IPOs: Capitalização de SAs, Enriquecimento dos Acionistas Majoritários e Perda dos Minoritários

Boa parte das empresas, depois de terem feitos suas Ofertas Públicas Iniciais (IPO, na sigla em inglês), constataram ter precificado suas ações no piso ou abaixo da faixa indicativa de preços, segundo levantamento feito pelo Santander com base nos prospectos públicos das operações. Das 72 aberturas de capital no acumulado de 2019 até 27 de julho deste ano, 18 ofertas ficaram na base da faixa e 24 tiveram de dar mais descontos para irem à bolsa – ou 58% do total.

O descasamento entre o valor de mercado projetados pelos bancos de investimentos para as empresas e o de fato aportado pelos investidores compradores das ações explica uma parte dos fortes descontos das companhias.

Com maior demanda das empresas para acessar o mercado de capitais, a concorrência entre os bancos para conseguir os mandatos das operações ficou mais acirrada. As incertezas sobre a retomada da economia e a crise política no país afugentam investidores, sobretudo os estrangeiros, isso também afetam a precificação das ações.

Mas, mesmo assim, os volumes são recordes. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram: os IPOs e ofertas subsequentes de ações (“follow- on”) movimentaram R$ 119,2 bilhões, com 52 operações em 2020. A expectativa para 2021 é as ofertas ficarem entre R$ 150 bilhões e R$ 180 bilhões.

Foram 28 IPOs em 2020, movimentando R$ 44,3 bilhões. Neste ano corrente, só até o dia 27 de julho, 39 operações foram precificadas, totalizando R$ 50,4 bilhões.

Uma das operações mais aguardadas do ano, o IPO da Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, teve sua oferta ajustada – a empresa vai emitir 20% a menos de ações que o plano original. A expectativa inicial era levantar até R$ 13 bilhões, com lotes extras. Agora, a base deve movimentar cerca de R$ 6,7 bilhões. No topo da faixa, a Raízen pode levantar R$ 10,5 bilhões.

Cerca de 80% dos recursos iriam para expansão de fábricas de segunda geração de etanol e biogás. Com a recuperação dos preços das commodities, a companhia reduziu sua necessidade de caixa.

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Desistência de IPOs: Falta Capital ao Mercado ou Informações sobre Empresa para Precificação Adequada?

Mônica Scaramuzzo (Valor, 26/07/21) informa sobre os IPOs fracassados. Mesmo com o mercado de capitais aquecido, porém, 40 companhias desistiram de ir à bolsa em 2021 até o sétimo mês do ano.

Parte das empresas desistentes de fazer oferta pública de ações neste ano está envolvida em processos de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês). Sem conseguir levantar recursos em bolsa para promover expansão, algumas companhias procuram sócios em transações privadas para impulsionar seus negócios.

Em determinadas situações, as operações têm o objetivo de dar saída a fundos de private equity (adquirentes de participação acionária) do capital dessas empresas.

As ofertas de ações já movimentaram R$ 100,7 bilhões do início do ano até o dia 22 de julho, em 54 transações. Dessas, 35 foram operações de estreantes na bolsa (IPOs) e o restante, de companhias já listadas (ofertas subsequentes ou “follow-on”), de acordo com levantamento do Santander.

Entre banqueiros de investimentos, este ano atingirá a marca recorde de R$ 150 bilhões. Mesmo com o mercado de capitais aquecido, porém, 40 companhias desistiram de ir à bolsa em 2021 até agora, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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Escolha de Portfólio em Turbulência Econômica, Social e Política

O discurso de participantes de O Mercado, louvado seja o divino, é muito tosco ou simplório. Dizem: “o cenário interno traz incertezas nos campos político e econômico, como os rumos da inflação e da dívida pública brasileira. E a aproximação das eleições deve aumentar a volatilidade”.

Em lugar de análises fundamentalistas sérias, o discurso lugar-comum é o seguinte. “A questão fiscal voltou a ser uma das principais preocupações de O Mercado, após um período de boas surpresas com a relação dívida bruta/PIB ser possível encerrar o ano em torno de 80%, bem abaixo das expectativas de 2020, quando os previsores de O Mercado anunciaram ela ultrapassar os 100% do PIB”.

