Perfil do Investidor

Perfil de Risco

Luciana Seabra, ex-aluna do Mestrado do IE-UNICAMP, publicou reportagem sobre a definição do perfil do investidor. O autoconhecimento, inclusive de sua aversão ao risco, é fundamental para tomar boas decisões financeiras.

Conservador, moderado ou arrojado? A tradicional classificação do investidor está em xeque. As instituições financeiras discutem internamente se os perfis dizem algo ao cliente e propõem novas soluções.

O Itaú Unibanco concluiu que a nomenclatura atrapalha. “Todo mundo se diz conservador, mas a interpretação que se dá para a palavra é diferente”, diz Charles Ferraz, chefe de investimentos do private banking. O banco acaba de trocar os perfis por números: 1, 2, 3 e 4. A sequência não diz nada e essa é a intenção. “Adotamos a estratégia de evitar as palavras. E então o investidor passa a discutir a expectativa de retorno e risco associados a esses perfis.” Autoengano mental: é a melhor tática?

Para além da semântica, o debate diz respeito a risco do investidor. No perfil 2, por exemplo, a carteira é calibrada para um retorno esperado, em 12 meses, de 13%. Se o cenário for ruim, o ganho deve ficar por volta de 9,5%, e se for muito melhor do que o esperado, 16%. Já no perfil 3, o ganho pode ser de apenas 2,5% em um cenário ruim. A contrapartida é uma expectativa de retorno que chega a 25% no melhor dos cenários. Quando não se fala nomes, a discussão volta-se a esses números. Ah, se houvesse essa precisão sobre o futuro…

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Planejamento da Vida Financeira

PGBL X VGBL

Érica Polo (Valor, 15/12/14) avalia que, para chegar à aposentadoria em situação considerada ideal não há outra receita além da combinação entre disciplina e planejamento – de preferência, de longo prazo. Apesar de as pessoas enfrentarem realidades distintas, com rendas e necessidades diferentes ao longo da vida, há um cenário ideal comum que é manter o padrão de vida. De preferência, viver sem aperto financeiro caso a pessoa não queira ou não possa trabalhar.

Para isso seria recomendável aposentar-se em condições de receber mensalmente uma renda equivalente a, no mínimo, 70% do último salário. Seria o suficiente para bancar gastos básicos. Esse dinheiro poderá vir de mais de um canal: do INSS e de produtos como os de previdência privada ou outros tipos de investimentos financeiros e da venda ou aluguel de imóveis. Uma combinação de todos – mais de um canal de renda e o acúmulo de patrimônio – seria o cenário ideal, na visão de especialistas.

Uma importante diretriz é poupar entre 10% a 30% da renda mensal obtida no presente para a economia relacionada à aposentadoria. É claro que a renda recebida no futuro dependerá também do tempo de acúmulo, mas esse é um bom parâmetro. É necessário também prudência, para ir além desse teto, porque senão a pessoa corre o risco de ficar inadimplente no presente. Continuar a ler

PGBL/VGBL: Retirada Total, Programada ou Vitalícia

Renda Vitalícia ou Saque Total

Rosângela Capozoli (Valor, 15/12/14) informa que, quando se trata de Previdência Privada, todo mundo pode ganhar, mas enquanto alguns lucram mais, outros lamentam as escolhas feitas. Não à toa, especialistas na área são unânimes em dizer que a previdência privada é uma das apostas mais complexas e cheia de riscos. Diante do volume disponível de recursos, a tentação de uma retirada única pode levar ao “risco loteria”, quando o consumidor acha que sua vida está resolvida e que pode arriscar à vontade.

Há os que ficam entre as retiradas programadas — ao longo de 60 ou 120 meses — e aqueles que optam pela renda vitalícia, retiradas que se estendem pelo resto da vida. São escolhas que dependem do perfil de cada um, de uma mistura de fatores que têm a ver com projetos de vida, com a saúde e com quanto tempo a pessoa imagina que vai viver.  Continuar a ler

Insuficiência da Previdência Social e Necessidade de Escolher Previdência Complementar

Escolha de Melhor Plano de Previdência Complementar

Paulo Vasconcellos (Valor, 15/12/14) informa que a longevidade põe em xeque o sistema previdenciário de muitos países. Mesmo no Chile, que evoluiu para um regime de contribuição definida gerido integralmente pela iniciativa privada com reservas acumuladas equivalentes a 60% do Produto Interno Bruto (PIB), o aumento da expectativa de vida da população começa a preocupar o governo. Os 10% de contribuição básica já não são suficientes para atender as mulheres que chegam aos 60 anos e devem viver até os 83 e os homens que na mesma idade hoje podem ter uma sobrevida até os 80. O debate é sobre um aumento de mais 10% na alíquota.

