Avaliação de CE571 – Macroeconomia III

1o SEMESTRE DE 2010 – Prof. Dr. Fernando Nogueira da Costa

2ª AVALIAÇÃO – TRABALHO ESCRITO SOB FORMA DE ARTIGO:

  • Considerando as distintas abordagens sobre ciclo (flutuações econômicas em curto prazo), tendência (crescimento em longo prazo) e instrumentos a ser utilizados em intervenções governamentais na economia, escreva artigo com 90 linhas (2 páginas em espaço simples, fonte Arial tamanho 12) sobre se há diferenças ideológicas em políticas econômicas em curto prazo ou em longo prazo. É possível caracterizar, consistentemente, uma “política econômica de esquerda” (desenvolvimentista) e outra “política econômica de direita” (conservadora)? Em termos metodológicos, é correto dizer que há “teoria da política econômica”?
  • Demonstre sua capacidade analítica, utilizando-se de teorias e conceitos aprendidos no curso. Não escreva artigo histórico-descritivo (factual) com “estudo do caso”. Defenda determinada idéia-chave ou “tese”, posicionando-se no debate.
  • Critérios de avaliação do artigo: forma (ortografia, pontuação, acentuação, estilo, etc.); conteúdo (domínio da matéria); adequação (posicionamento pessoal quanto ao tema solicitado); coesão (relacionamento entre as partes, causalidades, deduções, etc.); coerência (fio-condutor do argumento, exposição com início-meio-fim, defesa da hipótese levantada, etc.).
  • Sugestão de leitura préviaArte de Escrever (Arte de Escrever) e 27 Dicas Para Você Escrever Bem (27 Dicas Para Você Escrever Bem).
  • Prazo-limite para entrega: na aula do dia 16 de junho de 2010 (sexta-feira). Entregar o trabalho impresso, pessoalmente, e preparar breve apresentação oral de sua idéia-chave em seminário.
  • As notas serão divulgadas pela Secretaria da Graduação.

Alunos que ficarem para exame – dia 7 de julho de 2010, quarta-feira, às 10:00, na sala de aula: favor confirmar presença (ou anunciar desistência) até o final do mês de junho por e-mail: fercos@eco.unicamp.br .  O exame será prova escrita em sala de aula sobre toda matéria do programa sem consulta bibliográfica.

Capacidade de Intervenção em Ciclos

16 Capacidade de intervenção em ciclos

Resumo da aula:

Na teoria keynesiana, atribui-se papel essencial de regulação ao governo, enquanto nos modelos neoclássicos o governo aparece mais como fonte de instabilidade do que de correção dos desequilíbrios. Questão-chave a ser refletida: qual é a possibilidade de a política econômica evitar as flutuações econômicas decorrentes de choques econômicos? Uma vez 1. identificado o choque, 2. decidido intervir, 3. identificado o instrumento adequado, 4. quando a política econômica começará a surtir efeito, as condições econômicas poderão já estar completamente alteradas. Nesse caso, ela terá efeito desestabilizador ao invés de estabilizador. A existência de defasagens dos efeitos de instrumentos de política econômica é forte argumento contra a tentativa dos governos de evitarem as flutuações econômicas. São instrumentos para o governo lidar com a defasagem e antecipar medidas a respeito das previsões: utilização de estabilizadores automáticos, técnica dos indicadores antecedentes, elaboração de cenários econômicos, etc.

Ciclos Econômicos

15 Ciclos Econômicos

Resumo da aula:

As hipóteses dos modelos neoclássicos determinantes da tendência ao equilíbrio são: 1. racionalidade: os agentes econômicos maximizam suas funções de utilidade e lucro, isto é, agem racionalmente; 2. flexibilidade: os mercados livres, inclusive o mercado de trabalho, tendem para o equilíbrio, isto é, preços e salários são flexíveis; 3. simetria de informações: todos os agentes têm informação perfeita e jamais se enganam. No modelo neoclássico de longo prazo com preços flexíveis e sem imperfeições nos mercados (atomismo e informações perfeitas), o produto sempre estaria em seu nível potencial, sendo este determinado pelas condições da oferta: 1. estoque de fatores de produção: trabalho, capital, terra.; 2.tecnologia. As flutuações da demanda repercutiriam sobre o nível dos preços, sem afetar a quantidade produzida. Na teoria keynesiana, no entanto, a demanda agregada assume o papel determinante do produto. Teorias monetaristas e novoclássicas partem das hipóteses neoclássicas de racionalidade e de preços flexíveis, mas questionam a de informações perfeitas para todos agentes. Expectativas adaptativas são formadas a partir da experiência passada, com ênfase maior para os períodos mais recentes. O ciclo monetarista decorre dos trabalhadores esperarem ex-ante aumento nos salários relativos e constatarem ex-post queda dos salários reais, devido à ilusão monetária, provocada, no curto prazo, por política monetária expansionista. Expectativas racionais supõem que cada um e todo agente tem o mesmo modo de entender a economia e este corresponde à estrutura verdadeira de seu funcionamento. Assim, apenas evento aleatório não tem seu efeito perfeitamente antecipado por todos os agentes na economia. Economia Novo-keynesiana é  a tentativa de estudar fundamentos microeconômicos para explicar a rigidez de salários e preços.  O referencial novo-keynesiano incorpora: 1. imperfeições de mercado, inclusive assimetria de informações, e 2. rigidez de preços e salários. Com queda da demanda, o ajuste se fará via desemprego e não por queda dos preços.

