Economista Panfletário de Direita: Ódio Antipetista em Lugar de Ideias Originais

Prometo que, por ora, será a última, pois não suporto mais qualquer leitura de entrevistas dos economistas defensores do Capitalismo de Livre-Mercado, aquele ser fictício (ou inexistente) que ninguém nunca viu em tempo algum e lugar nenhum.

Desta feita, comento as poucas ideias de um obsessivo publicador de panfletos contra a Nova Matriz Macroeconômica e em defesa da Velha Matriz Neoliberal: o economista Renato Fragelli, da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Para ele, um antipetista radical, eleitor preferencial de Boçalnaro (sic), “o problema do gigantismo do Estado é um dos principais fatores que explicam a promiscuidade entre o setor privado e o sistema político no Brasil, e foi ainda mais ampliado nos governos do PT”!

Soberania nacional, para ele, não existe. “A mudança no marco regulatório do petróleo, ao reservar à Petrobras o papel de operadora única do pré-sal, ampliou as oportunidades para a promiscuidade. Após a gigantesca capitalização de 2010, a Petrobras ficou cheia de dinheiro para distribuir aos amigos do poder”, afirma Fragelli, para quem a injeção pelo Tesouro de cerca de 10% do PIB no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi na mesma linha. Ele ignora com má-fé a importante atuação anticíclica do Banco, investindo em infraestrutura (energia e mobilidade urbana em destaques), sustentando o PIB e baixando a taxa de desemprego.

Para combater esse problema, o economista diz que é fundamental reduzir o tamanho do Estado, com privatização generalizada. “Por que o país precisa de uma estatal do petróleo? Como se viu no petrolão, a Petrobras não foi capaz de proteger o cidadão que a sustenta.” [A direita moralista, agora, adotou essa tese supostamente moralizante: a volta da privataria tucana!]

Outro motivo para a relação promíscua entre empresas e o sistema político é o caráter fechado da economia brasileira, afirma Fragelli, para quem o problema também se acentuou nos governos petistas. [Eu não disse que ele é obcecado com o PT?! E não pondera tudo mais de muito pior na política brasileira…] Ignora que foi o único período seguido de cinco anos de superávit no balanço de transações correntes.

“Quando o Estado fixa índices de nacionalização ousados na indústria petrolífera, há majoração de preços por fornecedores agraciados pelas regras, o que é regiamente retribuído sob forma de propina aos legisladores que instituíram o privilégio.”

Por fim, também causa problemas a legislação partidária e eleitoral, ao estimular a multiplicação de partidos e elevar o custo das campanhas. “Com duas dúzias de partidos representados no Congresso, o governo só consegue angariar apoio à sua agenda legislativa distribuindo cargos na mastodôntica máquina administrativa federal e em empresas estatais”, diz Fragelli. Segundo ele, os muitos indicados políticos, “que ocupam postos e comandam verbas, extorquem os fornecedores do Estado” com o objetivo de financiar campanhas caras, além de guardarem para si “parte do butim”.

Na entrevista concedida a Sérgio Lamucci (Valor, 30/05/17), Fragelli também fala da nova crise política. Para ele, sem a aprovação da reforma da Previdência, não haverá a recuperação sustentada do emprego, um dos motivos pelos quais Michel Temer precisa sair da Presidência. O outro é de ordem moral: “Um presidente que recebe um notório corruptor na calada da noite, fora da agenda presidencial, e o ouve relatar crimes, tinha a obrigação de denunciá-lo aos órgãos competentes”, diz Fragelli, ao comentar a gravação feita pelo empresário Joesley Batista, da JBS, de uma conversa com Temer. É o único consenso, por motivos distintos, entre a direita e a esquerda brasileira: Fora, Temer!

Reproduzo abaixo apenas as partes que apresentam a visão de Capitalismo de Livre-Mercado, idealizado pelos neoliberais, mas jamais implantado em lugar nenhum, nem lá nos States, onde os PhDeuses fizeram a lavagem cerebral.

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E agora, Armínio? Quer ir para Aecim, Aecim não há mais…

Dando a continuidade à série de posts “para tentar entender a cabeça de economistas da direita“, cuja leitura provoca muitas vezes enjôo, náuseas ou mesmo vômito, vamos neste analisar o pensamento do ex-futuro Ministro da Fazenda do ex-futuro presidente da República, o Aecim da Casta dos Aristocratas Governantes, herdeiro de dinastia de São João D’ El Rey das Minas Gerais, aquele que toma “empréstimo” forçado pelo credor, o açougueiro da JBS. Para Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, a eventual saída de Michel Temer da Presidência da República não vai atrasar a recuperação da economia, cujo ritmo está sendo ditado pelo processo sucessório de 2018 e suas incertezas.

“O econômico, agora, não é tão importante”, disse ele. “O mais importante é que as instituições funcionem” e resolvam a crise política e moral sem apelar para a economia. “Se houver perda de credibilidade nas instituições, porque elas estão agindo de forma errática, será mais grave”, salientou. Na sua opinião, a situação de Temer deteriorou-se bastante após a divulgação da gravação e da delação de Joesley Batista, da JBS.

Em entrevista a Cláudia Safatle (Valor, 12/07/17), Arminio lançou ao debate a ideia de ampla privatização das empresas estatais, inclusive da Petrobras e do Banco de Brasil, velhas joias da coroa tratadas como tabus quando o assunto é privatização. Veja com ele não se coloca como membro da casta dos sábios-intelectuais orgânicos, mas sim como um verdadeiro membro da casta dos mercadores-financistas. O que ele quer é oportunidade para fazer um bom negócio, para si e para seus clientes dos quais é o “testa-de-ferro”!

