Valor de Mercado das Ações versus Valor da Empresa Petrobras

Michael Viriato (FSP, 24/10/22) avalia: a alta recente das ações da Petrobras provocou vários artigos na mídia abordando o preço recorde das ações. Entretanto, em vários destes artigos havia a confusão do que é valor da empresa e valor das ações. Ele busca esclarecer o que é cada um dos conceitos e por que é importante não confundir.

Você talvez já tenha lido que determinada empresa foi vendida por apenas um Real, ou uma unidade monetária. Entretanto, a forma errada como a notícia foi escrita leva a interpretação de que o ativo não valia nada ou que o vendedor foi ludibriado pelo comprador.

Há várias exemplos de notícias reportando compras de renomadas empresas brasileiras e britânicas por apenas R$ 1 e 1 Libra, respectivamente.

O erro é que aquele não era o valor da empresa, mas o valor de mercado total das ações.

Para esclarecer as definições, ele se referencia ao mais reconhecido professor de finanças e valuation no mundo. Como descrito na página 209 do livro Avaliação de Empresas de Aswarth Damodaran, o valor de mercado da empresa é a soma do valor de mercado das ações com o valor da dívida total.

Já o valor de mercado das ações é o produto do valor por ação pela quantidade de ações.

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Esmagamento da Margem de Lucro de Empresas pelas Despesas Financeiras

Rita Azevedo (Valor, 18/10/22) mostra por qual razão os membros da elite econômica mais cultos apoiam Lula contra o capitão reformado. Sua inação na retomada do crescimento econômico sustentado em longo prazo deixa total prioridade à política monetária em curto prazo: a alta dos juros já esmaga a margem de lucro operacional das empresas, inviabilizando a alavancagem financeira.

A política monetária restritiva no país começa pesar sobre as despesas financeiras das companhias. Esse fator, somado à expectativa de redução do crescimento econômico e de recessão em economias desenvolvidas, deve reduzir as margens das empresas de capital aberto nos próximos trimestres, após uma recuperação aos níveis pré-pandemia. É o que mostra estudo produzido pelo Centro de Estudos de Mercado de Capitais (Cemec-Fipe).

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Redução da Economia Brasileira à Primário-Exportadora: Petrobras e Vale valem ¼ dela!

Matheus Prado e Augusto Decker (Valor, 14/10/22) escreveram a reportagem Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) dominam a bolsa de valores _ Finanças _ Valor Econômico

Operações com papéis ordinários da Vale (VALE3) e ações preferenciais da Petrobras (PETR4) representam um quarto do volume de negócios realizados no mercado acionário à vista da B3 no mês de outubro. É a primeira vez que os dois ativos com mais peso na bolsa somam 25% dos negócios desde 2014, quando representaram 25,16%, segundo levantamento do TradeMap.

Mesmo com a desaceleração da economia global e o crescente temor de recessão, geradores de incertezas para as commodities, o aumento da participação do investidor internacional no mercado local nos últimos meses ajuda a explicar o movimento. Isso porque o grupo costuma priorizar papéis com mais liquidez, justamente como as duas produtoras de matérias-primas e os grandes bancos. No dia 13/10/22, Vale ON representava 15,448% da carteira teórica do Ibovespa, e Petrobras PN, 6,966%.

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Alta de juros tem impacto moderado sobre empresas

A alta de juros que tenta debelar a inflação tem castigado consumidores e empresas nos últimos meses, gerando aumento de inadimplência e maior rigor por parte de quem concede crédito. Esse cenário mais negativo, entretanto, tem pouco impacto sobre a qualidade do crédito da maior parte das companhias.

Segundo levantamento feito pelas agências Fitch e Moody’s, o número de movimentos negativos no rating das companhias é bastante reduzido. No caso da Fitch, nos últimos dois anos, período em que ocorreu o ciclo de alta de juros, sofreram “downgrade” cinco empresas, quatro delas em 2021 (Eldorado, Andrade Gutierrez Engenharia, General Shopping e USJ) e uma neste ano (Hidrovias), na avaliação em escala internacional da dívida emitida no mercado brasileiro por empresas não financeiras.

Além dessas, outras nove companhias foram rebaixadas pela escala local, sendo cinco em 2021 (Restoque, Smartfit, Ânima, AES Tietê e Inbrands) e quatro neste ano (Aeris, Le Biscuit, Restoque e Espaçolaser).

