Pesquisa Anapar Finanças Pessoais e Previdência Brasil 2018

Com o objetivo de compreender a percepção dos brasileiros sobre a previdência e identificar comportamentos que determinam as decisões dos cidadãos quanto a seu futuro, a Associação Nacional dos Participantes dos Fundos de Pensão (ANAPAR) realizou uma pesquisa inédita com a população. Entre as descobertas, uma constatação preocupante: três fatores, combinados, levam a maioria a não guardar dinheiro para a aposentadoria, produzindo um quadro de verdadeiro “desalento previdenciário” no país:

  1. renda insuficiente,
  2. falta de perspectiva e
  3. um elevado grau de endividamento.

Pesquisa ANAPAR Finanças Pessoais e Previdência Brasil 2018, encomendada ao Instituto FSB Pesquisa, realizou entrevistas domiciliares com 2.045 pessoas a partir de 16 anos, em 152 municípios, entre 8 e 13 de novembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. Continuar a ler

Rentista: vive de renda a partir de quanto de riqueza?

Michael Viriato é professor de Finanças do Insper e sócio fundador da Casa do Investidor. Publicou artigo (FSP, 06/01/19) bastante didático sobre quanto de riqueza é necessário para se tornar um rentista. Reproduzo-o abaixo para uso no meu futuro curso sobre Finanças Comportamentais para Trabalhadores.

“Viver de renda é um sonho de todos. Entretanto, a queda da taxa Selic para 6,50% ao ano trouxe para baixo o rendimento de todas as aplicações financeiras, pois todos os rendimentos da economia são uma função da taxa básica. E isto fez com que este sonho ficasse um pouco mais difícil de ser atingido.

A maior parte dos investidores associa aplicações financeiras a dois veículos: a caderneta de poupança e aplicações de curto prazo referenciadas ao CDI ou à Selic. No entanto, estas duas não possuem uma característica essencial para quem pensa em viver de renda.

A proteção para a inflação é um importante atributo necessário para que um veículo financeiro se caracterizare como adequado para os rentistas. A poupança nos últimos anos quase não é capaz de superar a inflação e aplicações de liquidez referenciadas ao CDI ou à Selic proporcionam um ganho reduzido de juros real, acima da inflação. Logo, discuto abaixo cinco alternativas para você ter uma aposentadoria tranquila.

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Biologia Evolutiva: Finanças Darwinistas (por Charles Goodhart)

Época (25/11/18) publicou importante artigo-resenha do livro Mercados Adaptáveis — Evolução financeira na velocidade do pensamento, de Andrew W. Lo, publicado pela Alta Books (2018 | 504 páginas). A resenha foi escrita por Charles Goodhart, autor inglês, cuja obra sobre Finanças merece ser lida. Compartilho-a abaixo com propósitos didáticos.

“Andrew W. Lo é um autor prolífico. Professor de finanças na Sloan School of Management, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), ganhou reconhecimento do público, por causa de seu livro A non-random walk down Wall Street (Uma caminhada não aleatória por Wall Street, sem edição em português), e dos profissionais, por seus artigos em periódicos importantes de finanças e economia. Lo conquistou muitos prêmios em sua carreira.

Em seu novo livro, Mercados adaptáveis — Evolução financeira na velocidade do pensamento (editora Alta Books), ele desafia a base científica de muitas teorias mainstream de finanças e economia. Seu argumento é que omainstreamestá baseado em uma abordagem estática derivada da física teórica. Ele afirma que a biologia evolutiva deve assumir esse lugar. Facile à dire, difficile à faire (Fácil de dizer, difícil de fazer).

As Ciências Sociais são sempre mais complexas do que as Ciências Naturais. Experimentos controlados raramente são possíveis. Seres humanos aprendem e se adaptam. Após a condução de um experimento, não há garantia de que os experimentos posteriores produzirão os mesmos resultados. O ambiente dos hábitos, regras, leis e costumes no qual os homens vivem está sempre mudando. Qualquer estado econômico inicial, usando a linguagem da física, é compatível com um grande número de desenvolvimentos evolutivos. Não conhecemos, no momento, a maioria deles. Eles correspondem a situações de incerteza, e não de risco.

O que fazer? Continuar a ler

Educação Financeira para Pobres; Ricos têm Recall Psicológico à vontade

Recall Psicológico é oferecido por “bankers” (consultores/gerentes de investimentos); é um “argumento de autoridade” para o cliente poder atribuir eventual fracasso em sua estratégia financeira e não perder também a autoestima. Em seu viés de auto-atribuição o sucesso é exclusivamente próprio — e o fracasso, naturalmente, é culpa de terceiros, no caso, o responsável pelo aconselhamento.

Marcelo d’Agosto (Valor, 22/11/18) avalia a educação financeira ser fundamental para o desenvolvimento pessoal e o progresso econômico do país.

“Na medida em que aprendemos o valor do dinheiro no tempo, somos capazes de tomar decisões mais embasadas. Elas levam a maior satisfação no longo prazo. Conjuntamente, as escolhas financeiras individuais terminam por impactar o bem estar de toda a população.

Opções tais como consumir hoje, poupar para o futuro, assumir um endividamento com prazo determinado e estratégia clara para a quitação, estabelecer um plano de investimentos com objetivos específicos ou administrar um negócio ficam mais fáceis de serem avaliadas se o conhecimento financeiro for alto.

