Escritura de Imóvel Em Nome dos Filhos

Luciana Pantaroto, CFP, responde (Valor, 15/06/20) à pergunta: caso uma mulher no segundo casamento queira comprar um imóvel à vista, com seu próprio dinheiro, e fazer a escritura no nome dos filhos do primeiro casamento, fazendo a tal doação, ela precisa da assinatura/permissão do marido para alguma coisa? Se fosse um financiamento no nome da mulher, ela precisaria, mas como funciona nesse caso de ser à vista e a escritura no nome dos filhos?

“Prezado(a) leitor(a),

Sua questão é relevante e oportuna, evidenciando sua cautela com as questões patrimoniais de sua família.

Os indivíduos casados, em regra, precisam de autorização do cônjuge para doar bens imóveis, ainda que sejam bens particulares, ou seja, que não integrem o patrimônio comum do casal.

Os indivíduos casados precisam de autorização do cônjuge também para doar bens móveis que integrem o patrimônio comum do casal ou que possam integrar futura meação (a meação é, em resumo, a metade ideal do patrimônio comum do casal que pertence a cada cônjuge. O patrimônio comum do casal depende do regime de bens adotado).

No entanto, há exceções: os indivíduos casados pelo regime da separação total de bens (a partir de 2003) podem dispor de seu patrimônio sem autorização do outro cônjuge. Continuar a ler

Contabilidade Mental

Contabilidade Mental é outra forma de pensarmos no dinheiro em relação ao valor real para nosso futuro planejado racionalmente. Ela pode ser uma ferramenta útil, mas com frequência leva a decisões ruins, especialmente quando não percebemos a estarmos usando.

Essa percepção de Contabilidade Mental foi divulgada por Richard Thaler. Segundo seu princípio básico, as pessoas operam em seu comportamento financeiro de forma parecida com as organizações e empresas. Se trabalha para uma pequena organização, cada departamento tem seu orçamento anual, gastando-o na medida do necessário. Se um departamento esgota seu dinheiro cedo demais, pior para ele. O chefe do departamento não receberá uma nova parcela até o início do ano seguinte. Mas se sobrar dinheiro ao final do ano, todos ganharão um prêmio.

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Fuga do Capital Estrangeiro

Marcelle Gutierrez, Lucas Hirata e Ana Carolina Neira (Valor,17/04/2020) informa: os dias de pânico no mercado financeiro mundial reduziram ainda mais a participação dos estrangeiros na bolsa brasileira. Segundo dados da B3 até o fim de março, esses investidores passaram a ter em mãos 39,7% do estoque de ações em circulação no mercadoo menor nível desde abril de 2014 se consideradas apenas as sessões finais de cada mês. A reversão dessa trajetória vai depender das medidas para contornar a pandemia da covid-19 e de uma maior clareza sobre como o país pode sair dela, tanto do lado econômico como fiscal e político.

A saída do estrangeiro da bolsa ocorre desde meados de 2017 e foi intensificada em 2020 pela onda de aversão ao risco global causada pela covid-19. A liquidez migrou para ativos de proteção, como ouro e dólar. Em março de 2019, essa participação era de 43,84% e chegou a 41,23% em fevereiro de 2020.

A queda na exposição de cada tipo de investidor pode ser explicada pela magnitude da desvalorização de suas carteiras em março, assim como pelos dados de fluxo de capital da bolsa. O valor das ações na mão dos estrangeiros saiu de R$ 1,032 trilhão para R$ 725 bilhões de um mês para outro, em uma queda significativa de 29,8%. Já o valor total de ações em custódia na B3 caiu 27,1%, para R$ 1,826 trilhão. Vale dizer, ainda, o investidor estrangeiro já retirou um valor líquido de R$ 65,5 bilhões da bolsa neste ano.

A crise, porém, levou diversos países a reduzirem suas taxas de juros, o que pode resultar em uma volta natural dos investidores para o mercado de renda variável. Mas, por enquanto, todos estão receosos e os países seguem em quarentena. Quando passar a quarentena, haverá retorno para ações pela flexibilização monetária. O Brasil com o atual desgoverno será provavelmente o último da fila, dificilmente o primeiro. Este lugar será disputado pelos países desenvolvidos e os que mais atuaram para mitigar os efeitos.

