Lista de Vieses Heurísticos

ver-o-mundo-com-lentes-cor-de-rosaPesquisando um viés heurístico, achei uma lista deles no Wikipedia! Compartilho-os, pois podem ser úteis a outros como foi para mim tê-los à mão.

Vieses cognitivos são as tendências de pensar de certas maneiras — aprendidas na “escola-da-vida” — que podem levar a desvios sistemáticos de lógica e a decisões irracionais. São frequentemente estudadas em Psicologia Econômica ou Economia Comportamental.

Embora a realidade desses preconceitos seja confirmada pela pesquisa replicável, muitas vezes há controvérsias sobre como classificar esses vieses ou como explicá-los. Alguns deles são consequências de nossas regras de processamento de informações (ou seja, atalhos mentais), chamados de heurística, que o cérebro usa para produzir decisões ou julgamentos.

Tais efeitos são chamados tendências cognitivas. Os vieses tem uma variedade de formas e podem ser vistos como viés cognitivo (“frios”), tais como ruído mental, ou vieses cognitivos motivacionais (“quentes”), tal como quando as decisões são distorcidas por crenças e desejos. Ambos os efeitos podem estar presentes ao mesmo tempo.

Também há controvérsias quanto ao fato de algumas destas tendências ser sempre inúteis e irracionais ou se são comportamentos úteis. Por exemplo, quando conhecem alguém, as pessoas tendem a fazer perguntas importantes que parecem favorecer e confirmar suas suposições sobre a pessoa. Esse tipo de viés de confirmação pode ser visto como um exemplo de habilidade social, ou seja, uma forma de estabelecer uma conexão com a outra pessoa.

Muitos dos vieses afetam:

  1. a formação de crenças,
  2. as decisões de negócios e financeiras e
  3. o comportamento humano em geral.

Eles emergem como resultados replicáveis em condições específicas. Quando confrontado com situações específicas, o desvio pode normalmente ser caracterizado como: Continue reading “Lista de Vieses Heurísticos”

1º Congresso Nacional dos Ex-Bancários – CONABAN

conaban

Estarei online, via entrevista gravada, no 1º Congresso Nacional dos Ex-Bancários. Será o maior Congresso Online sobre o tema Finanças Pessoais já realizado no Brasil, reunindo ex-funcionários de instituições financeiras. Com acesso gratuito, conta também com grandes especialistas do mercado financeiro nacional, apresentando suas melhores práticas e estratégias.

Confira a programação no site do evento: http://guiadaindependencia.com

Falarei sobre Finanças Comportamentais na sexta-feira (14/10/2016) às 18:00:

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Entrevista à Rede Brasil Atual

Entrevista Rede Brasil Atual

Helder Lima, da RBA, publicado 28/07/2016 15:06:

http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2016/07/poupanca-sofre-ataque-da-taxa-de-juros-e-de-campanha-da-midia-2778.html

São Paulo – A permanência da taxa básica de juros em 14,25% ao ano, nível que tem sido mantido pelo Banco Central (BC) desde de julho do ano passado, está produzindo uma fuga de recursos da poupança, que em alguns momentos não consegue mais repor nem sequer a inflação. Depois de perder para o IPCA em 2015, pela primeira vez desde 2002, com rendimento de 8,07% ante uma inflação de 10,67%, ao longo deste ano, a poupança continuou perdendo do índice na variação mensal, com resultado positivo somente em março, abril e junho.

No último ano e meio, a poupança perdeu R$ 85 bilhões de depósitos, saída que abala o financiamento imobiliário, uma vez que os recursos dos poupadores são a principal fonte do mercado habitacional. “É um ataque do mercado financeiro. O ponto é o seguinte, o país já está há um ano com uma taxa de juros de 14,25%, pela Selic. É isso o que está levando ao esvaziamento de todos os depósitos de poupança, porque o depositante percebe que investir em fundos é muito mais rentável do que em depósitos de poupança”, afirma o professor de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Fernando Nogueira da Costa. Continue reading “Entrevista à Rede Brasil Atual”

Renda do Capital como Substituta da Renda do Trabalho para Manutenção do Padrão de Vida na Aposentadoria

Idade de Aposentadoria

Gleise de Castro (Valor, 10/12/2015) informa que os trabalhadores brasileiros querem parar de trabalhar mais cedo e manter o padrão de vida que têm na ativa, mas não se preparam para isso. Essa é a principal conclusão de pesquisas recentes feitas por operadoras de Previdência Privada, como a Icatu Seguros. Em levantamento feito pela empresa com seus 400 clientes de previdência, 45% disseram querer se aposentar aos 55 anos. Para isso, 37% informaram destinar apenas 3% da renda mensal ao plano de previdência privada. Outros 22% disseram aplicar 6%.

