Concentração Bancária não é determinante dos Juros Elevados

O Indicador de Custo do Crédito (ICC) mede o custo médio de todo o crédito do SFN. Ele atingiu 17,2% a.a., declínio de 2,5 p.p. na comparação interanual. No crédito livre não rotativo, o ICC permaneceu estável no mês, 22,6% a.a., e continuou em trajetória de redução na comparação interanual (-2,7 p.p.).

spread geral do ICC situou-se em 12,2 p.p., representando redução de 1,9 p.p. em 12 meses. 

A taxa média de juros das operações contratadas em abril alcançou 20,3% a.a., com redução de 1,2 p.p. em doze meses. O spread geral das taxas das concessões situou-se em 15,0 p.p., com declínio de 2,2 p.p., nos mesmos períodos.    

No crédito livre, a taxa média de juros das concessões atingiu 29,0% a.a., reduzindo-se em 2,3 p.p. na comparação interanual. No crédito às empresas, a taxa de juros atingiu 14,7% a.a., com redução de 1,0 p.p. em 12 meses. No crédito livre às famílias, os juros atingiram 41,0% a.a.. Na comparação interanual, a taxa do crédito livre às famílias apresenta redução de 3,7 p.p.

A inadimplência situou-se em 2,2%, variação de 0,1 p.p., oriunda do segmento de pessoas jurídicas. Nas operações com recursos livres, a inadimplência permaneceu estável em 2,9%, enquanto nas com recursos direcionados, situou-se em 1,2%, com variação de 0,1 p.p., distribuída igualmente nos segmentos de empresas e de famílias.

Alex Ribeiro (Valor, 26/05/21) informa: um trabalho para discussão publicado pelo Banco Central conclui a forte concentração bancária responder por uma pequena fração, de 11%, do alto custo do crédito bancário do Brasil. O maior peso é de outros custos, como impostos, altos juros básicos, maior risco de inadimplência e baixa recuperação de créditos não pagos.

O texto, feito pelo economista Thiago Trafane Oliveira Santos, é mais um na longa coleção de estudos sobre o tema, que vêm apresentando conclusões conflitantes, de acordo com a metodologia empregada por cada um.

High Lending Interest Rates in Brazil: cost or concentration? 
Thiago Trafane Oliveira Santos
Maio/2021  Resumo  Texto completo 

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Número de Bancarizados: Informações Contraditórias

O Banco Central transmite a (falsa) informação das Instituições Financeira sobre o número de seus clientes, mas em outro local de seu site informa haver 179 milhões de CPF ativos, fora 14,3 CNPJ ativos em relacionamentos bancários em 31/12/2020.

No entanto, pesquisa amostral afirma, mesmo com o avanço da digitalização intensificado pela pandemia, ainda existem 34 milhões de brasileiros sem conta bancária ou sem a usar com frequência. Dados de estudo exclusivo do Instituto Locomotiva, referentes a janeiro de 2021, mostram: 10% dos brasileiros não tinham conta em banco (16,3 milhões) em janeiro de 2021, enquanto outros 11% (17,7 milhões) não movimentaram a conta no mês anterior. Isso totaliza 21% do total sem conta em banco ou com pouco uso. Um ano antes, em janeiro de 2020, essa parcela era de 29% do total. Ora, sem dinheiro, como ter conta?!

Essa parcela de 21% dos brasileiros movimenta, por ano, cerca de R$ 347 bilhões, o que corresponde a 8% da massa de rendas no país. [Fonte? Metodologia?] A ampliação do acesso a contas bancárias durante a pandemia ocorreu de forma simultânea à expansão do montante de papel moeda em poder do público, segundo dados do Banco Central.

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Devolução dos Empréstimos Perpétuos dos Bancos Públicos ao Tesouro Nacional: Descapitalização Impeditiva de Alavancagem Financeira

Murillo Camarotto (Valor, 09/04/2021) informa: o nível de ignorância do TCU e demais fiscalistas é abismal! Os contabilistas não conseguem enxergar o futuro adiante, pois só olham pelo retrovisor! Com isso, o país atrasará ainda mais em seu retrocesso já registrado na queda de diversas posições no ranking de PIB. Enquanto o social-desenvolvimentismo não voltar, o neoliberalismo predominante nos pobres-de-espírito só fará mal ao país.