Eficácia da Política Econômica na Busca de Equilíbrio Geral

Seminário sobre Modelo ISLMBP

Objetivo da aula:

Examinar as possibilidades consistentes de uso dos instrumentos básicos de política econômica, quatro controles de capital (imobilidade, plena abertura comercial e financeira, mobilidade forte e fraca), dois regimes de câmbio (fixo e flexível) e duas políticas de regulação da demanda agregada (política monetária e política fiscal), em quinze situações. A meta é obter equilíbrio interno, isto é, sem desemprego e inflação, e externo, ou seja, equilíbrio no balanço de pagamentos. A turma será dividida em cinco grupos de alunos. Em cada rodada, haverá sorteio de um grupo e de uma situação, para apresentar a solução no quadro à frente dos demais. Para estimular o interesse, pontua-se a competição.

Eficácia e Combinação de Políticas Econômicas

14 Eficácia e combinação de políticas econômicas

–       Você poderia me resumir o que foi dito a respeito de em quais situações é necessário utilizar determinada política econômica? Surgindo tal oportunidade, qual eu usarei?

–       O Senhor Presidente pode se sentir confuso, pois, como vimos pelo Quadro 9.2, há oito situações possíveis de acordo com a combinação entre os dois regimes cambiais, os dois instrumentos de política econômica e os quatro graus de mobilidade de capital.

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Mobilidade Imperfeita de Capital

13 Mobilidade imperfeita de capital

Em regime cambial fixo, a política fiscal é mais eficaz em situação de forte mobilidade, pois a entrada de capitais reduz o efeito deslocamento, provocado pela elevação da taxa de juros. Ela é menos eficaz no caso de fraca mobilidade, porque a saída de capitais, ligada à deterioração das transações correntes, acarretaria então alta acentuada da taxa de juros. O Quadro 9.4 permite verificar isso.

QUADRO 9.4

A POLÍTICA ÓTIMA
SEGUNDO O REGIME CAMBIAL E A MOBILIDADE DE CAPITAIS

CÂMBIO FIXO CÂMBIO FLEXÍVEL
FRACA MOBILIDADE política fiscal
menos eficaz
política monetária ineficaz
Política monetária e política fiscal
eficazes
FORTE MOBILIDADE política fiscal
mais eficaz
política monetária ineficaz
Política fiscal
menos eficaz
política monetária
eficaz

–       Por esse quadro, a política ótima, para o emprego e o balanço de pagamentos, seria diminuir a mobilidade do capital e adotar um regime de câmbio flexível!

–       Vamos, então, examinar o caso mais realista de uma mobilidade imperfeita dos capitais. De fato, essa situação intermediária entre os dois casos anteriores é a mais próxima da realidade.

Os Fluxogramas 9.3 a 9.5 (em anexo) permitem boa visualização da ordenação lógica dos argumentos na análise dos mecanismos da política econômica com câmbio flexível e imobilidade imperfeita de capital. No caso da política monetária (9.3), os resultados da conta de transações correntes e da conta de capital, no balanço de pagamentos, não são conflitantes. Apontam no mesmo sentido. Portanto, é indiferente o grau de imperfeição da mobilidade do capital, para o seu sucesso.

A comparação entre os Fluxogramas 9.4 (política fiscal com fraca mobilidade de capital) e 9.5 (com forte mobilidade) revela que, ao contrário da expansão monetária (que provoca um duplo déficit externo), a expansão fiscal provoca um déficit do balanço de transações correntes, mas em contrapartida provoca um superávit da conta capital, atraindo capitais devido ao diferencial entre os juros internos e os internacionais. Se a atração é forte (maior grau de abertura financeira), o superávit externo predomina, apreciando a moeda nacional e limitando os efeitos expansivos (a nível do emprego) iniciais. Caso contrário, há déficit externo e depreciação, o que reforça esses efeitos iniciais.

Perfeita Mobilidade de Capital

12 Perfeita mobilidade de capital

–       Se eu fizer liberalização financeira, a mobilidade perfeita dos capitais é positiva para a nação?

–       O fim da repressão financeira (ou o chamado neoliberalismo) tem também seus problemas. Suponhamos que você queira diminuir o desemprego através de política de expansão monetária sob forma de compra de títulos de dívida pública, no open market, pelo banco central. A baixa da taxa de juros que, normalmente, deveria prevalecer é contrariada pela fuga de capitais, provocando inclusive déficit do balanço de pagamentos.

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