Bolha no Mercado de Ações

No ano passado, o número de investidores Pessoas Físicas na Bolsa de Valores brasileira atingiu 1,679 milhão, mais do dobro em relação a 2018: 813,3 mil. Dois anos antes, eram 619,6 mil. Três anos atrás, na Grande Depressão de 2015-2016, eram 564 mil. O golpe semi-parlamentarista favoreceu aos especuladores…

Júlia Moura (FSP, 03/02/20), finalmente, alerta à opinião pública algo já apontado neste modesto blog pessoal há muito tempo: a análise fundamentalista não encontra justificativas maiores para a alta do índice Bovespa além da fuga dos investidores PF da renda fixa para a renda variável em função da baixa da taxa de juros básica (Selic) com zeragem do juro real. Os maiores investidores, os estrangeiros, pelo contrário, fugiram do mercado secundário de ações.

 

Em menos de quatro anos, a Bolsa brasileira praticamente dobrou de tamanho e se aproximou dos 120 mil pontos, isso enquanto a economia do país permanece em estagdesigualdade, crescendo só 1% ao ano. No mesmo período, o número de pequenos investidores com ações cresceu 200%, mesmo com o desemprego em taxas ainda elevadas, limitando a capacidade de poupança dos brasileiros.

 

Esses dados eram conhecidos pelo mercado. Mas, na semana passada, um dos mais respeitados gestores de fundos do país, Luis Stuhlberger, da Verde Asset Management, afirmou que há um “efeito bolha na Bolsa”.

 

Foi seguido pelo presidente do Santander, Sérgio Rial: “Não existe capitalismo sem capital na mão de brasileiros, mas é preciso mudar a Educação Financeira para pessoas terem noção de risco e não criarmos bolhas.”

“Efeito Bolha” na Bolsa de Valores brasileira: Análise de O Mercado

Adriana Cotias (Valor, 30/01/2020) informa um prócer de O Mercado, finalmente, ter conseguido furar o bloqueio do oba-oba midiático-governamental em torno do mercado de ações.

Em um momento em que “os órfãos do CDI” têm migrado para ativos de risco como ações, há um “efeito bolha” na bolsa brasileira, alertou Luis Stuhlberger, CEO da Verde Asset Management. Nem por isso, o fundo Verde, um dos multimercados mais longevos do mercado de gestão de recursos brasileiro, deixou de ter exposição significativa em papéis na B3. O portfólio mantém uma parcela de 20% do risco comprada em ações locais.

“Os órfãos do CDI, os rentistas, eu incluído, e a torcida do Corinthians têm diversificado em tudo que aparece”, comentou. “A cada semana tem dois ou três fundos novos aparecendo. É muito bom para a economia brasileira, mas pode ser muito ruim para os investidores desses mercados.”

Para o gestor, as pessoas físicas vão continuar investindo em bolsa. “Apesar de ser contra o BC cortar a Selic em 0,25 [ponto percentual] na próxima reunião, com juros a 4,25% ao ano, a festa continua.”

O argumento maior para continuar comprado não é, porém, o fluxo de novos investidores para a renda variável, mas o fato de o PIB de consumo, das famílias, estar subindo. “Muitas ações na bolsa vão se beneficiar, é bom estar nesse trade.” O problema é que quando uma massa grande de investidores entra, forma-se potencialmente uma bolha. “Continuamos investidos, mas olhando a porta de saída.”

Para Stuhlberger, a bolha de ativos mais clara no mundo hoje parece estar no mercado de juros. Conforme comentou, o índice americano S&P 500 antes da crise de 2008 estava em 1.500 pontos, caiu para 666 e se recuperou para os 2.500 pontos até atingir os 3.300 pontos atuais. Comparativamente, o lucro por ação das empresas listadas subiu 88%.

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Bolha de Ações Infladas por Pessoas Físicas em Fuga da Renda Fixa para Renda Variável

Rita Azevedo (Valor, 20/01/2020), finalmente, resolve tratar de um alerta feito há muito tempo por este modesto blog pessoal.

