JBS Hedgeada (“Protegida”) Sem Temer Risco PMDB

Preparando aula de hoje sobre Mercado de Futuros e/ou Derivativos, reli um artigo de Michael M. Phillips, publicado no The Wall Street Journal, em 15/07/2010. Achei engraçado observar o conluio/confronto entre “profissionais do PMDB“, que consideravam os petistas amadores, e profissionais da JBS, que atuam no Mercado de Futuros nos States. Quem “jantou” quem?

“O produtor agrícola Jim Kreutz usa derivativos para amortecer o impacto no caso de os preços de milho para ração animal caírem antes da colheita. Seu cunhado, o criador de gado Jon Reeson, também recorre aos derivativos para fazer o hedge do preço de seus bois. A cooperativa de produtores locais usa os derivativos para financiar um preço fixo para o diesel dos caminhões que levam o gado para o matadouro. E a unidade de processamento da JBS usa os derivativos para estabilizar os custos, do gás natural às moedas estrangeiras.

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Os derivativos são instrumentos financeiros cujos valores “derivam” de uma outra coisa, tais como taxas de juros ou óleo para aquecimento. Os primeiros derivativos foram futuros agrícolas, que apareceram nos EUA no fim da Guerra Civil e se tornaram uma faceta padrão dos negócios das empresas em todo o país.

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Correlação não é Causalidade: Dow Jones X Ibovespa

Denise Godoy (Valor, 04/05/17) avalia que, enquanto o mercado acionário americano renova sucessivas marcas históricas, a bolsa brasileira, apesar de algumas sessões isoladas de ganhos, segue patinando no mesmo nível, sem forças para sustentar uma tendência de alta firme.

Especuladores dizem que isso ocorre por causa das incertezas sobre as reformas golpistas em direitos sociais e a capacidade de o Brasil retomar o crescimento sustentável que têm desencorajado os investidores a fazer grandes apostas no mercado de ações local.

Já em Wall Street, o otimismo com os planos do novo presidente bilionário pró-mercado para impulsionar a atividade econômica vem sustentando uma inédita trajetória de alta, batizada de “rali do Donald Trump“.

Esse descompasso fica claro quando se analisa a movimentação relativa das bolsas brasileira e americana. A correlação entre o Ibovespa e o Índice Dow Jones, o mais importante do mercado de ações de Nova York, está no seu menor nível do ano: 0,68, segundo levantamento do Valor Data. Quanto mais perto o coeficiente se encontra de 1, mais próxima é a ligação entre dois indicadores. Isso significa que, se a bolsa americana sobe 1%, a bolsa brasileira avança 0,68%.

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Riscos de IPO: Economia de Mercado de Capitais X Economia de Endividamento

CDI acompanha Selic. Aqui tem a taxa de juros reais mais disparatada em todo o mundo. Ação acompanha, em última instância, os fundamentos da economia, além de especulação no mercado e impactos da política econômica.

Desde 2007, o auge dos IPOs, explodiram tanto a bolha imobiliária nos EUA quanto as bolhinhas imobiliárias brasileiras. O superciclo de commodities se encerrou em setembro de 2011. A política de mudança da relação câmbio/juros foi interrompida, subitamente, com o alarmismo artificial (pré-eleitoral) quanto à “inflação da seca” no primeiro quadrimestre de 2013.

As manifestações de junho de 2013 deram margem para a volta da direita, que se organizou junto aos Poderes, inclusive o Quarto Poder (o PIG) para dar o golpe parlamentarista no presidencialismo em 2016. O estelionato eleitoral em 2015, com a volta da Velha Matriz Neoliberal, colaborou para “botar lenha-na-fogueira” de mais um golpe de Estado no Brasil. E tem gente apostando em alta de cotações em um mercado de ações raquítico?!