Calcula-se que o valor mínimo de investimento na previdência privada deve ser de 10% da renda mensal, nível de contribuição que apenas 17% afirmaram aplicar no plano, conforme a pesquisa.

[FNC: por meus cálculos, se investir 20% da renda mensal durante 30 anos em renda fixa com juros de 0,5% a.m., ao final desse período o trabalhador já terá renda do capital similar à renda do trabalho em termos nominais.]

Para 47,79% dos entrevistados, a principal preocupação em relação à aposentadoria é conseguir manter o padrão de vida atual, enquanto 22% disseram estar mais preocupados com dificuldades financeiras e 18,58%, com despesas de saúde. Continue reading “Renda do Capital como Substituta da Renda do Trabalho para Manutenção do Padrão de Vida na Aposentadoria”

Preferência pela Liquidez ou Aversão ao Risco dos Investidores Brasileiros

Consolidado de Produtos Financeiros dez 2015

Luciana Seabra (Valor, 18/04/2016) avalia que, em um momento político tão conturbado, a aversão a risco do investidor brasileiro está em níveis máximos. Duas pesquisas, uma da BlackRock e outra da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostram que ele está excessivamente concentrado em liquidez, gostaria de estar menos, mas tem medo e falta de informação. O histórico não ajuda: a pessoa física sempre erra a hora certa de abrir mão de liquidez e correr risco na bolsa brasileira.

No viés heurístico classificado pelas Finanças Comportamentais como “diversificação ingênua” — via Regra dos 3 Terços, 1/3 para curto prazo, 1/3 para médio prazo e 1/3 para longo prazo, ou 1/3 para LTN, 1/3 para LFT e 1/3 para NTN-B, ou ainda 1/3 para RF prefixada, 1/3 para RF pós-fixada e 1/3 para Renda Variável, pois “a mente humana abomina complexidade” — o “brasileiro” (sic — veja a desigualdade da riqueza financeira per capita na tabela acima) gostaria de ter 32% do patrimônio em ativos líquidos, como poupança, fundos e títulos de curto prazo.

Na realidade, tem 67%, segundo entrevistas da BlackRock com mil investidores locais, sendo 606 de varejo e 394 do segmento afluente, com pelo menos R$ 200 mil em patrimônio investido. Na faixa de idade entre 55 e 64 anos, essa fatia é ainda maior, de 76%. Lógico, está em fase de pré-aposentadoria, prefere ter mobilidade do capital.

A indústria de fundos é um retrato dessa concentração. Os dados da Anbima, associação que representa o mercado, mostram que as carteiras de renda fixa têm hoje 48% de todo o dinheiro alocado em fundos no Brasil, um total de R$ 1,5 trilhão. A fatia administrada pelos gestores de ações é de somente 4,7% desse bolo, ou R$ 144,93 bilhões. Em outras palavras, o único agente que dá importância à Bovespa é o PIG, já que ela lhe fornece manchetes escandalosas tipo “a Bolsa ou O Mercado caiu ou subiu em função das oscilações do golpe em andamento”…🙂 Continue reading “Preferência pela Liquidez ou Aversão ao Risco dos Investidores Brasileiros”

Confiança, Gratificação e Investimentos (por Aquiles Mosca)

Projeto Iliberal

Aquiles Mosca é estrategista de investimentos pessoais e superintendente executivo comercial do Santander Asset Management. É autor dos livros “Investimentos sob medida” e “Finanças Comportamentais“. Preside o Comitê de Educação de Investidores da Anbima. Publicou (Valor, 11/02/16) mais um artigo interessante sobre esse tema. Compartilho-o abaixo. 

“A cadeira de Neuroeconomia estuda a atividade cerebral das pessoas enquanto estão tomando uma decisão. Decisões individuais e coletivas são cuidadosamente monitoradas com o uso de scanners cerebrais, como a ressonância magnética. Ao analisar as regiões do cérebro que são estimuladas e as substâncias químicas que atuam durante a decisão, os pesquisadores conseguem jogar luz sobre as reais motivações de uma série de comportamentos, muitos deles aparentemente irracionais sob a ótica da teoria econômica e financeira tradicional.

Pesquisas recentes se voltaram à questão da confiança e reciprocidade, particularmente quando recorremos a completos estranhos para cuidar de nosso dinheiro (Zak, Paul J. – 2012). Em tais estudos, ganhou evidência uma substância química existente no cérebro chamada oxitocina. Sua liberação é responsável por gerar sensação de empatia com outros e, consequentemente, confiança. A injeção intencional de oxitocina em participantes do estudo, por meio de spray nasal, aumentou em 80% o comportamento generoso durante um jogo cujo objetivo era mensurar a capacidade de retribuir e recompensar os demais participantes.

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