Um investidor PF ganha a alcunha de acionista quando passa a diversificar seus investimentos, repetindo um movimento crescente entre os brasileiros frente à queda da taxa básica de juros e à melhora das perspectivas econômicas. O avanço começou a ganhar corpo em 2017 e acelerou no ano passado, com:

  1. a popularização de plataformas de investimento,
  2. o crescimento de casas de análise independentes e
  3. a chamada “FinTwit”, uma comunidade composta por analistas, gestores e “traders” a usarem a rede social Twitter para discutir diariamente o comportamento do mercado financeiro.

Somente em 2019, a bolsa somou cerca de 865 mil novas contas de investidores pessoa física, alcançando a inédita marca dos 1,67 milhão. Desde 2017, o crescimento foi de 171%. Se isto não é uma bolha inflada por profecia autorrealizável, quando há a “sorte do iniciante” ao entrar em mercado de ações em alta, o que é então?! Continuar a ler

Financiamento a Empresas retoma Patamar Pré-Crise

As emissões domésticas no mercado de capitais totalizaram R$ 396,1 bilhões em 2019, o que corresponde a um aumento de 59,3% em relação ao ano anterior. A despeito da participação relevante, os ativos de renda fixa reduziram sua participação no total emitido, de 89,1% para 68,2%, decorrente da maior colocação das ações, que subiram de 4,5% para 22,8%, além dos Fundos de Investimentos Imobiliários que registraram elevação de 6,3% para 9,0%. Este movimento respondeu à redução de 200 pontos base da Taxa Selic em 2019, o que induziu uma realocação dos recursos para o mercado acionário ao longo do ano passado.

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No mercado de renda variável, o grande destaque foram as ofertas subsequentes de ações (follow-ons) que saíram de R$ 4,5 bilhões para R$ 79,9 bilhões, um aumento de mais de 1500,0%, o que corresponde à uma elevação no número de operações de 3 para 37 negócios. Já os IPOs, a oferta inicial de ações, passaram de R$ 6,8 bilhões para R$ 10,2 bilhões, um aumento de 51,7%. Este aumento não se refletiu no número de operações: aumentou apenas de três para cinco negócios em 2019.

As emissões de debêntures mantiveram o perfil de crescimento anual que vem ocorrendo desde 2017, com aumento do volume emitido, de R$ 153,7 bilhões em 2018 para R$ 173,6 bilhões, participação predominante dos investidores institucionais nas ofertas públicas, 51,8% para 53,8% e elevação do prazo médio de colocação, de 5,9 para 6,5 anos. A parcela de debêntures emitida em 2019 caiu em relação ao ano anterior, de 61,8% para 43,8%, queda explicada pelo aumento relativo das operações com ações.

Já as debêntures incentivadas emitidas sob o artigo 2º da Lei 12.431, direcionadas a projetos de infraestrutura e com isenção de IR para pessoas físicas, passaram de R$ 21,8 bilhões para R$ 33,2 bilhões em captação, o que corresponde a um aumento do número de operações no mercado primário de 65 para 70 negócios. O prazo médio de colocação registrou elevação de 10,3 para 12,6 anos.

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A melhora do segmento imobiliário na economia reativou as operações de FIIs (Fundos de Investimentos Imobiliários), sobretudo no segundo semestre. O volume emitido deste instrumento mais do que dobrou em 2019, de R$ 15,7 bilhões para R$ 35,8 bilhões, já representando 9,0% do total emitido no mercado de capitais ano passado. As pessoas físicas continuam como os principais subscritores das ofertas públicas de FIIs com 54,6% do total colocado.

As captações externas totalizaram US$ 25,4 bilhões contra US$ 15,4 bilhões de 2018. Deste total, 95% foram com títulos de dívida e o restante em operações com renda variável. As maiores captações do ano foram de uma emissão soberana de títulos do Governo brasileiro e outra, também de renda fixa, da Petrobrás, ambas no valor de U$$ 3,0 bilhões.

Por Sérgio Tauhata (Valor, 10/01/2020) informa a captação por PJ com ações em ofertas subsequentes e dívida via debêntures compensa recuo do BNDES.

O financiamento do setor corporativo brasileiro já retornou ao patamar visto antes da recessão. Mas, ao contrário dos períodos anteriores à crise, o impulso, dessa vez, vem do forte crescimento dos setores de dívida privada e de renda variável. O mercado de capitais tem substituído com muita folga a queda do crédito subsidiado do BNDES. Além disso, as concessões de empréstimos bancários às empresas, que vivenciaram crescimento mais lento na crise econômica, voltaram a acelerar a partir de 2019.

