Cursos para Educação Financeira: Capacitação para o Planejamento Financeiro Pessoal

Danylo Martins (Valor, 18/03/19) avalia: assim como em outros setores, a tecnologia invadiu o mercado financeiro. Prova disso é o avanço de fintechs, bancos digitais e plataformas on-line de investimentos. Tal cenário exige profissionais com habilidades que vão muito além de compreender a dinâmica do setor, produtos e regulação.

De olho nisso, nascem escolas de formação para quem deseja trilhar carreira nesse novo mercado financeiro. Ao mesmo tempo, instituições tradicionais começam a aprimorar metodologias de ensino e a incluir novas disciplinas na grade dos cursos de graduação e pós. Continuar a ler

Fontes de Dados e Resultados Obtidos da Pesquisa sobre Efeitos da Educação

Marcelo Medeiros, Rogério J. Barbosa e Flavio Carvalhaes, no Texto para Discussão Ipea 2447, Educação Redução da Pobreza ou da Desigualdade (Brasília/Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; fevereiro de 2019), informam: a PNAD tende a captar melhor os rendimentos mais baixos. Por esse motivo foi utilizada principalmente nas análises sobre pobreza. As amostras dos Censos Demográficos, pela magnitude, são melhores na captação dos rendimentos mais elevados, tendo em vista a capacidade de contemplar nos sorteios fenômenos mais raros, como o pertencimento aos estratos mais altos.

Os dados da PNAD permitem o cálculo de anos de estudo. O censo de 2010 não possui as informações necessárias para este cálculo. No entanto, a PNAD não tem informações detalhadas sobre as áreas de formação no ensino superior, enquanto nos censos é possível identificá-las.

Para reduzir o número de categorias, os autores procederam agregações de áreas de formação semelhantes. Os agrupamentos foram formados, considerando dois critérios:

  1. a classificação na hierarquia implícita no ISCED e
  2. a fração de adultos dentro de cada área pertencentes ao estrato do 1% mais rico da distribuição de renda. Com isso, reduziram a heterogeneidade dentro dos grupos.

No censo demográfico, as categorias resultantes desse agrupamento foram as da tabela acima.

Uma reforma educacional ocorrida em certo ponto do tempo afeta apenas as pessoas com idade igual ou menor que 10 anos naquele momento, inclusive todas as pessoas a nascerem daquele ponto em diante. Trata-se, na realidade, de uma seleção de casos segundo a coorte de nascimento. Continuar a ler

Educação, Desigualdade e Redução da Pobreza no Brasil

Usando simulações retrospectivas, Marcelo Medeiros, Rogério J. Barbosa e Flavio Carvalhaes, no Texto para discussão Ipea 2447. Educação, Desigualdade e Redução da Pobreza no Brasil (Brasília/Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; fevereiro de 2019), examinam se as políticas de expansão de ensino poderiam reduzir a desigualdade e a pobreza no Brasil.

Os resultados obtidos indicam existem limitações nessa estratégia:

  • em primeiro lugar, apenas intervenções muito radicais (e improváveis) poderiam reduzir a desigualdade substantivamente (uma queda de mais de 10% no índice de Gini);
  • em segundo, em razão daquilo denominado de inércia demográfica, seriam necessárias muitas décadas até que aqueles resultados se efetivassem por completo.

Mostraram, assim, a educação não ser uma panaceia para o combate à pobreza e à desigualdade. Estes resultados são robustos quando testados com diferentes fontes de dados, em décadas distintas e usando várias medidas de desigualdade e pobreza.

A educação é um investimento bastante defensável. Para alguns, uma sociedade mais escolarizada seria intrinsecamente melhor, por os retornos sociais pela educação seriam superiores aos retornos privados. Esta hipótese não é testada. Parece os retornos da educação em valores pecuniários e culturais serem maiores sob o ponto de vista de indivíduos, inclusive agravando, inicialmente, enquanto não massificar com qualidade o Ensino Superior, a desigualdade social de renda, devido à mobilidade social da pessoa melhor educada.

Trata-se de um sofisma da composição: uma verdade sob o ponto de vista individual pode não corresponder ao desejado sob o ponto de vista coletivo. Daí não ser suficiente o individualismo metodológico para a análise social. É necessário o holismo metodológico para se obter uma visão completa do todo – e desenhar possíveis cenários esperados. Continuar a ler

Vantagem Educacional Competitiva no Mercado de Trabalho: Carência do Talento Digital

Thais Carrança (Valor, 07/03/19) informa: trabalhadores com ensino superior ganham bem mais que aqueles com ensino médio tradicional ou técnico e, em situações de crise econômica, têm mais chances de se manter no mercado de trabalho, preservando seus rendimentos. Essas são algumas das razões pelas quais é necessário dar continuidade às políticas públicas de acesso ao ensino superior, afirmam especialistas.

Quem faz ensino superior no Brasil ganha em média o dobro de quem fez ensino médio técnico e 150% a mais do que quem completou apenas o ensino médio tradicional, mostra levantamento feito pelo Centro de Políticas Públicas (CPP) do Insper.

