Abordagem Conjuntural-Estruturalista Keynesiano-Desenvolvimentista

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Li hoje um artigo de Carlos Luque, Simão Silber e Roberto Zagha (Valor, 06/01/17) que “quase eu assinaria embaixo”! Só achei incoerente com a argumentação do artigo — o equívoco do diagnóstico realizado e da terapia receitada pela atual equipe econômica a frase no parágrafo final: “nada que não possa ser implementado pela equipe econômica atual”. Ora, esta equipe tem um vício de nascença: pertence a um governo ilegítimo politicamente para implementar qualquer medida que peça sacrifício à sociedade já que a maioria dos eleitores não votou neste programa neoliberal de governo!

Carlos Luque é professor da FEA-USP e presidente da Fipe, Simão Silber é professor da FEA-USP e Roberto Zagha foi secretário da Comissão sobre o Crescimento e o Desenvolvimento organizada pelo Banco Mundial. Os autores somam à abordagem conjuntural keynesiana uma abordagem estruturalista a la Cepal, ou seja, desenvolvimentista. Reproduzo-o abaixo, para ser lido à luz dos dados acima.

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Governo Temeroso A Favor da Renda do Capital

mordomo-de-filme-de-terrorO governo golpista e temeroso continua anunciando “medidas impopulares” em desfavor da renda do trabalho sob aplausos daqueles que vivem de renda do capital. Com elas só aprofunda a Grande Depressão brasileira, detonada com a volta da Velha Matriz Neoliberal através da política econômica levyana em 2015. Todos os indicadores, sejam econômicos, sejam sociais, são tão tenebrosos quanto a figura do “Mordomo de Filme de Terror” (veja acima).

 

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Camilla Veras Mota (Valor, 05/12/16) informa que o peso dos benefícios sociais e das rendas “alternativas” no orçamento das famílias brasileiras cresceu em 2015 – ano em que, diante do aumento do desemprego, o rendimento do trabalho despencou em praticamente todas as classes sociais.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostram, na comparação com 2014, que a participação do trabalho na renda domiciliar per capita caiu mais de um ponto percentual, de 76,7% para 75,5%. As chamadas “outras fontes“, nas quais estão incluídos desde Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada até rendimentos de aplicações financeiras e dividendos, passou de 18,2% para 19,8%.

Comparando: os 110.351 clientes do Private Banking obtiveram um aumento de seus ativos financeiros, em nove meses (dez/2015-set/2016), de 14,57% ou R$ 914.106,50 — quase “um milhãozinho de reais” per capita. Certamente, sem colocar nenhum capital novo, o ultrapassarão até o final deste ano inesquecível do País Tropical em que acumulam capital sem oferecer emprego!

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Grande Depressão pelo Retorno da Velha Matriz Neoliberal

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TAXA DE INVESTIMENTO (FBCF/PIB) no 3° trimestre de 2016 = 16,5%
TAXA DE POUPANÇA (POUP/PIB) no 3° trimestre de 2016 = 15,1%

O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,8% na comparação do terceiro trimestre de 2016 contra o segundo trimestre do ano na série com ajuste sazonal. É a sétima queda seguida nessa comparação. Frente a igual período de 2015, houve contração do PIB (- 2,9%) pela 10ª vez consecutiva. No acumulado dos quatro trimestres terminados no terceiro trimestre de 2016, o PIB registrou queda de 4,4% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores, sétimo resultado negativo seguido. Já no resultado acumulado do ano até o mês de setembro, o PIB apresentou recuo de 4,0% em relação a igual período de 2015, a maior queda para este período desde o início da série em 1996.

Em valores correntes, o PIB no terceiro trimestre de 2016 alcançou R$ 1,580 trilhão, sendo R$ 1,371 trilhão referente ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 209,3 bilhões aos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios.

A publicação completa da pesquisa pode ser acessada aqui.

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Fragilização Financeira das Empresas Não Financeiras no Brasil Pós-crise

grafico-1Em resumo, o Texto para Discussão do IE-UNICAMP (n. 281, set. 2016) de autoria coletiva de meu colega Julio Sergio Gomes de Almeida, além de Luis Fernando Novais e Marco Antonio Rocha, apresenta uma análise do desempenho econômico-financeiro das empresas não financeiras no período posterior a crise de 2008/2009. A análise procura demonstrar como um conjunto de fatores levou a deterioração dos indicadores financeiros das empresas, sugerindo que a retração econômica vivida nos últimos anos pela economia brasileira desencadeou um processo de fragilização financeira generalizado no setor produtivo. O texto desenvolve também uma proposta de um índice de fragilização financeira com inspiração nos trabalhos de Hyman Minsky.

