Mulheres como Protagonistas

Recebi um convite interessante de Davi Carvalho, o designer/coordenador do novo Portal do IE-UNICAMP — visite-o: Portal do IE-UNICAMP. Escreverei, mensalmente, um artigo sobre minha experiência docente de reunir Cinema, Literatura e Música para ensinar Economia. Reproduzo o primeiro abaixo.

“Depois de oferecer quatro vezes uma disciplina eletiva no curso de graduação do IE-UNICAMP sob o título Economia no Cinema, em que focalizei o desenvolvimento mundial, ofereci no 1o. semestre de 2017 um curso denominado “Economia no Cinema: Cidadania e Cultura Brasileira”. Seu objetivo foi debater respostas apresentadas pelo cinema nacional e pela MPBE – Música Popular Brasileira sobre Economia à pergunta-chave: que país é este?

Os alunos e eu discutimos a dependência da trajetória brasileira, configurada através das interações entre diversos componentes de um sistema complexo, destacadamente, os direitos da cidadania (civis, políticos, sociais, econômicos e das minorias), conquistados ao longo da História do Brasil. Infelizmente, os deveres educacionais, culturais e comportamentais éticos e democráticos de todos os cidadãos ficaram relegados a segundo plano. Propiciarão essas interações a emergência de uma democracia socioeconômica e política?

O método didático adotado foi debater se as ideias abordadas pelos filmes ou por músicas são representativas (ou não) de distintas interpretações sobre o Brasil, aprendidas por leituras prévias da historiografia brasileira clássica, ou se são expressões de sentimentos populares a respeito de temas econômicos. Assim, estimulados por empatia, os estudantes obtiveram a apropriação intelectual dos temas apresentados. Continue reading “Mulheres como Protagonistas”

Dica: Série “In My Shoes”

O chileno Cesar Hidalgo é um dos mais importantes cientistas latino-americanos em atividade. Ele tem 37 anos, aparência de rockstar, com cabelos grandes, barba, bigode e jaqueta de couro de motociclista (sua vestimenta oficial). Ele é um dos mais conhecidos professores do MIT.

Se fosse há 20 anos, muita gente descreveria seu trabalho como “epistemologia“, ou seja, a ciência que estuda a própria ciência. No entanto, como vivemos na era da internet e palavrões como esse são cada vez mais raros, sua especialidade é usualmente descrita como “data visualization” (visualização de dados).

[Fernando Nogueira da Costa: adoro fazer isso, a transformação de grande planilhas estatísticas em conhecimento, ou seja, a complexidade em simplicidade!]

Em suma, ele transforma imensos arquivos do conhecimento humano (especialmente dados científicos) em gráficos interativos e acessíveis, que permitem que até um leigo compreenda as informações só de bater o olho. Para fazer isso, obviamente, ele precisa ter um conhecimento profundo dos dados com que trabalha, e da própria ciência de modo geral.

César lançou um seriado sobre sua própria vida de cientista, chamado “In My Shoes” (algo como “No meu lugar”). São oito episódios, de cerca de 18 minutos cada um. Eles não estão no Netflix (deveriam estar!), mas podem ser assistidos gratuitamente on-line (inmyshoes.info) com legendas em espanhol no Vimeo.

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Dicas para Pesquisa de Filmes no NETFLIX

A cultura do século 21 é muito mais ampla que a cultura pop, a vida digital ou o mercado de massas. Inclui comportamento, hypes, ciência, nostalgia e tecnologia traduzidos diariamente em livros, discos, sites, revistas, blogs, HQs, séries, filmes e programas de TV. Blog do Matias se propõe a ser um lugar para discussões aprofundadas, paralelos entre diferentes áreas e velhos assuntos à tona, tudo ao mesmo tempo.

Alexandre Matias, 41, nasceu em Brasília e mudou-se para Campinas em 1993. Começou a trabalhar como jornalista no Diário do Povo, em Campinas, e em 1995 criou a coluna Trabalho Sujo (http://trabalhosujo.com.br/), que manteve em papel pelo tempo que ele trabalhou no jornal, até 1999, quando a transformou em um site, que mantém até hoje.