Na pioneira Alemanha, que tem um seguro obrigatório para proteger os trabalhadores nos casos de doença, acidentes de trabalho, invalidez e envelhecimento desde o fim do século 19, criado por Bismarck, a conta da aposentadoria de cada cidadão que hoje é paga por quatro trabalhadores deve ser custeada por apenas dois daqui a trinta anos. Continuar a ler

Psicologia Econômica: Experiências Ocasionais X Habituação com Bens Materiais

Experiências X Bens Materiais

Andrew Blackman (WSJ, 15/11/14) se coloca a pergunta antiga: o dinheiro pode comprar a felicidade?

Ao longo dos últimos anos, novas pesquisas têm nos dado uma compreensão mais profunda da relação entre o que ganhamos e como nos sentimos. Os economistas têm examinado as relações entre renda e felicidade nos países, e os psicólogos têm sondado as pessoas para descobrir o que realmente nos move quando se trata de dinheiro.

Os resultados, à primeira vista, podem parecer um pouco óbvios: Sim, as pessoas com renda mais alta são, em geral, mais felizes do que aquelas que lutam para sobreviver.

Mas analisando um pouco mais profundamente os resultados, eles se tornam bem mais surpreendentes — e muito mais úteis. Em suma, esta última pesquisa sugere que a riqueza por si só não fornece qualquer garantia de uma boa vida. O que importa muito mais que ter uma alta renda é a forma como as pessoas gastam. Doar dinheiro, por exemplo, deixa as pessoas muito mais felizes do que quando gastam com si próprias. E quando elas gastam com elas mesmas, ficam bem mais felizes quando usam o dinheiro para experiências como viagens do que quando compram bens materiais.

Aqui está o que a mais recente pesquisa revela sobre como as pessoas podem fazer uso inteligente de seu dinheiro e maximizar a sua felicidade. Continuar a ler

Variáveis-chave para Investimento Financeiro

China cuts US debt holdings

André Rocha, economista e advogado, é analista credenciado pela Apimec. Atua há mais de 15 anos na análise de ações. Escreveu post em seu blog http://www.estrategista.net/ importante para se compartilhar com todos os trabalhadores assalariados que necessitam se preocupar com sua Previdência Complementar. Reproduzo-o abaixo.

“Mudanças estruturais da economia brasileira nos últimos 20 anos levaram alguns brasileiros (ainda poucos é verdade) a se preocuparem com a criação de uma poupança ao longo da vida útil para suportar os gastos na aposentadoria. A estabilidade monetária permitiu que as pessoas passassem a programar seus orçamentos, tarefa impossível no período inflacionário. A redução de empregos em estatais ou antigas estatais com seus robustos fundos de pensão também contribuíram para o tema aposentadoria virar destaque. Mas o assunto ainda é um mistério para muitas pessoas.

A obtenção de uma renda futura para cobrir os gastos para quando ficarmos inativos depende apenas de quatro variáveis:

(i) a contribuição periódica,

(ii) o tempo de contribuição,

(iii) os juros reais e

(iv) o tempo de usufruto da poupança ou, sendo mais explícito, o período entre o início da aposentadoria e a morte. Continuar a ler

Viés de Desconto Hiperbólico: “Eu sou você amanhã!”

Aquiles Mosca é estrategista de investimentos pessoais e superintendente executivo comercial do Santander Asset Management. É autor dos livros “Investimento sob medida” e “Finanças Comportamentais“. Preside o Comitê de Educação de Investidores da Anbima. Publicou artigo (Valor, 01/10/14) sobre uma advertência importante em Finanças Comportamentais: a superestimativa do desejo, pulsão de conquista (e para isso exibicionismo sob forma de consumo de luxo) na fase de vida reprodutiva, face à subestimativa da razão, ou seja, postergação do autocontrole exigido para providenciar uma Previdência Complementar para a fase de vida inativa. Em outras palavras, você tem de trabalhar e investir em 35 anos para manter seu padrão de vida desejado durante mais 35 anos. Isto se você aposentar-se com 65 anos e viver até os 100 anos… Continuar a ler