Decomposição da Inflação

Inércia de preços administrados

Seguindo procedimento adotado em anos anteriores, o boxe do Relatório de Inflação do primeiro trimestre de 2015, elaborado pelo Banco Central do Brasil (BCB), apresenta estimativas da decomposição da taxa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) com base nos modelos de projeção do Banco Central.

São apresentados os resultados da decomposição da inflação no período de 2012 a 2014 com base em uma atualização da metodologia utilizada nos anos anteriores. O procedimento básico utilizado anteriormente é descrito em Freitas, Minella e Riella (2002), “Metodologia de Cálculo da Inércia Inflacionária e dos Efeitos do Choque dos Preços Administrados”, Nota Técnica do Banco Central do Brasil, nº 22. Continuar a ler

Trollagem paga pelo Contribuinte Paulista contra a Dilma e o PT!

Trollagem contra Dilma e PT

A Presidenta Dilma e seu partido, o PT, estão sendo alvos de um tipo de ação que, todos os anos, atinge milhares de vítimas no mundo, com consequências desoladoras. O fenômeno, chamado de trollagem, é praticado por dois tipos de personagens, cujos perfis e motivações permanecem um mistério até agora: os “haters” e os “trolls“.

É difícil estabelecer os limites entre uns e outros, mas os “haters“, ou “odiadores“, seriam mais parecidos com metralhadoras giratórias que disparam contra qualquer coisa de que não gostam. O ataque, feito em tom inflamado, visa a ridicularizar os alvos e seus pontos de vista.

Os “trolls” são diferentes: fazem provocações e afirmações polêmicas para criar dissensão nas redes sociais. A palavra remete aos seres disformes da mitologia nórdica, mas a expressão teria outra origem: pescar com isca, em inglês. A isca é a provocação; o peixe, a confusão. Como para qualquer pescador, quanto maior o peixe, melhor.

A “insuspeita” Folha de S. Paulo (18/04/15), através de Ricardo Mendonça (Editor-adjunto de Política) e Lucas Ferraz,  estampou a manchete

Blogueiro antipetista recebe pagamentos do governo Alckmin

“Advogado que faz propaganda na internet contra Dilma e o PT ganha R$ 70 mil por mês por serviços de comunicação

Empresa de advogado é subcontratada por uma das agências que cuidam da publicidade oficial em São Paulo”

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Desigualdade Inflacionária

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Se for confirmada a mediana das atuais expectativas do mercado para o IPCA, de 8,12% ao fim deste ano, conforme o último boletim Focus do Banco Central (BC), que reúne as estimativas de indicadores econômicos feitas por analistas, significará a maior variação anual do IPCA desde 2003, quando o governo Lula herdou uma taxa de inflação crescente que atingiu 17,5% aa em março. O número impressiona, mas dá poucas pistas sobre como as famílias em cada faixa de renda sentem e lidam com o peso da alta de preços em seus orçamentos.

A média esconde o impacto dos fatores microeconômicos, ou seja, como a dinâmica das categorias de despesas afeta, na prática, os custos de cada perfil de consumo familiar.

Há indicadores específicos, ajustados para medir a inflação em determinadas faixas de rendas, como:

  • o Índice de Preços ao Consumidor Classe 1 (IPC-C1), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que mede a variação de preços para famílias com ganhos até 2,5 salários mínimos, e
  • o Índice do Custo de Vida da Classe Média (ICVM), calculado pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB), que acompanha a inflação de uma cesta de produtos e serviços com maior peso entre as famílias de renda entre 10 e 39 salários mínimos.

Eles mostram ao longo da última década comportamentos muito parecidos ao do IPCA, que tem como referência famílias com rendimentos entre 1 e 40 salários mínimos e, portanto, tem abrangência muito maior (ver quadro acima).

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Caça às Bruxas e Velho Golpismo: Má Educação

Golpistas 12.04.15 Perfil dos golpistas 12.04.15 Velhos e ricos golpistas

O perfil dos manifestantes que foram às ruas, no domingo, nas principais capitais brasileiras, mostra que o golpismo contra a Presidenta Dilma Rousseff não conseguiu extrapolar os limites de classe privilegiada: endinheirada e com diplomas de faculdades de segunda linha. Isso se manifestou, tal como nos estádios da Copa, pela má educação, com violentos discursos de ódio antipetista e cartazes cinicamente “moralistas”. A contrapartida é que a esquerda acha a direita muito burra!

