Geração Y: Investimentos dos Millennials para Aposentadoria

Sergio Prates é diretor regional da Icatu Seguros. Publicou artigo (Valor, 20/11/2019) de leitura interessante para a geração de meus filhos e meus alunos de Finanças Comportamentais: Planejamento da Vida Financeira. Reproduzo-o abaixo.

Geração Y, a geração da internet ou comumente conhecidos como “millennials”, são os novos entrantes do mercado de capitais, jovens dos seus 18 a 36 anos que experimentam um cenário econômico favorável a investimento de longo prazo, com uma gama de informações e ofertas de produtos sofisticados pipocando em seus smartphones a todo instante.

Ao mesmo tempo, experimentam a necessidade da realização de uma previdência privada, pois acompanham, com esta mesma intensidade, notícias sobre o rumo da nossa Previdência Social, fadada a garantir apenas uma pequena parcela de seus rendimentos.

Os millennials buscam por todo tipo de informação na rede. Um dia desses, um jovem localizou o telefone do nosso escritório no google maps e perguntou se ali poderia ser atendido. Ele havia estudado a fundo o assunto e sabia o que queria — um PGBL com tabela regressiva –, mas estava um pouco confuso quanto à alocação dos seus investimentos. Existem inúmeras opções hoje em dia, para o bem do mercado, ainda que ele sofra de uma grande concentração dos famosos “RF CDI”. E que sirva de alerta, pois mais de 95% da indústria ainda está dormindo nestes fundos.

Com uma Selic de 5% ao ano e IPCA projetado de 3,4% ao ano, o retorno que muitos clientes da geração “baby boomer buscam, com foco em preservação de capital, já está projetando rendimento real negativo.

Um ponto muito positivo para os mais jovens é a questão do longo tempo de investimento disponível. Uma carteira com rendimento real de 3,5% ao ano, passados 30 anos, terá mais de 38% do seu saldo composto por rentabilidade e, com mais dez anos investidos, chegamos a 48%, reforçando a tese de que o quanto antes começamos a investir, melhor. Continuar a ler

Cai Juros e a Propensão Média a Consumir para Aumentar a “Poupança”

Analistas se enganam com o cenário formulado em ciclo de desalavancagem financeira. Paradoxalmente, a queda dos juros diminuem a propensão ao consumo para as PF manterem seus planos de construir reserva financeira para a futura aposentadoria. Na linguagem popular: “aumenta a poupança”, isto é, o valor planejado para investimentos financeiros.

Arícia Martins (Valor, 05/11/2019) avalia: além do impulso ao consumo, o ambiente de taxas de juros menores, aparentemente mais duradouro no ciclo atual, deve ajudar bastante o investimento. Mais do que a queda da Selic, a redução na curva longa dos juros torna o cenário mais positivo também para quem pretende investir, principalmente na área de infraestrutura, concordam economistas e especialistas do setor. A visão é que projetos antes inviáveis por terem uma taxa de retorno inferior aos juros ficaram atrativos aos olhos dos investidores, em especial aqueles que miram o longo prazo.

As taxas reais de juros brasileiras estão em níveis historicamente reduzidos: o juro real privado de um ano está abaixo de 1% pela primeira vez desde o início do Plano Real, em 1994. O cálculo é feito descontando a inflação projetada para os próximos 12 meses do contrato de swap de juro de 360 dias. Continuar a ler

Conservadorismo em Finanças Pessoais, Liberalismo em Postura Política e Costumes

Roseli Loturco (Valor, 27/08/19) o encaminhamento da votação da reforma da Previdência no Congresso Nacional tem beneficiado direta e indiretamente a entrada de investimentos na Previdência Complementar por conta própria. Os números do primeiro semestre de contratação e captação líquida dos planos de previdência privada. O setor vinha desacelerando o ritmo de crescimento nos dois últimos anos, mas deu uma arrancada nos meses de maio e junho.

Foi o suficiente para inverter a curva e mostrar melhores resultados. As
contribuições até junho totalizaram R$ 55,7 bilhões, e a captação líquida
atingiu R$ 20,4 bilhões, 20,1% acima do igual período de 2018. Até o fim do ano a carteira total de investimentos do setor deve saltar de R$ 890 bilhões para atingir seu primeiro trilhão de reais.

A aprovação da reforma na Câmara colocou uma transparência maior sobre o que vai acontecer na Previdência Social com relação a idade, tempo de contribuição e valor dos benefícios. Logo, as pessoas com mais condições financeiras, começam a procurar a indústria privada. Neste cenário, as 67 seguradoras e as plataformas de investimentos têm feito esforços adicionais de vendas e oferecido mais opções de fundos. Os fundos multimercados têm despontado na preferência dos ativos de previdência.

Hoje, já representam 12,08% dos recursos aplicados. Em 2016, eram 5,7%. Já a renda fixa, apesar de representar ainda 84,5% do total, vem perdendo espaço. Em 2016, detinha 91% das aplicações. Continuar a ler

Era dos Juros Baixos e Aversão ao Risco de Renda Variável

Adriana Cotias (Valor, 09/08/19) avalia: o investidor brasileiro tem intuito de diversificar o risco para além da rotina da renda fixa. Com a Selic na mínima histórica, em 6% ao ano, têm ganhado peso progressivamente ativos de renda variável, fundos imobiliários e debêntures. Isso é mostrado pelos dados do primeiro semestre referentes às aplicações dos segmentos de varejo, alta renda e private banking da Anbima. Ela representa o mercado de capitais e de investimentos.

