Inflação nos EUA

Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro e assessor econômico de presidentes democratas, voltou a argumentar a atual perspectiva de política monetária do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) correr o risco de causar graves problemas. Ele criticou o recente interesse do banco central americano por mudança climática!

Summers, foi um dos candidatos ao cargo de presidente do Fed, perdeu a “boquinha” e tem destilado seu rancor desde então. Disse: as configurações de política monetária muito expansivas e sua decisão, no ano passado, de adiar a elevação das taxas de juros até a chegada da inflação, em vez de tomar providências para administrar uma ameaça teórica, poderão permitir uma explosão das pressões sobre os preços. Isso, por sua vez, obrigaria o banco central a adotar uma reação drástica de política monetária, afirmou.

No Fed, “projeta-se serenidade com relação à inflação”, disse Summers durante participação virtual em um simpósio realizado pelo Fed de Atlanta.

Summers também criticou duramente a investida do Fed sobre o espaço da política [de combate ao] aquecimento global. Para ele, o banco central deveria, em vez disso, se preparar para riscos mais palpáveis, como o representado pelo coronavírus e por outras possíveis ameaças à saúde.

O Fed transformou as preocupações com mudança climática em uma parte de seu trabalho de supervisão dos bancos, e quer garantir que as empresas financeiras consigam se empenhar no enfrentamento de eventos climáticos graves.

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Risco Hidrológico e Risco de Plano de Saúde: Ambos Mortais para a Inflação

Victor Rezende e Felipe Saturnino (Valor, 19/05/21) informam: com o risco de piora do quadro inflacionário no centro das atenções, o mercado tem adotado postura mais defensiva nas últimas semanas e colocado nos preços dos ativos níveis de inflação cada vez mais elevados tanto para este ano quanto para 2022. A procura por Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) aumentou de forma significativa e levou o Tesouro Nacional a realizar ontem o maior leilão da história em termos de risco.

O maior risco colocado no mercado se deveu, principalmente, à venda de 1,5 milhão de NTN-Bs com vencimento em maio de 2055. Quanto maior o prazo, mais alto é o risco que o mercado tem de absorver, o que gera uma elevação dos juros. Ontem, as taxas futuras subiram, em um movimento de ajuste após o megaleilão de NTN-Bs.

Com a venda de papéis de longo prazo, o Tesouro colocou no mercado R$ 16,7 milhões em risco (dv01, métrica que ajuda a verificar a quantidade de risco que o mercado absorve). O aumento da demanda dos papéis atrelados à inflação vem, justamente, numa temporada em que os riscos estão em alta e têm impulsionado as taxas de inflação embutidas nos ativos.

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Grande Depressão Inflacionária

Lu Aiko Otta e Fabio Graner (Valor, 19/05/21) informam: mesmo após uma década de baixo crescimento econômico e com a atividade impactada pela pandemia, o Brasil encontra-se no momento sob risco de escassez de energia elétrica e alta no preço. O risco hidrológico foi apontado pelo secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, como um elemento que pode elevar a inflação e atrapalhar a recuperação da economia e soma a outros riscos para este ano, como a pandemia e a própria questão fiscal.

“Significa que temos um problema não só conjuntural de chuvas, mas também estrutural que precisa ser endereçado”, disse. Esse quadro reforça a importância da agenda de concessões, privatizações e aprovação de marcos legais mais eficientes, argumentou o secretário.

Em momento quando se debatem, no mundo inteiro, estratégias para reativar a atividade no pós-pandemia, a incompetente equipe econômica reafirma a estratégia imbecil de insistir na consolidação fiscal e nas reformas pró-mercado, como faz o governo de Jair Bolsonaro. “Essa é a nossa garantia que um choque transitório será apenas transitório e que poderemos retomar o patamar pré-crise de maneira sustentável”, repete a ladainha neoliberal.

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Lucros: Bancos versus Empresas Não-Financeiras

Álvaro Campos (Valor, 19/05/21) informa: os grandes bancos lidaram com a pandemia de coronavírus melhor do que se esperava quando a crise começou, em março de 2020. Um ano depois dos primeiros impactos nos balanços, o lucro subiu fortemente – impulsionado pela queda nas provisões de crédito, é verdade -, mas a margem financeira começa a dar sinais de melhora.

