Efeito Seca sobre Sociedade, Economia e Política

O nível dos reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo está baixando – o Cantareira já entrou em nível crítico – e medidas para frear o consumo já deveriam estar em curso para evitar um cenário de falta mais generalizada de água, segundo especialistas. Com a perspectiva de um verão mais seco à frente, há riscos de uma crise como a dos anos 2014 e 2015 se repetir. Naquela ocasião, a Sabesp teve de retirar água do chamado volume morto, abaixo do sistema de captação.

“Temos uma situação comparativamente pior e o cenário climático é muito ruim em relação à ocorrência de chuvas até o fim do ano. E esse cenário avança para o início de 2022. Não teremos água suficiente para recarregar os reservatórios”, afirma o professor Pedro Luiz Côrtes, da pós-graduação do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEE), da USP.

A crise que esvaziou os mananciais há sete anos começou em 2013, com níveis de água maiores que os existentes hoje. O prognóstico é ruim. Chama atenção para a mais recente projeção do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Ministério da Ciência e Tecnologia, que prevê que o sistema Cantareira chegaria ao fim de dezembro com nível de 36%, se as chuvas ficarem na média histórica. Mas o tempo deve ficar mais seco por causa da ocorrência do La Niña. Com chuvas 25% abaixo da média, o nível chegaria a 27%, entrando na faixa de “restrição”.

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Equivocada Comparação com Ano Anterior do Distanciamento Social

As empresas de capital aberto continuaram o processo de recuperação acelerado no segundo trimestre de 2021, não só na comparação com a base fraca do mesmo período do ano passado, quando a primeira onda da pandemia bateu em cheio nos balanços, mas também em relação ao segundo trimestre de 2019. A pressão nas margens, porém, resultado dos custos e juros em alta, marcou o resultado de setores variados como construção, tecnologia, varejo e papel e celulose.

Levantamento do Valor Data (19/08/21) com 311 companhias não financeiras com ações negociadas em bolsa mostra os resultados dessa elite empresarial continuarem surpreendentes – o que escancara, em momento quando a bolsa testa os limites de baixa, um eloquente descasamento entre os balanços e o mercado de ações. Em condições normais, os lucros seriam o esteio de um bom desempenho das ações, como vem acontecendo nos Estados Unidos. Porém, fatores como inflação a percepção de um maior risco fiscal e político, vêm pesando na avaliação dos ativos.

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Risco Político Afugenta Capital e Juros o Demandante de Crédito Imobiliário

O “capitão do time da extrema direita” se comporta como um menino mimado. Ganhou o primeiro tempo do jogo político democrático por causa de um jogador do seu time prender o líder do time adversário. Acha com isso ter se tornado o “dono-da-bola” e deseja mudar a regra-do-jogo democrático de alternância do poder no segundo tempo. Diz se a vitória não for sua, a priori, não haverá bola para o jogo!

Riscos políticos, devido à não aceitação da derrota certa na próxima eleição, em 2022, tem estimulado companhias exportadoras a manter parte de seus dólares fora do Brasil. Dados do Banco Central (BC) e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que a chamada “boca de jacaré” – a diferença entre as exportações embarcadas e o câmbio contratado e o embarcado – continua se abrindo e está nas máximas históricas.

Diante de uma taxa Selic em alta firme e da redução do processo de desalavancagem de grandes empresas, restam poucos argumentos para explicar essa diferença além do receio sobre a questão política e fiscal, segundo profissionais ouvidos pelo Marcelo Osakabe (Valor, 31/08/21).

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Economia Brasileira: Cada Vez Pior… E ainda faltam 1 ano e 1 quadrimestre…

DOCUMENTOS

Período de comparaçãoIndicadores
PIBAGROPINDUSSERVFBCFCONS. FAMCONS. GOV
Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal)-0,1%-2,8%-0,2%0,7%-3,6%0,0%0,7%
Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior (sem ajuste sazonal)12,4%1,3%17,8%10,8%32,9%10,8%4,2%
Acumulado em quatro trimestres / mesmo período do ano anterior (sem ajuste sazonal)1,8%2,0%4,7%0,5%12,8%-0,4%-2,6%
Acumulado no ano / mesmo período do ano anterior (sem ajuste sazonal)6,4%3,3%10,0%4,7%24,3%4,2%-0,4%
Valores correntes no 2º trimestre (R$)2,1 trilhões180,0 bilhões410,4 bilhões1,3 trilhão390,2 bilhões1,3 trilhão408,8 bilhões
Taxa de investimento (FBCF/PIB) no 2° trimestre de 2021 = 18,2%
Taxa de Poupança (POUP/FBCF) no 2º trimestre de 2021 = 20,9%

PIB fica estável (-0,1%) na comparação com o trimestre imediatamente anterior

O PIB variou -0,1% na comparação do segundo trimestre de 2021 contra o primeiro trimestre de 2021, na série com ajuste sazonal. A maior queda foi da Agropecuária (-2,8%), seguida pela Indústria (-0,2%). Por outro lado, os Serviços cresceram 0,7%.