Segundo levantamento do Centro de Estudos do Mercado de Capitais (Cemec), integrado à Fipe, a soma das captações das empresas não financeiras por meio de ações e renda fixa no país e os desembolsos do BNDES alcançaram R$ 314,15 bilhões em 12 meses até setembro de 2019. Trata-se de patamar quase igual ao de 2013, quando o banco de fomento atingiu o recorde de concessões no crédito subsidiado, de R$ 190,4 bilhões. Continuar a ler

Fundo de Ações registra a maior captação no ano de 2019  pela primeira vez na indústria de fundos

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Apesar de ter registrado resgate líquido de R$ 51 bilhões em dezembro, a indústria de fundos de investimentos encerra 2019 com captação líquida de R$ 191,6 bilhões, mais do que o dobro registrado no ano anterior (R$ 95,4 bilhões).

Com captação líquida de R$ 16,9 bilhões em dezembro, a classe ações encerrou o ano com o seu melhor resultado anual e com a maior captação líquida da indústria, R$ 86,2 bilhões, o que corresponde a um crescimento de 195% em relação a 2018. Somente o tipo livre, que tem o maior PL dentro dessa classe, registrou entrada de R$ 7,4 bilhões em dezembro e de R$ 45,4 bilhões em 2019.

A classe multimercados ficou com o segundo melhor resultado, tanto no mês como no ano. Após registrar entrada líquida de R$ 7,7 bilhões em dezembro, a classe acumulou captação líquida de R$ 66,8 bilhões em 2019 – crescimento de 37,3% em relação a 2018. Os tipos multimercados livre e investimento no exterior foram os destaques, com entrada de R$ 3,9 bilhões e R$ 2,7 bilhões no mês, respectivamente; e R$ 30,1 bilhões e R$ 25,7 bilhões no ano, nesta ordem.

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Diante das recentes reduções de juros e da renovação das expectativas em relação à manutenção da taxa Selic, intensificou-se o movimento de diversificação na alocação de recursos por parte dos investidores ao longo do ano. Isso explica o melhor desempenho da classe ações na sua história e a maior saída líquida da classe renda fixa dos últimos anos. Continuar a ler

Bull Market seguido de Bear Market: Euforia e Pânico no Mercado de Ações

Touro ataca de baixo para cima. Urso ataca de cima para baixo. São metáforas, respectivamente, para a alta e a baixa do mercado de ações. Em alta, os especuladores até se endividam para apostar mais na euforia. Em baixa, surge o pânico de todos para vender tudo logo, antes de maior queda, e pagar o endividamento.

Marcelo D’Agosto (Valor, 08/01/2020) publicou artigo didático. Compartilho-o abaixo.

“Nos últimos 12 meses a rentabilidade do Ibovespa foi de 31,58%, com altos e baixos. Em maio do ano passado, por exemplo, o índice chegou a acumular queda de quase 7%, mas fechou o mês com alta de 0,7%. Em janeiro de 2019 a bolsa subiu quase 11%, mas logo no mês seguinte caiu quase 2%. O índice também foi negativo nos meses de março e agosto.

Quem preferiu fugir das oscilações do mercado acionário e investiu em aplicações atreladas ao CDI ou à taxa básica Selic ganhou, em 2019, 5,97% sem sustos. Foi substancialmente menos se comparado às alternativas mais arriscadas. [Mas superou a inflação de 4% no ano.]

A diferença entre a rentabilidade da bolsa e da renda fixa foi de 25,61 pontos percentuais no ano passado. Esse número pode ser interpretado como o prêmio de risco. Significa a compensação que o investidor recebe pelo desconforto de ver o valor das aplicações em ações oscilar no dia a dia. Continuar a ler

Fraudes Financeiras Recorrentes em Mercado de Capitais

Tenho postado vários gráficos e dados neste modesto blog pessoal capazes de falsear a “visão otimista” de O Mercado, propagandeada de forma enganosa como no ano passado. Diziam antes: depois de aprovada a Reforma da Previdência tudo será uma maravilha!

 

Para quem? Para os especuladores comprados em ações e esperando a malta em fuga da renda fixa, pela queda dos juros e pela necessidade de capitalização para manter seu padrão de vida em futura aposentadoria.

