Escola Austríaca na LSE contra Escola de Cambridge

Nicholas Wapshott, no livro “Keynes x Hayek: a origem e a herança do maior duelo econômico da história”, conta que Friedrich Hayek chegou a Londres em janeiro de 1931 para aceitar o convite de Lionel Robbins, professor da LSE, para proferir quatro palestras baseadas em seu estudo do ciclo de negócios e sua tentativa de provar, em “The ‘Paradox’ of Saving”, que recessões não eram causadas pela falta de desejo dos consumidores de comprar bens.

Para assegurar que Hayek não tivesse, novamente, a recepção fria oferecida a ele em Cambridge, o maior auditório de palestras foi reservado, e uma audiência escolhida minuciosamente por Robbins foi preparada para aplaudir o desempenho de Hayek, desse no que desse. Nenhum dos presentes duvidava da importância do evento para o futuro da teoria econômica e a reputação da LSE. A London School of Economics and Political Science, frequentemente chamada apenas de London School of Economics ou LSE, é uma universidade pública britânica e um dos mais prestigiosos centros de pesquisa acadêmica do mundo.

Os argumentos que Hayek estava a ponto de expor sobre o papel decisivo que os meios de pagamento desempenham no funcionamento de uma economia eram importantes tiros iniciais na guerra contra Keynes e Cambridge [tal como ultraliberais brasileiros fazem contra a Escola de Campinas], e dariam, indiretamente, fundamento à contrarrevolução monetarista que finalmente desafiaria o keynesianismo. A primeira palestra de Hayek, “Teorias da Influência da Moeda sobre os Preços”, era uma visão geral da relação entre moeda, preços e produção. Continue reading “Escola Austríaca na LSE contra Escola de Cambridge”

Um Tratado sobre Moeda de autoria de Keynes

Nicholas Wapshott, no livro “Keynes x Hayek: a origem e a herança do maior duelo econômico da história”, conta que, mal publicou seu Tract on Monetary Reform, em 1924, Keynes começou a escrever A Treatise on Money. Seria uma aventura épica. The Economic Consequences of the Peace havia levado semanas para ser escrito. A Treatise levou seis anos e dois meses, em parte porque Keynes foi distraído por controvérsias políticas britânicas, tais como seus esforços a favor dos Liberais na eleição geral de 1929, em parte por seu envolvimento nos assuntos de King’s College, em parte pela miríade de outras atividades que reclamavam sua atenção.

De 1925 em diante a vida de Keynes se tornou ainda mais complicada quando, depois de ter vivido metade da vida como homossexual, se casou com Lydia Lopokova, uma bailarina de espírito infantil dos Balés Russos de Sergei Diaghilev, nove anos mais nova que ele.

Como resultado de tantos afazeres, o livro A Treatise on Money é uma trama complexa de ideias discrepantes em um todo não inteiramente convincente. “O livro não deu uma visão completa de seu pensamento, apenas um corte transversal dele”, observou Roy Harrod, amigo e biógrafo de Keynes. No prefácio, Keynes admite que o livro “representa mais uma coletânea de material do que um trabalho acabado”. Não obstante suas reservas, A Treatise foi publicado, em dois grandes volumes, em dezembro de 1930. Continue reading “Um Tratado sobre Moeda de autoria de Keynes”

O Paradoxo da Poupança segundo Hayek

Nicholas Wapshott, no livro “Keynes x Hayek: a origem e a herança do maior duelo econômico da história”, conta que em 19281 quando Hayek foi convidado a um encontro do London and Cambridge Economic Service, fundado cinco anos antes por Keynes como empreendimento conjunto entre a London School of Economics (LSE) e a Universidade de Cambridge, no fim de uma das sessões, os dois se encontraram pela primeira vez.

Desde o início de sua espinhosa amizade, que durou até Keynes morrer, vinte anos depois, Hayek sentiu que Keynes, embora discordasse das opiniões da Escola Austríaca, estava interessado no que ele tinha a dizer. “No momento em que me opus com argumentos sérios, ele me levou a sério e, desde então, sempre me respeitou”, lembrou Hayek. “Sei de seu jeito de falar de mim em geral: ‘Claro que ele é louco, mas suas ideias também são muito interessantes.’”

