Aposentadoria se faz com Ações… de Planejamento em Renda Fixa

Devemos começar a pensar em investimentos em renda variável como poupança de longo prazo e aposentadoria e não somente oportunidades de curto prazo? Vinícius Ribeiro Vieira (Valor, 09/01/2020) responde sim à essa questão. Como gestor de fundos de ações ativos da BB DTVM seu papel é ser “vendedor de seu peixe”. Reproduzo o artigo abaixo para análise de seus dados e verificação se ele alerta para os riscos e o modelo de ciclos da vida financeira.

“Finalmente chegou o momento que há tanto tempo economistas e profissionais de O Mercado aguardavam!

A reforma da Previdência foi aprovada, a inflação, corrente e esperada, encontra-se controlada e a Selic caiu ao menor nível de sua história. Todas essas notícias são excelentes para a retomada do crescimento econômico. Porém, para os investidores representa um grande desafio: como e onde investir os recursos.

Vivemos durante muito tempo a Era da Renda Fixa. Grande parte dos nossos recursos, mesmo os de longo prazo, eram investidos em ativos de baixo risco, títulos públicos prefixados ou indexados à inflação. Quadro esse muito diferente de países com juro menor, como os EUA, onde alocações em renda variável e ativos de risco possuem representatividade em portfólios de diferentes perfis de investidor.

Com o fim do ambiente de retornos de “1% ao mês e sem risco”, a realidade dos brasileiros começou a se aproximar daquele grupo de países. Percebe-se a real necessidade de aumentar exposições em ativos de maior risco, como ações, focando não apenas retornos de curto prazo, mas principalmente em poupança de longo prazo, como a aposentadoria.

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Como organizar as Finanças Pessoais e começar a investir?

Entrevista concedida a Fábio Gallacci (Portal do Banco Safra) em 08/01/20:

1 – Gastos no final do ano, muitas contas chegando em janeiro, impostos, fatura do cartão de crédito…como evitar o descontrole das contas nessa época de retomada da rotina?

Não há como evitar o descontrole das contas de gastos já efetuados a serem ainda pagos. Para todos os gastos, é necessário planejamento financeiro. No caso desses sazonais, antes de ocorrerem. Por exemplo, no caso de IPVA e IPTU, respectivamente, em janeiro e fevereiro, têm de ser previstos com uma reserva adequada para pagá-los.

Pense: “o tempo de minha vida ativa será 35 anos, mas poderei viver mais 20 anos em vida inativa. Então, para manter o padrão de vida alcançado, terei de desdobrar o ganho em um ano para manter-me quase por dois. Para isso, necessito Educação Financeira”.

Em Finanças Comportamentais, aprendizagem de um comportamento racional significa “domesticar os instintos primários”. Com esse autocontrole mental se evita gastos de consumo sob impulso emocional – e não por necessidade básica.

Faça um Orçamento Pessoal/Doméstico e estabeleça metas financeiras. Quando se aposentar, o patrimônio líquido deve ser nove vezes a receita total líquida recebida anualmente, após descontos tributários e previdenciários, em todas as fontes de renda.

O algoritmo denominado “1-3-6-9” sugere acumular, para manter o padrão de vida (ou de consumo) na aposentadoria, nove vezes a remuneração anual aos 65 anos. Com esse valor, é possível um saque mensal por cerca de vinte anos (240 meses) no mesmo valor presente da receita total líquida, supondo juros de 0,5% a.m. para capitalizar o saldo do capital financeiro.

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Ameaças da Reforma da Previdência Social: Calamidade Social à Vista

A reforma da Previdência Social foi “vendida” como panacéia pela casta dos mercadores e a casta dos militares. Eles não dimensionaram suas consequências sociais no futuro, isto é, na hora da aposentadoria, e tampouco o aumento do custo das empresas patrocinadoras de fundos de pensão fechados!

Sérgio Tauhata (Valor, 05/12/2019) informa: o impacto da nova Previdência vai muito além do maior tempo de contribuição para as pessoas físicas. As empresas patrocinadoras de fundos de pensão, por exemplo, vão ter uma ampliação de gastos de até 100% com os funcionários, quando comparado com o regime anterior. Além disso, a nova realidade de taxas baixas vai exigir que os beneficiários até dobrem os esforços de acumulação para conseguir manter a mesma renda complementar comparada à época de juro real de 5% ao ano.

As conclusões fazem parte de um conjunto de simulações feitas com exclusividade ao Valor pela Luz Soluções Financeiras. As projeções ajudam a mensurar o que vai mudar para entidades de previdência complementar fechada e seus usuários com as mudanças.

Grandes impactos para os fundos de pensão são a questão do maior tempo de aporte para os fundos e o aumento dos gastos com saúde. Estes crescem exponencialmente.

Esse novo mundo da seguridade social, com elevação do tempo de exploração da força de trabalho, refletirá na seguridade privada complementar. Vai exigir uma combinação de esforços tantos dos planos privados quanto dos trabalhadores para manter o mesmo nível de benefícios do antigo regime e da época de retornos de dois dígitos das aplicações. Continuar a ler

Geração Y: Investimentos dos Millennials para Aposentadoria

Sergio Prates é diretor regional da Icatu Seguros. Publicou artigo (Valor, 20/11/2019) de leitura interessante para a geração de meus filhos e meus alunos de Finanças Comportamentais: Planejamento da Vida Financeira. Reproduzo-o abaixo.

Geração Y, a geração da internet ou comumente conhecidos como “millennials”, são os novos entrantes do mercado de capitais, jovens dos seus 18 a 36 anos que experimentam um cenário econômico favorável a investimento de longo prazo, com uma gama de informações e ofertas de produtos sofisticados pipocando em seus smartphones a todo instante.