A velha direita é primária, pois se apresenta sem consistência ou grandeza, de maneira mesquinha, superficial, com insuficiente instrução ou capacidade intelectual. É gente com mentalidade limitada, estreita, bronca, que demonstra rudeza, falta de cultura, de sofisticação. Perdeu a vergonha de se mostrar grosseira, rude, primitiva, quando viu que tinha em torno de si a classe média individualista, com pavor do “Estado” — e dos impostos para pagar a segurança pública que exige.

Reúne pessoas que defendem princípios ultraconservadores, contrárias à evolução política ou social. São, essencialmente, antidemocráticas, porque se mostram hostis à democracia que possibilita a ascensão de gente que considera inferior à autoimagem enganadora. Então, opõe-se às ideias voltadas para a transformação da sociedade.

Assim como os presentes na Avenida Paulista, pesquisados pelo Datafolha, o manifestante típico que protestou em Copacabana, na zona sul do Rio, era escolarizado (82,5% tinham ensino superior completo ou incompleto); com renda familiar elevada (52,3% acima da faixa de dez salários mínimos); mais velho (56,8% tinham acima de 45 anos de idade) e morador da zona sul (66,3% dos participantes eram da região mais rica da cidade). Os números são de pesquisa realizada pelo Grupo de Investigação Eleitoral (Giel), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), que entrevistou 280 pessoas, em faixas de horário distintas. A manifestação reuniu 10 mil pessoas segundo a Polícia Militar e 25 mil de acordo com os organizadores.

Para o professor e cientista político Felipe Borba, que coordenou o levantamento, os resultados indicam uma mobilização de “perfil muito definido”, que não atraiu os eleitores de Dilma Rousseff, vencedora da eleição em outubro com 51,5% dos votos válidos. Defendem o “Terceiro Turno” golpista: a campanha eleitoral acabou e eles não perceberam!

Entre os manifestantes, 64,3% votaram em Aécio Neves (PSDB) no primeiro turno e 83,9% escolheram o tucano no segundo turno. “Essa não é a base política do PT. Trata-se de pessoas escolarizadas e com dinheiro, que compõem o perfil do eleitor oposicionista desde 2006. É o cidadão que votou em Aécio (2014), em José Serra (2010) e Geraldo Alckmin (2006)”, afirma Borba.

Por que os ataques ao PT? Ignacio Godinho Delgado — professor de História e Ciência Política na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia-Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (INCT-PPED), doutorado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1999, Visiting Senior Fellow na London School of Economics and Political Science (LSE), entre 2011 e 2012 — mostra que, historicamente, é a repetição de um velho expediente da direita e de seu braço golpista na mídia. Compartilho uma mensagem enviada por ele.

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CARF: Corrupções de O Mercado

CARF

Deflagrada na última semana de março de 2015, a Operação Zelotes, reforçou a necessidade de alterações no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que foi alvo de operação da Polícia Federal para desarticular organizações criminosas que atuavam para manipular o andamento de processos e resultado de julgamentos. Há anos os conselheiros já debatiam como aprimorar o Carf, onde são analisadas autuações em que o Fisco exige o pagamento de valores elevados aos cofres públicos, sendo que em alguns casos era detectada a intenção de burlar o sistema tributário.

A organização criminosa, segundo a Polícia Federal, causou um prejuízo de R$ 6 bilhões ao caixa da União, mas esse número, que supera o valor (R$ 4,4 bilhões) levantado em propinas pela Operação Lava-Jato, representa a “sonegação” de apenas algumas empresas. Pode subir com o julgamento correto de outros casos, chegando a se estimar que alcançaria cerca de R$ 19,5 bilhões. Isso representa quase 1/3 do ajuste fiscalde R$ 66 bilhões pretendido no ano corrente.

Com a investigação pela CPI e pela SRF da Swisleak (fuga de capitais para a Suíça pelo HSBC), talvez o susto dos sonegadores eleve a arrecadação tributária. Falta ainda “fechar a brecha” para os CPFs que pagam impostos como CNPJs….

