Músicas nos Filmes de Pedro Almodovar: Consagração Internacional

II – Consagração internacional: segunda fase com carreira internacional do diretor.

Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988)

Ver artigo principal: Mujeres al borde de un ataque de nervios

Este foi o primeiro grande sucesso almodovariano. A comédia estrelada por Carmen Maura, Antonio Banderas e Rossy de Palma, conta os detalhes de um período de dois dias na vida de Pepa (Carmen Maura) uma dubladora profissional de filmes que foi abruptamente abandonada por seu amante casado e que freneticamente tenta localizá-lo. No curso de sua busca, ela descobre alguns de seus segredos, e percebe seus verdadeiros sentimentos. O filme lançou Almodóvar para fora da Espanha, sendo indicado como o melhor filme estrangeiro no Oscar, Globo de Ouro e BAFTA.

Ata-me! (1990)

Ver artigo principal: Ata-me!

O próximo filme de Almodóvar, marcou o rompimento com a sua atriz de referência, Carmen Maura, e o início de uma frutífera colaboração com outra grande atriz do cinema espanhol e europeu: Victoria Abril. Atame! também foi a quinta colaboração e mais importante do diretor com Antonio Banderas. Ricky (interpretado por Antonio Banderas) é um paciente psiquiátrico recém-liberado que sequestra e mantém como refém uma atriz (interpretada por Victoria Abril), a fim de fazê-la se apaixonar por ele. Ao invés de preencher o filme com muitos personagens, como em seus filmes anteriores, aqui a história centra-se na relação entre os dois: a atriz e seu sequestrador literalmente lutando por poder e por amor.

De Salto Alto (1991)

Ver artigo principal: Tacones lejanos

“De Salto Alto” é construído em torno da relação entre uma mãe egocêntrica, uma famosa cantora, e a filha crescida que ela abandonou quando criança e que agora trabalha como apresentadora de televisão. A filha se casou com o ex-amante de sua mãe. Canções populares, sempre um elemento chave na obra de Almodóvar, nunca estiveram tão presentes do que neste filme repleto de boleros.

Kika (1993)

Ver artigo principal: Kika

Depois da intensidade melodramática de “De Salto Alto”, Almodóvar deu outra reviravolta em sua carreira, rodando um dos seus filmes mais inclassificáveis​​: Em Kika, cada personagem pertence a um gênero de filme diferente, gerando assim um filme muito livre e heterodoxo. O enredo centra-se em Kika, uma maquiadora habilidosa e de bom coração, que se envolve com um velho escritor americano expatriado e seu enteado desnorteado. Um repórter de televisão sensacionalista segue as desventuras de Kika.

A Flor do Meu Segredo (1995)

Ver artigo principal: La flor de mi secreto

Em “A Flor do Meu Segredo”, o diretor explora o melodrama como um tema, e não como enredo. Na obra, uma romancista de sucesso que tem de enfrentar tanto uma crise profissional e pessoal. O filme marcou a transição da fase mais agitada, no início da carreira de Almodóvar, para o momento mais maduro artisticamente. Contudo, o filme não foi bem recebido pela crítica, sendo uma das obras menos conhecidas do diretor espanhol.

Músicas nos Filmes de Pedro Almodóvar: Fase Experimental

 

Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão (1980)

Ver artigo principal: Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón

“Pepi, Luci, Bom e Outras Tipas do Grupo”/”Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão” foi baseado em sua fotonovela “Ereções Gerais”, publicada anteriormente na revista El Víbora (O Viper). Pepi, Luci, Bom… consiste em uma série de esboços vagamente ligados ao invés de uma trama completamente formada. Ele segue as aventuras dos três personagens do título: Pepi, que quer se vingar do policial corrupto que a estuprou, Luci, uma dona de casa masoquista, e Bom, uma cantora de punk rock lésbica.

 

Labirinto de Paixões (1982)

Ver artigo principal: Laberinto de pasiones

“Labirinto de paixões” é uma comédia maluca sobre identidades múltiplas, um dos assuntos favoritos de Almodóvar. O enredo segue as aventuras de dois personagens sexualmente loucos: Sexilia, uma estrela pop apropriadamente chamada de ninfomaníaca, e Riza, filho homossexual do líder de um país fictício do Oriente Médio. Seus destinos prováveis são encontrar um ao outro, superar suas orientações sexuais e viver felizes para sempre em uma ilha tropical.

Maus Hábitos (1983)

Ver artigo principal: Entre tinieblas

Em Entre tinieblas/Maus hábitos, Almodóvar propõe uma profanação do sagrado, mostrando a instituição católica convento como um recinto de adoradoras do pecado. O sagrado, como aquilo que é separado para a reverência, perde o seu lugar e se imiscui na vivência diária, tida como pecaminosa pelos ditames oficiais da Igreja Católica.

