Depreciação da Moeda Nacional: Declínio ou Renovação do Futebol Brasileiro?

Jogadores contratados em 2011-16Guilherme Seto e Vinicius Pereira (FSP, 02/02/2016) publicaram uma interessante reportagem sobre a hipótese de que “crise econômica leva clubes do Brasil a declínio técnico”. Eles partem do pressuposto de que o mercado de transferências do futebol brasileiro sente profundamente o efeito da crise financeira no país. O parti pris só é revelado agora, quando novamente o time campeão brasileiro foi desmontado pelas transferências dos melhores jogadores para o exterior. No início do ano passado, isso tinha ocorrido com o bicampeão, o Cruzeiro, mas a imprensa paulista calou-se. No ano corrente, foi a vez do Corinthians.

Eles argumentam que, “nessa última janela de transações (de janeiro ao início de fevereiro), foram feitas as contratações mais modestas dos últimos anos, o que gerou uma desqualificação técnica nos clubes.

Os times têm perdido os jogadores que vieram em um ciclo positivo que pode ser demarcado, em linhas gerais, no período que vai de 2010 a 2013, anos em que o PIB (Produto Interno Bruto) registrou crescimento repetidamente, com ápice de 7,6% no primeiro ano.

Com o fechamento da janela em alguns dos principais polos europeus entre segunda (1º) e terça (2), como Alemanha, Itália e Inglaterra, quase nenhum jogador renomado foi seduzido pelo Brasil –exceção feita ao zagueiro Henrique, que disputou a Copa de 2014, estava no Napoli (ITA) e desembarcou no Fluminense.

Em 2015, o dólar subiu 49% ante o real na maior valorização anual registrada desde 2002, ultrapassando o patamar dos R$ 4 nos picos da crise.

Esses números apontam para uma fragilização da economia brasileira e, por tabela, dos clubes do país.

A desvalorização da moeda faz com que os clubes percam competitividade na gestão de jogadores. A maioria dos atletas que atuam no exterior têm contratos em dólar, e os times brasileiros recebem (e pagam) em reais.

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Faturamento X Lucro em Futebol

 

Em análise dos borderôs divulgados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a Fundação Getúlio Vargas (FGV) realizou levantamento sobre o faturamento em bilheteria dos jogos do primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Segundo o estudo, o Atlético é um dos líderes em bilheteria, com arrecadação de 10,1 milhões – o percentual de lucro é de 53%. Por sua vez, o Cruzeiro é o terceiro com maior percentual de lucro, com 73%. A Raposa arrecadou R$ 5,7 milhões na metade inicial da competição, embolsando 4,1 milhões.

Esses valores representam o dados discriminados nos balanços financeiros. Logo, eles variam de acordo com a padronização de cada balanço, que difere de clube para clube. É importante ressaltar que as arrecadações não são, de fato, o montante que cada clube recebe, uma vez que parte do dinheiro se refere a um percentual do valor pago pelo sócio-torcedor. Os clubes, assim, colocam no demonstrativo valores fictícios para cada associado, sendo que em alguns programas os torcedores têm entrada liberada sem o pagamento do ingresso.

Líder de público, o Palmeiras está à frente em relação à arrecadação com bilheteria, com R$ 23,4 milhões, seguido por Corinthians (R$ 13,9 milhões) e Grêmio (R$ 8,2 milhões). Continue reading “Faturamento X Lucro em Futebol”

Concentração Econômica no Futebol

Concentração no Flamengo e Corinthians

Na minha última visita à Santa Catarina, terra amável, perguntei aos catarinenses como seu Estado tinha conseguido colocar quatro times — Chapecoense, Joinville, Figuerense, Avaí — na série A do Campeonato Brasileiro, sendo que um quinto — o Criciúma –, que eles consideram o mais rico deles, pois é patrocinado por uma corporação local, caiu para a série B no ano passado. Será que foi devido à melhor distribuição de riquezas no Estado, originalmente, por causa dos imigrantes alemães que possuíam minifúndios? Será resultado do futebol alemão do 7 X 1?!

Será que esses times catarinenses, devido à concentração de riqueza nos grandes times de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, cairão todos para a série B em 2016? E o Goiás e o Sport?

