Debate sobre o Juro Disparatado no Brasil

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Depois de passar pelo concurso para Professor Titular do IE-UNICAMP, no início de março de 2015, fui gentilmente convidado pelo IBRE-FGV, sob direção do Luiz Guilherme Schymura, para um seminário com os professores-pesquisadores seniores desta importante instituição. Queriam que eu respondesse três questões-chave formuladas pelo meu ex-colega Samuel Pessôa.

Ele me dirigiu perguntas aparentemente simples:

  1. Por que a taxa real básica de juros no Brasil é tão elevada?
  2. Por que, apesar da taxa nominal básica de juros ser tão elevada, a taxa da inflação permanece muito elevada?
  3. Por que, apesar da taxa nominal básica de juros ser tão elevada, a taxa de poupança permanece muito baixa?

De imediato, em vez de dizer clichês a respeito, respondi-lhe que não se pode tratar com simples palavras uma questão complexa. É necessário estudar reflexões teóricas e evidências empíricas para tentar dar uma resposta mais consistente.

O encontro no IBRE-FGV-RJ foi muito profícuo com respeito mútuo entre economistas com formações teóricas distintas. Tanto foi proveitoso que o IBRE-FGV me convidou para outra apresentação em seguida.

Depois desta segunda apresentação, recebi um convite para participar de uma experiência inédita no debate intelectual brasileiro recente: economistas ortodoxos e heterodoxos debaterem um tema comum importante para a economia brasileira. Continue reading “Debate sobre o Juro Disparatado no Brasil”

Capital Circulante

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Em uma cidade, os habitantes, endividados, estão vivendo à custa de crédito.

Por sorte, chega um gringo e entra no único hotel.

O gringo saca uma nota de R$100,00, põe no balcão e pede para ver um quarto.

Enquanto o gringo vê o quarto, o gerente do hotel sai correndo com a nota de R$100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o açougueiro.

O açougueiro, pega a nota e vai até um criador de suínos a quem deve e paga tudo.

O criador, por sua vez, pega também a nota e corre ao veterinário para liquidar sua dívida.

O veterinário, com a nota de R$100,00 em mãos, vai até ao puteiro pagar o que devia a uma prostituta. Em tempos de crise, essa profissão também aceita trabalhar a crédito.

A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde levava seus clientes. Como ultimamente não havia pago pelas acomodações, paga a conta de R$100,00.

Nesse momento, o gringo chega novamente ao balcão, pede sua nota de R$100,00 de volta, agradece, diz não ser o que esperava e sai do hotel e da cidade.

Ninguém ganhou um tostão, porém, agora todos saldaram suas dívidas e podem deixar de cortar gastos!

Moral da história: quando o dinheiro circula, não há por que temer… a crise!

Déficit na Previdência Social Devido à Grande Depressão

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O déficit do Regime Geral de Previdência Social disparou em 2016, fechando o ano em R$ 149,7 bilhões, alta de 74,5% na comparação com o rombo de R$ 85,8 bilhões registrado em 2015. Em valores corrigidos pela inflação, esse déficit foi de R$ 151,9 bilhões em 2016, o maior da série iniciada em 1995.

A maior parte do rombo deve ser atribuída a questões conjunturais, como a queda do emprego, que tem impacto fortemente negativo na arrecadação. A questão estrutural do envelhecimento da população ainda está pesando pouco nas contas, processo que deve se intensificar nas próximas décadas.

O problema é que o governo golpista, propositalmente, mistura as coisas para o público leigo achar que “o envelhecimento já chegou e a relação população ativa/inativa já despencou”! Com isso, espera que a opinião pública não barre a aprovação da proposta da reforma da Previdência no terceiro trimestre do ano corrente. Segundo o governo golpista, o objetivo da reforma não é acabar com o déficit, mas estabilizar as despesas previdenciárias em torno de 8% do PIB nas próximas décadas.

A perspectiva do governo golpista é tentar aprovar a proposta nos moldes em que ela foi encaminhada ao Congresso pelo Poder Executivo, mas o Poder Legislativo será o palco de discussões da proposta. Lembrem-se que 2017 é um ano pré-eleitoral. Não vote em congressista que retirar seus direitos sociais!

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Finanças Públicas em 2016: Por Muito Menos “Justificou-se” (sic) Um Golpe…

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O Setor Público Consolidado encerrou 2016 com um déficit primário de R$ 155,791 bilhões. O resultado do ano equivale a 2,47% do PIB, recorde histórico, e é ainda pior que o déficit de R$ 111,2 bilhões (1,85% do PIB) visto em 2015. Sendo que, em dezembro de 2015, o déficit tinha sido elevado em R$ 71,729 bilhões sob a pressão do TCU para o pagamento das chamadas “pedaladas fiscais”. Era mero pretexto para o golpe parlamentarista que se avizinhava…

No ano, os Estados, municípios e suas estatais registraram um superávit primário de R$ 4,519 bilhões ou 0,07% do PIB, enquanto o governo central teve um déficit de R$ 160,309 bilhões ou 2,54% do PIB.

