Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões no Brasil

O Banco Central (BC) publicou, no dia 10/07/17, as Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões no Brasil, referentes a 2016. Esses dados, divulgados anualmente, compilam informações enviadas pelos diversos participantes do mercado. São divulgados números referentes ao uso dos instrumentos de pagamento no país, ao mercado de cartões de pagamento e aos canais de acesso a transações bancárias.

No final de 2016, 148,9 milhões de cartões de crédito tinham sido emitidos, mas 83,5 milhões estavam ativos, ou seja, 56% de ativação. Já cartões de débito 318,4 milhões tinham sido emitidos e 101,3 milhões estavam ativos (31,8% de ativação), que é uma boa proxy para o número de contas correntes ativas no País. É próximo da PEA – População Economicamente Ativa.

Logo, a bancarização atingiu a primeira etapa, em termos de público-alvo, para configurar uma clientela  bancária expressiva. Resta atender toda a PIA – População em Idade Ativa, alcançando inclusive estudantes acima de 15 anos, para o País ter plena cidadania financeira com acesso popular a banco e crédito. Continue reading “Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões no Brasil”

Fintechs

Naiara Bertão (Exame, 20/06/17) avalia que, para empreendedores à caça de consumidores insatisfeitos, os bancos criaram um gigantesco mercado. Dependendo da pesquisa que se olhe, de 40% a 80% dos consumidores dizem não gostar dos bancos em que têm conta, por diferentes razões.

Um levantamento da consultoria EY, feito com 55.000 clientes bancários de 32 países, mostra que apenas um quarto deles acredita que os gerentes dão conselhos imparciais sobre produtos financeiros. De acordo com a consultoria Scratch, sete em cada dez jovens americanos preferem ir ao dentista a encarar uma conversa com o gerente da agência. A aversão aos bancos se deve, em parte, ao fato de que ser cliente deles não é uma escolha, mas uma obrigação para qualquer cidadão comum que precise pagar contas, receber e transferir dinheiro etc.

Mas virar cliente pode ser uma experiência desagradável: é preciso ir a uma agência, aguardar na fila, levar uma série de documentos, esperar o envio de outros documentos para ser assinados, cadastrar senhas com dez dígitos alfanuméricos e — só então — começar a pagar 30, 50, 80 reais de tarifa todos os meses. É verdade que clientes que têm dinheiro investido no banco recebem descontos e outras vantagens.

Mas aí surge outro problema: os bancos não têm tantas boas opções de investimento assim. Nada disso é exclusividade do Brasil: no mundo todo, os bancos exigem documentos e senhas, e fazem isso por uma necessária preocupação com a segurança. Cobrar por produtos e serviços também é, ou deveria ser, algo normal.

O problema para os bancos é que a maioria dos clientes acha que paga muito e recebe pouco. Se “disrupção” é o termo da moda, o setor bancário era um que estava maduro para ser virado de pernas para o ar. Nesse ambiente, surgiram as fintechs, startups especializadas em finanças que estão protagonizando a maior transformação do mercado financeiro em décadas. Continue reading “Fintechs”

Mobile Banking X Fintech

Felipe Datt (Valor,22/06/17) informa que o mobile banking já é, oficialmente, o canal preferido do brasileiro para realizar transações bancárias. Conforme a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2017, no último ano o canal respondeu por 34% do total de transações da indústria, ultrapassando o internet banking (23%) pela primeira vez. O crescimento é notável. Em 2013, o mobile respondia por 4% das transações, perdendo da máquinas de atendimento automático (ATMs) e das agências.

O que impressiona é a velocidade da mudança. A métrica de sucesso de um aplicativo não é mais atingir 100 mil downloads, mas milhares. O Bradesco contabiliza 10 milhões de usuários no mobile banking e o Banco do Brasil, 11,7 milhões de usuários do mobile. O Santander, quatro milhões de usuários do aplicativo. O Itaú possui sete milhões de usuários cadastrados no mobile banking.

Desde março de 2014, o acesso ao app do Bradesco não consome o plano de dados. O uso do app do Santander também não consome dados desde abril deste ano. Já o Itaú lançou em dezembro de 2016 uma versão light do seu aplicativo.

A curva de adesão é mais acelerada do que a verificada em internet banking, há quase duas décadas. Um dos fatores é que, para boa parte da população, o smartphone é a porta de entrada no universo digital. Outro fator é comportamental. Há duas décadas, houve um esforço enorme para convencer o cliente a usar o banco pela internet. Hoje, essa demanda ocorre de fora para dentro. No mobile banking, tem de se entregar uma boa experiência para o cliente. Do contrário, ele abandona e não compra. Continue reading “Mobile Banking X Fintech”

Mobile Banking: “Sistema Bancário Moderno é um conjunto de Sistemas de Informações”

A Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2017 (clique para download), realizada pela Deloitte em parceria com a Federação Brasileira de Bancos, mostra que o mobile banking consolidou-se definitivamente como o canal preferido dos brasileiros, tendo sido responsável por 21,9 bilhões das transações bancárias realizadas em 2016 – um crescimento de 96% em relação ao ano anterior.

