Raízes Históricas do Neoliberalismo

As raízes históricas do neoliberalismo se encontram no iluminismo, um movimento intelectual que ocorreu na Europa do século XVIII, também conhecido como “Época das Luzes”. Seus temas giravam em torno da Liberdade, do Progresso e do Homem.

O Iluminismo surge como um processo desenvolvido para corrigir as desigualdades da sociedade e garantir os direitos naturais do indivíduo, como a liberdade e a livre posse de bens, contra a Monarquia absolutista e os privilégios da nobreza. Contra a tese da predestinação divina dos monarcas, os iluministas acreditavam que Deus estava presente na natureza e também no próprio indivíduo, sendo possível descobri-lo por meio da razão.

Iluminismo passou a ser o nome que se dá à ideologia que foi sendo desenvolvida e incorporada pela burguesia da Europa, a partir das lutas revolucionárias do final do século XVIII. Então, o iluminismo não foi apenas um movimento ideológico, mas também político, conforme demonstrado pela Revolução Francesa. Na França, onde o movimento teve maior expressão, os limites feudais se chocavam com o desenvolvimento do capitalismo emergente. A burguesia, liderando camponeses e operários, se lançou contra a nobreza e o clero, e assumiu a direção do movimento. Continue reading “Raízes Históricas do Neoliberalismo”

História da Riqueza no Brasil

 

O livro representa o ápice até aqui da carreira do escritor e jornalista Caldeira, 61 anos, em seus estudos de mais de três décadas sobre a história econômica do país.

É o 16º livro dele, cuja bibliografia é composta por obras de prestígio como “Mauá, O Empresário do Reino” (1995), “O Banqueiro do Sertão” (2006) e “Júlio Mesquita e seu Tempo” (2015). Continue reading “História da Riqueza no Brasil”

Impactos da Reforma Protestante

desenvolvimento econômico, suicídio, alfabetização feminina e antissemitismo. 

“Foi muito mais do que uma batalha sobre a teologia”, diz Sascha Becker, pesquisador alemão que investigou as principais consequências socioeconômicas desencadeadas pelas 95 teses de Martinho Lutero.Para o artigo completo de Becker, acesse “Causes and Consequences of the Protestant Reformation” (“Causas e Consequências da Reforma Protestante“, 47 págs., disponível em inglês). Continue reading “Impactos da Reforma Protestante”

Pós-Verdade de Delfim Netto: Adequação da Narrativa Histórica

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Formou-se nessa Faculdade no ano em que eu nasci: 1951, ou seja, tem 66 anos de profissão, sendo o economista decano mais conhecido no Brasil: para o mal, para o… seu bem.

Eu não consigo gostar dele. Entenda-se: eu me graduei (1971-1974) quando ele era o maior tecnocrata da ditadura militar, para a qual ele tinha assinado o AI-5. Abomino suas tolas ironias contra a esquerda brasileira que o odeia. Infelizmente, Dilma apelou para conselhos dele. Resultado: assim como ele a louvou, hoje ele louva e defende o golpista temeroso! E continua seu esforço descomunal de pós-verdade: remonta a narrativa histórica de acordo com sua conveniência de momento! 

Confira isso em seu artigo (Valor, 03/10/17) reproduzido abaixo, onde ele se isenta de responsabilidade pela “década perdida dos 80s”. Fez duas maxidesvalorizações cambiais de 30% cada uma, quando inside information se deu bem, e dobrou o patamar da inflação, na primeira em dezembro de 1979 de 70% aa para 110% aa e na segunda em fevereiro de 1983 de 110% aa para 220% aa. Esse salto provocou a crise dos mutuários no Brasil (subprime avant la lettre) e quebrou o BNH.  O melancólico fim do regime militar deixou a herança maldita do regime de alta inflação, cujo combate se deu por causa do debate entre economistas de oposição ao Delfim.

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Defesa Ultraliberal da Lei de Say

Per Bylund foi consultor de negócios na Suécia e hoje é Ph.D em economia pela Universidade do Missouri e professor na Hankamer School of Business, da Baylor University, no Texas. Encontra-se no site Mises Brasil seu artigo, postado em 11 de julho de 2017, em que ele defende a Lei de Say como esta fosse natural como a Lei da Gravidade… Mas a reduz à Lei da Oferta e Demanda. 🙂

A ideologia ultraliberal torce (para Mises) e distorce (o pensamento de Keynes) no intuito de apregoar sua fé infinita no Capitalismo de Livre Mercado. Alguém já viu este em algum lugar e/ou em qualquer tempo?! Ele só existe nas cartilhas de seus ideólogos – e nos discursos da casta dos mercadores quando interessa que o Estado lhe ceda mercados sem nenhuma regulação para explorar trabalhadores e consumidores.

