Especialista em Poupar Dinheiro

Maria Cristina Fernandes (Valor – Eu&Fim-de-Semana, 26/04/19) escreveu sobre “Money Saving Expert”: o maior fenômeno do jornalismo mundial.

Na quinta-feira antecedente à Páscoa, milhões de ingleses receberam em sua caixa postal uma “newsletter” com dicas sobre os postos de gasolina mais baratos do seu trajeto de viagem, dicas de direção para economizar combustível, opções de lazer gratuitas no feriado e restaurantes em que crianças comem por uma libra. Na quinta-feira anterior, a “newsletter” dedicara-se a comparar tarifas das companhias aéreas e dos aeroportos, preços cobrados pelas companhias de seguro, cartões de crédito e planos de operadoras de celular para uso no exterior.

O leitor atravessaria o feriado de Páscoa no computador se se dispusesse a perscrutar todas as dicas recebidas. Seus 13 milhões de assinantes que fazem da “newsletter” semanal “Money Saving Expert” o maior fenômeno do jornalismo mundial. Com uma diagramação simples, sem anúncios, coalhada de números e dicas para baratear seu consumo, tem uma circulação superior à do maior jornal do mundo, o japonês “The Yomiuri Shimbun” (9 milhões), e do mais influente, o “The New York Times” (4 milhões).

Seu autor, o inglês Martin Lewis, tornou-se o jornalista de maior audiência no mundo. O site (https://www.moneysavingexpert.com/), somado aos dois programas semanais na televisão e a um terceiro na rádio BBC, além das colunas publicada em mais de 50 jornais e revistas britânicos, e best-sellers de Finanças Pessoais transformaram-no numa celebridade.

Além de influente, Lewis é rico. Em 2012, vendeu seu site, fundado em 2003, para uma empresa de comparação de preços por 87 milhões de libras (R$ 443,7 milhões), mas continuou à frente de sua operação, que agrega mais de cem jornalistas. Em um perfil que lhe dedicou, o “The Guardian” atribui seu sucesso à competitividade do mercado britânico que, com seus mais de 300 bancos, dúzias de companhias de energia, operadoras de celular e de banda larga, tornou mais complexas as decisões de consumo do dia a dia.

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Literatura de Autoajuda para Empreendedorismo

Preparando-me para oferecer um Curso de Finanças Comportamentais para Planejamento Financeiro Pessoal, li e resenhei muitos livros de autoajuda financeira em Fernando Nogueira da Costa – Leituras de Cabeceira – Finanças.

Oriento também um aluno na elaboração de tese sobre Finanças Comportamentais. Sugeri, em um primeiro capítulo, testar a hipótese de influência dessa literatura na prática profissional de gestores de fortuna. Ele deve escrever o capítulo inicial com quatro tópicos componentes de uma resenha sobre essa literatura de autoajuda financeira:

  1. Em qual debate ela se insere? Qual é o estado-da-arte nesse debate? Mudou ao longo tempo, passando de guia espiritual para “mudança de mentalidade”, seguindo por um individualismo metodológico, até chegar a uma visão holística do problema macro sistêmico de decisões financeiras? Ela se refere apenas à economia de mercado de capitais norte-americana ou serve também à economia de endividamento, característica do resto do mundo? Há transição de uma, onde é típica a renda variável, para outra, onde se investe em renda fixa?
  2. Quais são os principais conceitos encontrados nessa literatura: participações acionárias? Alavancagem financeira? Idealizações comportamentais? Há conselhos recorrentes em todos os autores para a tomada de decisões práticas?
  3. Qual autor avança com conceitos originais e se destaca entre todos os demais? Por que?
  4. Sobre o que de importante, nas Teorias das Decisões Financeiras, essa literatura não diz nada a respeito? Finanças Racionais? Finanças Comportamentais? Qual é a ideia original obtida ao lê-la de maneira crítica?