The ‘Paradox’ of Saving” foi uma tentativa de Hayek argumentar que, na economia real, a poupança não está disponível para ser investida em nova produção a não ser que existam boas razões para acreditar que os novos produtos a serem disponibilizados pelo novo investimento serão prontamente vendidos. A circunstância em que as poupanças dos consumidores eram investidas na fabricação de bens não desejados, em lugar de ser usadas para adquirir bens, não se aplicava, portanto. Continue reading “O Paradoxo da Poupança segundo Hayek”

Mises X Hayek

Nicholas Wapshott, no livro “Keynes x Hayek: a origem e a herança do maior duelo econômico da história” (tradução Ana Maria Mandim. 1ª. ed. Rio de Janeiro: Record, 2016), afirma que foi Mises quem semeou dúvidas na mente de Hayek sobre as virtudes do socialismo. Os livros Economic Calculation in the Socialist Commonwealth, de 1920, e seu marco, em 1922, Socialism, an Economical and Sociological Analysis desarranjaram as crenças socialdemocratas de Hayek e ajudaram a convencê-lo de que o socialismo era um falso deus. Como Hayek colocou, “o socialismo prometia preencher nossas esperanças de um mundo mais racional, mais justo. E depois veio [o Socialism, de Mises]. Nossas esperanças se despedaçaram. O Socialism nos contou que buscávamos melhorias na direção errada.”

[Fernando Nogueira da Costa: As pessoas especialmente suscetíveis são caracterizadas por ter um caráter difícil e desconcertante, além de serem facilmente irritáveis. Eles se irritam com facilidade e agem de forma impulsiva.

As pessoas especialmente suscetíveis também são pessoas inseguras que continuamente buscam apoio dos outros, mas que não aceitam o conselho de ninguém e que muitas vezes, por sua vez, interpretam mal o que os outros dizem. É por isso que elas se sentem atacadas, porque elas têm uma visão um tanto distorcida das coisas. Isso torna as pessoas suscetíveis muito difíceis de tratar.

Mas por trás de uma pessoa particularmente suscetível geralmente há alguém emocionalmente fraco e com baixa autoestima, o que o faz perder o controle. Essa perda de controle a faz sempre alerta, suspeitando que outros estão contra ela.

As pessoas especialmente suscetíveis se valorizam na opinião dos outros e precisam se sentir valorizadas pelas pessoas em seu ambiente. A sua fragilidade emocional os faz reagir a qualquer coisa que não se encaixe no seu esquema, o que os torna pessoas muito imprevisíveis. Sua baixa autoestima é responsável por sempre precisar se defender de qualquer crítica, então qualquer comentário a respeito de alguma ideia prévia adotada pela pessoa especialmente suscetível parece ser uma ofensa pessoal.] Continue reading “Mises X Hayek”

Keynes x Hayek: a origem e a herança do maior duelo econômico da história

Nicholas Wapshott, no livro “Keynes x Hayek: a origem e a herança do maior duelo econômico da história” (tradução Ana Maria Mandim. 1ª. ed. Rio de Janeiro: Record, 2016), acha que vale a pena reafirmar, à luz daqueles que hoje em dia – tais como os jovens crentes do Instituto Mises – continuam a descrever Keynes e os keynesianos como socialistas velados, que, enquanto Hayek foi socialdemocrata por algum tempo, Keynes nunca foi socialista de espécie alguma, nem flertou com o socialismo, sequer com sua anêmica versão britânica, o fabianismo.

Keynes era um membro muito antigo dos liberais que estavam envolvidos em uma batalha pela sobrevivência com os socialdemocratas do Trabalhismo. Acreditava em um “meio caminho” entre capitalismo e socialismo, entre o conservadorismo e a socialdemocracia e entre o que acreditava serem dogmatismos primitivos de ambos os lados. Inevitavelmente, talvez, foi repudiado por um dos lados como apologista do capitalismo que ressuscitou a prosperidade de um sistema falido e, pelo outro lado, como socialista rasteiro que, por trás da fala macia, silenciosamente fazia entrar o marxismo pela porta dos fundos.

