Estilo Jornalístico: Escrita Concisa para Leitura Fluente

Dad Squarisi e Arlete Salvador, no livro “A arte de escrever bem: um guia para jornalistas e profissionais do texto” (7ª. ed., 2ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2012), afirmam que o jornalista, como o economista, escreve de olho no destinatário. Eles escrevem para um público conhecido. Em geral, a análise do economista, a economistas. Por isso mesmo ele usa o jargão profissional (“economês”) para resumir ideias técnicas. O problema é fazer isso sem explicar aos leigos o dito.

Já a matéria do jornal se dirige aos leitores do jornal. São pessoas de variados níveis de escolaridade. De variadas profissões. De variadas faixas etárias. De variados interesses. O desafio do repórter é se fazer entender por todos. Quem – apesar das diferenças – ler uma reportagem, entrevista ou comentário deve ter a impressão de ser um texto escrito para ele.

Como o economista pode chegar a esse texto fluente no estilo jornalístico?

Os ingredientes são três:

  1. linguagem clara,
  2. informações precisas e
  3. estilo atraente.

Há técnicas simples e práticas capazes de orientar o redator. Nasceram do bom senso e da experiência de jornalistas e escritores. Provocados, encontraram respostas para o grande desafio: escrever para o leitor.

Para ser lido, entendido e apreciado, certo talento se impõe. Mas não é suficiente. Outros quesitos precisam ser contemplados. Entre eles:

  1. domínio do idioma,
  2. familiaridade com o assunto tratado,
  3. capacidade de leitura,
  4. disposição e coragem para enfrentar duras batalhas contra fake news.

Os dados, o objetivo e o plano são os ingredientes. A forma de prepará-los é que dá o toque especial. Uma frase particularmente elegante, capaz de veicular com clareza e simplicidade a mensagem que você quer transmitir, é conquista pessoal, exercício diário de desapego, humildade e vontade de melhorar.

Com os dados à mão, objetivo definido e plano traçado, vá redigir sem perder de vista o leitor. Lembre-se de duas dicas:

  1. Seja natural. Imagine que o leitor esteja à sua frente ou ao telefone conversando com você. Fique à vontade. Espaceje as frases com pausas e, se couber, com perguntas diretas. Confira a seus textos um toque humano. Você está escrevendo para as pessoas.
  2. Seduza indo direto ao assunto. Comece pelo mais importante. E comece bem, com uma frase atraente, para despertar o interesse do leitor e o estimular a prosseguir a leitura. No final, dê-lhe o prêmio: uma ideia memorável.

A prosa vigorosa é concisa. A frase não deve ter palavras desnecessárias nem o parágrafo frases desnecessárias”. Continue reading “Estilo Jornalístico: Escrita Concisa para Leitura Fluente”

A arte de escrever bem: um guia para jornalistas e profissionais do texto

Dad Squarisi e Arlete Salvador, no livro “A arte de escrever bem: um guia para jornalistas e profissionais do texto” (7ª. ed., 2ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2012), dão dicas que me ajudarão em nova revisão do livro de 430 páginas que organizei a partir de 165 posts. Eu os revi uma ou duas vezes,  inclusive atualizando todos os dados quando era o caso. Por ora, sob exame de editora, eu o intitulei: “Métodos de Análise Econômica: Crônicas de Debate, Bate-e-Rebate, Combate”.

As coautoras se perguntam: “Existe texto jornalístico?”. A resposta é positiva porque ele se enquadra entre as redações profissionais. É feito para ser lido, entendido e, se possível, apreciado.

A habilidade de escrever é resultado da habilidade de pensar – pensar de forma ordenada, lógica e prática. Assim, gaste tempo pensando sobre o que você quer escrever e, só depois, com um roteiro à mão, sente-se à frente do computador. Ele se transformará naquilo que é –  valioso instrumento de trabalho. A fonte de onde brotarão ideias, frases inteligentes e conceitos consistentes está no cérebro“.

Trace um plano de escrita. As coautoras dão um roteiro. As regras não garantem “o despertar de gênios”, mas oferecem caminho seguro para chegar a texto informativo, sucinto e direto, características fundamentais no estilo jornalístico.

Faça um resumo da história como você faz quando um amigo lhe pergunta sobre algum acontecimento ao qual ele não compareceu. Não o perca de vista. Seu objetivo será fazer a narrativa em detalhes.

