Como funciona o Bitcoin

Tenho dado entrevistas sobre o Bitcoin: Reportagem do G1 sobre Bitcoin Ontem, foi a vez da TV Record vir aqui em casa e o Gerson Dias gravar uma entrevista comigo que será apresentada domingo à noite. Escrevi um artigo sobre o assunto para o Jornal GGN: Bitcoin: Nova Forma para Velha Especulação. Antes de o ler, vale ter algumas informações técnicas para entender mais o tema.

O blockchain, também conhecido como “o protocolo da confiança”, é uma tecnologia que visa a descentralização como medida de segurança. São bases de registros e dados distribuídos e compartilhados que possuem a função de criar um índice global para todas as transações que ocorrem em um determinado mercado. Funciona como um livro-razão, só que de forma pública, compartilhada e universal, que cria consenso e confiança na comunicação direta entre duas partes, ou seja, sem o intermédio de terceiros. Está constantemente crescendo à medida que novos blocos completos são adicionados a ela por um novo conjunto de registros.

Os blocos são adicionados à blockchain de modo linear e cronológico. Cada , isto é, qualquer computador que conectado à essa rede tem a tarefa de validar e repassar transações, obtém uma cópia da blockchain após o ingresso na rede. A blockchain possui informação completa sobre endereços e saldos diretamente do bloco gênese até o bloco mais recentemente concluído.

A blockchain é vista como a principal inovação tecnológica do bitcoin visto que é a prova de todas as transações na rede. Seu projeto original tem servido de inspiração para o surgimento de novas criptomoedas e de bancos de dados distribuídos.

Apesar da relativa popularidade, o bitcoin e as moedas criptografadas ainda geram muitas dúvidas, tanto operacionais quanto legais, especialmente para quem não opera nesse segmento. Essas são algumas das questões mais frequentes que envolvem o bitcoin. Fernando Torres (Valor, 14/11/17) tira algumas dúvidas a respeito. Continue reading “Como funciona o Bitcoin”

Concentração de Capital e Desalavancagem Financeira das Empresas Não Financeiras

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Segundo o Boletim da ANBIMA, referente ao Mercado de Capitais, as empresas brasileiras captaram no mercado doméstico de valores mobiliários R$ 155,4 bilhões até novembro de 2017. O volume tanto no segmento de renda fixa como no de renda variável superou o montante captado em todo o ano de 2016 e de 2015, sinalizando que o ano de 2017, a partir do cenário de queda das taxas de juros e da inflação, representou um ponto de virada para as companhias locais face ao locaute golpista do ano anterior.

As captações com ações até novembro somaram R$ 31,7 bilhões, um crescimento de 195,2% em comparação ao ano de 2016. Houve equilíbrio entre as operações distribuídas com esforços amplos, pela ICVM 400, (R$ 15,9 bilhões) e as distribuídas com esforços restritos, pela ICVM 476, (R$ 15,8 bilhões) e um forte direcionamento para as ofertas primárias de ações, que somaram R$ 22,1 bilhões, indicando a entrada de recursos novos para as companhias.

A maior parte das operações, 45,8%, foi para a aquisição de ativos, de operações ou de participações acionárias, o que também reforça o aumento da parcela voltada para novos investimentos. Em 2016, essa parcela havia sido de apenas 15,5%. Ao mesmo tempo, aumentou o volume direcionado para redução de passivo, que respondeu por 33,5% do total (versus 20,3% em 2016) e houve queda do montante para capital de giro, que caiu de 58,5% em 2016 para 20,7% até novembro de 2017.

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Fuga de Capital dos Ricaços Brasileiros

Em 2106, havia 69,2 milhões de domicílios no Brasil, dos quais 86,0% eram casas (59,6 milhões) e 13,7% apartamentos (9,5 milhões). Desse total, 68,2% eram próprios e pagos (47,2 milhões); 5,9% eram próprios, mas que ainda estavam sendo pagos (4,1 milhões); 17,5% eram alugados (12,1 milhões); 8,2% eram cedidos (5,7 milhões); e 0,2% tinham outra condição (143 mil domicílios), como invasões, por exemplo.

