De Futebol Clube à Sociedade Anônima do Futebol: Capitalização do Amadorismo

Capitalismo no amadorismo? Uma das minhas paixões — o amor infantil pelo Cruzeiro — foi roubada. Junto com a corrupção privada de um dos clubes de futebol com maior torcida e número de campeonatos importantes no Brasil, levaram um dos meus lazeres. Não era criativo, pois ficava passivo em frente a TV, mas a emoção dos jogos ajudava como passatempo…

Fábio Murakawa (Valor, 10/08/21) anuncia a esperança de a capitalização dos clubes por sócios-torcedores levar à redenção das finanças destruídas. Hoje, no Cruzeiro, graças ao dono de uma rede de super-mercados se consegue pagar salários para jogadores da série B. Antes, mais de ½ dúzia de jogadores recebiam salários mensais acima de R$ 800 mil. Com isso a diretoria corrupta se pagava mais de R$ 100 mil / mês!

Em 9 de agosto de 2021 foi sancionada a lei com regras para times de futebol se transformem em empresas. A nova lei, aprovada em junho pelo Senado e em julho pela Câmara, cria a figura da Sociedade Anônima de Futebol (SAF).

O texto foi sancionado em um momento delicado para as finanças do futebol brasileiro. Especialistas avaliam o endividamento total dos 15 principais clubes do país em cerca de R$ 10 bilhões, mais do que o dobro de suas receitas.

A nova lei prevê estímulos para os clubes deixarem de ser entidades sem fins lucrativos e adotem o novo modelo previsto para as SAF. Não há, porém, obrigatoriedade para que haja essa conversão.

Continuar a ler

“Cruzeirar”: Vasco e Botafogo, entre os dez clubes de futebol com maior endividamento líquido, também disputarão a Série B em 2021

André Rocha é mestre em economia pela FGV/EPGE, advogado pela Gama Filho e analista certicado pela Apimec. Escreveu artigo (Valor, 18/03/21) intitulado “É injusto comparar o Flamengo aos demais clubes“.

Reportagens creditam o sucesso esportivo recente de Flamengo e Palmeiras à boa gestão dos dois clubes. Contudo, não mencionam os recursos extras obtidos apenas por essas duas agremiações (a outra é o Corinthians com direitos de TV) no início de suas reestruturações. Sem esse aporte financeiro, provavelmente, os dois clubes teriam dificuldades de honrar suas dívidas e concomitantemente investir em elencos vitoriosos tal como acontece com os demais clubes grandes.

Não é novidade: a maior parte dos clubes de maior torcida do futebol brasileiro possui elevado endividamento. Isto vem comprometendo a capacidade de serem competitivos esportivamente.

Os clubes são associações civis. Esse tipo societário impede que sejam adotadas medidas ao alcance das sociedades anônimas para redução do alto grau de alavancagem. Por exemplo, companhias podem emitir novas ações (oferta primária), vendê-las ao público e, com os recursos arrecadados, pagar seus credores. Outra alternativa é a recuperação judicial, cujo vencimento das dívidas é suspenso e o montante devido, renegociado com os credores com a obtenção de substanciais descontos.

Sem esses mecanismos, o serviço da dívida, bem como o pagamento do principal, vem corroendo a capacidade operacional dos clubes. Mesmo reduzindo suas despesas, o total da dívida teima em crescer. Entra-se em uma espiral descendente, pois times modestos não conseguem engajar sua torcida, o que compromete receitas derivadas de premiações, venda de camisas, bilheteria e patrocínios.

Continuar a ler

Desalavancagem Financeira dos Clubes de Futebol Endividados

Bruno Villas Bôas (Valor, 29/07/2020) informa: o futebol brasileiro passará a ser dividido por dois blocos: o dos clubes com gestão eficiente e desempenho esportivo; e o dos que repetem velhas práticas mal sucedidas, avalia Cesar Grafietti, consultor de finanças e gestão do esporte do Itaú BBA, em relatório divulgado nesta terça-feira sobre o balanço dos clubes.

