Juros é para Ganhar, não para Pagar!

Luis Moraes, diretor executivo da Wimo, escreveu artigo (Valor, 22/06/22) em defesa da necessidade de Educação Financeira para fazer o uso correto de cartões de crédito.

O brasileiro não usufrui das melhores soluções de crédito à disposição. Imagine ter que fazer uma viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro. Você pediria um carro de aplicativo ou compraria uma passagem de avião? A resposta parece óbvia, mas muitos iriam de carro, porque não se planejam e esta é a alternativa simples, pois está na palma da mão.

O mesmo raciocínio serve ao uso de um cheque especial ou rotativo do cartão de crédito. Pagar o mínimo da fatura do cartão para cobrir gastos no final do mês pode ser a opção mais fácil, mas nem de longe é a mais barata ou a mais eficiente.

Apesar de ser algo considerado simples e rápido para os consumidores, nem sempre o cartão de crédito é ideal para as necessidades dos clientes, levando em conta que as taxas de juros cobradas podem acabar os prejudicando ao invés de auxiliar na diminuição das dívidas, algo que nos deixa longe da realidade econômica e da educação financeira ideal no país.

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Endividamento com Cartões de Crédito

O percentual de famílias com dívidas a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa) alcançou 77,7% em abril, o maior nível desde janeiro de 2010, início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC). Há um ano, a proporção de endividados era de 67,5%, 10,2 pontos percentuais abaixo.

A inflação alta, persistente e disseminada (IPCA em 11,3% ao ano naquele mês), e a taxa de desocupação (10,5% da PEA) mantêm elevadas as necessidades de crédito para recomposição da renda. As famílias encontram nos recursos de terceiros uma saída para manter seu nível de consumo. Pior, usam e abusam de um instrumento emergencial – cartões de crédito – com juros elevadíssimos (350% aa).

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso bateu um novo recorde, atingindo 28,6% do total de famílias, 4,3 pontos percentuais acima do apurado em abril de 2021, mostrando significativa piora na evolução no ano corrente. O cartão de crédito segue como o tipo de dívida mais procurado pelos consumidores em geral (88,8%), mesmo sendo a modalidade com os custos mais elevados.

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Como falta de dinheiro prejudica inteligência e afeta decisões

  • Shin Suzuki (BBC News Brasil em São Paulo, 29 maio 2022) escreveu reportagem sobre Finanças Comportamentais.

O cérebro precisa arrumar uma saída: atrasa algumas contas para garantir o dinheiro do mecânico? Faz só o pagamento mínimo do cartão de crédito no mês? Pede um empréstimo para socorrer as finanças que já vinham pressionadas?

Independente do caminho escolhido, os esforços para se livrar de apuros financeiros – ou simplesmente sobreviver, caso de mais e mais famílias brasileiras – têm significativas consequências sobre a cognição.

É algo explicado pelo cientista comportamental Eldar Shafir, da universidade Princeton, nos EUA, e o economista Sendhil Mullainathan, de Harvard, em um livro de 2013 chamado Escassez – Uma Nova Forma de Pensar a Falta de Recursos na Vida das Pessoas e nas Organizações (editora Best Business).

A dupla emprega o termo “banda larga mental” para ilustrar a capacidade cerebral em situações assim.

Um computador com muitos programas abertos vai ter dificuldades para processar informação. A internet fica lenta. Os vídeos vão travar o tempo inteiro.

Da mesma forma, uma cabeça cheia de problemas financeiros terá a performance prejudicada: ficará sobrecarregada e levará a decisões ruins.

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Comentários sobre Neuroeconomia (por Ariel Rubinstein)

ARIEL RUBINSTEIN (The University of Tel Aviv Cafes and Department of Economics, New York University) escreveu os seguintes comentários, traduzidos parcialmente.

A Neuroeconomia é examinada criticamente usando dados sobre os tempos de resposta de indivíduos solicitados a expressar suas preferências no contexto do Paradoxo de Allais. Diferentes padrões de escolha são encontrados entre os respondedores rápidos e lentos. Isso sugere tentarmos identificar tipos de agentes econômicos pelo tempo usado para fazer suas escolhas. No entanto, Rubintstein argumenta ainda estar longe de ser claro se e como a Neuroeconomia mudará a Economia com essa descoberta.

