Estagdesigualdade

Estagflação é uma junção de palavras para expressar o fenômeno da estagnação (aumento da taxa de desemprego) combinado com inflação (aumento contínuo de preços). Em contrapartida, a contínua prioridade ao combate desta agrava aquela e concentra riqueza financeira, elevando a desigualdade social.

Uma teoria foi desenvolvida pelo economista A. W. Phillips em um trabalho econométrico referente à economia do Reino Unido entre 1861 e 1957. Ficou conhecida como a “curva de Phillips” a ideia de a inflação e o desemprego relacionarem-se de maneira inversa. Sendo assim, com o aumento de um deve exigir a diminuição do outro.

Por se tratar de uma relação inversa entre os dois indicadores, a curva de Phillips é representada em uma forma côncava. Em Macroeconomia, ele expressa a relação de trade-off (escolha) por parte dos policy-makers entre inflação e desemprego.

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Nobel de Economia em 2022: Estudos de Crises Bancárias

Nobel de Economia 2022

O Riksbank, banco central da Suécia, às vezes é acusado, meio que de brincadeira, de conceder o prêmio Nobel em memória à pesquisa econômica décadas depois de a pesquisa em questão ter feito alguma diferença. Alguém poderia ser perdoado por desejar que a acusação fosse verdadeira hoje.

O trabalho homenageado pelo prêmio de 2022 – corridas a instituições financeiras, os danos que elas causam e como evitá-las – permanece deprimentemente oportuno.

Os laureados – o ex-presidente do Federal Reserve Ben Bernanke e os professores de economia Douglas Diamond e Philip Dybvig – demonstraram o papel fundamental que os bancos desempenham na economia e acima de tudo o papel que desempenham quando as coisas dão errado.

O modelo Diamond-Dybvig, um marco no ensino de economia desde quando foi desenvolvido nos anos 80, esclarece como os bancos fazem a intermediação entre os correntistas que desejam acesso imediato às suas economias e as empresas que necessitam de financiamento de investimento de longo prazo.

O modelo estabelece como e por que os bancos são, portanto, vulneráveis às corridas aos depósitos e estabelece o argumento central para o seguro de depósitos do governo.

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Digitalização da Moeda

A digitalização financeira iniciada na década passada acelerou na pandemia com a massificação de meios eletrônicos e tecnologias como pagamento instantâneo, por aproximação ou em comércio eletrônico. O Pix é a melhor tradução. Em menos de dois anos, movimentou R$ 10 trilhões, com 478 milhões de chaves cadastradas. “É o melhor exemplo da desmaterialização do dinheiro”, diz Bruno Magrani, presidente da Zetta, associação que congrega empresas de serviços financeiros digitais.

Simplicidade e gratuidade do uso foram chaves do sucesso. Outro empurrão foi a inserção de 38 milhões de pessoas no mercado financeiro com o auxílio emergencial pelo aplicativo Caixa Tem. O sistema de cartão de débito virtual desenvolvido com base em QR code, em parceria com a Elo, permitiu pagar contas e compras sem contato, custo do plástico ou necessidade de celulares sofisticados, diz Luciana Bassani, superintendente nacional de estratégia cartões da Caixa.

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Bancarização

Cerca de um terço dos adultos em todo o mundo, ou 1,7 bilhão de pessoas, não tem conta corrente, de acordo com estudo da consultoria global Capco. No Brasil, a parcela de usuários fora do setor bancário caiu de 30%, em 2017, para 16% em 2021. Para acelerar esse ritmo, segundo a análise, as fintechs podem funcionar como portas de entrada no sistema financeiro.

“A digitalização [dos serviços] é fator chave para a inclusão financeira no Brasil, principalmente por conta da extensão territorial, que limita a quantidade de agências bancárias para atendimento”, diz Aline Lemos, consultora da Capco Brasil. “Ao mesmo tempo, temos em média dois celulares para cada brasileiro e os bancos digitais já alcançaram boa parte do público.”

O ano de 2021 terminou com 18.302 agências no país, 2.351 a menos do que o registrado no início de 2020, conforme dados do Banco Central. Números da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de junho de 2022 mostram que o Brasil acumula 259 milhões de celulares, uma densidade de 120,6 aparelhos por cem habitantes. “Essa estrutura digital também torna o serviço financeiro mais barato”, lembra.

