Carta para a ex-namorada

raquel-varela

Um estimado seguidor deste modesto blog pessoal, Reinaldo Cristo, deu-me a dica e fui conferir. Amei de cara (“à primeira vista”) Raquel Varela ao ler o seguinte:

“Em Portugal e no Brasil fez hoje sucesso entre milhares de pessoas a carta do actor Gregorio Duvivier à ex-namorada. A carta em si não tem grande interesse – na minha modestíssima opinião. Sou fã do Porta dos Fundos, estou perdoada. É uma carta sobre as músicas que ouviram juntos e o amor de um jovem adolescente – não é naturalmente uma carta sobre os momentos mais bonitos da sua história de amor adulta, feita, como todas as verdadeiras histórias de amor, de intimidade, intensidade, amor, muito amor, cuidado, erros, reencontros, crises e grandezas, coragem, não é, certamente a mais bela carta de amor que ele lhe escreveu, porque essas estão na mão dela, não estão publicadas na Folha de São Paulo. Mas a carta tem algo de especial, muito especial. Ela é uma carta para a ex-namorada. Com quem a relação está terminada. É uma carta que termina dizendo foi “uma linda história de amor”. E nós vivemos num mundo onde a maioria dos ex-casais se odeia, na pior das hipóteses, ou se ignora, na melhor. Pessoas que partilharam a intimidade, o amor, foram felizes juntas, muitas com filhos e não sabem nem querem saber um do outro. A mim sempre me surpreendeu que um casal que se divorciasse tivesse que avisar “separámo-nos, mas somos amigos”, uma vez que eu deduzo que alguém que foi casado com alguém no mínimo contínua muito amigo. A maioria porém não fala com o ex, não fala do ex, que passou a ser um morto-vivo, um fantasma, proibido de frequentar os mesmos lugares, deixou de ser acolhido na família onde almoçou por anos – os actuais aliás normalmente vetam a entrada dos exs…e quando os actuais e os exs se dão bem o caso é “estranho”, a comunidade não compreende bem o comportamento “excêntrico”. É que cuspir uns nos outros, nem que seja em palavras, mal dizendo o ex, já é “normal”. Comum. Porque comum é nalgum momento da vida em comum termos cometido erros graves e não termos tido a grandeza de recuar, pedir perdão ou perdoar, corrigir, aprender. Cada caso é um caso mas são tantos casos que não sabendo a origem conhecemos a conclusão: a degradação das relações afectivas é generalizada, muito maior do que a nossa vista alcança e a nossa mente compreende. Não sei se GD a escreveu por isso, mas em mim teve esse efeito, de reconhecer a marginalidade – mas ainda assim a existência – de relações saudáveis, pessoas sãs, e eu fico sempre feliz cada vez que me cruzo, numa folha de jornal ou numa esquina da rua, com pessoas sãs.”

A Montanha Russa do Real (por Pedro Rossi)

Volatilidade do câmbio

Reproduzo abaixo artigo publicado pelo meu colega, Pedro Rossi (Valor, ??/07/16).

“A intensidade da valorização da moeda brasileira em 2016 trouxe novamente a taxa de câmbio para o centro do debate econômico. Líder de valorização no primeiro semestre desse ano, a moeda brasileira proporcionou ganhos para apostadores e chamou a atenção dos analistas econômicos. Apesar da surpresa, o ocorrido não é um fato isolado: a moeda brasileira está sempre entre as que mais se valorizam e desvalorizam em relação ao dólar ao longo dos ciclos cambiais.

A tabela acima apresenta a variação em relação ao dólar de um grupo de moedas, das mais voláteis do sistema, ao longo de cinco períodos. Em todos os períodos, o real está entre as três moedas que mais se valorizaram ou se desvalorizaram em relação à moeda americana.

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Crise Minskyana: Aqui-e-Agora

 

Crise Minskyana

Felipe Rezende é PhD e professor assistente do departamento de Economia de Hobart e William SmithColleges, em Genebra. Não o conheço pessoalmente, mas aprecio seus artigos, embora transpareçam que ele ainda padece um pouco do problema que aflige muito os meus amigos pós-keynesianos: a contínua (e desnecessária) louvação de Keynes! Assim, seus discípulos parecem crentes fundamentalistas…🙂

Brincadeira à parte — tipo “posso perder amigos, mas não perco uma piada” –, vale ler seu bom artigo (Valor, 04/08/16) com uma análise da crise brasileira inspirada em Hyman Minsky. Chega a caracterizar como uma “crise minskyiana” e conclui que “Minsky estava certo”! Parece que a crise brasileira ocorreu para provar isso: Minsky também tem uma teoria geral onipresente a la Keynes!🙂

“A atual crise econômica é em grande parte agravada pela falha de diagnóstico compartilhada por grande parte dos economistas do país. Essa crise, entretanto, é diferente das anteriores e superá-la depende da correta avaliação das suas causas.