O documento mostra: 2019 marcou essa divisão com as conquistas esportivas do Flamengo. Ele venceu o campeonato brasileiro e a Copa Libertadores após um ciclo de reestruturação iniciado em 2013. Foi o último da trinca de clubes tradicionais que mirou o equilíbrio financeiro, ao lado do Grêmio e Palmeiras.

Outros clubes devem surgir como força capazes de rivalizar com esses times que foram vencedores no passado. Um deles é o Athletico-PR, campeão da Copa do Brasil de 2019. Outros são Bahia, Fortaleza, Ceará e Goiás, com “possibilidades reais de tornarem a série A seu habitat natural”.

Um dos fatores que esses clubes têm em comum é a relação entre a dívida bruta de curto prazo e as receitas totais em nível inferior a 45%. Para ele, esse indicador de alavancagem é o que melhor sintetiza o fôlego financeiro de um time de futebol. É assim no Flamengo (27%) e Grêmio (25%), por exemplo. Palmeiras está com 46%.

O grupo das “velhas práticas mal sucedidas” inclui Vasco, Botafogo, Fluminense e Cruzeiro entre os clubes que “já não suportam o peso dos erros do passado”. E também clubes com “má gestão do presente”, incluindo gigantes do futebol nacional como Corinthians, São Paulo, Internacional, Atlético Mineiro e Santos. Continuar a ler

Modelo de Gestão do Futebol Brasileiro: da Comunidade para a Autorregulação do Mercado e/ou a Fiscalização Governamental

Graziella Valenti e Luiz Henrique Mendes (Valor, 27/11/2019) avaliam: os títulos conquistados pelo Flamengo, campeão brasileiro e da Libertadores, consagra o entendimento de a força e a capacidade financeira, com boa gestão, alteram o placar. Não garantem título, mas aumentam a chance. Contudo, com raríssimas exceções, o Brasil está para lá de atrasado no debate sobre profissionalização e organização das finanças no futebol. Há assuntos financeiros até proibidos de se discutir em clubes de futebol, como se a razão não pudesse conviver com a paixão quando o tema é a camisa.

Mas, queiram os apaixonados ou não, as finanças dos clubes entrarão de forma definitiva no roteiro esportivo em 2020. Junto com o equilíbrio das contas, o debate sobre clubes se transformarem em empresas ou criarem companhias exclusivas para o futebol, atraindo investidores, está na ordem do dia.

O vitorioso clube da Gávea passou por uma troca importante de gestão há seis anos e reduziu a dívida de R$ 750 milhões a R$ 460 milhões. Dessa forma, conseguiu investir R$ 190 milhões no ano passado, vindo de um piso de R$ 22 milhões em 2014, quando a nova administração fez secar a torneira para dar conta dos compromissos. Dos números, ninguém foge. Continuar a ler

Marcas de Clubes de Futebol: Patrocínios ou Mecenatos

O Flamengo é a marca mais valiosa do futebol brasileiro pelo quarto ano consecutivo. O controle de mercado pelo clube rubro-negro pode ser ameaçado nos próximos anos, porém, pela ascensão do Palmeiras, hoje terceiro no ranking de valor de marcas dos clubes. Esta, se mantida a atual tendência de crescimento, pode superar o Corinthians (segundo mais valioso do país) no curto prazo. Quem diria, os “Palestras Itálias”, em SP e MG, superam os “times-do-povo”! Fenômeno social: o proletariado é superado pelo operariado ascendente para a classe média!

Conforme o levantamento realizado pela empresa de consultoria e auditoria BDO, a marca rubro-negra passou a valer R$ 1,95 bilhão em 2018, 15% a mais em relação ao ano passado. Esse valor de marca praticamente dobrou em um período de cinco anos – era de R$ 1 bilhão em 2014. Efeito casta dos sábios-tecnocratas? Um ex-benedense (ex-BNDES) assumiu a gestão das finanças do Flamengo e “virou o jogo”? Isto para o bem. E para o mal? Está envolvido com quem?