Ocorrerão duas ondas de volta da liquidez para o mercado acionário, sendo a primeira direcionada para países desenvolvidos e a segunda para Brasil e outros emergentes. Entre as explicações para o Brasil não estar entre as principais escolhas, a falta de visibilidade sobre os impactos da crise na economia, principalmente no Produto Interno Bruto (PIB). A grande variável é quando a atividade voltará ao normal.

Com a agenda de reformas estruturais adiada e a falta de visibilidade acerca do desempenho da economia, o capital externo não deve voltar ao mercado brasileiro tão cedo. Enquanto não se tem clareza sobre como será a queda do PIB em 2020 e a retomada em 2021, não haverá grande interesse do investidor estrangeiro.

Em ambiente volátil e com foco no controle da pandemia, as reformas ficaram em segundo plano. “Passado esse momento, o foco tem de voltar para a agenda de reformas, até porque o lado fiscal vai se deteriorar com os gastos do governo”. [Isto diz a idiotia de O Mercado incapaz de cantar outra ladainha…]

A preocupação com o fiscal vem das despesas para combater a pandemia da covid- 19 e também seus efeitos econômicos. Em 2020, o déficit primário deve ficar em cerca de 6% do PIB, segundo projeções de O Mercado.

Para o Brasil, solucionar as questões políticas e fiscais serão essenciais para o retorno do estrangeiro e também a retomada da bolsa brasileira, após o tombo de 2020. Em geral, os mercados emergentes sofrem mais em períodos assim por ter uma situação econômica já desfavorecida. Assim, todo o fluxo estrangeiro tende a ir para lugares mais seguros ou com rentabilidade melhor, como Estados Unidos e Ásia.

Neste tipo de análise é importante diferenciar que, apesar de emergentes, cada país tem um histórico diferente e que China e Coreia do Sul, por exemplo, se destacam em termos de rentabilidade versus risco. A América Latina ainda surge como um dos mercados que mais geram dúvida para os investidores, diante dos constantes conflitos políticos e comprometimento fiscal. Neste aspecto, o Brasil carrega os dois problemas ao mesmo tempo.

A China já demonstrou que sua economia tem capacidade de recuperação, mas a América Latina como um todo tem problemas fiscais e políticos constantes, então ela pode sim receber menos fluxo de dinheiro estrangeiro por um tempo.

O fluxo global de recursos está sendo direcionado para Ásia, pelo fato de os países da região serem os primeiros a sair da crise. Os Estados Unidos também estão entre as opções, mas pela capacidade de lançar estímulos.

A volta do estrangeiro ao Brasil dependerá de quanto tempo irá durar a quarentena e como se dará a recuperação da economia.

A precificação do movimento muito forte de deterioração da economia com pandemia fica nítida ao observar a queda de 32,7% do Ibovespa em 2020, até meados de abril. Devido a este duro ajuste de preços, as ações podem ser consideradas baratas, inclusive aos olhos dos estrangeiros, quando a crise deflagrada pelo coronavírus começar a se dissipar.

Todo o cenário ainda está envolto de incertezas derivadas da pandemia. O Brasil não é muito diferente de outros emergentes em relação à parte médica e como vai sair da crise. Está no padrão, principalmente, em relação aos latino- americanos.

Por outro lado, a ação de preços por aqui foi muito mais intensa. Isso coloca o Brasil em um preço relativo mais atrativo e pode ajudar a receber mais fluxo, quando a atividade global começar a caminhar para normalização.

Em 2019, o estrangeiro retirou R$ 44,5 bilhões da bolsa brasileira, mas do mercado secundário – ações listadas – e ingressou com R$ 38,5 bilhões em ofertas de ações – IPOs e follow-ons. Em 2020, este cenário não deve se repetir. Neste cenário de volatilidade e incerteza, é difícil o mercado ser aberto para IPO e follow-on por pelo menos três a quatro meses.

