The Economist explica

captura-de-tela-2016-10-09-as-10-50-28

A série “The Economist explica” entrega ao leitor breves explicações sobre ideias-chave em Economia. Seu blog publicou uma curta explicação de cada uma das seguintes ideias seminais:

Akerlof’s market for lemons

The Stolper-Samuelson theorem

The Keynesian multiplier

Minsky’s financial cycle

The Mundell-Fleming trilemma

LeiaBig economic ideas

Clique aqui para baixar um PDF contendo todos os seis artigos:

The Economist explains – 2016

Governança Financeira, Sistema Bancário e Instabilidade Financeira no Brasil: Pesquisa de Felipe Rezende

brazil-takes-off-e-blown-it

Tive o prazer de assistir a palestra no Congresso da ANGE e depois conhecer, pessoalmente, o Felipe Rezende, jovem professor do Hobart and William Smith Colleges – USA. Finalmente, vi um pós-keynesiano talentoso fazendo pesquisa empírica sobre a economia brasileira sem a preocupação de ficar louvando Keynes!

Antes de 2007, a economia brasileira experimentou um crescimento econômico significativo e um melhoria das condições econômicas de sua população. A crise financeira mundial, as respostas com política e regulamentação acionada para lidar com o colapso dos sistemas financeiros de uma série de países desenvolvidos, a propagação do risco sistêmico no sistema financeiro global e o impacto no desempenho da economia real, tudo isso foi decisivo para a reversão das expectativas otimistas predominantes até a explosão da bolha e fim do boom de exportação de commodities em setembro de 2011.

A este respeito, a resiliência e a estabilidade dos sistemas econômico e financeiro brasileiros receberam especial atenção por eles terem atravessado de forma relativamente suave, de imediato, a crise financeira global 2007-2008. Observando estes eventos, os tomadores de decisões políticas e os economistas apontavam antes para a robustez da economia do Brasil e sua resiliência à crise financeira global.

Centrando-se sobre as condições que existiam no sistema financeiro dos EUA, antes da crise “subprime”, os analistas ignoraram completamente a importância dos efeitos desestabilizadores de estabilidade em estruturas financeiras e a crescente fragilidade financeira da economia brasileira. Em particular, após uma década de crescimento e de melhoria das condições econômicas significativas, as consequências da crise financeira de 2007-2008 levaram a uma mudança fundamental no ambiente econômico brasileiro.

O artigo de Felipe Rezende – Financial Fragility, Instability and the Brazilian Crisis- WP MINDS – 2016-01  tenta fornecer uma visão alternativa da crise brasileira demonstrando a relevância do trabalho de Hyman P. Minsky para entender a crise atual da economia brasileira. Destaca os limites para o financiamento externo das empresas não-financeiras e a inadequação das políticas de ajuste fiscal para estabilizar a economia. Em particular, este artigo usa a abordagem de um Keynes-Minsky-Godley para analisar a pior crise econômica do Brasil desde os anos 1930. Continue reading “Governança Financeira, Sistema Bancário e Instabilidade Financeira no Brasil: Pesquisa de Felipe Rezende”

Delfim Netto: “Em Economia, toda ideia nova é, por definição, heterodoxa”

prof-delfim-netto

Nosso economista decano, velho golpista e de novo conselheiro de golpista velho, como o Temer, foi ministro da Fazenda durante o período da ditadura militar. O ex-deputado federal Antônio Delfim Netto disse “não se arrepender de ter assinado, em 1968, o Ato Institucional número 5, que extinguiu direitos civis e levou ao período de maior repressão no país”!

Ele (Valor, 20/09/16) fez mais uma típica descoberta do óbvio — aquilo que todo economista heterodoxo há muito tempo já sabia e ficava boquiaberto dos colegas ortodoxos não saberem: a vanguarda intelectual em Economia é heterodoxa!

Delfim usa (e abusa da) ironia. Por meio da qual se passa uma mensagem diferente, muitas vezes contrária, à mensagem literal, geralmente com objetivo de criticar ou promover humor. Por isso, seu texto é atraente em forma, embora seja muitas vezes repetitivo em conteúdo. Reproduzo a última auto complacência abaixo, onde ele descobre o óbvio e, como sempre, “joga para a plateia” (ou “dança conforme a música”) com seguidas tentativas de humor, em uma mixórdia de frases-feitas e seus costumeiros clichês.

Continue reading “Delfim Netto: “Em Economia, toda ideia nova é, por definição, heterodoxa””

Carta para a ex-namorada

raquel-varela

Um estimado seguidor deste modesto blog pessoal, Reinaldo Cristo, deu-me a dica e fui conferir. Amei de cara (“à primeira vista”) Raquel Varela ao ler o seguinte:

“Em Portugal e no Brasil fez hoje sucesso entre milhares de pessoas a carta do actor Gregorio Duvivier à ex-namorada. A carta em si não tem grande interesse – na minha modestíssima opinião. Sou fã do Porta dos Fundos, estou perdoada. É uma carta sobre as músicas que ouviram juntos e o amor de um jovem adolescente – não é naturalmente uma carta sobre os momentos mais bonitos da sua história de amor adulta, feita, como todas as verdadeiras histórias de amor, de intimidade, intensidade, amor, muito amor, cuidado, erros, reencontros, crises e grandezas, coragem, não é, certamente a mais bela carta de amor que ele lhe escreveu, porque essas estão na mão dela, não estão publicadas na Folha de São Paulo. Mas a carta tem algo de especial, muito especial. Ela é uma carta para a ex-namorada. Com quem a relação está terminada. É uma carta que termina dizendo foi “uma linda história de amor”. E nós vivemos num mundo onde a maioria dos ex-casais se odeia, na pior das hipóteses, ou se ignora, na melhor. Pessoas que partilharam a intimidade, o amor, foram felizes juntas, muitas com filhos e não sabem nem querem saber um do outro. A mim sempre me surpreendeu que um casal que se divorciasse tivesse que avisar “separámo-nos, mas somos amigos”, uma vez que eu deduzo que alguém que foi casado com alguém no mínimo contínua muito amigo. A maioria porém não fala com o ex, não fala do ex, que passou a ser um morto-vivo, um fantasma, proibido de frequentar os mesmos lugares, deixou de ser acolhido na família onde almoçou por anos – os actuais aliás normalmente vetam a entrada dos exs…e quando os actuais e os exs se dão bem o caso é “estranho”, a comunidade não compreende bem o comportamento “excêntrico”. É que cuspir uns nos outros, nem que seja em palavras, mal dizendo o ex, já é “normal”. Comum. Porque comum é nalgum momento da vida em comum termos cometido erros graves e não termos tido a grandeza de recuar, pedir perdão ou perdoar, corrigir, aprender. Cada caso é um caso mas são tantos casos que não sabendo a origem conhecemos a conclusão: a degradação das relações afectivas é generalizada, muito maior do que a nossa vista alcança e a nossa mente compreende. Não sei se GD a escreveu por isso, mas em mim teve esse efeito, de reconhecer a marginalidade – mas ainda assim a existência – de relações saudáveis, pessoas sãs, e eu fico sempre feliz cada vez que me cruzo, numa folha de jornal ou numa esquina da rua, com pessoas sãs.”

A Montanha Russa do Real (por Pedro Rossi)

Volatilidade do câmbio

Reproduzo abaixo artigo publicado pelo meu colega, Pedro Rossi (Valor, ??/07/16).

“A intensidade da valorização da moeda brasileira em 2016 trouxe novamente a taxa de câmbio para o centro do debate econômico. Líder de valorização no primeiro semestre desse ano, a moeda brasileira proporcionou ganhos para apostadores e chamou a atenção dos analistas econômicos. Apesar da surpresa, o ocorrido não é um fato isolado: a moeda brasileira está sempre entre as que mais se valorizam e desvalorizam em relação ao dólar ao longo dos ciclos cambiais.

A tabela acima apresenta a variação em relação ao dólar de um grupo de moedas, das mais voláteis do sistema, ao longo de cinco períodos. Em todos os períodos, o real está entre as três moedas que mais se valorizaram ou se desvalorizaram em relação à moeda americana.

Continue reading “A Montanha Russa do Real (por Pedro Rossi)”

Crise Minskyana: Aqui-e-Agora

 

Crise Minskyana

Felipe Rezende é PhD e professor assistente do departamento de Economia de Hobart e William SmithColleges, em Genebra. Não o conheço pessoalmente, mas aprecio seus artigos, embora transpareçam que ele ainda padece um pouco do problema que aflige muito os meus amigos pós-keynesianos: a contínua (e desnecessária) louvação de Keynes! Assim, seus discípulos parecem crentes fundamentalistas…🙂

Brincadeira à parte — tipo “posso perder amigos, mas não perco uma piada” –, vale ler seu bom artigo (Valor, 04/08/16) com uma análise da crise brasileira inspirada em Hyman Minsky. Chega a caracterizar como uma “crise minskyiana” e conclui que “Minsky estava certo”! Parece que a crise brasileira ocorreu para provar isso: Minsky também tem uma teoria geral onipresente a la Keynes!🙂

“A atual crise econômica é em grande parte agravada pela falha de diagnóstico compartilhada por grande parte dos economistas do país. Essa crise, entretanto, é diferente das anteriores e superá-la depende da correta avaliação das suas causas.

Continue reading “Crise Minskyana: Aqui-e-Agora”

O Pão Nosso de Cada Dia: Receita de Ladislau Dowbor

pão do Ladislau

Ontem, antes do Seminário sobre Bancos Públicos, patrocinado pela CONTRAF, para bancários da Caixa e do Banco de Brasil de todo o País, no Auditório do Anhembi em São Paulo, onde fomos palestrantes juntamente com o Márcio Pochmann, tive o prazer (e a honra) de conhecer pessoalmente o professor Ladislau Dowbor. Conhecia já sua biografia, pois ele é uma referência política e um exemplo de intelectual militante para a esquerda brasileira seguir. Conheci também seu blog: http://dowbor.org.

Vamos “trocar figurinhas” a respeito de nossa experiência como blogueiros progressistas. Mas, para iniciar a experiência a la “compadre-e-comadre” ele já me deu a dica de como fazer um ótimo pão caseiro. Vou reproduzi-la abaixo. É um dos posts mais lidos de seu blog.

Lembrei-me, então, do irônico comentário do Hitler sobre os múltiplos programas de culinárias na TV contemporânea, no filme aqui já resenhado: Ele está de volta. Enviei-lhe a dica, inclusive o livro, e ele gostou!

Aqui vai a Receita do Pão Nosso de Cada Dia de Ladislau Dowbor: Continue reading “O Pão Nosso de Cada Dia: Receita de Ladislau Dowbor”