O momento presente que atravessa a economia brasileira é marcado pelo debate sobre:

  1. os motivos que levaram a crise e
  2. os fatores que podem conduzir a economia brasileira de volta a uma trajetória de crescimento.

Entre as posições em voga, no debate público interditado na mídia brasileira, são comuns àquelas baseadas no diagnóstico de que a crise seria eminentemente uma crise de confiança, provocada pela frustração das expectativas dos agentes privados e que, portanto, seria resolvida pelo retorno do investimento privado em decorrência da restauração do grau de confiança do setor privado. Alguns colunistas golpistas chegaram a propagar que, após o golpe parlamentarista, a confiança seria restaurada… e o pato amarelo da FIESP golpista alçaria voo!

Sem entrar na discussão sobre as causas que induziram a crise, o texto procura demonstrar como ainda que seja verdade a quebra da confiança do setor privado, causaram deterioração do equilíbrio financeiro das empresas não financeiras no Brasil:

  1. os impactos referentes à desvalorização cambial,
  2. a retomada da trajetória de alta das taxas de juros e
  3. a retração da demanda – seja através do consumo das famílias ou do gasto público.

O acréscimo das despesas financeiras, em decorrência da piora das condições de contratação de empréstimos e dos efeitos da desvalorização cambial sobre o passivo em dólar, no momento em que a rentabilidade das empresas caiu, significativamente, provocou o acúmulo de dívidas, gerando um crescente quadro de fragilização financeira. Continue reading “Fragilização Financeira das Empresas Não Financeiras no Brasil Pós-crise”

Revisão do PIB de 2014: Fim da Era Social-Desenvolvimentista

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fbcf-2000-2014O PIB chegou a R$ 5,779 trilhões em 2014 e o seu crescimento em relação a 2013 foi revisado de 0,1% para 0,5%. O PIB per capita (R$ 28.498) teve queda de 0,4% em relação a 2013. Foi a terceira queda nesse indicador desde o ano 2000, sendo que os recuos mais recentes ocorreram em 2003 (-0,2%) e 2009 (-1,2%).

Esses e outros resultados integram o Sistema de Contas Nacionais 2010-2014, que incorpora novos dados, mais amplos e detalhados, do próprio IBGE e fontes externas, além de atualizações metodológicas, revisando os resultados já divulgados pelas Contas Nacionais Trimestrais. A publicação completa pode ser acessada aqui.

 

Index Librorum Economicus Prohibitorum

nfsp-2009-set16O governo golpista faz um diagnóstico equivocado – todo o problema econômico brasileiro se reduz ao déficit primário (referente aos gastos fiscais strictu sensu) –, porque ele atingiu -3,08% do PIB em setembro de 2016 contra superávit de +0,57% no fim da Era Social-Desenvolvimentista em dezembro de 2014. No entanto, a interdição da discussão plural com contraponto entre opiniões especializadas antagônicas, na mídia brasileira, impede a opinião pública saber desse equívoco.

Na verdade, o problema maior está no déficit nominal (incorporando também os gastos com encargos financeiros): 9,42% do PIB contra 6,05%, respectivamente. Este se elevou em função do brutal aumento da taxa de juros pelo Banco Central do Brasil, provocado pelo choque tarifário na volta da Velha Matriz Neoliberal com Joaquim Levy em 2015. O pagamento de juros, no mesmo período, passou de 4,68% do PIB para 8,50% no ano passado e representava 6,35% do PIB em setembro de 2016. Em outras palavras, mais de 2/3 do déficit nominal é responsabilidade da insana política brasileira de juros!

E os golpistas colocam a culpa do déficit primário no INSS, isto é, nos benefícios sociais pagos pela Previdência Social, porque subiram de 1,00% do PIB para 2,36% no mesmo período!

Pior, aprovam uma emenda constitucional que interditará a democracia brasileira – o direito de escolher pelo voto o programa governamental por mandatos de quatro anos – durante vinte anos! A ditadura econômica terá a mesma duração da ditadura militar! Continue reading “Index Librorum Economicus Prohibitorum”