Efeitos do Crash de Março persistem em Abril de 2020

G1_FI_202005.pngEm abril, a indústria de fundos de investimento registrou saída de recursos na ordem de R$ 91,1 bilhões, maior resgate mensal desde 2002. Em 2020, ela acumula saída líquida de R$ 69,6 bilhões.

Entre as classes de fundos ANBIMA, renda fixa apresentou o pior resultado, no mês e no ano, com resgate de R$ 58,6 bilhões e R$ 120,8 bilhões, respectivamente. O tipo mais representativo, duração baixa grau de investimento, resgatou R$ 46,1 bilhões em abril, elevando o resultado negativo para R$ 123,1 bilhões, no ano.

A classe multimercados foi na mesma direção, com perda de R$ 13,4 bilhões, em abril, mas ainda mantém saldo positivo no ano (R$ 9 bilhões). O único tipo dessa classe que encerrou o mês no campo positivo foi o investimento no exterior, com entrada líquida de R$ 2,2 bilhões; no ano esse tipo acumula captação de R$ 11,4 bilhões.

A classe ações registrou o primeiro resultado mensal negativo no ano, com saída de R$ 637,9 milhões, e apresenta a maior captação da indústria em 2020, R$ 44,3 bilhões. O tipo ações livre, de maior PL dentro da classe, encerrou o mês com captação de R$ 295,2 milhões e apresenta no ano a maior captação da classe, R$ 26,3 bilhões.

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Mercado Secundário de Debêntures e Primário de Títulos Públicos

Ana Paula Ragazzi (Valor, 23/04/2020) informa: a entrada de novos negociadores na ponta compradora no mercado secundário de debêntures está promovendo uma redução dos spreads desses papéis e controlando a onda de resgates que afetou fortemente essa indústria em março. Essa percepção de muitos players desse mercado foi traduzida em números por estudo da gestora de recursos JGP.

O índice IDEX-CDI, criado pela JGP para acompanhar o comportamento do crédito privado, está positivo em 2,1% em abril, até o dia 17. Em março, esse indicador havia fechado com forte desvalorização, de 7,7%. Conforme a análise da gestora, a recuperação reflete a chegada de novos compradores para esses papéis e a expectativa de que o Banco Central seja liberado para atuar na compra de títulos de crédito privado no secundário.

Em janeiro e fevereiro, a média diária negociada no secundário de debêntures foi de R$ 500 milhões. Subiu para R$ 900 milhões em março. E, em abril, até 17, está em R$ 1,2 bilhão, aponta a JGP.

Esse mercado ficou disfuncional porque após uma forte onda de resgates, alimentada pelas incertezas da crise do novo coronavírus, gestores tiveram que vender debêntures a qualquer preço. Com isso, papéis de empresas “AAA” foram negociadas a CDI mais 4% ou 5%, níveis indicadores de risco muito maior para os emissores. Continuar a ler

Prazo de Contas a Pagar X Prazo de Contas a Receber

Marina Falcão (Valor, 09/04/2020) informa: cerca de 80% das empresas com alto nível de governança corporativa listadas na B3 têm caixa para manter suas operações por 20 dias sem entrada de receitas. Essas companhias precisam pagar seus fornecedores antes de receber de seus clientes finais, descompasso de caixa predominante no universo empresarial do país.

A conclusão é resultado de um de um levantamento produzido pelo professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo, Oscar Malvessi. Ele compilou informações financeiras de 144 empresas que compõem o Índice de Governança Corporativa (IGC) da bolsa brasileira, entre os anos de 2010 e 2018.

Os números dão uma dimensão das dificuldades que a maioria esmagadora das empresas no Brasil deve passar nessa crise por conta da epidemia de coronavírus. É um cenário muito difícil.

Empresas com descompasso de prazos precisam de recursos financeiros para bancar suas operações. Segundo o estudo do professor da FGV, essas empresas atuam nos setores diversos, como de alimentos, agronegócios, bens de capital, educação, papel e celulose, química e petroquímica, serviços financeiros, shoppings, siderurgia, metalurgia, têxtil e varejo. São empresas dependentes de antecipação de dinheiro no banco. Continuar a ler

O que vai prejudicar a economia a seguir bem?

O economista Didier Sornette, autor convidado do TED, explica: a previsão do mercado de ações tem um passado histórico de previsões infrutíferas.

Porém, na série Conversação com TED, Didier Sornette compartilha como ele e sua equipe de pesquisa identificaram com êxito bolhas instáveis ​​do mercado e até mesmo previram quando apareceriam. Suas descobertas, caso aceitas pelos demais especuladores, poderiam literalmente mudar a maneira como fazemos negócios, mudando a forma como bancos, comerciantes e governos respondem ao aparente crescimento em mercados individuais.

