Sobre Dinâmica de Sistemas Complexos

Efeito_dominó

Dinâmica pode ser entendido como uma técnica e/ou um conjunto de procedimentos que visam estabelecer um bom nível de interação entre os membros de um grupo de pessoas, a fim de alcançar o seu maior rendimento em um trabalho em conjunto. Por exemplo, o brainstorming [“tempestade de ideias”] levantado em reunião de um grupo.

Mas dinâmica também é o estudo de como funcionam os grupos humanos em ação e de como modificar o seu comportamento, tornando-os conscientes dos motivos de suas atitudes e interações. Refere-se à ação das forças que produzem ou modificam seus movimentos ao longo do tempo.

Efeito borboleta é um termo que se refere à dependência sensível às condições iniciais dentro da Teoria do Caos. Segundo a divulgação popular, o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo!

Esse tipo de efeito quando restrito a uma ou duas variáveis, fixando-se as demais, tende a ser simples. Nesta situação “não natural” ou limítrofe, as leis de causa-efeito da Ciência Clássica podem demonstrar a previsibilidade de um sistema fechado. Com esta rigidez sistêmica, a previsibilidade pode ser deduzida de forma bastante simples.

Porém, a resultante de determinado cálculo quando passa a ser dependente de dado numérico de outro (e assim por diante), influi em seu resultado, atuando o Efeito Borboleta. Quando se trabalha com previsões meteorológicas, por exemplo, verifica-se a influência ocasionada em sistemas dinâmicos quando são feitas alterações muito pequenas nos dados (“condições”) iniciais inseridos em computadores programados para fazerem cálculos em série. Continuar a ler

Ascensão e Queda das Leis Gerais do Capitalismo

Black Tuesday

Em seu livro “Capital in the 21st Century”, Thomas Piketty segue a tradição dos grandes economistas clássicos, como Karl Marx e David Ricardo, ao valer-se do que seriam leis gerais do capitalismo para diagnosticar e predizer a dinâmica da desigualdade de renda. Os autores argumentam que leis gerais da economia são de pouca utilidade como guia para se compreender o passado ou predizer o futuro, porque ignoram o papel central das instituições políticas e econômicas, assim como a evolução endógena da tecnologia na modelagem da distribuição de recursos em uma sociedade.

Procuram demonstrar que a principal força econômica mencionada por Piketty em seu livro, a distância entre taxas de juros e de crescimento, não explica padrões históricos de desigualdade, especialmente, a parte da renda apropriada pelos que se situam em níveis superiors de distribuição. Utilizam dados históricos de desigualdade na África do Sul e na Suécia para ilustrar a constatação de que:

  1. a dinâmica da desigualdade não pode ser compreendida sem envolver fatores econômicos no contexto de instituições econômicas e políticas, e
  2. o foco sobre a parcela apropriada em níveis superiores de renda pode induzir uma caracterização equivocada da verdadeira natureza da desigualdade.

“The rise and decline of general laws of capitalism” – Daron Acemoglu e James A. Robinson

http://bit.ly/1I5BBw8 Continuar a ler

Consequências Macroeconômicas e Financeiras da Expansão do Crédito Governamental no Pós-Crise

capitalismo-financeiro

Eduardo Campos (Valor, 07/01/15) resenha estudo de economistas neoliberais sobre o BNDES. Registro para leitura quando me recuperar de uma artroscopia…

Vale comparar com uma visão social-desenvolvimentista (clique para download): FERRAZ, Fernando Cardoso Ferraz – Crise Financeira Global – Impactos na Economia Brasileira.

As empresas maiores e mais maduras, portanto menos necessitadas de ajuda governamental, foram as maiores beneficiadas pela expansão do crédito público entre 2004 e 2012. Além disso, apesar de um maior acesso ao crédito direcionado levar a maior alavancagem, o efeito sobre a taxa de investimento não é estatisticamente significativo, ao menos para empresas de capital aberto. Como as taxas de juros no crédito direcionado são mais baixas, as empresas com maior acesso a esses empréstimos tendem a reduzir o custo da dívida, elevando os lucros.

Essa é a conclusão do estudo “Consequências Macroeconômicas e Financeiras da Expansão do Crédito Governamental no Pós-Crise”  — http://www.bcb.gov.br/pec/wps/ingl/wps378.pdf — elaborado por técnicos do Banco Central (BC), embora não expresse necessariamente a visão do banco, e do Insper. O trabalho é assinado por Marco Bonomo e Ricardo Brito, do Insper, e por Bruno Martins, do Departamento de Pesquisas do BC.