Temos que incorporar os estudos de concentração de riqueza à análise do futebol, para verificar que a “livre-competição” não existe também no esporte profissional. As linhas-de-partida são desiguais e há tendência de “espanholarização” (Real Madrid e Barcelona como únicos reais candidatos a campeões) no futebol brasileiro (“flatimão“), que prima-se pela rotatividade de títulos entre os times do “Clube dos Treze”: 4 do RJ, 4 de SP, 2 de MG, 2 de POA, 1 de Salvador. Dois times do Rio (Botafogo e Vasco) estão já perdendo o mercado para os dois de Curitiba…

No entanto, a estrutura mental dos economistas de O Mercado que analisam as Finanças do Futebol não é a mesma dos que analisam as Finanças Públicas? Sim, se a comparação for com uma equipe de especialistas em balanços do Itaú BBA, braço de atacado e investimentos do maior grupo financeiro do país. Segundo João José Oliveira (Valor, 24/08/15), essa equipe avalia que a elite do futebol brasileiro, participante da Série A do Campeonato nacional, terá que ser mais conservadora e jogar na defensiva para evitar, em 2016, um agravamento da crise financeira que se aprofundou em 2014. Na opinião conservadora, os gestores terão que:

  1. ser mais cautelosos na contratação de jogadores,
  2. cortar gastos e
  3. elevar receitas para equilibrar as finanças.

A gestão dos clubes brasileiros piorou muito. A maioria dos times precisa se adequar à realidade, traçar metas factíveis com seus tamanhos”, diz o gerente de crédito para grandes empresas do Itau BBA, Cesar Grafietti. Não analisa a dependência de trajetória com sua retroalimentação: derrotas esvaziam as finanças dos clubes! Assim como recessão (queda do PIB) diminui a arrecadação fiscal…

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Gestão Profissional ou Austera do Flamengo

 

Gastos dos ClubesEu estranhava que o clube de futebol com a marca mais preciosa do País, já que sua torcida se espalha do Rio de Janeiro “para cima”, não conseguia ter uma gestão financeira profissional, saneando-a e rentabilizando-a. Com ela, daqui a pouco, terá condições de investir em jovens jogadores de futebol promissores e não em “medalhões” em fim-de-carreira para marketing de curto prazo junto à torcida, tipo “me engana que eu gosto”.

Robson Sales (Valor, 13/04/15) informa que, no confronto financeiro entre as duas maiores torcidas do futebol brasileiro, o Flamengo bateu o Corinthians em 2014. O clube carioca apresentou um crescimento de 27% na receita bruta, somando R$ 347 milhões, segundo relatório obtido pelo Valor. Já o time paulista, ao contrário, teve queda de 12% na receita total, em relação ao ano anterior, atingindo a marca de R$ 258 milhões, de acordo com o balanço divulgado em fevereiro pela diretoria de finanças.

Os clubes tinham até o fim de abril de 2015 para apresentar os balanços do ano passado. Consultorias esportivas ouvidas pelo Valor dizem que o Flamengo será o clube que terá feito a maior amortização da dívida em 2014. Até o ano passado, o clube carioca era o mais endividado do país. Segundo a agência BDO, a dívida líquida era de quase R$ 760 milhões, entre débitos trabalhistas e fiscais.

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Lei de Responsabilidade Fiscal no Futebol

Ajuste no Campo de Futebol

Post elaborado por Emerson Gonçalves apresenta o estudo do Itaú BBA sobre a perspectiva no futebol da Lei de Responsabilidade Fiscal no Esporte. É ainda um estudo preliminar sobre o que poderão ser os números de 2014, que serão conhecido durante o mês de abril (30 de abril é o prazo final por lei para publicação dos balanços) e também uma prévia sobre os resultados de 2015.  Daqui alguns meses, teremos mais uma edição da análise completa dos clubes brasileiros, a exemplo dos últimos anos.

Essa primeira arrancada do ano foi limitada aos 12 clubes de maiores torcidas pela maior abundância de informações financeiras. Mesmo assim, cumprindo um preceito básico das boas práticas financeiras, somente sete desses doze clubes apresentaram ou divulgaram seus balancetes no decorrer desse ano que passou: Corinthians, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras e Santos. Sobre os outros cinco – Atlético Mineiro, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo e Vasco, o trabalho foi feito a partir de projeções dos números de 2013, complementadas por informações através da imprensa. Um ponto importante a ser considerado também nesse estudo, é que os autores não contataram os clubes em nenhum momento. Todo o trabalho é realizado a partir dos balanços e balancetes públicos e informações da imprensa.

