Geração da Riqueza

Lauren Greenfield retrata o Império Americano ao capturar uma série de reportagens fotográficas de uma cultura materialista, workaholic e obcecada por imagens. Ensaio simultaneamente autobiográfico e histórico, o filme testemunha a globalização do “sonho americano corrompido” (e corruptor) e os custos pessoais do capitalismo em estágio avançado, vivenciado em torno de narcisismo e ganância.

Nos últimos 25 anos, a aclamada fotógrafa e cineasta Lauren Greenfield (A Rainha de Versalhes, Magra, crianças + dinheiro, #likeagirl) viajou o mundo, documentando com precisão etnográfica e a sensibilidade de um artista uma vasta gama de movimentos e momentos culturais. No entanto, depois de tanto buscar e pesquisar, ela percebeu que muito de seu trabalho apontava para um fenômeno unificador: a cultura da riqueza.

Com seu novo filme, Generation Wealth, ela junta as peças do trabalho de sua vida em uma investigação incendiária sobre as patologias vivenciadas na sociedade mais rica do mundo. Abrangendo consumismo, beleza, gênero, mercantilização do corpo, envelhecimento e muito mais, Greenfield criou um conto de advertência abrangente sobre uma cultura indo direto para o precipício.

Generation Wealth é, simultaneamente uma jornada profundamente pessoal, ensaio histórico rigoroso e exposição de fatos lamentáveis e espantosos, testemunha a evolução das gerações desde o início da Era Neoliberal, no governo Reagan nos anos 80. Levanta a hipótese do fim do padrão-ouro ter levado ao excesso de consumismo pela facilidade de endividamento e multiplicação do dólar.

Observa de perto (e entrevista) pessoas cujo o desejo por prosperidade pessoal, seja pela venda do corpo, seja pela venda da moral, se tornou a força motriz e o objetivo principal de suas vidas.

Esse documentário chocante, com retratos da sociedade norte-americana consumista de dinheiro, sexo e status, mostra o pesadelo emergente de “o sonho americano”, exportado para os neocolonizados culturalmente. Encontra-se na Amazon Prime. Imperdível!

Explicando O Poder do Voto (Documentário na Netflix)

Em 1776, 56 homens assinaram um documento alegando algo radical: “todos os homens são criados iguais e todos os governos obtêm seus poderes justos do consentimento dos governados”. Esses dizeres foram inscritos na Constituição dos Estados Unidos. 

A contradição, desde logo, foi o Direito do Voto não ter sido concedido para todos seres humanos nascidos/naturalizados nos Estados Unidos, mas apenas para os donos de seres humanos. Votar era um privilégio exclusivo de homens brancos com propriedade, destacadamente os escravistas. 

Quando George Washington foi eleito o primeiro presidente da República norte-americana, no máximo 20% dos governados podiam votar. A luta para decidir e declarar o voto ser um direito – e não um privilégio – é ainda um desafio.

Primeiro, após a Guerra Civil (1860-1865), os negros conquistaram o direito ao voto, retirado logo após no Sul. Depois, em 1920, as mulheres e os nativos indígenas o conquistaram. Em 1971, a idade de voto caiu de 21 para 18 anos. Em 2016, cerca de 90% dos maiores de 18 anos nos EUA podia votar, mas só 56% exerceu o direito.

Os Estados Unidos ficaram abaixo da maioria dos países desenvolvidos em participação dos eleitores. Com a pandemia não há como fugir do debate sobre a votação no Império militar, econômico e cultural. O atual presidente com o risco de ser derrotado já anuncia o voto eleitoral ser fraudado, não disposto a reconhecer seu fracasso.

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Documentário Imperdível: Longe da Árvore

Assisti em São Paulo e considero imperdível o documentário “Longe da Árvore“. Todos cidadãos terão um ganho em humanidade se o assistirem.

Com dezenas de prêmios no currículo, o autor nova-iorquino Andrew Solomon foi diagnosticado com dislexia na infância. Na época, o pequeno Andrew contou com toda a atenção e dedicação de sua abastada família para tratar o transtorno. Mas tudo mudou durante a adolescência, quando o escritor assumiu sua homossexualidade. “Minha mãe imaginava que seu primeiro filho seria parte do grupo dominante, uma criança popular na escola, atlética, sem conflitos com o mundo e basicamente convencional”, diz. “E, ao contrário, ela teve a mim”.

Para entender os conflitos entre as expectativas de pais e filhos, o autor mergulhou por uma década no universo da diversidade, chegando a entrevistar mais de 300 famílias com filhos marcados pela excepcionalidade. Surdosanões, portadores de síndrome de Downautistas, esquizofrênicos, portadores de deficiências múltiplas, crianças prodígios, filhos concebidos por estupro, transgêneros e menores infratores. Sua extensa pesquisa sobre as mais diversas famílias deu origem ao livro Longe da árvore: pais, filhos e a busca da identidade, publicado em 24 idiomas e premiado mais de 50 vezes, nacional e internacionalmente.