A prática, no entanto, revela que a transmissão de conhecimento financeiro não é tarefa simples. Alguns programas de educação financeira acabam sendo mais bem sucedidos do que outros. Continuar a ler

Sentimento do Investidor 2018

Adriana Cotias (Valor, 14/06/18) informa: pela primeira vez em pelo menos cinco anos, o brasileiro mostra disposição para revisar sua tolerância a riscos e partir para investimentos menos conservadores. A diversificação para ativos como ações, fundos de gestoras independentes ou aplicações no exterior é mais natural entre os mais jovens, de 25 e 34 anos, a despeito da menor capacidade de poupança na fase inicial no mercado de trabalho. Já aqueles na faixa entre 55 e 64 anos ainda têm certa resistência ao carregar na sua trajetória um passado de crises financeiras, memória inflacionária e juros nas alturas. Mas mesmo nesse grupo, há uma maior inclinação a diminuir a parcela na renda fixa e o relacionamento com o canal bancário tradicional.

Essa dinâmica coincide com o significativo corte da Selic desde outubro de 2016, conforme aponta a pesquisa “Sentimento do Investidor 2018“, feita pela gestora Franklin Templeton no Brasil, como parte de um levantamento global do grupo americano, que reúne US$ 750 bilhões em ativos mundo afora.

Quase 70% dos entrevistados abaixo de 34 anos afirmam ter conta investimento em corretoras, percentual que não passa de 40% entre aqueles com mais de 45 anos. Mais de 80% dos mais jovens dizem ter investimentos em ações, percentual que descresce gradativamente nas demais idades, até chegar a um terço na faixa entre 55 e 64 anos. Os mesmos percentuais são observados em alocações no exterior.

Questionados se diversificam seus investimentos, mais de 73% dos entrevistados entre 25 e 34 anos afirmam que sim, ante 56% entre os que têm entre 55 e 64 anos. Além disso, quase 75% das pessoas no primeiro grupo diz saber a diferença entre o fundo de um banco convencional e o de uma gestora independente, percentual que não chega à metade no segundo caso.

Em sua quinta edição, a coleta da Franklin Templeton, feita com 510 pessoas com pelo menos R$ 50 mil em aplicações financeiras, foi realizada entre 28 de março e 3 de abril. Não captura, portanto, se houve alguma mudança de percepção decorrente do revés dos mercados a partir da manutenção inesperada da Selic em 6,5% ao ano, seguida pela greve dos caminhoneiros com a saída de Pedro Parente do comando da Petrobras, e uma maior aversão a emergentes com o processo de alta de juros nos EUA. Continuar a ler

Raio-X do Investidor Brasileiro

Adriana Cotias (Valor, 26/07/18) informa: quatro em cada dez brasileiros com renda tem algum investimento financeiro, o que corresponde a 41 milhões de pessoas, segundo pesquisa feita pelo Datafolha, sob encomenda da Anbima. De modo geral, o perfil de quem investe replica a concentração de renda no país, pois é o grupo mais escolarizado e com maior poder aquisitivo.

Em 2017, uma parcela de 32% dos brasileiros conseguiu economizar. Nesse grupo, 59% mencionaram a redução de despesas com lazer, compras desnecessárias, bebidas ou cigarros, como formas de ter alguma folga no orçamento.

Tipicamente, aos 65 anos, o sujeito leigo percebe ter sido na casa dos 50 anos quando começou a perceber que se deixasse de lado a visão mais imediatista ganharia qualidade de vida. Até quitar dívidas, reequilibrar o orçamento, só há pouco tempo percebe que, de fato, virou investidor.

Diz: “É fácil gastar e não saber no quê. A primeira coisa que fiz foi identificar para onde meu dinheiro estava indo e comecei a tomar decisões: isso eu não preciso, isso eu posso pensar em termos mais de longo prazo, fui reduzindo custos, mudando atitudes. Mudar de hábito eu diria até que foi rápido. O que levou tempo foi voltar ao equilíbrio.” Hoje ele divide suas economias entre aplicações em títulos públicos e ações.

Guardar dinheiro ou consumir é uma atitude emocional. Tem mais relação com o campo da Psicologia do que com o das Finanças. Por essa razão, não adianta “poupar” sem traçar um objetivo, um sonho, porque recurso sem carimbo facilmente vira consumo. Sem a construção de uma reserva financeira ter sido transmitida pelas gerações mais velhas, há um problema crônico na população. Não há um movimento comportamental de canalizar o dinheiro para a poupança. Existe a atitude de falar, mas não de praticar.

Em Educação Financeira dirigida a crianças, uma das formas de incutir esse hábito é usar três cofrinhos de tamanhos diferentes, para realização de sonhos de curto, médio e longo prazo. Assim ela vai perceber que o menor enche rápido e vai comprar o presente destinado para o sonho tal. É claro que vai mudar o sonho três vezes, mas abre o cofrinho e faz a festa. Com essa brincadeira, os pequenos começam a perceber o desenrolar do tempo, o valor do dinheiro e a relação com seus objetivos.

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Roubo de Moedas Digitais

“Ladrão que rouba ladrão: cem anos de perdão”.

Olga Kharif (Valor, 06/07/18) informa: criminosos estão roubando mais criptomoedas de suas bolsas, o que tem impulsionado o crescimento de uma indústria artesanal de serviços de modo a permitir a lavagem do dinheiro investido nas moedas. No primeiro semestre deste ano, foram roubados mais de US$ 760 milhões em criptomoedas das bolsas – quase três vezes mais do que em todo o ano de 2017, afirmou a CipherTrace em seu relatório trimestral inicial sobre o assunto.

A CipherTrace é uma firma de segurança em “blockchain” com sede em Menlo Park, na Califórnia. Trabalha com mais de 40 empresas e governos para monitorar transações de criptomoedas. O valor de mercado atual das cem maiores criptomoedas é de cerca de US$ 270 bilhões, segundo o CoinMarketCap.com. Há grande disponibilidade de serviços para limpar dinheiro sujo, afirmou a CipherTrace, e alguns até publicam anúncios por meio do Google AdWords. Continuar a ler