Flash Crash de 2010

Nick Bostrom, no livro “Superinteligência: Caminhos, perigos, estratégias”, narra: na tarde do dia 6 de maio de 2010, os mercados de ações dos Estados Unidos já apresentavam uma queda de 4% em virtude da preocupação com a crise de endividamento europeia.

Às 14h32, um grande vendedor (um conglomerado de fundos de investimento) iniciou um algoritmo de venda para liquidar um grande número de contratos futuros E-Mini S&P 500 a uma taxa de venda relacionada à liquidez medida minuto-a-minuto na transação.

Esses contratos foram comprados por algoritmos de negociação de alta frequência programados para eliminar rapidamente suas posições longas temporárias, vendendo os contratos para outros negociadores.

Com uma fraca demanda por parte de compradores fundamentais, os algoritmos de negociação começaram a vender E-Minis principalmente para outros algoritmos de negociação, criando um efeito de “batata quente”. Ele elevou o volume das negociações e isso foi interpretado pelo algoritmo de venda como um indicador de alta liquidez, induzindo o aumento da taxa com a qual os contratos E-Mini eram colocados no mercado, elevando a tendência de queda.

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Rendimentos de Fundos de Previdência Privada

Gustavo Ferreira (Valor Investe, e você contratou um dos dez maiores fundos de previdência privada do Brasil administrados por EAPC (Entidades Abertas de Previdência Complementar) e está feliz com o retorno, das duas uma:

  1. ou está desinformado,
  2. ou gosta de perder dinheiro.

Pode ler a respeito no Valor Investe – clicar aqui para conferir: os dez fundos de previdência privada com maior patrimônio acumulado no Brasil rendem abaixo do CDI, indicador referente à taxa de juros básica.

Por acompanhar a Selic, a taxa CDI é considerada “livre de risco”. É um piso aceitável de retorno para qualquer aplicação: investimentos rendendo abaixo dela garantem menos retorno se comparadas às aplicações mais básicas oferecidas pelo mercado, como os títulos Tesouro Selic do Tesouro Direto. Mas não têm maior liquidez, i.é, facilidade de resgate?

Além disso, PGBL tem uma “curva de impostos”, declinando 5 pontos percentuais de 2 em 2 anos até o piso de 10% no décimo ano. E o incentivo fiscal de investir até 12% da renda bruta é anual.

Mas quem investe em previdência privada pode conseguir com ela retornos acima do CDI se quiser sofrer mais risco.

O Valor Investe levantou os 30 fundos de previdência com os maiores rendimentos do Brasil no período de 12 meses (o que não significa serem os melhores disponíveis, mas apenas render acima do CDI). Veja a lista abaixo, mas avalie o risco de cada qual e sua liquidez em termos de prazo para resgate: Continuar a ler

Taxa de Juros Real Negativa e Aposta em Bolha de Ações inflada pelo Regime de Capitalização

O nível negativo (taxa de juro nominal abaixo da taxa de inflação) da taxa de juro real impulsiona investidores saírem da renda fixa com risco soberano para investirem em renda variável com alto risco. Se houver um choque de demanda por ativos, no caso, ações, para atender às carteiras dos Fundos de Previdência Privada Complementar, os especuladores ganharão em curto prazo. Depois do estouro da bolha artificial, os futuros aposentados não terão recursos para custear suas necessidades básicas, tal com no Chile dos Chicago’s Boys.

Adriana Cotias (Valor, 02/05/19) informa: a bolsa despontou como um dos ativos de melhor desempenho em abril de 2019 dentre as aplicações financeiras. Os estrategistas de investimentos ainda acreditam: quem partir para a diversificação com uma parcela da carteira em ações será premiado.

Porém, não é hora de colocar todas as fichas nesse tipo de risco porque até a reforma da Previdência ser aprovada com Regime de Capitalização substituindo o Regime de Repartição, para os trabalhadores de renda superior ao teto do INSS, é de se esperar muito vaivém de cotações. A recomendação é tomar o mesmo passo dos gestores profissionais e deixar um pouco mais dinheiro em caixa, ou seja, em aplicações atreladas ao CDI ou à Selic, para aproveitar eventuais oportunidades. Continuar a ler

Carência de Educação Financeira dos Investidores e Sorte de Iniciante

Sorte do Iniciante é o viés heurístico de quem aprende as coisas por si só, através de tentativa e erro. Faz uma associação (falsa) a êxitos anteriores, projetando a permanência de êxitos no futuro. Os primeiros lucros dão motivação para o iniciante mais investir. Obviamente, esse êxito nada tem a ver com sua capacidade individual, mas sim por entrar em ciclo de alta.

Júlia Moura (FSP, 09/05/19) informa: a Bolsa de Valores brasileira atingiu 1.046.244 de investidores pessoa física em abril de 2019. O Tesouro Direto também superou a marca de 1 milhão, com 1.006.547 investidores no mês.

Confira o histórico de perfil dos investidores pessoas físicas de Abril de 2019.

O cálculo é feito por meio dos CPFs cadastrados em corretoras. Dentre 1 milhão de investidores em Bolsa, 5% são CPFs duplicados, ou seja, investidores com conta em mais de uma corretora.

Os números, anunciados pela B3, seguem a especulação com retroalimentação de elevação de cotações por causa da predominância da compra de ações, visando antecipar o inflar de uma bolha com a implantação obrigatória de um regime de capitalização na reforma da previdência do “banqueiro de negócios”. O Chile é aqui!

