Lula Livre / Lula Livro

lula livre_CAPA_19jul2018 - baixa definiçãoNoventa poetas, escritores e cartunistas brasileiros, de todas as regiões do país integram o livro-manifesto Lula Livre / Lula Livro, coletânea de contos, poemas, crônicas e cartuns pela liberdade do ex-Presidente Lula. O livro reúne autores como Augusto de Campos, Chico Buarque, Raduan Nassar, Aldir Blanc, Alice Ruiz, Chico César, Frei Betto, Laerte, Eric Nepomunceno, Noemi Jaffe, Chacal, Caco Galhardo, Marcia Denser, Gero Camilo, Raimundo Carrero, Roberta Estrela D’Alva e Xico Sá, entre outros.

O lançamento nacional no Teatro Oficina será um ato político-literário pela liberdade de Lula, com leitura de textos e participações especiais. O livro será vendido a R$ 15 e o dinheiro arrecadado será utilizado para a impressão de mais exemplares.

Segundo os organizadores Ademir Assunção e Marcelino Freire a publicação manifesta o inconformismo dos autores, “que consideram a prisão de Lula uma aberração jurídica-política-midiática, com o objetivo maior de tirá-lo das eleições presidenciais deste ano, no tapetão, na cara-dura”, conforme o texto de introdução.

Ainda conforme os organizadores, “o propósito do livro é criar mais um fato de repercussão, a partir da tomada de posição dos escritores, poetas e cartunistas, para engrossar os movimentos nacionais e internacionais contra a farsa da prisão do ex-presidente – e o golpe anti-democrático que representa a sua exclusão do processo eleitoral de 2018.”

Além da versão impressa, com 190 páginas, está em construção um site na internet com todos os contos, poemas, crônicas e cartuns e a disponibilização do PDF da publicação (www.lulalivrelulalivro.com).

“Fazia muito tempo que os escritores não tomavam um posicionamento conjunto tão vigoroso. Os descalabros que estão acontecendo no País desde o golpe de 2016 é que criaram a necessidade dessa manifestação político-literária”, dizem Ademir e Marcelino.

Estão sendo planejadas ações junto aos movimentos sociais para imprimir, divulgar e repercutir o livro-manifesto em todo o Brasil e também no exterior.

Depois da primeira edição, de apenas 200 exemplares, a Fundação Perseu Abramo já soltou uma segunda impressão, com 2 mil exemplares.

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Ao vencedor as batatas: um mestre na periferia do capitalismo e as ideias fora do lugar

Roberto Schwarz: Entre Forma Literária e Processo Social” é artigo assinado por Leopoldo Waizbort, publicado na coletânea organizada por André Botelho e Lilia Schwartz, “Um enigma chamado Brasil” (São Paulo: Companhia das Letras; 2015).

Roberto Schwarz garantiu seu lugar na galeria dos intérpretes do Brasil em virtude de uma análise de Machado de Assis, segundo a qual Machado teria desenvolvido em seus romances a mais consumada interpretação do Brasil de seu tempo — e para além dele.

Schwarz, para uns sociólogo, para outros crítico literário, publicou sua análise dos romances de Machado em dois livros complementares, escritos no intervalo de alguns anos:

  • o primeiro em 1977 — Ao vencedor as batatas: forma literária e processo social nos inícios do romance brasileiro—, e
  • o segundo em 1990 — Um mestre na periferia do capitalismo: Machado de Assis.

Ambos constituem uma penetrante conjugação de sociologia e crítica literária. Ao indagar pelas experiências sociais de maior generalidade que caracterizam a sociedade brasileira, assume o papel do sociólogo. Mas, como essa experiência encontra sua realização mais acabada na literatura, veste o uniforme do crítico literário. Continue reading “Ao vencedor as batatas: um mestre na periferia do capitalismo e as ideias fora do lugar”

Texto Literário e Texto Não Literário

 

   

José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli, no manual Lições de Texto – Leitura e Redação (São Paulo: Ática, 2011), comentam que “ouvimos muito falar em literatura. Cabe, então, perguntar o que é que distingue o texto literário do não literário”.

Esse assunto já foi objeto de muita discussão e, apesar disso, não há respostas definitivas para ele. Os autores, no entanto, apresentam os critérios mais usados atualmente para caracterizar o texto literário.

Antes de mais nada, é preciso descartar qualquer critério que se fundamente no tema abordado pelo texto. Não há conteúdos exclusivos da literatura nem avessos a seu domínio.

Nesse aspecto, a única coisa que se pode afirmar é que, em certas épocas, os textos literários privilegiam certos temas e uma determinada maneira de figurativizá-los, por exemplo:

  • no barroco, aparece muito nítido o tema da transitoriedade da vida e da inevitabilidade da morte;
  • no simbolismo, não aparecem paisagens com luz chapada, ensolaradas, mas lugares enluarados, com figuras imateriais e etéreas.

Se o conteúdo é questão de preferência de época, não serve de critério para estabelecer a diferença entre texto literário e não literário. Continue reading “Texto Literário e Texto Não Literário”

Estratégias Argumentativas

Como José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli, no manual Lições de Texto – Leitura e Redação (São Paulo: Ática, 2011), mostraram em sua lição sobre argumentação, seis fatores intervêm no processo de comunicação (emissor, receptor, mensagem, código, canal e referente). Temos diferentes estratégias persuasivas, que se assentam sobre um ou mais de um desses fatores.

