Consciência Negra: Metade dos Alunos de Universidade Pública é Negra

Em 2018, no Brasil, os pretos ou pardos passaram a ser 50,3% dos estudantes de ensino superior da rede pública, porém, como formavam a maioria da população (55,8%), permaneceram sub-representados, por conta das diferenças de dimensões entre faixas etárias universitárias e as outras.

Mas, entre a população preta ou parda de 18 a 24 anos que estudava, o percentual cursando ensino superior aumentou de 2016 (50,5%) para 2018 (55,6%), mas ainda ficou abaixo do percentual de brancos da mesma faixa etária (78,8%).

Nesse mesmo período, o percentual de jovens de 18 a 24 anos pretos ou pardos com menos de 11 anos de estudo e que não frequentava escola caiu de 2016 (30,8%) para 2018 (28,8%). Esse indicador era de 17,4% entre os brancos, em 2018.

No mercado de trabalho, os pretos ou pardos representavam 64,2% da população desocupada e 66,1% da população subutilizada. E, enquanto 34,6% dos trabalhadores brancos estavam em ocupações informais, entre os pretos ou pardos esse percentual era de 47,3%.

O rendimento médio mensal das pessoas brancas ocupadas (R$2.796) foi 73,9% superior ao da população preta ou parda (R$1.608). Os brancos com nível superior completo ganhavam por hora 45% a mais do que os pretos ou pardos com o mesmo nível de instrução.

A desigualdade também estava presente na distribuição de cargos gerenciais, somente 29,9% deles eram exercidos por pessoas pretas ou pardas.

Em relação à distribuição de renda, os pretos ou pardos representavam 75,2% do grupo formado pelos 10% da população com os menores rendimentos e apenas 27,7% dos 10% da população com os maiores rendimentos.

Enquanto 44,5% da população preta ou parda vivia em domicílios com a ausência de pelo menos um serviço de saneamento básico, entre os brancos, esse percentual era de 27,9%.

Pretos ou pardos são mais atingidos pela violência. Em todos os grupos etários, a taxa de homicídios dos pretos ou pardos superou a dos brancos. A taxa de homicídios para pretos ou pardos de 15 a 29 anos chegou a 98,5 em 2017, contra 34,0 para brancos. Para os jovens pretos ou pardos do sexo masculino, a taxa foi 185,0.

Também não há igualdade de cor ou raça na representação política, apenas 24,4% dos deputados federais, 28,9% dos deputados estaduais e 42,1% dos vereadores eleitos eram pretos ou pardos.

Esses dados são do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil. Ele faz uma análise das desigualdades entre brancos e pretos ou pardos ligadas ao trabalho, à distribuição de renda, à moradia, à educação, à violência e à representação política. Acesse a publicação completa e o material de apoio para mais informações:

 

 

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Resistência Partidária contra o Neofascismo Brasileiro

Neste gráfico, o Nexo apresenta como os partidos se posicionam em relação ao governo do capitão. Os dados foram obtidos com a API do Congresso Nacional e vão desde o início da atual legislatura até o dia 22 de outubro de 2019. Para atribuir o posicionamento do governo em determinado assunto, tomamos como base o voto do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo, do PSL de Goiás. Dentre as atribuições do líder está justamente a articulação de bancadas aliadas em votações de interesse do governo.

Depois do próprio PSL, o Novo é o partido que mais se alinha com o governo em suas votações. Ao todo, são 18 siglas com mais de 80% de alinhamento ao governo. Neste grupo estão partidos tradicionais, como PSDB, DEM e MDB, e siglas menores, como Patriotas, Podemos e PMN. Dos partidos de oposição, as siglas que mais se aproximaram do governo foram PDT, PSB e Rede, com mais de 30% de alinhamento. A mais distantes foram o PT, com 11%, PSOL, com 16%, e PCdoB, com 22%.

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Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2019 Ano-Base 2018

Em 2018, cerca de 11,8% dos adolescentes com 15 a 17 anos de idade que estavam entre os 20% da população com os menores rendimentos abandonaram a escola sem concluir o ensino básico, um percentual 8 vezes maior que o desse mesmo grupo etário entre os 20% com maiores rendimentos (1,4%). São informações da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do IBGE.