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Moeda Abstrata ou Dinheiro do Futuro

Martha Funke (Valor, 26/08/22) avalia: o dinheiro do futuro será múltiplo, mais abstrato, com bases diversificadas, digitais e sem fronteiras. Papel moeda, cartões e suas representações não desaparecerão do dia para a noite, mas pagamentos poderão ser feitos por presença física ou virtual (via um avatar, por exemplo), com suporte de inteligência artificial para transferir valores mediante um contexto ou comportamento, como entrar em um ambiente ou abrir uma latinha de cerveja.

Mesmo pagamentos eletrônicos por cartões de crédito, débito ou Pix verão pela frente carteiras digitais com respaldo automático do saldo em conta-corrente, perfil de crédito e ativos como parcela de uma safra de grãos, pedacinhos de debêntures, moedas digitais ou aluguel recebido por contrato inteligente, entre outras possibilidades que o mundo digital já desenha para ancorar trocas.

“O dinheiro será mais acessível, barato e instantâneo”, diz Armando Castelar, do FGV- IBRE. Um exemplo é o Pix, fluido e sem burocracia. Sistemas deste tipo ainda são limitados por fronteiras, mas poderiam ultrapassá-las com políticas econômicas e acordos de governança monetária mundial. “Nossa vida digital já é global e instantânea, a financeira, não”, compara André Portilho, do BTG Pactual.

A base tecnológica já existe. Nasceu com a criptomoeda, com rede segura, inalterável e criptografada, como uma enorme planilha com as transações realizadas. Por ser descentralizada, ganhou o nome de tecnologia de registro distribuído (DLT, em inglês) ou cadeia de blocos (blockchain). A representação digital do ativo inscrito nestas redes, o token, é suportada por contratos inteligentes (smart contracts), regras para executar transações automaticamente sem intermediação, como pagamento e confirmação de recebimento de um valor para entrega de um bem. No mundo analógico, um exemplo são máquinas de refrigerantes, programadas para receber valores e dispensar produtos e troco.

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Empréstimo Consignado para Compra de Votos com Endividamento de Vulneráveis

Em vez de gerar emprego e renda, durante seu desgoverno, na vã tentativa de reeleição, uma das apostas do presidente capetão (PL) é comprar votos do eleitorado de baixa renda, via oferta de crédito consignado para beneficiários do Auxílio Brasil. Os vulneráveis pagarão para votar nele?!

Essa medida eleitoreira é rejeitada pelos maiores bancos privados do país e encontra resistência dentro do próprio governo federal. Até o momento, mesmo as instituições financeiras de médio porte, mais dependentes dos empréstimos com desconto em folha, tendem a não operar a modalidade.

Nas últimas semanas, bancos como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander afirmaram que não vão operar a linha, pois consideram que o público-alvo do Auxílio Brasil é composto por vulneráveis. Haveria riscos potenciais ao negócio e danos de imagem.

Guilherme Pimenta, Álvaro Campos e Estevão Taiar (Valor, 22/08/22) apuraram a rejeição pública por parte dessas instituições preocupou o governo, que agora vê um alcance menor da medida. Ainda assim, não há, por enquanto, intenção de adiar o lançamento do crédito, previsto para o início de setembro a tempo de tirar proveito na vã tentativa do genocida ser reeleito.

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Compra de Votos é Crime Eleitoral!

Na véspera da eleição, o governo federal publicou no Diário Oficial da União o decreto que regulamenta a oferta de crédito consignado a beneficiários do Auxílio Brasil, modalidade que tem sido criticada pelos maiores bancos privados do país. Apesar da publicação do decreto, a concessão do crédito ainda depende de normas do Ministério da Cidadania para ser liberada.

Medida Provisória assinada por Bolsonaro permitiu beneficiários do Auxílio Brasil comprometam até 40% do valor do benefício, agora de R$ 600 até o fim deste ano, para empréstimos.

Segundo o texto do decreto, o Ministério da Cidadania poderá reduzir, em ato próprio, o limite de 40% estabelecido em lei. O texto também estabelece que o beneficiário poderá ter mais de um desconto relativo a empréstimo ou financiamento, desde que não seja superior ao limite previsto em lei, observado, no momento da contratação, o comprometimento desse percentual.

“É requisito obrigatório para a obtenção de empréstimo consignado em folha de pagamento do Programa Auxílio Brasil, dentre outros programas estabelecidos em lei ou disciplinados em ato do Ministro de Estado da Cidadania, que o interessado possua número de inscrição no CPF válido, identificado como em situação regular na base de informações do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal – CadÚnico”, explica o decreto.