Investir no Brasil não tem compensado o risco para o estrangeiro, e a pandemia de covid-19 só piora a expectativa de retorno para os ativos domésticos, da América Latina e da maioria dos emergentes. Por ora, a avaliação de gestores de recursos globais é tão cedo o capital externo não olhar para as alternativas locais, porque há oportunidades mais claras e seguras nas economias maduras.

O modo saída de risco e fuga para mercados de qualidade vai prevalecer. Nas alocações da instituição, a preferência tem sido para alternativas na Ásia no bloco dos emergentes, enquanto nos países desenvolvidos as escolhas se concentram em títulos de dívida de melhor classificação de crédito e bolsa nos Estados Unidos. Está havendo uma bela diferenciação por país, companhia e o tipo de ativo, focando em qualidade.

Neste ano, o retorno composto, considerando preço, taxa e a variação cambial, é negativo em mais de 15% tanto para títulos soberanos quanto corporativos na América Latina, e recuo similar se vê nos papéis globais “high yield”, de empresas com pior perfil de crédito. Em contrapartida, os títulos de dívida soberana dos países desenvolvidos ganhavam 1,6% até o fim de março, segundo mapeamento do J.P. Morgan.

Mesmo as taxas dos títulos americanos de dez anos caíram 120 pontos-base em meio à percepção de que 2020 será um ano negativo para a América Latina, onde os spreads subiram pelo movimento de saída do risco e a preocupação fiscal. Nos papéis corporativos de emergentes e dos títulos high yield, a estrategista diz que a correlação é maior com o mercado acionário, o que quer dizer que, se o índice S&P 500 cai, os ativos também perdem valor, enquanto nos desenvolvidos de melhor qualidade, como EUA, Japão e Alemanha, o movimento é oposto.

Quem tem mandato para investir em Brasil e emergentes em geral está num momento de retração de risco, para fazer caixa ou porque também tem encontrado ativos baratos no “seu quintal”. “Os títulos high yield nos Estados Unidos ficaram tão estressados quanto os de emergentes e são mais fáceis de se avaliar, não correm risco de câmbio e o componente jurídico é mais simples. Em todos os ativos de risco, os spreads subiram muito, mas a renda fixa de países desenvolvidos deve sair mais rapidamente dessa situação porque os bancos centrais e o Tesouro têm um bolso maior.

O estrangeiro olha para ativos brasileiros com ressalvas. A fatia do não residente em títulos públicos no Brasil tem caído progressivamente desde 2015, saindo de 18,8% para 10,9%, pelos dados até fevereiro do Tesouro, quando a dívida mobiliária somava R$ 4,3 trilhões.

O estrangeiro tem vendido ativos de renda fixa brasileiros e, desde o ano passado, saído fortemente também das ações pela percepção de que os preços ficaram caros e cabia embolsar lucros. Com o sentimento de aversão a risco, esse é um movimento que tende a continuar.

Na conta deste ano, as vendas de ações pelo investidor externo superaram as compras em R$ 65,5 bilhões, depois de saques de R$ 44,5 bilhões no secundário em 2019, segundo dados da B3. Ao fim de março, o estoque do não residente na depositária da bolsa era de R$ 725 bilhões, em comparação a R$ 1,032 trilhão no encerramento de fevereiro – a marca do trilhão tinha sido alcançada em julho do ano passado.

Esse investidor não volta tão cedo porque tem olhado outras economias, com preços mais atrativos. Não se trata de um fenômeno exclusivamente de Brasil. Saiu de emergentes como um todo, reduzindo a participação à metade ou para próximo de zero do que tinha antes da crise. Os emergentes não têm fôlego financeiro para aguentar um momento como esse.

Em dólar, o índice de ações brasileiras tem neste ano a pior performance entre os países da América Latina, com queda de 50,2% até o fim de março, segundo levantamento do J.P. Morgan. De 2010 a 2019, a desvalorização anual média foi de 0,6%. Foi uma década perdida para o mercado acionário brasileiro, enquanto tem tido retornos incríveis nos Estados Unidos. Para o estrangeiro não tem valido a pena.