Na conversa, ele sugere ter obtido sucesso em algumas de suas análises mais recentes. Ele disse: “em 17 de maio de 2013, o mercado de ações dos EUA estava em um caminho insustentável, então, lançamos em nosso site o anúncio de, em 21 de maio, haveria uma mudança de rumo. E no dia seguinte, o mercado começou a mudar de rumo.” Oh, my God!

Ele estava disposto a entrar em mais detalhes, começando com o gráfico acima. No eixo esquerdo (em preto), você pode ver o nível do fundo negociado em bolsa do S&P500, SPY, nos últimos três anos. À direita (em vermelho), você pode ver o nível do Crash Risk Index (CRI), esta é a previsão de sua equipe sobre a probabilidade de um acidente.

Compara-se, inicialmente, o crescimento do SPY e CRI; depois, os últimos três anos de crescimento da S&P500 em comparação com o Crash Risk Index. Havia, como ele disse, “um sinal bastante forte em 21 de maio. Desde então, no entanto, o CRI caiu para zero.”

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Perdas de Março de 2020

O Índice Bovespa, reunindo as principais ações negociadas na B3, teve queda de -29,9% em março. Foi o pior mês da bolsa paulista em quase 22 anos. Desde o início do ano, a queda acumulada é de -36,86%.

Adriana Cotias (Valor, 01/04/2020) registro o histórico “crash de março de 2020”. É equivocado atribui-lo apenas à pandemia de covid-19. Este “choque exógeno” explodiu definitivamente a Bolsa de Valores, já em tendência de queda desde o dia 24 de janeiro.

A baixa pressionada do juro básico para 3,75% aa derrubou os preços de praticamente todas as classes de ativos. A avaliação de gestores de recursos e de patrimônio prudentes deveria ser: não há barganhas tanto na renda fixa quanto variável.

Logo, é preciso dosar muito bem o risco, testar produtos financeiros, cujos rendimentos superem a taxa de inflação, e não ter mais perdas nominais do capital acumulado, a fim de não comprometer o patrimônio de longo prazo. O sobe-e-desce vai prosseguir, em patamar mais baixo, o investidor ainda pode perder mais com ações.

Março chega ao fim com perdas generalizadas para os índices de bolsa, corroendo os resultados acumulados no trimestre. O indicador de ações do setor imobiliário, o Imob, tem queda de -45,4%, e o de empresas de menor capitalização (“small caps”), um recuo de -40,2%. O Ibovespa, principal termômetro da B3, teve desvalorização de -36,9%.

Os indicadores de renda fixa também tiveram queda de -10,9% do IMA-B 5+, de títulos atrelados à inflação longos. Os ativos de proteção especulativa tiveram ganhos: +29,6% para o dólar, e de +30,2% para o ouro negociado na B3.

O depósito de poupança, aplicação conservadora popular, rendeu apenas 0,22% e os CDBs, em média, 0,35%. Não perderam!

Na renda variável, os preços foram para níveis de estresse. E na renda fixa, NTN-B atreladas à inflação e prefixados também caíram porque passaram por uma série de ‘stops’ [vendas para limitar perdas] pelos fundos. Eles, em posições alavancadas, foram obrigados a zerar para atender os pedidos de resgates dos investidores.

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Fluxo de Caixa e Alavancagem Financeira das Grandes Corporações

Reportagem do Valor sobre o fluxo de caixa e a alavancagem financeira das Sociedades Abertas (SA) se utiliza de dados de balanços do fim do ano passado. O valor de mercado delas caiu, radicalmente, ao fim do primeiro trimestre de 2020 com o crash da Bolsa de Valores, quando explodiu a bolha de ações. Logo, o capital próprio marcado a mercado diminuiu em relação à dívida financeira.

Fernando Torres (Valor, 27/03/2020) informa: a grande maioria das empresas da bolsa brasileira tem dinheiro em caixa para cobrir mais de um ano de pagamento da folha de salários de seus funcionários, segundo levantamento do Valor Data com base em dados de balanços do fim do ano passado.

O argumento do jornalista é: se elas parassem de vender e receber pelas vendas por causa da quarentena a que muitas estão sujeitas por causa da pandemia do novo coronavírus, 85% delas conseguiriam honrar seus compromissos trabalhistas por 12 meses com o dinheiro que possuem no banco. Metade dos 15% restantes conseguiria cobrir ao menos seis meses de salários e, por coincidência ou não, as demais são majoritariamente de setores que devem sofrer menos com a crise, como serviços públicos, farmácias e produção de alimentos.