Quantos são? Um milhão e seiscentos mil investidores, a grande maioria das 800 mil PF ingressantes em 2019 na Bovespa tem até 35 anos — e R$ 35 mil de saldo médio. “Sorte do Iniciante” é a entrada em alta, quando o mercado está “comprado”, e aí as profecias são autorrealizáveis. Virá o boom e depois o crash. Os investidores estrangeiros já estão em fuga.

 

São maus os fundamentos atuais da economia brasileira: desindustrializada e dependente de demanda externa para obter maior dinamismo. Os pobres estão perdendo poder aquisitivo, devido à retomada da inflação de alimentos com a renda estagnada, e o mercado interno popular está se estreitando.

Enfim, não tenho esperança no atual desgoverno — e em seu pressuposto ideológico de “automatismo do livre mercado”. Sua equipe ministerial é a pior de todos os tempos! É composta de gente desqualificada para ocupar seus cargos…

 

Fernando B. do Amaral (Valor, 07/01/2020) publicou artigo para advertir aos 800 mil PF recém-chegados ao mercado de ações brasileiro: tomar cuidado com promessas de ganhos fáceis, em particular as “boas demais para serem verdade”. Compartilho-o abaixo. Continuar a ler

Risco Mundial: Juro Baixo – Endividamento – Capital Especulativo em Bolsa de Valores – Boom e Crash

Victor Rezende e Lucas Hirata (Valor, 18/12/2019) advertem quanto ao risco da crise de 1929 se repetir quase um século depois.

O ambiente global de taxas de juros mais baixas já se reflete em um aumento significativo da dívida mundial. Ele deve fechar o ano no nível recorde de US$ 255 trilhões. Com o alto endividamento observado em empresas não financeiras, analistas e instituições reguladoras têm se mostrado mais preocupadas com a questão.

O Federal Reserve (Fed) é uma das mais recentes a emitir sinais de alerta nesse sentido, em linha com o pensamento de profissionais conscientes do fato: ainda se a dívida não se mostrar uma ameaça iminente para o sistema financeiro, choques comerciais e a desaceleração global podem expor vulnerabilidades em empresas alavancadas e em estruturas não testadas de mercado.

Nos EUA, a dívida corporativa está em torno de 45% do Produto Interno Bruto (PIB), maior nível desde a Segunda Guerra. O cenário de crescimento econômico deve ser monitorado. Duas coisas poderiam mudar esse ambiente:

  1. uma elevação substancial das taxas de juros e
  2. uma deterioração do fluxo de caixa das empresas, o que poderia ocorrer em um cenário de desaceleração da atividade econômica.

Se as taxas de juros aumentarem bastante, as empresas veriam seus custos subirem e poderiam ter alguns problemas, mas isso não deve acontecer no curto prazo. O Fed deve manter sua política monetária inalterada ao longo de 2020 — e com mais capital especulativo inflar a bolha de ações na bolsa de valores de NYC.

Quanto a um desaquecimento econômico adicional, várias situações poderiam causar um choque negativo forte. Como exemplos:

  1. uma deterioração substancial das relações sino-americanas e
  2. um cenário em que tropas chineses invadissem Hong Kong. Continuar a ler

Mercado de Capitais Raquítico e… Eufórico (antes do Pânico)

Maria Clara R. M. do Prado, jornalista, é sócia diretora da Cin – Comunicação Inteligente e autora do livro “A Real História do Real”. Publicou (Valor, 10/12/2019) um artigo destoando do coro dos contentes com a bolha no mercado de ações brasileiro.

“O ano de 2019 entrará para a história monetária do país como aquele em que a taxa básica de juros caminhou para níveis compatíveis com o ritmo de queda da inflação em uma economia cujo crescimento, em torno de 1% ao ano, ainda denota frágeis sinais de recuperação.

O Copom (Comitê de Política Monetária) definiu o nível da taxa Selic em 4,5% ao ano em uma conjuntura de ligeira retomada da inflação. Ela pode fechar dezembro com taxa anual acumulada entre 3,8% e 4%, segundo os últimos prognósticos coletados pelo boletim Focus do Banco Central. Nesse caso, o juro real (diferença entre a taxa nominal e a inflação) se reduzirá ainda mais significativamente, estreitando a “gordura” dos rendimentos para quem há décadas se sentia bem remunerado nos fundos DI, cuja taxa se aproxima da Selic.

