Fuga de Capitais por a Economia Brasileira desmilinguir-se

O Brasil registrou no mês passado a maior debandada de recursos externos para os meses de junho em toda a série histórica do Banco Central, iniciada em 1982. Marcou o fim do primeiro semestre do governo calamitoso dos toscos, quando há um fluxo sazonalmente negativo do país.

De acordo com os números de fluxo cambial, o déficit total foi de US$ 8,286 bilhões no mês passado. O número é resultado da saída líquida de US$ 8,434 bilhões da conta financeira, enquanto as operações comerciais contaram com entrada de apenas US$ 148 milhões.

O mês de junho é tradicionalmente marcado por remessas de lucros e dividendos de investidores e empresas para o exterior, o que acaba intensificando as saídas no período.

Os oportunistas neoliberais participantes do governo do capitão incapacitado de seguir a carreira desejada alegam, em parte, esse repatriamento de capital externo ser um efeito colateral do desenvolvimento do mercado local de capitais. A evolução do segmento teria aberto espaço para substituição do financiamento no mercado internacional por emissões de títulos de dívida no mercado interno. Menos, menos… É muito menor!

Efeito não intencional disso, no entanto, tem sido o menor fluxo de moeda estrangeira para o país em 2019 quando comparado ao mesmo período de anos anteriores. No ano até o fim de junho, a saída líquida de recursos ficou em US$ 5,121 bilhões. Foi o primeiro resultado negativo para o semestre desde 2016, quando o déficit ficou em US$ 10,408 bilhões.

Enquanto isso, o mercado de ações especula com base na mitificação da reforma da Previdência. Em análise grafista de retroalimentação das cotações não se preocupa com os fundamentos econômicos. No Brasil, predomina a estagdesigualdade. E o governo fica inerte sem intervir com investimentos em infraestrutura, educação e saúde! Confira abaixo.

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Governo Ruim/Péssimo: Sociedade Dividida entre Bem-Informados e Quem Não Reconhece o Erro

Juiz Parcial: prendeu o líder popular favorito na eleição de 2019 e como premiação ganhou o cargo de Ministro da (in)Justiça e a promessa de futura nomeação para STF!

Divulgado pelo Ipea, o relatório Visão Geral da Conjuntura aponta o PIB com crescimento de apenas 0,8% em 2019, um ritmo inferior aos 2% previstos pelo próprio instituto na versão anterior do documento, divulgada no fim de março. Tal revisão está em linha com o resultado aquém do esperado para o primeiro trimestre e com os primeiros indicadores do segundo trimestre. Eles indicam: não há sinal de recuperação.

A inflação se mantém elevada. O desemprego dispara. E o governo de extrema-direita é indiferente a isso. Fica inerte “com olhar de paisagem”, lutando por regime de capitalização e privatização para seus apoiadores mais enriquecerem!


Desempregados por um período longo têm menos chances de voltar ao mercado de trabalho e, quando conseguem se ocupar, recebem rendimento até 13,6% menor do que os desocupados de curta duração, aponta o Banco Central em box do Relatório Trimestral de Inflação.

Esses trabalhadores também têm maior probabilidade de voltar ao mercado exercendo atividades por conta própria ou domésticas, considerando as diferentes categorias de ocupação, com menor chance de retorno para a indústria e construção civil, quando levados em conta os diferentes ramos de atividade. Continuar a ler

PNAD Contínua: taxa de desocupação é de 12,5% e taxa de subutilização é 24,9% no trimestre encerrado em abril de 2019

No trimestre encerrado em abril de 2019, a taxa de desocupação (12,5%) variou 0,5 ponto percentual (p.p.) em relação ao trimestre de novembro de 2018 a janeiro de 2019 (12,0%) e caiu (-0,4 p.p.) na comparação com o trimestre de fevereiro a abril de 2018 (12,9%).

Indicador/Período Fev-Mar-Abr 2019 Nov- Dez (2018)-Jan 2019 Fev-Mar-Abr 2018
Taxa de desocupação 12,5% 12,0% 12,9%
Taxa de subutilização 24,9% 24,2% 24,5%
Rendimento real habitual R$ 2.295 R$ 2.304 R$ 2.281
Variação do rendimento real habitual em relação a: – 0,4 (estabilidade) 0,6% (estabilidade)

população desocupada (13,2 milhões de pessoas) variou 4,4% (mais 552 mil pessoas) frente ao trimestre anterior (12,6 milhões de pessoas) e ficou estável em relação a igual período de 2018 (13,4 milhões de pessoas).

população ocupada (92,4 milhões de pessoas) ficou estável na comparação com o trimestre anterior (92,3 milhões de pessoas) e cresceu 2,1% (mais 1.937 mil pessoas) na comparação como o mesmo período de 2018 (90,4 milhões de pessoas).