Existe coabitação — contabilizada no déficit habitacional –, mas esse número (69,2 milhões) dá uma ordem de grandeza das famílias habitantes no País, grosso modo, ⅓ da população total de 208,313 milhões pessoas. Qual é a estratificação social dessas famílias?

Pela riqueza financeira (ver tabela acima), as famílias do segmento de clientes Private Banking eram 55.725 ou 0,1% desse total de famílias.

Quando comecei a pesquisar a história bancária brasileira eu “garimpava” até em crônicas sociais e obituários sobre as vidas dos banqueiros. “Caiu na rede é peixe!”

Ainda continuo curioso sobre as raízes da desigualdade de renda e riqueza no Brasil. Pela minha especialização em Finanças eu tinha uma vantagem comparativa face aos outros pesquisadores: justamente ler reportagens e analisar estatísticas sobre Finanças!

Confira abaixo como em algumas reportagens se descobre algumas pistas ou indícios para dimensionar o que estamos falando a respeito de concentração de riqueza. Antes, verifique qual segmento de clientes tem investido dinheiro novo nos FIFs no ano corrente de economia estagnada e com alto desemprego, confirmando que, aqui, com “cobertor curto, cobre-se a cabeça”, isto é, concentra-se riqueza financeira nos mais ricos:

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Captações via Mercado de Capitais X BNDES

Os “gênios da profissão” estão “felizes como pinto no lixo” porque já obtiveram o que almejavam:

  1. criminalizar o financiamento desenvolvimentista do BNDES;
  2. nivelar por baixo o BNDES;
  3. inferiorizar o BNDES face ao Banco Mundial;
  4. abrir espaço para o mercado de capitais privado, derrubando o BNDES.

Sérgio Tauhata (Valor, 09/11/17) informa que Carlos Antonio Rocca, diretor do Centro de Estudos do Mercado de Capitais (Cemec- Ibmec) afirma que:

  • o crescimento recente do mercado de capitais e
  • a tendência de manter essa expansão nos próximos anos têm ligação direta com:
  1. a queda da taxa de juros para perto da mínima histórica e
  2. a mudança da política de desembolsos do BNDES.

Segundo o pesquisador, a maior parte das companhias financiadas pelo banco de fomento até o início da crise econômica eram de porte grande, com modelo de governança, transparência e balanço auditado, ou seja, aptas a recorrer ao mercado de capitais. “Essa fonte alternativa de recursos mais interessante afastou essas companhias das emissões”. Continue reading “Captações via Mercado de Capitais X BNDES”

O Raquítico Mercado de Capitais Brasileiro como Substituto do BNDES?!

Como eu disse em outro post, não admiro praticamente ninguém entre os colunistas midiáticos pró-O Mercado. Eles abundam na “grande” imprensa brasileira. Mas em toda a regra há exceções.

Pela pesquisa quantitativa, em cima de balanços de sociedades abertas e fechadas, mas não pela análise qualitativa, i.é, ortodoxa e sem originalidade, acompanho o Carlos Antonio Rocca, diretor do Centro de Estudos do Mercado de Capitais (Cemec) do Instituto Ibmec. Porém, discordo das opiniões apriorísticas dele.

Por exemplo, em seminário entre os mesmos economistas midiáticos de sempre (Valor 11/10/17), ele disse que “não há dúvida que o BNDES sobreviverá sem os R$ 180 bilhões retornados ao Tesouro. O BNDES já diminuiu sensivelmente a participação dele [no financiamento do investimento de longo prazo]”, diz Rocca.