A retomada ao crescimento anterior –1,1% neste ano, além de devolver a queda de -4,1% do produto real no ano passado — da economia e maior da inflação, propiciando aumento nominal do PIB, contribuíram para a melhora do indicador.

Mas agora o receio com o descontrole fiscal voltou a entrar em cena por causa de uma antecipação do processo eleitoral. O temor é de o candidato da extrema-direita adotar medidas populistas, elevando os gastos públicos para se fortalecer para o pleito em busca de uma reeleição pouco provável. A eventual ascensão de um candidato à esquerda, ao propor o abandono da Regra do Teto de Gastos, também tira o sono dos gestores.

Por que? Porque os idiotas extremistas acham, caso isso ocorra será anunciado o fim-do-mundo! Perguntinha: por qual razão antes dessa regra, adotada no governo golpista temeroso, a economia brasileira tinha um desempenho muito superior?

Atitudes antidemocráticas como a seguinte deveria levar o sujeito a devolver o diploma de economista ou pelo menos o banco o demitir para não perder clientes: https://revistaforum.com.br/politica/economista-do-santander-defende-golpe-para-evitar-retorno-de-lula/

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Ficar ou fugir do mercado de ações?

O investidor pessoa física chega à bolsa com valores cada vez mais baixos. Dados da própria B3 mostram: 42% dos novos entrantes em junho investiram até R$ 200, o que resultou em uma mediana de R$ 352, representando o valor mais baixo da série histórica.

Na média, porém, o valor da primeira aplicação dos novos investidores é de R$ 10 mil. Os números evidenciam o “mito” de ser preciso muito dinheiro para investir no mercado financeiro vem caindo por terra.

O levantamento também mostrou as mulheres serem ousadas ao investir e diversificam tanto quanto os homens. A mediana do primeiro investimento mensal feito por elas é de R$ 481, contra R$ 303 dos homens. Além disso, no segundo trimestre de 2021, 51% das mulheres investiam apenas em ações e 12%, só em Fundos Imobiliários (FIIs). Outras 24% investem em ações e FIIs, e 7% em ações, FIIs e fundos de índices (ETFs).

Entre os homens, 50% investem só em ações e 8% somente em FIIs, enquanto 27% investem em ações e FIIs e 9%, em ações, FIIs e ETFs.

Conforme dados da bolsa, o número de contas de pessoas físicas cadastradas na B3 cresceu 43% no primeiro semestre de 2021, totalizando 3,8 milhões, na comparação com o mesmo período de 2020. Já o número de CPFs cadastrados é de 3,2 milhões, alta de 42% na mesma base comparativa.

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Desempenho dos Fundos

As gestoras de recursos fora do bloco dos grandes conglomerados financeiros já detêm a maior parte dos volumes em fundos de ações e multimercados. Os cinco maiores – BB DTVM, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Caixa – e as fundações com gestão própria, por sua vez, dominam em renda fixa e previdência. Isso é mostrado pelo levantamento feito pela Economática, considerando-se os portfólios líquidos, que estão sob as regras da instrução 555 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), segundo Adriana Cotias (Valor, 12/07/21).

Por meio de uma ferramenta que exclui valores alocados pelos fundos em outros fundos, para eliminar a dupla contagem, os dados trazem que, em ações, as assets classificadas pela plataforma de informações financeiras como independentes já reúnem R$ 404,1 bilhões, ou 74% do bolo de R$ 542,8 bilhões. Em multimercados, as gestoras sem vínculo com cinco grupos financeiros dominantes totalizam R$ 671,5 bilhões, respondendo por 65,2% do conjunto. Os dados são referentes a junho.

Nas independentes, a captação no primeiro semestre foi mais expressiva nas carteiras de ações, com R$ 22,2 bilhões, o equivalente a 53,6% do que o setor atraiu no período. Já em multimercados, os cinco maiores bancos e as fundações receberam R$ 43,1 bilhões, 53% do total. Isso mostra uma reação dos principais bancos para oferecer produtos de maior valor agregado à sua base de clientes e fazer frente à concorrência.

