Cenário 2019: Macroeconomia

 Arícia Martins (Valor, 28/12/18) reporta a “especialistas” (sic): a economia brasileira está pronta para vivenciar um ciclo de expansão mais sustentável no próximo biênio, depois de uma brutal recessão seguida de dois anos de reação pífia. Mesmo em meio a um ambiente global mais desafiador que o de 2018, a tão aguardada agenda de reformas, os juros reais baixos e a melhora da confiança darão condições para que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 2,7% em 2019, segundo a estimativa mediana de 31 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data.

Perto da ponta mais otimista, Credit Suisse, UBS e Santander projetam alta de
cerca de 3% para o PIB já no próximo ano. A premissa para este cenário é a
aprovação da reforma previdenciária, que deve ocorrer somente no fim de 2019. Apesar do horizonte ainda incerto, a percepção de que a principal razão do desequilíbrio fiscal será solucionada terá impacto positivo sobre a confiança, avaliam economistas.

Como risco não desprezível às perspectivas mais benignas, especialistas mencionam o potencial de governabilidade do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), o que ainda é pouco claro. A governabilidade é extremamente necessária para que as reformas passem no Congresso Nacional. Por isso, as projeções de crescimento mais expressivo são, também, um voto de confiança no sucesso do futuro governo em tirar o ajuste fiscal do papel.

Desde 2014 o Brasil tem ficado na lanterna de crescimento entre seus pares emergentes, mas, em 2019, este quadro vai se inverter, diz Fabio Ramos, economista do UBS Brasil. O país não está imune à perspectiva de desaceleração nos Estados Unidos, na União Europeia e na China nem ao aumento de juros na economia americana. No cenário interno, porém, a conjunção de juros reais ainda baixos e posição mais favorável do governo ao ambiente de negócios permite que o PIB cresça 3% no ano, estima Ramos. Continuar a ler

Subocupado por Insuficiência de Horas

Bruno Villas Bôas e Ana Conceição (Valor, 17/12/18) informam: há uma situação chamada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de “subocupado por insuficiência de horas“, um contingente que bateu recorde no trimestre encerrado em outubro, segundo dados divulgados pelo órgão.

São pessoas que trabalham menos de 40 horas semanais e dedicariam mais tempo ao trabalho, se houvesse condições e oportunidade. O país tinha 6,987 milhões de subocupados no trimestre até outubro, 6,4% a mais do que nos três meses imediatamente anteriores, é o maior nível desde os 7 milhões alcançados no trimestre de 2012. Dali em diante, o número de subocupados caiu de forma constante, para voltar a crescer em meados de 2014. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o número é 10,5% maior.

A subocupação foi uma parcela relevante das 1,24 milhão de ocupações surgidas no Brasil de agosto a outubro deste ano. O movimento reduziu a taxa de desemprego nacional para 11,7% no período, abaixo do verificado nos três meses anteriores (12,3%) e do mesmo período do ano passado, de 12,2%. O país tinha 12,351 milhões de desempregados no período. Continuar a ler

Desempenho das Empresas Não Financeiras

Fernando Torres (Valor, 02/08/18) informa: pela primeira vez desde 2011, as empresas de capital aberto brasileiras tiveram, na média, no primeiro trimestre de 2018, retorno sobre o patrimônio acima da taxa básica de juros. Isso significa que os negócios dessas empresas, no período de 12 meses até março, renderam mais do que a aplicação de renda fixa de menor risco do país. A informação consta de estudo do Centro de Estudos de Mercados de Capitais (Cemec).

O fenômeno se deu a partir de um movimento “positivo” das duas variáveis. O retorno médio das empresas aumentou, chegando a 8,4% na última medição, ao mesmo tempo em que a Selic, já descontada o Imposto de Renda, caiu para 7,1% no período de 12 meses até março.

Quando se adiciona um prêmio de 6% ao ano sobre a taxa básica em cada ano, para tentar chegar a uma aproximação sobre custo de capital próprio – dado que investir na economia real envolve mais risco do que comprar título público, o que pressupõe expectativa de rentabilidade maior -, a média dos retornos ainda está abaixo da linha d’água.

Porém, é crescente o percentual das empresas que consegue superar essa marca mínima de rentabilidade, considerada fundamental para a sustentabilidade de um negócio no longo prazo. Elas representavam 27% da amostra em 2016, 32% em 2017 e chegaram a 38% do total nos 12 meses encerrados e março, aponta o estudo do Cemec, órgão que hoje é associado à Fipe.

O diretor do Cemec, Carlos Antonio Rocca, diz seus estudos indicarem o retorno sobre patrimônio acima do custo de capital ser um dos dois indicadores mais correlacionados com a realização de investimentos pelas empresas – o outro é a projeção de crescimento do PIB em três anos à frente. Seria uma aproximação da expectativa de aumento da demanda. Continuar a ler

Cenário para 2019: Mercado Interno e/ou Vocação Agrícola

Arícia Martins (Valor, 04/12/18) informa: o cenário de expansão mais forte da economia previsto para 2019 deve contar com maior poder de consumo segundo as projeções do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). A massa salarial ampliada disponível, soma de rendimentos do trabalho e benefícios governamentais, vai acelerar a alta de 1,5% para 2% entre este ano e o próximo, impulsionada pela leve melhora no mercado de trabalho.

