Outubro de 1917 por Sergei Eisenstein

RosenstoneRobert A. Rosenstone, autor do livro A História nos Filmes, Os Filmes na História (São Paulo; Paz e Terra; 2010), dedicou seu quarto capítulo à análise de Drama Inovador. Ele focaliza o filme Outubro, apresentado em 1927 por Sergei Eisenstein, considerado o maior inovador entre os diretores de filmes históricos.

“Seus primeiros filmes, que tinham o claro objetivo de fornecer mitos fundadores para o nascente Estado soviético, ignoram totalmente a contribuição dos indivíduos e, em seu lugar, trazem as massas para história e levam a história para as massas. Isso vale para sua obra mais conhecida, O Encouraçado Potemkin, bem como para sua homenagem à Revolução Bolchevique, Outubro” (p. 82).

Ambas filmagens costumam ser rotuladas de “obras de propaganda”, mas são bem mais do que isso: são também uma obra histórica que pode ocupar seu lugar ao lado das interpretações escritas do mesmo tópico. Um filme histórico ao mesmo tempo estabelece uma relação e acrescenta algo ao discurso histórico do qual nasce e ao qual necessariamente se refere. Continuar a ler

Seminário sobre Revolução Inglesa

Seminário sobre Revolução Inglesa

UnicampResumo: A cidadania liberal foi um primeiro passo para romper com a figura do súdito que tinha apenas deveres a prestar, substituindo-o pela figura do cidadão que tinha direitos a conquistar. Porém, seu fundamento universal “todos são iguais perante a lei” – impunha a necessidade histórica de:

  1. a inclusão social dos despossuídos,e
  2. o tratamento dos desiguais com desigualdade (e não com isonomia), por exemplo, com política afirmativa via cotas.

Por uma liberdade efetiva, nos séculos seguintes vieram à tona a luta por igualdade política e social, meta conquistada não mais pelos liberais, mas regularmente contra eles, pelas forças socialistas e democráticas. Esta é uma luta contínua até o presente.

A história do desenvolvimento dos direitos do citadino, a evolução da cidadania na Europa centro-ocidental,
transcorre há pelo menos quatro séculos de acirrados conflitos sociais, relacionados à conquista de três conteúdos de direitos:

  1. os direitos civis, no séculos XVII-XVIII;
  2. os direitos políticos, no século XIX; e
  3. os direitos sociais, no século XX.

Junto a tais direitos, novas formas de Estado também foram se constituindo nesses três séculos, novas funções estatais indicadoras de uma relação dinâmica entre indivíduos, sociedade e aparelho estatal.

 

Economia no Cinema 2014

                                                                                                                                                                        UnicampUNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

INSTITUTO DE ECONOMIA

CURSO DE GRADUAÇÃO

CE908 (catálogo até 2009) / CE858 (catálogo a partir de 2010) – TÓPICOS ESPECIAIS DE ECONOMIA III – “ECONOMIA NO CINEMA” (ELETIVA)

Prof. Dr. Fernando Nogueira da Costa

Objetivo: delinear uma alternativa ao ensino tradicional de Economia via livro-texto: usar filmes para aplicar conhecimento econômico em suas interpretações. O documentário é um meio visual e de áudio poderoso e atraente para a transmissão de informações. Complexos e, por vezes, intrigantes conceitos econômicos podem ser mais facilmente digerido por alunos cinéfilos. Eles se beneficiam de exemplos retirados de filme para ilustração de temas cuja análise pode ser reforçada através de discussão em classe. Conceitos podem ser introduzidos com de leitura de livros, reforçados através do cinema e, em seguida, fixados através de discussão. A intuição e a imaginação dos alunos estão envolvidos nesse processo por meio da ação de relacionar os conceitos que aprenderam, lendo ou assistindo aulas/palestras, com a “vida no mundo real” retratada de maneira artística nos filmes. Assim estimulados, os alunos se moverão em direção à apropriação intelectual do tema apresentado, o que implicará em retenção mental, em longo prazo, de conceitos econômicos.

Lista de Filmes Históricos

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Arte sobre a pobreza tem mais impacto que pesquisas (por Felipe Gutierrez – Folha de S.Paulo)

O Mundo pelo Cinema

Conversei quase uma hora por telefone com o repórter Felipe Gutierrez da Folha de S.Paulo sobre minha experiência de usar Cinema no Ensino de Economia, seja com dramas/épicos históricos, seja com documentários brasileiros. Os seguidores deste modesto blog conhecem-na bem através dos programas — Economia no CinemaEconomia Monetária Através de Filmes, Métodos de Análise Econômica — ou via as avaliações discentes sobre os cursos — Avaliação Discente do Curso Métodos de Análise Econômica e  Avaliação Discente do Curso Economia no Cinema. Bem, a longa conversa, em que falei bastante sobre a empatia despertada nos alunos, o conhecimento interdisciplinar, e a complementação do interesse criado pelos filmes com pesquisa em literatura, sites e estatísticas — rendeu duas linhas na matéria publicada hoje (FSP, 15/12/13)… Confira abaixo.

