Carta Aberta ao Idiota Nomeado Ministro da Educação

Carta Aberta ao Preposto Ministro da Educação

Por Felipe Rosa frosa@if.ufrj.br em 24/09/19

Caro ministro,

Em entrevista recente ao jornal Estado de São Paulo o senhor afirmou, entre outras coisas, que as universidades brasileiras têm “muito desperdício” relacionado a “politicagem, ideologização e balbúrdia”, que algumas “têm Cracolândia”, que no Brasil “todo mundo quer uma bolsinha” e, finalmente, que seu filho estudaria em Portugal, ou no Chile, ou “fora do Brasil”, mas “na federal de Minas é que não vai”.

Ao ouvir acusações e críticas tão sérias quanto essas, poderia-se imaginar que o senhor teria diversos exemplos de malversação de bolsas e pedras de crack pra mostrar, mas qual não é a nossa surpresa ao descobrir que o número de vezes que o senhor visitou alguma universidade pública enquanto ministro é… zero! Nenhuma vez! Donde apenas resta concluir o senhor – o ministro da educação mais ignorante em universidades da história do Brasil – só as conhecer pelos escritos do “guru” Olavo de Carvalho. Aliás, este visita as universidades brasileiras na mesma frequência… Não conseguiu concluir um Ensino Superior.

Ao dizer que todos queremos “uma bolsinha”, não pense não percebermos sua intenção de passar à população a imagem de que somos uns “encostados” em busca da proverbial “boquinha”. O Brasil hoje é o 14º maior produtor de conhecimento do mundo, com cerca de 80 mil artigos publicados apenas no ano passado e mais de 10 milhões de citações a nós desde 1996. A maioria esmagadora de todo esse trabalho só foi possível graças às agências de fomento, entre elas o CNPq e a CAPES.

Nos diga uma coisa, ministro: de onde você acha que veio a viabilidade do pré-sal? Nosso programa de vacinas? A conexão entre o vírus da zika e a microcefalia? O senhor acha que essas coisas “caíram do céu”? Pois nós estamos aqui pra te dizer que, em vez de praticar “doutrinação comunista” (ou qualquer bobagem que o valha), estamos trabalhando para que mais desses avanços se materializem e beneficiem a população brasileira.

Finalmente, com relação a estudar ou não na Universidade Federal de Minas Gerais, essa é uma decisão que cabe apenas ao senhor e seu filho. Por outro lado, o senhor deveria saber que, de acordo com o ranking do Times Higher Education, enquanto o Chile tem 8 universidades entre as 1000 melhores do mundo e Portugal tem 13, o Brasil tem 15 (e, entre elas, a UFMG).

Assim sendo, desdenhar da universidade pública brasileira tem pouco a ver com números e muito a ver com uma severa síndrome de vira-lata a afligir membros representativos do governo do capitão reformado.

Ministro, quando tiver uma oportunidade de ficar calado, aproveite-a. E trabalhe.

Atenciosamente,

Felipe Rosa, diretor da AdUFRJ e vice-presidente eleito

* Repliquem, por favor, esta carta. Não é possível o discurso desse mentiroso contumaz e preposto Ministro da Educação passe sem contraponto. Os professores universitários estão “apedrejados nas ruas” (rede social) sob o canto raivoso dos evangélicos hipócritas e ignorantes desse país!

Desigualdade Educacional e de Renda: Retroalimentação

A melhoria na distribuição de renda, ocorrida na Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014), com hegemonia de um partido de origem trabalhista e apoio popular e de intelectuais à adoção de uma política social ativa, já foi revertida. O Brasil retomou sua característica maior: a desigualdade social. Os eleitores lúcidos necessitam convencer os demais a respeito de um Estado de bem-estar social ser aqui necessário e possível.

Já há bastante evidências empíricas de a formação hierárquica da casta de guerreiros-militares não ser um modelo adequado para os demais cidadãos. Sua lógica de ações é baseada em violência, vingança, coragem, fama, glória, etc. Aliás, esses são também valores típicos de atletas profissionais. Só um ministro da Educação muito inculto, e ressentido face à inteligência da casta dos sábios-universitários, se submete ao comando de espalhar Colégios Militares e tirar autonomia das Universidades Federais.