Daqui para a frente, o maior desafio será recuperar as receitas de prestação de serviços, que já vinham pressionadas pelo aumento da concorrência e agora sentiram também o baque das medidas de isolamento social.

Os dez maiores bancos do país em termos de carteira de crédito tiveram lucro líquido de R$ 38,6 bilhões no primeiro trimestre, alta de 52,8% quando comparado ao mesmo período do ano passado. A carteira de crédito teve expansão de 8,9%, chegando a R$ 4,2 trilhões. O levantamento feito pelo Valor contempla dados de Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Santander, BNDES, Safra, BV, BTG e Banrisul.

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Revisão nas Estatísticas do Comércio Exterior

Alex Ribeiro (Valor, 04/05/2021) informa: o Brasil caminhava para registrar o primeiro superávit em conta corrente desde 2007, mas uma revisão nas estatísticas do comércio exterior mostrou que as importações são maiores do que se estimava e o ganho na balança comercial, menor.

A projeção oficial do Banco Central (BC) é de um superávit em conta corrente de US$ 2 bilhões. É quase um número de equilíbrio, mas, de qualquer forma, em terreno positivo. As estimativas da autoridade monetária foram feitas quando o déficit em conta corrente acumulado em 12 meses até fevereiro estava calculado em US$ 6,9 bilhões, ou 0,48% do PIB. Com a revisão estatística, porém, passou a ser de US$ 18,1 bilhões, ou 1,26% do PIB.

Grande parte dessa revisão está ligada à mudança na maneira como a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) calcula as importações. Uma das alterações mais significativas foi feita no chamado Recof, um regime especial de importação de produtos que serão usados pra fabricar outros itens exportados ou destinados ao mercado interno.

Com isso, as importações ficaram cerca de US$ 10 bilhões maiores a cada ano (foram US$ 10,4 bilhões de Recof em 2020), reduzindo o superávit no balanço comercial na mesma magnitude. Também houve impacto, menor, de mudanças nas regras de contabilização das importações de energia de Itaipu.

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Real: Moeda mais Descolada de Commodities

Felipe Saturnino e Marcelo Osakabe (30/04/21) informam: a pandemia interrompeu um comportamento padrão da economia global: a tendência das moedas de países exportadores de commodities se valorizarem acompanhando a alta dos preços das matérias-primas no mercado. Desde o início da crise da covid-19, houve um claro descasamento entre as divisas ligadas a essas mercadorias e o recente “boom” desses produtos, algo verificável tanto entre os países desenvolvidos quanto os emergentes.

Dentro desse último grupo, o real se destaca negativamente: a moeda brasileira mais se descolou das cotações das commodities, de acordo com estudo do Itaú Unibanco.

De acordo com a instituição financeira, a crise do coronavírus interrompeu o movimento sincronizado entre commodities e moedas de exportadores, tendo gerado, por um lado, restrições temporárias de oferta. E, de outro, afetando a perspectiva de crescimento e o fundamento fiscal dos países, que passaram a depender cada vez mais da evolução da pandemia e do cenário de vacinação.

O levantamento considerou as divisas cujos desempenhos estão amplamente relacionados aos insumos básicos, as chamadas “commodity currencies”, que incluem ainda o peso chileno, o peso colombiano, o rand sul-africano e o rublo russo, entre os emergentes, e o dólar canadense e o dólar australiano, entre os desenvolvidos.

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Capacidade Ociosa e Falta de Insumos na Indústria

Esther Dweck é professora do Instituto de Economia da UFRJ. Ex-Secretária do Orçamento Federal. Marília Bassetti Marcato é professora do Instituto de Economia da UFRJ. Publicaram (Valor, 05/04/2021) importante artigo sobre a capacidade ociosa e a falta de insumos na indústria. Compartilho-o abaixo.

“A flutuação do grau de utilização da capacidade instalada é um fenômeno típico do ciclo econômico, desdobrando-se em um indicador do nível de atividade econômica e da dinâmica dos investimentos privados. Operar com alguma margem desejada de capacidade ociosa cumpre a função de fazer frente às flutuações na demanda e também possui papel estratégico até mesmo para manipulação de preços em mercados oligopolizados.

