Dissonância Cognitiva entre Especialistas e Neófitos

O-lobo-em-pele-de-cordeiroAquiles Mosca é estrategista de investimentos pessoais e superintendente-executivo comercial do Santander Asset Management. É autor dos livros “Investimento sob medida” e “Finanças Comportamentais“. Preside o Comitê de Educação de Investidores da Anbima. Em artigo (Valor, 12/08/15) lança uma interessante questão: “no mundo dos investimentos, e particularmente na atual conjuntura brasileira, quantos investidores estão com dificuldade de se desfazer de papéis que registraram baixas consideráveis nos últimos meses, mesmo com as más notícias sobre as perspectivas para tais empresas e setores?”

Esse comportamento está relacionado ao que a Psicologia denomina de dissonância cognitiva, identificada por Leon Festinger (1956). Segundo esse conceito, somos tomados por um estado de tensão psicológica quando somos alvo de percepções incompatíveis. Essa tensão interior será tão mais forte quanto maior for a incompatibilidade dessas percepções com a imagem que a pessoa tem dela mesma, ameaçando sua autoestima.

Sob tais condições, a reação instintiva da maioria é tentar eliminar, ou ao menos reduzir, o desconforto. Isso pode ser feito de duas formas:

1) reduzir as percepções incoerentes, as ignorando, minimizando, desqualificando ou modificando, e

2) aumentar as percepções que tragam coerência, dando mais peso às informações que confirmem a imagem que cultivamos de nós mesmos e de nossas ações.

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FinTechs e Gestão da Sobra de Recursos: Poupança ou Investimento Financeiro?

Sobra de RecursosO aplicativo de Finanças Pessoais Guia Bolso foi criado por uma das startups brasileiras na área de tecnologia financeira, as chamadas fintechs. O cofundador do GuiaBolso quer adicionar novas funcionalidades ao aplicativo e continuar aumentando sua base de usuários. Desde o lançamento do aplicativo, em agosto do ano de 2014, o número chegou a 1 milhão. A meta agora é atingir 5 milhões até o fim do ano que vem. Até lá, o número de funcionários da empresa pode mais que dobrar, chegando a 100 pessoas. “Assim como as pessoas olham o Waze para saber do trânsito, queremos que elas usem o GuiaBolso para cuidas das finanças”, disse o executivo.

Entre os propulsores do crescimento, destaca-se o cenário econômico do país, que faz com que os consumidores busquem mais informações e conhecimento sobre serviços financeiros. Os brasileiros necessitam entender como podem usar da melhor forma as opções que têm para proteger e ampliar seu patrimônio.

A diferença do GuiaBolso para outros aplicativos de finanças pessoaisa possibilidade de fazer uma ligação direta com contas de bancos. Assim, não é preciso cadastrar manualmente os gastos. O próprio aplicativo puxa as informações e calcula receitas e gastos.

Entre as novidades que podem ser desenvolvidas, destaca-se a oferta de serviços financeiros como empréstimos e seguros com base no perfil do usuário. A ideia é fazer isso por meio de parcerias com outras bancos e seguradoras. A agência tem um alcance limitado, não atende todo mundo. Os bancos estão enxergando que existe espaço para esse tipo de parceria.

Outros aplicativos disponíveis na web:

NuBank, que faz um cartão de crédito totalmente administrado por meio de um aplicativo;

BankFacil, que faz empréstimos com garantia de bens como carros e imóveis.

Mint.com, a versão americana do GuiaBolso

Endeavor, 10 ferramentas para empreendedores.

Finanças Pessoais: Aplicativos para Orçamento Familiar e Investimentos Financeiros

Tabelas mês a mês

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    Todas as famílias

    Uma tabela com os gastos mais comuns da família brasileira para prever e controlar tudo de acordo com a renda da família.

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    Estudantes

    Faça a lição de casa contando tudo que gasta, inclusive com os estudos.

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    Donas de casa

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    Aposentados

    Ideal para quem recebe aposentadoria e quer organizar sua vida financeira.

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Jiane Carvalho (Valor, 11/08/15) afirma que uma gestão adequada do orçamento doméstico, com controle de gastos e definição de metas e estratégias para alcançá-las, é a essência de qualquer projeto de educação financeira e, pode-se dizer, uma fórmula bastante difundida. Ainda assim, para boa parte dos brasileiros, manter os gastos sob controle é uma realidade distante. O uso excessivo do cheque especial, quando há linhas de crédito mais baratas disponíveis, o pagamento do valor mínimo do cartão de crédito, no lugar de parcelamentos disponíveis na fatura, são só alguns exemplos de que, na prática, a teoria é outra.

E em momentos como o atual, de crise econômica e desemprego, o quadro agrava-se. Segundo levantamento da Serasa Experian, no fim de junho, o número de inadimplentes no país alcançava 56,4 milhões, com R$ 243 bilhões em dívidas em atraso De olho nesse contingente, as iniciativas de Educação Financeira dos bancos avançam, abrangendo não só a teoria, por meio de cursos e textos informativos, como o fornecimento de ferramentas práticas. Disponível hoje para correntistas ou não, há desde simuladores de projetos, que ajudam na definição de metas, e planilhas de controles de gastos, algumas já associadas à movimentação das contas correntes, até dispositivos que alertam o cliente quando os gastos se aproximam de um descontrole.