Cerca de 40,0% da população brasileira com 25 anos ou mais de idade não tinham instrução ou sequer concluíram o ensino fundamental. Considerando-se o analfabetismo entre as pessoas com 15 anos ou mais de idade, o Brasil tem a quinta maior taxa (8,0%) entre 16 países da América Latina, segundo a Unesco. Além disso, 49,0% dos brasileiros com 25 a 64 anos não haviam concluído o ensino médio, o dobro da média dos países analisados pela OCDE neste tema (21,8%).

Em 2018, o percentual de jovens brancos cursando o ensino superior ou que já havia concluído esse nível (36,1%) ainda era quase duas vezes o de pretos ou pardos (18,3%).
Em relação aos países membros da OCDE, o Brasil tem o menor salário inicial anual pago aos docentes do ensino fundamental e médio. E um em cada quatro municípios brasileiros não tinha piso salarial para professores estabelecido por lei municipal.

De 2017 para 2018, houve redução de 26,0% para 25,3% no percentual da população abaixo da linha de pobreza, o equivalente a 1,1 milhão de pessoas saindo dessa condição, considerando-se a linha adotada pelo Banco Mundial: rendimentos inferiores a US$ 5,50 PPC (Paridade de Poder de Compra) por dia. Os 25,3% da população brasileira que estavam abaixo dessa linha de pobreza em 2018 equivalem a 52,5 milhões de pessoas.

Em 2018, a proporção de pessoas abaixo da linha de extrema pobreza do Banco Mundial (rendimentos inferiores a US$ 1,90 PPC por dia), manteve-se no maior patamar da série da PNAD Contínua, iniciada em 2012: 6,5% da população brasileira, ou 13,5 milhões de pessoas.

Em 2018, cerca de 72,7% das pessoas abaixo da linha de pobreza (US$ 5,50 PPC / dia) eram pretas ou pardas. O rendimento médio domiciliar per capita das pessoas de cor ou raça preta ou parda (R$ 934) era quase metade do rendimento das pessoas de cor ou raça branca (R$ 1.846), uma desigualdade que se mantém ao longo da série histórica.

A pobreza também implica em menor acesso aos serviços básicos: 56,2% das pessoas abaixo da linha de pobreza (US$ 5,50 PPC / dia) moravam em domicílios sem esgoto sanitário, enquanto a média da população sem acesso a esse serviço era de 37,2%.

A SIS mostra: o país tem cerca de 10,9 milhões de jovens (15 a 29 anos) nem-nem: não estudavam e não estavam ocupados, o equivalente a 23% das pessoas nesse grupo etário. Esse percentual coloca o Brasil na quinta pior colocação entre 41 países analisados pelo relatório anual da OCDE, cuja média, para esse indicador, é 13,2%.

Em 2018, a taxa de desocupação da população preta ou parda era de 14,1%, contra 9,5% para a população branca. Entre a população ocupada de cor ou raça branca, 34,6% estavam em ocupações informais, enquanto 47,3% da preta ou parda se encontrava nesta situação.

Em 2018, as pessoas pretas ou pardas representavam 53,7% dos ocupados, mas 66% dos subocupados por insuficiência de horas trabalhadas.

Nos rendimentos do trabalho, os 10% dos trabalhadores de rendimentos mais elevados receberam 13 vezes o rendimento médio dos 40% da população ocupada de menores rendimentos. Essa desigualdade foi mais intensa no Piauí (18 vezes) e esteve abaixo de 10 vezes em Santa Catarina, Goiás, Alagoas e Mato Grosso. O material de apoio da SIS 2018 pode ser acessado abaixo:

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Wanderley (por Liszt Vieira)

Eu não o conheci, pessoalmente, mas meu amigo Liszt Vieira fala por mim a seu respeito. Eu sempre admirei sua coragem de se posicionar politicamente.

“Conheci o cientista político e professor Wanderley Guilherme dos Santos como aluno do Curso de Ciências Sociais da UFF, nos idos de 1968. Em plena ditadura, às vésperas do AI-5, muitos professores foram afastados da Faculdade Nacional de Filosofia da UFRJ, onde já imperava a censura, e atravessaram a Baía para dar aula de filosofia, sociologia, ciência política e antropologia em Niterói.

Não me lembro se este era o caso do Wanderley, mas recordo muito bem sua proposta de fazer na UFF uma “guerrilha cultural”, pois lá ainda havia então um espaço de liberdade. Recordo uma reunião de representantes de alunos e professores com o Reitor quando Wanderley citou o linguista Roman Jacobson, que, naquela ocasião, eu não sabia quem era, mas o Reitor visivelmente também não sabia.