Para se ter uma ideia, entre 2015 e 2016, último ciclo de aperto monetário, quando a taxa Selic foi elevada para 14%, o número de downgrades somou 49 sob o critério da escala internacional e 94 pela escala de rating local.

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Private Banking com Renda Variável perde para Varejo com Renda Fixa

Adriana Cotias (Valor, 03/08/22) informa: com uma série de incertezas no horizonte, a pessoa física deve seguir na toada de privilegiar a renda fixa, a exemplo do que se observou no primeiro semestre e ao longo do ano passado. Em meio ao ciclo de aumento de juros no Brasil, tendo levado a Selic de 2% em março de 2021 para os 13,25% de hoje – e com chance de subir mais hoje -, o comportamento do investidor foi de buscar proteção nas alternativas mais conservadoras. O mau desempenho dos ativos de risco também consumiu a rentabilidade (e a paciência) do investidor que tinha feito um movimento rumo à diversificação.

De janeiro a junho, os investimentos nos segmentos de varejo, alta renda e de private banking alcançaram R$ 4,65 trilhões, um aumento de 2,8%. Na faixa de clientes mais endinheirados, mais expostos às classes internacionais e a alternativas de maior risco, o patrimônio encolheu 1,7%, para R$ 1,75 trilhão, enquanto o varejo de alta renda teve incremento de 5,4%, com R$ 1,29 trilhão. Na base, o varejo tradicional reunia R$ 1,61 trilhão, com alta de 5,9% no primeiro semestre.

No conjunto, a renda fixa passou a representar 61,3% dos volumes da pessoa física, em comparação aos 57,1% de dezembro, retomando os níveis do fim de 2019. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

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Renda Fixa de Longo Prazo: Risco é Volatilidade sem Compensação no Retorno

Adriana Cotias (Valor, 20/07/22) informa: superar o CDI, referência de juros de curto prazo, é mais do que esperado quando se investe em títulos públicos atrelados à inflação. Mas costumam ter mais volatilidade na marcação-a-mercado, mas não ofereceram maior potencial de retorno.

No Brasil da última década, esse tipo de exposição foi vantajoso para quem ficou numa cesta de ativos com vencimento em até cinco anos. Acima disso, sobraram chacoalhadas equivalentes às de bolsa e com retornos sensivelmente menores do que o posicionamento mais conservador.

Esta foi a dedução de um estudo feito pela Sparta, casa especializada na gestão de fundos de renda fixa com crédito privado. A asset considerou o índice de títulos públicos indexados ao IPCA mais conhecido do mercado, o IMA-B, que é composto por dois subíndices: o IMA-B 5, que acompanha o desempenho dos títulos públicos indexados com vencimento em até cinco anos; e o IMA-B 5+, dos papéis com prazo superior a isso, e que no Tesouro Direto se estendem até 2055.

Entre junho de 2012 e junho de 2022, o IMA-B 5 teve um retorno acima do CDI de 2,2% ao ano, com volatilidade anualizada de 3,1%. O IMA-B teve valorização de 1,9% e volatilidade de 7,6%, mais que o dobro de risco. Num momento em que os diversos vencimentos do Tesouro IPCA+ (ou Notas do Tesouro Nacional – série B) asseguram inflação mais um adicional fixo superior a 6,2%, essa é uma informação que pode ser útil para o investidor fazer a sua escolha, em meio às incertezas à frente, embora não haja nenhuma garantia de que o futuro vá repetir o passado.

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Fundos “Fora-da-Curva” e Captações em Debêntures para Carregamento de Subscritores (IF e FIF CP)

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Segundo a ANBIMA, mo primeiro semestre de 2022, a indústria de fundos alcançou R$ 8 bilhões em captação líquida, bem abaixo do registrado no mesmo período nos últimos cinco anos.

A classe de renda fixa apresentou R$ 88,8 bilhões em captação líquida de janeiro a junho de 2022. Com um cenário de aversão a risco e juros elevados, esses fundos tornaram-se atrativos. Entretanto, há também uma migração de pessoas físicas dos fundos para outros produtos de renda fixa, sobretudo para investimentos isentos de imposto de renda.

Os fundos de ações e multimercados totalizaram R$ 111,3 bilhões em saídas líquidas nos primeiros seis meses de 2022. Com a expectativa de que os juros permaneçam por mais tempo em níveis elevados, parte dos recursos dessas duas classes migrou para fundos de renda fixa, de perfil mais conservador.