O assunto está em linha com a discussão que se trava neste momento de renovação da equipe econômica que indica rever a concessão de subsídios, o tamanho e a forma de atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), principal agente do crédito direcionado, que já recebeu mais de R$ 400 bilhões desde 2009. Continuar a ler

“Pateando la escalera también: los bancos centrales en perspectiva histórica” – Matías Vernengo

Matias VernengoBancos centrais

Ao longo da história, os bancos centrais têm recebido diferentes incumbências e objetivos para o uso de múltiplos instrumentos de política monetária. Os primeiros bancos centrais, no século XVII, foram instrumentos empregados pela nascente burguesia mercantil europeia para promover o desenvolvimento e a industrialização.

No século XIX, quando o processo de desenvolvimento nos países centrais já era avançado, os bancos centrais passaram a ser vistos como guardiões do valor da moeda. Na periferia, seriam instituições tardias.

Primeiro, as caixas de conversão funcionaram como instrumentos de integração com o centro, mas, a partir da crise dos anos 30, os recém-criados bancos centrais tiveram maior papel no desenvolvimento nacional. Com a crise da dívida e a consolidação do projeto neoliberal, como diz o autor, os bancos centrais independentes que implementam metas de inflação passaram a ser vistos como o ideal a ser seguido.

Os diferentes papéis dos bancos centrais estão, em última instância, relacionados a diferentes projetos de desenvolvimento e modos de integração à economia global. Nos países avançados, serviram à promoção do desenvolvimento nacional, mas, uma vez alcançado o objetivo da industrialização, não se permitiu, também se lê no artigo, que os países periféricos utilizassem os mesmos instrumentos e políticas de desenvolvimento.

“Não há um banco central adequado para os países em todas as circunstâncias históricas.” Este é o diagnóstico do autor pós-keynesiano “horizontalista”, como se classificava nos anos 90 os que se opunham ao fundamentalismo dogmático. Ele, cuja graduação ocorreu na UFRJ, tem a experiência profissional de ter trabalhado no Banco Central da Argentina.

“Pateando la escalera también: los bancos centrales en perspectiva histórica” – Matías Vernengo

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Estatísticas Fiscais e Distribuição de Renda

Plataforma Política Social

Estatísticas Fiscais e Distribuição de Renda

by Plataforma Política Social

Imposto de renda e distribuição de renda e riqueza: as estatísticas fiscais e um debate premente no Brasil por José R. Afonso, publicado na Revista da Receita Federal (12/2014).

Economista e contabilista, doutor pela UNICAMP, mestre pela UFRJ, pesquisador do FGV/IBRE, consultor técnico do Senado Federal e Professor do IDP – Instituto de Direito Público de Brasília.

Clique aqui para baixar o PDF do artigo.

Private Banking por Estado

A Folha de S.Paulo falha ao informar apenas o número de milionários por renda anual acima de US$ 1.000.000. Este é o critério que, em geral, detecta os “novos-ricos“, tipo médicos, artistas, jogadores de futebol bem sucedidos, etc.. O normal é classificar milionários por patrimônio, excetuando residência própria e coleções.

O número de milionários em patrimônio (Bens e Direitos), segundo autodeclaração nas DIRPF: 708.948 declarantes (2,7% do total) em 2012. Estes 709 mil milionários em reais superam bastante a maior estimativa anterior, realizada em dólares em um relatório de riqueza global, divulgado no dia 14/10/14, elaborado pelo Instituto de Pesquisa do Credit Suisse. Para o Brasil, segundo esse relatório, a expectativa é de crescimento do número de milionários em 47%, dos atuais 225 mil para 332 mil em 2019. O número de milionários em reais é mais de três vezes maior do que essa estimativa em dólares.

No entanto, a FSP (18/01/15) afirma, sem distinguir entre renda e riqueza, que, “em uma década, o total do seleto grupo de contribuintes milionários brasileiros saltou de 18,5 mil para 29,9 mil, um crescimento nacional de 61%”. O jornalista também não explicita qual fonte ele adota para cada informação. Mas a expressão “contribuintes” indica que é a DIRPF: de que ano-base?

