O Triste Fim de Policarpo Quaresma, Herói do Brasil

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1881. Faleceu, em 1922, aos 41 anos, também no Rio. Era filho de João Henriques de Lima Barreto, filho de uma antiga escrava e de um madeireiro português, e de Amália Augusta, filha de escrava e agregada da família Pereira Carvalho. Suas duas avós eram escravas.

Ao nascer, a familia morava próxima ao Largo do Machado, e seu pai ganhava a vida como tipógrafo. Aprendeu a profissão no Imperial Instituto Artístico, que imprimia o periódico “A Semana Ilustrada“. Sua mãe foi educada com esmero, sendo professora da 1ª à 4ª série. Ela faleceu quando ele tinha apenas 6 anos e João Henriques trabalhou muito para sustentar os quatro filhos do casal.

João Henriques era monarquista, ligado ao visconde de Ouro Preto, padrinho do futuro escritor. Talvez suas lembranças saudosistas do fim do Período Imperial no Brasil, bem como as remotas lembranças da Abolição da Escravatura, na infância, tenham vindo a exercer influência sobre a visão crítica de Lima Barreto sobre o regime republicano. Continue reading “O Triste Fim de Policarpo Quaresma, Herói do Brasil”

Ser do Contra — e A Favor da Direita?!

Passei o fim-de-semana com amigos cariocas e tive tempo para me atualizar em fofocas sobre “ex-companheiros”:

“Fulano, aquele esquerdista radical-chic, morador da Zona Sul, herdeiro de Sicrano, agora diz que odeia o Lula!”

“Mas por que”, pergunto eu, “se Lula tem seu lugar garantido na história do Brasil e Fulano nunca deixou sua marca no mundo, sequer ensinou algum coisa positiva a alguém, assinou um mísero artigo ou publicou um pequeno livro?! Quem verá seus rastros além do seu tempo de vida?”

Acho que, lendo uma divertida crônica de Gregório Duvivier, passei a entender. É apenas uma moda passageira. Alguém fazendo gênero para seu reduzido mundinho do feicebuque

Antes de ler a crônica, é bom se informar sobre o que é ser hipster:

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Teoria das Elites: Ideologia para Perpetuação no Governo

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Selvino Antonio Malfatti (Doutor em Filosofia e Professor do Centro Universitário Franciscano em Santa Maria, Rio Grande do Sul) argumenta que “a Teoria das Elites pode servir de justificativa para quem ocupa cargo administrativo e deseja se perpetuar no governo”. Com efeito, o partido ou grupo no poder imbui-se da ideia de que é “a elite” e, para tanto, precisa permanecer no governo. Por esse motivo, o grupo ou partido pode lançar mão da ideologia da Teoria das Elites, pela qual se autojustifica para permanecer no governo.

A tendência inercial de todo grupo político ou partido que está no poder, devido às benesses, é nele perpetuar-se. Aliás, Maquiavel já percebera que esse era um dos objetivos do político: permanecer no poder, além de conquistá-lo e de governar. Isso é esperado porque, para se chegar a ele, envidam-se todas as forças espirituais e físicas.

Não só para conquistar o poder, mas também para permanecer nele, o político lança mão das mais variadas estratégias, sendo que uma das mais significativas é o marketing do bom desempenho econômico e a conquista da confiança popular através do favorecimento de segmentos que possam garantir-lhe a maioria. Antes, porém, de engalfinhar-se na empreitada de prender o poder a qualquer custo, necessita justificar-se, ou seja, precisa de uma justificativa para sua ação. Essa pode ser encontrada na Teoria das Elites, pela qual ele, o político, enquadrando-se como elite, justifica sua permanência no poder e, para tanto, busca um ponto de apoio para sua alavanca. Continue reading “Teoria das Elites: Ideologia para Perpetuação no Governo”

Trabalhar para Produzir ou Produzir para Trabalhar?

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Na linguagem oficial, não é mais o trabalho que cria os produtos, mas a produção que cria o trabalho. Não se trata mais de trabalhar para produzir, mas sim de produzir para trabalhar.

A economia de guerra e a própria guerra foram, até o presente do capitalismo globalizado, os únicos métodos encontrados para assegurar o pleno emprego da população economicamente ativa e das máquinas criadas, quando a capacidade produtiva ultrapassou a capacidade de consumir.

Os teóricos da sociedade informatizada, no entanto, garantem que métodos menos bárbaros podem “criar trabalho”: consistem essencialmente em fazer com que profissionais especializados e pagos façam o que até aqui as pessoas faziam por sua própria conta e segundo sua fantasia como os cuidados pessoais com saúde, beleza, sexualidade, bebês, educação de crianças, etc.

No momento mesmo em que a automatização e/ou a robotização “arrisca” a dar à população a possibilidade e o tempo de cuidar mais de si mesma, propõe-se a migração massiva de trabalhadores para se transformarem em profissionais do novo Setor Terciário, isto é, em prestadores de serviços pessoais. São chamados a dissuadir as pessoas de fazerem qualquer coisa por conta própria, até mesmo criar seus filhos, deixando tudo para “especialistas”.

É possível criar milhões de ocupações de “cuidadores”, abrindo segmentos de mercado inexplorados para as trocas mercantis, fazendo de cada desocupado o prestador de um único serviço especializado? Em contrapartida, todos virarão consumidores passivos das prestações de serviços oferecidas por outros especialistas? Continue reading “Trabalhar para Produzir ou Produzir para Trabalhar?”

4a. Revolução Industrial: Sociedade do Desemprego ou Sociedade do Tempo Liberado?