Para chegar aos valores e criar o ranking, a consultoria considera 40 indicadores em três pilares:

  1. torcida (gama de consumidores),
  2. mercado (onde o clube está inserido, o que já coloca os times de Minas Gerais e Rio Grande do Sul em desigualdade de competição), e
  3. receita (patrocínio, bilheteria etc).

Os patrimônios dos clubes não são considerados nos cálculos, assim como a receita de vendas de jogadores. Mas, atualmente, muitos clubes (brasileiros e latino-americanos em geral) vivem disso: mecenato e venda de talentos precoces para o exterior! Continuar a ler

Cruzeiro: Hexacampeão do Brasil ou Decacampeão Brasileiro?

A listagem acima se refere a todos os jogos do Cruzeiro contra adversários relevantes até o dia 10/10/18. Há uma diminuição gradativa do déficit de vitórias contra os times paulistas, exceto o Palmeiras com o qual já tem superávit.

Considerando apenas títulos recentes, no século XXI ou anos 2000, o Cruzeiro acumula sete títulos (3 Campeonatos Brasileiros e 4 Copas do Brasil), superando todos os demais times. Aqueles foram em pontos corridos e estas são jogos eliminatórios. Informação relevante: ele não disputou a maioria das Copas do Brasil porque o time em disputa da Copa Libertadores da América, antes de 2017, não a disputava.

Com o título da Copa do Brasil deste ano, o Cruzeiro chegou à 10ª conquista nacional (4 Campeonatos Brasileiros e 6 Copas do Brasil) e subiu no ranking dos clubes com mais troféus. Agora, a Raposa ocupa o segundo lugar dos maiores campeões do país, ao lado do Corinthians, também com dez conquistas.

O Palmeiras lidera isolado, com 12. No terceiro posto estão Flamengo e Santos, com 9 cada. Depois, aparecem Grêmio (7), São Paulo (6), Fluminense (5), Vasco (5), Internacional (4), Atlético (2), Sport (2), Atlético-PR (1), Coritiba (1), Guarani (1), Paulista (1), Santo André (1) e Juventude (1).

Clubes brasileiros com mais títulos nacionais (Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil):
Continuar a ler

Placares de Futebol e “Freguesia”: o Passado não guia o Futuro, mas sim o Acaso e as Falhas Presentes no Jogo

https://s3-sa-east-1.amazonaws.com/nexojornal/www/newsletter/noseixos/jul2018/noseixos1b.png

A Copa do Mundo da FIFA de 2018, sediada na Rússia, começou oficialmente no dia 14 de junho, e já está na fase final, com França e Croácia na disputa pela taça. Neste gráfico, publicado como parte da cobertura especial do mundial, o Nexo analisou o histórico de desempenho do Brasil contra os diversos adversários — não apenas nas Copas, mas em todas as partidas de 1914 até os últimos jogos antes da Copa da Rússia.

O primeiro fator a ser analisado é o saldo de gols, ou seja, a diferença entre o número de gols marcados e de gols sofridos pelo Brasil em todas as suas partidas. É possível ver que o saldo positivo de um gol é o mais comum para a seleção, seguido de um empate e do saldo de dois gols. Outros saldos, mais incomuns, como a goleada de 10 a 1 contra a Bolívia em 1949, e grandes derrotas, como o 7 a 1 contra a Alemanha em 2014, também são visíveis no gráfico.

Os placares resultantes nesses saldos de gols são demonstrados por meio da seguinte visualização. Traz em um eixo o número de gols feitos pelo adversário e, no outro, o número de gols feitos pelo Brasil. Quanto maior o círculo em determinada casa do gráfico, mais frequente é aquele placar. Dessa forma é possível observar tanto os placares mais comuns quanto as goleadas.

https://s3-sa-east-1.amazonaws.com/nexojornal/www/newsletter/noseixos/jul2018/noseixos2b.png

Continuar a ler

Neuroeconomia e Erros de Pensamento Comuns no Futebol

Neuroeconomia cataloga os erros recorrentes do pensamento humano. O animal humano repete erros, por exemplo, o segundo casamento é a vitória da esperança emocional sobre a experiência racional. A lógica não diz respeito a como pensamos, assim como a gramática não é referência de como falamos.

