Vice

Uma resenha do filme “Vice” (concorrente a 8 prêmios Oscar, inclusive como melhor filme e melhor ator principal) da Folha de S.Paulo critica o diretor Adam McKay (“A Grande Aposta” em 2015) porque ele teria ficado “obcecado em desancar a direita americana, valendo-se de certa estridência e, não raro, de algum maniqueísmo”.

Ora, ora, ora, os fatos ainda estão na memória recente. Caberia ao crítico apenas dizer se foram falseados ou não nesse filme interpretativo de fatos reais. Dick Cheney foi o 46º vice-presidente dos Estados Unidos durante o governo George W. Bush, filho de ex-presidente, de janeiro de 2001 a janeiro de 2009. Ele foi a figura-chave na imperial política externa americana no período.

A partir de mentiras, aproveitando-se do clima de comoção pelo ataque às “duas torres gêmeas”, em NYC, estimulou uma “Guerra ao Terror” contra o Iraque. O impacto nas cotações do petróleo era favorável aos seus apoiadores. Elaborou os falsos argumentos sobre uma pressuposta conexão entre o regime de Saddam Hussein e a Al-Qaeda, assim como a existência de armas de destruição em massa no Iraque.

Desde 11 de setembro de 2001, os EUA tentaram impor essa estratégia de vingança ao resto do mundo, mas só conseguiu apoio do submisso primeiro-ministro inglês Tony Blair. Em março de 2003, ele decidiu em conjunto com o presidente norte-americano George W. Bush atacar o Iraque. Enviou tropas britânicas, conjuntamente com os militares norte-americanos, para depor Saddam Hussein.

O filme mostra filmes e fotos da época das invasões do Afeganistão e do Iraque, mostrando o bombardeio indiscriminado a civis, assim como a tortura humilhante de suspeitos na base de Guantánamo. Cheney aprovou e defendeu tal política. Continuar a ler

O Abraço da Serpente

Assisti no aplicativo Telecine este filme argentino-colombiano-venezuelano, totalmente original, cujos protagonistas são nativos da América pré-colombiana. INDICADO AO OSCAR 2016: FILME ESTRANGEIRO. Passa-se na Amazônia colombiana. O último sobrevivente de uma tribo trabalha com dois exploradores estrangeiros ao longo de 40 anos. Juntos, supostamente, eles buscam “uma rara planta medicinal”.

Karamakate, outrora um poderoso xamã da Amazônia, é o último sobrevivente de seu povo. Vive em isolamento voluntário nas profundezas da selva.

Os anos de solidão absoluta o tornam vazio, privado de emoções e memórias. Sua vida sofre uma reviravolta quando chega ao seu esconderijo remoto Evan, um etnobotânico alemão em busca da Yakruna, uma poderosa planta capaz de ensinar a sonhar.

O xamã decide acompanhar o estrangeiro em sua busca. Juntos embarcam em uma viagem ao coração da selva amazônica, onde passado, presente e futuro se confundem, fazendo-o aos poucos recuperar suas memórias. Essas lembranças trazem uma dor profunda capaz de libertar Karamakate quando ele transmitir o conhecimento ancestral que antes parecia destinado a perder-se para sempre.

Com essa narrativa on the road (em canoa por afluentes amazônicos) o filme com belíssima fotografia preto-e-branco vai fazendo comentários sobre a cultura de posse dos brancos e desapropriação da cultura nativa. O contexto é o da Guerra Mundial quando o extrativismo estrangeiro da borracha levava a escravidão ou a morte aos nativos

Em tempos de assassinato coletivo em plena Igreja Católica e assédio sexual, estupro, crime com base no constrangimento a relações sexuais por meio de violência ou grave ameaça religiosa, violação, ou qualquer ato libidinoso contra a vontade da vítima, em nome de João de Deus, recomendo a reflexão.

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