Da classe das ações, saíram R$ 49,5 bilhões líquidos no primeiro semestre, fruto de um movimento pulverizado: cerca de 51% dos fundos apresentaram resgates no período. A maior contribuição veio do tipo ações livres, com captação líquida negativa de R$ 20 bilhões.

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Por qual razão se arriscar com Renda Variável se o investidor tem continuamente uma maior Renda Fixa?

Marcelo D’Agosto (Valor, 18/03/22) avalia:

Foram cinco anos em que as teorias de finanças funcionaram na prática no Brasil. Entre maio de 2017 e fevereiro de 2022, os investidores que escolheram as modalidades mais arrojadas oferecidas no mercado financeiro brasileiro conseguiram taxa de retorno que compensou o maior risco das aplicações.

Os números contrastam com o período de pouco mais de 19 anos entre fevereiro de 1998 e abril de 2017. Nessa época, os conceitos de diversificação de portfólio e prêmio de risco eram discutidos apenas nos programas de pós-graduação das melhores universidades brasileiras.

A diferença entre os dois períodos é o patamar da taxa básica de juros. Nos últimos cinco anos a Selic sempre esteve abaixo de 1% ao mês. E apenas 12 meses atrás era de 2% ao ano, o menor nível da série histórica.

Em contrapartida, quando os juros eram mais altos, a taxa básica de juros ficou acima de 1% ao mês em 70% do tempo. Nesse período, pouquíssimas aplicações financeiras superavam consistentemente a remuneração oferecida pelas modalidades mais conservadoras e com liquidez diária.

O Banco Central passou a fixar a taxa básica de juros em termos anuais a partir da 21a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 28 de janeiro de 1998. Antes disso, entre junho de 1996 e novembro de 1997, a taxa era estabelecida em termos mensais. A maior do intervalo foi de 3,05% ao mês e a menor de 1% ao mês.

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Panorama dos Fundos Patrimoniais no Brasil: “Capital Paciente”

Marília de Camargo Cesar (Valor, 23/03/22) publicou reportagem sobre algo relativamente desconhecido: a indústria de fundos patrimoniais no Brasil cresceu substancialmente na última década, passando de 16 instituições para 52 em 2021, com uma soma de R$ 78,8 bilhões em patrimônio, segundo levantamento inédito do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis) e da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos, com apoio do Grupo de Institutos Fundações e Empresas (Gife).

O estudo “Panorama dos Fundos Patrimoniais no Brasil” faz pela primeira vez um raio-x desse setor também conhecido como de endowments, ou capital “paciente”, por reunir recursos de doações de pessoas físicas ou empresas para manutenção de longo prazo de causas específicas de organizações públicas ou privadas sem fins lucrativos.

O IDIS listou 52 fundos ativos e seis em fase de estruturação. Eles estão concentrados no Estado de São Paulo (38 do total), mais focados em educação (24), seguida por cultura (9), saúde (8) e ciência e tecnologia (5). A maioria tem patrimônio entre R$ 1 milhão R$ 5 milhões e, em seguida, vêm os com R$ 100 milhões a R$ 500 milhões.

Destacam-se como detentores das reservas mais robustas a Fundação Bradesco, com a quantia majoritária (82% do total), ou R$ 65,5 bilhões, Fundação Itaú para Educação e Cultura, com R$ 5,6 bilhões, Associação Umane (ligada ao Hospital Samaritano, de São Paulo), com R$ 1,9 bilhão e Fundo Patrimonial do IMS (Instituto Moreira Salles), com R$ 1,25 bilhão.

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FUNPRESP ou PGBL?

A Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público (Funpresp) pretende intensificar os investimentos em crédito privado neste ano e começar, em 2023, a direcionar recursos para fundos de imobiliários. Com isso, a ideia é ampliar a carteira de ativos dos atuais R$ 5 bilhões para R$ 7,5 bilhões até o fim do próximo ano, e para R$ 21 bilhões em 2030. A expectativa do novo diretor-presidente da Funpresp, Cristiano Heckert, é que o número de participantes salte dos atuais 89 mil para 105 mil em 2023 e 230 mil em 2030.

Seu principal desafio é fazer com que o fundo seja o 25o do país em ativos e o 6o em número de participantes quando terminar seu mandato em 2023.

Ele disse ainda que, neste cenário de incertezas, com aumento da inflação e da taxa de juros e impactos da guerra na Ucrânia, a manutenção da estratégia de diversificação de ativos é fundamental para conseguir alavancar a rentabilidade do fundo, principalmente no longo prazo.