Adriana Cotias (Valor, 08/05/17) adverte que, em um momento em que o investidor cresce os olhos para os ganhos intermitentes do Ibovespa e o mercado de capitais brasileiro ensaia a volta de ofertas de ações, como a da XP Investimentos, é necessário ter cuidado. Da safra de operações colocadas na rua entre 2006 e 2007, no auge da euforia com a bolsa local, poucos papéis apresentaram retorno acima do índice na última década. E, como era de se esperar, em tempos de crise financeira e juros disparatados, em relação aos do resto do mundo, as estratégias também ficaram muito aquém do desempenho da renda fixa no período.

Esse é o diagnóstico de Pierre Souza e William Eid Júnior, do Centro de Estudos em Finanças da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Os pesquisadores se debruçaram sobre o histórico de 76 ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) realizadas em 2006 e 2007. De lá para cá, 54 papéis continuam no pregão. Caso o investidor tivesse como estratégia participar de todas as operações, tal carteira em dez anos traria um retorno de 20%, contra 42% do Ibovespa. Nesse intervalo, o CDI exibiu ganhos de 173%.

“Foi uma febre fazer investimento em IPO, mas o resultado no longo prazo não justifica a estratégia”, diz Eid, lembrando ter visto, na época, alunos de doutorado cogitando usar recursos da bolsa de estudos para comprar papéis de companhias estreantes no pregão, comportamento que ele compara ao do sapateiro que investia em renda variável em Wall Street na pré-crise de 1929.

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Fundos de Investimentos Detentores da Dívida Pública X Emissões no Mercado de Capitais

** Não considera o volume de Operações Compromissadas. O total de Títulos Públicos Federais, somado as Operações Compromissadas com lastro nesses títulos na carteira dos fundos, equivale a 82% do estoque de Títulos Público Federais em mercado. Veja abaixo que as Operações de Mercado Aberto somavam R$ 1.158.639 milhões ou R$ 1,158 trilhões!

 Obs.: a diferença entre o total e a soma de prefixados e indexados é de R$ 1,16 trilhões; por dedução, estariam em pós-fixados flutuantes (LFTs).

Obs.: (1) EFPC Emp. Públicas, EFPC Emp. Privadas, Seguradoras, EAPC, RPPS, Capitalização, Fundos de Investimento; (2) Corporate, Middle Market; (3) Varejo, Varejo Alta Renda. EFPC = Entidades Fechadas de Previdência Complementar (fundos de pensão). EAPC = fundos de pensão abertos (PGBL/VGBL) já possuem o maior percentual do Patrimônio Líquido (PL) entre os Investidores Institucionais.

FUNDOS DE INVESTIMENTOS:

Após recordes sucessivos de captação, a indústria de Fundos de Investimentos registrou resgate líquido de R$ 21,6 bilhões em abril de 2017, o segundo maior da série iniciada em 2002, superado apenas pela saída líquida de R$ 28,9 bilhões, ocorrida em outubro de 2008, no início da crise internacional. Continue reading “Fundos de Investimentos Detentores da Dívida Pública X Emissões no Mercado de Capitais”

Finanças Comportamentais: Efeito Retrovisor e Viés da Sobrevivência

O instinto de sobrevivência de quem fez fuga de capital no passado leva a poucos usarem a oportunidade de repatriamento do capital oferecida pelo governo golpista aos seus apoiadores. A nova edição da lei de anistia a recursos não declarados por brasileiros no exterior deve trazer aos cofres públicos algo entre 25% e 30% do volume arrecadado com o primeiro programa — entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões –, o que pode significar mais R$ 45 bilhões em recursos que vão ganhar livre trânsito internacional para aplicar no Brasil ou seguir fora do país.

A Receita Federal estima no seu relatório bimestral de receitas e despesas levantar R$ 13,2 bilhões em 2017. Desse total, cerca de metade ficará com a União e a outra parte dividida entre Estados e Municípios. O contribuinte tem até 31 de julho para aderir e pagar o imposto e multa devidos.