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Uma época chega a seu término: a época em que o trabalho humano era fonte de toda riqueza. Começou a 4a. Revolução Industrial. Rompeu-se o vínculo entre crescimento do investimento e crescimento do emprego. Nem o protecionismo do mercado interno nem a retomada do investimento, nada disso conseguirá reduzir o desemprego tecnológico. Cada vez mais será difícil alcançar o “pleno emprego” com políticas keynesianas ou de outras extrações teóricas. Com as neoliberais, a taxa de desemprego só aumenta!

A questão-chave contemporânea é se a 4a. Revolução Industrial levará à Sociedade do Desemprego ou à Sociedade do Tempo Liberado? Vai liberar o ser humano do trabalho mutilante ou vai mutilá-lo ao limite, reduzindo-o à inatividade forçada? Levará à uma Era em que trabalharemos cada vez menos, dispondo de uma massa crescente de riqueza melhor distribuída, para mantermos nosso poder aquisitivo? Condenará uns ao desemprego e outros à hiper produtividade?

Face a tais cenários, a melhor saída, apontada por André Gorz, em Adieux ao Prolétariat (Rio de Janeiro; Editora Forense Universitária; 1982), é a redução progressiva da jornada de trabalho, evidentemente, sem que isso represente uma perda do poder aquisitivo.

Os novos objetivos das lutas sociais e políticas são:

  1. trabalhar menos, produzindo mais,
  2. distribuir melhor os frutos do progresso técnico,
  3. criar um novo equilíbrio entre tempo de trabalho obrigatório e tempo livre disponível para trabalho criativo,
  4. permitir uma vida mais tranquila e atividades mais recompensadoras.

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Negação Radical da Lógica do Capital

tarsila-do-amaral-operariosO que nos falta para podermos nos realizar, nos comunicar com os outros, levar uma vida mais descontraída, estabelecer relações mais fraternais? A previsão econômica ortodoxa não responde a essa questão. A ortodoxia só se preocupa em inventar novas penúrias ou novas carências de acordo com as necessidades de rentabilidade do capital. Este impõe seus produtos por meio dos símbolos que os investe.

André Gorz, em Adieux ao Prolétariat (Rio de Janeiro; Editora Forense Universitária; 1982), considera a publicidade como a força educadora e de ativação capaz de provocar as transformações da demanda que são supostas socialmente necessárias. Emulam o que é um nível de vida mais elevado, em cada época, de modo a aumentar o consumo até que ultrapasse o nível suficiente para ocupar toda a capacidade produtiva, criada de maneira descentralizada por iniciativas particulares.

A ideia de que produção e consumo possam ser decididos a partir das necessidades reais é, por suas implicações, uma ideia politicamente subversiva:

  1. supõe que aqueles que produzem e aqueles que consomem possam se reunir, fazer perguntas e decidir de maneira soberana uma oferta de acordo com a demanda;
  2. supõe que seja abolido o monopólio que O Mercado e/ou O Estado, em outros termos, O Capital, detém em matéria de decisões sobre o investimento, a produção e a inovação;
  3. supõe um consenso sobre a natureza e o nível de consumo aos quais todos devem poder pretender e, por consequência, sobre os tipos de consumo que convém prescrever e sobre os limites que não devem ser ultrapassados por razões ecológico-ambientais;
  4. supõe, enfim, uma gestão econômica que vise a satisfazer o máximo das necessidades com a maior eficácia possível, ou seja, com o mínimo de trabalho, de capital e de recursos naturais – em resumo, com o mínimo de produção mercantil.

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Atividade Autônoma

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Autonomia designa a capacidade de autogovernar-se, de dirigir-se por suas próprias leis ou vontade própria, possuir soberania. É faculdade própria de algumas instituições quanto à decisão sobre organização e normas de comportamento, sem se dobrar ou ser influenciadas por imposições externas.

Autonomia, em Política, é a autodeterminação político-administrativa de que podem gozar partidos, sindicatos, corporações, cooperativas etc., em relação ao país ou comunidade política dos quais fazem parte. Em Administração, é o direito de se administrar livremente, dentro de uma organização mais vasta, liderada por um poder central. Refere-se à liberdade moral ou intelectual do indivíduo, cuja independência pessoal deriva do direito de tomar decisões livremente.

Na Filosofia de Kant, autonomia é a liberdade do homem que, pelo esforço de sua própria reflexão, dá a si mesmo os seus princípios de ação, não vivendo sem regras, mas obedecendo às que escolheu depois de examiná-las. Já em Psicologia, autonomia é a preservação da integridade do Eu.

No caso das máquinas, autonomia é a distância máxima que um veículo, aeronave ou navio podem percorrer (ou tempo de percurso, voo e navegação) sem necessitar de reabastecimento. Em tecnologia, autonomia contempla o Intervalo de tempo em que um sistema ou equipamento pode se manter em funcionamento sem a ação de agentes externos. Na 4a. Revolução Industrial, as “fábricas sem iluminação” operam, incessantemente, 24 horas por dia! Dada a ausência de motoristas, as frotas de caminhões autônomos só param, rapidamente, para se abastecer!

Automóveis autônomos ou automatizados poderão ser compartilhados por uma demanda programada de acordo com horários e locais para o uso contínuo de maneira mais eficiente. Poderemos deixar de ver, especialmente nas metrópoles, automóveis estacionados na maior parte do dia. Calcule o custo da hora parada de seu automóvel: quanto você pagou por ele (e gasta com sua manutenção e tributação) em termos do tempo que você o usa efetivamente… Continue reading “Atividade Autônoma”