Uma estratégia persuasiva baseada no emissor é aquela que o credencia para um dado tipo de comunicação.

No discurso eleitoral, por exemplo, os emissores apresentam-se como dotados de experiência administrativa ou parlamentar. Nessa estratégia discursiva, citam-se realizações, cria-se uma imagem favorável. Dizer, por exemplo, num debate, “esse é um assunto que conheço bem, que já estudei profundamente é identificar-se como voz autorizada a falar”.

No discurso suplicatório, quando se pede uma esmola, por exemplo, alguém se apresenta como digno da ajuda, contando fatos da vida pessoal, desgraças, dificuldades. Com isso, não está exibindo defeitos, mas colocando-se como vítima do destino. Continue reading “Estratégias Argumentativas”

Argumentação

José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli, no manual Lições de Texto – Leitura e Redação (São Paulo: Ática, 2011), em sua décima nona lição, dizem o que é realmente argumentação. Normalmente, pensa-se que comunicar é simplesmente transmitir informações.

A Teoria da Comunicação diz que, para haver um ato comunicativo, é preciso que seis fatores intervenham:

  1. o emissor (aquele que produz a mensagem),
  2. o receptor (aquele a quem a mensagem é transmitida),
  3. a mensagem (elemento material, por exemplo, um conjunto de sons, que veicula um conjunto de informações),
  4. o código (sistema linguístico, por exemplo, uma língua, ou seja, conjunto de regras que permite produzir uma mensagem),
  5. o canal (conjunto de meios sensoriais ou materiais pelos quais a mensagem é transmitida, por exemplo, o canal auditivo, o telefone) e
  6. o referente (situação a que a mensagem remete).

No entanto, simplifica ela excessivamente o ato de comunicação, pois concebe o emissor e o receptor pura e simplesmente como polos neutros que devem produzir, receber e compreender a mensagem.

As coisas são mais complicadas no ato comunicativo. Há uma diferença bem marcada entre:

  1. comunicação recebida e
  2. comunicação assumida.

Como comunicar é agir sobre o outro, quando se comunica não se visa somente a que o receptor receba e compreenda a mensagem, mas também a que a aceite, ou seja, a que creia nela e a que faça o que nela se propõe.

Comunicar não é, pois, somente um fazer saber, mas também um fazer crer e um fazer fazer. A aceitação depende de uma série de fatores: emoções, sentimentos, valores, ideologia, visão de mundo, convicções políticas etc. A persuasão é então o ato de levar o outro a aceitar o que está sendo dito, pois só quando ele o fizer a comunicação será eficaz. Continue reading “Argumentação”

Dissertação

José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli, no manual Lições de Texto – Leitura e Redação (São Paulo: Ática, 2011), em sua décima sétima lição, apontam como primeira característica de um texto dissertativo o fato de que ele é temático, pois analisa e interpreta a realidade com termos abstratos (método, prudência, corrupção, discreto, vontade, paixões etc.). Quando se vale de termos concretos (homem, mulher), toma-os em seu valor genérico. Não fala de um homem particular e do que faz para chegar a ser “vitorioso ou perdedor”, como seria em uma narração, mas do homem em geral e, por exemplo, dos métodos que qualquer homem utiliza para chegar ao poder.

A segunda característica é que existe transformação de situação no texto. Por exemplo, a mudança de atitude dos que clamam contra a corrupção no governo, que, quando chegam ao poder, tornam-se corruptos.

A progressão dos enunciados obedece a uma relação lógica e não cronológica. Um enunciado é anterior a outro não por causa de uma progressão temporal, mas por causa de uma concatenação lógica.

Como o texto pretende falar de algo que ele apresenta como uma verdade válida para todos os homens, em todos os tempos e lugares, constrói-se com o presente em seu valor atemporal. Todos os verbos do texto estão nesse tempo.

Dissertação é o tipo de texto que analisa, interpreta, explica e avalia os dados da realidade. Continue reading “Dissertação”

Descrição

José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli, no manual Lições de Texto – Leitura e Redação (São Paulo: Ática, 2011), em sua décima sexta lição, analisam o texto descritivo.

Descrição é o tipo de texto em que se expõem características de seres concretos (pessoas, objetos, situações etc.) consideradas fora da relação de anterioridade e de posterioridade.

As características do texto descritivo são:

  1. como o texto narrativo, é figurativo;
  2. ao contrário do texto narrativo, não relata propriamente mudanças de situação, mas propriedades e aspectos simultâneos dos elementos descritos, considerados, pois, numa única situação;
  3. como o que se descreve é visto como simultâneo, não existe relação de anterioridade e posterioridade entre seus enunciados;
  4. como a simultaneidade é a característica central da descrição, os tempos verbais básicos nela utilizados são o presente ou o pretérito imperfeito (às vezes, ambos), pois o primeiro expressa concomitância em relação ao momento da fala, e o segundo, em relação a um marco temporal pretérito instalado no enunciado;
  5. como não se organiza o texto em uma progressão temporal, como na narrativa, com muita frequência, sua organização é espacial, descreve-se de cima para baixo, da esquerda para a direita, de dentro para fora, do conteúdo para o continente, etc.

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