Os cinco bancos federais receberam recursos da União, para capitalização, por meio da emissão direta de títulos públicos como empréstimos perpétuos. Mas agora se comprometeram a devolver R$ 198,8 bilhões ao Tesouro Nacional até o final de 2031.

O cronograma definido recentemente entre o governo e as instituições financeiras prevê uma concentração dos pagamentos nos próximos dois anos, sendo R$ 107 bilhões em 2021 e R$ 60,5 bilhões em 2022. Um novo governo social-desenvolvimentista terá de rasgar esse acordo!

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Adeptos da crítica à “Financeirização” culpam os Suspeitos de Sempre

Jairo Saddi (Valor, 15/03/2021) escreveu mais um lúcido artigo. Ele é parte da minoria ao não se deixar levar pelos equívocos da literatura de “financeirização”, preocupada em satanizar os banqueiros como fossem demoníacos! A má-fé revela apenas ignorância a respeito do papel socioeconômico do sistema bancário.

Dante os inscreveu no sétimo círculo do inferno, Shakespeare propunha acabar com todos eles e até Adam Smith, o pai do liberalismo, considerava que deveria haver tabelamento de juros. Sim, banqueiros sempre foram objeto das mais variadas e vorazes críticas desde os tempos bíblicos.

O recente aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos para compensar a desoneração do diesel e do gás de cozinha, decretada recentemente, não deve ser visto, portanto, como elemento surpresa.

No passado, o próprio Supremo Tribunal Federal decidiu sobre outros aumentos da carga tributária voltados a instituições financeiras e a empresas de seguro e capitalização: o primeiro aumento da alíquota de CSLL, em 2007, ocorreu como uma medida compensatória ao fim da CPMF, a então Medida Provisória 423, convertida na Lei 11.727, que elevou-a de 9% para 15%.

Em 2015, no governo Dilma, a alíquota subiu de 15% para 20%, por meio da MP 615, convertida no mesmo ano na Lei 13.169. Desafiadas no STF, todas elas foram julgadas constitucionais (Ação 5.485). Basicamente, predominou o argumento da capacidade contributiva: paga mais quem pode mais.

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Administração de Recursos de Terceiros: Big-Five X Fintechs

Adriana Cotias (Valor, 11/03/2021) informa: com volumes vultosos em fundos de renda fixa, os grandes bancos têm progressivamente cedido espaço para as gestoras de recursos independentes. No top 5 do setor bancário, Itaú e Bradesco são os que mais têm perdido dinheiro e participação de mercado. Segundo dados da Morningstar, R$ 107,4 bilhões deixaram as duas instituições em 12 meses encerrados em fevereiro.

O Santander atraiu dinheiro novo, mas perdeu market share. Banco do Brasil, líder no ranking, e Caixa também tiveram captação positiva, e algum incremento no bolo – ambos foram o meio para o recebimento do auxílio emergencial e a parcela de seguro desemprego relativa à suspensão de contratos de trabalho e redução de salário durante a pandemia de covid-19.

No conjunto, os cinco maiores bancos tinham no fim de fevereiro 63,74% de market share, ante 66,32% de 12 meses atrás. Em 2019, a fatia dos cinco maiores do varejo bancário era superior a 70%. O bolo das gestoras abaixo desse pelotão de frente passou, consequentemente, de 33,68% para 36,26% entre 2020 e 2021. A base da Morningstar exclui fundos de fundos e os fundos em cotas, que efetivamente vão para a distribuição, considerando apenas a carteira principal (master) para evitar dupla contagem. O filtro é feito na classe de fundos líquidos domésticos, regidos pela instrução 555 da Comissão de Valores Mobiliários.

Ao perceber que o dinheiro rende praticamente nada em aplicações conservadoras, com Selic baixa, custos altos e o ganho real corroído pela inflação, o investidor tem testado alternativas fora dos bancões. Segundos representantes do setor, o comportamento comum é levar parte do dos recursos para as plataformas digitais que na sua grade privilegiam fundos de assets especializadas em carteiras de maior risco. Essa transição tem dado oportunidade para gestoras novatas, com nomes experientes por trás, testar essas oportunidades.

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Origem do QE (Quantitative Easing ou “Afrouxamento Monetário”) pré MMT

Segundo a BBC News (Published 22 October 2013), quando o Reino Unido embarcou na flexibilização quantitativa (QE) em março de 2009, após o colapso do Lehman Brothers, esperava-se o Banco da Inglaterra administrar um estímulo monetário igual a £ 50 bilhões, escreve Liam Halligan.