É um dos aspectos menos edificantes da luta de ideias entre conservadores e liberais evocada pela controvérsia entre Keynes e Hayek que termos políticos com frequência tenham sido arbitrariamente mal-usados para confundir a discussão. Para alguns, a linha que separa o capitalismo do socialismo começa com governo de qualquer espécie; para outros, começa com qualquer ato social, do tipo das amáveis ações do Bom Samaritano ou até da democracia representativa. Continue reading “Keynes x Hayek: a origem e a herança do maior duelo econômico da história”

Defesa Ultraliberal da Lei de Say

Per Bylund foi consultor de negócios na Suécia e hoje é Ph.D em economia pela Universidade do Missouri e professor na Hankamer School of Business, da Baylor University, no Texas. Encontra-se no site Mises Brasil seu artigo, postado em 11 de julho de 2017, em que ele defende a Lei de Say como esta fosse natural como a Lei da Gravidade… Mas a reduz à Lei da Oferta e Demanda. 🙂

A ideologia ultraliberal torce (para Mises) e distorce (o pensamento de Keynes) no intuito de apregoar sua fé infinita no Capitalismo de Livre Mercado. Alguém já viu este em algum lugar e/ou em qualquer tempo?! Ele só existe nas cartilhas de seus ideólogos – e nos discursos da casta dos mercadores quando interessa que o Estado lhe ceda mercados sem nenhuma regulação para explorar trabalhadores e consumidores.

Vamos à catilinária ultraliberal com acusação violenta e eloquente contra Keynes. É uma imprecação, denúncia acerba e arrogante, defendendo o indefensável: a Lei de Say em uma economia monetária! Continue reading “Defesa Ultraliberal da Lei de Say”

Pensamento Ultraliberal da Escola Austríaca: Capitalismo de Livre Mercado

Para elaborar uma crítica construtiva, aquela que coloca uma alternativa no lugar da ideologia criticada, no caso, o pensamento de economistas da direita, ou se quiserem, “economistas submissos à crença da casta dos mercadores”, postarei uma série de resumos de ideias dessa gente reacionária. Embora se encontre uma profusão de entrevistas e artigos deles na imprensa brasileira – e praticamente nenhuma manifestação de economista desenvolvimentista ou marxista que pense de maneira distinta deles –, creio que suas ideias não são muitas.

Na verdade, eles são monotônicos, isto é, há monotonia em seus artigos e entrevistas. Eles apresentam sempre o mesmo tom ou ladainha. Não tem variação. O discurso neoliberal é uniforme, invariável, não apresenta variedade, diversidade ou novidade. É enfadonho, mas o que fazer? Se quisermos enfrentar o debate sobre o futuro do País, temos de conhecer as (poucas) ideias adversárias para combatê-las.

Gary North é Ph.D. em História, ex-membro adjunto do Mises Institute. Em pesquisa sobre Capitalismo de Livre Mercado, encontrei um artigo dele no site Mises Brasil, postado em 3 de abril de 2017.

Ele parte do pressuposto ideológico de que, no capitalismo de livre mercado, “quem sempre ganha é o consumidor”. Diz sem pudor que “o objetivo do capitalismo é melhorar a vida do consumidor, e não do empregado ou do empregador”. Não é para rir?! A exploração dos trabalhadores no processo de produção de bens e serviços e dos consumidores no processo de comercialização, para maximização de lucros, é abstraída?!

Seu argumento é que “as empresas se engalfinham em uma brutal guerra de preços”. ‘Tadinhas… Carteis, oligopólios, monopólios, tudo isso é visto como “falhas de mercado”. O Mercado deveria funcionar no mundo real como somente funciona no mundo idealizado em sua mente ideológica. Continue reading “Pensamento Ultraliberal da Escola Austríaca: Capitalismo de Livre Mercado”