O Poder Militar dessa casta da farda, historicamente, pressiona as demais. Por exemplo, arrancou do Poder Político ou Legislativo, ou seja, da casta dos oligarcas de gravata no Congresso Nacional, mais privilégios na carreira profissional, se comparada à dos civis. Depois destes terem cortados direitos trabalhistas e previdenciários destes, o projeto de reforma da Previdência dos militares, originalmente proposto pelo governo do capitão, foi ampliado para os praças, cadetes e sargentos das Forças Armadas terem os mesmos aumentos salariais dos generais para felicidade geral nos quarteis.

A suavização da regra de transição beneficia principalmente os policiais militares dos Estados, onde é possível se aposentar com 25 anos de serviço, mas também atingirá as Forças Armadas. O relator estendeu as regras da reforma aos policiais e bombeiros militares, carreiras estaduais não inicialmente contempladas no projeto do governo. A regra de transição, a partir da sanção da reforma, durará 25 anos. Só́ a partir de 2044 serão exigidos os 30 anos como militar para aposentadoria especial.

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Economia Comportamental para Superação da Crise do Pensamento Econômico

No livro “Animal Spirits – How Human Psychology Drives The Economy, And Why It Matters For Global Capitalism”, os coautores George A. Akerlof & Robert J. Shiller, afirmam: a vida ocasionalmente tem seus momentos reveladores.

Para a economia mundial, o dia 29 de setembro de 2008, há onze anos, foi um daqueles marcantes momentos reveladores. O Congresso dos EUA recusou, embora mais tarde tenha se revertido, a aprovação do plano de resgate de US $ 700 bilhões proposto pelo secretário do Tesouro Henry Paulson. O índice da bolsa Dow Jones caiu 778 pontos. Os mercados de ações caíram em todo o mundo. De repente, o que parecia apenas uma possibilidade remota – uma repetição da Grande Depressão – passou a ser uma perspectiva real.

A Grande Depressão foi a tragédia do século passado. Nos anos 30, levou ao desemprego em todo o mundo. Então, como se a Depressão em si não tivesse causado sofrimento suficiente, o vácuo de poder criado levou à Segunda Guerra Mundial. Mais de 50.000.000 morreram prematuramente.

Uma repetição da Grande Depressão é agora uma possibilidade, porque economistas, governo e público em geral se tornaram complacentes nos últimos anos. Eles esqueceram as lições da década de 1930. Naqueles tempos difíceis, aprendemos como a economia realmente funciona. Também aprendemos o papel adequado do governo em uma economia capitalista robusta.

Este livro “Animal Spirits – How Human Psychology Drives The Economy, And Why It Matters For Global Capitalism” recupera essas lições, além de oferecer uma revisão moderna. Para ver como a economia mundial entrou em seu vínculo atual, é necessário entender essas lições. Mais importante ainda, precisamos entendê-los para saber agora o que deve ser feito.

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Ciência Econômica: Teste Científico de Hipóteses para Comprovar Pressupostos Ideológicos

Mohsen Javdani & Ha-Joon Chang fizeram a pesquisa e escreveram o relatório intitulado “Who Said or What Said? Estimating Ideological Bias in Views Among Economists”, recém-publicado em julho de 2019. Sua conclusão está apresentada abaixo.

“Utilizamos um experimento controlado randomizado on-line envolvendo economistas em 19 países para examinar a influência do viés ideológico e de autoridade nas opiniões dos economistas. Os economistas participantes de nossa pesquisa foram convidados a avaliar declarações de economistas de destaque sobre diferentes tópicos.

No entanto, a atribuição da fonte para cada declaração foi randomizada sem o conhecimento dos participantes.  Para cada declaração, os participantes receberam uma fonte mainstream, uma fonte menos / não mainstream ou nenhuma fonte.

