Política e Planejamento Econômico: Baixe o Livro

Vivemos um período tão excepcional na história econômica do Brasil a ponto de merecer um registro digital para os estudarmos, analiticamente, mais adiante. Teremos então um necessário distanciamento histórico, para o tratarmos de maneira racional – e não tão emocional, como agora, quando vivemos o luto da morte de mais de ½ milhão de brasileiros e mais de 4 milhões de seres humanos no planeta.

Mas “no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Carlos Drummond de Andrade nos inspira, isto é, à geração de “pedras rolantes”. Temos de remover mais uma “pedra” do caminho, mais uma ameaça de golpe de Estado no Brasil.

Lapis volvens nihil musci”. Curiosidade etimológica: o significado de “lápis”, em latim, é pedra, e daí vem lápide, lapidação.

Há duas possíveis mensagens no provérbio em latim.

Primeira, a pessoa não se firma em um ponto, não se estabiliza.

Segunda, a pessoa ao se mover, não cria amarras, se renova constantemente.

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Socialismo: Baixe a Cartilha

Gosto de estudar lendo a Wikipedia, a enciclopédia livre onde todos podem editar. Encontram-se nela 1.069.109 artigos em português, sob contribuição de 9.469 editores ativos.

É considerada já a maior enciclopédia da História da Humanidade ao ultrapassar a dimensão da chinesa. O imperador chinês Yongle, da dinastia Ming, além de suas conquistas militares, era um intelectual com gosto pela leitura.

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Conduzir para não ser Conduzido

Para dar fundamentos à minha crítica da literatura de denúncia da “financeirização”, reuni uma coletânea de estudos sobre Finanças em um livro digital, cujo título é o deste artigo. Aqui, desejo analisar por qual razão misteriosa essa ideia me ocorre quando leio essa denúncia, recorrentemente realizada por meus companheiros esquerdistas. 

Non Ducor Duco é uma expressão em latim com significado de “não sou conduzido, conduzo”. O lema está presente no brasão da cidade de São Paulo.

Penso: é necessária a Educação Financeira para entender – e usar em próprio proveito – esse fenômeno típico de uma fase do ciclo de endividamento, quando a taxa de acumulação de riqueza financeira se descola da taxa de crescimento da renda. Em geral, ocorre durante a fase de desalavancagem financeira, depois de uma expansão-boom-crash-depressão. 

Passada aquela, estamos vivenciando a fase de “empurrar corda”, quando a política monetária fica inoperante. Quando o investimento público produtivo arrastar os gastos privados, virá a normalização. Conduziremos em vez de sermos conduzidos

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Crítica à Ideia de “Financeirização”

A “financeirização” é definida, por autores denunciantes do pressuposto fenômeno, como “um padrão sistêmico de acumulação de riqueza, correspondente a uma certa etapa histórica do capitalismo”. Nela, o capital financeiro constitui a forma de capital preponderante, exercendo dominância financeira sobre as variáveis econômicas.

Pressuposto é o que se supõe antecipadamente. É aquilo imaginado ou pensado sobre determinada situação antes de ter conhecimento profundo sobre ela. Não pode ser apresentado como indiscutível para o ouvinte, não permitindo contestações ao falante.

A “financeirização” é uma ideia possível de ser presumida, mas não é verdadeira. Sempre a lógica financeira racionalizou todas as decisões econômicas porque levam em conta o custo de oportunidade: o deixado de ganhar ao optar por um em lugar de outro.

Ou trazer a valor presente os estimados fluxos de renda futuros de investimentos alternativos para decidir por qual deles optar. Ou diversificar as formas de manutenção de riqueza em ativos para compensar eventuais perdas com ganho. Ou acompanhar um valor médio ponderado de mercado ao invés de tentar superá-lo sistematicamente.

Todas essas ideias brotam de uma racionalidade econômico-financeira. Mas as Finanças Comportamentais demonstram elas nem sempre serem usadas em situações de stress emocional em tomadas de decisões.

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Conduzir para não ser Conduzido: Crítica à Ideia de “Financeirização”

Reuni, em uma coletânea de estudos sobre Finanças, uma série de Textos para Discussão do IE-UNICAMP de minha autoria, publicados há mais de uma década. Além desse material, talvez desconhecido pelos leitores atuais, apresentei outros artigos-resenhas e reflexões recentes, críticas à literatura de denúncia da “financeirização”. 

No primeiro capítulo, fiz uma abordagem da Economia Normativa Religiosa – “o que deveria ser” de acordo com o Catolicismo Anti-Usura, o Protestantismo Ascético e as Finanças Islâmicas. O conceito de “poupança” tinha sido abandonado por nós, classificados como “economistas heterodoxos”, até se registrar, de fato, um corte de gastos em consumo, durante a pandemia, quando a taxa de juro real estava “zerada”. 

Antes, esse conceito era apropriado apenas à abstração teórica do capitalismo liberal de mercado. Os autores neoclássicos o idealizaram. Na realidade concreta, era substituído pelo conceito de funding, adotado por economistas pós-keynesianos, devido a ele ser mais adequado ao entendimento da economia de endividamento contemporânea. Crédito é mais relevante, para o crescimento da renda e do emprego, em lugar de poupança.