Os dados consolidados pela equipe do Cemec (ver quadro 1) mostram que a parcela do banco no financiamento dos investimentos (medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF) rondava o nível dos 3% do PIB entre 2009 e 2014 e hoje está em 0,8%. É também verdade que a própria FBCF caiu do nível dos 18% para 14% do PIB com a Grande Depressão provocada pela volta da Velha Matriz Neoliberal em 2015. Continue reading “O Raquítico Mercado de Capitais Brasileiro como Substituto do BNDES?!”

Consultor-Robô ou Desintermediação Bancária

Adriana Cotias (Valor, 22/08/17) informa que um tema do mundo tecnológico que é pouco conhecido é a alternativa baseada em modelos matemáticos que tira a emoção de cena na hora de investir. Trata-se do Ueslei, o consultor-robô da Vérios Investimentos. Investidores podem distribuir suas aplicações na Magnetis, Warren, Monetus e Vérios, deixando apenas uma reserva de emergência em um banco digital.

Serve para os inseguros que deixam todas as economias em depósitos de poupança por ser fácil e atender aos acomodados. Com o Ueslei, é uma forma de ainda ser acomodado e ter um rendimento melhor. Ao ler mais sobre risco e retorno e mix de investimentos, acham que o robô pode fazer melhor, sem emoções. Em gestão de portfólios, no longo prazo, nenhuma carteira ativa ultrapassa o benchmark.

Em comum, esses investidores buscam um melhor desempenho para suas carteiras, sem passar pelo dilema “qual é a melhor opção?” Ao delegar essa tarefa para os tais algoritmos, o aplicador responde ao questionário de perfil e o robô define a distribuição dos ativos de acordo com a tolerância a risco.

As experiências existentes no Brasil começam a apresentar os seus primeiros resultados e já contemplam na curta trajetória um real teste de estresse: o vazamento de conversa entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, do grupo JBS, que virou os valores de mercado dos ativos em meados de maio de 2017 é considerado um “cisne-negro”, fator aleatório inesperado. Ora, quando se dá corda para gente vulnerável à corrupção, ela se enforca! Foi o caso do temeroso que achava não haver o que temer por se sentir impune pelo fato de ser o líder do quadrilhão do peemedebismo.

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“Deus dará… E o Diabo tomará!”

Adriana Cotias (Valor, 03/0717) informa que, em meio às discussões para a reforma da Previdência, “o brasileiro” [mas quem é este tipo representativo da heterogeneidade dos habitantes no Brasil, heim?] aumentou a sua reserva para a aposentadoria, mas ainda poupa menos do que o necessário para manter a sua renda e qualidade de vida, segundo uma pesquisa mundial da gestora americana Legg Mason.

No recorte de Brasil, a instituição ouviu 900 investidores, separando-os por grupos geracionais, de gênero e classes de renda. A percepção geral dos entrevistados é que um ano de salário seria suficiente para viver os anos da velhice fora do trabalho, e mesmo nas classes de renda mais alta se observa esse tipo de ilusão financeira.

Ao redor do mundo, os entrevistados têm poupado entre 3,7% e 14,6% do que precisariam, de fato, para prover um sustento estimado em 70% do que tinham na ativa por 20 anos, como recomenda a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No Brasil se fica com uma reserva de 5,3% do valor considerado adequado.

Pelo levantamento, na média:

  • quem já tem algum dinheiro para a aposentadoria acredita que R$ 170 mil acumulados são suficientes para viver a fase da velhice.
  • Os “millenials” (de 18 a 35 anos) calculam que R$ 133 mil bastam.
  • Já o grupo da geração X (de 36 a 52 anos) pensa que R$ 189,5 mil é um valor adequado.
  • Os “baby boomers” (de 53 a 71 anos) falam em R$ 233 mil.
  • Mesmo entre os indivíduos da alta renda afluente uma acumulação de R$ 519,8 mil é considerada o bastante.

O algoritmo 1 – 3 – 6 – 9 (abaixo) oferece maior realismo quanto às necessidades de reservas financeiras para manter o padrão de vida durante vinte anos de aposentadoria.


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