No caso brasileiro, é essencial o investidor ter segurança de os gastos emergenciais para combater a covid-19 e ajudar famílias e empresas serem temporários. É triste porque isso mostra como a América Latina e o Brasil têm uma condição extra complicada, eles têm um choque na saúde e na economia e não conseguem fazer os gastos fiscais que precisam porque a gente vê o custo de dívida subindo. É um momento particularmente desafiador para nós, algo que os Estados Unidos não precisam se preocupar, conseguem fazer um pacote fiscal de 10% do PIB e os juros continuam caindo.

O movimento mais recente tem a ver com as dúvidas de como os emergentes vão lidar com a pandemia, não só o Brasil, como outros países populosos como Índia e México, uma discussão que vai além da econômica. Do lado fiscal, o tema de reformas vai voltar à mesa porque, mais adiante, a relação dívida/PIB pode não ser sustentável. Como vai fazer, se cortar na carne vai reduzir o salário do servidor público, vai privatizar?

Outra dúvida é se o BC conseguirá ajudar o sistema de crédito. “A leitura do estrangeiro é: ‘não preciso pagar para ver’. Ele pode perder a primeira ou segunda perna [da valorização], mas não está preocupado com isso. A crise só acentuou a preocupação com o risco de queda, de não conseguir explicar caso entre numa situação de estresse porque não se tem clareza sobre o plano de saída.”

Embora O Mercado venha colocando nos preços a possibilidade de uma Selic ainda menor, haveria uma lógica para o BC ser conservador e manter a taxa básica de juro em 3,75% ao ano. Na hora que quiser voltar, o investidor vai avaliar o yield relativo. Se o retorno real não for atrativo, não tem por que vir para Brasil, uma vez que pode ganhar mais indo para Colômbia, Índia, Tailândia ou Indonésia.

As disputas políticas entre Executivo e Legislativo também pesam contra o Brasil. Tem gente que quer aproveitar a crise da covid para resolver problemas do passado, para carregar esqueletos de Estados e municípios. O resumo é: o gringo está fora e não vemos entrando no Brasil tão cedo, ele vai esperar o mercado se acalmar e começar a conta-gotas a escolher o país

A questão chave para a recuperação das economias e dos mercados agora não se dá mais na linha dos estímulos monetários ou fiscais, mas na diferenciação dos países para lidar com os problemas de saúde. Estão todos em quarentena, o que quer dizer que depende da estratégia de cada país para fazer a reabertura, isso vai variar muito. Os que parecem mais na frente são China, Coreia e Taiwan, na Ásia, e Alemanha, na Europa. Já a perspectiva para a América Latina é de uma recuperação lenta.

Duas Pandemias: Sanitária e Econômica

Robert J. Shiller é professor de economia na Yale University, ganhador de Prêmio Nobel em Economia, presidente da Associação de Economistas dos EUA e autor de Narrative Economics: How Stories Go Viral and Drive Major Economic Events.

Robert Shiller (Valor, 03/04/2020) aplica ideias contidas nesse seu livro, aqui resenhado, à análise da atual conjuntura. Compartilho seu artigo abaixo.

“Estamos sentido os efeitos de ansiedade não apenas de uma pandemia, mas de duas. A primeira é a pandemia da covid-19. Ela gera ansiedade porque nós, ou as pessoas a quem amamos, em qualquer lugar do mundo, podemos em breve ficar gravemente doentes ou mesmo morrer. E a segunda é a pandemia de ansiedade sobre as consequências econômicas da primeira.

Essas duas pandemias estão inter-relacionadas, mas não são o mesmo fenômeno. Na segunda pandemia, as narrativas de medo se disseminaram de forma tão viral que muitas vezes pensamos nelas o tempo todo.