Concluímos o nível de concordância relatado dos economistas com as declarações ser significativamente menor quando as declarações são atribuídas aleatoriamente a fontes menos / não convencionais. Estas mantêm visões ou ideologias amplamente conhecidas capazes de as colocarem a diferentes distâncias da Economia convencional, mesmo quando essa distância é maior ou relativamente pequena.

Além disso, nós descobrimos a remoção da atribuição de origem também reduzir significativamente o nível de concordância com as declarações. Continuar a ler

O que os economistas ainda têm de aprender

Mark Cliffe (Valor, 10/09/2019) escreveu o artigo reproduzido abaixo.

“A macroeconomia foi uma das vítimas da crise financeira mundial de 2008. Os modelos macroeconômicos convencionais não previram a calamidade nem a explicaram de forma coerente, com o que foram incapazes de mostrar como os danos deveriam ser reparados. Apesar disso, grande parte da profissão continua em estado de negação, ansiando pela volta ao “normal” e tratando a crise, na prática, como se tivesse sido apenas uma interrupção inconveniente.

Isso precisa mudar. Embora a recuperação econômica tenha criado raízes, suas fragilidades estruturais sinalizam que a macroeconomia ainda precisa urgentemente de uma reformulação. A recuperação dos últimos anos levou muitas pessoas a uma falsa sensação de segurança, porque foi resultado de políticas monetárias incomuns que transcenderam a mentalidade predominante de “equilíbrio geral”.

Além disso, os modelos econômicos pré-crise têm suado bastante para conseguir lidar com a desestabilização desencadeada pelas tecnologias digitais emergentes. A economia digital é caracterizada pelo aumento nos retornos de escala, graças aos quais as gigantes da tecnologia conseguem rapidamente se aproveitar dos chamados “efeitos de rede” para dominar um conjunto cada vez maior de mercados. Isso tem virado de ponta-cabeça modelos de negócios vigentes e transformado os comportamentos de formas que deixam macroeconomistas e autoridades econômicas lutando – muitas vezes sem sucesso – para acompanhar o ritmo.

Consequentemente, a crença generalizada de a atividade econômica ser capaz de, por si só, seguir um ciclo regular em torno a uma tendência estável de crescimento não é muito útil além do curtíssimo prazo. Em vez disso, as interrupções econômicas que estamos vivendo colocam em evidência um fato óbvio, mas que os modelos prevalecentes desconsideram: o futuro é, essencialmente, incerto e nem todos os riscos são quantificáveis. Continuar a ler

Quem disse ou o que disse? Estimando o viés ideológico nas visões de economistas

Mohsen Javdani é do Department of Economics, University of British Columbia – Okanagan, Canada. Ha-Joon Chang é da Faculty of Economics, University of Cambridge, Cambridge, UK. Ambos fizeram a pesquisa e escreveram o relatório resumido abaixo em artigo intitulado “Who Said or What Said? Estimating Ideological Bias in Views Among Economists”, recém-publicado em julho de 2019.

Existe um longo debate sobre a influência da ideologia na Economia. Surpreendentemente, no entanto, não há evidências empíricas concretas para examinar essa questão crítica. Usando um experimento controlado randomizado on-line envolvendo economistas em 19 países, examinaram o efeito do viés ideológico nas opiniões dos economistas.

Os participantes foram convidados a avaliar declarações de economistas de destaque em diferentes tópicos, enquanto a atribuição de fonte para cada declaração foi randomizada sem o conhecimento dos participantes. Para cada declaração, os participantes receberam uma fonte principal, uma fonte menos / não convencional ideologicamente diferente ou nenhuma fonte. Concluíram caso alterassem as atribuições de fonte do mainstream para menos / não mainstream ou removê-las reduz significativamente o acordo relatado pelos economistas com as declarações.

Isso contradiz a autoimagem dos economistas. Eles imaginam objetividade a respeito de si mesmos, com 82% dos participantes relatando, ao avaliar uma afirmação, prestar atenção apenas ao seu conteúdo.