Entre as atividades industriais, o desempenho foi puxado pelas quedas de 2,2% nas Indústrias de Transformação e de 0,9% na atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos. Essas quedas compensaram a alta que houve de 5,3% nas Indústrias Extrativas e 2,7% na Construção.

Principais resultados do PIB a preços de mercado
do 2º Trimestre de 2020 ao 2º Trimestre de 2021 (%)
Taxas (%)2020.II2020.III2020.IV2021.I2021.II
Acumulado ao longo do ano / mesmo período do ano anterior-5,6-5,0-4,11,06,4
Últimos quatro trimestres / quatro trimestres imediatamente anteriores-2,1-3,4-4,1-3,81,8
Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior-10,9-3,9-1,11,012,4
Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal)-9,07,73,11,2-0,1
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais 

Retrocesso durante o Atual Governo Brasileiro: Decadência do País

A Folha de S.Paulo (21/08/21) publicou um balanço de dois anos e meio do desastroso governo neoliberal-paramilitar: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/08/maioria-dos-indicadores-piora-apos-2-anos-e-meio-de-bolsonaro-e-com-pandemia.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha

A análise da evolução de indicadores nos 30 primeiros meses da gestão de Jair Bolsonaro mostra: o país não conseguiu avançar significativamente em nenhuma área e assistiu a retrocesso na economia, no social, meio ambiente, saúde e educação, entre outros.

Dos indicadores analisados pela Folha, 63 tiveram piora, 28 melhoraram e 10 permaneceram estáveis.

Metade desse período transcorreu sob a pandemia de Covid-19 —que não teve a gestão analisada por não haver parâmetros de comparação fora do atual governo—, mas já era mais negativo do que positivo o saldo do primeiro ano sob Bolsonaro, 2019, antes da chegada da doença.

Dos 12 indicadores de meio ambiente e das áreas social, agrária e indígena analisados, 11 apresentaram piora. Os números mostram um cenário de destruição das florestas e de desmonte de órgãos responsáveis pela fiscalização, em especial o Ibama.

A política de paralisação da reforma agrária e de demarcação de terras indígenas também foi uma tônica. O Incra não emitiu nenhum decreto de desapropriação de terras e não houve terra indígena identificada, declarada ou homologada.

“Aumento do desmatamento, da grilagem de terras e do garimpo ilegal. O governo tem combinado medidas administrativas com restrição orçamentária, além de articulação com bancada ruralista e centrão, para aprovação do desmonte dos direitos socioambientais”, diz Alessandra Cardoso, assessora política do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos).

Aumentaram também a desigualdade e a pobreza, apesar do pagamento de auxílio emergencial.

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Covid sazonal e Inflação periódica: Economistas de Dois Lados

A covid-19 deve se tornar uma doença sazonal, com surtos concentrados no inverno, e provavelmente não será totalmente erradicada por causa de suas variantes, afirma Andrew Hayward, do Instituto de Epidemiologia e Saúde da University College London e assessor do governo do Reino Unido.

“Precisamos nos acostumar com o conceito de a covid-19 se tornar o que chamamos de doença endêmica, em vez de doença pandêmica”, disse Hayward em entrevista à BBC. “Uma doença conosco o tempo todo, que provavelmente se transmite sazonalmente como a gripe, com surtos de inverno.”

O vírus deve continuar sofrendo mutações, o que torna a ideia de imunidade coletiva improvável. Com o surgimento da variante delta, especialistas revisaram os cálculos sobre a taxa de imunização necessário da população para quebrar a cadeia de transmissão do vírus, de 70% para próximo de 90%.

Por um lado, na avaliação do especialista britânico, as vacinas precisariam ser de 80% a 90% eficazes contra a transmissão da covid-19 para gerar um nível de imunidade coletiva capaz de erradicar o vírus. “Embora as vacinas sejam absolutamente excelentes na prevenção de doenças graves e hospitalizações, elas são apenas cerca de 60% eficazes contra a prevenção de infecções.”