Atualmente mantém o podcast Vida Fodona (http://fubap.org/vidafodona/) e uma coluna sobre música brasileira na revista Caros Amigos. Também produz a festa semanal Noites Trabalho Sujo na Trackers, no centro de São Paulo, onde mora desde 2001. Trabalhou ainda como tradutor de HQs, editor-executivo da Conrad Editora e editor-chefe da agência de notícias do projeto Trama Universitário, da gravadora Trama. Também editou o caderno Link do jornal O Estado de S. Paulo e foi diretor de redação da revista Galileu, da editora Globo.

Você já se perguntou como Netflix recomenda títulos para você? Acontece que o serviço de streaming classificou seus catálogos de filmes e programas de TV em milhares de gêneros para ajudar a combinar e combinar com os gostos dos seus filmes. Quanto mais títulos você assistir, mais específicas serão as recomendações.

Netflix não publica uma lista de todos esses gêneros, então é necessário criar a maior lista do mundo de gêneros Netflix com mais de 27.002 gêneros. Você pode ver a lista completa em: NetFlix Streaming by Alternate Genres (Extended List)Você pode filtrar de acordo com o gênero, descrição e década. Clique no link para qualquer gênero para abri-lo no Netflix, diretamente no seu navegador. Também em: https://www.finder.com/netflix/genre-list

Reproduzo abaixo o post do Matias a respeito. Você encontrará link deste post na página deste blog Cultura & Cidadania denominada “Dicas e Serviços” para poder acessar a lista facilmente quando quiser.

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Arte e Ideais de Beleza Feminina ao Longo do Tempo

Elena Rossini apresenta seu curta: I was asked to make a short experimental film for ARTE/the Louvre Museum’s project “4 Semaines” about women and beauty, because of all my work on “The Illusionists.” In the video, I juxtapose the portrayal of women in the arts vs. mass media.

The official page for the video is here:
louvre.arte.tv/2009/12/la-femme-ideale-nexiste-pas/

O Que Você Faria? El Método

Assisti o extraordinário filme-teatral, O Que Você Faria? / El Método, há dez anos, no cinema localizado no aeroporto de Brasília, quando ainda lá trabalhava. Já o revi e comentei com turma de alunos, pois se trata de uma experiência que a maioria dos recém-formados enfrentará: um método de seleção de pessoal pelo RH (Recursos Humanos) de empresas ou, no politicamente correto, “gestão de pessoas”

Sete executivos disputam uma vaga em uma empresa em Madri (Espanha). No mesmo dia, uma reunião do G-8 faz com que as ruas da capital espanhola sejam ocupadas por violentos manifestantes. Mesmo assim, os candidatos participam da seleção, cujas provas são elaboradas baseadas no chamado Método Grönholm. Fechados em uma sala, os candidatos têm de descobrir quem é o agente da empresa infiltrado entre eles, entre outras provações.

Seu roteiro é baseado em uma peça teatral, então, tudo praticamente se desenrola em um único ambiente. O confronto de ideias é intrigante!

Veja acima o longa metragem (1h52min).

Título no Brasil: O Que Você Faria?
Título Original: El Método
País de Origem: Argentina / Espanha / Itália
Gênero: Drama
Classificação etária: 14 anos
Tempo de Duração: 117 minutos
Ano de Lançamento: 2005
Estreia no Brasil: 18/08/2006
Estúdio/Distrib.: Art Films
Direção: Marcelo Piñeyro

Documentário “Destruição a Jato” e o Problema das Finanças Públicas

A memória humana é curta. Por isso, é bom registrar todos os fatos recentes através de um documentário (veja acima), mesmo que ele seja realizado “no calor da hora”, i.é, sem o distanciamento histórico para efetuar uma análise mais “fria”, abrangente e racional da experiência vivenciada.