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Influenciadores Digitais em Finanças Pessoais

O comportamento do dólar, a volatilidade das ações e as  tendências para criptomoedas são temas cada vez mais presentes nas mesas de bar e nas redes sociais. Não à toa, o FMuíednrdicaaoedsoMBaritkceotingnúmero de influenciadores digitais que falam sobre investimentos só cresce.

Levantamento realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) identificou 277 perfis ativos de influenciadores no país entre 6 de fevereiro e 31 de dezembro do ano passado, 11 a mais do que no rastreamento anterior, feito entre setembro de 2020 e fevereiro de 2021. Mas o número que de fato chama atenção é o de seguidores, que alcançou a marca dos 91,5 milhões, crescimento de 23,6% na mesma base de comparação.

Os dados da segunda edição da pesquisa “FInfluence: quem fala de investimentos nas redes sociais, cujos resultados foram antecipados para Daniele Camba (Valor, 24/02/22)

De acordo com o estudo, os influenciadores foram responsáveis por 406 mil publicações em seus perfis, o que representa um

aumento de 153% em relação à primeira pesquisa. Do total das publicações, 62,5% foram no Twitter, vindo bem abaixo o Instagram e o Facebook, com 15,6% e 12%, respectivamente.

Apesar de terem participação ainda baixa, as redes sociais da Meta, controlada por Mark Zuckerberg, ganharam um pedaço do mercado do Twitter de um ano para outro. Enquanto o Twitter perdeu 8,5 pontos percentuais, o Facebook ganhou 3,6 pontos (indo de 8,4% para 12%) e o Instagtram, 3,8 pontos.

Os números consideram dados públicos dos perfis dos influenciadores. Informações de engajamento e audiência são privados e, portanto, somente o dono do perfil tem acesso a eles.

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Endividamento por Conta do Sistema de Pagamentos com Cartão de Crédito

Daniele Madureira (FSP, 08/02/22) informa: mais de um terço (36%) do consumo das classes C e D se concentra em gastos com mercado. A segunda maior categoria da lista, restaurantes, responde por 11% do consumo. Com isso, quase metade dos gastos da base da pirâmide está vinculada à alimentação e, em menor escala, a itens de higiene pessoal e limpeza.

Os dados, levantados pela fintech Superdigital, do Santander, foram obtidos com exclusividade pela Folha. A pesquisa foi feita a partir do banco de dados da Superdigital, que abrange 700 mil usuários ativos em todo o país que fazem compras todos os meses com cartão de crédito ou débito. Essas pessoas estão empregadas em regime CLT ou são trabalhadores temporários.

Os resultados reforçam como a inflação dos alimentos está corroendo a renda dos mais pobres —em janeiro, o maior impacto do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) veio do segmento de alimentação e bebidas (0,97%), que acelerou frente ao mês anterior (0,35%).

As classes C e D estão mais receosas quanto a gastos. No Natal, por exemplo, as compras se concentraram nos últimos oito dias de dezembro.

No Natal de 2020, por sua vez, essas compras haviam sido feitas entre novembro e dezembro, já aproveitando a primeira parcela do 13º salário. Além disso, esse público consumiu 13% menos no último Natal em relação a dezembro de 2020.

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Regra dos 4%: Saques da Riqueza Financeira corrigidos pela Inflação por 30 Anos

Michael Viriato é professor de Finanças do Insper e sócio fundador da Casa do Investidor. Publicou o artigo abaixo (FSP, 06/05/18) com uma dica de algoritmo útil, caso seja adequado ao meio-ambiente financeiro nacional. Aqui, dependerá dos movimentos correlacionados entre taxa de câmbio – taxa de inflação – taxa de juros, esperados no futuro, sabendo serem voláteis.