Um jogo de futebol constitui bom exemplo de conjunto complexo em ação. Com equipes equivalentes e campo neutro, como é na Copa do Mundo, é impossível acertar a priori os resultados de todas as partidas. Estes emergem de circunstâncias incontroláveis – e indeterminadas pelo passado. São onze indivíduos de um lado competindo com onze do outro lado para chutar ou cabecear a bola na rede da meta, ou seja, marcar “goal”.

As balizas de um campo de futebol são formadas por duas traves (ou postes) verticais, com o tamanho de 2,44 metros de altura e separados por um poste (ou travessão), na horizontal com o tamanho de 7,32 metros. Pelo número de gols conseguidos, quando a bola transpõe essa linha fatal, parece ser uma façanha bem mais difícil em relação a remessar uma bola com as mãos dentro de um aro da cesta de 45 centímetros de diâmetro. Os cestos do basquete são colocados a uma altura de 3 metros e 5 centímetros do solo.

Os jogadores selecionados entre os melhores do País são dotados de inteligência cinestésica, ou seja, agudo sentido da percepção de movimento, peso, resistência e posição do corpo, provocado por estímulos do próprio organismo. São treinados para atuar coletivamente. Porém, em poucas e raras vezes, a iniciativa particular coroa o sucesso em lances capitais. O maior número de finalizações vai para fora da meta ou é desviado para escanteio. Falhas dos atacantes são superiores às dos defensores, mas as destes últimos são fatais – e mais notadas. Continuar a ler

Futebol e o Acaso

Simon Kuper & Stefan Szymanski escreveram o livro sobre futebol mais fundamentado em estatística jamais publicado: Soccernomics: Por que a Inglaterra perde, a Alemanha e o Brasil ganham, e os Estados Unidos, o Japão, a Austrália, a Turquia – e até mesmo o Iraque – podem se tornar o esporte mais popular do mundo(Rio de Janeiro; Editora Tinta Negra; 2010).

A maioria dos torcedores entende a sorte ser importante, mesmo eles construindo um história pós-factual sobre o torneio de futebol onde a vitória ou a humilhação parece determinada desde o início. Mas os dados apontam para uma situação ainda mais assustadora em vez da existência de acaso: não há praticamente nenhuma diferença entre equipes inglesas “brilhantes” e “terríveis”. Parece suspeito como se a seleção da Inglaterra fosse sempre mais ou menos igualmente boa.

Isso pode parecer difícil de acreditar. Os torcedores sentem fortemente as distintas qualidades de gerentes e jogadores. Há períodos de otimismo nacional e pessimismo nacional, associado à visão da equipe ser forte ou vergonhosa. Continuar a ler

Violência, Troca de Favores, Jogo de Interesses, Torcidas Organizadas, Avanço Tecnológico: Sociedade do Espetáculo do Futebol

Tostão, em “Tempos vividos, sonhados e perdidos: Um olhar sobre o futebol” (São Paulo: Companhia das Letras; 2017), continua seus comentários sobre o futebol atual.

“A violência nos gramados tem a ver com a violência presente na sociedade, que se espalha pelo futebol, nas brigas entre torcedores pelas ruas. Os jogadores e treinadores, pressionados e ameaçados para ganhar de qualquer jeito, perdem o controle, dão pontapés, carrinhos, brigam, discutem e agridem, para mostrar que têm raça.

Os técnicos são geralmente omissos. Passam o jogo reclamando do árbitro e gritando, para mostrar que “jogam com o time” — um dos milhares de chavões do futebol. Em vez de advertirem e punirem os atletas violentos, os técnicos colocam a culpa nos árbitros. Estes, fracos tecnicamente, ficam perdidos com tanto tumulto criado pelos treinadores e jogadores.

Outro fator importante para a queda de nosso futebol é a relação promíscua que existe entre empresários, investidores, clubes, federações estaduais e a CBF. É a troca de favores, uma das pragas da cultura brasileira. É comum um treinador e um jogador, das categorias de base ou do time principal, serem agenciados pelo mesmo empresário. Dizer que isso não pode gerar conflito de interesses é desconhecer a desmedida ambição humana.