O documentário mostra que éramos felizes até 2014 — e sabíamos, pois votamos na reeleição da Presidenta Dilma. Porém, a pressão midiática e empresarial, depois de uma campanha eleitoral acirrada, a levou a cometer um “estelionato eleitoral”: a volta da Velha Matriz Neoliberal, o “tripé macroeconômico”. Com todos os seus erros (e acertos), a chamada pejorativamente pela mídia e colunistas neoliberais de Nova Matriz Macroeconômica — desoneração fiscal, depreciação da moeda nacional, cruzada contra os juros mais elevados do mundo –, adotava um gradualismo muito mais adequado à regulação do que o tratamento de choque neoliberal da política econômica levyana: uma overdose de choques (fiscal, tarifários, cambial e de juros) em simultâneo.

Os números oficiais abaixo registram a Grande Depressão, gerada em 2015 e aprofundada em 2016, com o processo golpista do Parlamento brasileiro, inclusive aprovando “pautas-bombas” com medidas para sabotagem do Poder Executivo. Isto sem contar o locaute golpista dos industriais da FIESP.

Então, a economia brasileira parou não só por causa da Operação Lava-Jato, como sugere a tese defendida no documentário, embora a prisão das cúpulas das empresas corruptoras tenha paralisado todas as iniciativas particulares. Um fenômeno macroeconômico, social e político tem sempre multi-causas. Apresento abaixo alguns números que permitem analisá-lo com maior frieza.

Pela estatística apresentada recentemente pelo IBGE, é inegável que já em 2014 havia um grave problema de Finanças Públicas a ser enfrentado. Questiono a forma pela qual buscou-se sua solução: rápido tratamento de choque e não lento gradualismo. A dosagem é a diferença entre o remédio e o venenoContinue reading “Documentário “Destruição a Jato” e o Problema das Finanças Públicas”

Jornalismo Investigativo no Cinema

Reportagens no Cinema

Elaine Guerini (Valor, 02/09/16) conta que, quando filmava “Se Beber, Não Case! Parte II” (2011), em Bangcoc, o cineasta Todd Phillips recebeu um artigo que seria publicado na revista “Rolling Stone“. Escrito por Guy Lawson, a reportagem “Arms and the Dudes” (As Armas e os Caras) contava a trajetória de dois negociantes inexperientes que fizeram fortuna com contrato assinado com o Pentágono para fornecimento de armas na Guerra do Iraque. “Percebi na hora que o caso precisaria ser retratado nas telas. Contando, ninguém acreditaria”, diz o diretor americano.

Batizada de “Cães de Guerra“, a adaptação dos eventos ocorridos em 2007 reforça uma tendência da indústria de cinema em procurar tramas no jornalismo. “Mark Gordon, o produtor que me enviou o artigo da ‘Rolling Stone’, é um caçador de histórias. Não sei como ele consegue ler as reportagens antes de chegarem às bancas”, diz Phillips, ao Valor, em Las Vegas.

Cães de Guerra” encabeça uma nova leva de filmes hollywoodianos inspirados em textos jornalísticos. A prática já resultou em produções de sucesso, como “Argo” (2012), vencedor do Oscar de melhor filme, “O Informante” (1999), “Os Gritos do Silêncio” (1984) e “Um Dia de Cão” (1975), indicados ao prêmio máximo da Academia (veja quadro acima com as principais produções).

A demanda por histórias “de impacto, emocionantes e provocadoras” encorajou a dupla de jornalistas americanos Joshua Davis e Joshuah Bearman a criar uma revista digital. Concebida como plataforma para histórias reais com potencial de adaptação, “Epic” foi lançada em 2013, após a consagração de “Argo” – dirigido por Ben Affleck, o filme foi inspirado em artigo escrito por Bearman. A operação para resgatar clandestinamente seis diplomatas americanos de Teerã, durante a Revolução Islâmica (1979), foi narrada no texto “The Great Escape” (A Grande Fuga), publicado na “Wired“, em 2007.

“A ‘Epic‘ foi a maneira que encontramos de apoiar o jornalismo investigativo“, diz Joshua Davis. Mais de 25 artigos da dupla já ganharam adaptações. “Todas as histórias podem ser lidas gratuitamente no nosso site [http://epicmagazine.com], para o qual não vendemos assinaturas ou mesmo espaço publicitário. Para o cinema, nosso acervo é visto em primeira mão pelo estúdio da Fox. Para TV, temos acordo com o canal A&E.”

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