Como um todo, os investimentos da pessoa física alcançaram R$  3,1 trilhões em junho, um incremento de 5% em relação a dezembro de 2018, e de 11,2% na comparação com janeiro a junho do ano passado. No mesmo intervalo em 2017, o setor tinha crescido 3,3%.

Os números da primeira metade do ano ficaram acima da variação da Selic, de 3,1% no período, mas abaixo do IMA-Geral, índice que mede o desempenho de uma cesta de títulos públicos, com alta de 7,9%. O Ibovespa ganhou 14,9%.

No varejo, o saldo dos investidores chegou a R$ 1,9 trilhão, com alta de 2,7% no semestre, mesmo ritmo observado de janeiro a junho de 2017. A alta renda passou a representar 51,5% do conjunto varejo, com R$ 968,7 bilhões, em comparação à fatia de 47,6% de dezembro. Continuar a ler

Estresse Financeiro

Ana Conceição (Valor, 20/08/19) informa: mais de um quarto dos consumidores de baixa renda estão sob estresse financeiro, ou seja, se endividando ou “queimando” reservas para pagar contas do dia a dia, como de água e luz, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Em julho, 26% dos consumidores com salários de até R$ 2.100 mensais estão nessa condição, mostra o Indicador de Estresse Financeiro, apurado mensalmente pela instituição.

Entre os com salário acima de R$ 9.600, o percentual é menor, de 16,3%. Nas faixas intermediárias, o indicador variou de 27% (até R$ 4.800) a 24% (até R$ 9.600).

Na média, 23% dos consumidores estavam se endividando ou reduzindo poupança para pagar despesas correntes em julho, ante 24% no mesmo período do ano passado, contra uma média histórica de 19,6%. Continuar a ler

Cuidados com Idosos: Problema de Finanças Públicas e Pessoais

Damien Ng (Valor, 24/05/19) analisa o envelhecimento populacional. O mundo está à beira de uma transformação demográfica verdadeiramente notável. Pela primeira vez na história humana, espera-se que o número de pessoas com 60 anos ou mais ultrapasse o de crianças com menos de 10 anos, até 2030.

Havia cerca de 962 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2017 em todo o mundo, mais que o dobro de 1980 (382 milhões). Este número, de acordo com o Relatório sobre o Envelhecimento Populacional das Nações Unidas 2017, deverá crescer para quase 1,41 bilhão até 2030 e para cerca de 2,1 bilhões até 2050. Em comparação, a fatia de pessoas com mais de 80 anos deve crescer ainda mais rapidamente, de 137 milhões para 425 milhões em 2050, um aumento de três vezes.

Esse crescimento é resultado principalmente de quatro fatores:

  1. taxas de fertilidade mais baixas,
  2. queda na taxa de mortalidade em todas as faixas etárias,
  3. melhores tratamentos médicos e
  4. mudanças no estilo de vida e dieta. Continuar a ler

Finanças Comportamentais adotadas para Aconselhamentos Financeiros

Adriana Cotias (Valor, 10/06/19) narra: dois macacos-pregos são recompensados desigualmente ao executar a tarefa de devolver pedrinhas para o cientista. Um deles recebe uvas, alimento preferido da espécie, que costuma viver em grupo. O outro é pago com fatias de pepino. Ao ver esse sistema se repetir, o animal que ganha o vegetal e vê o seu par agraciado com a frutinha reage à injustiça. Balança raivosamente a divisória que o separa da pessoa que o alimenta, atira o pepino de volta, bate no patamar fora do cercado, mostrando a sua contrariedade (o vídeo pode ser visto acima).

O experimento, feito pelo professor alemão Frans de Waal, especialista em comportamento de primatas da Universidade de Emory, em Atlanta (EUA), dá pistas a respeito das reações emocionais e o senso de justiça não serem características exclusivas da espécie humana.

São vieses cognitivos, isso ilustra bem a aversão a perdas e mostra mesmo os macaquinhos estarem sujeitos a vieses. Errar não é só humano, faz parte da evolução biológica da espécie.

Há evidências de decisões irracionais serem tomadas por pessoas o tempo todo. O excesso de confiança ou a aversão a perdas acabam tendo influência muito grande na tomada de decisão e têm influência nos preços dos ativos.

A partir de 2002, quando o psicólogo israelense Daniel Kahneman ganhou o Nobel de Economia, as Finanças Comportamentais ganharam popularidade. Essa linha de pesquisa coloca em xeque a teoria econômica tradicional. Esta considera as tomadas de decisões, capazes de moverem as forças de mercado, serem essencialmente racionais. Para Kahneman, há duas formas de pensar:

  1. uma rápida, intuitiva e emocional; e
  2. a outra, mais lenta, examinada e mais lógica.

Os desvios sistemáticos de racionalidade identificam as várias tendências humanas. Ao tomar consciência delas, é possível traçar estratégias para evitar certas armadilhas mentais. Continuar a ler