Os dados se referem a 97 empresas não financeiras. Elas fazem parte do Ibovespa e do Small Caps com seus balanços de 2019 já divulgados. Se a amostra for de 67 empresas integrantes do Ibr-X, o resultado é parecido: 84% conseguem cobrir 12 meses de folha de pagamento.

A lista não inclui instituições financeiras pela contabilidade diferente, mas é certo os grandes bancos do país, empregadores de centenas de milhares de brasileiros, também têm folga financeira para pagar salários por muito tempo.

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Perda do Valor de Mercado das Ações de Grandes Empresas

O Ibovespa acumula perdas de 39,7% em 2020, e baixa de 41,7% desde sua máxima histórica. Em termos de valor de mercado, as empresas que compõem o índice já perderam R$ 1,63 trilhão do pico dos 119.527 pontos em 23 de janeiro até ontem.

Nestes dois meses, a Petrobras, maior empresa brasileira, mais sofreu. A estatal petroleira perdeu mais da metade do seu valor de mercado, R$ 223,7 bilhões, e deixou de ser a mais valiosa do Ibovespa, atingindo R$ 174,5 bilhões. A liderança pertence agora ao Itaú Unibanco, seguido por Ambev, Vale e, em quarto lugar, pela Petrobras, conforme levantamento do Valor Data.

A crise deflagrada pela pandemia do coronavírus gerou uma queda de produtos de aversão ao risco no mercado, e na queda dos preços do petróleo para níveis extremamente baixos – inferiores a US$ 30 por barril – diante do recuo da demanda com o avanço da doença e disputa de preços entre Rússia e Arábia Saudita.

Mesmo os papéis mais resilientes, como Itaú Unibanco, Ambev e Vale, não passaram incólumes por este cenário. O Itaú perdeu R$ 108,2 bilhões em valor de mercado, a Ambev R$ 115,8 bilhões e a Vale teve perdas de R$ 94,4 bilhões.

Crônica da Queda Anunciada por Maus Fundamentos e Viés do Status Quo ou Adiamento

Jason Zweig (Dow Jones Newswires, 27/02/2020) avalia: quando os mercados desabam, os culpados geralmente não são os menores investidores, e sim os maiores. Até agora, a maior parte dos investidores individuais (amadores) permaneceram firmes enquanto as ações caem em razão de temores de que o coronavírus possa se transformar em uma pandemia. Se continuarem se mantendo tranquilos, os pequenos investidores poderão até mesmo comprar bem barato com a saída de grandes investidores institucionais do mercado.

Os investidores profissionais, administradores de carteiras de fundos de ações, multimercados ou fundos de pensões, tendem a se movimentar mais rapidamente quando um mercado muda de repente. Isso acontece em grande parte por autopreservação, porque o maior risco que eles enfrentam é ficarem tão defasados do mercado a ponto de serem dispensados por seus clientes. Isso poder levar os profissionais a perseguir demais e por muito tempo a tendência do mercado.

Em oposição aos investidores ansiosos (daytraders), que negociam, freneticamente, em busca de melhores retornos, há os com viés do status quo. Investidores lentos preferem guiar-se por aquilo que lhes foi oferecido, em determinado momento, e com o qual se comprometeram, sem rever essa estratégia, mais tarde, e verificar se houve acerto em vista dos resultados auferidos.

Há também a resistência a realizar qualquer tipo de investimento, preferindo-se manter, por muito tempo, o dinheiro inativo na conta-corrente, arcando com custo de oportunidade.

“As instituições vendem mais do que os indivíduos quando há uma grande queda do mercado de ações”, constataram os professores de Finanças Patrick Dennis e Deon Strickland em um estudo de 2002. Eles também mostraram que, quanto mais uma ação é mantida por grandes investidores, maior é o volume de negócios durante as grandes quedas do mercado.

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Aumento da Participação e Valorização das Ações nas Carteiras de Ativos em 2019

O ano 2019 foi um ano quando o patrimônio líquido nas mãos dos serviços de Varejo e de Private Banking foi puxado pelo aumento da participação e da valorização das ações nas carteiras de ativos desses segmentos de clientes, em especial dos ricaços. Estes se beneficiaram especialmente da bolha de ações.

Adriana Cotias (Valor, 07/02/2020) informa: no varejo de alta renda, com R$ 987,9 bilhões, ações passaram a representar 7,2% das carteiras, saindo de 5,5% no fim de 2018, enquanto os multimercados saíram de 9,6% para 10,9%.

