Tesouro Direto ou Bolsa de Valores?

Teremos para sempre uma economia de endividamento (público e bancário), aliás, como predomina no resto do mundo, exceto nos EUA, onde existe uma economia de mercado de capitais, centralizada na Bolsa de Valores de Nova Iorque (New York para os esnobes)? Os PhDeuses lá neocolonizados, culturalmente, almejam extrair algo do tipo aqui à fórceps, baseados na premissa de “o bom para os States é bom para o Brasil“!

Depois de examinar os dados acima com as diferenças de rentabilidade real acumulado neste ano entre renda fixa (pós-fixada ou DI: 2,08% até novembro) e renda variável (volátil mensalmente, mas acumulando 13,18%), compare os dois artigos abaixo. Um diz a respeito do Tesouro Direto, outro aos ciclos do Ibovespa.

Qual é sua escolha:

  • estabilidade sem flutuação de valor-de-mercado acima da taxa de inflação para proteger o poder aquisitivo de o suado dinheirinho fruto de esforço laboral ou instabilidade com emoção da renda variável?
  • na Bolsa de Valores se ganha ou se perde mais; você tem capacidade de fazer escolha de ações com base em uma análise fundamentalista ou uma grafista?
  • Ou você é um especulador profissional com permanente acompanhamento online das altas e baixas e capacidade reativa rápida face às oportunidades ou aos riscos de perda? Acredita em sua percepção de “time-market“: entrar na baixa e sair na alta? Continue reading “Tesouro Direto ou Bolsa de Valores?”

Bancos de Negócios “Rouba-Monte”: BTG X XP

Maria Luíza Filgueiras (Valor, 07/11/18) publicou uma reportagem cujo conteúdo fica mais inteligível juntando com outra notícia postada em seguida.

Com uma postura mais conservadora nas atividades de risco no último trimestre, o banco BTG Pactual do bilionário André Esteves, ex-sócio do Pérsio Arida, teve uma desaceleração de receita e rentabilidade, mas está com uma estrutura de capital mais robusta para um cenário de retomada de crescimento econômico. O que ainda não está claro, para a instituição, é quando esse ritmo vai aumentar.

“O Brasil vem de uma fase complicada, de uma recessão grave, equivalente a países em esforço de guerra. Pode acontecer um efeito de mola comprimida, impulsionando a economia a curto e médio prazo de modo significativo”, disse o diretor financeiro do BTG Pactual. “Mas isso depende das condições certas. Acredito que nas próximas semanas vai ficar mais claro qual o potencial desse efeito.”

Até que o cenário seja definido, o banco continuará com estratégia mais conservadora. “No quarto trimestre vamos continuar com alguma ineficiência de resultado porque temos preferido ficar com balanço bem líquido, desalavancados, e no momento é uma estratégia que está se mostrando bem acertada”, disse. “Temos um ‘dry powder‘ para usar quando precisar.” Continue reading “Bancos de Negócios “Rouba-Monte”: BTG X XP”

História da Primeira Gestora Independente de Patrimônio Financeiro

Sérgio Tauhata (Valor, 07/11/18) cita: “A primeira regra da pescaria é: pesque onde os peixes estão.” A frase de Charlie Munger, sócio de Warren Buffett na Berkshire Hathaway, aparece com destaque na carta aos clientes em que a IP Capital comemora seus 30 anos. Os peixes, no caso, são empresas fora de série, ou seja, “negócios muito sólidos, rentáveis no longo prazo e formados por pessoas excelentes”, resumem os sócios da primeira gestora independente a surgir no Brasil.

Quando a IP nasceu, em 1988, no Rio de Janeiro, os órgãos reguladores nem mesmo reconheciam a figura do gestor independente, ou seja, aquele não ligado a bancos. Tanto que o fundo mais antigo nasceu apenas cinco anos após a casa ter aberto as portas.

Quem fundou a gestora junto com um sócio, naqueles primeiros anos, entre 1988 e 1993, a IP administrou individualmente as carteiras dos clientes. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passou a reconhecer a figura do gestor independente só a partir de 1993. Foi quando criaram primeiro fundo IP Participações, para o qual transferiram todos os nossos clientes.