Quando há queda das taxas de juros, aqueles próximos de se aposentar ou planejando a aposentadoria, provavelmente, se questionam sobre as seguintes três dúvidas:

1. quanto preciso possuir para me aposentar,

2. quanto posso retirar por ano com essa soma, e

3. se ela será suficiente por todo o prazo de minha aposentadoria.

A convergência da taxa básica de juros brasileira para níveis mais próximos dos internacionais, traz a discussão uma regra usualmente aceita no exterior sobre qual a taxa de retirada segura de recursos na aposentadoria. A regra dos 4% foi proposta por William Bengen e publicada em 1994 no Journal of Financial Planning.

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Escolha entre Investimento Financeiro Prefixado, Pós-fixado e Atrelado à inflação

O ano de 2021 foi da renda fixa na indústria de fundos de investimentos. Depois de um 2020 negativo, com saídas de R$ 38,6 bilhões, 2021 registrou recorde de captação, com R$ 291,5 bilhões até o dia 29 de dezembro, segundo os dados da Anbima, entidade que representa o mercado de capitais e de investimentos.

O fluxo acompanhou o ciclo de alta de juros, com a Selic saindo de 2%, em janeiro do ano passado, para 9,25% ao ano no fim de 2021. Multimercados e fundos de ações perderam ritmo, especialmente nos últimos meses. Só em dezembro, saíram R$ 12,7 bilhões dos fundos mistos, com a captação no ano ficando em R$ 54,8 bilhões até o dia 29. Nas carteiras de ações, houve saque de R$ 2,9 bilhões em dezembro, com o saldo positivo do ano em apenas R$ 970,9 milhões.

Com expectativas de que a taxa referencial chegue a 11,5% ao fim do atual ciclo de aperto monetário, conforme coleta do Banco Central (BC) no boletim semanal Focus, a renda fixa tende a ser um lugar considerado confortável para o investidor. O modo rentista foi reativado com a tríade segurança, liquidez e retorno. E se a inflação ceder, como se espera, a classe volta a proporcionar ganhos reais.

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YouTubers Influenciadores em Finanças Pessoais

Nathalia Arcuri estreou seu “Me Poupe Show” na Rede TV!. Com cachê simbólico de R$ 1, a produção é vitrine para a apresentadora alçar novos voos com seus projetos de educação financeira.

O canal da empreendedora nas redes sociais, a publicidade e as atividades de entretenimento no rádio e na TV já resultam em negócio milionário. Só no primeiro trimestre, o grupo Me Poupe! faturou R$ 23 milhões, mais da metade da receita de todo o ano de 2020, de R$ 43 milhões. 

O caso do Me Poupe! é um dos exemplos de como Finanças Pessoais tem sido tomado por influenciadores digitais. Além de alcançar números expressivos de seguidores em redes como Facebook, Twitter, Instagram ou YouTube, alguns projetos têm se provado empreendimentos financeiramente bem-sucedidos.

O grupo O Primo Rico, de Thiago Nigro, teve no ano passado receita bruta de R$ 100 milhões e embarcou na Finclass, plataforma com conteúdo de profissionais de referência no mercado financeiro brasileiro e internacional. Com empresas novatas chegando à bolsa com faturamento até menor, mas avaliadas na casa dos bilhões, ele já pensa em abertura de capital.

Veterano dessa turma, o professor Gustavo Cerbasi, mestre em Finanças, começou com livros “best sellers”, em 2006. Deixou a vida acadêmica e hoje divide as atividades de autor com palestras, parcerias com instituições financeiras e projetos on-line. Em 2020, faturou cerca de R$ 20 milhões.

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Outros Livros de Autoajuda Financeira

Além dos livros indicados pelo site Investidor Sardinha, no post anterior, existem outros livros sobre investimentos capazes de contribuir com o seu aprendizado do mercado financeiro. Por exemplo:

1- Interpretação das Demonstrações Financeiras (Benjamin Graham): é um livro mais técnico recomendado sobretudo para os investidores já com experiência de investidores e desejosos de aprender sobre a análise contábil de uma empresa e como verificar seus balanços.

2- Finanças Comportamentais (Aquiles Mosca): com uma linguagem didática e de fácil compreensão, o autor explica sobre as tendências comportamentais dos participantes do mundo das Finanças. Fala sobre como elas funcionam e como elas podem ajudar ou prejudicar os investidores.