Ao mesmo tempo, experimentam a necessidade da realização de uma previdência privada, pois acompanham, com esta mesma intensidade, notícias sobre o rumo da nossa Previdência Social, fadada a garantir apenas uma pequena parcela de seus rendimentos.

Os millennials buscam por todo tipo de informação na rede. Um dia desses, um jovem localizou o telefone do nosso escritório no google maps e perguntou se ali poderia ser atendido. Ele havia estudado a fundo o assunto e sabia o que queria — um PGBL com tabela regressiva –, mas estava um pouco confuso quanto à alocação dos seus investimentos. Existem inúmeras opções hoje em dia, para o bem do mercado, ainda que ele sofra de uma grande concentração dos famosos “RF CDI”. E que sirva de alerta, pois mais de 95% da indústria ainda está dormindo nestes fundos.

Com uma Selic de 5% ao ano e IPCA projetado de 3,4% ao ano, o retorno que muitos clientes da geração “baby boomer buscam, com foco em preservação de capital, já está projetando rendimento real negativo.

Um ponto muito positivo para os mais jovens é a questão do longo tempo de investimento disponível. Uma carteira com rendimento real de 3,5% ao ano, passados 30 anos, terá mais de 38% do seu saldo composto por rentabilidade e, com mais dez anos investidos, chegamos a 48%, reforçando a tese de que o quanto antes começamos a investir, melhor. Continuar a ler

Cai Juros e a Propensão Média a Consumir para Aumentar a “Poupança”

Analistas se enganam com o cenário formulado em ciclo de desalavancagem financeira. Paradoxalmente, a queda dos juros diminuem a propensão ao consumo para as PF manterem seus planos de construir reserva financeira para a futura aposentadoria. Na linguagem popular: “aumenta a poupança”, isto é, o valor planejado para investimentos financeiros.

Arícia Martins (Valor, 05/11/2019) avalia: além do impulso ao consumo, o ambiente de taxas de juros menores, aparentemente mais duradouro no ciclo atual, deve ajudar bastante o investimento. Mais do que a queda da Selic, a redução na curva longa dos juros torna o cenário mais positivo também para quem pretende investir, principalmente na área de infraestrutura, concordam economistas e especialistas do setor. A visão é que projetos antes inviáveis por terem uma taxa de retorno inferior aos juros ficaram atrativos aos olhos dos investidores, em especial aqueles que miram o longo prazo.

As taxas reais de juros brasileiras estão em níveis historicamente reduzidos: o juro real privado de um ano está abaixo de 1% pela primeira vez desde o início do Plano Real, em 1994. O cálculo é feito descontando a inflação projetada para os próximos 12 meses do contrato de swap de juro de 360 dias. Continuar a ler

Conservadorismo em Finanças Pessoais, Liberalismo em Postura Política e Costumes

Roseli Loturco (Valor, 27/08/19) o encaminhamento da votação da reforma da Previdência no Congresso Nacional tem beneficiado direta e indiretamente a entrada de investimentos na Previdência Complementar por conta própria. Os números do primeiro semestre de contratação e captação líquida dos planos de previdência privada. O setor vinha desacelerando o ritmo de crescimento nos dois últimos anos, mas deu uma arrancada nos meses de maio e junho.

Foi o suficiente para inverter a curva e mostrar melhores resultados. As
contribuições até junho totalizaram R$ 55,7 bilhões, e a captação líquida
atingiu R$ 20,4 bilhões, 20,1% acima do igual período de 2018. Até o fim do ano a carteira total de investimentos do setor deve saltar de R$ 890 bilhões para atingir seu primeiro trilhão de reais.

A aprovação da reforma na Câmara colocou uma transparência maior sobre o que vai acontecer na Previdência Social com relação a idade, tempo de contribuição e valor dos benefícios. Logo, as pessoas com mais condições financeiras, começam a procurar a indústria privada. Neste cenário, as 67 seguradoras e as plataformas de investimentos têm feito esforços adicionais de vendas e oferecido mais opções de fundos. Os fundos multimercados têm despontado na preferência dos ativos de previdência.

Hoje, já representam 12,08% dos recursos aplicados. Em 2016, eram 5,7%. Já a renda fixa, apesar de representar ainda 84,5% do total, vem perdendo espaço. Em 2016, detinha 91% das aplicações. Continuar a ler

Era dos Juros Baixos e Aversão ao Risco de Renda Variável

Adriana Cotias (Valor, 09/08/19) avalia: o investidor brasileiro tem intuito de diversificar o risco para além da rotina da renda fixa. Com a Selic na mínima histórica, em 6% ao ano, têm ganhado peso progressivamente ativos de renda variável, fundos imobiliários e debêntures. Isso é mostrado pelos dados do primeiro semestre referentes às aplicações dos segmentos de varejo, alta renda e private banking da Anbima. Ela representa o mercado de capitais e de investimentos.

Como um todo, os investimentos da pessoa física alcançaram R$  3,1 trilhões em junho, um incremento de 5% em relação a dezembro de 2018, e de 11,2% na comparação com janeiro a junho do ano passado. No mesmo intervalo em 2017, o setor tinha crescido 3,3%.

Os números da primeira metade do ano ficaram acima da variação da Selic, de 3,1% no período, mas abaixo do IMA-Geral, índice que mede o desempenho de uma cesta de títulos públicos, com alta de 7,9%. O Ibovespa ganhou 14,9%.

No varejo, o saldo dos investidores chegou a R$ 1,9 trilhão, com alta de 2,7% no semestre, mesmo ritmo observado de janeiro a junho de 2017. A alta renda passou a representar 51,5% do conjunto varejo, com R$ 968,7 bilhões, em comparação à fatia de 47,6% de dezembro. Continuar a ler