Investigações apontaram que o esquema formado buscava influenciar e corromper conselheiros com o objetivo de conseguir anular ou diminuir os valores cobrados pelo Fisco. O principal alvo foi negócios como a aquisição de bancos com prejuízos para se aproveitar de créditos tributários e ágios sobre os quais os bancos compradores não pagaram impostos.

Nessas operações, algumas empresas usaram indevidamente, segundo a Receita, valores para amortizar e, assim, diminuir o pagamento de impostos. Grandes empresas do setor bancário e telefônico, além de empreiteiras, estão na lista dos grupos autuados pelo Fisco por supostamente terem tentado fugir da tributação por meio do “uso indevido de ágio”.

Quando os auditores fiscais acreditam que a empresa pagou menos do que deveria, eles fazem uma autuação. Isso pode ser questionado administrativamente, ou seja, fora da Justiça, até chegar ao Carf.

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Dia do Advogado: Entrevista à Advocef

Contra a CorrupçãoA Revista da Advocef (Associação Nacional dos Advogados da Caixa) entrevistou-me, fazendo as seguintes perguntas:

1) Que medidas poderiam ser tomadas para o combate à corrupção?

Chanakya, um mestre de Chandragupta Maurya, fundador do primeiro grande império indiano, entre 320 e 185 a.C., foi autor de um dos primeiros tratados do mundo sobre conquista e manutenção do poder. O Arthashastra, ou “A Ciência da Riqueza”, é um detalhado estudo sobre Administração Pública, Economia Política e Estado. Nele, Chanakya registra que a corrupção era uma praga já conhecida. “Assim como não se pode saber se um peixe está bebendo água de um lago, é impossível saber quando um funcionário do governo está roubando dinheiro.”

Essa praga assola todos os lugares – e em todos os tempos! O desejo desmedido de enriquecimento familiar parece fazer parte da natureza humana…

A impressão popular é que pessoas que obtêm poder político tendem a usá-lo em benefício próprio e não como servidor público. O poder político, mesmo não sendo absoluto, tende a corromper. Este verbo (“corromper”) significa a transformação da personalidade da pessoa alçada à posição de exercer poder sobre os demais cidadãos – que antes desta nomeação eram considerados seus iguais. Continuar a ler

Corrupção, Nomenclatura e Meritocracia

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A primeira causa da corrupção é a falta de educação cívica e ética. Esta carência de idoneidade moral é responsabilidade individual dos corruptores e dos corruptos, portanto, pessoal e intransferível. Os que não tem autocontrole em sua ganância de maior enriquecimento e se corrompem tem de ser punidos. Um espanto popular é que muitos corruptos já eram muito ricos. O aparente “mundo à parte” destes milionários leva a uma competição entre eles, pois se consideram todos poderosos e impunes.

Uma segunda causa da corrupção é a tradição histórica de, rapidamente, “fazer a América”, inclusive via predação e pilhagem patrimonialista. Aparecerem só agora “os casos de corrupção amplamente divulgados no país” porque a democracia brasileira amadureceu a ponto de “colocar os dedos nas feridas históricas”. Passou-se a enfrentar os problemas de corrupção de que, anteriormente, se suspeitava, mas os investigadores se omitiam. Isso era devido, antes, à falta de Estado de Direito na ditadura militar, inclusive censura à imprensa, depois, à falta de autonomia do Ministério Público e da Polícia Federal.

Uma terceira causa da corrupção é econômica: a sedução do enriquecimento pessoal propiciada pelo manejo de grandes verbas para obras públicas com a retomada do planejamento estratégico de nosso desenvolvimento. Sem governança ou “compliance” (conformidade jurídica) adequados, nas empresas estatais e privadas, em ambas os dirigentes se corromperam…

Uma quarta causa é política: o chamado “presidencialismo de coalizão partidária” com o “toma-lá-dá-cá” para se montar a (infiel) base governista. Ela é aliada não com base em programa de governo, mas sim em barganha por cargos, verbas e financiamentos de campanhas eleitorais dos congressistas. Continuar a ler