De 2003 a 2013, o total de milionários mais que dobrou em 13 Estados brasileiros — entre eles estão 8 dos 10 Estados das regiões Norte e Centro-Oeste, excluído DF. Os outro cinco são do Nordeste. No Sul-Sudeste, o ritmo de crescimento dos contribuintes com renda anual de US$ 1 milhão foi menor.

Em São Paulo, Rio, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que concentraram 82% dos milionários em 2013, o ritmo de adesões ao clube dos milionários foi inferior à média nacional.

No atual mapa das fortunas, Tocantins é o novo Eldorado. O Estado, criado em 1988, tem 61 habitantes com renda acima de US$ 1 milhão –eram 10 em 2003.

Nesse caso de estadualização, a fonte parece ser da ANBIMA, isto é, de private banking acima de R$ 3.000.000 de aplicações financeiras. Desconsidera patrimônio imóvel, tal como terras e imóveis urbanos, e automóvel, que entram nos Bens e Direitos da DIRPF. Provavelmente, “arredonda” US$ 1.000.000, considerando esse corte de R$ 3.000.000.

Portanto, verifica-se que falta precisão nas informações jornalísticas.

Produtividade no Brasil: Desempenho e Determinantes

PIB Per Capita e Produtividade do Trabalho

O início de um novo ciclo de crescimento no Brasil passa necessariamente pelo aumento da produtividade da economia brasileira. A opinião é compartilhada por ministros e pesquisadores que participaram, no dia 20 de novembro de 2014, do lançamento do livro “IPEA – Produtividade no Brasil: Desempenho e Determinantes” (click para download), que reúne a primeira parte de uma série de estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre o tema.

Presente no evento, o ministro do Desenvolvimento, Mauro Borges (meu calouro da FACE-UFMG), disse que, apesar de o crescimento da demanda agregada ainda ser importante, em um cenário de baixo desemprego, o crescimento só será retomado com aumento da produtividade das empresas. “A produtividade no Brasil está aquém do tamanho da economia brasileira. Para garantir um próximo ciclo de crescimento, a produtividade deve ser protagonista”.

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Dominique Plihon e Marc Lavoie: Visitas ao IE-UNICAMP

IE-UNICAMP Pátio InternoAlô, alô, Alexandre Rands, confira os seminários abaixo para conhecer melhor o IE-UNICAMP — e evitar falar impropérios tais como:

“O PSDB adora dizer que a gente está copiando. De fato, numa discussão, vamos concordar em 80% das coisas. Não é porque os economistas de Marina são tucanos, mas simplesmente porque hoje em dia existem alguns consensos na teoria econômica. Estão em todas as universidades americanas, em 98% das europeias, em 95% das asiáticas e 97% das brasileiras. Só uma universidade aqui não tem articulação internacional, não traz e não manda ninguém para o exterior: a de Campinas (Unicamp). Ela é endógena. No entanto, tem uma força no governo Dilma que não tinha no de Lula, que era muito mais próximo do que Marina defende hoje. Os economistas de Campinas não consideram todo o desenvolvimento da teoria econômica desde a década de 1960. Dilma pensa com a cabeça de Campinas, que hoje é um lugar isolado, fora do mundo. Uma ilha que parou no tempo”.

Somos tais como a aldeia de Asterix na Gália contra o Império Romano!

- “Financial reforms in the European Union – There may be several slips between the cup and the lip” 
Data: 08/10 (quarta-feira)
Horário: 14h30
Local: Auditório Jorge Tápia
Palestrante: Prof. Dominique Plihon
 
- “What lessons can economists draw from the euro crisis ?”
Data: 09/10 (quinta-feira)
Horário: 14h30
Local: Auditório Jorge Tápia
Palestrante: Prof. Dominique Plihon
As palestras serão proferidas em inglês e os artigos de referência estão em anexo.
Obrigatório aos alunos matriculados nas disciplinas: HO-303, HO-306 e HO-308
 

Além disso, o Prof. Plihon estará à disposição dos professores e alunos do IE, durante toda a semana, para a realização de reuniões individuais sobre os temas de pesquisa com os quais ele trabalha. Sugere-se, sobretudo, que os alunos cujas dissertações ou teses tratem dos temas de especialidade do Prof. Plihon (e.g. financeirização, sistema bancário, taxa de câmbio, crise da zona euro) aproveitem a oportunidade para debater com ele suas pesquisas. 

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