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O Pão Nosso de Cada Dia: Receita de Ladislau Dowbor

pão do Ladislau

Ontem, antes do Seminário sobre Bancos Públicos, patrocinado pela CONTRAF, para bancários da Caixa e do Banco de Brasil de todo o País, no Auditório do Anhembi em São Paulo, onde fomos palestrantes juntamente com o Márcio Pochmann, tive o prazer (e a honra) de conhecer pessoalmente o professor Ladislau Dowbor. Conhecia já sua biografia, pois ele é uma referência política e um exemplo de intelectual militante para a esquerda brasileira seguir. Conheci também seu blog: http://dowbor.org.

Vamos “trocar figurinhas” a respeito de nossa experiência como blogueiros progressistas. Mas, para iniciar a experiência a la “compadre-e-comadre” ele já me deu a dica de como fazer um ótimo pão caseiro. Vou reproduzi-la abaixo. É um dos posts mais lidos de seu blog.

Lembrei-me, então, do irônico comentário do Hitler sobre os múltiplos programas de culinárias na TV contemporânea, no filme aqui já resenhado: Ele está de volta. Enviei-lhe a dica, inclusive o livro, e ele gostou!

Aqui vai a Receita do Pão Nosso de Cada Dia de Ladislau Dowbor: Continue reading “O Pão Nosso de Cada Dia: Receita de Ladislau Dowbor”

Como Fazer Apenas Uma Bagagem de Mão para Viagem

Fazer mala

Era uma vez, quando eu viajava diariamente de avião. Ainda bem que foi apenas uma fase. Valeu para aprender a fazer uma pequena mala-de-mão, rapidamente, para não ter nem de despachar nem esperar a esteira rolante. Deixei de perder pelo menos uma hora por dia.

Com as pessoas na correria para sair de férias ou em feriadões, são boas as chances de elas se verem cercadas de muitas e pesadas malas.

Hoje, praticamente todas as companhias aéreas dos Estados Unidos cobram por mala despachada – geralmente US$ 25 pela primeira e US$ 35 pela seguinte, com taxas adicionais por bagagem que excede os limites de peso.

A única maneira de burlar o sistema é adotar um estilo de vida que contemple apenas a bagagem de mão. Aprenda a viajar com malas leves e você poderá economizar centenas de dólares anualmente. Para isso, vale ler os conselhos de Alexandra Jimenez, autora do livro “Pack Light Stylishly” (TravelFashionFirl.com). Ela percorre o mundo há anos – Chris Taylor da Reuters (Valor, 11/01/16) conversou com ela por telefone quando ela se encontrava no México – com nada mais que uma bagagem de mão.

Abaixo suas melhores dicas para simplificar a vida do viajante e evitar gasto extra desnecessário.

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Narcos e a Economia das Drogas

Narcos 1

TacianaTive o prazer, neste semestre, ter como aluna, no Curso de Doutoramento do Instituto de Economia da Unicamp, a simpática Taciana Santos de Souza. Em que pese ser uma garota muito meiga, tornou-se especialista em um tema hard e inusual: Economia das Drogas. Defendeu sua Dissertação de Mestrado, em fevereiro de 2015, orientada pela professora Dr. Ana Lucia Gonçalves da Silva. É possível acessar o resumo e o trabalho completo no link:

http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000952327&opt=1

Gentilmente, como um aperitivo para a leitura de sua dissertação, escreveu um interessante comentário sobre a série de TV “Narcos” para este modesto blog.

Narcos 2

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Depressão versus Esperança

DesempregoEconomista fala em depressão… e goza! Adora uma depressãozinha para controlar a inflação e evitar a eutanásia do rentista. Ele faz diagnóstico, receita terapia, usar termos como “complexo”, talvez porque sofra de complexo de inferioridade frente aos médicos. Os termos médicos não necessariamente vêm de um mundo à parte. Muitas vezes vêm do vocabulário comum, da vida comum, do dia-a-dia. A parte dos estudos linguísticos que se ocupa da origem e da evolução das palavras é a “etimologia”. Essa palavra é parecida com “etiologia”, muito usada em medicina. Fazem parte de “etiologia” os elementos gregos “etio”, que significa “causa”, e “logia”, que significa… Bem, doutor, agora é com você.

Depressão X EsperançaMarinete Veloso (Valor, 22/09/15) resenha o livro “Depressão Versus Esperança” de autoria de Eunice Mendes (232 págs., R$ 25,00, AGWM). Sua leitura pode ser útil para muita gente deprimida neste momento de depressão econômica. Aí, os doutores-economistas (PhDs formados na Escola de Chicago) sabem como eles a causaram, mas não como sair dela…

A depressãouma tristeza que não passa nunca, deixando a pessoa incapaz de reagir ao sofrimento e aos fatos. Esta definição, simples e direta, é dada por Eunice Mendes, no recém-lançado “Depressão Versus Esperança“, livro em que conta como foi descobrir-se portadora da doença, em nível crônico, e o que fez para superá-la.

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