Quedas Brasileiras são as Maiores do Mundo: Por que, heim, neoliberais?

Acabei de ler o Valor de hoje. A única reportagem alheia à ladainha neoliberal tupiniquim — reformas + baixar mais os juros reais já zerados — é um trecho do Financial Times:

Crise do coronavírus exige reação global de política fiscal:

“(…) a natureza desta crise é diferente. O choque de 2008 paralisou, primeiramente, o sistema financeiro, o que provocou um colapso da demanda. O covid-19 é um choque econômico, que abala tanto a oferta — por meio de fechamentos de fábricas, ruptura das cadeias de suprimentos e restrições de viagens — quanto a demanda.

Os consumidores que contraíram a doença ou que estão evitando contraí-la saem menos e gastam menos. Com o avanço da crise, ganha corpo uma crise de caixa tanto para empresas que sofrem com queda da receita quanto para consumidores que perdem suas fontes de renda ou seus empregos.

Portanto, o tipo de apoio, e a maneira como ele é feito, terá de ser diferente desta vez. Sem liderança política mundial, os presidentes dos bancos centrais e os ministros das Finanças poderão ter de contar mais com parcerias formadas especificamente para esse fim.

A política monetária, além disso, tem menos espaço para agir como antídoto. Os cortes de taxas de juros contribuem para fortalecer a confiança, ao reduzir o custo do dinheiro. Mas pouco ou nada farão para reparar as cadeias de suprimento rompidas, apressar a volta de operários ao trabalho e impulsionar os gastos dos consumidores, confinados às suas casas. Com as taxas de juros das economias avançadas, fora os EUA, já próximas ou abaixo de zero, muitos bancos centrais têm, de todo modo, um poder de fogo limitado.

As autoridades econômicas poderão ter um impacto maior por meio de financiamento e de medidas fiscais.” 

O mundo desabando e aqui os idiotas neoliberais continuam com a mesma pregação ideológica de cortes fiscais!

Por que eles não se perguntam e dão uma resposta à questão-chave: qual é a razão da depreciação da moeda nacional e da queda da bolsa de valores brasileira e, destacadamente, do valor de mercado das ações da maior empresa nacional, a Petrobras, terem sido as maiores do mundo?! Os fundamentos da economia brasileira são saudáveis? A política econômica ultraliberal e omissa, tipo “laissez-faire” passivo, é adequada?!

 

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Explodiu a Bolha!

A Bolsa brasileira despencava mais de 10% e teve as negociações suspensas nesta segunda-feira (9/3/20). O dólar operava em alta, chegando a encostar em R$ 4,80, em meio a uma crise no preço do petróleo e à queda de Bolsas no mundo todo.

Júlia Moura (FSP, 09/03/20) anuncia o esperado: a explosão da bolha especulativa na economia brasileira — e mundial. Aqui, os péssimos fundamentos econômicos, destacadamente, a queda acumulada do PIB per capita em -7,4% desde o fim de 2013, não justificavam a propaganda enganosa de O Mercado — e da imprensa oficiosa “chapa-branca”.

Até dia 4 de março de 2020, estrangeiros sacaram R$ 44,8 bilhões da Bolsa de Valores brasileira em 2020. O valor supera o montante retirado em todo o ano de 2019, de R$ 44,5 bilhões, sem contar ofertas de ações (IPOs​ e follow-ons).

A saída também passa a retirada de 2008, maior da série histórica da B3. Em valores corrigidos pela inflação, foram sacados R$ 44,6 bilhões no ano da crise financeira. A velocidade de saída também é recorde, cerca de R$ 1,05 bilhão por pregão, e supera a média diária de 2008.

Considerando IPOs (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) e follow-ons (oferta subsequente de ações), o saldo de estrangeiros está negativo em R$ 33,4 bilhões neste ano. Em 2019, considerando essas operações, a saída foi de R$ 4,7 bilhões.

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Direita Briga com Números: Fracasso Esperado é Confirmado

A propaganda enganosa da aliança entre a casta dos militares e a casta dos mercadores só iludiu os incautos disponíveis para ser massa-de-manobra da casta dos sabidos-pastores e estes negociarem o apoio à extrema-direita. Economistas submissos a essa deveriam devolver seus diplomas por desonestidade profissional! Prometeram algo — o Paraíso na Terrae Brasilis caso a Reforma da Previdência Social cortasse os direitos dos trabalhadores — e não entregaram!

No quarto trimestre de 2019, o investimento na economia brasileira caiu 3,3% em relação ao trimestre anterior. Além disso, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o consumo das famílias cresceu só 0,5%, abaixo do observado no mesmo período de comparação. Combinados, os dois resultados mostram o ritmo de expansão do PIB ter desacelerado no fim do ano passado, evidenciando a dificuldade para crescer de forma mais rápida se a economia brasileira arrasta desde a Grande Depressão de 2015/16, quando voltou a Velha Matriz Neoliberal e os golpistas sabotaram e golpearam a Presidenta eleita.

No primeiro ano do governo do capitão reformado, contrariando a propaganda enganosa dos participantes de O Mercado, a economia cresceu apenas 1,1%, abaixo do avanço anual, de 1,3%, nos dois anos da gestão Michel Temer. O desempenho é o quinto pior deste século. A imprensa oficiosa chapa-branca, no início de 2019, anunciava o país crescer perto de 3%!

