Quando a lenda vira um fato, publique-se a lenda.

Mito e lenda

Ontem, no simpaticíssimo Sarau de Fim-de-Ano do Luís Nassif, o violonista acompanhante do bandolinista Joel do Nascimento — uma lenda vida — disse, em público, que “não aprecia os mitos a propósito de uma celebridade musical brasileira”. Depois, conversando com ele e o Nassif, eu lhe lembrei da frase de um dos melhores westerns da história: O Homem Que Matou o Facínora / The Man Who Shot Liberty Valance, dirigido por John Ford em 1962

John Ford é um cineasta de belas imagens, dos planos gerais, das tomadas que mostram paisagens sem fim, a terra gigantesca que foi sendo conquistada ao longo dos séculos por imigrantes de diversas nacionalidades – muitos irlandeses, como seus antepassados – atraídos pelo sonho de uma vida melhor. Este talvez seja seu filme mais verbal.

Aparece nele a frase que define o jornalismo. É quase equivalente a “um cachorro morder um homem não é notícia. Mas um homem morder o cachorro, é”.

É a lapidar:

“Aqui é o Oeste, senhor. Quando a lenda vira um fato, publique-se a lenda.Continue reading “Quando a lenda vira um fato, publique-se a lenda.”

Dica para Cinéfilo: “Eu não sou Madame Bovary”

Eu curto muito todos os filmes realistas sobre a China contemporânea do diretor chinês Jia Zhangke. Ele é geralmente considerado como a figura de proa da “sexta geração” do cinema chinês, grupo que inclui também os realizadores Wang Xiaoshuai e Zhang Yuan.

Os primeiros filmes de Zhang Ke, uma triologia inspirada na sua província natal Shanxi, foram feitos fora dos apoios estatais chineses, e são, por isso, considerados filmes independentes. A partir de 2004, o prestígio de Zhang Ke aumentou, tendo lhe sido permitido filmar o seu quarto filme, em inglês The World, com apoio do Estado.

Os filmes de Jia Zhang Ke têm recebido louvor crítico e obtido reconhecimento internacional, o mais notável dos quais o prémio máximo no Festival de Veneza para o filme Still Life, de 2006. Tem sido descrito por alguns críticos e cineastas como possivelmente “o cineasta em atividade mais importante do mundo”. Em 2015, foi lançado Jia Zhang Ke: Um Homem de Fenyang, documentário sobre a vida e a obra cinematográfica do chinês através do olhar do cineasta brasileiro Walter Salles.

Eu não conhecia o trabalho de Feng Xiaogang, nascido em 1958 em Pequim (China) — foi uma descoberta para mim eu assistir ontem seu filme “Eu não sou Madame Bovary”. Ele é diretor de cinema, roteirista e ator chinês. Ele é bem conhecido na China como sendo um cineasta comercial altamente bem-sucedido, cujos filmes de comédia vão consistentemente bem nas bilheterias, embora o Feng tenha ido além desse gênero, passando a fazer recentemente também filmes de drama ou drama de época. Continue reading “Dica para Cinéfilo: “Eu não sou Madame Bovary””

Documentário Brasil, O Grande Salto Para Trás

Documentário Brasil, o grande salto para trás – Brésil, Le grand bond en arrière – Frédérique Zingaro e Mathilde Bonnassieux – 2017 – 55 min. (legendado).

Ladislau Dowbor enviou-me a dica do documentário europeu sobre o golpe no Brasil e o atraso social, econômico e político que está sendo gerado. Independentemente de firulas jurídicas e aparências de ritos legais, o fato é que assumiu o poder e toma medidas absurdas um governo com 3% apenas de aprovação.

No plano internacional a compreensão está finalmente se enraizando, de que um governo que toma medidas antipopulares e com esse nível de rejeição confirma a violação de procedimentos democráticos e caracteriza um golpe jurídico-parlamentar. Se não é golpe na origem, é golpe nos resultados. O silêncio das panelas é impressionante. Confira em: https://www.youtube.com/watch?v=XDZ5UtlsqdA

Minha filha já é Diretora!

