O Poder Vai Dançar

O Poder Vai Dançar [Craddle Will Rock] (1999): Este é o terceiro filme dirigido por Tim Robbins (depois de Bob Roberts e Os Últimos Passos de um Homem [Dead Man Walking]), marido da Susan Sarandon e militante da esquerda hollywoodiana. Ele vai contra a corrente, e faz um canto de amor aos ideais socialistas, absolutamente “estranho no ninho”, naqueles tempos direitistas do neoliberalismo.

É um painel largo, amplo, que focaliza pelo menos uma dúzia de histórias pessoais que se interligam tendo como pano de fundo o ambiente multifacetado e em profunda transformação da Grande Depressão.  Ela é enfrentada pelas reformas do governo Roosevelt, especificamente, um programa federal de incentivo ao teatro, que os reacionários, apressadamente, apontaram como “filo comunista”.

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Da Hegemonia Europeia à Hegemonia Norte-americana

EUA x Europa

Marc Ferro foi um nome de destaque entre os historiadores franceses. No inicio de sua carreira teve dificuldade de ingressar na carreira acadêmica, mas com ajuda de Fernand Braudel, um dos mais importantes historiadores da França, conseguiu mostrar sua importância ao mundo. É um dos principais nomes da 3ª geração da “Escola dos Annales“. Ferro é conhecido por ter sido o pioneiro, no universo historiográfico, a teorizar e aplicar o estudo da chamada relação cinema-história.

Como acadêmico, foi co-diretor da revista Les Annales (Économies, Sociétés, Civilisations), ensinou na l’École polytechnique, foi diretor de estudos na IMSECO (Institut du Monde Soviétique et de l’Europe Central e Oriental), membro do Comitê de redação do Cahiers du Monde Russe et Soviétique e professor visitante nos EUA, Canadá, Rússia e Brasil.

Sua estadia na Argélia, em pleno fervor revolucionário, também não pode ser esquecida. De volta a França, ajudou a organizar comitês de solidariedade aos argelinos.

Vamos editar o tópico intitulado como este post, encontrado em seu livro História das Colonizações (pp. 390-392).

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A Batalha de Argel

La battaglia di Algeri é um filme ítalo-argelino de 1966 dos gêneros “Drama Histórico” e “Guerra”, dirigido por Gillo Pontecorvo, falado em francês e árabe. O filme enfoca os eventos ocorridos em Argel, a capital da Argélia, de novembro de 1954 até Dezembro de 1960, quando o povo argelino lutou contra a ocupação colonialista francesa no país. Durante a “Guerra da Independência Argelina”, uma organização de nativos insurretos, escondidos na populosa região da cidade de Argel conhecida por Casbah (cidadela), manteve violento conflito contra as tropas de ocupação colonialista francesas (pied-noirs).

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Descolonização: Contexto de A Batalha de Argel

Descolonização

Para contextualizar o roteiro do filme “A Batalha de Argel”, a ser discutido no Curso Economia no Cinema, vamos tratar de mais uma etapa crucial da evolução humana, editando informações obtidas na Wikipédia. Descolonização é o nome genérico dado ao processo pelo qual uma ou várias colônias adquirem ou recuperam a sua Independência Política, geralmente por acordo entre a potência colonial e um partido político (ou coligação) ou movimento de libertação.

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Revolução no Cinema: Sergei Eisenstein e O Encouraçado Potemkin

Filme de Serguei Eisenstein (1925). Legendas traduzidas para o português. Para apreciar melhor o cinema do mestre da montagem vale ver o DVD Sergei Eisenstein Uma Autobiografia:

Este filme foi dedicado ao centenário do maior cineasta que a ex-União Soviética já teve, e um dos mais importantes de todos os tempos. Baseado em suas memórias, que ele iniciou em 1929, logo depois de finalizar “A Linha Geral” (Staroie I Novoie). Imagens raras do arquivo pessoal de Eisenstein. Mostrando centenas dos seus filmes, e suas reflexões do mundo durante os trágicos anos da Revolução Russa e do terror idealista de Stalin.

O segundo filme de Eisenstein, “O Encouraçado Potemkin” (1925), demonstrou que sua arte poderia ser mais poderosa quando atingisse um equilíbrio entre formas narrativas tradicionais e experimentais. Se “A Greve” (1924) era um poema visual agitado que apelava à emoção das audiências, “O Encouraçado Potemkin“, a representação de um dos mais trágicos episódios da revolução de 1905, era um trabalho de prosa, altamente emocional, mas muito claro no seu discurso lógico e público. Os grandes planos das faces humanas carregadas de sofrimento e das botas dos soldados, na já lendária sequência da escadaria de Odessa, são tão impactantes que algumas exibições do filme fora da URSS (como durante a ditadura militar brasileira) provocaram problemas com a censura, já que o público ficava convencido de que estava a ver um cine-jornal!

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Comunismo segundo Karl Marx

Manifesto Comunista

Crítica ao Programa de GothaO trabalho de Karl Marx, Kritik des Gothaer Programms (Crítica do Programa de Gotha), escrito em 1875, é composto por um conjunto de observações críticas ao projeto de programa do futuro partido operário alemão, unificado a partir do Partido Operário Social-Democrata, fundado em 1869, em Eisenach, e a Associação Geral dos Trabalhadores Alemães, fundada por Lassalle em 1863. Este projeto sofria de sérios erros ideológicos e de concessões de princípio ao lassallianismo segundo Marx.

Ele e Engels aprovavam a ideia de se fundar um partido socialista único da Alemanha, mas denunciavam o compromisso ideológico com os lassallianos e submetiam-no a uma crítica mordaz. Neste opúsculo, Marx formulou, brevemente, toda uma série de ideias ainda vagas sobre as questões fundamentais da “teoria do comunismo científico”, tais como

  1. a revolução socialista,
  2. a ditadura do proletariado,
  3. o período de transição do capitalismo para o comunismo,
  4. as duas fases da sociedade comunista,
  5. a produção e a distribuição do produto social no socialismo e
  6. os traços fundamentais do comunismo,
  7. o internacionalismo proletário e
  8. o partido da classe operária.

Esta obra constitui um passo no desenvolvimento da doutrina do marxismo sobre o Estado e a ditadura do proletariado. Marx define a tese da inevitabilidade histórica de um estágio especial de transição do capitalismo para o comunismo, com a forma de Estado correspondente à «ditadura revolucionária do proletariado».

Vale a pena as reler, para debater se essa doutrina ideológica foi ultrapassada, devido às experiências concretas das revoluções de uma vanguarda partidária em nome do proletariado. Essas antecipações históricas, ou melhor, “salto de etapa” para o SOREX – Socialismo Realmente Existente, levou ao totalitarismo antidemocrático, comandado por uma nomenclatura partidária? Qual era a concepção original de Karl Marx para o Socialismo e o Comunismo? Encontra-se somente neste livro pequeno de poucas páginas: Crítica do Programa de Gotha?

Vamos destacar abaixo algumas ideias-chave dessa doutrina (com termos contemporâneos do “português brasileiro” entre colchetes), encontrada nesse opúsculo em alguns tópicos das Glosas Marginais ao Programa do Partido Operário Alemão, escritas em 1875. Marx morreu em 1883. Engels as tornou pública, cortando algumas partes, em 1891. Só em 1921, quatro anos após a Revolução Soviética de 1917, o texto foi publicado na íntegra.

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