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Debate Midiático no Brasil: Boicote a Economistas Desenvolvimentistas

Compartilho abaixo, valendo mais pela indicação de leitura do artigo, cujo link está à disposição, a reportagem de Cyro Andrade (Valor, 20/09/2019) sobre a investigação empírica de Ha-Joon Chang e Mohsen Javdani mostrando o viés ideológico influenciando ideias e julgamentos de economistas. Aqui, uns defendem a aliança da casta dos mercadores com a dos militares, outros apoiam a da casta dos trabalhadores com a dos sábios-intelectuais.

Ora, esta defesa de interesses de castas diversas é o óbvio ululante, basta ler o próprio jornal Valor, O Globo ou ver Globo News! Essa rede só dá colunas para economistas neoliberais preconceituosos contra os colegas social-desenvolvimentistas. Eles usam e abusam dos maus argumentos listados no quadro acima.

“Economistas da ala de pensamento hoje dominante em seu meio profissional, dentro e fora da academia, tendem a se considerar os campeões da racionalidade. Sua concepção estritamente positivista da disciplina, de inspiração chamada neoclássica, os distinguiria de qualquer outro paradigma econômico: são objetivos, imparciais e nem um pouco ideológicos — atributos com que emolduram sua inabalável ortodoxia.

No entanto, como comprovaram em investigação empírica inédita os economistas Mohsen Javdani, professor na Universidade de British Columbia, no Canadá, e Ha- Joon Chang, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, não faltam evidências de o viés ideológico, entendido como inclinação preconcebida para determinadas valorações cognitivas e normativas, influenciar ideias e julgamentos dos economistas, indistintamente, sejam ortodoxos ou heterodoxos.

Convidados para participar do estudo, opinaram 2.425 economistas de 19 países (47 brasileiros), sendo 92% PhDs em economia. O artigo que Javdani e Chang escreveram a respeito “Who Said or What Said? Estimating Ideological Bias in Views Among Economists”, com detalhada exposição metodológica, pode ser baixado ou lido em: https://www.researchgate.net/publication/330845922_Who_Said_or_What_Said_Estimating_Ideological_Bias_in_Views_Among_Economists. Continuar a ler

Redução da Jornada de Trabalho Semanal para quatro dias: bandeira-de-luta

BBC News Brasil (FSP, 07/09/19) fez uma reportagem sobre tema defendido por mim como um novo direito da cidadania a ser conquistado: a redução da jornada de trabalho semanal para quatro dias.

A história é familiar: um trabalhador finalmente se aposenta e se sente perdido sobre como preencher longos dias sem ocupação. Para as pessoas que dão muito valor a identidades profissionais, a rotina sem trabalho nada mais é que uma versão pálida da vida.

Andrew Yang, pré-candidato presidencial democrata nos EUA, expressa alguns dos medos comuns sobre a falta de trabalho quando diz: “Está claro pelos dados, pelo senso comum e pela experiência humana que muitas, muitas pessoas não ficam bem sem trabalho. Ficamos ociosos e oferecemos menos, apesar de termos mais tempo. E, com o tempo, tendemos a jogar videogames e a beber mais. A sociedade geralmente se sai muito mal sem trabalho“.

No entanto, não há consenso de que o emprego remunerado seja a chave para uma vida ativa.

O conceito japonês de “ikigai“, por exemplo, expressa “felicidade na vida“, ou o “motivo de acordar de manhã”. Entre as mulheres e homens japoneses pesquisados em 2010, menos de um terço citou o trabalho como ikigai.

Hobbies, relacionamentos e trabalho não-remunerado: tudo isso pode resultar em uma vida rica e significativa. A ponto de a aposentadoria poder se tornar até um conceito estranho, como acontece em Okinawa, no Japão, uma cidade cujos moradores são conhecidos por terem vida longa.

