Por qual razão se arriscar com Renda Variável se o investidor tem continuamente uma maior Renda Fixa?

Marcelo D’Agosto (Valor, 18/03/22) avalia:

Foram cinco anos em que as teorias de finanças funcionaram na prática no Brasil. Entre maio de 2017 e fevereiro de 2022, os investidores que escolheram as modalidades mais arrojadas oferecidas no mercado financeiro brasileiro conseguiram taxa de retorno que compensou o maior risco das aplicações.

Os números contrastam com o período de pouco mais de 19 anos entre fevereiro de 1998 e abril de 2017. Nessa época, os conceitos de diversificação de portfólio e prêmio de risco eram discutidos apenas nos programas de pós-graduação das melhores universidades brasileiras.

A diferença entre os dois períodos é o patamar da taxa básica de juros. Nos últimos cinco anos a Selic sempre esteve abaixo de 1% ao mês. E apenas 12 meses atrás era de 2% ao ano, o menor nível da série histórica.

Em contrapartida, quando os juros eram mais altos, a taxa básica de juros ficou acima de 1% ao mês em 70% do tempo. Nesse período, pouquíssimas aplicações financeiras superavam consistentemente a remuneração oferecida pelas modalidades mais conservadoras e com liquidez diária.

O Banco Central passou a fixar a taxa básica de juros em termos anuais a partir da 21a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 28 de janeiro de 1998. Antes disso, entre junho de 1996 e novembro de 1997, a taxa era estabelecida em termos mensais. A maior do intervalo foi de 3,05% ao mês e a menor de 1% ao mês.

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Panorama dos Fundos Patrimoniais no Brasil: “Capital Paciente”

Marília de Camargo Cesar (Valor, 23/03/22) publicou reportagem sobre algo relativamente desconhecido: a indústria de fundos patrimoniais no Brasil cresceu substancialmente na última década, passando de 16 instituições para 52 em 2021, com uma soma de R$ 78,8 bilhões em patrimônio, segundo levantamento inédito do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis) e da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos, com apoio do Grupo de Institutos Fundações e Empresas (Gife).

O estudo “Panorama dos Fundos Patrimoniais no Brasil” faz pela primeira vez um raio-x desse setor também conhecido como de endowments, ou capital “paciente”, por reunir recursos de doações de pessoas físicas ou empresas para manutenção de longo prazo de causas específicas de organizações públicas ou privadas sem fins lucrativos.

O IDIS listou 52 fundos ativos e seis em fase de estruturação. Eles estão concentrados no Estado de São Paulo (38 do total), mais focados em educação (24), seguida por cultura (9), saúde (8) e ciência e tecnologia (5). A maioria tem patrimônio entre R$ 1 milhão R$ 5 milhões e, em seguida, vêm os com R$ 100 milhões a R$ 500 milhões.

Destacam-se como detentores das reservas mais robustas a Fundação Bradesco, com a quantia majoritária (82% do total), ou R$ 65,5 bilhões, Fundação Itaú para Educação e Cultura, com R$ 5,6 bilhões, Associação Umane (ligada ao Hospital Samaritano, de São Paulo), com R$ 1,9 bilhão e Fundo Patrimonial do IMS (Instituto Moreira Salles), com R$ 1,25 bilhão.

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FUNPRESP ou PGBL?

A Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público (Funpresp) pretende intensificar os investimentos em crédito privado neste ano e começar, em 2023, a direcionar recursos para fundos de imobiliários. Com isso, a ideia é ampliar a carteira de ativos dos atuais R$ 5 bilhões para R$ 7,5 bilhões até o fim do próximo ano, e para R$ 21 bilhões em 2030. A expectativa do novo diretor-presidente da Funpresp, Cristiano Heckert, é que o número de participantes salte dos atuais 89 mil para 105 mil em 2023 e 230 mil em 2030.