No Brasil, o ritmo lento da atividade econômica deteriorou-se ainda mais na pandemia, com contração do PIB de 10,9% no segundo trimestre de 2020 e queda no valor adicionado da indústria de transformação de 20,9% em relação ao mesmo período de 2019. A consequência dessa contração foi uma forte queda no grau de utilização da capacidade instalada da indústria, atingindo o nível de 57,3% ou 66,5% em abril de 2020, de acordo com as séries da FGV e CNI.

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Ajuste Fiscal ou Elevação do Emprego por Gastos Públicos Produtivos: Neoliberais X Desenvolvimentistas

Leia:

IPEA – Substituição da captação de Dados do CAGED pelo e-Social mar 2021

Economistas de O Mercado se mostram indiferentes ao drama social da elevada desocupação e só demandam ajuste fiscal. A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), considerada pela maior parte dos analistas o principal indicador de solvência do setor público, atingiu o patamar de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) pela primeira vez na história. Em fevereiro, o indicador ficou em R$ 6,744 trilhões, que corresponde justamente a 90% do PIB. No mês anterior estava em 89,4%. Os números foram divulgados pelo Banco Central (BC), cuja metodologia usada atualmente para o indicador teve início em 2008.

Depois de uma pequena queda, de menos de um ponto percentual, em 2019, a dívida bruta voltou a subir muito no ano passado. A alta foi puxada por fatores ligados à pandemia, como gastos extraordinários e menor arrecadação decorrente da recessão. Em 2020, o indicador subiu mais de 14 pontos percentuais, de 74,3% para 88,8%.

Embora também siga em patamar elevado, a dívida líquida do setor público vem em trajetória oposta à da bruta neste começo de ano, apresentando ligeira queda. De maneira simplificada, para calcular a dívida líquida, são descontadas da dívida bruta as reservas internacionais.

Entre janeiro e fevereiro, o indicador caiu de 62,7% para 61,6%. O recuo foi consequência principalmente da desvalorização cambial de 6,4% no período. Isso porque, com a depreciação do câmbio, as reservas internacionais ganham valor quando medidas em reais.

De forma geral, economistas fiscalistas, ortodoxos e neoliberais só têm mostrado preocupação com o alto grau de envidamento público do Brasil. Pensam o contrário dos economistas keynesianos, heterodoxos e desenvolvimentistas: estes propõem investimentos públicos produtivos para recuperar renda e emprego, por consequência, aumentar a arrecadação fiscal. Os neoliberais desconhecem o beabá keynesiano!

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Aparente Paradoxo: Queda do Consumo… e da Poupança!

Raquel Brandão (Valor, 31/03/2021) informa: o espaço para o consumo está se estreitando no Brasil e os gastos das famílias devem cair neste ano, voltando para os patamares de 2015 e 2016, quando o país enfrentava sua maior recessão. A avaliação é de analistas das principais consultorias de consumo do país.

Há indicadores desanimadores. O índice de desemprego é crescente, a inflação acelerou, a pandemia da covid-19 faz milhares de vítimas diariamente e leva a novos bloqueios de atividades, enquanto o auxílio emergencial não chega ao bolso de quem precisa.

Estudo da XP Investimentos mostra as vendas do varejo restrito, calculadas pelo IBGE, provavelmente, mostrarem queda de 5,5% no primeiro trimestre em relação aos três últimos meses de 2020. Pelo conceito ampliado, que inclui automóveis e materiais de construção, a baixa deverá ser mais intensa, de 6,5%.

A dinâmica vai se refletir no consumo das famílias dentro do Produto Interno Bruto (PIB), que poderá ter quedas de 0,4% e 0,9% no primeiro e segundo trimestres, sempre em relação aos três meses anteriores, segundo a XP. Parte da influência negativa virá dos números de março, que podem mostrar queda de 10% do varejo ampliado ante fevereiro.

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Efeito Covid na Medição da Inflação

Os mercados financeiros estão obcecados com o rumo da inflação. Estatísticos se esforçam para descobrir o que está acontecendo. A pandemia criou uma grande dor de cabeça para as pessoas cujo trabalho é determinar a taxa de inflação e definir referências para medi-la no futuro. E enfrentam dois problemas fundamentais.

O primeiro é que indicadores como o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) são baseados em uma “cesta” de coisas com que os americanos geralmente gastavam seu dinheiro no passado, que parece bem diferente do que estão comprando durante a pandemia.