Culto, inteligente, brilhante, ficou famoso quando publicou seu livro ‘Quem Vai dar o Golpe no Brasil’ em 1962, dois anos antes do Golpe Militar de 64. Seu conceito de ‘cidadania regulada’ no livro ‘Cidadania e Justiça: a política social na ordem brasileira’ (1979), tornou-se um marco da sociologia brasileira. Publicou inúmeros livros de análise da conjuntura política, tornando-se uma das principais referências da ciência política no Brasil.

Quando fui candidato a deputado federal em 1986, interessado que estava em participar da Constituinte que produziu a Constituição de 1988, em uma das inúmeras reuniões de campanha com as pessoas que me apoiavam, eis que entra na sala o Wanderley, que para mim era vaca sagrada, sentou-se e participou da reunião como qualquer outro militante que ali se encontrava.

A meu pedido, prefaciou a 1ª. edição do meu livro de memórias da luta contra a ditadura militar ‘A Busca – Memórias da Resistência’. No atual momento político de regressão às trevas da irracionalidade – a serviço de um mercado dominado por um capitalismo improdutivo controlado por uma lumpen burguesia, com apoios no aparelho judiciário, nas forças armadas e nas igrejas evangélicas – Wanderley vai fazer muita falta.”

POF 2017-2018

ANA CAROLINA SANTOS, AMANDA ROSSI E RENATA BUONO (piauí; 14out2019) são autores da reportagem abaixo, importante de ser reproduzida para fins didáticos.

 

O fosso entre os gastos das famílias mais pobres e mais ricas no Brasil é enorme. Os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) mostram que o grupo mais pobre das famílias brasileiras tem gasto médio de R$ 1.494 por mês, enquanto o grupo mais rico despende o equivalente a dezoito vezes esse valor (R$ 27.234). Em um mês, o total que uma família mais rica investe em educação é igual a todas as despesas de uma família mais pobre. Os resultados se referem a 2018. O =igualdades desses jornalistas é sobre o consumo das famílias brasileiras. Continuar a ler

Locaute Empresarial para o Golpe em maio de 2016: Caça à Bruxa ou Bode-Expiatório pelo Mau Desempenho Econômico-Financeiro após junho de 2013

Gráfico 1.2.3.1: Indicadores econômico-financeiros

Fonte: Economática e Banco Central do Brasil
Empresas Não-Financeiras
Rentabilidade Índice de cobertura de juros Dívida Líquida / EBITDA
201206 6,4 4,8 2,3
201209 6,0 5,2 2,2
201212 6,4 5,3 2,3
201303 6,0 4,9 2,3
201306 6,6 5,2 2,3
201309 6,4 4,9 2,2
201312 6,3 4,6 2,1
201403 6,2 4,6 2,2
201406 5,9 4,8 2,3
201409 5,4 4,0 2,4
201412 5,8 3,8 2,5
201503 5,2 3,8 2,6
201506 5,2 3,5 2,7
201509 3,9 3,1 3,0
201512 2,5 2,5 3,1
201603 2,2 2,7 3,2
201606 1,2 2,6 3,1
201609 1,5 3,1 2,8
201612 3,2 3,0 2,6
201703 4,0 3,2 2,6
201706 2,5 2,7 2,8
201709 3,0 3,2 2,7
201712 4,2 3,6 2,4
201803 5,1 3,7 2,7
201806 5,4 3,5 2,8
201809 5,3 3,7 2,8
201812 7,1 4,1 2,5
201903 7,4 4,4 2,7
201906 7,3 4,6 2,4

A rentabilidade patrimonial foi obtida pelo quociente entre lucro líquido e patrimônio líquido médio (ROE – Return on Equity).

O índice de cobertura de juros foi obtido pelo quociente entre EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization) e despesa financeira bruta. O indicador EBITDA / Despesas Financeiras mede o grau de cobertura das despesas financeiras pela geração de lucro operacional.

A relação Dívida Líquida / EBITDA representa o grau de fragilidade financeira das empresas não-financeiras. A dívida é líquida quando se desconta dos juros pagos pelo endividamento os juros recebidos por aplicações financeiras. Compara esse fluxo de juros com o fluxo de lucro operacional.