O mercado acionário vem caindo como uma pedra, aparentemente em reação às notícias sobre como a covid-19 pode exaurir o valor do que poupamos ao longo de toda a vida, a menos que façamos algo. Mas, diferentemente da própria covid-19, a fonte de nossa ansiedade é que não temos certeza sobre o que se deve fazer. Continuar a ler

Aposentadoria se faz com Ações… de Planejamento em Renda Fixa

Devemos começar a pensar em investimentos em renda variável como poupança de longo prazo e aposentadoria e não somente oportunidades de curto prazo? Vinícius Ribeiro Vieira (Valor, 09/01/2020) responde sim à essa questão. Como gestor de fundos de ações ativos da BB DTVM seu papel é ser “vendedor de seu peixe”. Reproduzo o artigo abaixo para análise de seus dados e verificação se ele alerta para os riscos e o modelo de ciclos da vida financeira.

“Finalmente chegou o momento que há tanto tempo economistas e profissionais de O Mercado aguardavam!

A reforma da Previdência foi aprovada, a inflação, corrente e esperada, encontra-se controlada e a Selic caiu ao menor nível de sua história. Todas essas notícias são excelentes para a retomada do crescimento econômico. Porém, para os investidores representa um grande desafio: como e onde investir os recursos.

Vivemos durante muito tempo a Era da Renda Fixa. Grande parte dos nossos recursos, mesmo os de longo prazo, eram investidos em ativos de baixo risco, títulos públicos prefixados ou indexados à inflação. Quadro esse muito diferente de países com juro menor, como os EUA, onde alocações em renda variável e ativos de risco possuem representatividade em portfólios de diferentes perfis de investidor.

Com o fim do ambiente de retornos de “1% ao mês e sem risco”, a realidade dos brasileiros começou a se aproximar daquele grupo de países. Percebe-se a real necessidade de aumentar exposições em ativos de maior risco, como ações, focando não apenas retornos de curto prazo, mas principalmente em poupança de longo prazo, como a aposentadoria.

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Como organizar as Finanças Pessoais e começar a investir?

Entrevista concedida a Fábio Gallacci (Portal do Banco Safra) em 08/01/20:

1 – Gastos no final do ano, muitas contas chegando em janeiro, impostos, fatura do cartão de crédito…como evitar o descontrole das contas nessa época de retomada da rotina?

Não há como evitar o descontrole das contas de gastos já efetuados a serem ainda pagos. Para todos os gastos, é necessário planejamento financeiro. No caso desses sazonais, antes de ocorrerem. Por exemplo, no caso de IPVA e IPTU, respectivamente, em janeiro e fevereiro, têm de ser previstos com uma reserva adequada para pagá-los.

Pense: “o tempo de minha vida ativa será 35 anos, mas poderei viver mais 20 anos em vida inativa. Então, para manter o padrão de vida alcançado, terei de desdobrar o ganho em um ano para manter-me quase por dois. Para isso, necessito Educação Financeira”.

Em Finanças Comportamentais, aprendizagem de um comportamento racional significa “domesticar os instintos primários”. Com esse autocontrole mental se evita gastos de consumo sob impulso emocional – e não por necessidade básica.

Faça um Orçamento Pessoal/Doméstico e estabeleça metas financeiras. Quando se aposentar, o patrimônio líquido deve ser nove vezes a receita total líquida recebida anualmente, após descontos tributários e previdenciários, em todas as fontes de renda.

O algoritmo denominado “1-3-6-9” sugere acumular, para manter o padrão de vida (ou de consumo) na aposentadoria, nove vezes a remuneração anual aos 65 anos. Com esse valor, é possível um saque mensal por cerca de vinte anos (240 meses) no mesmo valor presente da receita total líquida, supondo juros de 0,5% a.m. para capitalizar o saldo do capital financeiro.

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Ameaças da Reforma da Previdência Social: Calamidade Social à Vista

A reforma da Previdência Social foi “vendida” como panacéia pela casta dos mercadores e a casta dos militares. Eles não dimensionaram suas consequências sociais no futuro, isto é, na hora da aposentadoria, e tampouco o aumento do custo das empresas patrocinadoras de fundos de pensão fechados!

Sérgio Tauhata (Valor, 05/12/2019) informa: o impacto da nova Previdência vai muito além do maior tempo de contribuição para as pessoas físicas. As empresas patrocinadoras de fundos de pensão, por exemplo, vão ter uma ampliação de gastos de até 100% com os funcionários, quando comparado com o regime anterior. Além disso, a nova realidade de taxas baixas vai exigir que os beneficiários até dobrem os esforços de acumulação para conseguir manter a mesma renda complementar comparada à época de juro real de 5% ao ano.