Por outro lado, para muitas pessoas em empregos precários, com baixos salários ou com recursos limitados de aposentadoria, preocupar-se com a vida fora do trabalho pode ser um luxo inacessível. Continuar a ler

Bandeira-de-luta: Corte da Jornada de Trabalho Semanal (sem Corte de Salário) depois de 100 anos

Se a Reforma da Previdência aumenta cinco anos de vida ativa, serão mais 9.200 horas de trabalho até se aposentar, totalizando 64.400 horas, pagando mais contribuições, e tendo menos vida inativa até o falecimento; os trabalhadores só perderão. Contrapartida: negociar 48 semanas X 36 horas = 1.728 horas anuais; considerando 35 anos de trabalho, seriam 60.480 horas trabalhadas na vida ativa; elevaria em 5.280 horas a carga de trabalho anterior, mas teria mais um dia livre na semana.

Minha bandeira-de-luta: cortar a jornada de trabalho semanal, trocando trabalho alienante por trabalho criativo sem corte dos salários por conta da maior produtividade durante a atual revolução tecnológica.

Duas diretoras de recursos humanos da Unilever estão trabalhando somente três dias por semana— ao invés dos tradicionais cinco — desde abril. Assim como a jornada, o salário das duas profissionais também foi reduzido, e agora elas recebem 60% do que ganhavam antes. “Trabalhando 60% do tempo, as duas recebem 60% do salário e os benefícios seguem a mesma lógica”, explica o vice-presidente de recursos humanos da multinacional.

Não se trata de uma redução forçada da jornada em função de um corte de custos da empresa. Trabalhar menos foi uma escolha das duas executivas, que agora compartilham o mesmo cargo e se dividem entre as tarefas da função, em um modelo que a Unilever está chamando de “job sharing” ou cargo compartilhado.

Pela organização feita, nenhuma das duas trabalha às sextas-feiras e há dois dias na semana quando ambas estão simultaneamente na companhia para alinhar o trabalho e fazer reuniões presenciais com a equipe.

A ideia do “job sharing” surgiu de uma conversa entre as duas diretoras. Elas estavam passando por um momento de vida em que gostariam de ter mais tempo para se dedicarem aos filhos e aos estudos. Uma, com dois filhos, estava prestes a voltar de licença- maternidade, e outra, também mãe de dois, gostaria de ter mais tempo para a família e os estudos.

Juntas, começaram a imaginar como seria dividir a mesma função e trabalhar menos. Já haviam tido contato com profissionais da companhia em outros países. Eles faziam “job sharing”. Fizeram algumas consultas internas para pensar em como estruturar o novo modelo, montou-se a proposta, apresentou-se para o ‘board’ e eles aprovaram.

Com maior poder de barganha, consegue-se retomar o salário anterior com menor jornada semanal por conta da maior produtividade!

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Precariado do Século XXI

Standing é Ph.D pela Universidade de Cambrigde e pesquisa há décadas como as mudanças estruturais no mercado de trabalho, atreladas à globalização e à revolução tecnológica, constróem um novo grupo social e econômico, o qual ele chama de precariado. O termo, surgido na década de 1980 entre as mudanças do modelo de produção em massa, foi ressignificado em 2011, quando Standing lançou “O Precariado – A nova classe perigosa” – que ganhou edição brasileira pela editora Grupo Autêntica, em 2013. Leia mais sobre na entrevista completa com o economista britânico. Continuar a ler

Respostas Políticas às novas Formas de Trabalho com Desemprego Tecnológico

Ana Conceição (Valor, 25/07/19) informa: enquanto a tecnologia cria novas relações de trabalho, muitas vezes informais, e ameaça deixar muita gente sem emprego, alguns países começam a avaliar que tipo de política pública pode ser adotada para realocar trabalhadores ou simplesmente proporcionar uma renda mais estável à população. As ideias vão da adoção de uma renda mínima à extensão de benefícios sociais para quem não tem emprego formal. No Brasil, onde já existe uma espécie de renda básica, especialistas apontam para a necessidade de mudanças no sistema de ensino de jovens e requalificação de adultos.