Seriam R$ 9 bilhões, a preços de outubro de 2018. O cálculo engloba, além da combinação do salário médio real e do contingente de trabalhadores, a evolução dos ganhos de programas de proteção social, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), e os benefícios previdenciários. Aliado ao fôlego maior na renda disponível, economistas avaliam: o menor endividamento e inadimplência das famílias, com juros ainda baixos, também contribuirá para avanço maior da demanda.

Não é possível projetar como será o comportamento dos benefícios previdenciários e assistenciais no próximo ano. Dependerão das diretrizes do novo governo. Mesmo assim, a massa tende a mostrar desempenho um pouco mais expressivo em razão da renda do trabalho. Representa 73% do total de rendimentos.

O curto voo-da-galinha, isto é, o baixo ímpeto da atividade — no cenário do Ibre, o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer 1,5% em 2019 — deve propiciar pequeno aumento das contratações, assim como composição de maior qualidade do emprego, com alta na participação de vagas formais. Nas projeções da entidade, a taxa de desemprego medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, vai recuar para cerca de 11% na passagem de 2018 para 2019. Continuar a ler

Risco do Economicismo: Economia como determinante da Política

André Perfeito, economista-chefe da corretora Spinelli, enviou uma análise da concentração de renda no Brasil e sua eventual influência eleitoral. Alerto para o risco do economicismo: a economia como determinante da política. Reproduzo-a abaixo com edição minha.

“Estamos bastante atentos à capacidade do governo de Jair Bolsonaro em entregar a tão propagada Reforma da Previdência e, em especial, sobre o tão falado ajuste fiscal. Sabemos bem que esse foi “o preço na pedra”, por assim dizer, que O Mercado marcou sua posição para adiantar em bom humor no preço dos ativos um apoio ao candidato. O não cumprimento destes dois pontos pode ser fatal ao bom andamento das expectativas.

Hoje quero trazer alguns dados que no geral passam desapercebidos da nossa análise diária: dados sociais são importantes para saber se a nova Administração Federal poderá ou não poderá entregar o que disse que faria, ou melhor, o que disseram que ele disse.

Este Flash foi provocado por reportagem recente na mídia onde foi apresentado estudo dos pesquisadores Amory Gethin e Marc Morgan. Eles trouxeram dados reveladores sobre o fenômeno social explicativo, em grande parte, da vitória de Jair Bolsonaro. Entre 2002 e 2014, a renda da classe mais pobre subiu muito acima da renda da tradicional classe média e na verdade teve segmentos da classe média que viram sua renda cair. Isto explica – do ponto de vista econômico – o nível de desconforto deste segmento da sociedade com o PT e sua adesão ao anti-petismo que encontrou sua melhor representação em Jair Bolsonaro.

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Se reduz a Taxa de Juros Básica e os Swaps, reduz o Déficit Nominal, é simples assim…

Sergio Lamucci (Valor, 22/10/18) informa: depois de superar 10% do PIB em 2015, o déficit público nominal brasileiro tem encolhido lentamente, alcançando 7,5% do PIB nos 12 meses até agosto de 2018, ou R$ 503 bilhões em valores absolutos. O rombo é muito maior do que o da média dos países emergentes, estimado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 3,9% do PIB para 2018.

O resultado nominal inclui os gastos com juros. Ele é um dos indicadores fiscais capazes de mostrar a gravidade da situação das contas públicas, ao lado da trajetória explosiva da dívida bruta, hoje um pouco superior a 77% do PIB.

A magnitude do déficit se deve à combinação dos elevados gastos com juros, que atingiram 6,2% do PIB nos 12 meses até agosto de 2018, e do déficit primário de 1,3% do PIB no mesmo período. O resultado primário das contas públicas não considera as despesas com juros.

O consenso dos analistas ouvidos pelo Banco Central (BC) é encerrar 2018 em 7,3% do PIB. Esse déficit e a dívida bruta na casa de 77% do PIB são os principais motivos que fazem o Brasil aparecer como o quarto emergente mais vulnerável de um ranking de 23 países em desenvolvimento.

A despeito das contas externas sólidas, com um baixo déficit em conta corrente e um volume expressivo de reservas internacionais, a situação fiscal delicada coloca o Brasil atrás apenas de Argentina, Turquia e Índia. Continuar a ler

Condições Financeiras para Próximo Governo Social-Desenvolvimentista

Daniela Meibak e Sérgio Tauhata (Valor, 13/09/18) informam: o cenário eleitoral indefinido, além do ambiente mais avesso aos mercados emergentes, impôs um aperto das condições financeiras no Brasil, com forte subida do juro real, mesmo com a taxa básica sendo mantida pelo Banco Central em 6,5% ao ano desde maio de 2018. O mercado de taxas futuras embute uma alta de quase dois pontos percentuais em relação à Selic para o prazo de um ano, o que tende a pressionar o custo do crédito e as expectativas para a economia.

O juro real ex-ante, considerando o swap de juro de 360 dias, na casa dos 8,2%, descontada a inflação de 3,8% esperada para os próximos 12 meses, alcança 4,14%, quase dois pontos acima da taxa de 2,17% registrada em 27 de abril de 2018, menor patamar desde junho de 2012.

Por afetar as decisões financeiras dos investidores, o efeito imediato desse aumento é o encarecimento do custo de captação das instituições financeiras. Como o custo de captação representa 39% do ICC (Indicador do Custo de Crédito), pode se traduzir em aumento do juro dos empréstimos na ponta tomadora se esse cenário persistir. Outro reflexo é a paralisação da demanda por crédito de médio e longo prazos. Continuar a ler