Cito e comento abaixo [entre colchetes] o texto de Sam Altman. É mais um exercício intelectual preparatório ao fazer comentários sobre seu “breve guia excêntrico de autoajuda”. Ele é blogueiro americano e empreendedor. Este texto foi originalmente publicado em seu blog, traduzido e publicado pela revista Época (07/03/2019). Continuar a ler

Inteligência Artificial X Ignorância Natural dos Investidores

Martha Funke (Valor, 31/01/19) avalia: as tecnologias de inteligência artificial abrem espaço em corretoras e gestoras de investimentos. Além de facilitar a vida de investidores sem acesso aos tradicionais serviços de gestão de patrimônio, ajudam a compor fundos sustentados por regras automáticas para pesquisa de padrões e implementação de operações.

Seival Investimentos e Visia estão entre as gestoras de fundos baseados na tecnologia.

Em 2018, o Seival FGS, por exemplo, rendeu 41% com modelos quantitativos seguidores de tendências.

A Visia, com patrimônio sob gestão perto de R$ 900 milhões, busca ineficiências de mercado em repetição de padrões e usa aprendizado de máquina (machine learning) para executar ordens de compra sem impactar o mercado. Seu fundo Zarathustra anuncia ter rendido 240% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) em 2018. [Sem esquema de Pirâmide Ponzi?!]

A falta de familiaridade com conceitos e lógica das finanças colabora para a popularização dos robôs para aconselhamento. Para o CEO da Warren, 85% dos investidores brasileiros preferem delegar decisões de investimentos por falta de conhecimentos suficientes sobre o tema. Continuar a ler

Risco de Investimentos em Corretoras e Agentes Autônomos

Felipe Bottino é CEO da Pi Investimentos, plataforma aberta de investimentos do Santander. Publicou artigo (Valor, 26/03/19) para anunciar: o mercado de investimentos brasileiro mudou radicalmente nos últimos anos, mas o investidor ainda não tem muitos motivos para comemorar.

Estamos deixando para trás, rapidamente, o modelo dominado por bancos, ultraconservador, com taxas elevadas e plataforma fechada. E migramos para uma era de agentes autônomos. Ela traz consigo vantagens como uma plataforma aberta e mais facilidade de acesso para os clientes. Mas ninguém deve se enganar: as taxas ainda são pouco atrativas diante do alto risco dos investimentos oferecidos.

O modelo “Banco 1.0” trata os clientes como hipossuficientes e subentende os gerentes não serem especialistas de investimentos. Dessa forma, oferece principalmente produtos extremamente conservadores e de alta liquidez.

Nesse ambiente, o objetivo é:

  1. preservar o capital do cliente e
  2. evitar ele adquirir produtos com perfil de risco inadequado.

Com menos ênfase na performance, a plataforma aberta não se faz necessária.

Em contrapartida, no modelo “Agentes autônomos 2.0”

  1. o cliente é tido como autossuficiente e
  2. o profissional com o papel do gerente bancário é percebido como um grande especialista de investimentos.

Com o foco no resultado, a plataforma aberta com produtos sofisticados torna-se um diferencial. Esse modelo vem sendo bastante difundido nos últimos anos. Continuar a ler

Day Trade + Market Timing = Jogo de Adivinhação

Market timing é um tipo de estratégia comum para se investir em ações. Muitos fundos de investimento, por exemplo, utilizam esta estratégia.

O conceito de market timing é o ato de tentar comprar ativos na baixa e vender na alta. Ele consiste em uma análise dos investidores com o objetivo de prever os passos de O Mercado divino — e obter lucro com esta análise.

Quando bem sucedida, esta uma estratégia capaz de ser bastante lucrativa. No entanto, esta não é uma tarefa fácil, portanto, raramente bem sucedida. Assim, investidores profissionais, como gestores de fundos de investimentos em ações, costumam errar em suas estratégias de market timing.

Tipicamente o market timing se utiliza do cenário de todo o mercado para prever as tendências. Esta estratégia não costuma focar em um ativo específico, mas sim no movimento do mercado como um todo.