Nos quatro anos seguintes, essas “medidas extraordinárias” se estenderam um pouco mais, com o programa de compra de títulos do Banco Mundial chegando agora a £ 375 bilhões – quase oito vezes a estimativa original.

Desde o início da crise financeira até 2013, o balanço do Banco da Inglaterra quadruplicou. Mas de onde veio a frase “flexibilização quantitativa”?

Indiscutivelmente entre as políticas econômicas mais polêmicas dos últimos anos, a QE é certamente a mais impronunciável. Poucos analistas ocidentais sabem: esse nome desafiador se originou no Japão, o lar espiritual moderno da impressão de dinheiro.

Menos ainda sabem: o homem responsável por cunhar a frase vem da Alemanha. Ela, de todas as grandes economias ocidentais, tem provavelmente a aversão mais arraigada a imprimir dinheiro.

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Banco Digital das Favelas para Concessão de Microcrédito

Microcrédito no total do crédito às Pessoas Físicas equivale apenas a 0,3%. O BNB [Banco do Nordeste do Brasil] concedeu 89% (R$ 7 bilhões) do saldo em dezembro de 2020 (R$ 7,789 bilhões). Portanto, ele não impacto macroeconômico, mas sim favorece o desenvolvimento local de algumas comunidades. É uma política pública de focalização — e não de universalização.

Para dar certo, o “espírito” do micro empreendedorismo tem de ser despertado com inovação, capital e crédito. No caso das comunidades pobres, em geral, faltam os dois últimos, se não falta o primeiro…

Adriana Cotias (Valor, 22/02/2021) informa: o projeto antigo do coordenador nacional do G10 das Favelas, Gilson Rodrigues, está mais perto de sair do papel, o banco digital G10 Bank. Levar a inclusão financeira para comunidades pobres, com todo um rol de serviços como cartão de crédito, maquininhas de captura de transações, empréstimos e poupança estão entre as linhas de negócio que o grupo envolvido no projeto pretende colocar de pé.

Os trâmites para obter a licença do Banco Central (BC) para atuar como Empresa Simples de Crédito (ESC) estão sendo feitos com o apoio do Focaccia, Amaral e Lamonica Advogados (FAS), um primeiro passo antes de constituir uma Sociedade de Crédito Direto (SCD). A estrutura inicial já permitirá fornecer crédito e conta de pagamento, segundo Paulo Focaccia, sócio do escritório responsável pela área de bancos digitais, fintechs e meios de pagamentos. O plano é estar operacional em quatro a seis meses.

Nesses dois modelos regulados pelo BC, a fintech atua com capital próprio para realizar empréstimos e financiamentos. A ESC tem como alvo microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas, podendo atuar na cidade onde tem sede e em municípios vizinhos. A SCD pode comprar títulos de crédito, como duplicatas ou recebíveis de cartões.

Uma SCD precisa de um capital mínimo de R$ 1 milhão. Rodrigues afirma ter o compromisso de um aporte de R$ 1,8 milhão de empresários e famílias interessadas em investimentos de impacto. Não falta dinheiro, mas procura parceiros para trazer também algum tipo de mentoria.

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Moeda Digital do Banco Central (CBDC)

Gustavo Loyola, doutor em economia pela EPGE/FGV, foi presidente do Banco Central e é sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada, cujo público-alvo é constituído por bancos. Em sua coluna (Valor, 25/01/21), ele alerta contra os riscos do CBDC, a moeda-digital a ser criada (e monopolizada) pelo Banco Central para se contrapor à Libra, bitcoin e demais moedas criadas por O Mercado, evitando a perda da soberania nacional sobre a emissão da moeda no território brasileiro. É o que resta de soberania, pois o outro pilar — monopólio das armas — já era com sua quebra pelos paramilitares milicianos…

“Segundo o presidente do BC, o Brasil poderá ter já em 2022 sua “Moeda Digital do Banco Central” (CBDC, na sigla em inglês). Para tanto, há um grupo de trabalho intergovernamental estudando o tema em suas diversas dimensões. O ministro da Economia, Paulo Guedes, em ocasião posterior também confirmou esse objetivo.