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A Projeção de Desenvolvimento: Representação Cinematográfica como uma (outra) Fonte de Conhecimento?

frase-a-batalha-pela-sobrevivencia-dos-cinemas-nacionais-tem-de-se-dar-nas-telas-disputando-publico-marcelo-pineiro-138519

Representações cinematográficas populares em relação ao desenvolvimento socioeconômico precisam ser levadas a sério, embora não de forma acrítica, como fontes de conhecimento balizado, e não menos importantes do que outras fontes como a literatura, os relatórios de pesquisas, as estatísticas, etc. A maioria das pessoas, nos países centrais do capitalismo, irão se deparar com questões de desenvolvimento de outras regiões através de opiniões formadas a partir dessas fontes de informações. Nesse sentido, o cinema (dramas e/ou documentários) forma a opinião pública mundial a respeito de muitos países.

Para este fim , o trabalho de David Lewis, Dennis Rodgers e Michael Woolcock — The Projection of Development: Cinematic Representation as An(other) Source of Authoritative Knowledge? –, publicado pelo Banco Mundial, apresenta três grupos de filmes focados em desenvolvimento :

  1. os que fornecem insights exclusivamente didáticos,
  2. aqueles que, inutilmente, iludem e simplificam demasiadamente processos sociais complexos, e
  3. aqueles que, com o benefício da retrospectiva histórica, utilmente, transmitem uma sensação adequada a respeito das premissas vigentes que orientaram e interpretaram a eficácia das intervenções, seja de natureza militar-diplomática, seja de natureza humanitária, em determinado tempo e lugar.

Os autores argumentam que os imperativos comerciais e técnicos que regem a produção de filmes contemporâneos e, em particular, de filmes que visam apenas o sucesso de público, geram uma capacidade muito variável de processar com precisão as questões-chave do desenvolvimento. Assim, aumentam o seu potencial tanto para iluminar quanto para obscurecer essas questões .

Como os autores buscaram também fazer em artigo anterior, em relação aos romances (literatura) como fontes de percepção do nível de desenvolvimento, eles tentaram argumentar nesse trabalho que existem oportunidades importantes para um envolvimento mais próximo com o cinema como um meio para discutir as idéias e os processos de desenvolvimento.

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Avaliação Discente do Curso Economia no Cinema

cropped-unicamp_entrada-i.jpgCompletada a experiência didática inédita no IE-UNICAMP – delinear uma alternativa ao ensino tradicional de Economia via livro-texto, usando filmes para aplicar conhecimento econômico em suas interpretações –, é interessante compartilhar seus resultados com todos os interessados. Recebi manifestações de interesse não só por parte de meus colegas como também de outros professores e alunos de Economia ou Ciências Sociais.

Fiquei muito satisfeito com o resultado! Houve um notável amadurecimento cultural por parte de todos os alunos, constatável pelas crescentes participações no debate entre o início e o fim do curso e pelos trabalhos de avaliação muito bons – todos foram aprovados! O legal é que também eles reconheceram isso, o que pude conferir tanto pela avaliação oral realizada na última aula, quanto pela avaliação escrita dos alunos sobre o curso.

Solicitei respostas às seguintes questões:

  1. ESTADO DA ARTE: Qual era o seu conhecimento sobre as Eras Econômicas antes do curso?
  2. RESUMO DO CURSO: Descrição sumária do curso através das principais características das Eras Econômicas apresentadas nos filmes.
  3. AVANÇO: Quais foram as principais lições econômicas aprendidas no(s) enredo(s) do(s) filme(s)?
  4. CONTRIBUIÇÃO PESSOAL: Qual é sua avaliação do curso? Por que? Sugestões?

As duas questões centrais foram espécie de recapitulação sintética do que foi visto e aprendido.

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Avaliação do Curso Economia no Cinema

UnicampAVALIAÇÃO FINAL: apresentar por escrito e, oralmente, em seminário no dia 10/06/13, suas respostas às seguintes questões:

  1. ESTADO DA ARTE: Qual era o seu conhecimento sobre as Eras Econômicas antes do curso?
  2. RESUMO DO CURSO: Descrição sumária do curso através das principais características das Eras Econômicas apresentadas nos filmes.
  3. AVANÇO: Quais foram as principais lições econômicas aprendidas no(s) enredo(s) do(s) filme(s)?
  4. CONTRIBUIÇÃO PESSOAL: Qual é sua avaliação do curso? Por que? Sugestões?

Leia resenhas do livro FERGUSON, Niall. Civilização: Ocidente X Oriente. São Paulo: Planeta, 2012 (base de referência da série apresentada e debatida em sala-de-aula) neste blog:

Civilização: Ocidente X Oriente;

Inquisição;

Relação entre Religião e Ciência;

Capitalismo: Surgimento Tardio;

Era das Grandes Navegações: Competição;

Colonização das Américas e Direito à Propriedade;

Teorias dos Ciclos de Civilização;

Civilização: Ascensão Lenta, Queda Súbita.