Seu principal desafio é fazer com que o fundo seja o 25o do país em ativos e o 6o em número de participantes quando terminar seu mandato em 2023.

Ele disse ainda que, neste cenário de incertezas, com aumento da inflação e da taxa de juros e impactos da guerra na Ucrânia, a manutenção da estratégia de diversificação de ativos é fundamental para conseguir alavancar a rentabilidade do fundo, principalmente no longo prazo.

Em 2021, a carteira consolidada alcançou resultado de 4,5% no ano (algo superior ao CDI), número inferior ao índice de referência do plano, de 14,5%, devido, principalmente, ao cenário adverso observado no mercado financeiro e à obrigação de marcar os títulos públicos a mercado. Mas a avaliação é que oscilações de curto prazo tendem a se acomodar no longo prazo.

Para este ano, a política de investimentos do fundo prevê atingir a marca de 12,3% dos ativos em crédito privado. Atualmente, esse percentual é residual. Por outro lado, no início de 2022, o fundo reduziu, praticamente pela metade, investimentos em ativos no exterior, que passaram de algo em torno de 6% para 3% da carteira, devido às turbulências no mercado.

Até o fim do ano, a intenção é finalizar os estudos de mercado para começar em 2023 a alocar recursos para fundos imobiliários.

Servidor público da carreira, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e ex-secretário de gestão do Ministério da Economia, Heckert tomou posse no cargo de diretor-presidente da Funpresp em janeiro, em substituição a Ricardo Pena. Dentre as prioridades do executivo estão a proximidade com os participantes, solidez dos investimentos e robustez na governança e gestão.

Ele destacou que um dos produtos que teve forte aceitação entre os participantes é o crédito consignado e, portanto, deve ser oferecido para participantes de outros planos do fundo. A concessão de crédito nessa modalidade somou R$ 46,3 milhões no ano passado, um crescimento de 149% em relação ao ano anterior. Esse empréstimo, que hoje é concedido apenas para os participantes do plano do Poder Executivo, passará a ser ofertado também para os do Poder Legislativo.

Segundo o diretor-presidente da Funpresp, a negociação com representantes da Câmara dos Deputados já está avançada e a ideia é disponibilizar o produto para esse público no início do segundo semestre.

Heckert avalia também a possibilidade de incorporar os antigos planos de previdência complementar de servidores de órgãos como Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

A Funpresp completou nove anos em fevereiro e foi criada com o objetivo de atenuar o elevado déficit do regime de previdência dos servidores públicos, dando sustentabilidade ao sistema no longo prazo.

Com a medida, trabalhadores que ingressaram no serviço público a partir de 2013 passaram a ter a aposentadoria limitada ao teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – que atualmente é de R$ 7.087,22 – e, se quiserem receber um valor maior que esse limite, os servidores têm de aderir à Funpresp.

O benefício fiscal é uma característica relevante dos Planos Previdenciários Abertos. Acabam sendo escolhidos como investimento em detrimento de outras aplicações financeiras.

Há duas modalidades de previdência privada, o VGBL e o PGBL, sendo que apenas essa última possui o benefício de redução do imposto de renda na declaração de ajuste anual, de até 12% sobre a renda tributável. Os aportes em planos PGBL só fazem sentido para quem faz a declaração do tipo completa e preenche os outros requisitos legais.

Diante do contexto de déficit da previdência pública e da limitação de renda futura, considerando que o INSS tem um teto no valor da aposentadoria, hoje de R$ 7.087, surgiu a necessidade de alternativas privadas para sua complementação. Então, em especial para as pessoas que têm renda superior ao teto da Previdência Social, e por consequência estão na maior faixa de alíquota do imposto de renda, a contribuição em PGBL pode ser interessante.

Com uma renda tributável de R$ 100 mil, por exemplo, aplicando R$ 12 mil, o imposto devido cairá de R$ 17.067 para R$ 13.767, uma diminuição ou restituição de R$ 3.300.

