Pianistas de Jazz

“Os pianistas de jazz contemporâneo estão na linha direta de Franz Liszt, o inventor do recital de piano solo clássico, em meados do século XIX. Antes dele, Mozart e Beethoven, na passagem dos séculos XVIII-XIX, eram eméritos improvisadores e embasbacavam as nobre platéias vienenses com suas habilidades extraordinárias. Mas Liszt foi mais longe. O dublê de compositor-pianista encarava grandes platéias sem anunciar o que iria tocar” (João Marcos Coelho, Valor Eu&Fim de Semana, 01/04/11). Ao ler isso, inspirei-me para fazer pesquisa no YouTube. Vejam e escutem o resultado dos clássicos para sempre, pois serão pianistas de jazz apreciados por gerações futuras.

Keith Jarrett The Koln Concert

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Elogio à Beleza

Miguel Amaral envia duas sugestões do que considera “o elogio da beleza”. Diz que “uma beleza é produto da natureza, a outra beleza é fruto da nossa imaginação”. No meio de tanta beleza, ocorreu-lhe o seguinte pensamento: “a beleza pode ser sempre reforçada por outra beleza, neste caso, a beleza das imagens pode ser reforçada pela beleza da melodia”. Disse-me: “Fernando, creio que todos deveríamos ter direito a 6 minutos para apreciar a beleza. Enfim, pode parecer uma futilidade, principalmente, quando carecemos de tantas coisas”.

Na realidade, nossa motivação para viver é apreciar a beleza! Quando ela deixar de existir, o que nos restará?!

Dustin O’Halloran Opus 23 video

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CEM: Confraria Etílico Musical (Epílogo)

Listei meus dez rocks preferidos (A Day in the Life, You Can’t Get What You Want, Feel So Good, Light My Fire, It Hurts Me Too, The Sound of Silence, See Me Feel Me, Atom Heart Mother, Stairway to Heaven, Dead Babies / Killer),  mas como acabou essa estória pessoal-musical? Em tom muito etílico e pouco musical?

Bem, no dia de minha apresentação de rock, virou festa! As moças, sem respeitarem a liturgia do momento, seduziram os rapazes para dançar, enquanto eu bancava o catedrático do rock… Não foi difícil, com o teor etílico dos membros da Confraria, todo mundo perder a compostura.

Mas eu estava preparado para o bis! Aqueles dez rocks iniciais eram todos com faixa longa de mais de dez minutos, que não se tocava em radio. Talvez eu os tenha escolhido, justamente, para demonstrar o conteúdo artístico do rock para quem não o apreciava, no fundo, porque o desconhecia. Achava que a musiquinha pop ou mesmo a discoteca bate-estaca eram rock. Esse desconhecimento constituía suprema ofensa para respeitável roqueiro! Que analfabetismo musical por parte de doutores em Economia…

Assim, prosseguindo a “profunda reflexão” a respeito do tema, passei a colocar os rocks de minha lista de “vinte mais” para tocar. Mas como eu poderia me lembrar no meio da festa? Simples, bastou relembrar o envolvimento afetivo (não necessariamente efetivo) com alguma amiga, quando cada música me chamou a atenção. E aí foi só renomear, mentalmente, a música. [Nick Hornby teve a mesma inspiração / insight em Londres anos depois.] Por exemplo, dez rocks inesquecíveis, entre os anos 70 e os 80, foram os seguintes.

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CEM: Dead Babies – Killer

O nome Alice Cooper foi inspirado quando Vincent Furnier e companheiros de sua banda assistiam ao filme “O que teria acontecido à Baby Jane?”. Após um acidente de carro, o grupo quase morre e resolve então mudar seu nome para Alice Cooper. A carreira do grupo começou a decolar com a grande ajuda do produtor Bob Ezrin. Alice, nome adotado por Vincent, bem auxiliado pelo produtor, começa a partir do álbum Killer, em 1971, para além de cantar, fazer performances diabólicas nas apresentações, abusando dos efeitos de horror, com cobra, sangue e cenas teatrais. O sucesso definitivo chegou com os clássicos Love It to Death (1971) e mais ainda com School’s Out (1972), seguidos por Billion Dollar Babies (1973).

School’s Out é outro clássico do Alice Cooper.

