Economia Estagnada e Sem Nenhum Plano de Recuperação

A estimativa do PIB, realizada pelo IBGE, comprovou a economia brasileira em 2018 ter crescido apenas 1,1%, demarcando a estagnação, caracterizada pela recuperação lenta do investimento e pela expansão muito pequena do consumo das famílias.

Dados do mercado de trabalho, após a pregada reforma trabalhista neoliberal, decepcionaram os louvadores de O Mercado. O desemprego no trimestre encerrado em janeiro de 2019 ficou em 12%, acima do previsto pelos vendedores de ilusões. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou a criação de apenas 34 mil vagas formais no primeiro mês do ano, bem abaixo da média de 82 mil estimada pelos analistas em autoengano coletivo.

Com uma atividade estagnada e uma inflação baixa, inferior a 4%, começa a crescer até entre os economistas ortodoxos a ideia de ser necessário um corte na Selic neste ano. Aí a ignorância deles aparece mais uma vez: a política monetária é assimétrica, uma arma muito poderosa para provocar uma depressão ou recessão, mas muito inoperante para provocar uma retomada do crescimento. É feito uma corda: puxa o touro, mas quando ele vem na sua direção de nada serve para retrocedê-lo. É como puxar a cauda de um tigre: ele te devora!

Se eles tivessem lido Keynes saberiam: pode-se levar um cavalo à fonte, mas não pode obrigá-lo à beber! É a armadilha da liquidez. Entre o cálice e os lábios existe a incerteza. Continuar a ler

Contas Nacionais em 2018

Em 2018, o PIB (produto Interno Bruto) cresceu 1,1% frente a 2017, após alta de 1,1% em 2017, e retrações de 3,5% em 2015, e 3,3% em 2016. Houve altas na Agropecuária (0,1%), na Indústria (0,6%) e Serviços (1,3%). O PIB totalizou R$ 6,8 trilhões em 2018.O PIB per capita variou 0,3% em termos reais, alcançando R$ 32.747 em 2018.

A taxa de investimento em 2018 foi de 15,8% do PIB, abaixo do observado em 2017 (15,0%). Já a taxa de poupança foi de 14,5% (ante 14,3% em 2017).

Frente ao 3º trimestre, na série com ajuste sazonal, o PIB teve alta de 0,1% no 4º trimestre de 2018. Foi o oitavo resultado positivo consecutivo nesta comparação. A Agropecuária e os Serviços apresentaram variação positiva de 0,2%, enquanto a Indústria recuou (-0,3%).

Em relação ao 4º trimestre de 2017, o PIB cresceu 1,1% no último trimestre de 2018, o oitavo resultado positivo consecutivo, após onze trimestres de queda.  Agropecuária (2,4%) e Serviços (1,1%) cresceram, enquanto a Indústria caiu (-0,5%).

O material de apoio das Contas Trimestrais está em:

Recessão contra Inflação de Serviços: Brasil com Maior Desemprego da América Latina

Bruno Villas Bôas e Hugo Passarelli (Valor, 15/02/19) informam: após três anos de retração, o setor de serviços terminou 2018 apenas reduzindo as perdas registradas durante a recessão. A exemplo do ocorrido desde meados de 2017, o segmento segue atrás da recuperação econômica, enquanto a indústria e o varejo, por exemplo, já mostram crescimento, ainda que modesto. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de serviços prestados caiu 0,1% no acumulado do ano passado, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).

Economia começa 2019 em expansão, mas ritmo é moderado
Para 2019, é esperada uma reação, também comedida devido à alta ociosidade do mercado de trabalho, o que inibe uma elevação mais forte do consumo e, por consequência, também retrai a demanda das empresas por serviços terceirizados. Continuar a ler

Determinantes Estruturais da Inflação

Sergio Lamucci (Valor, 04/02/19) informa: a inflação tem estado em níveis baixos no Brasil. Essa melhora se deve em grande parte a fatores estruturais, ligados à dinâmica benigna dos preços dos serviços e dos núcleos. Segundo estudo do Goldman Sachs, esse comportamento aponta para um quadro inflacionário mais favorável para 2019, quando as expectativas estão bem ancoradas, com credibilidade elevada da política monetária.

Em 2018, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em 3,75%, bem abaixo dos 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central (BC). Para 2019, analistas apostam em um IPCA de 4%, um número também inferior ao alvo deste ano, de 4,25%. A recuperação lenta da atividade, numa economia com elevada capacidade ociosa, aponta para um ambiente inflacionário tranquilo.

Em 2017, a melhora no cenário de inflação se deveu em boa medida a um fator cíclico – os preços extraordinariamente baixos dos alimentos. Em 2018, por sua vez, o processo foi liderado e consolidado pelos preços de serviços e pelos núcleos – medidas sem a influência dos itens mais voláteis.

A inflação ancorada em fatores mais estruturais do que cíclicos também se observa nos outros principais países da região que adotam o regime de metas. Além do Brasil, isso ocorre em Chile, Colômbia, Peru e México. O atual pano de fundo de inflação baixa está ancorado em componentes tradicionalmente mais estáveis e rígidos: os núcleos e os serviços.