A população fora da força de trabalho (65,0 milhões de pessoas) permaneceu estável frente ao trimestre de novembro de 2018 a janeiro de 2019 (65,3 milhões de pessoas) e também ao mesmo trimestre do ano anterior (64,9 milhões de pessoas).

taxa de subutilização da força de trabalho (24,9%) variou 0,7 p.p. em relação ao trimestre de novembro de 2018 a janeiro de 2019 (24,2%) e subiu 0,4 p.p. na comparação com o mesmo trimestre de 2018 (24,5%).

população subutilizada (28,4 milhões de pessoas) é recorde da série histórica iniciada em 2012, com alta em ambas as comparações: 3,9% (mais 1.063 mil pessoas) frente ao trimestre anterior (27,3 milhões de pessoas) e 3,7% (mais 1.001 mil pessoas) no confronto com igual trimestre de 2018 (27,4 milhões de pessoas).

O número de pessoas desalentadas (4,9 milhões) aumentou 4,3% (mais 202 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior (4,7 milhões de pessoas) e 4,2% (mais 199 mil pessoas) frente ao mesmo trimestre de 2018 (4,7 milhões de pessoas).

O número de empregados no setor privado com carteira assinada (exclusive trabalhadores domésticos) foi de 33,1 milhões de pessoas, ficando estável frente ao trimestre anterior e subindo 1,5% (mais 480 mil pessoas) frente ao mesmo período de 2018.

Já o número de empregados sem carteira assinada (11,2 milhões de pessoas) ficou estável frente ao trimestre anterior e subiu 3,4% (mais 368 mil pessoas) em relação ao mesmo trimestre de 2018.

A categoria dos trabalhadores por conta própria (23,9 milhões de pessoas) ficou estável frente ao trimestre anterior e cresceu 4,1% (mais 939 mil pessoas) frente ao mesmo período de 2018.

rendimento médio real habitual (R$ 2.295) ficou estável em ambas as comparações. Já a massa de rendimento real habitual (R$ 206,8 bilhões) permaneceu estável em relação ao trimestre anterior e cresceu 2,8% (mais R$ 5,7 bilhões) frente ao mesmo período de 2018.

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Velha Matriz Neoliberal – Impacto no PAIC 2017: Obras de infraestrutura e setor público perdem participação na indústria da construção

A atividade da construção gerou R$ 280 bilhões em valor de incorporações, obras e serviços da construção em 2017. Os dados da Pesquisa Anual da Indústria da Construção mostram ter havido queda da participação das obras de infraestrutura no valor da atividade entre 2008 e 2017 (de 47,4% para 32,2%), enquanto aumentou a representatividade da construção de edifícios (de 37,2% para 45,8%), e dos serviços especializados (de 15,4% para 22,0%).

Além disso, o setor público perdeu representatividade como cliente no total da indústria da construção, passando de 42,7% para 31,7% na geração do valor de obras. A maior perda de participação do setor público foi no valor das obras de infraestrutura, que passou de 60,3% em 2008 para 52,4% em 2017.

O setor englobava 126,3 mil empresas ativas, que ocupavam cerca de 1,91 milhão de pessoas em 2017. O gasto com salários, retiradas e outras remunerações chegaram a R$ 53,5 bilhões. Entre 2008 e 2017, a média de pessoal ocupado nessas empresas caiu de 32 para 15 pessoas, e o salário médio mensal passou de 2,7 para 2,3 salários mínimos.

Todos os segmentos tiveram queda na média de pessoal ocupado. O segmento que mais perdeu participação entre 2008 e 2017 foi de obras de infraestrutura, que tinha o maior porte médio (de 93 para 42) e a maior média salarial (de 3,5 para 2,9 salário mínimos). Acesse abaixo o material de apoio para mais informações.