Recentemente, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) enviou questionários aos países que fazem parte do grupo perguntando que medidas estão sendo estudadas ou implementadas, tendo em vista o avanço da tecnologia sobre o mercado de trabalho e as mudanças demográficas. As respostas foram reunidas no relatório “Respostas Políticas às novas Formas de Trabalho“, lançado neste ano. Segundo a OCDE, medidas de proteção social têm de ser adaptadas à nova ordem, especialmente porque o trabalho por conta própria, em tempo parcial e intermitente está aumentando no mundo. Além disso, muitos adultos no bloco – 6 em cada 10 – não têm as habilidades tecnológicas necessárias para esse novo mercado.

As medidas mais comuns citadas são a extensão do seguro-desemprego a trabalhadores por conta própria e informais, a melhora no acesso de intermitentes e autônomos a benefícios, como auxílio-maternidade e seguro saúde. Em um dos casos, na Estônia, foi citada a implantação de um sistema de saúde universal, como o SUS brasileiro. Projetos de renda básica são escassos e a maioria se limita a regiões específicas e não a países. O caso mais rumoroso, o da Finlândia, foi deixado de lado após dois anos de testes. Mas essa iniciativa tem defensores ilustres como Elon Musk, CEO da Tesla, e o prêmio Nobel de Economia Angus Deaton.

Esse tipo de programa pode diminuir os impactos sociais e econômicos da diminuição drástica de postos de trabalho, com recursos vindo, por exemplo, da tributação da automatização nas empresas, afirma Herbert Kimura, pesquisador do Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações (Lamfo), da UnB. Mas como o impacto real da automação ainda é uma incógnita, é difícil avaliar se de fato as iniciativas de políticas públicas serão efetivas no médio e longo prazo. “Os governos têm de realmente colocar como prioritária a discussão da automação, dados os impactos sociais desconhecidos que, no entanto, podem ser profundos”, afirma Kimura.

Nem todo mundo vai ser aproveitado pelo mercado de trabalho, em especial os trabalhadores mais velhos. Neste caso, é preciso haver políticas como a renda mínima, afirma o economista Sergio Firpo, professor titular do Insper especialista em mercado de trabalho. Ele pondera, contudo, que se um projeto de requalificação de trabalhadores for colocado em prática, talvez o impacto do desemprego não seja tão alto. “Parte dessa mão de obra seria realocada em outras atividades”, diz. Continuar a ler

Luta pelo Teto Salarial Justo em Carreira Profissional baseada em Méritos

O teto salarial do funcionalismo público de São Paulo é, dentre todos os estados da federação, o penúltimo em termos de valores, ficando à frente apenas do Estado do Espírito Santo por R$ 48,59 (confira aqui). Há anos a ADunicamp tem se articulado com outras entidades de representação de servidores na luta pela equiparação do teto aos outros estados da federação.

Em junho de 2018, após muito trabalho de convencimento dos/as deputados/as na ALESP, a mudança do teto salarial pela PEC 05/2016 – deixaria de ser baseado no subsídio do governador e passaria a ter como referência o salário dos desembargadores – foi aprovada, em segundo turno, por 65 votos favoráveis e 4 contrários, vindo à luz a Emenda Constitucional 46/2018.

Após esta vitória, o prefeito de São Bernardo do Campo Orlando Morando (PSDB), do mesmo partido do governador candidato à eleição presidencial em 2022, entrou com uma ação de inconstitucionalidade, ou seja, judicializou a questão. Até então, estava em âmbito político: o menor salário dos governadores é do Estado com a maior arrecadação!

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP) julgou procedente a ação, declarando a inconstitucionalidade da EC 46/2018. Em seguida, o ANDES-SN – por iniciativa da ADunicamp, ADUSP e ADunesp -, assim como a própria ALESP, um partido político e a Associação dos Agentes Fiscais de Renda de São Paulo apresentaram recursos contra a decisão do TJ/SP. Esse processo foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 12 de julho último.

Essa situação impede professores com quase 70 anos e carreira meritocrática além de 35 anos se aposentarem, senão rebaixarão mais ainda seus vencimentos!