Caso o valor do consignado contratado ultrapasse o limite previsto, de forma isolada ou combinada com contratações anteriores, o decreto estabelece que serão descontadas prioritariamente as parcelas relativas aos contratos mais antigos. Caberá ao Ministério da Cidadania repassar o valor descontado à instituição financeira.

No comunicado, o governo afirmou que o decreto traz “dispositivos que buscam aliar a facilidade de acesso ao crédito com a mitigação de riscos de superendividamento”.

“A responsabilidade pelo pagamento dos empréstimos e dos financiamentos será direta e exclusiva do beneficiário e a União não será responsabilizada, ainda que subsidiariamente, em qualquer hipótese”, aponta o texto publicado hoje no Diário Oficial da União. O decreto não faz nenhuma menção à palavra “juros”.

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Consequências Sociais da Digitalização do Dinheiro

Amália Safatle (Valor, 22/07/22) avalia: nas ruas, os efeitos da digitalização financeira sobre as camadas mais vulneráveis da população. Mas revela números comprovantes da percepção.

No Brasil, o uso do dinheiro vivo resiste entre as classes mais baixas. Segundo pesquisa realizada pelo Locomotiva, o papel-moeda permanece como a forma mais utilizada para pagar as contas de consumo (como água, luz, aluguel) nas classes D e E, com 72% das preferências. O principal motivo é ter maior controle financeiro sobre o dinheiro, mas também pesa o medo de ser taxado pelos bancos. Segundo o levantamento, 45% dos bancarizados afirmam sacar de uma vez tudo recebido para fugir das tarifas.

Quando cada vez mais a parcela da população com poder aquisitivo opta por andar com pouco ou nenhum dinheiro no bolso, o que acontece com a base da pirâmide? A pandemia, ao fazer o governo distribuir auxílios, colaborou para que parte dessa população entrasse de alguma maneira no sistema bancário, mas ainda há obstáculos.

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Endividamento Pessoal: Recorde de Negativados com Dívida em Atraso

Sérgio Tauhata (Valor, 11/07/22) informa: a quantidade de brasileiros com dívidas atrasadas caminha para patamares recordes nos próximos trimestres. Embora o número de pessoas que têm falhado em pagar contas ou parcelas já tenha atingido o maior nível da história no primeiro semestre, essa medida vai continuar a subir e pode atingir um pico só em 2023.

O cenário tem sido fortemente influenciado pelas condições macroeconômicas, com inflação elevada e juros em dois dígitos. A combinação desses fatores leva a uma redução do poder de compra e da renda dos trabalhadores, ao mesmo tempo que torna as dívidas mais caras.

Segundo o sócio-diretor da holding MGC, especializada em recuperação de crédito, Eduardo Martins, “2022 já bateu o recorde de volume de carteiras [de dívidas inadimplentes] transacionadas no mercado e, em apenas meio ano, já passamos do volume inteiro de 2021”. O segundo semestre, avalia o especialista, tende a manter o ritmo de crescimento, com “a chegada ao mercado de carteiras [de crédito com atraso] muitos grandes”.

Uma pesquisa da MGC mostra que, em abril, o equivalente a 97% da população economicamente ativa do país tinha algum tipo de inadimplência. O levantamento combina dados públicos da Serasa Experian, que consideram apenas dívidas vencidas com até cinco anos, com os da própria gestora, que detém uma base de 37,7 milhões de CPFs, dos quais 27,5 milhões exibem atrasos acima do teto do birô de crédito e ficam de fora do conjunto dos negativados.

Conforme o estudo, o saldo das bases contratuais desse grupo, que soma 93,5 milhões de CPFs, alcança R$ 897,8 bilhões. Com juros e mora, o valor total da dívida atrasada dos brasileiros passa de R$ 1 trilhão.

No boletim mais recente da Serasa, de abril, a quantidade de pessoas físicas com parcelas não pagas atingiu o recorde da série histórica, que começa em 2016, com 66,1 milhões de CPFs negativados. “O número nunca tinha passado dos 66 milhões e ocorreu pela primeira vez em abril”, pontua o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi. A má notícia é que essa quantidade vai continuar a crescer.