O IP Participações fez 25 anos em 2018. Desde a implantação do Plano Real, em julho de 1994, até setembro deste ano, o fundo acumula valorização nominal de 13.317%. A gestora prefere não contabilizar o ganho do primeiro ano justamente devido ao efeito da hiperinflação. Naquele ano, o IPCA acusou alta de 2.477%. Teria de calcular as rentabilidade em dólar” para considerar o ganho de 1993. Continue reading “História da Primeira Gestora Independente de Patrimônio Financeiro”

Inovação Financeira: Desintermediação Bancária

Adriana Cotias (Valor, 19/11/18) conta um caso representativo: depois de uma carreira de mais de uma década na assessoria a investidores de alta renda em instituições como Itaú, HSBC e Safra, uma gerente resolveu trocar a rotina da agência bancária pela de um escritório de agentes autônomos no Rio. Recém-chegada à Inove Investimentos, ela tem como meta pessoal consolidar, em 12 meses, uma carteira de cerca de R$ 100 milhões, mais de 60% do tamanho do portfólio sob sua gestão no Safra.

A transição voluntária da profissional é simbólica de um movimento ocorrendo no mercado brasileiro. Até poucos anos atrás considerada carreira acessória nas corretoras, a atividade deixou de ser mera opção para quem perdeu o emprego nos inúmeros cortes do setor e passou a ser almejada por “bankers“, profissionais que atendem o público mais endinheirado em instituições de primeira linha.

Hoje esse profissional é diretamente assediado pelos escritórios. Se antes o discurso da “desbancarização” das plataformas era dirigido ao investidor, agora o “canto da sereia” vem pela cadeia dos próprios agentes. O “inimigo” dos bancos pode estar dentro de casa.

A grande patrocinadora dessa mobilidade é a XP Investimentos. Em meio à meta de chegar a R$ 1 trilhão em ativos até 2020 – sendo R$ 250 bilhões só no private -, tem oferecido incentivos generosos a assessores novatos que trazem grandes volumes. Em 18 meses, o cheque pode chegar a R$ 200 mil para o profissional que forma uma carteira de R$ 80 milhões. A ideia é ser ofensivo enquanto a reação dos bancos não vem. Continue reading “Inovação Financeira: Desintermediação Bancária”

Valor de Mercado de Sociedades Abertas na Bolsa de Valores: Metade do PIB Brasileiro

Juliana Machado (Valor, 13/11/18) informa: a representatividade do mercado de capitais brasileiro em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) cresceu com o passar dos anos, mas, depois da crise mundial de 2008 e dos últimos anos de recessão no Brasil, voltou a ocupar um lugar modesto.

Com 341 empresas listadas, atualmente, o Brasil fica do mesmo tamanho de países como Vietnã, Israel e Turquia. A Índia tem mais de 6 mil empresas no mercado e na China, são 2,5 mil, segundo Andre Rosenblit, responsável pela área de renda variável do Santander.

Menos empresas também passaram a valer mais na bolsa, mas isso deve ser relativizado na comparação com todas as riquezas produzidas no país. Hoje, as 341 companhias valem R$ 3,5 trilhões, ou 47,6% do PIB brasileiro. A capitalização da bolsa de valores dos Estados Unidos equivale a 127% do PIB, enquanto no Japão essa relação é de 118%. No Chile, o valor de mercado das empresas representa 91% do PIB. Os dados foram compilados pelo Santander.

Em uma série histórica desde 1996, o valor das empresas da bolsa brasileira chegou a encostar no tamanho do PIB apenas no “boom” de aberturas de capital, em 2007. No primeiro ano do segundo mandato do Lula, pouco mais de 400 empresas tinham o tamanho de quase todo o PIB do país. As informações reunidas pelo Valor consideram o ajuste dos dados pela inflação de outubro de 2018, para fins de comparação de valores reais em todos os anos.

