Texto Literário e Texto Não Literário

 

   

José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli, no manual Lições de Texto – Leitura e Redação (São Paulo: Ática, 2011), comentam que “ouvimos muito falar em literatura. Cabe, então, perguntar o que é que distingue o texto literário do não literário”.

Esse assunto já foi objeto de muita discussão e, apesar disso, não há respostas definitivas para ele. Os autores, no entanto, apresentam os critérios mais usados atualmente para caracterizar o texto literário.

Antes de mais nada, é preciso descartar qualquer critério que se fundamente no tema abordado pelo texto. Não há conteúdos exclusivos da literatura nem avessos a seu domínio.

Nesse aspecto, a única coisa que se pode afirmar é que, em certas épocas, os textos literários privilegiam certos temas e uma determinada maneira de figurativizá-los, por exemplo:

  • no barroco, aparece muito nítido o tema da transitoriedade da vida e da inevitabilidade da morte;
  • no simbolismo, não aparecem paisagens com luz chapada, ensolaradas, mas lugares enluarados, com figuras imateriais e etéreas.

Se o conteúdo é questão de preferência de época, não serve de critério para estabelecer a diferença entre texto literário e não literário. Continue reading “Texto Literário e Texto Não Literário”

Estratégias Argumentativas

Como José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli, no manual Lições de Texto – Leitura e Redação (São Paulo: Ática, 2011), mostraram em sua lição sobre argumentação, seis fatores intervêm no processo de comunicação (emissor, receptor, mensagem, código, canal e referente). Temos diferentes estratégias persuasivas, que se assentam sobre um ou mais de um desses fatores.

Uma estratégia persuasiva baseada no emissor é aquela que o credencia para um dado tipo de comunicação.

No discurso eleitoral, por exemplo, os emissores apresentam-se como dotados de experiência administrativa ou parlamentar. Nessa estratégia discursiva, citam-se realizações, cria-se uma imagem favorável. Dizer, por exemplo, num debate, “esse é um assunto que conheço bem, que já estudei profundamente é identificar-se como voz autorizada a falar”.

No discurso suplicatório, quando se pede uma esmola, por exemplo, alguém se apresenta como digno da ajuda, contando fatos da vida pessoal, desgraças, dificuldades. Com isso, não está exibindo defeitos, mas colocando-se como vítima do destino. Continue reading “Estratégias Argumentativas”

Argumentação

José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli, no manual Lições de Texto – Leitura e Redação (São Paulo: Ática, 2011), em sua décima nona lição, dizem o que é realmente argumentação. Normalmente, pensa-se que comunicar é simplesmente transmitir informações.

A Teoria da Comunicação diz que, para haver um ato comunicativo, é preciso que seis fatores intervenham:

  1. o emissor (aquele que produz a mensagem),
  2. o receptor (aquele a quem a mensagem é transmitida),
  3. a mensagem (elemento material, por exemplo, um conjunto de sons, que veicula um conjunto de informações),
  4. o código (sistema linguístico, por exemplo, uma língua, ou seja, conjunto de regras que permite produzir uma mensagem),
  5. o canal (conjunto de meios sensoriais ou materiais pelos quais a mensagem é transmitida, por exemplo, o canal auditivo, o telefone) e
  6. o referente (situação a que a mensagem remete).

No entanto, simplifica ela excessivamente o ato de comunicação, pois concebe o emissor e o receptor pura e simplesmente como polos neutros que devem produzir, receber e compreender a mensagem.

As coisas são mais complicadas no ato comunicativo. Há uma diferença bem marcada entre:

  1. comunicação recebida e
  2. comunicação assumida.

Como comunicar é agir sobre o outro, quando se comunica não se visa somente a que o receptor receba e compreenda a mensagem, mas também a que a aceite, ou seja, a que creia nela e a que faça o que nela se propõe.

Comunicar não é, pois, somente um fazer saber, mas também um fazer crer e um fazer fazer. A aceitação depende de uma série de fatores: emoções, sentimentos, valores, ideologia, visão de mundo, convicções políticas etc. A persuasão é então o ato de levar o outro a aceitar o que está sendo dito, pois só quando ele o fizer a comunicação será eficaz. Continue reading “Argumentação”

Dissertação

José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli, no manual Lições de Texto – Leitura e Redação (São Paulo: Ática, 2011), em sua décima sétima lição, apontam como primeira característica de um texto dissertativo o fato de que ele é temático, pois analisa e interpreta a realidade com termos abstratos (método, prudência, corrupção, discreto, vontade, paixões etc.). Quando se vale de termos concretos (homem, mulher), toma-os em seu valor genérico. Não fala de um homem particular e do que faz para chegar a ser “vitorioso ou perdedor”, como seria em uma narração, mas do homem em geral e, por exemplo, dos métodos que qualquer homem utiliza para chegar ao poder.

A segunda característica é que existe transformação de situação no texto. Por exemplo, a mudança de atitude dos que clamam contra a corrupção no governo, que, quando chegam ao poder, tornam-se corruptos.

