Rotulação

Anthony Giddens e Philip W. Sutton, no livro Conceitos Essenciais da Sociologia (tradução Claudia Freire. – 1. ed. – São Paulo: Editora Unesp Digital, 2017), definem rotulação como um processo pelo qual alguns indivíduos e grupos sociais são identificados como detentores de algumas características por pessoas com poder e influência para fazer essas etiquetas pegarem.

O conceito de rotulação, etiquetagem ou marcação [labelling] foi criado nas décadas de 1950 e 1960 por sociólogos trabalhando de acordo com a tradição interacionista simbólica. Essas perspectivas foram particularmente influentes nos estudos do crime e do desvio, nos quais foram concentradas as atenções no modo como o desvio é definido e criado nos processos de interação social. Fazendo a distinção entre desvio primário e secundário, e a etiquetagem tendia a se concentrar no desvio secundário.

O desvio poderia ser mais bem compreendido como um processo durante o qual algumas ações tenham sido definidas e classificadas como desviantes e tratadas como tal. O foco central estava no impacto daquele processo na identidade dos próprios “desviantes”. Eles haviam sido transformados em “intrusos”, estigmatizados e marginalizados da sociedade tradicional.

Uma das abordagens interacionistas mais importantes para a compreensão do crime e desvio é a perspectiva da marcação ou etiquetagem. Os teóricos da rotulação não interpretam o desvio como um conjunto de características de indivíduos ou grupos, mas como um processo de interação entre desviantes e não desviantes.

As pessoas representantes das forças da lei e da ordem conseguem impor sobre outras certas definições de moralidade convencional. Elas são os grandes responsáveis pela rotulação. Os rótulos criadores das categorias de desvio, portanto, exprimem o poder da estrutura da sociedade, no caso, o poder das castas de toga, farda e pena midiática. Continue reading “Rotulação”

Controle Social

Anthony Giddens e Philip W. Sutton, no livro Conceitos Essenciais da Sociologia (tradução Claudia Freire. – 1. ed. – São Paulo: Editora Unesp Digital, 2017), definem controle social constituído de todos os mecanismos formais e informais e controles internos e externos cujos funcionamentos geram conformidade.

As teorias sobre controle remontam a Thomas Hobbes, filósofo do século XVII. Em uma sociedade de indivíduos com interesse próprio, um enorme poder – o Estado – seria necessário para evitar uma “guerra de todos contra todos”. Havia um contrato social entre o Estado e o indivíduo segundo o qual o cidadão é leal ao Estado e este, em troca, o protege. Quando o estudo do controle social foi introduzido à ciência social, desenvolveram-se perspectivas sociológicas mais complexas.

Ao final do século XIX, sugeriu-se o controle social englobar todas as pressões exercidas para as pessoas se conformarem às regras sociais.

Talcott Parsons (1937) apresentou uma alternativa com base na socialização. A conformidade não é produzida apenas por meio do medo e por agentes externos, mas é também internalizada nas normas e valores absorvidos pelas pessoas durante o processo de socialização.

Uma resposta mais específica foi apresentada por Travis Hirschi (1969). Ele considerava a delinquência juvenil ocorrer quando os vínculos do indivíduo com a sociedade são enfraquecidos ou rompidos. Essa teoria concentrava a atenção nas conexões das pessoas com a família, colegas e instituições sociais.

Para os teóricos marxistas, o Estado é um ator fundamental na produção de controle social. Nas sociedades capitalistas ocorre, na verdade, o controle da classe trabalhadora.

Controle social é o lado oposto do desvio. Enquanto os sociólogos do desvio e crime analisam por que as pessoas infringem normas e leis sociais, os teóricos do controle social fazem a pergunta oposta: por que as pessoas obedecem? Continue reading “Controle Social”

Anomia

Anthony Giddens e Philip W. Sutton, no livro Conceitos Essenciais da Sociologia (tradução Claudia Freire. – 1. ed. – São Paulo: Editora Unesp Digital, 2017), definem anomia como um sentimento de extrema ansiedade e medo resultante da experiência de ausência de normas sociais efetivas, muitas vezes produzida durante períodos de rápida mudança social.

A mudança social na era da modernidade é tão veloz que não raro faz surgirem grandes problemas sociais, com a quebra de estilos de vida tradicionais, morais, crenças religiosas e rotinas cotidianas, os quais às vezes não são substituídos. Durkheim associava tais condições desestabilizadoras à anomia, sentimentos de falta de perspectiva, medo e desespero quando as pessoas não sabem mais “como prosseguir”.

Por exemplo, as regras e os padrões de moral tradicional fornecidos pela religião organizada foram destruídos pelo desenvolvimento capitalista industrial incipiente, fazendo muitas pessoas ficarem com a sensação de o cotidiano carecer de sentido.

A anomia ocorre quando não existem padrões claros orientadores do comportamento em determinada área da vida social. Quando ausentes, podem deixar as pessoas desorientadas, ansiosas e incapazes de agir. Continue reading “Anomia”

Interação

Anthony Giddens e Philip W. Sutton, no livro Conceitos Essenciais da Sociologia (tradução Claudia Freire. – 1. ed. – São Paulo: Editora Unesp Digital, 2017), definem interação como qualquer forma de encontro social, em situações formais ou informais, entre dois ou mais indivíduos.

O estudo de diversas formas aparentemente insignificantes de encontros sociais é de importância fundamental na Sociologia e se originou a partir da década de 1920 como o conceito central dentro da tradição interacionista simbólica. As rotinas cotidianas fornecem estrutura e formam a nossa vida, e podemos aprender muito sobre nós mesmos a partir do estudo delas.