Se de um lado o Brasil oferece pouca diversificação aos investidores, a concentração também faz com que o mercado seja muito refratário aos pequenos investidores. Segundo Rosenblit, nos países emergentes, a média de pessoas físicas investindo em bolsa é de 5% da população. Se o Brasil tivesse no mesmo patamar, 10 milhões de pessoas estariam com ações nas mãos – mas só 740 mil investidores dessa categoria estão no mercado, segundo os dados mais recentes da B3.

Caso a bolsa volte a ganhar tração, em um cenário de juros mais baixos e crescimento do PIB e do emprego, com mobilidade social e um Estado de confiança para todos os cidadãos, i.é, democrático, talvez mais companhias possam retornar ao mercado de ações para financiar a expansão dos seus negócios com lançamento primário.

No mercado secundário, o valor de mercado das empresas se diferencia do valor patrimonial contábil, podendo ser até inferior ao montante investido pelos sócios majoritários na empresa. Aí eles preferem recomprar ações e fechar o capital da empresa.

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Bolsa de Valores Raquítica: Sujeita à Manipulação de Poucos Especuladores Profissionais

Juliana Machado (Valor, 13/11/18) informa: o mercado de ações brasileiro encolheu nos últimos anos e caminha para fechar 2018 com o mesmo número de empresas listadas em bolsa observado em 2006, um dos mais baixos da história.

Embora o mercado de capitais brasileiro tenha ganhado robustez e maturidade com o passar dos anos e as companhias abertas tenham passado a ser mais valiosas, ainda assim, muitas empresas abandonaram a bolsa, o que elevou significativamente a concentração do mercado. Os anos de crise mostraram que nem só de expectativa se faz um país.

Levantamento do Valor com dados da B3 mostra que, em 2018, há 341 companhias com ações negociadas em bolsa, mesmo número de 2006 — antes, portanto, do “boom” de abertura de capital ocorrido entre 2007 e 2008 e um dos menores da série iniciada em 1996. O valor de mercado hoje das empresas listadas chega a R$ 3,5 trilhões – a Apple, sozinha, vale quase isso na Nasdaq. Em um dos melhores anos do mercado, em 2007, mais de 400 empresas listadas chegaram a valer cerca de R$ 5 trilhões.

O número de companhias com ações em bolsa é 38% menor do que o registrado em 1996, quando havia 550 listadas. Trata-se de um processo de amadurecimento natural do mercado, marcado pela “limpeza” das empresas que não estavam preparadas para ter capital aberto e por movimentos de consolidação, com fusões e aquisições bem recebidas pelos investidores. Continue reading “Bolsa de Valores Raquítica: Sujeita à Manipulação de Poucos Especuladores Profissionais”

Grau de Desenvolvimento do Mercado de Capitais Brasileiro X BNDES


Quanto ao desenvolvimento dos mercados de capitais locais, a visão de política industrial em defesa da intervenção estatal na economia brasileira afirma que a ação governamental no âmbito setorial será especialmente útil quando o subdesenvolvimento dos mercados de capitais, ainda restritos, impedir a ação empresarial privada.

Quando se desenvolverem os mercados de capitais no Brasil, os benefícios dos investimentos do governo em participações minoritárias em empresas privadas provavelmente diminuirão. As empresas terão acesso crescente a financiamentos externos e a alternativas de capitalização, como ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês), debêntures negociadas em Bolsas de Valores e recibos de depósito.

Aldo Musacchio e Sergio G. Lazzarini, no livro “Reinventando o Capitalismo de Estado”, entendem o modelo do Leviatã como investidor minoritário ser mais apropriado nos estágios intermediários de desenvolvimento do mercado de capitais. Mas eles não fazem uma análise do atual estágio do mercado de capitais brasileiro para avaliar se esse modelo está apropriado ou não. É prudente a recente retirada de cena do BNDES?

Leticia Magalhães é mestre em Economia pela EPGE-FGV e Gilberto Borça Jr. é mestre em Economia pelo IE-UFRJ. Publicaram artigo (Valor, 09/08/18) sobre o papel recente do mercado de capitais. Compartilho-o abaixo para analisar essa questão-chave: é possível as empresas não-financeiras se financiarem sem endividamento externo? Continue reading “Grau de Desenvolvimento do Mercado de Capitais Brasileiro X BNDES”