 

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Participações dos Componentes do Crédito Ampliado

Os novos dados do BCB comprovam: a economia brasileira é uma economia de endividamento e está longe de se converter em uma economia de mercado de capitais à americana, porque títulos privados emitidos no mercado doméstico (debêntures e notas comerciais) são apenas 4% do crédito ampliado, só superando os securitizados (CRI/CRA) com 3%, mas muito abaixo do endividamento externo (21%), do endividamento público (35%) e dos empréstimos e financiamentos do SFN e outros (37%).

A partir deste mês, passam a ser divulgadas mensalmente pelo Banco Central do Brasil as estatísticas de crédito ampliado ao setor não financeiro. Essa nova estatística inclui, além dos saldos das operações de crédito do SFN, empréstimos e financiamentos concedidos pelos demais setores institucionais residentes; os estoques dos títulos públicos, privados e instrumentos securitizados; e os empréstimos e emissões de títulos cujos credores são não residentes (dívida externa).

As novas séries permitem a compilação do total de crédito que financia os agentes não financeiros da economia – governo geral (administração pública federal, estadual e municipal), empresas (públicas e privadas) e famílias, conforme metodologia internacional de compilação das estatísticas monetárias e financeiras, permitindo a comparação com as estatísticas similares de outros países e organismos internacionais.

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PIB do (des)governo do Capitão: – 0,2% no 1º trimestre de 2019

No primeiro trimestre de 2019, o Produto Interno Bruto (PIB) recuou (-0,2%) em relação ao quarto trimestre de 2018, na série com ajuste sazonal. Na comparação com igual período de 2018, o PIB cresceu 0,5%. Já o acumulado nos quatro trimestres terminados em março de 2019 subiu 0,9%, comparado aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Confirma a reversão para tendência de queda.

Em valores correntes, o PIB no primeiro trimestre de 2019 totalizou R$ 1,714 trilhão, sendo R$ 1,462 trilhão referentes ao Valor Adicionado (VA) a preços básicos e R$ 251,5 bilhões aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.

Ainda no primeiro trimestre de 2019, a taxa de investimento foi de 15,5% do PIB, acima da observado no mesmo período de 2018 (15,2%). O material de apoio das Contas Trimestrais está abaixo.

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Estatística do mercado de trabalho após a reforma trabalhista

Mirella Sampaio é economista da Itaú Asset Management Felipe Tâmega é economista­chefe da Itaú Asset Management. Publicaram artigo (Valor, 30/04/19) em coautoria sobre a estatística do mercado de trabalho após a reforma trabalhista.

Foram diversas as sequelas da grave crise econômica pela qual o Brasil passou nos últimos anos, mas talvez poucas sejam motivo de tanta preocupação quanto a situação do mercado de trabalho. De fato, mesmo com os sinais de recuperação gradual da economia, ainda há 13,4 milhões desempregados buscando uma oportunidade de emprego.

A situação é ainda mais dramática quando levamos em consideração esse número não considerar aqueles desistentes de procurar uma ocupação (os chamados desalentados) ou os que, por algum motivo, trabalham menos horas do que gostariam (subutilizados). [Ver os números abaixo.]

As distinções entre as estatísticas de emprego nas manchetes não se limitam a essas definições. Coexistem no Brasil – assim como em diversos países – diferentes pesquisas que se debruçam sobre esse tema, entre elas a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C), do IBGE, e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Além de serem calculadas por órgãos distintos, cada uma dessas pesquisas retrata um aspecto particular de nossa economia.

A Pnad-C é uma pesquisa por amostra probabilística que acompanha a situação de indivíduos ao longo de um período, formando uma espécie de filme da situação de emprego de diferentes famílias ao redor do Brasil. Já o Caged se assemelha a um censo, sendo construído a partir de todos os registros de admissão e desligamento em um determinado período, como uma foto mensal do mercado de trabalho.

Ao quantificar os registros dos fluxos formais, o Caged acaba por não capturar a situação de uma parcela relevante de nossa população, que trabalha por conta própria ou na informalidade. Ao ser construída a partir de uma amostra, a Pnad-C sofre de conhecidas limitações estatísticas, podendo não ser um retrato fiel da realidade. [?!]

Na medida em que capturam aspectos distintos, cada uma dessas pesquisas traz consigo algumas vantagens e desvantagens. Uma alternativa seria usarmos informações do mercado de trabalho formal disponibilizadas via Caged como um complemento aos dados da Pnad-C. Com isso, combinaríamos o censo do emprego formal com uma medida estatística da informalidade e do auto emprego. Continuar a ler