Itaú, Santander, BB e Bradesco, por exemplo, criaram carteiras de alocação com diversos ativos e baixo valor de aplicação que têm feito sucesso nas suas redes de agências. O Itaú também tem investido num pool multimesas para alimentar seus principais multimercados e tem ganhado volume nas estratégias de retorno absoluto, que eram pouco representativas.

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Queima do Capital Excedente: Fusões e Aquisições de Concorrentes no Mercado de Capitais

O movimento de consolidação de empresas acelerou na pandemia e vai continuar intenso nos próximos meses, impulsionado por grandes negócios. O volume de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) anunciadas de janeiro até o dia 7 de julho já bateu em US$ 52,6 bilhões, encostando no recorde de 2017, quando o valor das transações no ano todo foi de US$ 52,7 bilhões.

A cifra também representa um salto em relação aos US$ 6,6 bilhões movimentados até 7 de julho do ano 2020, segundo a consultoria Dealogic. Em 2020, as operações de M&As totalizaram US$ 45,8 bilhões.

Grandes cheques foram desembolsados neste ano, afirmam executivos do mercado financeiro. As dez maiores operações realizadas até agora somaram US$ 36,7 bilhões, quase 70% do valor total de transações realizadas até julho, indicam os dados da Dealogic. Entre os principais negócios anunciados estão a cisão da fatia de 41,05% do Itaú Unibanco na XP, as fusões da Hapvida e Intermédica e da Raízen com Biosev, e a venda da refinaria Landulpho Alves (RLAM) para o fundo Mubadala, de Abu Dhabi.

De janeiro a 7 de julho, a consultoria registrou 274 transações, frente a 230 no mesmo período do ano passado. Em 2017, houve 421 negócios de janeiro a dezembro.

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Desempenho do Mercado de Capitais no Primeiro Semestre de 2021

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Em junho, o mercado de capitais alcançou o volume de R$ 53,6 bilhões em captações, encerrando o primeiro semestre de 2021 com um total de R$ 253 bilhões em recursos captados. O volume registrado é 65% maior do que a soma arrecadada no mesmo período do ano passado.

Novamente, as debêntures tiveram destaque e responderam por 38% do total captado no mês, alcançando pouco mais de R$ 20,3 bilhões. Dessa forma, esses ativos chegam a marca de R$ 99 bilhões em recursos obtidos em 2021 – pouco mais do que o dobro em comparação com o primeiro semestre do ano passado e 82% do total captado por essas ofertas durante todo o ano de 2020.

Capital de giro e refinanciamento de passivo somam 50,8% das destinações de recursos obtidos pelas debêntures, seguidos por investimento em infraestrutura (19,7%). Vale destacar as mudanças significativas nos percentuais de distribuição desses ativos por detentor, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Entre janeiro e junho, os intermediários e demais participantes ligados à oferta, que antes respondiam por 86,9%, detêm 45% desses títulos em 2021, acompanhados dos fundos de investimentos, que saltaram de 9,1% no primeiro semestre de 2020 para 34,7% neste ano. Observa-se também o aumento expressivo da participação dos investidores estrangeiros que – entre janeiro e junho de 2021, já totalizam 7% dos subscritores, diante de apenas 0,4% no mesmo período de 2020.

As ofertas de ações confirmaram a tendência de crescimento apontada em maio e tiveram desempenho relevante, captando R$ 20 bilhões em junho, sendo R$ 9,6 bilhões em IPOs e R$ 10,5 bilhões em follow-ons (ofertas subsequentes de ações). Neste ano, os ativos de renda variável já somam R$ 68 bilhões em captações – 84% a mais em comparação com igual período do ano anterior.

