Esquerda Democrática Pós-Marxista

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A esquerda ainda paga o preço político do totalitarismo na experiência do Socialismo Realmente Existente. Foi apenas fruto das circunstâncias históricas ou o “ovo da serpente” foi chocado a partir de Karl Marx e Friedrich Engels quando diagnosticaram, em O Manifesto Comunista (1848), que “a história de toda a sociedade até o presente é a história da luta de classes”?

Esta visão era historicamente falsa. A história humana tinha se definido até então pela predominância do regime de escravidão imposta pela casta dos guerreiros e aristocratas governantes em favor da casta dos comerciantes. A casta dos sábios-sacerdotes não se rebelava contra. Também a casta dos trabalhadores artesãos ou artífices não se incomodava, dado seu nicho de mercado de trabalho artesanal.

As alianças entre essas castas, indiferentes aos párias, foram (e são) golpeadas e contra golpeadas toda vez que há a tentativa de uma delas impor seus valores morais sobre as demais. Esse instável jogo de alianças entre castas explica melhor a longa história da humanidade. Vem de tempos remotos – e vai além do capitalismo.

As castas são membros de diversas redes e instituições de poder, cada uma apresentando sua própria cultura e incentivando determinado estilo de vida. Como tipos ideais, empregando o arquétipo de Weber, são úteis para mostrar como nossas ocupações se relacionam com nossos valores.

A profissão e a experiência de trabalho são fundamentais para a formação das atitudes políticas, porém, outros atributos de cada pessoa importam. Éthos é o conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento (instituições, afazeres, etc.) e da cultura (valores, ideias ou crenças), característicos de uma determinada coletividade, época ou região.

Uma esquerda democrática pós-marxista necessita abandonar a ideia primária de ditadura do proletariado. Supostamente, esta superaria a ditadura da classe capitalista e levaria ao reino da abundância. Superada a fase socialista de “a cada qual segundo sua capacidade”, haveria a possibilidade da fase comunista de “a cada qual segundo sua necessidade”.

Essa crença idílica é não científica. Aposta em um determinismo histórico inelutável sob a batuta de um proletariado – aquele agrupamento social miserável que antes só tinha prole – já em extinção. Na tarefa lhe atribuída de ser o sujeito revolucionário, deixou de “não ter nada a perder” e de “ser a classe mais organizada”. Continue reading “Esquerda Democrática Pós-Marxista”

Nacionalismo

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Ao lado da religião, o nacionalismo é uma de nossas mais poderosas fontes de crença. Apela-se para a intensidade do orgulho nacional para justificar a torcida para as seleções esportivas nacionais. Em geral, os patriotas acreditam que o que há de melhor no mundo em matéria de praias, clima, café, comida e “estilo de vida” em geral. Como é possível que uma pessoa queira viver em qualquer outro lugar quando o paraíso na Terra está aqui?!

Embora a lealdade à própria nação seja amplamente difundida entre as pessoas de quase todos os países, pode ser difícil definir que crenças estão envolvidas no nacionalismo como faz Roman Krznaric, autor do livro Sobre A Arte De Viver: Lições da História Para Uma Vida Melhor.

Uma primeira forma de crença é a ideia de que nossa nação é superior às outras em aspectos particulares, como realizações culturais, beleza natural ou proezas esportivas. Cada povo acredita que tem a melhor comida do mundo. Todos têm igual convicção, simplesmente, devido ao hábito alimentar.

George Bernard Shaw reconheceu o absurdo disso tudo ao observar que “patriotismo é sua convicção de que um país é superior a todos os outros porque você nasceu nele”. Continue reading “Nacionalismo”

Como Mudar de Opinião

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Durante a Grande Depressão, o economista John Maynard Keynes mudou suas ideias a respeito de política monetária. Quando criticado por incoerência, perguntou: “Quando os fatos mudam, mudo de opinião. E o senhor, o que faz?”

Método Científico X Método CriacionistaCom que frequência mudamos nossas crenças? Talvez não haja nada mais difícil que isso, em especial porque tantas delas – como as que têm origem no nacionalismo e na religião – são heranças culturais inculcadas durantes nossas impressionáveis infância e juventude. Além disso, nossas crenças podem estar tão entranhadas em nossas psiques que se tornam elementos inconscientes de nossa visão de mundo.

Precisamos compreender o que é necessário para mudar nossas crenças. Teremos de ser confrontados com novos fatos ou talvez com novas experiências ou novos argumentos? Se não soubermos o que altera nossas crenças, ou se estivermos convencidos de que nada poderia mudá-las, corremos o risco de ficarmos na obscuridade do dogma.

Dogma é o ponto fundamental de uma doutrina religiosa, apresentado como certo e indiscutível, cuja verdade se espera que as pessoas aceitem sem questionar. Pode ser visto como qualquer doutrina (filosófica, política, etc.) de caráter indiscutível em função de supostamente ser uma verdade aceita por todos que professam aquele credo. É um princípio estabelecido, uma opinião firmada, um preceito, uma máxima. Qualquer opinião sustentada em fundamentos irracionais e propagada por métodos que também o são pode ser vista como dogmática. Nas religiões, especialmente entre cristãos, doutrina dogmática é a atribuída a uma autoridade acima de qualquer opinião ou dúvida particular que possa ter um crente qualquer… Continue reading “Como Mudar de Opinião”

Crença

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Segundo Roman Krznaric, autor do livro Sobre A Arte De Viver: Lições da História Para Uma Vida Melhor, “nossas crenças são parte essencial do que somos. Poucas pessoas irão abrir mão de suas vidas por elas, mas a maioria tem os valores e princípios segundo os quais aspiramos a viver e que ajudam a definir nossa identidade. Essas crenças são muitas vezes expressões de ensinamentos religiosos ou credos políticos”.