Desse modo, trata-se de um processo mais estrutural, baseado em itens que mostram elevada inércia. A inércia é o fenômeno pelo qual a inflação passada alimenta a inflação futura. O fato de o IPCA de 2017 ter ficado num nível baixo ajudou o indicador a ter uma variação modesta em 2018. O mesmo tende a ocorrer neste ano, devido à inflação também controlada do ano passado. Continuar a ler

Exportações Brasileiras: Metade com 7 Commodities

Divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador oficial de inflação avançou 0,32% em janeiro de 2019. Os bens comercializáveis ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,12% no mês passado, ante 0,13% em dezembro. Esse grupo representa cerca de 30% do IPCA. Nele, estão alimentos derivados de commodities, bens de consumo semiduráveis e duráveis — itens que podem ser comercializados com o exterior e, por isso, sofrem influência do câmbio. Em 12 meses, os comercializáveis subiram 1,81% até janeiro, também abaixo da inflação total, de 3,78%. O bom desempenho registrado no balanço comercial justifica parte da estabilidade cambial e daí parte da estabilidade inflacionária.

Sergio Lamucci (Valor, 11/02/19) informa: sete commodities responderam por metade do valor das exportações brasileiras em 2018, o percentual mais alto desde os 51,4% registrado em 2011. No ano passado, as vendas do complexo soja, óleos brutos de petróleo, minério de ferro, complexo carnes, celulose, açúcar e café renderam US$ 120,3 bilhões ao país, o equivalente a 50,2% do total exportado.

Houve em 2018 um forte aumento das exportações de soja, petróleo e celulose, produtos que ganharam espaço na pauta com alta simultânea de preços e volumes negociados com o exterior, num ano de crescimento ainda razoavelmente expressivo da economia global. Ao mesmo tempo, as vendas de produtos manufaturados mostraram pouco dinamismo, um reflexo do impacto da crise da Argentina – grande compradora desses bens — e da crônica falta de competitividade da indústria brasileira.

Parte importante do aumento da concentração da pauta nessas commodities se deve à recuperação dos preços de alguns produtos, diz o economista Fernando Ribeiro, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A participação dessas sete commodities caiu para a casa de 45% do total exportado em 2015 e 2016, período em que a média das cotações de venda dos produtos básicos ao exterior recuou quase 35%, segundo números da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex). Em 2017 e 2018, os preços de exportação dos básicos reagiram, subindo 21%.

Isso levou a participação das sete commodities no total exportado para a casa de 50%, um nível bastante elevado, mas ainda um pouco abaixo do recorde atingido em 2011. Foi quando muitas commodities atingiram o seu pico histórico. Continuar a ler

Arrecadação de royalties de Petróleo: Futuro de Economia do Petróleo

A Agência Internacional de Energia (AIE) alerta sobre a possibilidade de volta ao déficit no mercado global de petróleo ainda no primeiro semestre de 2019. Tudo depende da implantação dos cortes anunciados por grandes países produtores – Opep e Rússia — e da velocidade de aumento da demanda neste ano. A agência projeta o Brasil aumentar sua produção diária para 3,7 milhões de barris de petróleo em 2025, 4,3 milhões em 2030 e 4,8 milhões em 2035.

O país encerrou 2018 com a melhor arrecadação federal de tributos em quatro anos, com uma receita total de R$ 1,457 trilhão, um crescimento real de 4,74% na comparação com 2017. O desempenho foi ajudado tanto pelo recolhimento geral de tributos como pelos royalties de petróleo. Eles alcançaram uma participação recorde nos números. Apesar do desempenho, os dados apontam para uma perda de ritmo no fim do ano.

O avanço acumulado das chamadas receitas administradas (que reúnem o
recolhimento tributário), usado como referência pelo Fisco para sinalizar a
trajetória dos números, arrefeceu no fechamento de 2018. Se no começo do
ano o avanço acumulado beirava 5% frente um ano antes (aos 4,82%), em março passou a ser próximo da casa dos 4% e chegou a dezembro em 3,41%. Os dados eliminam efeitos não recorrentes, como programas de regularização de dívida e alterações na tributação de combustível.

As receitas administradas registraram o primeiro avanço em cinco anos ao crescer 3,41% em relação a 2017, para R$ 1,398 trilhão. Continuar a ler

Prostração em vez de Recuperação Industrial e Carência de Investimentos em Infraestrutura

Ana Conceição (Valor, 02/01/19) avalia: depois da história de frustração em 2018, a indústria deve registrar alguma recuperação em 2019, influenciada pela retomada da economia em geral. Mas o crescimento previsto por analistas, em torno de 3%, ainda é modesto diante do desempenho ruim dos últimos anos. Em outubro de 2018, último dado disponível, a produção estava 16% abaixo de seu ponto mais alto, em maio de 2011.

Embora tenha saído do “fundo do poço”, o setor ainda vai enfrentar um cenário difícil no ano que vem.

  • No front interno, embora se espere um aumento no consumo das famílias, o desemprego deve se manter muito alto, limitando grandes avanços de produção.
  • No cenário externo, a crise na Argentina, importante mercado para a produção da indústria brasileira, e a provável desaceleração da economia mundial podem enfraquecer as exportações. As vendas de veículos para o país vizinho, por exemplo, caem há meses.

Em 2019 a CNI estima crescimento de 3% no PIB industrial no período e uma alta de 2,7% no PIB.

Depois de voltar ao positivo em 2017 (crescimento de 2,1%), após três anos de perdas em 2014 (-3%), 2015 (-8,3%) e 2016 (-6,4%), esperava-se um desempenho mais robusto da indústria em 2018. Vários fatores impediram um avanço maior:

  1. a piora das condições financeiras no primeiro trimestre,
  2. a greve dos caminhoneiros em maio,
  3. as incertezas eleitorais no segundo semestre.

No acumulado até outubro de 2018, a indústria cresceu menos (1,8%) que em 2017 (2,1%). Continuar a ler