Responda às seis perguntas indicadas no mnemônico OCC-OCP (“Oh, cecê! Olhe com pudor.):

  1. quê?
  2. Quem?
  3. Quando?
  4. Onde?
  5. Como?
  6. Por quê?

As respostas não devem ultrapassar duas linhas. Escreva menos ainda se possível. Continue reading “A arte de escrever bem: um guia para jornalistas e profissionais do texto”

Demonização da Globo

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes – o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas. Site: desacontecimentos.com. Como é seu hábito, escreveu excelente reportagem investigativa sobre “a demonização da Globo” em El País (28/11/17).

Nenhuma rede de comunicação foi – e ainda é – tão influente na história recente do Brasil como a Globo. Na época da ditadura civil-militar, o grupo Globo se consolidou como o maior do país e um dos maiores do mundo. A redemocratização chegou, e as Organizações Globo seguiram fortes.

Nos protestos de junho de 2013, a cobertura da TV Globo e da Globo News foram decisivas para consolidar a narrativa de que os manifestantes eram “vândalos”. A Globo influenciou a opinião nacional na forma como cobriu a Lava Jato, os movimentos pelo impeachment de Dilma Rousseff e contra o PT, assim como na divulgação dos grampos ilegais da conversa gravada entre Lula e a então presidente do país.

E, finalmente, foi em O Globo, principal jornal do grupo, que foi denunciada uma conversa altamente comprometedora entre o presidente Michel Temer (PMDB) e Joesley Batista, dono da JBS, à noite, no palácio residencial e fora da agenda, e que culminou com um editorial defendendo a renúncia de Temer – mas não eleições diretas. Como todos sabem, Temer não caiu até hoje.

Há algo novo no horizonte da Globo neste momento. Para parte daqueles identificados com a esquerda, a Globo é “golpista”. Essa parcela aponta a rede, em especial a TV Globo e a Globo News, como protagonista do “golpe parlamentar” que tirou Dilma Rousseff, uma presidente ruim, mas legitimamente eleita, do poder.

Essa narrativa é alimentada não só pelos fatos atuais, mas pelo passado da emissora: em especial a edição do último debate entre Fernando Collor de Melloe Luiz Inácio Lula da Silva, nas eleições de 1989. Era o primeiro pleito presidencial após o fim de uma ditadura que durou 21 anos, detonada por um golpe civil-militar que a Globo apoiou, fato pelo qual pediu desculpas em 2013.

A desconfiança contra a Globo, disseminada em uma parcela considerável dos que pertencem ao campo progressista, é permanente. E vem se acirrando desde 2013, amplificada pela facilidade de difusão das redes sociais. Essa ligação com o “golpismo”, mais incisiva neste momento, está intimamente ligada ao passado da Globo, mas também a algumas escolhas do presente.

A novidade, porém, está em outro campo, na parcela da sociedade que chama a Globo de “comunista”. Essa é a parte surpreendente mesmo para aqueles que sempre consideraram a Globo responsável por todos os problemas do Brasil. De comunista, virou também “pró-Lula” e “pró-PT” e até mesmo “pró-Cuba”.

Até bem pouco tempo atrás seria difícil alguém acreditar que viveria para ver a Globo ser chamada de “comunista”. Mas, no atual momento do país, o impossível é um conceito desidratado pelo sem limites da realidade política.

A esse clamor tem se juntado parte do fundamentalismo evangélico, concentrado numa parcela das igrejas pentecostais e neopentecostais, que tem dado novos sentidos ao que chamam de comunismo. Desde que essa parcela do evangelismo começou a crescer no país, a se articular como força política no Congresso e a ter na TV um de seus principais meios de proselitismo religioso (e também político), as escaramuças com a Globo, por um lado, e as tentativas de aproximação da rede com lideranças evangélicas, por outro, têm sido uma constante especialmente desde 2010. É fundamental lembrar que a principal concorrente da Globo é, já há algum tempo, a Record, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), do Bispo Edir Macedo. Continue reading “Demonização da Globo”

Estudo de Marcas Brasileiras

Foi divulgado o Estudo de Marcas com textos do meu filho Ivo Torres Costa

(Brand Strategy da Interbrand):

Download do estudohttp://interbrand.com/br/best-brands/best-brazilian-brands/2017/articles/regras-do-jogo/

Setor de Culturahttp://interbrand.com/br/best-brands/best-brazilian-brands/2017/articles/cultura-alem-cult/