Para o investidor aflito, a opção natural é o mercado de capitais, mas dificilmente vai encontrar ali as condições necessárias de liquidez e de oportunidades para a remuneração do seu capital, por mais eufóricos que estejam os representantes da B3- bolsa de valores. Continuar a ler

Relações entre Preços de Mercado de Títulos Prefixados e Taxas de Juros

Arnaldo Curvello (Valor, 06/12/19) avalia: “após a última queda da taxa Selic, atingindo a nova mínima a 5% ao ano, o mercado financeiro teve mais um indicativo de ter de conviver com uma realidade diferente da acostumada. Com o fim dos juros reais exorbitantes, os investidores terão de abandonar o porto seguro da renda fixa com liquidez e buscar alternativas diferentes para ter retorno real sobre seu patrimônio.

Muitos anos de juros elevados deixaram o investidor acomodado em relação a seus investimentos. Cerca de 66% da população adulta guarda sua reserva financeira em uma conta poupança, 17% deixam na conta corrente e outros 17% guardam em casa. Esses são os números revelados por uma pesquisa da CVM.

Apenas 12% aplicam sua reserva também em Fundos de Investimento e outros 12% na Previdência Privada. Só as castas de natureza ocupacional têm renda e Educação Financeira para isso: são cerca de 12,5 milhões de pessoas formadas em Ensino Superior.

Se separarmos o total dos investidores por renda, o perfil de risco não se altera muito. As principais diferenças são:

  1. a migração da poupança para outros ativos de renda fixa,
  2. a percepção mais rápida da mudança de cenário e
  3. a simpatia por fundos multimercados.

No segmento Private Banking, os multimercados ocupam o segundo lugar no portfólio, logo após a renda fixa. Há aversão ao risco da renda variável em mercado de ações raquítico.

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Juro Baixo possibilita Emergência do Mercado de Capitais

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Até novembro, o mercado de capitais doméstico captou R$ 346,2 bilhões em 2019, superando em 55,6% o volume registrado no mesmo período do ano passado, de R$ 222,5 bilhões. Entre os instrumentos de captação, as debêntures detêm a maior parcela, com 44,3% das emissões, seguidas das ofertas subsequentes de ações (follow-ons), já representando 19,7% do total captado. Vale destacar o crescimento dos FIIs (Fundos de Investimentos Imobiliários). Eles correspondem atualmente a 9,4% contra 6,4% do mesmo período no ano anterior.

Os investidores institucionais (basicamente formados por fundos de investimentos e investidores estrangeiros, sendo o último mais atuante nas ofertas de ações) foram os principais subscritores nas ofertas públicas de ações (92,5%), debêntures (57,6%), notas promissórias (51,2%), letras financeiras (95,7%) e CRIs (57,4%) realizadas este ano, até novembro. As únicas exceções se referem às colocações dos FIIs e dos CRAs (Certificados de Recebíveis Agrícolas). Estas tiveram nas pessoas físicas seus principais subscritores com 52,8% e 78,9%, respectivamente.

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Fracasso da Estratégia do ex-Banqueiro de Negócios: Fuga de Capitais e Choque Cambial

A expansão do crédito livre e do mercado de capitais ainda não representa uma “transformação de grandes proporções”. A avaliação é de José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre- FGV). No Boletim Macro do Ibre-FGV de novembro de 2019, ele critica a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), onde alguns membros “destacaram que as mudanças no mercado de crédito e na intermediação financeira, como o maior papel desempenhado pelo crédito com recursos livres e pelo mercado de capitais, podem impactar a transmissão da política monetária”.

O encolhimento do crédito direcionado e a expansão do crédito livre, por exemplo, têm “ampliado a sensibilidade de variáveis como a atividade e a inflação a alterações de política monetária”. Leia-se: sem o crédito direcionado, abortado pela estratégia do ex-banqueiro de negócios no comando do ministério da Economia de “desestatizar o mercado de crédito em favor do crédito livre privado”, a recessão continua! E a fuga de capitais comprova a desistência de aqui ficar com o neofascismo em conluio com os milicianos a ameaçar, continuamente, o Estado de Direito!

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