Fracasso da Estratégia do ex-Banqueiro de Negócios: Fuga de Capitais e Choque Cambial

A expansão do crédito livre e do mercado de capitais ainda não representa uma “transformação de grandes proporções”. A avaliação é de José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre- FGV). No Boletim Macro do Ibre-FGV de novembro de 2019, ele critica a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), onde alguns membros “destacaram que as mudanças no mercado de crédito e na intermediação financeira, como o maior papel desempenhado pelo crédito com recursos livres e pelo mercado de capitais, podem impactar a transmissão da política monetária”.

O encolhimento do crédito direcionado e a expansão do crédito livre, por exemplo, têm “ampliado a sensibilidade de variáveis como a atividade e a inflação a alterações de política monetária”. Leia-se: sem o crédito direcionado, abortado pela estratégia do ex-banqueiro de negócios no comando do ministério da Economia de “desestatizar o mercado de crédito em favor do crédito livre privado”, a recessão continua! E a fuga de capitais comprova a desistência de aqui ficar com o neofascismo em conluio com os milicianos a ameaçar, continuamente, o Estado de Direito!

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Ainda a propósito de Bolha de Ações sem Bons Fundamentos Micro e Macroeconômicos

A imprensa econômica brasileira mantém sua característica chapa-branca, tal como é pautada por porta-vozes oficiosos de O Mercado. Quem planta vento (ilusão), colhe tempestade (perda de capital). Anuncia com extrema boa-vontade: “o consumo começou a impulsionar o mercado interno”!

A taxa de desemprego e a massa real de salários permanecem praticamente as mesmas. Os efeitos de fôlego curto — saque de micharia no FGTS — não se sustentará. Portanto, no máximo, garantirá certa estabilidade em maus fundamentos internos, quando o medo de uma guerra comercial externa atingiu em cheio os preços das commodities, reduziu a demanda nos mercados globais e interferiu no câmbio.

Se no primeiro e no segundo trimestres as empresas de capital aberto falaram muito de expectativas novamente frustradas, quando se referiam à melhora do mercado doméstico, no terceiro trimestre a retomada começou a aparecer muito levemente nos balanços, sobretudo no caso das empresas de setores dependentes da economia doméstica como consumo, varejo, energia e saneamento e construção civil.

Foi o primeiro trimestre desde o fim de 2017 onde o resultado líquido consolidado das incorporadoras deixou de cair, puxado pelo desempenho das companhias de média e alta rendas. Afinal, os juros caíram, então, alguns incautos observam o custo de oportunidade e preferem o consumismo

As fabricantes de bens industriais, como máquinas e equipamentos e implementos automotivos demoram mais tempo para acusar alguma recuperação da economia. Tiveram diminutos aumentos de receita e encomendas no mercado doméstico.

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Crash à 1929 Anunciado por Juros Baixos e Especulação em Ações com Maus Fundamentos

O volume aplicado pelas pessoas físicas em produtos financeiros aumentou 8,4% neste ano e alcançou R$ 3,1 trilhões em setembro de 2019. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), a soma representa as posições de mais de 79 milhões de contas dos segmentos de varejo e de “private banking” das instituições financeiras do país.

O desempenho foi puxado pelo varejo de alta renda, com crescimento 14,3%, e pelo private banking, com 13,3%. Já o varejo tradicional apresentou recuo de 2,6% de dezembro de 2018 para cá.

De acordo com a entidade, essa queda está parcialmente associada ao reenquadramento de clientes feito por muitas instituições. O ajuste resultou na migração de investidores do varejo tradicional para o de alta renda. Os bancos definem seus critérios de segmentação nessas duas categorias. Por exemplo, o Personnalité do Itaú exige volume de negócios acima de R$ 100.000 para ser cliente no varejo de alta renda e R$ 10.000.000 para se tornar Private Banking.

No varejo, os fundos de investimentos tiveram o maior crescimento no ano, de 9,1%, liderados pelos multimercados e pelas carteiras de ações, com altas de 23,8% e 80,4%, respectivamente. Os fundos imobiliários tiveram aumento de 69%, enquanto a alocação direta em ações subiu 39,8%.

Os produtos mais conservadores, como poupança e CDB, registraram desempenhos inferiores na comparação com o ano anterior. Enquanto o CDB teve recuo de 0,1%, a poupança cresceu 3,2%. O resultado da caderneta foi impulsionado pela liberação do saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), indo direto para a poupança.

Enquanto uma parte imprudente da classe média brasileira especula na Bolsa de Valores de São Paulo, transitando da renda fixa para a renda variável, outra alternativa é especular com compra de dólar. Ele já alcança R$ 4,20 com o repatriamento de capitais estrangeiros — e a fuga de capital do Brasil isolado no mundo em função de suas rupturas diplomáticas.

Tal como antes de 90 anos atrás, com o baixo juros no mundo, há nova máxima em Wall Street. A Bolsa de Valores de Nova York iniciou a semana com recorde.

O mundo caminha para um ambiente onde os extremos do populismo se tornarão ainda mais radicais, e no qual haverá “uma ausência de efeitos das políticas monetárias”, segundo o bilionário Ray Dalio, em entrevista à rede americana CNBC. O co-presidente da Brigdewater Associates, maior “hedge fund” do mundo, com US$ 160 bilhões em ativos sob gestão, classificou o período no qual os mercados estão entrando como desafiador.

“Os bancos centrais globais não têm como baixar mais as taxas e vamos entrar em um período mais desafiador de uma batalha entre extremos no populismo. Será um ambiente capaz de provocar grande impacto nos mercados, com ausência de efeito da políticas monetárias e exacerbação de conflitos vistos no mundo.” Na avaliação do investidor, “estamos indo em direção a um ambiente como uma guerra”.