O Que Fiz Eu para Merecer Isto? (1984)

Ver artigo principal: ¿Qué he hecho yo para merecer esto?

Foi inspirado nas comédias espanholas preto e branco do final dos anos 1950 e início dos anos 1960. É um conto sobre a luta de uma dona de casa chamada Gloria e sua família desestruturada: seu marido violento que trabalha como motorista de táxi, seu filho mais velho, um traficante de drogas, o filho mais novo que vende seu corpo para os pervertidos locais, e a avó que odeia a cidade e só quer voltar para sua aldeia rural.

Matador (1986)

Ver artigo principal: Matador (filme)

“Matador” é uma história sombria e complexo que se centra na relação entre um toureiro e uma advogada criminal que só pode experimentar satisfação sexual se relacionando com o assassinato. O filme oferece o desejo como uma ponte entre a atracção sexual e a morte. Trata-se de uma das obras mais obscuras da Almodóvar.[carece de fontes]

A Lei do Desejo (1987)

Ver artigo principal: A Lei do Desejo

Em “A Lei do Desejo”, a narrativa segue três personagens principais: um diretor de cinema gay que embarca em um novo projeto, sua irmã, uma atriz transexual e um stalker reprimido assassino obsessivo. Foi o primeiro filme feito em sua própria produtora, a El Deseo, que ampliou a independência estética do diretor.

El Odio / Democracia em Vertigem / O Processo: Documentários sobre a Recente História do Brasil

El odio” describe la campaña de desprestigio impulsada contra Lula da Silva y el Partido de los Trabajadores en Brasil, demostrando como ese proceso catapultó a Jair Bolsonaro a la presidencia. El audiovisual realizado por el documentalista argentino Andrés Sal.lari también detalla la participación protagónica del juez Moro, de los medios de comunicación y de Washington en toda la operación.

Democracia em Vertigem estreou na Netflix em 19 de junho de 2019. Um alerta em tempos de democracia em crise. Neste retrato de um dos períodos mais dramáticos da história do Brasil, o político e o pessoal estão entrelaçados. Através de relatos de seu complexo passado familiar e acesso sem precedentes a líderes do passado e do presente – incluindo os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, a cineasta Petra Costa (Elena) analisa a ascensão e queda desses governantes e a consequente polarização de uma nação.

O Processo“, dirigido por Maria Augusta Ramos, estreou no dia 17 de maio de 2018 no circuito comercial de cinemas.

30 livros nacionais inspiradores de roteiros de filmes

O site Design do Escritor postou em 30 de maio de 2019 uma lista de 30 livros transformados em roteiros de filmes. Como penso retomar a experiência de ensinar Economia com Cinema, no próximo ano, registro aqui essa lista inspiradora para eu organizar um Programa e Bibliografia. Aliás, no último curso sobre Brasil no Cinema, usei o Policarpo Quaresma e a Hora da Estrela.

É comum classificar filmes por roteiros originais ou roteiros inspirados em obras literárias. Essas adaptações muitas vezes causam certo incômodo aos apaixonados pelos livros. De qualquer forma, o ponto positivo sempre fica para a cultura do cinema e do livro. Eles se conectam e podem trazer mais leitores e cinéfilos para ambos. Quem é culto sempre aprecia o trio livro, cinema e música!

Confira abaixo 30 livros nacionais com roteiros adaptados para cinema. Continuar a ler

O grande filme de terror do ano não é uma ficção (por Dodô Azevedo)

O grande filme de terror do ano não é uma ficção. É um documentário brasileiro no qual um assassino confesso detalha como matava e incinerava os corpos de militantes brasileiros de esquerda a mando da extrema direita, em ligação clandestina com nosso governo federal e setores da elite de nossa sociedade civil.

O grande filme de terror do ano não é uma ficção. Nele, o matador Claudio Guerra, explica friamente que não cometia os assassinatos por ódio aos militantes de esquerda. Apenas cumpria ordens. Era leal aos mandantes dos crimes. Com isso, recebia em troca, além de bônus salariais depositados em contas clandestinas falsificadas pelos próprios bancos que financiavam seu grupo de extermínio, presentes como casas de praia e fazendas, o que lhe garantiam uma boa vida. Em certo momento, revela o lugar onde os militares escondiam clandestinamente centenas de fuzis de última geração usados para o combate a militantes de esquerda.