A progressão dos enunciados obedece a uma relação lógica e não cronológica. Um enunciado é anterior a outro não por causa de uma progressão temporal, mas por causa de uma concatenação lógica.

Como o texto pretende falar de algo que ele apresenta como uma verdade válida para todos os homens, em todos os tempos e lugares, constrói-se com o presente em seu valor atemporal. Todos os verbos do texto estão nesse tempo.

Dissertação é o tipo de texto que analisa, interpreta, explica e avalia os dados da realidade. Continue reading “Dissertação”

Descrição

José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli, no manual Lições de Texto – Leitura e Redação (São Paulo: Ática, 2011), em sua décima sexta lição, analisam o texto descritivo.

Descrição é o tipo de texto em que se expõem características de seres concretos (pessoas, objetos, situações etc.) consideradas fora da relação de anterioridade e de posterioridade.

As características do texto descritivo são:

  1. como o texto narrativo, é figurativo;
  2. ao contrário do texto narrativo, não relata propriamente mudanças de situação, mas propriedades e aspectos simultâneos dos elementos descritos, considerados, pois, numa única situação;
  3. como o que se descreve é visto como simultâneo, não existe relação de anterioridade e posterioridade entre seus enunciados;
  4. como a simultaneidade é a característica central da descrição, os tempos verbais básicos nela utilizados são o presente ou o pretérito imperfeito (às vezes, ambos), pois o primeiro expressa concomitância em relação ao momento da fala, e o segundo, em relação a um marco temporal pretérito instalado no enunciado;
  5. como não se organiza o texto em uma progressão temporal, como na narrativa, com muita frequência, sua organização é espacial, descreve-se de cima para baixo, da esquerda para a direita, de dentro para fora, do conteúdo para o continente, etc.

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Narração

José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli, no manual Lições de Texto – Leitura e Redação (São Paulo: Ática, 2011), em sua décima quinta lição, dizem que um texto figurativo se constrói preponderantemente com termos concretos. O texto fala de uma personagem bem determinada, que, em um tempo e em um espaço bem demarcados, realiza uma série de ações.

A segunda característica é que o texto figurativo e narrativo comporta uma série de mudanças de situação, de transformações de estado. Essas mudanças de estado são ações realizadas por um dado sujeito.

A terceira característica é que as mudanças relatadas estão organizadas de maneira tal que entre elas existe sempre uma relação de anterioridade, posterioridade ou concomitância.

A quarta característica é que só aparecem no texto os tempos verbais do subsistema do passado:

  1. o pretérito perfeito (foi, tomou, despertaram, afastou-se etc.),
  2. o pretérito mais-que-perfeito (ouvira) e
  3. o pretérito imperfeito (acompanhavam, gingavam, gritavam etc.).

Não ocorre no texto nenhum caso de uso do futuro do pretérito, que pertence também ao subsistema do passado. Observe-se, além disso, que os imperfeitos, que indicam uma duratividade, estão sempre correlacionados a perfeitos, que mostram uma ação acabada.

Ao longo de nossa vida, tomamos contato com os mais variados tipos de texto: literários e jornalísticos, em verso ou em prosa, políticos, religiosos e muitos outros.

Há uma classificação que, por revelar-se útil tanto para a produção quanto para a leitura, enraizou-se na tradição escolar. Trata-se do agrupamento dos textos em:

  1. narrativos,
  2. descritivos e
  3. dissertativos.

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Vozes Mostradas e Demarcadas no Texto

José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli, no manual Lições de Texto – Leitura e Redação (São Paulo: Ática, 2011), em sua terceira lição, tratam de vozes mostradas e demarcadas no texto. Afirmam que a negação, tanto a indicada pelo prefixo des, quanto a feita pelo advérbio não, implica a presença de duas vozes, dois pontos de vista a respeito do objeto do discurso:

  • um que a vê como uma fonte e um repositório de sentimentos, de mitos e de metáforas;
  • outro que a vê em sua realidade nua e crua.

Um diz “o que deveria ser”, outro diz “o que é”. Ambos pontos de vista são válidos – e necessários. Temos é que entender ambos: o normativo e o positivo.

Uma negação implica duas perspectivas distintas sobre uma dada questão, pois ela se opõe a uma afirmação anterior, refuta a posição afirmativa correspondente. Diferentemente do caso em que não há marcas linguísticas a delimitar as duas concepções implicadas no texto, mas elas são percebidas apenas pelo nosso conhecimento a respeito das diferentes opiniões que circulavam em uma determinada sociedade sobre uma dada questão. Em texto com os operadores linguísticos da negação, o prefixo des e o advérbio não demarcam os dois pontos de vista, as duas vozes mostradas no texto.

Apesar de duas perspectivas estarem delimitadas pela negação, precisamos ainda nos valer de nossa memória discursiva, de nosso conhecimento dos textos literários, para entender bem o que o autor está refutando. Em outras palavras, valer de nossa cultura… Continue reading “Vozes Mostradas e Demarcadas no Texto”