O gestor chamou novamente a atenção para os desequilíbrios gerados pela política de dinheiro fácil adotadas pelos BCs. “Os investidores estão inundados de dinheiro, comprando retornos muito baixos ou sonhos em lugar de lucros no mercado de ações”.

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Da Renda Fixa para Renda Variável: Elevação do Risco em Investimentos Financeiros

Adriana Cotias (Valor, 01/11/2019) informa: com mais afrouxamento monetário vindo do Federal Reserve (Fed, o BC americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom), a bolsa brasileira fechou outro mês positivo, com ganhos de 2,36% para o Ibovespa, apesar da queda no último pregão. A renda fixa também trouxe bons resultados em cima da expectativa confirmada de queda da taxa de juro básica (Selic) a 5% ao ano. O IRF- M, índice representativo de uma cesta de títulos públicos prefixados, subiu 1,70% no mês, enquanto o IMA-B, replicando o conjunto de papéis do Tesouro atrelados à inflação, avançou 3,36%.

Entre profissionais de investimentos, a renda variável é a principal recomendação para evitar o magro retorno de aplicações atreladas ao CDI. Outras sugestões incluem Notas do Tesouro Nacional – série B (NTN-B) mais longas, crédito privado, multimercados, fundos imobiliários e de eventos.

No conjunto dedicado à renda fixa, títulos pós-fixados ligados ao CDI ou à Selic saíram totalmente do radar. A única alternativa vem das NTN-Bs longas, com vencimento em 2050, corrigidas pela inflação.

No Tesouro Direto, esses papéis asseguram uma taxa fixa de 3,23% mais o IPCA, um nível favorável ante uma inflação estimada de 3,5% e um CDI na casa dos 5%. Para um investimento que vai se levar por anos, ainda tem um carregamento positivo e pode eventualmente trazer algum ganho de capital.

Nos prefixados, embora veja algum prêmio pela sinalização de nova redução da Selic em dezembro, agora é como “espremer o bagaço da laranja” e a relação risco/retorno não é boa.

Na carteira dos investidores ainda é grande a fatia em alternativas conservadoras, com taxas pós-fixadas. Mas desde o fim do ano passado, a indicação tem sido no sentido de aumentar a alocação em renda variável, multimercados e fundos imobiliários. A orientação continua apenas para gente confiante neste governo instável e no contexto mundial volátil. Só em outubro de 2019, o Ifix, média dos fundos imobiliários listados na bolsa subiu 4,01%. As ações do setor também não fizeram feio, com alta de 5,14%, na liderança das aplicações do mês.

A renda fixa com liquidez diária vai ser apenas para a reserva de emergência e vai render abaixo de 5%. Ok, vida segue. Para compensar, na outra parte da carteira, o investidor vai ter de olhar um horizonte de um a três anos, não mais a rentabilidade mês a mês. É uma mudança de postura de como acompanhar os investimentos, a volatilidade vai estar mais presente. Mesmo o dinheiro no crédito privado, em debêntures, a volatilidade vai aparecer porque antes estava encoberta por uma taxa mais alta.

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Mercado de Capitais: Dependente de Juros Baixos e Privataria

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Até outubro, o mercado de capitais doméstico captou R$ 312,0 bilhões em 2019, 54% acima do volume captado no mesmo período do ano passado, de R$ 202,6 bilhões. Desde agosto/19, esses montantes superam o recorde histórico dos anos anteriores, confirmando a performance positiva do segmento no período.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, percebe-se a ocorrência de desconcentração gradual nas captações por instrumentos – as debêntures representavam 63% do volume total naquela ocasião – abrindo espaço para as captações de outros produtos, como a oferta subsequente de ações (follow-ons), quando se vende barato o patrimônio público brasileiro para investidores estrangeiros, e os fundos de investimentos imobiliários (FIIs).

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Juros Negativos em Depósitos Voluntários em Risco Soberano

Lucas Hirata e Ana Paula Ragazzi (Valor, 15/10/2019) afirmam: juros negativos não são uma realidade no Brasil, e ninguém aposta nesse fenômeno estar para acontecer por aqui. Mas o tema desafia os modelos de teoria financeira e está cada vez mais presente no dia a dia dos principais gestores do mercado.

Hoje, o volume de títulos de governos com juros negativos chegou a US$ 17 trilhões pelo mundo neste ano, aproximadamente 27% do mercado mundial de bônus  soberanos. Três países concentram 70% desses papéis: Japão, Alemanha e França. Mas existem títulos de empresas, como a Louis Vuitton, com retorno negativo, por conta de emissões que têm como referência os títulos de governo.

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Mercado de Capitais: volume recorde de captação

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O mercado de capitais doméstico registrou captação de R$ 268,9 bilhões em 2019 (até setembro), 42% superior ao volume captado, R$ 189,5 bilhões, no mesmo período do ano passado. Esse resultado é o maior da série histórica, mesmo na comparação com os dados de janeiro até dezembro dos anos anteriores. As debêntures mantêm-se a parcela mais representativa desse montante, com 45,5% do total – o equivalente ao volume de R$ 122,3 bilhões.

Os investidores institucionais são os principais demandantes nas ofertas públicas de debêntures, com 60,6%, seguidos das instituições coordenadoras das ofertas, com 35,5%.

O refinanciamento dos passivos representa o maior montante da destinação dos recursos das emissões, com 44,3% (incluindo nessa parcela a recompra ou resgate de debêntures de emissão anterior), seguido do financiamento do capital de giro, com 29%. Continuam as grandes empresas brasileiras em fase de desalavancagem financeira, abaixando o custo financeiro e alongando o perfil de suas dívidas.

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