O grande filme de terror do ano não é uma ficção. Exibe uma longa conversa entre o ex-delegado do DOPS Claudio Guerra, que nos anos 70, matou e ocultou corpos de militantes de esquerda durante a ditadura civil militar instalada no Brasil. “Pastor Cláudio”, dirigido por Beth Formaggini, que entra em cartaz nesta quinta-feira nos cinemas, escandaliza e aterroriza o espectador não pelo o que é nele revelado. Mas por não nos surpreender. Tudo ali já desconfiávamos. Já até sabíamos. Mas não fizemos, como sociedade civil, nada para contestar. Fomos cúmplices. Somos cúmplices. As denúncias do Pastor Guerra já foram inclusive investigadas e confirmadas pela Polícia Federal, poucos anos atrás. Nosso reflexo é insuportável.

O grande filme de terror do ano não é uma ficção. E não fala apenas do passado. Claudio Guerra, o matador arrependido que tornou-se pastor evangélico e fala o tempo inteiro com uma Bíblia na mão revela que a máquina de extermínio criada durante a ditadura civil militar não parou de funcionar com o fim do regime. Seguiu como máquina de extermínio “da bandidagem carioca”, na prática pobres de periferia, e transformou-se, no Rio de Janeiro, em organizações fundadas por militares que com o intuito de provir segurança paralela para empresas e comunidades e a contravenção do jogo do Bicho. Tempo em que as milícias surgiram como organizações fundadas por militares, prometendo provir segurança paralela para empresas e comunidades. Continuar a ler

Todos sabem: ex-emprego e ex-amor

Todos sabem: o maior problema brasileiro no presente não é a reforma da Previdência Social. Este será um grande problema no futuro. O maior desafio atual é a retomada do crescimento da renda e do emprego. Mas a respeito disso o governo do capitão-miliciano não toma nenhuma providência. É obsessivo com a previdência – e “o PT”.

Todos sabem: a taxa de desocupação (12,4%) no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2019 representa uma enorme população desocupada (13,1 milhões). Em média, 1/5 das famílias brasileiras têm problema com desemprego de um de seus três membros, provavelmente, a do chefe de família.

Todos sabem: a idade média da população e a estagnação econômica do país dificultam a recolocação profissional. O tempo passa e cada vez mais o desempregado vê também amigos, vizinhos ou parentes sem emprego. Bate o desespero. É um melodrama social.

Todos sabem: o gasto público deve substituir o gasto privado quando as expectativas empresariais estão pessimistas, mesmo incorrendo em maior déficit e endividamento público. A retomada do crescimento do PIB, puxado pelo investimento estatal, reverte essas expectativas e, mais adiante, eleva a arrecadação fiscal e as folhas de pagamento, aumentando também as contribuições previdenciárias.

Todos sabem: fazer ajuste fiscal com base em corte de gastos públicos e corte de salários é um equívoco. Em visão imediata, corta custos, mas ao mesmo tempo corta a demanda agregada. Este sofisma da composição revela mais uma vez: “o que é bom para as partes nem sempre é positivo para o todo”. A lógica individual não é a mesma do coletivo. Continuar a ler

Vice

Uma resenha do filme “Vice” (concorrente a 8 prêmios Oscar, inclusive como melhor filme e melhor ator principal) da Folha de S.Paulo critica o diretor Adam McKay (“A Grande Aposta” em 2015) porque ele teria ficado “obcecado em desancar a direita americana, valendo-se de certa estridência e, não raro, de algum maniqueísmo”.

Ora, ora, ora, os fatos ainda estão na memória recente. Caberia ao crítico apenas dizer se foram falseados ou não nesse filme interpretativo de fatos reais. Dick Cheney foi o 46º vice-presidente dos Estados Unidos durante o governo George W. Bush, filho de ex-presidente, de janeiro de 2001 a janeiro de 2009. Ele foi a figura-chave na imperial política externa americana no período.

A partir de mentiras, aproveitando-se do clima de comoção pelo ataque às “duas torres gêmeas”, em NYC, estimulou uma “Guerra ao Terror” contra o Iraque. O impacto nas cotações do petróleo era favorável aos seus apoiadores. Elaborou os falsos argumentos sobre uma pressuposta conexão entre o regime de Saddam Hussein e a Al-Qaeda, assim como a existência de armas de destruição em massa no Iraque.

Desde 11 de setembro de 2001, os EUA tentaram impor essa estratégia de vingança ao resto do mundo, mas só conseguiu apoio do submisso primeiro-ministro inglês Tony Blair. Em março de 2003, ele decidiu em conjunto com o presidente norte-americano George W. Bush atacar o Iraque. Enviou tropas britânicas, conjuntamente com os militares norte-americanos, para depor Saddam Hussein.

O filme mostra filmes e fotos da época das invasões do Afeganistão e do Iraque, mostrando o bombardeio indiscriminado a civis, assim como a tortura humilhante de suspeitos na base de Guantánamo. Cheney aprovou e defendeu tal política. Continuar a ler