Em geral, as interações sociais envolvem as trocas focadas e não focadas. Denomina-se um evento de interação focada como “encontro” e grande parte da nossa vida cotidiana consiste em encontros com outras pessoas – família, amigos, colegas –, normalmente tendo como pano de fundo a interação não focada com outros presentes na cena.

Outras perspectivas dentro da tradição da ação social, incluindo a fenomenologia e a etnometodologia, também se concentraram nas interações sociais. Os fenomenologistas estudam como as pessoas adquirem as suas premissas óbvias sobre o mundo, enquanto a etnometodologia explora os métodos usados pelas pessoas na vida cotidiana para dar sentido e estruturar seus mundos.

A interação social pressupõe inúmeras formas de comunicação não verbal – o intercâmbio de informações e significados através de expressões faciais, gestos e movimentos do corpo. Um dos principais aspectos da comunicação não verbal é a expressão facial da emoção. Quando comparamos a face humana com a de outras espécies, ela se mostra visivelmente flexível e capaz de manipulação. Continue reading “Interação”

Rede

Anthony Giddens e Philip W. Sutton, no livro Conceitos Essenciais da Sociologia (tradução Claudia Freire. – 1. ed. – São Paulo: Editora Unesp Digital, 2017), definem rede como o conjunto de vínculos informais e/ou formais conectores das pessoas entre si, seja em formas de organização mais livres ou na vida social.

As redes de amizade e de parentescos familiaresforam estudadas por cientistas sociais durante muitos anos, além das redes sociais formadas entre grupos de conhecidos no trabalho e nos negócios.

As ideias teóricas de Georg Simmel do início do século XX sobre mudanças na dinâmica das formas sociais básicas como díades (duas unidades sociais) e tríades (três unidades sociais) foram precursoras do estudo sobre redes sociais muito mais abrangentes.

Embora as redes sejam formas de associação humanamuito antigas, para alguns sociólogos, conforme a tecnologia da informação cria muitas novas oportunidades de formar redes de contatos, as redes estão se tornando a estrutura organizacional que define as sociedades contemporâneas.

A flexibilidade e a adaptabilidade inerentes às redes proporcionam vantagens imensas em relação aos antigos tipos de organização. Hoje se observam empresas começando a adotar estruturas em rede para maximizar a eficiência em um ambiente econômico global. Continue reading “Rede”

Status

Anthony Giddens e Philip W. Sutton, no livro Conceitos Essenciais da Sociologia(tradução Claudia Freire. – 1. ed. – São Paulo: Editora Unesp Digital, 2017), definem status como honra ou prestígio atribuído a uma pessoa ou grupo social por outros membros da sociedade.

Status social é um conceito básico em Sociologia, associado particularmente à tradição interacionista simbólica. Para Weber, status se refere [179] às diferenças entre grupos sociais de acordo com a honra ou o prestígio social recebido de outros.

Nas sociedades tradicionais, muitas vezes determinava-se o status com base no conhecimento direto de uma pessoa obtido por meio de interações realizadas pessoalmente em diferentes contextos no decorrer de alguns anos. Contudo, com o aumento nos níveis populacionais, foi ficando cada vez menos possível atribuir um status dessa maneira pessoal.

Weber dizia o status ter passado, gradativamente, a ser expresso através dos modos de vidaou do chamado hoje de estilos de vida. Os símbolos de status de estilos de vida, como moradia e decoração interior, regras de vestuário, maneiras de falar e emprego, ajudam a influenciar a posição social de um indivíduo aos olhos de outras pessoas. Quem compartilha o mesmo status formam então uma comunidade com senso de identidade em comum. Continue reading “Status”

Classe

Anthony Giddens e Philip W. Sutton, no livro Conceitos Essenciais da Sociologia(tradução Claudia Freire. – 1. ed. – São Paulo: Editora Unesp Digital, 2017), definem classe como a posição econômica relativa de grandes grupos sociais, definida em relação à ocupação, posse de propriedades e riqueza ou escolhas de estilo de vida.

É antiga a discordância entre sociólogos sobre classe social, desde o surgimento das diferentes teorias e abordagens de Karl Marx e Max Weber. Para Marx, define-se classe como um grupo de pessoas possuidoras de uma relação comum com os meios de produção– sem delongas, ou são proprietáriosou não proprietários– e os sistemas de classe, portanto, abrangem a maior parte da história humana.

Nas sociedades pré-industriais, as duas principais classes eram

  1. a de proprietários de terras (aristocratas, nobres ou donos de escravos) e
  2. a de trabalhadores na terra (servos, escravos e camponeses livres).

Já nas sociedades capitalistas, fábricas, escritórios, equipamentos e o capital necessário para comprá-los se tornaram mais importantes se comparados à terra. As duas principais classes hoje são:

  1. as de quem possui os novos meios de produção – os capitalistas – e
  2. os que ganham a vida vendendo o potencial de trabalho para aqueles – a classe trabalhadora ou o proletariado.

Também para Weber, classe se baseia em condições econômicas estipuladas de maneira objetiva, porém para ele havia uma série de fatores econômicos tão importantes quanto isso. As divisões de classe resultam não só da propriedade ou ausência dela, mas também de habilidades e qualificações, as quais afetam os tipos de trabalho capazes de serem assumidos pelas pessoas. Continue reading “Classe”