Álvaro Campos (Valor, 08/03/19) noticia: com cada vez mais consultorias prometendo ganhos substanciais para pessoas físicas operando na bolsa – o que levou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a emitir um ofício orientando casas de análise a evitar expressões como “renda certa” -, uma dupla de pesquisadores da FGV realizou um estudo de modo a mostrar ser quase impossível viver de “day trade”, operação onde o investidor compra e vende o ativo no mesmo dia, visando lucro em curtíssimo prazo. Continuar a ler

Elizabeth White – Palestra TEDxVCU: Crise Financeira Pessoal = Crise na Aposentadoria

Fonte: site do IBGE. Com a crise das commodities, entre set 2011 e 2016, especialmente a queda da cotação do petróleo e a seca, provocando inflação de alimentos e reação com austeridade, Rússia (US$ 8.655 ) e Brasil (US$ 8.649) convergiram para renda per capita próximas; a China elevou a sua para US$ 7.993; a Índia manteve a sua relativamente estagnada em US$ 1.706. No mesmo período, os EUA tiveram a sua aumentada de US$ 51.559 em 2012 para US$ 57.808 em 2016, último ano do governo Obama. Mas não imagine todos os cidadãos estarem com bem-estar social lá nos EUA. Leia o depoimento pessoal abaixo deElizabeth White, dado em Palestra TEDxVCU.

“Você me conhece. Estou no seu círculo de amizades, escondida, mas à vista. Minhas roupas continuam impecáveis, compradas nos bons anos quando eu ainda ganhava dinheiro. De olhar para mim, você não saberia que cortaram minha eletricidade semana passada por falta de pagamento, ou que eu cheguei à elegibilidade pra receber cupons de alimentação. Mas se prestasse atenção, veria a tristeza nos meus olhos, ouviria um quê de medo na minha voz autoconfiante.

Ultimamente tenho comprado frascos de amostra de Tide de US$ 1,99 para conter as despesas. Aposto que não sabia que detergentes vinham nesse tamanho. Você me convida para os mesmos restaurantes caros que nós dois sempre curtimos, mas agora peço água mineral com um pouco de limão, não uma taça de “chardonnay” de US$ 12. Estou sendo econômica em minhas escolhas no menu. Meticulosa, conto cada centavo na minha cabeça. Me recuso a dividir uma comanda igualmente para cobrir sobremesas, cafés gourmet e dois ou três taças de vinho que não consumi.

Estou cansada de tentar manter as aparências. Um amigo me disse que estou falida, e não pobre, e há uma diferença. Vivo sem TV a cabo, sem plano de academia e sem hora marcada com manicure. Descobri que posso cuidar do meu cabelo. Não tenho poupança de aposentadoria, nem dinheiro economizado. Eu gastei tudo tempos atrás. Não há casa em condomínio caro para alugar e nem marido para me sustentar. Meses de pagamento atrasado e falta dele dizimaram meu crédito. Cobradores de contas ligam constantemente, lendo textos decorados antes de expressar simpatia pela minha difícil situação, em seguida exigem condições de pagamentos que eu jamais conseguiria cumprir. Amigos se perguntam em particular como alguém tão bem instruída pode estar numa crise financeira assim. Continuar a ler

Curtis “Wall Street” Carroll – Palestra TEDxSanQuentin: Empoderamento e Alfabetismo Financeiros

Aos 14 anos, arrombei um fliperama em um boliche e, ao sair do prédio, um segurança agarrou meu braço, e eu corri. Disparei rua abaixo e tentei pular uma cerca. Mas, quando cheguei no topo, o peso das 3 mil moedas na minha mochila me jogou no chão. Quando dei por mim, havia um segurança em cima de mim, falando: “Da próxima vez, seu bostinha, roube algo que possa carregar”. (Risos)

Fui levado para o juizado de menores e, quando fui solto sob a custódia da minha mãe, a primeira coisa que meu tio falou foi: “Como você foi pego?” Eu disse: “Cara, o saco estava pesado demais”. Ele falou: “Pra que você foi pegar todas as moedas?” Falei: “Eram pequenas. Você queria o quê?” E, dez minutos depois, ele me levou para arrombar outro fliperama. A gente precisava de gasolina pra chegar em casa. Essa era a minha vida.

Cresci em Oakland, na Califórnia, com minha mãe e familiares próximos viciados em cocaína crack. Meu mundo era viver com a família, amigos e em abrigos para sem-teto. Muitas vezes, nosso jantar era em filas de pão e sopões. Um dos meus “manos” me disse: “O dinheiro é quem manda no mundo e tudo nele. E, nestas ruas, o dinheiro é rei. Se você seguir o dinheiro, ele vai te levar para o bandido ou o mocinho“. Continuar a ler