Em 2021, a carteira consolidada alcançou resultado de 4,5% no ano (algo superior ao CDI), número inferior ao índice de referência do plano, de 14,5%, devido, principalmente, ao cenário adverso observado no mercado financeiro e à obrigação de marcar os títulos públicos a mercado. Mas a avaliação é que oscilações de curto prazo tendem a se acomodar no longo prazo.

Para este ano, a política de investimentos do fundo prevê atingir a marca de 12,3% dos ativos em crédito privado. Atualmente, esse percentual é residual. Por outro lado, no início de 2022, o fundo reduziu, praticamente pela metade, investimentos em ativos no exterior, que passaram de algo em torno de 6% para 3% da carteira, devido às turbulências no mercado.

Até o fim do ano, a intenção é finalizar os estudos de mercado para começar em 2023 a alocar recursos para fundos imobiliários.

Servidor público da carreira, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e ex-secretário de gestão do Ministério da Economia, Heckert tomou posse no cargo de diretor-presidente da Funpresp em janeiro, em substituição a Ricardo Pena. Dentre as prioridades do executivo estão a proximidade com os participantes, solidez dos investimentos e robustez na governança e gestão.

Ele destacou que um dos produtos que teve forte aceitação entre os participantes é o crédito consignado e, portanto, deve ser oferecido para participantes de outros planos do fundo. A concessão de crédito nessa modalidade somou R$ 46,3 milhões no ano passado, um crescimento de 149% em relação ao ano anterior. Esse empréstimo, que hoje é concedido apenas para os participantes do plano do Poder Executivo, passará a ser ofertado também para os do Poder Legislativo.

Segundo o diretor-presidente da Funpresp, a negociação com representantes da Câmara dos Deputados já está avançada e a ideia é disponibilizar o produto para esse público no início do segundo semestre.

Heckert avalia também a possibilidade de incorporar os antigos planos de previdência complementar de servidores de órgãos como Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

A Funpresp completou nove anos em fevereiro e foi criada com o objetivo de atenuar o elevado déficit do regime de previdência dos servidores públicos, dando sustentabilidade ao sistema no longo prazo.

Com a medida, trabalhadores que ingressaram no serviço público a partir de 2013 passaram a ter a aposentadoria limitada ao teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – que atualmente é de R$ 7.087,22 – e, se quiserem receber um valor maior que esse limite, os servidores têm de aderir à Funpresp.

O benefício fiscal é uma característica relevante dos Planos Previdenciários Abertos. Acabam sendo escolhidos como investimento em detrimento de outras aplicações financeiras.

Há duas modalidades de previdência privada, o VGBL e o PGBL, sendo que apenas essa última possui o benefício de redução do imposto de renda na declaração de ajuste anual, de até 12% sobre a renda tributável. Os aportes em planos PGBL só fazem sentido para quem faz a declaração do tipo completa e preenche os outros requisitos legais.

Diante do contexto de déficit da previdência pública e da limitação de renda futura, considerando que o INSS tem um teto no valor da aposentadoria, hoje de R$ 7.087, surgiu a necessidade de alternativas privadas para sua complementação. Então, em especial para as pessoas que têm renda superior ao teto da Previdência Social, e por consequência estão na maior faixa de alíquota do imposto de renda, a contribuição em PGBL pode ser interessante.

Com uma renda tributável de R$ 100 mil, por exemplo, aplicando R$ 12 mil, o imposto devido cairá de R$ 17.067 para R$ 13.767, uma diminuição ou restituição de R$ 3.300.

No momento da contratação do plano, você precisará escolher o regime tributário: progressivo ou regressivo. O regime tributário indica a forma como os recursos serão tributados no resgate.

No progressivo, o cálculo obedece à tabela progressiva de imposto de renda, ou seja, quanto maior o resgate, maior será a alíquota incidente, e esse valor é somado a outras rendas tributáveis na declaração de ajuste anual. Portanto, é recomendado para quem pretende fazer retiradas menores.

Já no regressivo, a alíquota é definida pelo prazo da aplicação. Quanto maior o tempo, menor a alíquota. Utilizando o mesmo exemplo, os R$ 12 mil aplicados em um PGBL regressivo, após dez anos, acarretarão uma incidência de 10% de imposto de renda, lembrando que no PGBL o imposto incidirá sobre o principal e os rendimentos, resultando num montante de R$ 1.200, correspondente a cerca de um terço do valor economizado anteriormente.