Em março de 2019, o Ibovespa, maior índice acionário do país, chegou alcançar 100 mil pontos ao longo do dia, mas encerrou pouco abaixo, com 99.993 pontos.

Com a queda do juro básico de referência (SELIC/CDI), indexador da renda fixa, para o menor patamar histórico, segue a tendência dos últimos anos. Ao fim de 2017, eram 619 mil investidores. Em 2018, o número saltou para 813 mil.

A aceleração se deve aos ganhos da Bolsa brasileira no período. A partir de 2016, o Ibovespa teve ganhos expressivos. A valorização dos papéis listados — preço por ação multiplicado pela quantidade de ações que compõem o índice — saltou de 43 para 60 mil pontos de 2015 para 2016, uma alta de 39% após recessão econômica e turbulências políticas.

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Queda das Emissões Domésticas em 2019

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Em 2014, fim da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014), o total de financiamento empresarial foi R$ 336,6 bilhões, sendo R$ 148,8 bilhões em emissões de debêntures e ações. Em 2018, o total baixou para R$ 281,4 bilhões, mas essas emissões atingiram R$ 212,1 bilhões, ou seja, o aumento de R$ 63,3 bilhões nessas emissões no mercado de capitais não compensou a queda de R$ 118,5 bilhões nos financiamentos do BNDES.

Em abril de 2019, segundo a ANBIMA, as emissões no mercado de capitais doméstico (sem contar com as demais ofertas públicas ainda não encerradas) registraram um volume de R$ 9,0 bilhões, 55% abaixo do mês anterior. O resultado acumulado em 2019 foi de R$ 60,7 bilhões contra R$ 74,0 bilhões do mesmo período do ano passado, o equivalente às 180 operações contra 265 do ano anterior.

As debêntures registraram em abril um volume de R$ 4,7 bilhão, 59% abaixo do volume emitido em março. O total das emissões deste ativo no ano foi de R$ 29,1 bilhões contra R$ 46,2 bilhões do mesmo período de 2019, o que corresponde à uma queda de 37,0%.

Todos os papéis foram colocados através de sete emissões pela Instrução nº 476, sendo a de maior volume referente à uma emissão do segmento de transporte e logística (R$ 1,4 bilhões), três de energia elétrica (R$ 1,7 bilhão) e as restantes referentes à   Educação, Financeiro e Comunicação. Não houve registro de colocação de debênture incentivada, emitida através da Lei n° 12.431. Continuar a ler

Mercado de Debêntures: Substituição do BNDES?

Partindo da premissa muito otimista de a economia brasileira crescer 2,5% a.a. nos próximos 12 anos, o impacto sobre a base atual de ativos seria de um crescimento anual médio de 6,4% para o período de 2019 a 2030. Esse aumento da base viria acompanhado de uma mudança na composição das carteiras dos investidores, fruto do crescimento do estoque de ações e debêntures, ao mesmo tempo que a emissão de títulos públicos decairia, dada a menor necessidade de financiamento da dívida pública. Enquanto os títulos do governo sairiam de uma participação relativa de 54% em 2018 para 36% em 2030, as ações avançariam de 19% para 30% e as debêntures corporativas (somadas com as notas promissórias) elevariam sua participação de 6% para 9%.

Se do lado do investidor o momento é de disputa – e algum estresse – por títulos de crédito corporativo, no lado das empresas emissoras elas estão captando a taxas mais favoráveis, próximas ao CDI, e os prazos estão cada vez mais alongados.

Em resumo, o mercado atual é “do emissor e não do comprador”. O tamanho do mercado de debêntures está sendo dado pela capacidade das empresas de tomar recursos. Hoje, a demanda pelos papéis é muito maior face à quantidade de operações indo a mercado. Continuar a ler

Desmanche do BNDES: Devolução do Funding do FAT

Edna Simão (Valor, 30/04/19) informa: o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) conta com a devolução de R$ 54 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entre 2019 e 2021, para fechar as contas no equilíbrio, segundo boletim de informações financeiras do FAT referente ao último bimestre de 2018.

Nos últimos anos, o Tesouro cobriu boa parte do rombo para viabilizar o pagamento de seguro-desemprego e abono salarial sem que tivesse que solicitar ao BNDES a devolução de recursos ou reduzir patrimônio do fundo. Somente de 2013 a 2017, a União injetou no fundo R$ 52,4 bilhões. Com a restrição fiscal, o governo interrompeu os aportes.

Em 2017, o FAT registrou superávit nominal de R$ 1,1 bilhão em 2017 graças a uma ajuda financeira de R$ 13,8 bilhões do Tesouro. No ano passado, no entanto, o FAT encerrou o ano passado com um rombo de R$ 7,8 bilhões. No ano passado, o repasse da União ao fundo foi de apenas R$ 145,2 milhões. Entre este ano e 2021, a previsão do FAT é de que o déficit seja crescente. O resultado nominal é a diferença entre todas as receitas do fundo e as obrigações.

Para 2019, o rombo estimado é de R$ 12,9 bilhões, saltando para R$ 16,3 bilhões em 2020 e R$ 19,7 bilhões em 2021. Para cobrir o resultado negativo, segundo o boletim, o BNDES deverá devolver ao fundo R$ 12 bilhões neste ano, R$ 19 bilhões no ano que vem e R$ 23 bilhões em 2021. Continuar a ler