Setor de Informaçãohttp://interbrand.com/br/best-brands/best-brazilian-brands/2017/articles/informacao/

The Economist explica

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A série “The Economist explica” entrega ao leitor breves explicações sobre ideias-chave em Economia. Seu blog publicou uma curta explicação de cada uma das seguintes ideias seminais:

Akerlof’s market for lemons

The Stolper-Samuelson theorem

The Keynesian multiplier

Minsky’s financial cycle

The Mundell-Fleming trilemma

LeiaBig economic ideas

Clique aqui para baixar um PDF contendo todos os seis artigos:

The Economist explains – 2016

Governança Financeira, Sistema Bancário e Instabilidade Financeira no Brasil: Pesquisa de Felipe Rezende

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Tive o prazer de assistir a palestra no Congresso da ANGE e depois conhecer, pessoalmente, o Felipe Rezende, jovem professor do Hobart and William Smith Colleges – USA. Finalmente, vi um pós-keynesiano talentoso fazendo pesquisa empírica sobre a economia brasileira sem a preocupação de ficar louvando Keynes!

Antes de 2007, a economia brasileira experimentou um crescimento econômico significativo e um melhoria das condições econômicas de sua população. A crise financeira mundial, as respostas com política e regulamentação acionada para lidar com o colapso dos sistemas financeiros de uma série de países desenvolvidos, a propagação do risco sistêmico no sistema financeiro global e o impacto no desempenho da economia real, tudo isso foi decisivo para a reversão das expectativas otimistas predominantes até a explosão da bolha e fim do boom de exportação de commodities em setembro de 2011.

A este respeito, a resiliência e a estabilidade dos sistemas econômico e financeiro brasileiros receberam especial atenção por eles terem atravessado de forma relativamente suave, de imediato, a crise financeira global 2007-2008. Observando estes eventos, os tomadores de decisões políticas e os economistas apontavam antes para a robustez da economia do Brasil e sua resiliência à crise financeira global.

Centrando-se sobre as condições que existiam no sistema financeiro dos EUA, antes da crise “subprime”, os analistas ignoraram completamente a importância dos efeitos desestabilizadores de estabilidade em estruturas financeiras e a crescente fragilidade financeira da economia brasileira. Em particular, após uma década de crescimento e de melhoria das condições econômicas significativas, as consequências da crise financeira de 2007-2008 levaram a uma mudança fundamental no ambiente econômico brasileiro.

O artigo de Felipe Rezende – Financial Fragility, Instability and the Brazilian Crisis- WP MINDS – 2016-01  tenta fornecer uma visão alternativa da crise brasileira demonstrando a relevância do trabalho de Hyman P. Minsky para entender a crise atual da economia brasileira. Destaca os limites para o financiamento externo das empresas não-financeiras e a inadequação das políticas de ajuste fiscal para estabilizar a economia. Em particular, este artigo usa a abordagem de um Keynes-Minsky-Godley para analisar a pior crise econômica do Brasil desde os anos 1930. Continue reading “Governança Financeira, Sistema Bancário e Instabilidade Financeira no Brasil: Pesquisa de Felipe Rezende”

Delfim Netto: “Em Economia, toda ideia nova é, por definição, heterodoxa”

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Nosso economista decano, velho golpista e de novo conselheiro de golpista velho, como o Temer, foi ministro da Fazenda durante o período da ditadura militar. O ex-deputado federal Antônio Delfim Netto disse “não se arrepender de ter assinado, em 1968, o Ato Institucional número 5, que extinguiu direitos civis e levou ao período de maior repressão no país”!

Ele (Valor, 20/09/16) fez mais uma típica descoberta do óbvio — aquilo que todo economista heterodoxo há muito tempo já sabia e ficava boquiaberto dos colegas ortodoxos não saberem: a vanguarda intelectual em Economia é heterodoxa!

Delfim usa (e abusa da) ironia. Por meio da qual se passa uma mensagem diferente, muitas vezes contrária, à mensagem literal, geralmente com objetivo de criticar ou promover humor. Por isso, seu texto é atraente em forma, embora seja muitas vezes repetitivo em conteúdo. Reproduzo a última auto complacência abaixo, onde ele descobre o óbvio e, como sempre, “joga para a plateia” (ou “dança conforme a música”) com seguidas tentativas de humor, em uma mixórdia de frases-feitas e seus costumeiros clichês.

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