Embora ela seja boa “prá botá os bichos prá fora”, prefiro Dead Babies – Killer, em sequência, que era com eu as escutava no disco vinil Killer, em 1971, quando comecei a estudar Economia. Talvez fosse para desabafar minha raiva… Essa sequência eu coloquei, em alto volume, para meus colegas economistas da Confraria Etílico Musical (CEM) escutarem e, principalmente, sentirem o clima aterrorizante transmitido pelas músicas.

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CEM: Stairway to Heaven

Cerca de 25 milhões de pessoas já ouviram esta canção, em Versão Studio, no YouTube, sendo considerada por muitos roqueiros como The Best Song of History! Pelo sucesso de público seria fácil justificar para meus colegas da Confraria Etílico Musical (CEM) porque a coloquei entre minhas “dez mais”. Mas não bastaria, intelectual só aceitaria caso fosse sucesso de crítica! Música-cabeça!

Não foi escolha fácil para mim. Tinha de escolher só uma música do Led Zeppelin. Já contei, neste blog (Trilha dos Anos 70), “quando a cabeça não agüentava mais, eu colocava duas caixas de som, cada uma ao lado de um ouvido, pois ainda não existia headphone, e tocava Led Zeppelin com o volume no máximo que a vizinhança aguentasse!”. Essa musicoterapia era Whole Lotta Love em sua versão completa com todos os solos de guitarra de Jimmy Page e bateria de John Bonham, o baixo de John Paul Jones pulsando por trás e os gritos de Robert Plant. Portanto, esta fazia minha cabeça!

A sonoridade de Stairway to Heaven sempre atinge meu lado emocional. Em momentos melancólicos, é tiro-e-queda!

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CEM: Atom Heart Mother

Parte I

Parte II

Parte III

Sobre a Trilha dos Anos 70 escrevi o seguinte. “Viajandão? O sonho acabou, quem não dormiu no sleep-bag não sonhou! Rock progressivo ‘pra a cabeça, não pra dançar’. Olhava-se estrelas, porque aqui em baixo a coisa estava preta! Abria-se reunião ‘clandestina’ do Diretório Acadêmico com Pink Floyd”…

Pois bem, confesso, espontaneamente, essa trilha era Atom Heart Mother do “disco da vaca”! A gente a escutava, enquanto aguardava o início da reunião, a todo volume! Ninguém da “repressão” acharia que ali, no Diretório da FAFICH-UFMG, em 1972, se estaria discutindo A História da Revolução Russa de autoria de Leon Trotsky… Os stalinistas também não se aproximavam, pois achavam que era a “turma do desbunde”. Nós nos achávamos internacionalistas!

Escutava-a também sob as estrelas, na fazenda do meu avô, quando minha turma ficava estirada no gramado em frente à casa, tomando uísque (nacional) e comendo batata frita. No máximo volume, imaginávamos qual seria o efeito daquela música do “disco da vaca holandesa” sobre o leite de suas “primas tupiniquins” que deviam estar escutando-a no curral ali perto.

Portanto, com toda essa lembrança, foi inevitável escolhê-la como um dos meus rocks preferidos. Resumi essa sensação para despertar os sentimentos dos meus colegas da CEM – Confraria Etílico Musical.

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CEM: See Me Feel Me

See me, feel me, touch me, heal me! Quando assisti a montagem do diretor de Woodstock (1969) com a apresentação de The Who, vários quadros em simultâneo, Roger Daltrey rodando o fio do microfone, Keith Moon batendo loucamente com as baquetas, o baixo de John Entwistle pulsando, e Peter Townshend girando seu braço na guitarra a la hélice de helicoptero, saltos surpreendentes, tudo em alto volume na sala de cinema, fiquei em êxtase: era tudo aquilo que eu mais queria na minha adolescência: ser visto, ser sentido, ser tocado, ser curado!

Corri atrás, para saber o que era aquilo! Tinha poucas informações, na época, para um jovem que morava em Belo Horizonte e nunca tinha viajado para o exterior. Não é igual a hoje, que bastam alguns cliques na Wikipedia. Mas, garimpando aqui e ali, consegui descobrir o que era a ópera-rock lançada por The Who. Até que comprei o album duplo, escutei-o milhares de vezes, e, alguns anos depois, em 1976, consegui dar alguma interpretação ao filme Tommy, a Ópera-Rock, que ninguém tinha entendido, para alguns colegas do Mestrado. Foi também o que fiz para os colegas da  Confraria Etílico Musical (CEM).

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