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Clivagens Políticas e Desigualdades Sociais

Uma equipe internacional de cerca de cinquenta pesquisadores estudou os casos, em cinquenta democracias, de comportamento eleitoral em função da renda, herança, nível de educação, origens étnicas e religião. Pela primeira vez a questão é abordada de forma tão sistemática em um período tão longo (1948-2020). 

A hipótese testada e defendida no livro “Clivages Politique Et Social Inequalities”, (editado por Amory Gethin, Clara Martínez-Toledano e Thomas Piketty, Seuil; abril de 2021) é no Ocidente desenvolvido (Estados Unidos e Europa), a estruturação do voto por classe social ter desaparecido. Nesse processo, a esquerda teria se tornado a opção preferencial dos graduados em Ensino Superior.

Baixe um resumo com extratos traduzidos com clique em:

Thomas Piketty e outros. Clivagens Políticas e Desigualdades Sociais Continuar a ler

Democracia e Politização da Desigualdade no Brasil: 1989-2018

Download do Capítulo:

GETHIN e MORGAN. Democracia e Politização da Desigualdade no Brasil: 1989-2018

Uma equipe internacional com cerca de cinquenta pesquisadores começou a estudar o comportamento eleitoral em função da renda, herança, nível de educação, origens étnicas e religião (“Clivages politique et social inequalities”, editado por Amory Gethin, Clara Martínez-Toledano e Thomas Piketty, Seuil, abril 2021). Pela primeira vez a questão é abordada de forma tão sistemática, em um período tão longo (1948-2020) e em cinquenta democracias.

No Ocidente, a estruturação do voto por classe social desapareceu. Nesse processo, a esquerda tornou-se a opção dos graduados em Ensino Superior. Por isso, o economista Thomas Piketty a chama de “a esquerda brâmane” como referência à casta dos sábios.

O Brasil é um caso à parte, estudado no capítulo 14 do citado livro. Dada sua importância, traduzi o capítulo escrito por Amory  Gethin  &  Marc  Morgan. Eles analisam a transformação das clivagens eleitorais no Brasil desde 1989, usando uma nova montagem de pesquisas eleitorais.

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Finanças Comportamentais para Trabalhadores

Com finalidade didática, traduzi extratos do livro Behavioral Finance for Private Banking, publicado em plena crise financeira de 2008. Sua 2a. Edição foi lançada em 2018.

A 2ª. Edição deste livro se beneficia de percepções de novas áreas de pesquisa, como Finanças Culturais, Neurofinanças e Fintech. Porém, traduzi apenas pequenos extratos mais interessantes para a leitura complementar de meus alunos.

Complementei o aprendizado e a aplicação dos leitores sobre Finanças Comportamentais ao apresentar informações sobre a realidade atual das finanças familiares no Brasil. Para tanto, utilizei da análise comparativa da última Pesquisa de Orçamentos Familiares com as anteriores, realizada pelo meu ex-professor de Econometria no mestrado em Economia na UNICAMP: Rodolfo Hoffmann. 

Ele e a coautora Daniela Verzola Vaz deram especial ênfase à contribuição das parcelas da renda familiar não normalmente investigadas ou cuja estimação depende de aproximações na PNAD, como a renda não monetária, a variação patrimonial, as aposentadorias e pensões de funcionários públicos e as transferências de programas sociais federais. Conhecer a contribuição desses componentes para a desigualdade da renda pode amparar os professores de Educação Financeira para ajudar a elaboração de planos de mobilidade social para seus alunos: os trabalhadores brasileiros.

Fernando Nogueira da Costa – Finanças Comportamentais para Trabalhadores.

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Castas e Párias

Com finalidade educacional, fiz uma tradução de extratos de um livro publicado no ano passado, nos EUA, sobre Castas [Caste], indicado na resposta a uma pergunta feita por mim à Lilia Schwarz: devemos rever a história do Brasil à luz das castas? Ela concordou. Fiz isso em Fernando Nogueira da Costa – Complexidade Brasileira: Abordagem Multidisciplinar. Sugiro a leitura do livro de autoria Isabel Wilkerson, cujas ideias centrais são resumidas abaixo, pois ele faz pensar a mistura entre sistema de castas e racismo, lá e aqui.

Fernando Nogueira da Costa. Castas e Párias. Blog Cidadania & Cultura. março de 2021

Coloquei como conclusão meu resumo do debate com outros textos contemporâneos, apresentados na coletânea, sobre políticas públicas para a superação da pobreza. Compartilho abaixo o artigo-resenha (publicado no dia 23/03/21 no GGN).

Esse foi o gesto racista, realizado pelo assessor internacional de Bolsonaro, Filipe Martins, durante audiência do chanceler Araújo no Senado Federal. É crime de racismo propagandear esse símbolo de intolerância supremacista branca da extrema direita nos Estados Unidos e no mundo.