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Debate sobre Nível Ideal de Reservas Cambiais

Editorial do Valor (13/01/2020) volta ao debate sobre nível ideal de reservas internacionais. São um seguro contra o risco de dolarização provocado pela fuga de capital e déficit no balanço de transações correntes, provocado pelo equívoco do BCB abaixar demasiadamente a paridade entre taxas de juros reais interna e externa. Confira abaixo.

“Na esteira da saída recorde de dólares do Brasil em 2019, o Banco Central se desfez de quase 10% do colchão de liquidez externa do qual o país dispõe. As vendas de US$ 36,9 bilhões das reservas internacionais contribuíram para diminuir a volatilidade cambial, em um período no qual o dólar chegou a encostar em R$ 4,30.

E ainda ajudaram a política fiscal, ao retirar 2% do Produto Interno Bruto (PIB) da dívida bruta e diminuir a chamada taxa de juros implícita da dívida líquida, que reflete a diferença entre o custo de captação do governo e o que ele recebe de remuneração dos seus ativos.

O movimento do BC levou as reservas do país para US$ 356,9 bilhões ao fim de 2019. No pico do ano passado, antes de a autoridade monetária dar início ao seu programa de intervenções cambiais, elas tinham atingido US$ 390,5 bilhões. Continuar a ler

Economia Brasileira vai mal; Indústria vai pior

O trabalho por conta própria, comum nos setores de serviços e comércio, cresce também na indústria. A proporção desses trabalhadores no setor industrial passou de 16% em 2012 para 20% em 2019, comparando terceiros trimestres, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. O setor têxtil concentra a maior parte desses profissionais também atuarem em segmentos como produção de móveis e alimentos.

São 341 mil pessoas a mais trabalhando por conta própria na indústria, um aumento de 16% entre 2012 e 2019. A título de comparação, o setor perdeu 1,35 milhão de empregados com carteira nesse intervalo. Além disso, foram fechados 62 mil postos sem carteira. Mesmo contando com o acréscimo do conta própria, a perda no setor foi de 1 milhão de empregos em sete anos.

Depois de dois anos de recuperação parcial da crise, a indústria de transformação ficou praticamente estagnada no ano passado, com sua sonhada aceleração se revelando uma propaganda enganosa. Levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), revela: quatro em cada dez segmentos do setor encerraram o ano em recessão.

Dos 93 subsetores da indústria investigados, 41 enfrentaram queda de moderada a forte no ano passado (44% do total), com baixas no volume de produção mais intensas do que 1%. É uma quantidade maior do que em 2018 (37 de 93, ou 40%). Outros 11 segmentos ficaram estagnados (sem variação na produção ou próxima de zero). E 41 cresceram mais de 1%.

Com 41 segmentos em recessão e 41 em crescimento, poderia ser uma questão de copo meio cheio, meio vazio. Mas estamos no terceiro ano de recuperação, após uma longa crise, então teria sido melhor se já tivéssemos superado essa etapa. Houve quedas disseminadas, revelando as dificuldades de 2019.

O levantamento foi feito pelo IEDI a partir da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o Iedi, 2019 foi mais um tropeço, mostrando a fragilidade da recuperação industrial, sujeita a voltar a recessão frente a obstáculos.

Dados do IBGE mostraram a indústria de transformação teve estagnação (0,2%) em 2019 em relação ao ano anterior. O resultado aponta para uma perda de ímpeto da recuperação. O setor havia crescido 2,2% em 2017 e mais 1,1% em 2018. Durante a crise, a transformação acumulou queda de 18,8% de 2014 a 2016. Continuar a ler

Estágio Atual da Economia Brasileira: Estagnação ou Recuperação Cíclica?

É curiosa a discordância entre editores neoliberais do jornal Valor Econômico. Entre o antipetista/antidesenvolvimentista e a adesista chapa-branca não se chega a um consenso a respeito do estado atual da economia brasileira.

Cristiano Romero é editor-executivo e publicou coluna (Valor, 29/01/2020) intitulada “a estagnação brasileira“. Claudia Safatle é diretora-adjunta de redação e publicou coluna (Valor, 17/01/2020) anunciando “a economia está em recuperação cíclica“.

Pior em relação ao seu falso diagnóstico é a proposta de terapia: “o caminho pela frente não comporta nem euforia nem depressão, mas persistência nas reformas e no mix da política econômica com ênfase no rigor fiscal e no afrouxamento monetário”. Ora, ora… mais do mesmo discurso-ladainha neoliberal.

Confira as diferenças entre os neoliberais, um anti-oposição, outra pró-situação, primeiro lendo Romero, depois Safatle.

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Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) versus Operações Compromissadas: Consultoria Técnica

Na tabela 17 publicada pelo BCB (veja acima), Títulos Livres na Carteira do BACEN (17% da DBGG) representam a diferença entre a dívida mobiliária na carteira do Bacen e o estoque das operações compromissadas do Bacen (17,3% da DBGG).

Aparentemente, títulos da dívida pública emitidos para fazer política monetária representam mais de ⅓ da Dívida Bruta do Governo Geral (75,8% do PIB).

Uma dúvida técnica é: se os desconsiderassem, seriam menos 26% do PIB em seu montante, ou seja, a dívida bruta estaria em apenas 50% do PIB?

Uma dúvida política é: a DBGG seria um falso problema para justificar toda a austeridade fiscal?

Por que o BACEN não troca as operações compromissadas por depósitos voluntários (e remunerados) nas reservas bancárias como é feito em outros países?

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