A meta de déficit para o setor público consolidado para o ano era de R$ 163,942 bilhões ou 2,64% do PIB. Para o governo central, a meta era de um déficit R$ 170,5 bilhões, ou 2,75% do PIB e para os entes subnacionais a proposta era de superávit de R$ 6,554 bilhões.

A proposta inicial do Governo Dilma para o ano, antes do golpe, era de um superávit de R$ 30,5 bilhões ou 0,5% do PIB, sendo R$ 24 bilhões do governo central. Os golpistas mudaram a meta para um número absurdo sob o beneplácito do Congresso cúmplice. Para 2017, a proposta é de novo déficit de R$ 139 bilhões!

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Inflação: Inércia do Passado, Expectativa do Futuro… e a Grande Depressão do Presente?

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Arícia Martins (Valor, 19/01/17) informa que as expectativas inflacionárias e a inércia explicaram a maior parte da alta de 6,29% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2016, segundo estudo da MCM Consultores. Nos cálculos da consultoria, que usa metodologia diferente da do Banco Central para decompor a inflação de cada ano, as estimativas para 12 meses à frente e a influência da variação passada do IPCA sobre os preços correntes responderam por quase 87% do avanço do indicador do IBGE em 2016.

Apresentada normalmente pelo Banco Central no Relatório de Inflação do primeiro trimestre, que será divulgado no fim de março, a decomposição do aumento anual do IPCA analisa o peso de seis componentes na dinâmica de preços:

  1. inflação de preços livres,
  2. inflação de preços administrados,
  3. choques de oferta,
  4. repasse cambial,
  5. inércia e
  6. expectativas.

A MCM faz uso dessa mesma classificação, mas, ao contrário da autoridade monetária, que inclui em seu modelo somente a parcela de variação do IPCA que excede o centro da meta, de 4,5%, para calcular tanto a influência da inércia quanto das expectativas nos preços correntes, a consultoria avalia que usar os índices “cheios” é o critério mais correto.

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Abordagem Conjuntural-Estruturalista Keynesiano-Desenvolvimentista

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Li hoje um artigo de Carlos Luque, Simão Silber e Roberto Zagha (Valor, 06/01/17) que “quase eu assinaria embaixo”! Só achei incoerente com a argumentação do artigo — o equívoco do diagnóstico realizado e da terapia receitada pela atual equipe econômica a frase no parágrafo final: “nada que não possa ser implementado pela equipe econômica atual”. Ora, esta equipe tem um vício de nascença: pertence a um governo ilegítimo politicamente para implementar qualquer medida que peça sacrifício à sociedade já que a maioria dos eleitores não votou neste programa neoliberal de governo!

Carlos Luque é professor da FEA-USP e presidente da Fipe, Simão Silber é professor da FEA-USP e Roberto Zagha foi secretário da Comissão sobre o Crescimento e o Desenvolvimento organizada pelo Banco Mundial. Os autores somam à abordagem conjuntural keynesiana uma abordagem estruturalista a la Cepal, ou seja, desenvolvimentista. Reproduzo-o abaixo, para ser lido à luz dos dados acima.

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Governo Temeroso A Favor da Renda do Capital

mordomo-de-filme-de-terrorO governo golpista e temeroso continua anunciando “medidas impopulares” em desfavor da renda do trabalho sob aplausos daqueles que vivem de renda do capital. Com elas só aprofunda a Grande Depressão brasileira, detonada com a volta da Velha Matriz Neoliberal através da política econômica levyana em 2015. Todos os indicadores, sejam econômicos, sejam sociais, são tão tenebrosos quanto a figura do “Mordomo de Filme de Terror” (veja acima).

 

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Camilla Veras Mota (Valor, 05/12/16) informa que o peso dos benefícios sociais e das rendas “alternativas” no orçamento das famílias brasileiras cresceu em 2015 – ano em que, diante do aumento do desemprego, o rendimento do trabalho despencou em praticamente todas as classes sociais.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostram, na comparação com 2014, que a participação do trabalho na renda domiciliar per capita caiu mais de um ponto percentual, de 76,7% para 75,5%. As chamadas “outras fontes“, nas quais estão incluídos desde Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada até rendimentos de aplicações financeiras e dividendos, passou de 18,2% para 19,8%.

Comparando: os 110.351 clientes do Private Banking obtiveram um aumento de seus ativos financeiros, em nove meses (dez/2015-set/2016), de 14,57% ou R$ 914.106,50 — quase “um milhãozinho de reais” per capita. Certamente, sem colocar nenhum capital novo, o ultrapassarão até o final deste ano inesquecível do País Tropical em que acumulam capital sem oferecer emprego!

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