O fundamental é escolher um plano coerente com seus objetivos e perfil de risco, e acompanhar a rentabilidade do fundo e seus custos com taxas de administração e carregamento. Ademais, o benefício fiscal permanece no caso de portabilidade, ou seja, é possível mudar de plano sem precisar resgatar, não gerando tributação.

Resolvidos os aspectos financeiros, outras considerações são válidas. Os benefícios fiscais funcionam justamente para incentivar poupanças destinadas à utilização do dinheiro em longo prazo. A maioria dos planos possui carência entre um resgate e outro, você deve avaliar se o valor aportado não será necessário em curto prazo e ter uma reserva de liquidez para eventuais imprevistos.

Por último, mas não menos importante, contratar uma previdência é uma escolha que altera o comportamento pessoal, uma vez que ao aderir ao plano acaba-se poupando todo mês parte dos recursos para que seja destinada à aposentadoria. Por isso, você deve saber bem quanto de renda espera ter no futuro e, para tanto, quanto precisará contribuir e distribuir entre a previdência pública, a privada e outros tipos de investimentos.

Entrada na Baixa e Saída na Alta para Realização dos Ganhos: Investidores Estrangeiros na Bolsa de Valores de São Paulo

Depois de receber mais de R$ 73 bilhões em recursos estrangeiros até o último dia 16 de março de 2022, valor acima do recorde anual da série histórica iniciada em 1994, o segmento secundário da B3 (ações já listadas) pode sentir um abrandamento deste fluxo nos próximos meses, conforme o cenário global de ações passa por ajustes.

Investidores globais ainda enxergam suporte para ações ligadas a commodities, mas uma mudança de foco para ativos mais dependentes da economia local parece menos provável, conforme as pressões inflacionárias se intensificam e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) dá início ao ciclo de aperto monetário.

Em 2022, o Ibovespa acumula ganhos de 9,8%, enquanto o S&P 500 perde 6,3%, o Nasdaq devolve 11,6% e o europeu Stoxx 600 cede 6,8%. O desempenho positivo, no entanto, é fortemente concentrado em empresas com maior peso no índice local e nos setores de mineração e siderurgia, óleo e gás e financeiro, os favoritos do investidor global por sua liquidez.

Antes do início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em fevereiro, agentes enxergavam um possível transbordamento dos recursos internacionais para ativos mais ligados à economia local, ao esperarem um abrandamento da inflação e uma reversão da política monetária apertada após a eleição. Agora, esse cenário já parece distante.

Os bancos centrais da América Latina vinham se preparando há meses para este ciclo de aperto monetário, tentando se manter à frente da curva, mas o impacto da guerra é essencialmente inflacionário, com alta nos preços de alimentação e energia. Não é catastrófico, mas torna o ambiente mais desafiador e atrasa expectativas de reversão no cenário. A recomendação é “neutra” para os ativos do país.

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Baixo Número de Clientes de Gestoras de Recursos

As cinco gestoras de recursos que mais ganharam clientes em 2021 atraíram juntas quase 1,6 milhão de novos cotistas para seus fundos de investimento. Da lista, três são “independentes” e duas, ligadas aos grandes bancos.

A XP Allocation Asset Management, ligada ao grupo XP, foi a que mais ganhou clientes, com 478,7 mil novos cotistas. Em seguida, aparece a gestora do Nubank, a Nu Asset Management, com a chegada de 430 mil investidores. As gestoras da Caixa e do Bradesco aparecem no terceiro e quarto lugares, com 312 mil e 184 mil novos clientes, respectivamente. Em quinto lugar, ficou a Vitreo Gestão de Recursos, ligada à Empiricus (agora controlada pelo BTG Pactual), com 174 mil novos cotistas.

Alguns fatores principais explicam o crescimento dessas casas. O lançamento de produtos alternativos, como fundos voltados ao exterior ou a ativos menos comentados (como cannabis, água e urânio); os aportes mínimos de valor baixo e as estratégias de marketing para atrair investidores pessoas físicas deram impulso a essas gestoras.

Assim como já se viu em anos anteriores, as assets não ligadas aos grandes bancos foram as que mais atraíram novos clientes. As gestoras das cinco principais instituições financeiras de varejo do país (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander) fecharam dezembro com 15,63 milhões de cotistas, ante 15,10 milhões no fim de 2020 – um crescimento de apenas 3,48%. Já as demais gestoras avançaram 30%, atingindo 8,29 milhões de cotistas.

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