No momento da contratação do plano, você precisará escolher o regime tributário: progressivo ou regressivo. O regime tributário indica a forma como os recursos serão tributados no resgate.

No progressivo, o cálculo obedece à tabela progressiva de imposto de renda, ou seja, quanto maior o resgate, maior será a alíquota incidente, e esse valor é somado a outras rendas tributáveis na declaração de ajuste anual. Portanto, é recomendado para quem pretende fazer retiradas menores.

Já no regressivo, a alíquota é definida pelo prazo da aplicação. Quanto maior o tempo, menor a alíquota. Utilizando o mesmo exemplo, os R$ 12 mil aplicados em um PGBL regressivo, após dez anos, acarretarão uma incidência de 10% de imposto de renda, lembrando que no PGBL o imposto incidirá sobre o principal e os rendimentos, resultando num montante de R$ 1.200, correspondente a cerca de um terço do valor economizado anteriormente.

O fundamental é escolher um plano coerente com seus objetivos e perfil de risco, e acompanhar a rentabilidade do fundo e seus custos com taxas de administração e carregamento. Ademais, o benefício fiscal permanece no caso de portabilidade, ou seja, é possível mudar de plano sem precisar resgatar, não gerando tributação.

Resolvidos os aspectos financeiros, outras considerações são válidas. Os benefícios fiscais funcionam justamente para incentivar poupanças destinadas à utilização do dinheiro em longo prazo. A maioria dos planos possui carência entre um resgate e outro, você deve avaliar se o valor aportado não será necessário em curto prazo e ter uma reserva de liquidez para eventuais imprevistos.

Por último, mas não menos importante, contratar uma previdência é uma escolha que altera o comportamento pessoal, uma vez que ao aderir ao plano acaba-se poupando todo mês parte dos recursos para que seja destinada à aposentadoria. Por isso, você deve saber bem quanto de renda espera ter no futuro e, para tanto, quanto precisará contribuir e distribuir entre a previdência pública, a privada e outros tipos de investimentos.

Entrada na Baixa e Saída na Alta para Realização dos Ganhos: Investidores Estrangeiros na Bolsa de Valores de São Paulo

Depois de receber mais de R$ 73 bilhões em recursos estrangeiros até o último dia 16 de março de 2022, valor acima do recorde anual da série histórica iniciada em 1994, o segmento secundário da B3 (ações já listadas) pode sentir um abrandamento deste fluxo nos próximos meses, conforme o cenário global de ações passa por ajustes.

Investidores globais ainda enxergam suporte para ações ligadas a commodities, mas uma mudança de foco para ativos mais dependentes da economia local parece menos provável, conforme as pressões inflacionárias se intensificam e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) dá início ao ciclo de aperto monetário.

Em 2022, o Ibovespa acumula ganhos de 9,8%, enquanto o S&P 500 perde 6,3%, o Nasdaq devolve 11,6% e o europeu Stoxx 600 cede 6,8%. O desempenho positivo, no entanto, é fortemente concentrado em empresas com maior peso no índice local e nos setores de mineração e siderurgia, óleo e gás e financeiro, os favoritos do investidor global por sua liquidez.

Antes do início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em fevereiro, agentes enxergavam um possível transbordamento dos recursos internacionais para ativos mais ligados à economia local, ao esperarem um abrandamento da inflação e uma reversão da política monetária apertada após a eleição. Agora, esse cenário já parece distante.

Os bancos centrais da América Latina vinham se preparando há meses para este ciclo de aperto monetário, tentando se manter à frente da curva, mas o impacto da guerra é essencialmente inflacionário, com alta nos preços de alimentação e energia. Não é catastrófico, mas torna o ambiente mais desafiador e atrasa expectativas de reversão no cenário. A recomendação é “neutra” para os ativos do país.