Essas declarações coincidiram com a divulgação, pelo BIS, em outubro último, do relatório preparado conjuntamente pela instituição e por um grupo de bancos centrais, entre eles o ECB, o Fed, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão, no qual se busca estabelecer princípios básicos comuns e características essenciais de uma CBDC. (“Central bank digital currencies: foundational principles and core features”).

Em situações de estresse, moeda digital do BC pode ter consequências desastrosas para a estabilidade financeira

O documento referido tem como alicerce a noção de que a adoção por qualquer jurisdição de uma CBDC deve satisfazer a certos princípios comuns:

(i) a emissão de CBDC não pode comprometer a efetividade da política monetária, nem a estabilidade financeira;

(ii) a moeda digital do BC deve coexistir e complementar as outras formas de dinheiro; e

(iii) a CBDC deve promover a inovação e a eficiência.

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Negócio da “Moda”: “banquetas” têm consistência para serem sustentáveis em longo prazo, dada a concorrência com “bancões”?

Luiz Henrique Mendes (Valor, 20/01/2021) informa: enquanto as redes sociais faziam memes e especulações sobre a lista de participantes do BBB21, o PicPay se preparava para surfar o efeito viral da nova edição do reality show e seus “influencers”.

Com taxa de crescimento de 20% ao mês, quase 40 milhões de usuários e R$ 36,6 bilhões em pagamentos processados no ano passado, a companhia surgiu como ferramenta de pagamentos instantâneos. Ela quer dar tração ao marketplace, vertical incipiente mas já fazendo um número de transações importante.

No ano passado, foram 25 milhões de transações no marketplace do PicPay. Ele é forte na venda de créditos para games e vai entrar em áreas como eletrônicos e produtos de beleza. O Banco Inter conta com uma elogiada estratégia nessa área, mas fez “só” 9,5 milhões de transações em 2020. As receitas transacionadas no marketplace do Inter são bem maiores, da ordem de R$ 1,2 bilhão. O PicPay não abre esse dado para demonstrar ele ser rentável e sustentável.

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Pesquisa sobre bancos digitais no Brasil: entendendo o cliente dos neobancos

Talita Moreira (Valor, 08/01/2021) informa: pesquisa feita pelo Credit Suisse em parceria com o Gerson Lehman Group (GLG) — “Brazil Digital Banking Survey: Understanding the ‘neobank’ customer” — confronta a percepção de que os “neobancos” representam uma ameaça implacável aos bancos tradicionais. O Brasil tem 60 milhões de clientes de bancos digitais, mas, de acordo com o estudo, a grande maioria deles (87%) também possui conta em uma instituição financeira convencional e pretende manter as duas.

O Nubank é, de longe, o maior neobanco do país, com 33 milhões de contas. Em seguida, vêm o Inter, com 8 milhões, e o Next, do Bradesco, que contabiliza 3,5 milhões de usuários. Os clientes dos bancos digitais são tipicamente jovens, 70% têm renda mensal inferior a R$ 5 mil, e veem na gratuidade dos serviços o principal atrativo dessas instituições.

A pesquisa ouviu, em dezembro, mil clientes de 15 bancos digitais no Brasil e tem margem de erro de 3,1%, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi feito com o objetivo de traçar um perfil dos clientes desses novos competidores.

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Crédito para Desesperados

A demanda de crédito da população de baixa renda aumentou de setembro em diante, num movimento simultâneo à redução do valor pago pelo governo no auxílio emergencial.

A Serasa Experian detectou essa tendência já em setembro e ela se repetiu em outubro de 2020. A procura por crédito aumentou 4,5% no mês passado, impulsionada por pessoas com renda até R$ 2 mil por mês. O maior crescimento, de 4,8%, veio de brasileiros com renda mensal de até R$ 500.

O birô de crédito atrela esse fenômeno à necessidade dos consumidores de buscar recursos para honrar compromissos financeiros quando o benefício recebido do governo foi reduzido à metade. Com o desemprego ainda elevado e a recuperação da economia incompleta, uma parcela dos beneficiários teve de recorrer a outras fontes para fazer as contas fecharem. “Não é uma demanda ligada a consumo, mas à necessidade de honrar compromissos financeiros”, afirma Luiz Rabi, economista da Serasa.

Bancos, cooperativas, fintechs e financeiras atendem o público de renda mais baixa. Em alguns, o movimento é perceptível. Em outros, nem tanto ou pelo menos não é tão clara a relação com a queda no auxílio.

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