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Cartilha de Finanças Pessoais

Neste semestre letivo, 80 alunos matricularam na disciplina eletiva oferecida por mim para os alunos da graduação do IE-UNICAMP. Ela é intitulada Finanças Comportamentais Para Planejamento Financeiro Pessoal.

Sua ementa busca propiciar Educação Financeira. Na primeira parte, analisa as evidências empíricas brasileiras sobre distribuição das rendas do trabalho, do capital produtivo, do capital financeiro, do capital imobiliário, além da concentração da riqueza no Brasil. Na segunda parte, apresenta o neuromarketing e as prevenções contra impulsos emocionais para consumir, as neurofinanças ou psicologia dos investidores, as finanças comportamentais. Na última parte, ensina o planejamento financeiro da vida pessoal e/ou familiar, o planejamento financeiro da aposentadoria, e conclui com o debate sobre economia da felicidade ou da boa vida.

Coloco à disposição de todos interessados um guia-didático (ou “livro-texto”) para o seguir:

Fernando Nogueira da Costa. Cartilha de Finanças Pessoais. Blog Cidadania & Cultura; março de 2021

O grande diferencial em relação à literatura de auto-ajuda financeira, encontrada nas livrarias (e com preços bem cobrados), além da vantagem de eu o colocar para download de graça, é seu método científico. Não apela para a motivação emocional, mas sim para fatos e dados para cada leitor refletir, racional e objetivamente, sobre o planejamento de sua vida financeira futura.

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Por Uma Teoria Alternativa da Moeda

O monopólio da emissão de moeda nacional é, junto com o das armas, sustentáculo da soberania do Estado sobre seu território. Ambos monopólios estatais reúnem o poder econômico e o poder militar. 

A casta dos mercadores e a casta dos guerreiros-militares, desde o passado, se aliam para configurar uma oligarquia governante. Com a emergência da organização dos trabalhadores assalariados, seja sindical, seja partidária, e depois a formação de uma massa de trabalhadores intelectuais universitários, há a divulgação de ideias socialistas contra o capitalismo explorador da força do trabalho. 

A socialdemocracia europeia, após a II Guerra, e a norte-americana, no New Deal, após a Grande Depressão dos anos 30, foi reformista e civilizadora. Com um Estado de Bem-Estar Social obteve os melhores Índices de Desenvolvimento Humano. Aqui, no Brasil, o social-desenvolvimentismo (2003-2014) teve de se contrapor ao neoliberalismo da socialdemocracia à brasileira, projeto só de intelectuais, sem trabalhadores.

No mundo das ideias, sempre houve questionamento de ideias, mesmo feito no ostracismo, durante os estados-de-guerra ou de emergência, sob regimes tirânicos. por Meios de comunicação midiáticos costumam sabotar a divulgação das ideias de vanguarda, críticas ao pensamento dominante. Mas, de tempos em tempos, elas emergem e chegam à opinião especializada bem-formada.

Daí a tarefa da inteligência é sua divulgação didática para a formação da opinião pública. Pratica um debate plural, onde cada participante se posiciona com base em sua razão. 

Na Espanha da ditadura fascista de Franco havia uma figura ressentida por ser um militar mutilado, José Millán-Astray, cujo lema era “Viva la Muerte!” Além de celebrar a morte, condenava a razão. Clamou: “Abaixo a inteligência, viva a morte!”. Parece o capitão…

A inteligência está do lado da academia do saber, a truculência está do lado da academia militar e fisiológica. Parece haver uma relação inversamente proporcional entre músculo e cérebro! Os “bombados” estão do lado da morte! Estamos, pelo contrário, do lado da vida!

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História dos Bancos até 1837

Quinze séculos depois de a China ter inventado o papel-moeda, a natureza do dinheiro está novamente mudando de maneira fundamental. Naquela época, na dinastia Tang (ano 618 a 907), o papel-moeda era pouco mais além de uma Nota Promissória.

yuan digital está sendo lançado. Ele não é apenas um meio de troca e uma unidade de conta. Com a ambição de se tornar uma reserva de valor, em uma economia em transformação para se tornar a maior potência mundial, é uma defesa contra a invasão de moedas digitais estrangeiras, emitidas por big-techsprivadas, como o diem (ex-libra) do grupo liderado pelo Facebook. A mídia pró-livre mercado e contra o Estado nacional critica o e-yuan como fosse apenas uma ferramenta para facilitar a vigilância em massa sobre a população chinesa.

A leitura do livro clássico, Fernando Nogueira da Costa – Tradução Comentada do livro de Richard Hildreth. História dos Bancos. março de 2021. (clique para download) dá uma perspectiva histórica para entender o debate sobre a Free Banking Era e as moedas privadas, ocorrido desde o século XIX, quando se experimentava os primeiros passos para a constituição de um verdadeiro Estado nacional. Este daria suporte à sua soberania – e não se submeteria a O Mercado – com apoio em dois pilares: 

1.         monopólio das armas; 

2.         monopólio da emissão da moeda nacional oficial. 

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