Vamos à catilinária ultraliberal com acusação violenta e eloquente contra Keynes. É uma imprecação, denúncia acerba e arrogante, defendendo o indefensável: a Lei de Say em uma economia monetária! Continue reading “Defesa Ultraliberal da Lei de Say”

Pensamento Ultraliberal da Escola Austríaca: Capitalismo de Livre Mercado

Para elaborar uma crítica construtiva, aquela que coloca uma alternativa no lugar da ideologia criticada, no caso, o pensamento de economistas da direita, ou se quiserem, “economistas submissos à crença da casta dos mercadores”, postarei uma série de resumos de ideias dessa gente reacionária. Embora se encontre uma profusão de entrevistas e artigos deles na imprensa brasileira – e praticamente nenhuma manifestação de economista desenvolvimentista ou marxista que pense de maneira distinta deles –, creio que suas ideias não são muitas.

Na verdade, eles são monotônicos, isto é, há monotonia em seus artigos e entrevistas. Eles apresentam sempre o mesmo tom ou ladainha. Não tem variação. O discurso neoliberal é uniforme, invariável, não apresenta variedade, diversidade ou novidade. É enfadonho, mas o que fazer? Se quisermos enfrentar o debate sobre o futuro do País, temos de conhecer as (poucas) ideias adversárias para combatê-las.

Gary North é Ph.D. em História, ex-membro adjunto do Mises Institute. Em pesquisa sobre Capitalismo de Livre Mercado, encontrei um artigo dele no site Mises Brasil, postado em 3 de abril de 2017.

Ele parte do pressuposto ideológico de que, no capitalismo de livre mercado, “quem sempre ganha é o consumidor”. Diz sem pudor que “o objetivo do capitalismo é melhorar a vida do consumidor, e não do empregado ou do empregador”. Não é para rir?! A exploração dos trabalhadores no processo de produção de bens e serviços e dos consumidores no processo de comercialização, para maximização de lucros, é abstraída?!

Seu argumento é que “as empresas se engalfinham em uma brutal guerra de preços”. ‘Tadinhas… Carteis, oligopólios, monopólios, tudo isso é visto como “falhas de mercado”. O Mercado deveria funcionar no mundo real como somente funciona no mundo idealizado em sua mente ideológica. Continue reading “Pensamento Ultraliberal da Escola Austríaca: Capitalismo de Livre Mercado”

Surgimento da Espécie de Animal Humano

Reconstrução do primeiro crânio de Homo sapiens, de Jebel Irhoud (Marrocos)Reconstrução do primeiro crânio de Homo sapiens, feito com base em ressonâncias de múltiplos fósseis originais

7 junho 2017) informa que a teoria de que o homem moderno evoluiu em um único “berço de humanidade” há 200 mil anos no leste da África perdeu sustentação científica, graças a novas pesquisas recém-divulgadas.

Fósseis dos cinco mais antigos humanos (Homo sapiens) de que se tem notícia foram encontrados no norte africano, mostrando que o Homo sapiens emergiu ao menos 100 mil anos antes do que se pensava.

Em trabalhos publicados no periódico científico Nature, os pesquisadores sugerem agora que a nossa espécie evoluiu por todo o continente, de forma muito mais fragmentada do que se pensava.

Essa descoberta fará com que “se reescrevam os livros de história” sobre nosso surgimento como espécie, diz o professor Jean-Jacques Hublin, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária (MPI), na Alemanha.

“Esse material (fóssil) representa a raiz da nossa espécie, é o mais antigo Homo sapiens já encontrado na África ou em qualquer outro lugar”, explica Hublin.

“Não se trata de uma história que aconteceu rapidamente em um ‘Jardim do Éden’ em um lugar da África. Nossa visão é de que (a evolução) foi um desenvolvimento mais gradual e envolveu todo o continente. Então, se houve um Jardim do Éden, ele foi a África inteira.” Continue reading “Surgimento da Espécie de Animal Humano”