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Desemprego na Pandemia: Baixe o Relatório do Banco Mundial

Crises econômicas, tais como a que a América Latina e o Caribe estão passando no momento, têm efeitos duradouros na estrutura de emprego e podem expulsar permanentemente muitas pessoas da economia formal, segundo  novo relatório do Banco Mundial.

De acordo com EMPREGO EM CRISE: Trajetória para Melhores Empregos na América Latina Pós-COVID-19a pandemia de Covid-19 vem causando maior impacto nos trabalhadores menos qualificados e agravando a já alta desigualdade na região.É comum que trabalhadores menos qualificados sofram com salários mais baixos por dez anos após uma crise, e trabalhadores mais qualificados consigam uma recuperação mais rápida.

Em consequência disso, as políticas governamentais devem ter como foco a proteção dos trabalhadores contra impactos significativos e de longo prazo, por meio do seguro-desemprego, de redes de proteção social e requalificação, da facilitação para a geração de postos de trabalho e de assistência aos trabalhadores para que possam estar nos locais onde há trabalho. Concorrência mais acirrada, maior flexibilidade para gerir recursos humanos e redução dos subsídios podem ajudar.

Por meio de políticas comerciais e contratos públicos, os governos podem criar um ambiente mais propício para as empresas competitivas prosperarem. Além disso,  investimento direcionado ao transporte público pode aproximar os trabalhadores dos empregos e  moradia acessível pode permitir que eles vivam próximos de onde há empregos.

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Devagar, Quase Parando…

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) decepcionou ao subir 0,4% sobre março, feito o ajuste sazonal, abaixo do 1,3% esperado pela mediana do mercado. Com o resultado, o indicador voltou a ficar ligeiramente acima do nível pré-pandemia, de fevereiro do ano passado.

Se não subiu tanto quanto o esperado, o indicador avançou após as perdas de março e se juntou a outras informações positivas em maio, como o bom desempenho do comércio no Dia das Mães e do setor de veículos.

O resultado não afeta a perspectiva de uma recuperação mais forte na economia em 2021, afirma Rodrigo Nishida, economista da LCA Consultores. “Não deixa de ser um número significativo. E a variação interanual foi bastante expressiva”, diz. Embora abril de 2020 tenha marcado o vale da atividade na pandemia, a alta de 15,9% foi melhor do que se esperava, afirma.

É necessário relativizar o resultado por causa da revisão significativa dos números de janeiro a março feita pelo BC. “Isso afeta os modelos de projeção e o ajuste sazonal. A interpretação do resultado ficou prejudicada.”

O crescimento do IBC-Br no primeiro trimestre deste ano foi revisado de 2,3% para 1,7%, na comparação com o quarto trimestre de 2020, feito o ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve revisão de 2,3% para 1,5%. Com isso, o indicador ficou mais próximo do resultado do PIB do primeiro trimestre, alta de 1,2% na série com ajuste sazonal e de 1% em relação ao mesmo período do ano passado.

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Um sonho adiado: após uma geração de avanços, a mobilidade social está desacelerando no Brasil

Os avós de Vinicius Rabelo eram fazendeiros de mandioca no interior da Bahia. Seus pais se mudaram para a cidade em busca de uma vida melhor e, após abrir uma loja de roupas, mandaram os filhos para uma escola particular. Em 2018 o Sr. Rabelo começou como mecânico elétrico em Camaçari, próximo à capital Salvador. Com uma petroquímica e uma fábrica da Ford, Camaçari quase dobrou de população ao longo da vida. Mais de 40 milhões de brasileiros ingressaram em uma classe média emergente conhecida como Classe C.

Quando ele entrou no mercado de trabalho, o país estava se recuperando de uma recessão que cortou 9% do PIB per capita entre 2014 e 2016. O desemprego continuou alto e centenas de fábricas fecharam. Em janeiro, a Ford disse que estava saindo. Para 5.000 funcionários e dezenas de milhares de trabalhadores indiretos, incluindo Rabelo, cuja empresa fazia verificações de segurança, a perda de empregos foi agravada por uma sensação de que a mobilidade social havia parado. O jovem de 24 anos, que usa óculos da moda e um Apple Watch, agora dirige para o Uber, “como outras 800 pessoas que foram demitidas e tiveram exatamente a mesma ideia”.

No governo do presidente Fernando Henrique Cardoso na década de 1990, o RealPlan brasileiro acabou com a hiperinflação, permitindo que os brasileiros voltassem a economizar. No governo Lula na década de 2000, a pobreza caiu 41% graças ao boom das commodities, programas sociais e aumentos do salário mínimo. Os anos 2010 foram feitos para continuar esse progresso. Em vez disso, foi uma década de políticas ruins e pior sorte.