Fundos de investimentos (46,4%) e investidores estrangeiros (34,8%) seguem como maiores subscritores de ações, sem alterações relevantes nos percentuais de distribuição relativamente ao ano de 2020. Ofertas Publicas Acoes.png

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Volta ao Passado: da Renda Variável à Renda Fixa

Selic em alta leva fluxo para renda fixa, segundo Adriana Cotias (Valor Econômico, 23/06/21).

Com alta de juros e valorização da taxa de câmbio brasileira, investidores têm gradativamente revisado as suas carteiras e já se percebe algum efeito nos fluxos. Porém, gestores de recursos e especialistas em investimentos não veem razão para mudanças estruturais nos portfólios, mas alguns ajustes.

Em geral, a recuperação da economia sugere ainda bons ventos para a bolsa, especialmente na gestão ativa. O prêmio dos títulos públicos atrelados à inflação está perto de se esgotar. Então, é hora de buscar oportunidades em crédito privado no secundário. O dólar volta a ser opção de hedge para alguns, apesar de no curto prazo as carteiras com exposição à moeda forte mostrarem resultados negativos.

Um dos termômetros desse rebalanceamento é a captação dos fundos de renda fixa, que neste ano atraíram R$ 123,1 bilhões até o dia 17, enquanto os portfólios de ações perderam fôlego, com ingressos de R$ 1,9 bilhão. Os multimercados ainda mostram apelo pela diversidade de cenários e estilos, com R$ 73,2 bilhões em dinheiro novo, segundo dados da Anbima. Vale lembrar que nos portfólios conservadores estão os recursos de caixa das empresas e também das entidades públicas.

O ânimo da pessoa física com investimentos diretos em bolsa vai mais devagar. Os dados da B3 até o dia 21 mostram compras líquidas de ações de R$ 6,2 bilhões no ano, resultado das entradas de janeiro e fevereiro porque desde então são quase quatro meses no vermelho, com saídas de R$ 10,1 bilhões.

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Endividamento e Emissões de Empresas no Ano da Pandemia

Hugo Passarelli (Valor, 14/06/21) informa: com ajuda das linhas emergenciais de crédito criadas pelo governo e do momento favorável no mercado de capitais, a captação de recursos pelas empresas atingiu R$ 420,5 bilhões em 12 meses até março, uma alta de 28,3% na comparação com o acumulado de 2020. Desse total, mais de três quartos foram captados na forma de dívida, fazendo com que o endividamento das companhias subisse para 61,7% do PIB, o maior percentual da década.

O aumento dessa proporção leva em conta a tomada de recursos novos e também o efeito da desvalorização cambial, segundo levantamento feito pelo Centro de Estudos de Mercado de Capitais da Fipe (Cemec-Fipe). A alta das captações, porém, não foi acompanhada até agora de um aumento da inadimplência.

Micro, pequenas e médias empresas foram grandes beneficiárias de medidas adotadas na esteira da pandemia de covid-19, como o Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac), do BNDES, e o Programa Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Pronampe). Do total de R$ 272 bilhões de crédito bancário contratado em 12 meses até março, R$ 196 bilhões (72%) ficaram com as companhias de menor porte, enquanto as maiores obtiveram R$ 77 bilhões.

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Fuga de Capitais: o último apague a luz do aeroporto!

Adriana Cotias (Valor, 26/05/21) informa: a diversificação para classes de ativos internacionais ganhou tração nos meses após a pandemia de covid-19, de março de 2020 para cá. Mesmo com o câmbio depreciado, o investidor entrou na especulação global a respeito do futuro — se ele não existe até o atual governo ser derrotado na eleição do próximo ano –, mas o seu “bye bye, Brazil” não significa necessariamente mandar poupança para fora do país.

Juros estruturalmente mais baixos no Brasil e a percepção de que o mercado externo tende a se recuperar mais rápido têm embalado essa movimentação. O acesso também ficou mais fácil.

Fundos globais, recibos de ações de empresas e ativos estrangeiros (BDR) negociados na B3 e Fundos de Índice (ETF) estão entre os veículos usados para alternativas representativas do risco além fronteiras

Para se ter uma ideia, levantamento da J.P. Morgan Asset com fundos globais “puro sangue”, que investem 100% no exterior, mostra que a categoria reunia ao fim de março R$ 58,9 bilhões, 214% acima dos R$ 18,7 bilhões de 12 meses atrás. O número de cotistas mais que quintuplicou, superando 335 mil investidores.