As conclusões fazem parte de um conjunto de simulações feitas com exclusividade ao Valor pela Luz Soluções Financeiras. As projeções ajudam a mensurar o que vai mudar para entidades de previdência complementar fechada e seus usuários com as mudanças.

Grandes impactos para os fundos de pensão são a questão do maior tempo de aporte para os fundos e o aumento dos gastos com saúde. Estes crescem exponencialmente.

Esse novo mundo da seguridade social, com elevação do tempo de exploração da força de trabalho, refletirá na seguridade privada complementar. Vai exigir uma combinação de esforços tantos dos planos privados quanto dos trabalhadores para manter o mesmo nível de benefícios do antigo regime e da época de retornos de dois dígitos das aplicações. Continuar a ler

Geração Y: Investimentos dos Millennials para Aposentadoria

Sergio Prates é diretor regional da Icatu Seguros. Publicou artigo (Valor, 20/11/2019) de leitura interessante para a geração de meus filhos e meus alunos de Finanças Comportamentais: Planejamento da Vida Financeira. Reproduzo-o abaixo.

Geração Y, a geração da internet ou comumente conhecidos como “millennials”, são os novos entrantes do mercado de capitais, jovens dos seus 18 a 36 anos que experimentam um cenário econômico favorável a investimento de longo prazo, com uma gama de informações e ofertas de produtos sofisticados pipocando em seus smartphones a todo instante.

Ao mesmo tempo, experimentam a necessidade da realização de uma previdência privada, pois acompanham, com esta mesma intensidade, notícias sobre o rumo da nossa Previdência Social, fadada a garantir apenas uma pequena parcela de seus rendimentos.

Os millennials buscam por todo tipo de informação na rede. Um dia desses, um jovem localizou o telefone do nosso escritório no google maps e perguntou se ali poderia ser atendido. Ele havia estudado a fundo o assunto e sabia o que queria — um PGBL com tabela regressiva –, mas estava um pouco confuso quanto à alocação dos seus investimentos. Existem inúmeras opções hoje em dia, para o bem do mercado, ainda que ele sofra de uma grande concentração dos famosos “RF CDI”. E que sirva de alerta, pois mais de 95% da indústria ainda está dormindo nestes fundos.

Com uma Selic de 5% ao ano e IPCA projetado de 3,4% ao ano, o retorno que muitos clientes da geração “baby boomer buscam, com foco em preservação de capital, já está projetando rendimento real negativo.

Um ponto muito positivo para os mais jovens é a questão do longo tempo de investimento disponível. Uma carteira com rendimento real de 3,5% ao ano, passados 30 anos, terá mais de 38% do seu saldo composto por rentabilidade e, com mais dez anos investidos, chegamos a 48%, reforçando a tese de que o quanto antes começamos a investir, melhor. Continuar a ler

Cai Juros e a Propensão Média a Consumir para Aumentar a “Poupança”

Analistas se enganam com o cenário formulado em ciclo de desalavancagem financeira. Paradoxalmente, a queda dos juros diminuem a propensão ao consumo para as PF manterem seus planos de construir reserva financeira para a futura aposentadoria. Na linguagem popular: “aumenta a poupança”, isto é, o valor planejado para investimentos financeiros.

Arícia Martins (Valor, 05/11/2019) avalia: além do impulso ao consumo, o ambiente de taxas de juros menores, aparentemente mais duradouro no ciclo atual, deve ajudar bastante o investimento. Mais do que a queda da Selic, a redução na curva longa dos juros torna o cenário mais positivo também para quem pretende investir, principalmente na área de infraestrutura, concordam economistas e especialistas do setor. A visão é que projetos antes inviáveis por terem uma taxa de retorno inferior aos juros ficaram atrativos aos olhos dos investidores, em especial aqueles que miram o longo prazo.