Em termos de participação, o mobile lidera com 34% do total das operações, um aumento de 14 pontos percentuais, seguido pelo internet banking (23%). Considerando-se apenas as transações com movimentação financeira, o salto foi ainda mais representativo: 140%, passando de 500 milhões, em 2015, para 1,2 bilhão. Em termos de evolução histórica, o volume quadruplicou nos últimos três anos.

Em 2016, os investimentos e as despesas em TI dos bancos participantes somaram R$ 18,6 bilhões. Desse total, 45% destinaram-se ao desenvolvimento de software, 35% ao hardware, 19% Telecom e 1% a outras tecnologias – mesma tendência apontada nos estudos anteriores.

A pesquisa contou com a participação de 17 instituições financeiras, que representam 91% dos ativos dessa indústria no Brasil.

Aberração do Depósito Compulsório no Brasil por Ricardo Bergamini

Recebi solicitação de comentários por parte de minha amiga Ceci Juruá a respeito se estão corretas as afirmações abaixo do Prof. Bergamini. O depósito compulsório tão elevado é para evitar o excesso de liquidez?

Dado o didatismo do post do Prof. Bergamini, eu o reproduzo abaixo, para depois tecer meus comentários. Continue reading “Aberração do Depósito Compulsório no Brasil por Ricardo Bergamini”

Desempenho e Ranking dos Bancos

Silvia Rosa (Valor, 25/04/17) informa que, com US$ 438 bilhões em ativos, o Itaú Unibanco ultrapassou o Banco de Brasil e assumiu a primeira posição no ranking dos 50 maiores bancos da América Latina, por ativos, ao fim de 2016, segundo levantamento da S&P Global Market Intelligence.

Um dos motivos da ascensão foi a fusão da unidade do Itaú no Chile com o CorpBanca, no segundo trimestre do ano passado, o que fortaleceu a sua carteira total de crédito. Além disso, as posições de ambos os bancos foram garantidas por uma forte recuperação do real, que subiu 21,7% ante o dólar em 2016.

Em moeda local, o crescimento total de ativos do Itaú e do Banco do Brasil no fim do exercício de 2016 foi de 4,9% e 0,02%, respectivamente. Mas quando convertidos em dólar, pela taxa do fim do período, o crescimento de ativos apresentado é de 27,6% e 21,7%.

O real mais forte ajudou também outros bancos a figurar no ranking dos 50 maiores da América Latina, colocando 12 instituições brasileiras na lista, incluindo os cinco primeiros lugares. No período anterior, dez bancos brasileiros haviam entrado no ranking. Continue reading “Desempenho e Ranking dos Bancos”

Queda nas Concessões de Crédito Imobiliário

Sílvia Rosa (Valor, 31/05/17) informa que os dados mostram queda nas concessões de crédito imobiliário. As concessões de crédito imobiliário para pessoa física com recursos direcionados da poupança e FGTS registram queda de 0,2% no ano até abril em relação ao mesmo período de 2016 e de 8% no acumulado de 12 meses. No mês de abril, as concessões somaram R$ 6,303 bilhões, recuo de 8,7% em relação a março.

Uma medida anunciada pelo Banco Central (BC) acaba com a exigibilidade adicional de 5,5% sobre o depósito compulsório da caderneta de poupança. É mais um incentivo ao mercado de crédito imobiliário: do total de R$ 13 bilhões que serão liberados com a medida, cerca de R$ 6 bilhões devem ser direcionados para o segmento.

Esse volume, no entanto, representa apenas 1,1% do estoque de crédito imobiliário para pessoas físicas com recursos direcionados, que somava R$ 545,092 bilhões em abril de 2017, crescimento de 0,5% em relação a março e de 7% em 12 meses.

Somente a Caixa Econômica Federal, que detém 67,5% do mercado de crédito imobiliário, registrou crescimento de 22,5% no volume de contratações de crédito imobiliário no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Se esse ritmo for mantido, a demanda deve superar o orçamento de R$ 84 bilhões para este ano do banco, que pode precisar de novos repasses por parte do governo. Se continuar nesse ritmo, deve fechar o ano entre R$ 90 bilhões e R$ 100 bilhões em novas contratações. A demanda por empréstimos em 2017 está maior que em 2016. Continue reading “Queda nas Concessões de Crédito Imobiliário”