Nem sempre os atletas que podem gerar lucros aos clubes são os que os técnicos querem colocar em campo. Os clubes, por comodismo e interesses escusos, são reféns desses empresários, que agenciam jogadores e técnicos e participam ativamente das contratações e das negociações para a saída de jogadores. Continuar a ler

Papel dos Técnicos no Futebol

Tostão, em “Tempos vividos, sonhados e perdidos: Um olhar sobre o futebol” (São Paulo: Companhia das Letras; 2017), continua seus comentários sobre o futebol atual.

Os técnicos são importantes. Há treinadores ótimos e treinadores fracos, no Brasil e em todo o mundo. Uma grave deficiência de nosso futebol é a falta de continuidade, a troca excessiva no comando dos times, o que dificulta a formação de um bom conjunto. Paradoxalmente, uma das razões disso é a supervalorização dos técnicos, que se tornaram os maiores responsáveis pelas vitórias e pelas derrotas.

As análises dos resultados e das equipes passaram a ser feitas a partir da conduta dos treinadores. Os dirigentes se iludem com o fato de que a única solução para melhorar é mudar o comando. Os técnicos, quando contratados, são tratados como salvadores e gênios, e depois, quando demitidos, são tidos como burros. Há ainda os burros com sorte — título de um livro escrito por Levir Culpi — e os gênios com azar.

Os técnicos não são os únicos responsáveis pela queda de qualidade do futebol brasileiro nos últimos tempos, mas não se pode eximi-los de suas responsabilidades. O grande erro dos treinadores brasileiros, mesmo entre os mais estudiosos, foi seguir um caminho ineficiente e medíocre:

  1. de utilizar, durante muito tempo, a marcação individual, que já tinha sido abandonada pelos europeus;
  2. de privilegiar os chutões e os lançamentos longos, como se isso fosse moderno; de trocar poucos passes, como se isso fosse lentidão; e
  3. de muitos outros detalhes que empobreceram o futebol, com aplausos de parte da imprensa.

Esse período, paradoxalmente, foi o de maior valorização dos treinadores. Continuar a ler

Queda de Qualidade do Futebol Brasileiro

Tostão, em “Tempos vividos, sonhados e perdidos: Um olhar sobre o futebol” (São Paulo: Companhia das Letras; 2017), continua seus comentários sobre o futebol atual.

“Muitos outros fatores contribuíram para a queda de qualidade de nosso futebol, como a diminuição da formação de grandes talentos, a promiscuidade nas relações comerciais entre empresários, federações, clubes e a CBF, a supervalorização dos técnicos, a troca excessiva de treinadores e jogadores, o calendário ruim e a violência dentro e fora dos gramados.

Muitas pessoas que trabalham nas categorias de base são escolhidas muito mais por amizades com dirigentes e com técnicos das equipes principais do que pelo conhecimento técnico. Mesmo os profissionais mais sérios e competentes costumam repetir o que falam e fazem os técnicos das equipes principais. Os bons treinadores das categorias de base preferem as equipes principais, porque dá mais prestígio e dinheiro, um desejo habitual do ser humano.

Decorar todos os desenhos táticos de todos os times e conhecer todas as informações, úteis e inúteis, não significa competência para ensinar. Conhecimento não é apenas informação. “Os que têm estudo explicam a claridade e a treva, dão aulas sobre os astros e o firmamento, mas nada compreendem do universo e da existência, pois bem distinto do explicar é o compreender, e quase sempre os dois caminham separados.”

Há uma geração cada vez maior de pessoas que sabem muito e conhecem pouco. A solução também não é colocar ex-atletas, independentemente de terem sido craques ou não, que não tiveram preparação técnico-científica para o cargo. O ideal seria unir as duas qualidades, a experiência de ter sido um atleta com a formação acadêmica. Assim como há preconceito dos acadêmicos com os ex-atletas, como se eles não tivessem preparo intelectual para o cargo, há também preconceito dos atletas com os técnicos formados nas universidades, como se fosse impossível alguém ser bom treinador sem ter sido atleta profissional. Continuar a ler