3- Os Ensaios de Warren Buffett (Warren Buffett): ele é considerado como um dos maiores investidores do mundo, sendo assim, um livro de sua autoria é recomendado para as pessoas com desejo de aprender um pouco sobre a sua Filosofia de Investimentos.

4- Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Gustavo Cerbasi): muitos casais brigam por causa do dinheiro ao invés de unirem suas forças em prol do aumento do patrimônio em conjunto. Portanto, se você é casado ou pretende se casar, esse pode ser um livro muito útil.

5- Filosofias de Investimento (Aswath Damodaran): neste livro são abordadas diferentes filosofias de investimentos, possíveis de ajudar os investidores ainda sem definirem suas próprias filosofias.

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Educação Financeira Por Conta Própria em Rede Social

Lucas Bombana (FSP, 28/11/21) narra: abastecidos por uma infinidade de fontes de informação por meio das redes sociais e dos influenciadores digitais, os adolescentes brasileiros têm desde cedo iniciado uma cultura financeira própria.

Uma pesquisa do Datafolha encomendada pelo C6 Bank que ouviu cerca de 950 adolescentes brasileiros entre os dias 18 e 25 de outubro mostrou que cerca de 70% deles têm como hábito guardar algum dinheiro.

Há diferenças, contudo, de acordo com a faixa de renda. Nas classes A e B, o percentual dos jovens que têm por hábito fazer alguma economia é de 81%. O índice cai para 73% na classe C e para 51% nas D e E.

Ter dinheiro para o caso de algum imprevisto e investir com o objetivo de alcançar um rendimento mensal foram as principais alternativas apontadas como razão para fazer a reserva das economias.

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Educação Financeira na Era dos Criptoativos

No primeiro semestre de 2022, novamente oferecerei curso de Finanças Comportamentais para Planejamento da Vida Financeira, como disciplina eletiva na Graduação e na Pós-Graduação do IE-UNICAMP. Educação Financeira é necessária em todos os graus.

Lucy Kellaway é editora colaboradora do “Financial Times” e cofundadora da Now Teach, uma organização para ajudar profissionais experimentados a se reciclarem como professores. Ela publicou reportagem (FT, 26/11/21) sobre a necessidade de upgrade em Educação Financeira, pois as moedas digitais soam antigoverno e rebeldes, e embutem a promessa de ganho fácil, instantâneo. O tamanho do interesse dos alunos por dinheiro parece equivalente à ignorância sobre quanto ele vale.

É hora da chamada em uma grande escola pública em Edgware, no norte de Londres. Hoje, assim como em todas as manhãs deste semestre até agora, as garotas do Ensino Médio sentam-se espalhadas batendo papo em duplas ou trios, enquanto a maioria dos garotos se junta em um grande amontoado.

“Ganhei mais de 100 libras num dia, seus manés!”, tagarela um garoto, lá do meio. Outro fica proclamando quanto ganhou, em uma conversa recheada de palavras como “shiba inu”, “dogecoin” e Elon Musk.

A professora responsável pela turma, recém-formada em História, observa tudo, com uma crescente sensação de desconforto.

“Negociar criptomoedas não é igualzinho a apostar em jogos de azar?”, pergunta aos alunos. Mais da metade dos garotos em sua sala de aula é de muçulmanos, e jogos de azar não são algo visto pelo Alcorão com bons olhos. Do meio do amontado, um estudante lhe dirige um olhar de desdém. “Não, professora”, afirma. “Isso é investir.”

Esse garoto, em particular, nunca mostrou muito interesse nos trabalhos da escola ao longo dos anos, mas ali está ele, tal como um Gordon Gekko da turma 13J. Ele passa quase o tempo todo no TikTok, Instagram e YouTube absorvendo dicas de celebridades para lá de duvidosas que, então, repassa a seus discípulos.

“Que Deus ajude esses meninos se estiverem arriscando dinheiro seguindo os conselhos desse garoto”, me diz depois a professora.

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