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Baixo Número de Clientes de Gestoras de Recursos

As cinco gestoras de recursos que mais ganharam clientes em 2021 atraíram juntas quase 1,6 milhão de novos cotistas para seus fundos de investimento. Da lista, três são “independentes” e duas, ligadas aos grandes bancos.

A XP Allocation Asset Management, ligada ao grupo XP, foi a que mais ganhou clientes, com 478,7 mil novos cotistas. Em seguida, aparece a gestora do Nubank, a Nu Asset Management, com a chegada de 430 mil investidores. As gestoras da Caixa e do Bradesco aparecem no terceiro e quarto lugares, com 312 mil e 184 mil novos clientes, respectivamente. Em quinto lugar, ficou a Vitreo Gestão de Recursos, ligada à Empiricus (agora controlada pelo BTG Pactual), com 174 mil novos cotistas.

Alguns fatores principais explicam o crescimento dessas casas. O lançamento de produtos alternativos, como fundos voltados ao exterior ou a ativos menos comentados (como cannabis, água e urânio); os aportes mínimos de valor baixo e as estratégias de marketing para atrair investidores pessoas físicas deram impulso a essas gestoras.

Assim como já se viu em anos anteriores, as assets não ligadas aos grandes bancos foram as que mais atraíram novos clientes. As gestoras das cinco principais instituições financeiras de varejo do país (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander) fecharam dezembro com 15,63 milhões de cotistas, ante 15,10 milhões no fim de 2020 – um crescimento de apenas 3,48%. Já as demais gestoras avançaram 30%, atingindo 8,29 milhões de cotistas.

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Especulação sobre Futuro Incerto eleva Prêmio de Risco

Enquanto os juros globais já se ajustam à expectativa de a normalização da política monetária ganhará tração nos países desenvolvidos, um sinal de alerta paria sobre o mercado brasileiro. O juro real desconta o impacto da inflação. É uma das variáveis a melhor expressar a percepção do investidor para o futuro, tem operado em níveis bastante elevados no Brasil.

As taxas das NTN-Bs – títulos atrelados ao IPCA, portanto, indicam o juro real precificado pelo mercado – se mantêm acima de 5,5% em vencimentos mais longos. Isso reflete uma incerteza elevada à frente. No fim de 2019, esse mesmo juro real longo chegou a ser negociado abaixo de 3,5%.

O prêmio de risco elevado pressiona o nível dos juros reais, contribui para o aperto das condições financeiras, penalizando a atividade econômica. O juro real longo está bastante alto.

O aumento da complexidade na discussão sobre as contas públicas, cujo debate tem ficado mais acalorado, as incertezas geradas pelo período eleitoral e os desafios externos crescentes são alguns dos fatores apontados para justificar a exigência, em O Mercado, por um prêmio de risco cada vez mais alto.

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Disparidade do Juro Brasileiro provoca Predomínio de Posição Comprada em Dólar Futuro

Investidores estrangeiros têm reduzido apostas contra o real no mercado de câmbio. Dados de operações realizadas na B3 até 20/01/22 mostram a posição comprada de estrangeiros, isto é, os contratos onde o investidor lucra com a alta do dólar, encolheu US$ 7,6 bilhões nas últimas duas semanas, para US$ 19,7 bilhões. Este é o menor montante desde 31 de outubro, quando o dólar estava cotado a R$ 5,1697.

A posição vendida, quando o investidor aposta na queda do dólar (ou valorização do real), de investidores institucionais locais (fundos de pensão, seguradoras) está estacionada em US$ 59 bilhões, perto do pico registrado em junho de 2021, quando o dólar operou abaixo de R$ 5,00. São essas movimentações que definem a cotação do dólar. Neste ano, o real acumula valorização de 2,21%.