Esse ritmo supera o crescimento da indústria de fundos em muitas vezes, mas ainda é a “pontinha do iceberg”, quando se leva em conta o tamanho do setor, com R$ 5,4 trilhões de ativos, e uma expansão anual de 18,4% até março – só considerando os fundos líquidos. A base total da indústria é de 19,4 milhões de cotistas.

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Seleção da Carteira de Ativos com Expectativa de Alta dos Juros

Adriana Cotias (Valor, 28/05/21) informa: os Fundos de Crédito Privado voltaram a atrair a atenção do investidor, tanto nas plataformas quanto nos bancos de varejo. A compra direta de dívida corporativa e de títulos bancários também ganhou adeptos, à medida que emissores oferecem bons prêmios para cativar o aplicador que quer dar um pé atrás no risco de bolsa.

O investidor brasileiro tem memória curta. Estamos voltando a ver captação em fundo com descasamento entre ativos e passivos, com liquidez curta e investimento em dívida longa. Em meio ao estresse da pandemia, no ano passado, muitos investidores sacaram seus recursos dessas carteiras porque não aguentaram cotas negativas.

A captação em fundos de crédito reflete a preocupação do investidor de buscar um retorno extra, sem ficar de peito aberto em alternativas aparentemente mais arriscadas.

Conforme recorte feito pelo economista Marcelo D’Agosto, do Guia Valor de Fundos de Investimentos, considerando-se o conjunto de fundos disponíveis em plataformas e nos principais bancos de varejo, os portfólios de crédito privado atraíram neste ano R$ 4,57 bilhões até 21 de maio. As carteiras com debêntures incentivadas tiveram ingressos de outros R$ 863 milhões. Estratégias ligadas a juro real, por sua vez, receberam R$ 2,7 bilhões no ano.

Em sentido contrário, a categoria renda fixa ativo perdeu R$ 16,6 bilhões. Como essas carteiras têm muita exposição a títulos prefixados, com a queda de preços no secundário no primeiro trimestre, muitos fundos ficaram no vermelho, diz D’ Agosto. “Quando o cotista vai buscar explicações, acaba sendo oferecida a opção de sacar e investir em outra modalidade.”

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Debêntures e Fundos de Crédito Privado: Mercado de Capitais Natimorto X Desintermediação Bancária + BNDES

Ana Paula Ragazzi (Valor, 24/05/21) informa: a indústria independente de fundos de crédito privado registrou em abril captação expressiva de recursos pela primeira vez desde agosto de 2019. Conforme dados da Quantum Finance, a entrada líquida de recursos nesses produtos foi de R$ 3,1 bilhões – a amostra leva em consideração carteiras com o mínimo de 50% do patrimônio líquido em ativos de crédito privado. Se forem considerados novos fundos criados ao longo do período, o montante sobe para R$ 4 bilhões.

A retomada da atratividade pode ser explicada pela alta da taxa básica de juros e também pelo desempenho passado.

Desde agosto de 2019, o patrimônio desse segmento caiu 43%, para R$ 161 bilhões. Nesse intervalo, a indústria conviveu com duas grandes crises, potencializadas pela captação acelerada em fundos que ofereciam liquidez diária, apesar de investirem em debêntures, papéis pouco líquidos.

Primeiro, a demanda em excesso acabou barateando o custo de captação para as empresas com as melhores notas de crédito (“high grade”) até o momento em que os spreads caíram tanto que, do ponto de vista do investidor, o produto deixou de fazer sentido. Assim, no segundo semestre de 2019, veio a primeira onda de resgates.

A segunda, igualmente relevante, foi no início da pandemia e deixou o mercado disfuncional: gestores venderam papéis a qualquer preço para honrar compromissos com os cotistas e isso acabou afetando toda a cadeia de crédito.

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