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Falta de Confiança em Criptomoeda: Prudência quanto a Ativo Especulativo

Ricardo Bonfim (Valor, 11/07/22) informa: bitcoin, ethereum e outras criptomoedas somam bilhões de dólares em valor de mercado – apesar da forte queda recente – e são considerados os pilares de novas tecnologias como web 3.0 e metaverso. No entanto, esses ativos, apesar de serem chamados de moedas digitais, ainda patinam em um ponto básico de todas as moedas: funcionar como meio de troca, ou seja, de pagamento.

Um estudo da FIS revelou que 34% das pessoas da geração Z (entre 18 e 24 anos) têm interesse em um dia adotar criptomoedas como meio de pagamento, assim como 40% dos millenials (entre 25 e 40 anos). Globalmente, no entanto, só 5% das pessoas já usaram realmente criptomoedas para pagarem por algum bem ou serviço, aponta a pesquisa.

O gap geracional também fica evidente no estudo, uma vez que apenas 11% dos boomers (mais de 57 anos) demonstraram interesse na utilização de criptomoedas. A pesquisa entrevistou 4 mil consumidores entre julho e agosto de 2021 em cinco países: Austrália, Brasil, Cingapura, Estados Unidos e Reino Unido.

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Maiores Bancos do Mundo e Maiores Bancos da América Latina

Álvaro Campos (Valor, 04/07/22) informa: os principais bancos do mundo saíram mais fortes depois do distanciamento social provocado pela pandemia, apesar do baque inicial causado por ela. No fim de 2021, pela primeira vez as mil maiores instituições financeiras globais ultrapassaram a marca de US$ 10 trilhões em capital de nível 1, de melhor qualidade, composto por ações, reservas de lucros e resultados acumulados. É o que mostra uma pesquisa da publicação especializada “The Banker”.

os bancos estão mais capitalizados do que nunca, o que é um importante sinal de solidez do sistema financeiro num momento em que se discute a possibilidade de uma recessão global. As pesadas medidas de estímulos monetário e fiscal adotadas por bancos centrais e governos e a reação rápida das instituições financeiras ao oferecer pausas nos pagamentos e renegociar as dívidas dos clientes ajudaram. A fotografia também é resultado do aumento na exigência de capital regulatório que se adotou após a crise financeira de 2008.

O reforço no capital, agora, ajudará as instituições a atravessar um outro momento. Com a redução dos estímulos, inflação e juros nos maiores níveis em décadas, guerra na Ucrânia e eleições – no caso do Brasil -, o setor bancário está diante de um cenário que impõe desafios de outra natureza.

Joy Macknight, editora da “The Banker”, afirma que os lucros dos bancos tiveram uma recuperação em 2021, com o resultado agregado antes de impostos atingindo um recorde de US$ 1,44 trilhão. Trata-se de um aumento de 53,7% em relação ao ano anterior, e isso após uma queda anual de 19,2% registrada em 2020. Grande parte dessa melhora pode ser atribuída a uma redução ou reversão das provisões para devedores duvidosos (PDD) do ano anterior, já que os calotes esperados por causa da pandemia não se materializaram.

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Correlação Causal entre Juros

Correlação é a relação estatística entre duas variáveis, mas nem sempre implica em causalidade. Remete a uma falácia lógica, denominada cum hoc ergo propter hoc, do latim, “com isto, logo por causa disto”.

Há a possibilidade de haver uma causa em comum para ambas, ou seja, as duas variáveis em questão não terem nenhuma relação de causa, e a sua aparente conexão ser só uma coincidência. Em função de um terceiro elemento, é chamada de “correlação espúria”.

Uma variação comum é a falácia post hoc ergo propter hoc (depois disto, logo por causa disto). Muito comum no jornalismo superficial, a relação causal é presumida porque simplesmente uma coisa acontece antes de outra coisa, daí se deduz equivocadamente a segunda coisa só pode ter sido causada pela primeira.

As Notas para a Imprensa, divulgadas mensalmente pelo Banco Central do Brasil, apresentam a evolução das Estatísticas Monetárias e de Crédito. Elaborei uma tabela síntese (veja acima) onde se observa uma correlação entre a taxa de juro do crédito rotativo, isto é, um empréstimo de emergência concedido por um mês ao comprador com cartão de crédito inadimplente no pagamento da fatura, e o Índice do Custo do Crédito para Pessoas Físicas.

Esta é a taxa de juro média ponderada de todas as operações de crédito com as Pessoas Físicas. No fim de 2021, a únicas exageradas eram a do cheque especial (128% aa) e as dos cartões de crédito: rotativo (350% aa) e parcelado (159% aa). As demais eram mais “civilizadas”.

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