O grau de endividamento pode ser medido pela relação entre o endividamento líquido e o capital próprio. Nesse caso, é uma relação entre estoques ou saldos.

Um boxe do Relatório da Estabilidade Financeira, publicado pelo Banco Central do Brasil em setembro de 2016, apresentou uma breve análise dos indicadores econômico-financeiros das companhias não financeiras de capital aberto. Demonstrava, de modo sintético, os principais efeitos do ambiente econômico na situação financeira dessas empresas.

Lembre-se: em abril de 2013, encerrando a “Cruzada da Dilma”, o Banco Central voltou a elevar os juros de 7,25% aa até 14,25% em junho de 2015. Permaneceu nesse elevado patamar até outubro de 2016. O atraso em abaixá-lo, quando a inflação já caia desde fevereiro, levou ao enriquecimento de muitos, agravando a concentração da riqueza financeira no Brasil.

Do mau desempenho empresarial é possível deduzir a motivação golpista de associações patronais tipo FIESP. A casta dos mercadores, inclusive dos midiáticos, aliou-se, inicialmente, com a casta dos sábios-juristas e sabidos-pastores e a casta dos oligarcas-governantes do Congresso. Em 2018, aliou-se, eleitoralmente, com a casta dos guerreiros-milicianos. Lançou-se contra a aliança socialdemocrata entre a casta dos trabalhadores organizados e a casta dos sábios-intelectuais. De suas perversas alianças vieram o desemprego, a reforma trabalhista e a reforma da Previdência Social com corte de direitos dos trabalhadores, inclusive intelectuais. A ameaça agora é cortar a estabilidade dos servidores públicos, ou seja, da casta dos sábios-tecnocratas. Enquanto esses conflitos de interesses acontece entre as castas brasileiras, os “párias”… sofrem mais ainda.

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POF 2017-2018: Famílias com até R$ 1,9 mil destinam 61,2% de seus gastos à alimentação e habitação

As famílias com rendimento de até dois salários mínimos (R$ 1.908,00) comprometiam uma parte maior de seu orçamento em despesas com alimentação e habitação em relação a aquelas com rendimentos superiores a 25 salários mínimos (R$ 23.850,00). Somados, os dois grupos representavam 61,2% das despesas das famílias com menores rendimentos, sendo 22,0% destinados à alimentação e 39,2% voltados à habitação. Entre aquelas com os rendimentos mais altos, a soma atingia 30,2%, sendo 7,6% com alimentação e 22,6% com habitação.

 

Para as famílias que formam a classe de maiores rendimentos, as despesas com alimentação (R$ 2.061,34) eram mais que o triplo do valor médio do total das famílias do país (R$ 658,23) e mais de seis vezes o valor da classe com rendimentos mais baixos (R$ 328,74).

Além disso, 23,9% das famílias que recebiam até R$1.908,00 contribuíam com apenas 5,5% do valor médio recebido no Brasil. Isso significa que, da média mensal de R$ 5.426,70, apenas R$ 297,18 vêm deste grupo. Já os 2,7% das famílias que recebiam mais de R$ 23.850,00 contribuíam com R$ 1.080,26 para a média global. Dessa forma, este grupo se apropria de quase 20% de todos os valores recebidos pelas famílias. É o que mostra a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, divulgada pelo IBGE em 04/10/2019. 

A pesquisa revela também que alimentação, habitação e transporte comprometiam, em conjunto, 72,2% dos gastos das famílias brasileiras, no que refere ao total das despesas de consumo. Considerando ainda a distribuição das despesas de consumo, no caso das da alimentação, a proporção nos gastos totais da situação rural (23,8%) superou a da urbana (16,9%), bem como as despesas com transporte (20% rural e 17,9% urbano). Educação (4,7%) foi o grupo que apresentou uma participação para as famílias de residência urbana (4,9%) o dobro da observada para aquelas de situação de residência rural (2,3%).

A participação da despesa com alimentação fora do domicílio na área urbana foi de 33,9% no total das despesas com alimentação. Na área rural, chegou a 24,0%, um aumento de 11 pontos percentuais em relação à POF 2002-2003. O valor médio da despesa com alimentação fora do domicílio na área urbana foi 87,1% maior que o da área rural. Já para a alimentação no domicílio, o valor médio da despesa das famílias em áreas urbanas foi 15% maior do que em áreas rurais. Continuar a ler