A exemplo da primeira rodada do programa, a expectativa é que apenas uma parcela desse volume seja efetivamente repatriado. Para os “private banking” brasileiros, que assessoram seus clientes, é indiferente se os recursos ingressam ou não no país, pois podem prestar assessoria de investimentos de uma forma global, ganhando comissões pelo patrimônio que detêm sob o seu guarda-chuva.

Olhando pelo retrovisor o passado recente, quem deseja repatriar capital?!

Miguel Raiola Vitale (Valor, 27/01/17) afirma que o efeito retrovisor, bem conhecido na indústria de fundos e observado amplamente nas diversas classes de ativos, é fruto de um viés comportamental do investidor. Este é o “return chasing behavior” — tendência a reagir a movimentos mais recentes do mercado, alocando em ativos com melhor desempenho recente e se desfazendo daqueles com performance mais baixa.

Tanto no Brasil quanto no mercado internacional, este tipo de viés já foi amplamente estudado e empiricamente comprovado. No início da década de 90, a academia já se debruçava sobre o tema. Ippolito (1992) encontra forte evidência estatística de que os investidores reagem à performance passada e, mais que isso, esta reação é assimétrica. Esta assimetria, também chamada de convexidade, se refere ao fato de que fundos dos quartis superiores têm captação proporcionalmente maior que os resgates sofridos pelos de pior performance.

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Marcação-a-Mercado (MtM): Renda Fixa vira Renda Variável antes do Vencimento

Muitos investidores incautos tinham a impressão de que, por ser “renda fixa” o ganho prefixado seria garantido, até que um amigo lhes disse o contrário. Então, perguntam à Leticia Camargo, que é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP (Certified Financial Planner) concedida pela Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar): “posso perder dinheiro investindo em Tesouro Prefixado?” Leticia Camargo, CFP, responde:

“Pois é, caro leitor, quando investimos em renda fixa, isso nos faz parecer que o retorno está determinado e que já sabemos quanto vamos receber de juros. Afinal, renda fixa deveria proporcionar um rendimento fixo! A questão é que podemos até perder dinheiro neste tipo de investimento.

Podemos considerar três riscos em renda fixa:

1) risco de crédito, que é a possibilidade de o emissor deixar de pagar o principal e os juros;

2) risco de liquidez, que é o risco de não conseguir transformar rapidamente o título em dinheiro, sem perda de valor significativa; e

3) risco de mercado, que é a incerteza quanto ao comportamento dos preços daquele título até o seu vencimento.

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Hedge a la Avestruz

Marcela Rocha é economista de O Mercado. Publicou artigo (Valor, 11/04/17) em que revela a proteção de avestruz adotada por Ele.

“Ao contrário das expectativas, a conjuntura internacional após a vitória de Trump, por ora, não se configura em um cenário adverso para as economias emergentes. O ano de 2017 tem sido marcado por:

  1. a alta do índice acionário dos mercados emergentes,
  2. a valorização da maioria das moedas e
  3. o recuo do prêmio de risco destas economias.

Os principais riscos provenientes dos EUA para as economias em desenvolvimento, como ações protecionistas, retaliação comercial e promessas de estímulo fiscal, continuam presentes nos discursos de Trump e, inclusive, algumas ações já foram anunciadas. No entanto, a expectativa de que grande parte das propostas mais polêmicas de Trump permaneça somente no campo da retórica e que o Congresso americano atue para refrear medidas controversas e demasiadamente onerosas têm contribuído para o bom desempenho dos ativos emergentes no ano.

Ainda mais importante do que o fator Trump, o que ajuda a explicar a boa performance dos países emergentes no período são:

  1. os preços das commodities sustentados pela expansão sincronizada da economia global,
  2. o menor risco de uma desaceleração abrupta da economia chinesa e
  3. a perspectiva de maiores gastos com infraestrutura nos EUA.

O Brasil desfruta da janela de oportunidade externa e os principais ativos brasileiros também mostram retorno positivo no ano. Contudo, a boa performance dos ativos domésticos levanta questionamentos sobre o quanto da melhora foi influenciada pelos desdobramentos externos.

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