As taxas reais de juros brasileiras estão em níveis historicamente reduzidos: o juro real privado de um ano está abaixo de 1% pela primeira vez desde o início do Plano Real, em 1994. O cálculo é feito descontando a inflação projetada para os próximos 12 meses do contrato de swap de juro de 360 dias. Continuar a ler

Conservadorismo em Finanças Pessoais, Liberalismo em Postura Política e Costumes

Roseli Loturco (Valor, 27/08/19) o encaminhamento da votação da reforma da Previdência no Congresso Nacional tem beneficiado direta e indiretamente a entrada de investimentos na Previdência Complementar por conta própria. Os números do primeiro semestre de contratação e captação líquida dos planos de previdência privada. O setor vinha desacelerando o ritmo de crescimento nos dois últimos anos, mas deu uma arrancada nos meses de maio e junho.

Foi o suficiente para inverter a curva e mostrar melhores resultados. As
contribuições até junho totalizaram R$ 55,7 bilhões, e a captação líquida
atingiu R$ 20,4 bilhões, 20,1% acima do igual período de 2018. Até o fim do ano a carteira total de investimentos do setor deve saltar de R$ 890 bilhões para atingir seu primeiro trilhão de reais.

A aprovação da reforma na Câmara colocou uma transparência maior sobre o que vai acontecer na Previdência Social com relação a idade, tempo de contribuição e valor dos benefícios. Logo, as pessoas com mais condições financeiras, começam a procurar a indústria privada. Neste cenário, as 67 seguradoras e as plataformas de investimentos têm feito esforços adicionais de vendas e oferecido mais opções de fundos. Os fundos multimercados têm despontado na preferência dos ativos de previdência.

Hoje, já representam 12,08% dos recursos aplicados. Em 2016, eram 5,7%. Já a renda fixa, apesar de representar ainda 84,5% do total, vem perdendo espaço. Em 2016, detinha 91% das aplicações. Continuar a ler

Era dos Juros Baixos e Aversão ao Risco de Renda Variável

Adriana Cotias (Valor, 09/08/19) avalia: o investidor brasileiro tem intuito de diversificar o risco para além da rotina da renda fixa. Com a Selic na mínima histórica, em 6% ao ano, têm ganhado peso progressivamente ativos de renda variável, fundos imobiliários e debêntures. Isso é mostrado pelos dados do primeiro semestre referentes às aplicações dos segmentos de varejo, alta renda e private banking da Anbima. Ela representa o mercado de capitais e de investimentos.

Como um todo, os investimentos da pessoa física alcançaram R$  3,1 trilhões em junho, um incremento de 5% em relação a dezembro de 2018, e de 11,2% na comparação com janeiro a junho do ano passado. No mesmo intervalo em 2017, o setor tinha crescido 3,3%.

Os números da primeira metade do ano ficaram acima da variação da Selic, de 3,1% no período, mas abaixo do IMA-Geral, índice que mede o desempenho de uma cesta de títulos públicos, com alta de 7,9%. O Ibovespa ganhou 14,9%.

No varejo, o saldo dos investidores chegou a R$ 1,9 trilhão, com alta de 2,7% no semestre, mesmo ritmo observado de janeiro a junho de 2017. A alta renda passou a representar 51,5% do conjunto varejo, com R$ 968,7 bilhões, em comparação à fatia de 47,6% de dezembro. Continuar a ler

Estresse Financeiro

Ana Conceição (Valor, 20/08/19) informa: mais de um quarto dos consumidores de baixa renda estão sob estresse financeiro, ou seja, se endividando ou “queimando” reservas para pagar contas do dia a dia, como de água e luz, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Em julho, 26% dos consumidores com salários de até R$ 2.100 mensais estão nessa condição, mostra o Indicador de Estresse Financeiro, apurado mensalmente pela instituição.

Entre os com salário acima de R$ 9.600, o percentual é menor, de 16,3%. Nas faixas intermediárias, o indicador variou de 27% (até R$ 4.800) a 24% (até R$ 9.600).

Na média, 23% dos consumidores estavam se endividando ou reduzindo poupança para pagar despesas correntes em julho, ante 24% no mesmo período do ano passado, contra uma média histórica de 19,6%. Continuar a ler