Cidadão Instigado

Cidadão Instigado - Fortaleza

Gosto da banda de rock “Cidadão Instigado“, pois mistura sonoridades da minha juventude. Terminada a temporada de shows do disco prévio, “Uhuuu!” (2009), metade da banda formou o projeto The Mockers, um tributo aos Beatles dedicado às canções que John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr nunca tocaram ao vivo. Mais tarde, o Cidadão completo excursionou tocando o álbum “The Dark Side of the Moon” (1973), obra-prima do Pink Floyd, na íntegra.

Fortaleza” (a faixa-título) é uma homenagem à cidade-berço do grupo. Catatau relembra com nostalgia sua infância e juventude, quando caminhava pelos calçadões “vendo o povo nas ruas”, antes de lamentar um amargo reencontro com a cidade — toda transformada e desigual. Musicalmente, a faixa é um híbrido de baião e hard rock setentista. O ex-Legião Urbana Dado Villa-Lobos participa com violões.

A bagagem “floydiana” é bem sentida na abertura “Até que Enfim“, cheia de progressões e “synths” que parecem saídos de “Wish You Were Here” (1975), do Pink Floyd. “Ficção Científica“, por sua vez, refina as lições aprendidas no The Mockers, juntando riffs a George Harrison e coros rebuscados sob um pungente “groove”.

Nem tudo é Beatles e Pink Floyd. “Dizem que Sou Louco por Você” cruza Led Zeppelin e Odair José. “Land of Light“, rara faixa em inglês do grupo, viaja pelo blues em clima de mantra hippie. É uma parceria de Catatau com o ex-Los Hermanos Rodrigo Amarante.

Fortaleza” encontra-se apenas em formato digital, disponível para download gratuito no site da banda: http://www.cidadaoinstigado.com.br/.

Indústria da Música

Mercado de música

Daniele Madureira (Valor, 05/11/13) inicia sua matéria citando Niestzche. “Aquilo que não me mata, me fortalece” – a frase do filósofo alemão Friedrich Nietzche tem sido tão repetida desde o fim do século XIX que virou lugar comum, aplicável a qualquer situação. Em poucos casos, porém, seu uso parece tão apropriado como para descrever a situação atual na indústria da música.

No início da década passada, gravadoras e artistas começaram a ficar aterrorizados com a possibilidade de que a troca de música via internet, por meio de arquivos digitais, enterrasse seu negócio. O temor se revelaria justificado. Em 13 anos, a receita do setor no Brasil foi reduzida de US$ 1,3 bilhão – recorde estabelecido em 1999 – a um quinto desse valor no ano passado, ou US$ 257 milhões. A boa notícia é que em 2012 as vendas mundiais de música cresceram pela primeira vez em mais de uma década, numa reversão iniciada um ano antes no Brasil. E qual o nome do salvador da pátria? A internet.

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Lançamentos Musicais de 2013

Bruno Souto - Estado de Nuvem

Estado de Nuvem – Bruno Souto (download gratuito em www.brunosouto.com)

Conversa puxa conversa, lista puxa lista: 10 Melhores Filmes de 2013 e Resenhas de Livros Lidos em 2013. Desta feita, para completar o trio — “Amor salva o dia, Música, Filme e Livro salvam a vida” — vamos listar Lançamentos Musicais de 2013. É bom conhecer as novidades: muitos lançamentos são de estreantes. Geralmente, “o primeiro disco a gente não esquece”… E se ele tiver feito sucesso de público, torna-se uma armadilha de repetição difícil de escapar quando se vai gravar o segundo disco. Por isso, gosto sempre de escutar as estreias musicais!

A ordem é aleatória. Tentei manter os links para baixar (download), encontrados em blogs musicais aos quais agradeço a divulgação cultural gratuita.

Links para Download de Nova MPB: Bruno Souto e Cícero

Sábado

Marcelo Ferla (FSP, 24/09/13) avalia que “há uma nova leva de cantores e compositores de música pop no Brasil. Não fazem MPB tradicional, nem um som demasiadamente regional, muito menos pasteurizado. Não vêm de bandas de rock de sucesso, nem transitam pela MPB revivalista. Sem a pressão da indústria, têm autonomia para conectar diversos estilos. Soam cosmopolitas, mesmo que venham de rincões distantes. Incluem elementos roqueiros em suas sonoridade, e aumentam à medida em que as bandas de rock somem.

Artistas como SILVA, Pélico, Thiago Pethit, Curumin, Fabio Góes, Leo Cavalcanti, Marcelo Jeneci, Tiago Iorc, Saulo Duarte, Wado, mesmo com intenções diversas e idades variadas, têm em comum traços de romantismo e intimismo, características potencializadas pelo individualismo da era 2.0. E que impulsionam as carreiras solo.

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O Neurótico e As Histéricas

Meu colega Cláudio Dedecca enviou-me o link e perguntou-me: Já viu? Conhece? Gosta?

Eu (FNC) não tinha visto, conheci e gostei!

Eu já gostava do Arrigo Barnabé, desde o disco Clara Crocodilo, lançado em 1980, precursor da Lira Paulistana. Era muito vanguarda na época.

Depois de investir no universo melancólico do compositor Lupicínio Rodrigues com o show-DVD “Caixa de ódio“, Arrigo Barnabé se debruça sobre a obra de Hermelino Neder. Nesse novo trabalho, Arrigo se une a uma ótima banda formada apenas por mulheres, com Mônica Agena (guitarra), Maria Beraldo Bastos (clarinete), Ana Karina Sebastião (baixo) e Mariá Portugal (bateria), todas elas dividindo os delicados vocais com Arrigo. Vale conferir!

A Linguagem Musical É Suficiente…

Dica de amigo (economista): a Livraria Cultura está vendendo o DVD “A Música Segundo Tom Jobim” com 30% de desconto! A obra-prima, editada por Nelson Pereira dos Santos, nos mostra as canções de Antonio Carlos Jobim, “um dos gênios da etnia tropicalizada, antropófaga e miscigenada“, interpretadas por dezenas de artistas, cantores e músicos, bandas de jazz e orquestras sinfônicas, no Brasil e no Mundo. Ela nos antecipa, gerações antes, como o nosso maestro Brasileiro será um compositor clássico para gerações posteriores à nossa morte!

Se não, veja e se emocione com o documentário acima. Mas não deixe de tê-lo. Afinal, são menos do que três meses de aumento das passagens de ônibus… Ui, essa foi mau, não? Disculpi-mi… 

Tribunal do Feicebuqui (Intolerância de Internautas)

tom zé coca cola

Kiko Nogueira (Diario do Centro do Mundo) noticia que “Tom Zé, um tropicalista original que foi esquecido pelos demais tropicalistas originais, dá um duro para se manter. Além dos shows e discos, trabalha como jardineiro (é muito querido, aliás, pelos moradores de um prédio nas Perdizes, em São Paulo). A indústria fonográfica sofre e, você sabe, ele não é um sertanejo universitário.

Recentemente, faturou 80 mil reais da Coca-Cola pela narração de um comercial da Copa do Mundo. Mas avisou que vai doar o dinheiro para a Sociedade Lítero-Musical 25 de Dezembro de Irará, sua cidade natal, na Bahia. A razão é que seus fãs o acusaram de vendido. Foi xingado nas redes sociais de “mané”, “velho babão”, “bundão”, “príncipe que virou sapo”, “corrompido”, “garotinha ex-tropicalista”, “mentiroso”. Compôs uma canção a respeito desse episódio chamadaTribunal do Feicebuqui. Leia a letra:

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