No private banking, com R$ 1,307 trilhão, a alocação direta em ações saiu de 13,6% para 17,1% em 12 meses. Os fundos de ações também ganharam participação, de 6,1% para 8%, enquanto a parcela nos multimercados avançou de 31,3% para 31,8%.

No conjunto, os volumes de negócios financeiros sob os serviços de varejo e de private banking cresceram 12% no ano passado e totalizaram R$ 3,263 trilhões.

  • O maior incremento foi no topo da pirâmide da riqueza financeira, de 20,9%,
  • No varejo de alta renda a expansão foi de 13,2%.
  • O varejo tradicional chegou ao fim de 2019 com R$ 968,3 bilhões e um crescimento de só 1%. Continuar a ler

Bolha na Bolsa de Valores: Boom sem Bons Fundamentos

Marcelle Gutierrez e Ana Carolina Neira (Valor, 11/02/2020) informa: se a forte alta do Ibovespa em 2019, tendo superado os 30%, em função da fuga da renda fixa, devido à queda dos juros, colocou as ações ligadas à economia doméstica em níveis de preço inéditos, as ações de bancos e ligadas a commodities podem estar operando abaixo do seu potencial.

Em vez disso sugerir, como apontam os jornalistas, “o espaço para valorização na bolsa ainda existe”, a informação sugere o contrário: a fragilidade da justificativa para a alta das ações de empresas brasileiras. Bastou uma gripe na China para as commodities despencarem… E sabe-se lá quando haverá cura!

Um dos principais fundamentos microeconômicos para medir se as ações estão caras ou baratas, o múltiplo preço/lucro (P/L) do Ibovespa, está próximo de 14 vezes, ou seja, acima da média histórica de 11 a 12 vezes. Exatamente no dia 6 de fevereiro de 2020, o Ibovespa foi negociado a 13,9 vezes a média do lucro projetado para as ações componentes do índice.

Mesmo se deparando com esse múltiplo elevado, os especuladores insistem em não reconhecer: a “bolsa está cara”! Não é porque os preços altos estão concentrados em alguns papéis ou setores, os amadores descobrirão “oportunidades” quando toda a bolsa cair por um efeito sistêmico.

O cenário econômico positivo, com perspectiva de crescimento do lucro das empresas e juro baixo, é uma ilusão fomentada pelos propagandistas deste péssimo governo. Ele não justifica as apostas, pelo contrário:

  1. o desemprego está alto,
  2. a economia está em estagdesigualdade e
  3. o balanço de transações correntes está se deteriorando.

Há fuga e/ou repatriamento do capital estrangeiro e o dólar dispara, depreciando a moeda nacional. Se quiser apostar em risco, saia agora das ações e invista na dolarização. Continuar a ler

Fuga de Capital do Mercado Secundário de Ações: Hora de Vender

Marcelle Gutierrez, Lucas Hirata e Ana Carolina Neira (Valor, 03/02/2020) informam: a saída de capital externo da bolsa de valores ganhou força nas primeiras semanas de 2020. Mesmo depois de um 2019 já marcado por saques recordes, o investidor estrangeiro intensificou a venda de ações, ainda pautado pelo ceticismo com o crescimento da economia brasileira. O movimento acaba se agravando com ondas de aversão ao risco lá fora, a exemplo do que aconteceu recentemente com o surto de coronavírus.

Em janeiro, até o dia 29, o investidor estrangeiro retirou R$ 16,1 bilhões do mercado local – marca inédita para o mês em toda a série histórica iniciada em 2006. Até aqui, a maior retirada para o período aconteceu em 2008, quando saíram R$ 4,7 bilhões da bolsa brasileira.

As vendas de ações estão concentradas no mercado secundário, ou seja, de ativos já em circulação. Isto é apresentado como um indício, para parte do mercado vendedor de ilusões, da possibilidade de o estrangeiro pode estar acumulando caixa para aumentar sua participação em futuras ofertas primárias. Só para esse ano, são esperados até R$ 200 bilhões em IPOs e “follow- ons” (ofertas subsequentes) no Brasil.

Seja como for, esse fluxo deficitário tem contribuído para reduzir, gradualmente, a participação dos estrangeiros na bolsa brasileira, enquanto o investidor local ganha protagonismo nos negócios.

Em 2019, a posição dos não-residentes saiu de R$ 828 bilhões para R$ 1,164 trilhão, um crescimento de 41%. Esse avanço, entretanto, aconteceu em uma intensidade menor se comparada à valorização das ações em circulação como um todo, em sinal da redução relativa do estoque. O valor total de ações em custódia na B3 cresceu 49%, para R$ 2,777 trilhões. Continuar a ler