Documentário “Destruição a Jato” e o Problema das Finanças Públicas

A memória humana é curta. Por isso, é bom registrar todos os fatos recentes através de um documentário (veja acima), mesmo que ele seja realizado “no calor da hora”, i.é, sem o distanciamento histórico para efetuar uma análise mais “fria”, abrangente e racional da experiência vivenciada.

O documentário mostra que éramos felizes até 2014 — e sabíamos, pois votamos na reeleição da Presidenta Dilma. Porém, a pressão midiática e empresarial, depois de uma campanha eleitoral acirrada, a levou a cometer um “estelionato eleitoral”: a volta da Velha Matriz Neoliberal, o “tripé macroeconômico”. Com todos os seus erros (e acertos), a chamada pejorativamente pela mídia e colunistas neoliberais de Nova Matriz Macroeconômica — desoneração fiscal, depreciação da moeda nacional, cruzada contra os juros mais elevados do mundo –, adotava um gradualismo muito mais adequado à regulação do que o tratamento de choque neoliberal da política econômica levyana: uma overdose de choques (fiscal, tarifários, cambial e de juros) em simultâneo.

Os números oficiais abaixo registram a Grande Depressão, gerada em 2015 e aprofundada em 2016, com o processo golpista do Parlamento brasileiro, inclusive aprovando “pautas-bombas” com medidas para sabotagem do Poder Executivo. Isto sem contar o locaute golpista dos industriais da FIESP.

Então, a economia brasileira parou não só por causa da Operação Lava-Jato, como sugere a tese defendida no documentário, embora a prisão das cúpulas das empresas corruptoras tenha paralisado todas as iniciativas particulares. Um fenômeno macroeconômico, social e político tem sempre multi-causas. Apresento abaixo alguns números que permitem analisá-lo com maior frieza.

Pela estatística apresentada recentemente pelo IBGE, é inegável que já em 2014 havia um grave problema de Finanças Públicas a ser enfrentado. Questiono a forma pela qual buscou-se sua solução: rápido tratamento de choque e não lento gradualismo. A dosagem é a diferença entre o remédio e o venenoContinue reading “Documentário “Destruição a Jato” e o Problema das Finanças Públicas”

Cinco Câmeras Quebradas

Para legendas em português, clicar no botão no canto inferior direito do vídeo.

“Imagine que não houvesse nenhum país

Não é difícil imaginar

Nenhum motivo para matar ou morrer

E nem religião, também

Imagine todas as pessoas

Vivendo a vida em paz” (John Lennon)

Impressionou-me muito assistir “5 Broken Cameras“, o primeiro documentário palestiniano nomeado para um Oscar. É documento histórico, pois coloca o expectador dentro da cena, criando uma verdadeira empatia com o documentarista e seus conterrâneos.

Ele mostra a violência do exército israelense contra os residentes de uma aldeia chamada Bilin na Cisjordânia. Para ocupar o território conquistado à força, colonos israelitas se mudam para os novos apartamentos nos cumes vizinhos a Bilin. Não só os habitantes de Bilin são atacados, como até mesmo as oliveiras que lhes restam são queimadas por colonos ou arrancadas pelo exército usando máquinas de construção blindadas.

Com início em 2005, Emad Burnat, um camponês tornado cineasta amador, foi  filmando ao longo de um período de cinco anos com cinco máquinas de filmar danificadas uma após outra por soldados ou colonos israelitas. Ele documentou os protestos contra as confiscações de terras pelo governo israelita e a construção do muro que ocupa as suas terras cultivadas e os irá separar delas.

Apesar do grande risco pessoal, ele continuou a filmar com um sentimento de obrigação moral para com o seu povo e o desejo de alertar o mundo sobre a luta para salvar a sua terra. Em 2009, Burnat conseguiu o auxílio do ativista e realizador israelita Guy Davidi para o ajudar a montar o filme. Continue reading “Cinco Câmeras Quebradas”

Documentário sobre a Vida de Frank Sinatra

Boa dica para o feriadão. Assisti logo que foi lançado no Netflix. Agora, li (Valor, 30/10/15) a boa resenha habitual em Amir Labaki, diretor­ fundador do É Tudo Verdade Festival Internacional de Documentários. Na verdade, o mais interessante do documentário sobre a vida de Frank Sinatra é que ele mostra os contextos de suas distintas fases de vida de maneira admirável. É a história norte-americana do século XX que visualizamos em uma recuperação extraordinária de imagens. Faz lembrar a série sobre Jazz de Ken Burns, o melhor documentário sobre a maior expressão da cultura popular nos Estados Unidos.

