pessoalmente, o Regis Bonelli. Minha primeira chefe, no IBGE, era sua amiga e me convidou para um almoço com ele, especialmente para me apresentá-lo. Tive ótima impressão de sua gentileza e educação.

Depois, foram em duas oportunidades de falar no IBRE-FGV em 2015. Eu o lembrei daquele nosso encontro, no final dos anos 70, e ele me tratou com a maior consideração.

Fica o seu exemplo de que um verdadeiro intelectual deve ser uma pessoa cortês e aberta para o diálogo, especialmente com quem não comunga de todas suas ideias.

Reproduzo abaixo os links enviados por JRA (José Roberto Afonso) com sua obra. Continue reading “Nota de Pesar com o Falecimento do Regis Bonelli”

Educação Financeira ou Planejamento Estratégico e Gestão Empresarial para Herdeiros?

Após a morte precoce do pai, gente “sorteada pela cegonha a nascer em berço-de-ouro” precisa assumir sozinha a empresa da família ainda sem ter formação em Ensino Superior de boa qualidade. Muitos herdeiros ricos foram malcriados ou mimados, sendo formados em cursos de Administração de Empresas sem a exigência de desenvolver pensamento estratégico ou adquirir visão holística. O jovem herdeiro não pensa logo que precisa profissionalizar um negócio que já existe há décadas. Ao perceber essa necessidade, ele procura um curso voltado para executivos com foco em Planejamento Estratégico e Gestão Empresarial.

A demanda de jovens herdeiros — ou até mesmo de seus pais — por preparação para assumir as empresas da família tem crescido no Brasil, país em que apenas 6% das companhias familiares chegam até a terceira geração, segundo dados da consultoria PwC. Por isso, estabelecimentos e institutos educacionais e até gestoras de fortunas têm investido em programas de formação para ajudar esses futuros executivos e acionistas a cuidar não só da empresa como de todo seu patrimônio. Continue reading “Educação Financeira ou Planejamento Estratégico e Gestão Empresarial para Herdeiros?”

Como se adequar à Pejotização por Motivação Tributária

Em abril de 2016, um mês antes do golpe semi-parlamentarista, a Secretária da Receita Federal do Ministério da Fazenda, ainda sob um ministro representante da casta dos sábios-pregadores (professores universitários e artistas criativos) em aliança com a casta dos trabalhadores organizados (sindicalistas e militantes partidários), produziu um documento que reúne informações úteis para a nova geração – a dos meus filhos – que enfrentará a perda de direitos trabalhistas por causa da “flexibilização neoliberal do mercado de trabalho”.

A reforma trabalhista foi logo implantada pela casta dos oligarcas governantes (aliados do peemedebismo corrupto) em aliança com a casta dos mercadores-industriais-rentistas (apoiadores do golpe e corruptores), sob o beneplácito da casta dos guerreiros (militares), que pretende se alçar ao Poder Executivo na próxima eleição.

“Amor ao conhecimento” é necessário para formular uma estratégia de sobrevivência neste período obscurantista.

Leia tambémComo Planejar a Vida Profissional e Financeira do Pejotizado

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Como Defender Seus Direitos Trabalhistas

A nova legislação trabalhista — “flexibilização do mercado de trabalho” no jargão neoliberal ou tucanês –, sancionada em julho de 2017 pelo governo golpista dos aliados em torno do peemedebismo corrupto, começou a valer no dia 11 de novembro de 2017. A reforma altera mais de 100 pontos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), o conjunto de normas que rege as relações de trabalho no país. Vários pontos deverão ser objeto de controvérsia nos tribunais. A Folha de S.Paulo (11/11/17) publicou um sumário das mudanças. Reproduzo-o abaixo para ficar postado na aba “Dicas & Serviços” deste blog.

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Desmanche das Universidades Estaduais Paulistas: Herança Maldita dos Tucanos

Fonte: RUF – Ranking Universitário da Folha – 2017 – Curso de Economia

crise financeira atravessada pela USP (Universidade de São Paulo). Argumentam que, em conjunto com a competição com instituições privadas que acumularam grande prestígio em O Mercado, nos últimos anos, ambos os fatores estão esvaziando “a maior Escola de Economia do país” [?!]: FEA-USP. 

[Fernando Nogueira da Costa: aí já erraram, pois a universidade que possui mais alunos de Economia é Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com 1,64 mil estudantes. O curso de Economia é o 37º em número de matrículas no Brasil. No total, o curso possui 49,4 mil alunos matriculados em todo o país.

NÚMERO DE INGRESSANTES (2015): 12,6 Mil

NÚMERO DE CONCLUINTES (2015): 6,23 Mil

E quanto à Escola de Pensamento, a ortodoxia da FEA-USP nunca foi vista como original. Por produção criativa, a vanguarda intelectual esteve sempre na heterodoxia, logo, no IE-UNICAMP e em colegas desenvolvimentistas. 🙂 ]

Em um ano, 25 professores deixaram a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. Quase todos faziam parte do Departamento de Economia, que perdeu um terço do seu corpo docente nos últimos dois anos.

No mesmo período, o quadro da Universidade como um todo também encolheu, mas apenas 3%, de acordo com levantamento feito pela Folha de S.Paulo.

[Fernando Nogueira da Costa: o que o jornal paulistano não levantou é se o mesmo fenômeno está ocorrendo nas outras Universidades estaduais paulistas: UNICAMP  / UNESP. Provavelmente sim, pois o governador do Estado não reajusta seu salário há cinco anos, fixando então o teto de R$ 21.600 para a carreira baseada em méritos/títulos dos professores, conquistados em defesa de teses e publicações.

No meu caso — Professor Titular, ápice da carreira docente –, depois do redutor constitucional e desconto dos demais encargos, inclusive os planos de saúde, eu recebo apenas 50% do meu salário bruto! Antes, eu dava curso de extensão para completar o orçamento familiar. Agora, até essa salvaguarda me cortaram, ou seja, vou ter de me aposentar!] Continue reading “Desmanche das Universidades Estaduais Paulistas: Herança Maldita dos Tucanos”

Disparidade Tributária entre Micro Empreendimento individual (MEI) e Micro Empresa (ME)

Um dos atentados contra a cidadania brasileira, praticada por tecnocratas neoliberais do governo golpista em conluio com o “quadrilhão peemedebista” e asseclas, que dominam o Congresso Nacional, foi o corte de direitos trabalhistas. Sumariamente, com o apressado oportunismo político, jogou a nova geração na “pejotização“, i.é, obrigou-a aceitar ser contratada como CNPJ para as empresas pagarem menos encargos trabalhistas. Ela deixou de ter direito a 13o. salário, férias remuneradas, plano de saúde, fundo de pensão, etc.

Logo de cara, no longo e burocrático processo de abrir uma empresa e conseguir um CNPJ, ela tem de entender as disparidade tributária entre se constituir como Micro Empreendimento individual (MEI) ou como Micro Empresa (ME). Thais Carrança (Valor, 11/09/17) alerta para a disparidade tributária entre ambos.

Observe no quadro acima que há, em 2017, cerca de 12 milhões de MEI e ME. Brevemente, iremos verificar esse número disparar — e os tecnocratas neoliberais ainda ficarão perplexos pela queda da arrecadação fiscal, inclusive das contribuições para a Previdência Social! Continue reading “Disparidade Tributária entre Micro Empreendimento individual (MEI) e Micro Empresa (ME)”