Nossas crenças são uma lente através da qual vemos não só o mundo, como também a nós mesmos. Elas guiam as escolhas que fazemos, mas são, ao mesmo tempo, um padrão contra o qual julgamos nossas ações.

No entanto, poucos de nós praticam a auto subversão das próprias crenças. Só as questionamos muito raramente. Einstein comentou: “o senso comum é a coleção de preconceitos que adquirimos antes dos dezoito anos”…

Não submetemos nossas crenças a exame sistemático. Sócrates nos exortou a não a viver a vida sem questioná-la. Continue reading “Crença”

Empatia de Massa e Mudança Social

Empatia entre pintos

A ideia de empatia tem nítida conotação moral e muitas vezes é associada a “ser bom”. Mas a empatia experiencial sugere que é muito mais interessante expandir nossa mente fazendo intercâmbio para dentro da vida de outras pessoas – e permitindo-lhes ver a nossa. Em vez de perguntar a nós mesmos “Para onde posso ir da próxima vez?”, a pergunta adequada seria: “No lugar de quem posso me colocar da próxima vez?”

empatia entre gatosRoman Krznaric, autor do livro Sobre A Arte De Viver: Lições da História Para Uma Vida Melhor, afirma que “a empatia também é um fenômeno de massa, com o potencial de produzir mudança social básica. Muitas das mudanças mais importantes na história não ocorreram quando houve uma troca de governo, de leis ou sistemas econômicos, mas quando houve um florescimento de empatia coletiva em relação a estranhos que serviu para criar novos tipos de compreensão mútua e construir pontes sobre as divisões sociais”.

Esses momentos do passado são relevantes para a arte de viver. Por que? Porque participar de movimentos empáticos de massa nos ajuda a escapar da camisa de força de nosso individualismo e nos faz sentir conectados a algo maior que nós mesmos. Encontramos sentido e realização na vida não apenas ao perseguir ambições privadas, mas por meio de ação social em que nos juntamos a outros em busca de metas comuns. Continue reading “Empatia de Massa e Mudança Social”

Empatia

Resiliência e Empatia

A empatia é a arte de se pôr no lugar do outro e ver o mundo de sua perspectiva. Ela requer um salto da imaginação, de modo que sejamos capazes de olhar pelos olhos dos outros e compreender as crenças, experiências, esperanças e os medos que moldam suas visões do mundo.

Tecnicamente conhecida como “empatia cognitiva”, não é uma questão de sentir pena de alguém – isso é comiseração ou piedade –, mas de tentar nos transportar para o personagem e a realidade vivida de outrem. Olhar a vida do ponto de vista do outro não só nos permite reconhecer suas dores ou alegrias, mas pode nos estimular a agir em favor dele. Imaginar como é ser uma pessoa diferente da que somos está no cerne de nossa humanidade.

No entanto, a empatia importa não apenas por nos tornar bons, mas por ser boa para nós. Ela tem o poder de:

  1. curar relacionamentos desfeitos,
  2. erodir nossos preconceitos,
  3. expandir nossa curiosidade em relação a estranhos, e
  4. nos fazer repensar nossas ambições.

Em última análise, a empatia cria os vínculos humanos que tornam a vida digna de ser vivida. Desenvolver nossa empatia é essencial para o bem-estar pessoal. O especialista em Economia da Felicidade, Richard Layard, defende “o cultivo deliberado do instinto primitivo da empatia” porque “se você se importa mais com os outros que consigo mesmo, tem maior probabilidade de ser feliz”. Continue reading “Empatia”

Vida Simples

A vida é simples

A história da vida simples, na sociedade consumista norte-americana, passou pelas comunas hippies dos anos 1960, seguidas pela ascensão do movimento anticonsumista ecologicamente consciente dos anos 1970, cujo objetivo era “obter o máximo de bem-estar com o mínimo de consumo”. A filosofia da “simplicidade voluntária” promovia o consumo consciencioso em vez do consumo conspícuo e uma vida exteriormente simples, internamente rica. Mas será que nós do século XXI podemos viver uma vida boa sem tirar a carteira do bolso a todo instante?

Essa é a pergunta-chave que Roman Krznaric, autor do livro Sobre A Arte De Viver: Lições da História Para Uma Vida Melhor, se coloca. O ponto de partida mais prático é reduzir o consumo cotidiano. Comprar a maior parte de nossas roupas em segunda mão em bazares de caridade ou brechós. Utensílios de cozinha, utilidades domésticas diversas e mesmo carros só usados, especialmente, comprados de “família viaja e vende tudo”. Cultivar em horta comunitária, apoiar produtores locais e raramente comer em restaurantes, preferindo reunir pessoas em volta da mesa de casa.

Casa com beleza rústica com móveis feitos de madeira reaproveitada é possível de ser construída e habitada. Recolher sem constrangimento bens doados por pessoas que não os querem mais — é possível descobri-los, navegando em certos sites da internet. Morar em habitação cooperativa administrada por locatários é uma alternativa.

Radicalizando, alguns ecologicamente corretos só usam software de código aberto gratuito. Utilizam só bicicleta e transporte público. O passeio preferido é excursão a pé em um parque acessível…

A meta é nunca trabalhar mais de 24 horas por semana! A principal questão financeira da vida não seria “quanto dinheiro eu gostaria de ganhar”, mas sim “qual é o mínimo de dinheiro que necessito para viver?” Continue reading “Vida Simples”