O que Os Racionais podem ensinar sobre Consumo e Finanças?

No último curso dado por mim em Economia no Cinema, no último ano da graduação do IE-UNICAMP, foi sobre o Brasil. Na última parte, inspirado pelas cinebiografias por décadas e gêneros musicais — Vinicius (50’s), Chico (60’s), Raul Seixas (70’s), Rock Brasília (80’s), Vou Rifar Meu Coração (90’s), Rap e Funk Ostentação (2000’s) –, apresentei um desafio aos grupos de alunos: cada qual pesquisar os temas econômicos contidos nas letras de músicas dos diversos gêneros. Foram geniais as descobertas! Levantaram até Música Caipira de Protesto!

A reportagem abaixo tem tudo a ver com o nosso programa de curso e trabalho de pesquisa sobre Economia na Música. Foi escrita por Giovanna Costantipublicado por CartaCapital em 08/07/2018

A dissonância entre o mercado financeiro e o cotidiano das finanças pessoais incomodava a economista Gabriela Mendes Chaves. No trabalho, o contato era com ativos financeiros que superavam o PIB nacional, mas quando se voltava para o dia-a-dia, via na população um déficit de conhecimento dos conceitos mais básicos de economia.

Com base nas estatísticas e na própria vivência pessoal, ela notou que os negros e negras eram subrepresentados no mundo das finanças. Há dois anos, ela e a contadora Gabriela Gomes se uniram e criaram uma empresa focada no empoderamento financeiro, a NoFront. Ela começou de vez suas atividades em maio deste ano e que terá lançamento oficial neste mês. O público alvo? A comunidade negra das periferias. Continuar a ler

Concurso de Marchinhas Mestre Jonas 2018

Esperando o Metrô” foi a grande vencedora do concurso de marchinhas Mestre Jonas 2018. O resultado foi divulgado no fim da noite de domingo (4) durante evento realizado no Mercado Distrital do Cruzeiro em Belo Horizonte. O segundo lugar ficou com o “Bloco do Torresmo” e, em terceiro, “A Dancinha da Tornozeleira“.

O grande vencedor levou um prêmio de R$ 5.000; o segundo ficou com R$ 3.000; e o terceiro lugar, R$ 1.500. Cerca de 500 pessoas acompanharam o evento da grande final.

“Das dez Marchinhas que estavam na final, 80% falavam de política. Outras duas, abordaram comportamento, como o de homens e mulheres, ao falar do assédio, por exemplo”, disse o organizador do concurso, Kuru Lima.

Apesar disso, ele avalia que as eleições deste ano não exerceram grande influência no tema das músicas. “Há apenas uma marchinha que faz referência a um político que se declarou candidato a presidente (Jair Bolsonaro). As eleições ainda não estão na ordem do dia, pois o cenário ainda é bem nebuloso”, afirma.

Nesta edição, foram inscritas 93 marchinhas, sendo 73 validadas. Em 2017, foram 141 canções inscritas. Lima diz que o volume foi menor neste ano porque o Carnaval é no início do mês, mais perto das férias.

OUÇA AS MARCHINHAS VENCEDORAS:

1ª – Esperando o Metrô

2º – Bloco do Torresmo 

3º – A Dancinha da tornozeleira

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Remix do Golpe: Contragolpe com Marchinhas de Carnaval

Gregório Matos, gentilmente, me enviou versões de vinte marchinhas clássicas — aquelas que todo mundo sabe de cor. São sátiras ao Judiciário, à Lava-Jato, ao Congresso, ao Supremo, à imprensa, aos tucanos, aos americanos, à classe média trouxa que se deixou usar, aos fascistas…

Porque a arte popular pode ser revolucionáriaaté mais que a política.

Nota: sempre que a sílaba tônica mudar de posição em relação à letra original da marchinha, esta será destacada. Por exemplo, no primeiro verso da marchinha Aurora (SE você fosse sincera…), o “Se” é a sílaba tônica. Na paródia, a sílaba tônica passa para a última palavra (“cega”).

AURORA

Se você fosse mesmo CEGA
Ô ô ô ô, Justiça
Sacava o tanto que escorrega
Ô ô ô ô, Justiça

Se você fosse mesmo cega
Ô ô ô ô, Justiça
Sacava o tanto que escorrega
Ô ô ô ô, Justiça

O pobre e o rico você trata diferente
O amigo e o desafeto um você livra o outro prende
Agora não me venha
Dar uma de castiça
Ô ô ô ô, Justiça!

Se você fosse mesmo cega (…)

RETRATO DO VELHO

Bota o retrato do Lula outra vez
Bota no mesmo lugar
Bota o retrato do Lula outra vez
Bota no mesmo lugar
No sorriso do velhinho
A gente volta a sonhar
No sorriso do velhinho
A gente volta a sonhar

Bota o retrato do Lula outra vez
Bota no mesmo lugar
Bota o retrato do Lula outra vez
Bota no mesmo lugar
No sorriso do velhinho
A gente volta a sonhar
No sorriso do velhinho
A gente volta a sonhar

Eu já botei o meu
E tu? Não vais botar?
Eu já enfeitei o meu
E tu? Vais enfeitar?
No sorriso do velhinho
A gente volta a sonhar
No sorriso do velhinho
A gente volta a sonhar

Bota o retrato do Lula outra vez (…)

 

Do Country ao Caipira: Percurso de Conhecimento e Empatia

Fui aluno bolsista, escolhido por concurso e com exigência de mérito para manter a bolsa de estudos, durante minha graduação na FACE-UFMG. Inesquecível foi receber a primeira bolsa e correr à loja para comprar meu primeiro disco: Willy and the Poor Boys, lançado em 1969 pela banda de country rock californiana Creedence Clearwater Revival.

Gostava dessa fusão do rock com a música country, um verdadeiro revival, pois o Rock and Roll, antecedente do rock, tinha nascido de uma combinação do Rhythm and Blues com a música Country and Western, uma fusão evidente no rockabilly dos anos 1950. Anotei, então, meu primeiro (e último) “modelo de economista”: R&R = R&B + C&W. 🙂

Essa paixão pelo rock me despertou o desejo de conhecer suas raízes. Quando o blues rural afrodescendente, em versão urbana com guitarras elétricas, reuniu-se com a música rural dos brancos pobres e/ou cowboys do Oeste, teve início uma revolução nos costumes – e na tolerância étnica. Essa miscigenação resultou em música popular norte-americana tão boa quanto a brasileira, pois ambas compartilharam as mesmas raízes nos ritmos africanos. Continuar a ler