Em segundo lugar, a via clássica de compilação dos números da inflação é a visita a lojas e a checagem dos preços estabelecidos por elas. Pesquisadores não estão conseguindo fazer isso por conta de restrições, o que deixa brechas nos dados. Além disso, muitas compras passaram a ser feitas pela internet, onde os preços podem ser estabelecidos sob medida para compradores individuais e sujeitos a mudanças rápidas.

Estes são apenas problemas técnicos. A renda de quase 80 milhões de americanos, dos beneficiados por seguridade social e vales-alimentação, a trabalhadores com acordos coletivos de trabalho, está de certa forma atrelada ao IPC.

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Impacto do Plano Biden sobre Economia Brasileira

Alex Ribeiro (Valor, 09/02/2021) tenta avaliar os impactos do “Pacote Biden” sobre O Mercado brasileiro.

Com um novo pacote fiscal em vias de ser aprovado, ganha corpo entre operadores e analistas do mercado financeiro o risco de retirada mais cedo dos estímulos monetários nos Estados Unidos, o que pode levar também o Banco Central do Brasil a normalizar sua política de juros antes do esperado.

A tese ganhou mais visibilidade depois de o ex-secretário do Tesouro americano Larry Summers e o ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Olivier Blanchard dizerem: “o pacote fiscal do presidente Joe Biden é muito amplo e poderá dar um impulso mais forte na inflação.”

[É incrível como os economistas neoliberais se guiam lá e aqui com “argumentos de autoridades” interessadas — e não por fatos e dados! Só escutam os porta-vozes da ladainha neoliberal de sempre e, por isso, erram sempre!]

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Ray Dalio: crítica ao juros reais negativos em títulos de dívida pública de países com ‘moeda de reserva’

Sérgio Tauhata (Valor, 17/03/2021) informa sobre novo artigo publicado em sua conta no Linkedin do fundador do hedge fund Bridgewater, Ray Dalio.o megainvestidor faz duras críticas ao ambiente de taxa nominais extremamente baixas e juros reais negativos. Os fundamentos econômicos de se investir em bônus – e em boa parte dos ativos financeiros – tornaram-se “estúpidos”, afirmou.

https://www.linkedin.com/pulse/why-world-would-you-own-bonds-when-ray-dalio/?trackingId=1Y6eLUtUU8bNGcEtKUz%2Fxg%3D%3D

Com o sugestivo título “Por que no mundo todo você teria bônus quando…”, Dalio enumerou vários argumentos sobre o quão “nonsense” se tornou o mercado de renda fixa nas economias avançadas. “Se eu aplicar US$ 100 hoje, quantos anos terei de esperar para ter de volta meus US$ 100 e então começar a coletar a recompensa sobre o valor que eu emprestei? No caso dos bônus dos EUA, Europa, Japão e China, um investidor terá de esperar, respectivamente, 42 anos, 450 anos, 150 anos e 25 anos.”

O gestor lembrou: os mercados de bônus oferecem “yields ridiculamente baixos” no momento. “Os yields reais dos títulos soberanos de reserva de valor estão negativos e no menor nível já visto”, disse. “Esses extremamente baixos ou não existentes retornos não suprem as necessidades financeiras dos detentores, como, por exemplo, fundos de pensão, seguradoras, fundos soberanos e poupadores.”

Apesar dessa constatação, Dalio lembra: “ao mesmo tempo, enquanto há espaço para se beneficiar da diversificação, devido às limitações de quão para baixo as taxas podem ir, os preços dos bônus estão nos limites máximos, o que torna uma posição vendida uma aposta de relativamente baixo risco”.

O fundador do Bridgewater pondera: “a finalidade de investir é ter dinheiro em uma reserva de valor que pode ser convertida em poder de compra em um tempo futuro”. Se as condições atuais permanecessem indefinidamente e apenas considerando as taxas nominais, o mercado de bônus nos EUA, Europa, Japão e China pode levar décadas ou até séculos para devolver apenas o dinheiro investido inicialmente. “Entretanto, porque você está tentando armazenar poder de compra é preciso levar em conta a inflação. Nos EUA, você teria de esperar mais de 500 anos e, na Europa ou no Japão, você nunca teria o poder de compra inicial de volta.”

Dalio questiona: “em lugar de receber menos que a inflação, por que não comprar qualquer coisa que vai igualar ou superá-la?”

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