A tendência é que as ferramentas de gestão pessoal disponíveis, ainda pouco conhecidas pelo público, ganhem adeptos principalmente com o desenvolvimento de aplicativos (app) para uso em mobile, como celulares e tablets. Hoje, a maioria dos dispositivos está disponível apenas nos sites dos bancos.

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Dependência de Trajetória: Enriquecimento ou Empobrecimento

Homem-animalA definição de instinto está na diferença entre a mente com a qual nascemos e a mente que formamos, via aprendizado, cultura e socialização. Instinto é, essencialmente, a parte do nosso comportamento que não é fruto de aprendizado. Contudo, nosso ambiente (e, portanto, nosso aprendizado) pode ter uma influência poderosa no modo pelo qual nossos instintos se expressam.

O instinto é constituído de elementos humanos, herdados, de ação, desejo, razão e comportamento. Os instintos básicos, no caso dos humanos, são aqueles que se formaram durante nosso tempo na savana: de sobrevivência, de reprodução, de competição e de proteção. A descoberta da sequência completa do genoma humano revelou que as características herdadas são transmitidas por genes.

Ao longo do ciclos da vida humana contemporânea há certa predominância de uns ou outros instintos em indivíduos e/ou agrupamentos. Durante a fase de vida reprodutiva, os instintos sexuais de reprodução se exacerbam e, junto com eles, os de competição são colocados à prova na disputa por parceiros.

O consumismo exibicionista, para atração do sexo oposto, caso não seja controlado, leva a gastos perdulários. É postura contrária às Finanças Racionais, que sugerem a fase de vida profissional ativa ser a de acumulação de reservas para a aposentadoria e a de vida inativa ser a de consumo dessas reservas. Continuar a ler

As Manadas e os Neurônios-espelho (por Aquiles Mosca)

Aquiles Mosca

Outro autor que aprecio é Aquiles Mosca, estrategista de investimentos pessoais e superintendente executivo comercial do Santander Asset Management. Preside o Comitê de Educação de Investidores da Anbima. É autor dos livros “Investimento sob medida” e “Finanças Comportamentais“.  Li este último e considero-o um ótimo resumo do assunto.

Confira seu artigo (Valor, 09/04/15) a respeito de um tema de Finanças Comportamentais. Continuar a ler

Perfil do Investidor

Perfil de Risco

Luciana Seabra, ex-aluna do Mestrado do IE-UNICAMP, publicou reportagem sobre a definição do perfil do investidor. O autoconhecimento, inclusive de sua aversão ao risco, é fundamental para tomar boas decisões financeiras.

Conservador, moderado ou arrojado? A tradicional classificação do investidor está em xeque. As instituições financeiras discutem internamente se os perfis dizem algo ao cliente e propõem novas soluções.

O Itaú Unibanco concluiu que a nomenclatura atrapalha. “Todo mundo se diz conservador, mas a interpretação que se dá para a palavra é diferente”, diz Charles Ferraz, chefe de investimentos do private banking. O banco acaba de trocar os perfis por números: 1, 2, 3 e 4. A sequência não diz nada e essa é a intenção. “Adotamos a estratégia de evitar as palavras. E então o investidor passa a discutir a expectativa de retorno e risco associados a esses perfis.” Autoengano mental: é a melhor tática?

Para além da semântica, o debate diz respeito a risco do investidor. No perfil 2, por exemplo, a carteira é calibrada para um retorno esperado, em 12 meses, de 13%. Se o cenário for ruim, o ganho deve ficar por volta de 9,5%, e se for muito melhor do que o esperado, 16%. Já no perfil 3, o ganho pode ser de apenas 2,5% em um cenário ruim. A contrapartida é uma expectativa de retorno que chega a 25% no melhor dos cenários. Quando não se fala nomes, a discussão volta-se a esses números. Ah, se houvesse essa precisão sobre o futuro…

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Planejamento da Vida Financeira

PGBL X VGBL

Érica Polo (Valor, 15/12/14) avalia que, para chegar à aposentadoria em situação considerada ideal não há outra receita além da combinação entre disciplina e planejamento – de preferência, de longo prazo. Apesar de as pessoas enfrentarem realidades distintas, com rendas e necessidades diferentes ao longo da vida, há um cenário ideal comum que é manter o padrão de vida. De preferência, viver sem aperto financeiro caso a pessoa não queira ou não possa trabalhar.

Para isso seria recomendável aposentar-se em condições de receber mensalmente uma renda equivalente a, no mínimo, 70% do último salário. Seria o suficiente para bancar gastos básicos. Esse dinheiro poderá vir de mais de um canal: do INSS e de produtos como os de previdência privada ou outros tipos de investimentos financeiros e da venda ou aluguel de imóveis. Uma combinação de todos – mais de um canal de renda e o acúmulo de patrimônio – seria o cenário ideal, na visão de especialistas.

Uma importante diretriz é poupar entre 10% a 30% da renda mensal obtida no presente para a economia relacionada à aposentadoria. É claro que a renda recebida no futuro dependerá também do tempo de acúmulo, mas esse é um bom parâmetro. É necessário também prudência, para ir além desse teto, porque senão a pessoa corre o risco de ficar inadimplente no presente. Continuar a ler