A mudança da política monetária nos EUA aumenta a aversão a risco – a alta de juros lá atrai investidores porque é mais seguro comprar títulos do Tesouro americano. Apesar disso, aplicadores estão olhando agora mais para o elevado diferencial de juros do Brasil em relação ao exterior. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) encerrará seu programa de estímulo monetário e elevará os juros. Aqui, a taxa básica de juros (Selic) já está em 9,25% ao ano e a expectativa é finalizar 2022 acima disso.

Especialistas advertem: perspectivas positivas para o real estão limitadas ao curto prazo. Com o Congresso em recesso, diminui a volatilidade relacionada ao noticiário, e o [cenário] externo acaba tendo efeito maior. Mais do que acontece na cena local, o que determina investimento no Brasil neste momento é a tentativa do mercado de antecipar o que o Fed fará nos próximos meses.

O interesse dos estrangeiros está sendo afetado pelas incertezas relacionadas à sucessão presidencial, ao Orçamento e à política de preços de energia.

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Fim da Euforia com IPOs, Pânico no Mercado de Ações com a Reversão da Fuga da Renda Fixa

Depois da euforia que levou a um número recorde de aberturas de capital (IPOs, na sigla em inglês) em 2021, o comportamento das ações das empresas novatas no mercado mostra um quadro bastante negativo. Das 45 empresas que estrearam na B3 no ano passado, 33 acumulam um desempenho inferior ao do Ibovespa desde a listagem, segundo levantamento da Trafalgar Investimentos feito a pedido do Valor (20/01/22).

A predominância de performance decepcionante nessa safra de novas listagens pode indicar que algumas das operações foram feitas a preços excessivamente altos num período em que os investidores estavam muito mais complacentes com o risco. Mas esse desempenho negativo reflete, sobretudo, o impacto da alta da taxa básica Selic e dos juros de longo prazo sobre o mercado de ações.

Antes, em 2020, o ambiente de juros muito baixos no Brasil e no mundo levou a uma postura pouco crítica entre investidores.

Boa parte dos IPOs aconteceu em um período de grande euforia ilusória (sem fundamentos reais) de O Mercado, o que levou a um “rali” do Ibovespa de 45% entre novembro de 2020 e junho de 2021. Esse comportamento tinha como pano de fundo a expectativa da reabertura da economia e também de a taxa de juros permanecer baixa por muito tempo, com inflação ainda ancorada. 🙂

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Mercado de Capitais encerra 2021 com Recorde de R$ 596 bilhões em Captações

O total de ofertas no mercado de capitais brasileiro atingiu R$ 596 bilhões em 2021. O resultado é 60% maior do que em 2020 – ano marcado pelo início da pandemia e por grande incerteza dos investidores com relação à economia.

Em dezembro de 2021, o montante captado foi de R$ 78,5 bilhões e contou com grande participação dos FIDCs – com R$ 26,3 bilhões em ofertas. A quantia captada no mês foi a maior para essa classe de ativos em 2021 e contribuiu para que esses fundos encerrassem o ano o com R$ 85,3 bilhões em captações. O valor é mais do que o dobro captado em 2020.

As debêntures também tiveram bom desempenho no último mês do ano e alcançaram R$ 28,7 bilhões em ofertas – totalizando R$ 253,4 bilhões captados em 2021, e, a exemplo dos FIDCs, também dobraram o montante registrado em 2020.

Com relação às destinações desses recursos, não houve alterações significativas em comparação ao ano anterior. Capital de giro (33,3%), refinanciamento de passivo (22%) e investimento em infraestrutura (21,2%) seguem como as principais finalidades dos investimentos.

Intermediários e demais participantes ligados à oferta, que antes representavam 64,3% dos subscritores das debêntures, fecharam o ano com 45,4% das emissões de 2021, seguidos pelos fundos de investimento – que saíram de 23,5% em 2020 para 38,6% neste último ano.