Uma adaptação documental da obra chegou aos cinemas brasileiros no dia 19 de setembro de 2019. Ele também está disponível para pré-venda no iTunes com preço especial.

“Eu gostaria de pensar que o filme traz uma mensagem não apenas de tolerância, mas de admiração por pessoas diferentes”, afirma Solomon. “Trata de resiliência, claro, mas fala ainda mais profundamente da grande questão de ter uma sociedade que em sua totalidade acolhe várias experiências humanas”.

O documentário Longe da árvore é dirigido e produzido pela vencedora do Emmy® Rachel Dretzin e conta com todos os recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual e auditiva: legenda descritiva, audiodescrição e libras.

São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre teve sessões gratuitas até o dia 22 de setembro. Espectadores paulistanos e cariocas ainda foram brindados com sorvetes oferecidos pela Ben&Jerry’s. A ação é um oferecimento da distribuidora Flow, em parceria com a Diageo, o Instituto Alana, A Taba e Cia das Letras, com apoio institucional da ONU, por meio da campanha Livres & Iguais e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

Leia mais: https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,documentario-com-andrew-solomon-traz-pais-e-filhos-em-busca-da-identidade,70003017390

Sumário e Prefácio de Longe da Árvore

El Odio / Democracia em Vertigem / O Processo: Documentários sobre a Recente História do Brasil

El odio” describe la campaña de desprestigio impulsada contra Lula da Silva y el Partido de los Trabajadores en Brasil, demostrando como ese proceso catapultó a Jair Bolsonaro a la presidencia. El audiovisual realizado por el documentalista argentino Andrés Sal.lari también detalla la participación protagónica del juez Moro, de los medios de comunicación y de Washington en toda la operación.

Democracia em Vertigem estreou na Netflix em 19 de junho de 2019. Um alerta em tempos de democracia em crise. Neste retrato de um dos períodos mais dramáticos da história do Brasil, o político e o pessoal estão entrelaçados. Através de relatos de seu complexo passado familiar e acesso sem precedentes a líderes do passado e do presente – incluindo os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, a cineasta Petra Costa (Elena) analisa a ascensão e queda desses governantes e a consequente polarização de uma nação.

O Processo“, dirigido por Maria Augusta Ramos, estreou no dia 17 de maio de 2018 no circuito comercial de cinemas.

O grande filme de terror do ano não é uma ficção (por Dodô Azevedo)

O grande filme de terror do ano não é uma ficção. É um documentário brasileiro no qual um assassino confesso detalha como matava e incinerava os corpos de militantes brasileiros de esquerda a mando da extrema direita, em ligação clandestina com nosso governo federal e setores da elite de nossa sociedade civil.

O grande filme de terror do ano não é uma ficção. Nele, o matador Claudio Guerra, explica friamente que não cometia os assassinatos por ódio aos militantes de esquerda. Apenas cumpria ordens. Era leal aos mandantes dos crimes. Com isso, recebia em troca, além de bônus salariais depositados em contas clandestinas falsificadas pelos próprios bancos que financiavam seu grupo de extermínio, presentes como casas de praia e fazendas, o que lhe garantiam uma boa vida. Em certo momento, revela o lugar onde os militares escondiam clandestinamente centenas de fuzis de última geração usados para o combate a militantes de esquerda.

O grande filme de terror do ano não é uma ficção. Exibe uma longa conversa entre o ex-delegado do DOPS Claudio Guerra, que nos anos 70, matou e ocultou corpos de militantes de esquerda durante a ditadura civil militar instalada no Brasil. “Pastor Cláudio”, dirigido por Beth Formaggini, que entra em cartaz nesta quinta-feira nos cinemas, escandaliza e aterroriza o espectador não pelo o que é nele revelado. Mas por não nos surpreender. Tudo ali já desconfiávamos. Já até sabíamos. Mas não fizemos, como sociedade civil, nada para contestar. Fomos cúmplices. Somos cúmplices. As denúncias do Pastor Guerra já foram inclusive investigadas e confirmadas pela Polícia Federal, poucos anos atrás. Nosso reflexo é insuportável.

O grande filme de terror do ano não é uma ficção. E não fala apenas do passado. Claudio Guerra, o matador arrependido que tornou-se pastor evangélico e fala o tempo inteiro com uma Bíblia na mão revela que a máquina de extermínio criada durante a ditadura civil militar não parou de funcionar com o fim do regime. Seguiu como máquina de extermínio “da bandidagem carioca”, na prática pobres de periferia, e transformou-se, no Rio de Janeiro, em organizações fundadas por militares que com o intuito de provir segurança paralela para empresas e comunidades e a contravenção do jogo do Bicho. Tempo em que as milícias surgiram como organizações fundadas por militares, prometendo provir segurança paralela para empresas e comunidades. Continuar a ler