O PT, no poder de 2003 a 2016, não conseguiu aproveitar seus ganhos. Entre 2003 e 2012, o crescimento do PIB foi em média 4%. O trabalho informal encolheu e os salários aumentaram. O governo construiu milhares de escolas, de creches a universidades. O Bolsa Família, um programa de transferência de renda, deu às mães pobres uma renda básica. O Luz para Todos levou eletricidade para favelas e áreas rurais. Milhões compraram carros e fizeram seus primeiros passeios de avião.

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Inflação nos EUA

Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro e assessor econômico de presidentes democratas, voltou a argumentar a atual perspectiva de política monetária do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) correr o risco de causar graves problemas. Ele criticou o recente interesse do banco central americano por mudança climática!

Summers, foi um dos candidatos ao cargo de presidente do Fed, perdeu a “boquinha” e tem destilado seu rancor desde então. Disse: as configurações de política monetária muito expansivas e sua decisão, no ano passado, de adiar a elevação das taxas de juros até a chegada da inflação, em vez de tomar providências para administrar uma ameaça teórica, poderão permitir uma explosão das pressões sobre os preços. Isso, por sua vez, obrigaria o banco central a adotar uma reação drástica de política monetária, afirmou.

No Fed, “projeta-se serenidade com relação à inflação”, disse Summers durante participação virtual em um simpósio realizado pelo Fed de Atlanta.

Summers também criticou duramente a investida do Fed sobre o espaço da política [de combate ao] aquecimento global. Para ele, o banco central deveria, em vez disso, se preparar para riscos mais palpáveis, como o representado pelo coronavírus e por outras possíveis ameaças à saúde.

O Fed transformou as preocupações com mudança climática em uma parte de seu trabalho de supervisão dos bancos, e quer garantir que as empresas financeiras consigam se empenhar no enfrentamento de eventos climáticos graves.

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Risco Hidrológico e Risco de Plano de Saúde: Ambos Mortais para a Inflação

Victor Rezende e Felipe Saturnino (Valor, 19/05/21) informam: com o risco de piora do quadro inflacionário no centro das atenções, o mercado tem adotado postura mais defensiva nas últimas semanas e colocado nos preços dos ativos níveis de inflação cada vez mais elevados tanto para este ano quanto para 2022. A procura por Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) aumentou de forma significativa e levou o Tesouro Nacional a realizar ontem o maior leilão da história em termos de risco.

O maior risco colocado no mercado se deveu, principalmente, à venda de 1,5 milhão de NTN-Bs com vencimento em maio de 2055. Quanto maior o prazo, mais alto é o risco que o mercado tem de absorver, o que gera uma elevação dos juros. Ontem, as taxas futuras subiram, em um movimento de ajuste após o megaleilão de NTN-Bs.

Com a venda de papéis de longo prazo, o Tesouro colocou no mercado R$ 16,7 milhões em risco (dv01, métrica que ajuda a verificar a quantidade de risco que o mercado absorve). O aumento da demanda dos papéis atrelados à inflação vem, justamente, numa temporada em que os riscos estão em alta e têm impulsionado as taxas de inflação embutidas nos ativos.

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Grande Depressão Inflacionária

Lu Aiko Otta e Fabio Graner (Valor, 19/05/21) informam: mesmo após uma década de baixo crescimento econômico e com a atividade impactada pela pandemia, o Brasil encontra-se no momento sob risco de escassez de energia elétrica e alta no preço. O risco hidrológico foi apontado pelo secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, como um elemento que pode elevar a inflação e atrapalhar a recuperação da economia e soma a outros riscos para este ano, como a pandemia e a própria questão fiscal.

“Significa que temos um problema não só conjuntural de chuvas, mas também estrutural que precisa ser endereçado”, disse. Esse quadro reforça a importância da agenda de concessões, privatizações e aprovação de marcos legais mais eficientes, argumentou o secretário.

Em momento quando se debatem, no mundo inteiro, estratégias para reativar a atividade no pós-pandemia, a incompetente equipe econômica reafirma a estratégia imbecil de insistir na consolidação fiscal e nas reformas pró-mercado, como faz o governo de Jair Bolsonaro. “Essa é a nossa garantia que um choque transitório será apenas transitório e que poderemos retomar o patamar pré-crise de maneira sustentável”, repete a ladainha neoliberal.

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