Ainda sobre os ativos de renda fixa, os CRIs e CRAs alcançaram os maiores valores em ofertas para um único mês em 2021. Os certificados de recebíveis imobiliários captaram R$ 6,9 bilhões, totalizando R$ 34 bilhões no ano passado, mais do que o dobro do valor captado em 2020. Os certificados de recebíveis do agronegócio registraram R$ 4,6 bilhões em dezembro, fechando o ano com R$ 23,1 bilhões em captações – valor é 52% maior do que as ofertas registradas no ano imediatamente anterior.

Na renda variável, o mês de dezembro não registrou ofertas públicas iniciais (IPOs) e ofertas subsequente de ações (follow-ons), no entanto, há ainda R$ 406 milhões de ofertas em andamento.

No mercado externo, foi registrada uma emissão de ações, no valor de US$ 2,8 bilhões.

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SPACs: Special Purpose Acquisition Company ou Sociedade de Propósito Específico – SPE

Denis Morante é sócio-fundador da Fortezza Partners. Escreveu artigo (Valor, 07/01/22) explicando o que são as SPACs.

Desde 2020, temos visto a expressão Spac aparecer em jornais de negócios brasileiros – o que parece ser uma onda chegando ao nosso mercado. Este artigo explora o que são, dimensão do mercado, como funcionam, histórico nos EUA e os aspectos da recente chegada dessa tendência ao mercado brasileiro, bem como a nossa previsão de possíveis desdobramentos desse tipo de operação em território nacional.

As Spacs (sigla de Special Purpose Acquisition Company ou, em português, Sociedade de Propósito Específico – SPE) são normalmente criadas pelos “sponsors”, que são profissionais de renome no mercado, cuja credibilidade é capaz de atrair milhões de dólares em capital na listagem.

Esses sponsors costumam ser ex-executivos bem-sucedidos de empresas líderes em seus mercados de atuação, bem como gestores de fundos de investimento. Atualmente, há grandes gestores internacionalmente conhecidos que têm iniciado suas Spacs.

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Tributação de Criptomoedas Usadas em Atividades Ilícitas

Criminosos usaram uma quantia recorde de criptomoedas para fins ilícitos em 2021, mas o crescimento dos mercados de ativos digitais como um todo superou o aumento do número de golpes.

A quantidade de criptomoedas enviadas para endereços que têm ligações conhecidas com grupos criminosos disparou para um recorde de US$ 14 bilhões no ano passado, mais do que o dobro em relação a 2020, de acordo com uma pesquisa da empresa de dados Chainalysis.

Golpes, “ransomware” e roubos aumentaram 79%, em termos de dólares, no ano passado, mas o mercado como um todo teve uma expansão de 550%, com US$ 15,8 trilhões em criptomoedas negociados em 2021. Isso significa que a proporção de atividades ilícitas com relação ao total caiu para o nível mais baixo de sua Varejo história.

As tendências anuais sugerem o crime estar se tornando uma parte menor do ecossistema das criptomoedas.

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Queima do Capital Excedente: Fusões e Aquisições

O capitalismo vai bem, mas a economia e o povo vão mal… Mudou em relação ao dito pelo ditador militar na época do chamado “milagre econômico brasileiro”. 

O mercado de capitais não reflete sempre os fundamentos microeconômicos, setoriais ou macroeconômicos. Por exemplo, A Apple estabeleceu uma nova marca no mercado acionário mundial, no início de 2022, ao se tornar a primeira empresa de capital aberto a ultrapassar o valor de mercado de US$ 3 trilhões. Impressiona o ritmo com o qual a empresa chegou ao valor menos de 500 dias após alcançar a marca de US$ 2 trilhões.

O valor de mercado da Apple subiu cerca de US$ 2 trilhões desde a baixa causada pela pandemia em março de 2020. Para comparar, o valor de mercado de 398 companhias abertas na bolsa de valores de São Paulo atingiu R$ 4,5 trilhões (52% do PIB brasileiro de R$ 8,6 trilhões) ou US$ 815 bilhões em 30/12/21. Valem pouco mais de ¼ da Apple…

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