“Desde a semana passada está oficialmente aberta, também por aqui, a comemoração do centenário de nascimento de Frank Sinatra (1915-1998), a ser completado em 12 de dezembro. A partir de então é possível assistir pela Netflix ao documentário em duas partes “All or Nothing At All“, de Alex Gibney, lançado nos EUA pela HBO em abril. Em pouco mais de quatro horas, Gibney resume o essencial da obra e da vida do mais admirado, influente e perfeccionista cantor de música popular do século XX. Como esqueleto dramático, ele se apoia nas filmagens do show de despedida de Sinatra em junho de 1971, em Los Angeles. Sim, dois anos mais tarde ele já estava de volta aos estúdios e palcos, vindo mesmo ao Brasil para uma apresentação histórica no Maracanã em 1980 e uma série de shows mais intimistas no Maksoud Plaza, em São Paulo, em agosto do ano seguinte. Continue reading “Documentário sobre a Vida de Frank Sinatra”

Um Sonho Intenso

UM SONHO INTENSO ESTREIA NO CANAL CURTA DIA 13 DE AGOSTO DE 2015, QUINTA-FEIRA, ÀS 22 HORAS NO CANAL CURTA — PODE SER VISTO NOS CANAIS: 56 DA NET 83 NA GVT 76 NA OI TV 103 NA VIVO TV 69 NA CLARO TV

A Fundação Perseu Abramo realizou em sua sede a exibição do documentário Um sonho Intenso, dirigido por José Mariani. Em seguida ocorreu um debate com a presença do próprio diretor do filme, José Mariani, Marcio Pochmann (Presidente da FPA), Joaquim Floriano (Diretor da FPA) e do professor da Unicamp Reginaldo Moraes.

Documentário “Um Sonho Intenso” sobre Desenvolvimentismo em Cartaz

CartazUmSonhoIntenso

Depois de bem recebido pelo publico e pela imprensa no Festival É Tudo Verdade de 2014, o documentário Um sonho intenso, do cineasta José Mariani foi exibido no ano passado em algumas universidades, seguido de debates com professores e alunos, em congressos acadêmicos e em encontros promovidos por centros de estudos e de cultura.

Agora, no mês de abril de 2015 chega finalmente ao circuito de cinema das principais capitais brasileiras, começando por São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói e Brasília, onde estreia no dia 23 de abril. As exibições serão no Espaço Itaú de Cinema, menos a de Niterói, que acontecerá no Centro das Artes da Universidade Federal Fluminense.

O grande trunfo de Um sonho intenso é sua forma ágil, clara e prazerosa de abordar um tema  a princípio denso e complexo: a história social e econômica do Brasil dos anos 30 aos dias de hoje. Continue reading “Documentário “Um Sonho Intenso” sobre Desenvolvimentismo em Cartaz”

Privatizações: a Distopia do Capital (2014)

O novo filme de Silvio Tendler ilumina e esclarece a lógica da política em tempos marcados pelo crescente desmonte do Estado brasileiro. A visão do Estado mínimo; a venda de ativos públicos ao setor privado; o ônus decorrente das políticas de desestatização traduzidos em fatos e imagens que emocionam e se constituem em uma verdadeira aula sobre a história recente do Brasil. Assim é Privatizações: a Distopia do Capital.

Realização do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), com o apoio da CUT Nacional, o filme traz a assinatura da produtora Caliban e a força da filmografia de um dos mais respeitados nomes do cinema brasileiro.

Em 56 minutos de projeção, intelectuais, políticos, técnicos e educadores traçam, desde a era Vargas, o percurso de sentimentos e momentos dramáticos da vida nacional. A perspectiva da produtora e dos realizadores é promover o debate em todas as regiões do país como forma de avançar “na construção da consciência política e denunciar as verdades que se escondem por trás dos discursos hegemônicos”, afirma Silvio Tendler.

Vale registrar, ainda, o fato dos patrocinadores deste trabalho, fruto de ampla pesquisa, serem as entidades de classe dos engenheiros. Movido pelo permanente combate à perda da soberania em espaços estratégicos da economia, o movimento sindical tem a clareza de que “o processo de privatizações da década de 90 é a negação das premissas do projeto de desenvolvimento que sempre defendemos”.

Sem Rótulos, Sem Discursos de Ódio

No dia do meu aniversário, desejo que eliminemos os rótulos e tenhamos empatia. Talvez, com isso, conseguiremos abandonar o Discurso de Ódio

Não criminalizemos a priori “figuras sociais”, independentemente, de (des/re) conhecermos cada indivíduo. Para a conquista de direitos civis, políticos, sociais e econômicos foi (e é) necessário reconhecer o direito do outro ser… outro! Sem ódio pessoal a ele — ou ódio dele por ti.

Chega de ser antissemita, antirrentista, anticomunista, antipetista, antiaborto, antiateu, antirracional, antiético. Sejamos apenas antirracistas e antihomofóbicos!

Vamos nos definir pelo positivo e não optar só pela negação!

Post-Scriptum:

Façamos o debate político-eleitoral sem vitimação. Não consideremos “coitadinha” aquela que busca tornar(-se) vítima, sacrificar(-se), imolar(-se), no caso, por ter passado a eleição de 2010 sem receber nenhum contraditório ao seu discurso leviano (superficial) por parte dos adversários, pois contavam com os votos dos seus eleitores no segundo turno, e agora se choca com o confronto de ideias antagônicas. Quem agride aos concorrentes com calúnias e injúrias — e depois passa a fazer-se de vítima, lastimar-se como vítima — possui uma falsa moralidade…