De acordo com Cesar Grafietti e Pasquale Di Caterina, autores desse trabalho, o “objetivo não é acertar os dados, mas ter uma indicação de para onde vão os clubes se a situação seguir na direção que as premissas apontam”.  Posteriormente, ao elaborar a Análise dos Clubes Brasileiros – 2014, será possível verificar até que ponto essa visão preliminar está correta e, ao mesmo tempo, ter uma melhor ideia sobre o cenário para esse ano em curso.

A novidade nesse estudo é a inclusão da Lei de Responsabilidade Fiscal no Esporte, com base no que foi discutido no Congresso Nacional, de como os clubes se comportarão nesse ano tendo que honrar seus compromissos fiscais em duas pontas: os atrasados e os impostos correntes. Continue reading “Lei de Responsabilidade Fiscal no Futebol”

Cruzeiro: O Peso da Moeda

Vendas do Cruzeiro 2001-2015

Tostão (FSP, 29/01/15) diagnosticou: “Acabou a excelente equipe do Cruzeiro. Pena! Agora, só existe um bom, razoável, volante, Henrique. Leandro Damião tinha mais chances de ser artilheiro se jogasse no time do ano passado, que criava muitas chances de gol.

Mas há ainda esperanças. O jovem uruguaio De Arrascaeta é um bom jogador. O chileno Mena é superior a Egídio.

Júlio Baptista está muito pesado para participar da marcação, trocar passes no meio-campo e chegar à frente, para fazer gols. Ricardo Goulart fazia tudo isso. Júlio Baptista poderia ser experimentado de volante, posição em que melhor atuou na carreira. É alto, forte, desarma bem e, com a bola, de frente, sem a marcação de perto quando atua como meia, poderia ter um bom passe.”

Vários são os fatores econômicos que fizeram com que o Cruzeiro vendesse muitos jogadores neste início de temporada:

  1. propostas vantajosas para o pool de investidores que se associaram para deter os passes de jovens jogadores que compraram barato e venderam caro,
  2. falta de condições de competir com clubes estrangeiros ricos como o Real Madrid ou de moeda forte como os da China e Dubai, que seduzem os jogadores com altíssimos salários anuais, e
  3. necessidade de colocar as contas em dia, inclusive pagando dívidas.

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Cruzeiro: Campanha Mais Que Perfeita no Campeonato Brasileiro de 2014

Classificação Final do Campeonato Brasileiro de 2014Estatísticas 2014 AEstatísticas 2014 B

Desempenho Cruzeiro 1 T 2014Desempenho 2 T 2014

Fonte: http://www.footstats.net/

O Cruzeiro conquistou o Campeonato Brasileiro de 2014 com 80 pontos – 24 vitórias, 8 empates e 6 derrotas. O número é um recorde na era dos pontos corridos com 20 times. A marca anterior era do São Paulo de 2006, com 78 pontos. Nos pontos corridos com 24 times, também o Cruzeiro alcançou maior número de pontos em 2003.

A “campanha ideal” é considerada aquela em que se ganha todos os jogos em casa e pelo menos empata todos os jogos fora de casa. Com ela se conquista 76 pontos: (19 X 3 = 57 pontos) + (19 X 1 = 19). Meu time, compensando 2 derrotas e 2 empates em casa com 9 vitórias fora, a superou!

Seu índice de aproveitamento foi de 70% contra os 66% idealizados. Observe que o segundo grupo de aproveitamento (São Paulo, Internacional e Corinthians) alcançou 61% (cerca de 69 pontos) e o terceiro (Atlético-MG, Fluminense e Grêmio), 54% (cerca de 61 pontos). Esses seis times competiram, de fato, pela classificação para a Copa Libertadores da América; os outros lutaram para se manter na Série A

A última vitória foi a 24ª, novo recorde na era dos pontos corridos do Campeonato Brasileiro.

Fred (torcedor cruzeirense) sagrou-se o artilheiro do Campeonato Brasileiro 2014. O atacante do Fluminense marcou 18 vezes, contra 16 de Henrique, do Palmeiras, e 15 de Ricardo Goulart e Marcelo Moreno, ambos do Cruzeiro. Esta foi a segunda vez que o ex-cruzeirense foi o maior goleador do torneio. Em 2012, ele fez 20 gols. Volte para o Cruzeiro!

Pela segunda vez consecutiva, Everton Ribeiro obteve o melhor desempenho individual segundo as estatísticas. Foi eleito o craque do campeonato.

2 X 1 Gol do Marcelo Moreno contra Fluminense 071214