Santa Transmedia acaba de anunciar que Nina Torres, que trabalhava na produtora como assistente criativa de Gustavo Gripe, participando da concepção de seus trabalhos, passa a atuar como diretora de cena da casa.

Nina, além de brilhante criativamente, é a primeira diretora da Santa Transmedia“, declara Laura Rocha, diretora de atendimento.

Como projeto de estreia, Nina dirigiu uma reinterpretação da música “Tempo Perdido“, em realidade virtual, para o MIS São Paulo. O filme em 360º está em cartaz na exposição “Renato Russo“, até janeiro de 2018.

Estou muito orgulhoso de minha filha de 22 anos que se forma neste fim-de-ano em Cinema (Audiovisual) na ECA-USP.

Fonte: http://www.clubedecriacao.com.br/ultimas/producao-654/

Mulheres como Protagonistas

Recebi um convite interessante de Davi Carvalho, o designer/coordenador do novo Portal do IE-UNICAMP — visite-o: Portal do IE-UNICAMP. Escreverei, mensalmente, um artigo sobre minha experiência docente de reunir Cinema, Literatura e Música para ensinar Economia. Reproduzo o primeiro abaixo.

“Depois de oferecer quatro vezes uma disciplina eletiva no curso de graduação do IE-UNICAMP sob o título Economia no Cinema, em que focalizei o desenvolvimento mundial, ofereci no 1o. semestre de 2017 um curso denominado “Economia no Cinema: Cidadania e Cultura Brasileira”. Seu objetivo foi debater respostas apresentadas pelo cinema nacional e pela MPBE – Música Popular Brasileira sobre Economia à pergunta-chave: que país é este?

Os alunos e eu discutimos a dependência da trajetória brasileira, configurada através das interações entre diversos componentes de um sistema complexo, destacadamente, os direitos da cidadania (civis, políticos, sociais, econômicos e das minorias), conquistados ao longo da História do Brasil. Infelizmente, os deveres educacionais, culturais e comportamentais éticos e democráticos de todos os cidadãos ficaram relegados a segundo plano. Propiciarão essas interações a emergência de uma democracia socioeconômica e política?

O método didático adotado foi debater se as ideias abordadas pelos filmes ou por músicas são representativas (ou não) de distintas interpretações sobre o Brasil, aprendidas por leituras prévias da historiografia brasileira clássica, ou se são expressões de sentimentos populares a respeito de temas econômicos. Assim, estimulados por empatia, os estudantes obtiveram a apropriação intelectual dos temas apresentados. Continue reading “Mulheres como Protagonistas”

Dica: Série “In My Shoes”

O chileno Cesar Hidalgo é um dos mais importantes cientistas latino-americanos em atividade. Ele tem 37 anos, aparência de rockstar, com cabelos grandes, barba, bigode e jaqueta de couro de motociclista (sua vestimenta oficial). Ele é um dos mais conhecidos professores do MIT.

Se fosse há 20 anos, muita gente descreveria seu trabalho como “epistemologia“, ou seja, a ciência que estuda a própria ciência. No entanto, como vivemos na era da internet e palavrões como esse são cada vez mais raros, sua especialidade é usualmente descrita como “data visualization” (visualização de dados).

[Fernando Nogueira da Costa: adoro fazer isso, a transformação de grande planilhas estatísticas em conhecimento, ou seja, a complexidade em simplicidade!]

Em suma, ele transforma imensos arquivos do conhecimento humano (especialmente dados científicos) em gráficos interativos e acessíveis, que permitem que até um leigo compreenda as informações só de bater o olho. Para fazer isso, obviamente, ele precisa ter um conhecimento profundo dos dados com que trabalha, e da própria ciência de modo geral.

César lançou um seriado sobre sua própria vida de cientista, chamado “In My Shoes” (algo como “No meu lugar”). São oito episódios, de cerca de 18 minutos cada um. Eles não estão no Netflix (deveriam estar!), mas podem ser assistidos gratuitamente on-line (inmyshoes.info) com legendas em espanhol no Vimeo.

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