Para realizar o estudo, a equipe do CPP, coordenada pelo economista Naercio Menezes Filho, utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2014, que permite diferenciar os rendimentos daqueles com ensino médio tradicional e técnico. A modalidade de ensino técnico considerada é a subsequente, em que o aluno cursa a formação técnica depois de ter concluído o ensino médio tradicional.

Em 2014, o salário médio da população com 25 anos ou mais era de R$ 1.866 mensais. Quem fez o ensino médio tradicional, não técnico, tinha rendimento médio de R$ 1.671. Já quem tinha o ensino técnico completo ganhava em média R$ 2.065, ou seja, 24% ou R$ 394 a mais. A renda média de quem tinha ensino superior era de R$ 4.181, o dobro de quem tinha ensino técnico e 150% a mais do que aqueles com ensino médio tradicional.

Os retornos de renda do ensino superior são menores para quem é mais pobre e maiores para quem é mais rico. Comparando com quem tem apenas o ensino médio tradicional, os mais pobres com ensino superior têm renda 38% maior. Enquanto isso, os mais ricos chegam a ganhar 200% mais, já que costumam cursar as melhores universidades do país e ter acesso às carreiras com maiores salários, como medicina, direito e engenharia. Continuar a ler

Educação para Redução da Pobreza ou da Desigualdade?

Thais Carrança (Valor, 07/03/19) informa: a expansão da educação não é suficiente para reduzir sozinha a desigualdade e a pobreza do Brasil. Segundo estudo do economista Marcelo Medeiros e dos sociólogos Rogério Barbosa e Flavio Carvalhaes, apenas intervenções muito radicais e improváveis no ensino poderiam reduzir a desigualdade da renda do trabalho de maneira significativa. Ainda assim, seriam necessárias muitas décadas para que elas tivessem efeito completo.

No estudo, cujos resultados foram publicados no artigo “Educação Redução da Pobreza ou da Desigualdade- TDIPEA-2447“, disponibilizado para discussão no site do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os autores simulam o que poderia ter acontecido se melhorias substanciais no sistema educacional tivessem acontecido em décadas passadas.

Para isso, são criados cenários hipotéticos em que toda a força de trabalho tivesse no mínimo:

  1. ensino médio completo,
  2. superior incompleto e
  3. superior completo.

Nesse último caso, considerando diferentes cursos por renda média progressiva, como:

  1. Formação de Professores e Ciências da Educação,
  2. Economia, Administração e Negócios,
  3. Direito e
  4. Medicina. Continuar a ler

Maioria do Eleitorado (55%) Reprovado em Teste de QI: Má Educação

Hugo Passarelli (Valor, 18/12/18) informa: o Brasil não está conseguindo ampliar a fatia de jovens que concluem o ensino fundamental apesar da redução da população em idade escolar, mostra um estudo do Movimento Todos Pela Educação. Em 2018, 75,8% dos jovens de 16 anos haviam concluído o ensino fundamental, taxa praticamente estável ante 2017 (75,9%) e ainda distante da meta de 95% que consta no Plano Nacional de Educação (PNE), prevista para ser atingida em 2022.

No mesmo período, o número de brasileiros nesta faixa etária caiu em 275,4 mil, enquanto o número de concluintes foi menor em 212,2 mil. Em tese, a demografia mais favorável deveria ajudar a aumentar as taxas de conclusão na educação básica. De maneira inversa, só não houve queda porque a população total encolheu em ritmo mais intenso do que os formandos.

O recorte foi elaborado pelo Todos Pela Educação a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados atestam: apesar da ênfase em reformar o ensino médio, os problemas educacionais não estão circunscritos a este ciclo. Continuar a ler

Cenário 2019: Educação

Hugo Passarelli (Valor, 26/12/18) avalia: o ensino público brasileiro entra no novo governo com velhos desafios, reformas estruturais que precisam sair do papel e incertezas sobre qual será o perfil do Ministério da Educação (MEC) gerido por Ricardo Vélez Rodríguez, professor universitário sem atuação conhecida em gestão pública.

Por ora, especialistas dizem que a defesa da educação básica pelo novo governo, enfatizada durante e depois da campanha, é uma sinalização positiva. Mas a falta de um plano de voo explícito dificulta previsões. Eles acham também que há o risco de que pautas ideológicas dominem o debate e desviem o foco de políticas com real potencial de “desatar o nó” da aprendizagem.

De acordo com fonte que acompanha o trabalho de transição, mudanças abruptas ou descontinuidade de políticas importantes para o setor estão descartadas. “Não haverá caça às bruxas no MEC. Vamos manter o que está funcionando e alterar o que precisa ser melhorado”, afirma.

Um programa de alfabetização deve ser um dos primeiros a ganhar corpo. “A ideia é atuar em diversas frentes para sanar as deficiências na formação inicial de jovens e adultos”, ainda de acordo com essa fonte. Continuar a ler