“Se não estava claro até o caso da Petrobras, agora não pode haver mais dúvida de que esse modelo de estatal é muito vulnerável, cheio de problemas e precisa ser repensado. Eu não vejo, sinceramente, justificativa para se ter empresa estatal. Nenhuma“, disse ele, referindo-se ao propinoduto instalado na Petrobras e desvendado pela Operação Lava-Jato. Que visão de história! Que visão de futuro para o Brasil! Sem Estado, seja Estado empreendedor, seja Estado-de-Direito!

Se Temer for substituído pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como desfecho do processo que corre no Congresso e no Judiciário, Armínio defende a permanência da equipe econômica liderada por Henrique Meirelles durante esse período. “Isso seria o ideal”, disse. O que lhe importa é apenas manter os representantes diretos de sua casta lá no Planalto Central, “dando as cartas”, favoráveis aos empresários, desastrosas aos trabalhadores!

Quanto à possibilidade de vir a ocupar o cargo de Ministro da Fazenda em alguma administração futura, ele responde que já esteve por duas vezes no governo e não tem intenção de voltar. “Muito menos” de vir a ser um eventual candidato à Presidência da República, como um dia sugeriu Larry Summers, economista e ex-secretário do Tesouro americano. Não é de dar vômito a subserviência aos próceres estrangeiros por parte dos PhDeuses formados lá nos States?!

A seguir, a pesquisa se nessa entrevista ele fala algo relevante e/ou original sobre o futuro do País: Continue reading “E agora, Armínio? Quer ir para Aecim, Aecim não há mais…”

Cabeça da Casta dos Mercadores-Financistas

Luis Stuhlberger, gestor do Verde, um dos fundos mais antigos e bem-sucedidos do mercado brasileiro, vem carregando uma visão pessimista do país. O motivo, talvez, seja o que ele chama de “ilusão de ótica” e sua aparente sensação de normalidade. Enquanto O Mercado 3 Os (Onipotente, Onisciente e Onipresente) continua a ver a situação do Brasil como “um copo meio cheio”, o que Stuhlberger consegue enxergar, diante da situação fiscal, econômica e do presidencialismo de coalizão adotado por aqui, é um copo muito prestes a transbordar — e no sentido negativo da metáfora. A gota d’água, no entanto, é difícil saber qual será e quando virá.

O Verde, com patrimônio de R$ 20,8 bilhões, e seu gestor garantiram assento no “olimpo” do mercado de fundos brasileiro com um histórico de sucesso. Desde o início, em janeiro de 1997, até maio deste ano, o ganho acumulado foi de 14.176,66%, enquanto o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) ficou em 1.811,19%. O fundo, que completou 20 anos em janeiro, só em dois deles teve rentabilidade inferior ao CDI. Em 2008, o retorno ficou no terreno negativo. Neste ano, a rentabilidade do fundo até maio não vai bem: 2,13% contra um CDI de 4,81%.

O gestor seu fundo tende a ter “retornos pobres”. Isso porque ele não consegue ter aquilo que sempre o levou aos grandes movimentos — e ganhos: “Eu não tenho uma grande convicção, então prefiro não fazer muita coisa”.

Praticamente metade da carteira hoje está em NTN-Bs de prazos mais curtos, que pagam uma taxa pouco acima de 5,5% enquanto ele vê um juro real de equilíbrio na casa dos 4% para os próximos um a dois anos. Na visão do gestor, o lado bom do Brasil hoje é o cenário de juro mais baixo, ainda que por conta do ambiente fortemente recessivo.

A seguir, os principais pontos da entrevista concedida a Alessandra Bellotto e Catherine Vieira (valor, 23/06/17). Ela é representativa da visão de País que [não] possui a casta dos mercadores-financistas. Submissa a O Mercado controlado de fora. Oportunista. Ou pragmática e aética?

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Carta-Aberta a Porta-Voz da Direita

 

Caro Samuel Pessôa,

aqui eu lhe respondo por não ter o palanque pré-eleitoral de quem se arvora em porta-voz da direita brasileira na “grande imprensa burguesa”. Imagino que já deu um sorrisinho esnobe com tal expressão old-fashioned, típica de “jovens dos anos 1960”. Estes, em sua desqualificação de toda minha geração, “são os idosos da segunda década do século 21 sequestrados por um patético complexo de Peter Pan”.

Decerto, com 54 anos, você é um jovem físico com doutorado em Economia, ambos pela USP. É pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, sócio da consultoria Reliance e colunista da Folha. Mas tenho apreço por ti não por isso, mas sim por ter demonstrado tolerância com ideias alheias quando era meu colega no IE-UNICAMP. Não era sectário e me dizia que, como bom cientista, gostava de entender a racionalidade dos pensamentos diferentes do seu neoclássico.

A partir dessa postura, entendia que, com seu prestígio junto à casta dos mercadores-financistas, poderia atuar como um membro digno da casta dos sábios-intelectuais públicos ou midiáticos. São aqueles que conseguem “fazer uma ponte” para a troca de ideias entre a direita e a esquerda brasileiras. Sabemos que isso é imprescindível na construção de um ambiente civilizado de tolerância e não de ódio mútuo como o atual.

Qual não foi minha decepção ao me deparar com o título de artigo assinado por ti (FSP, 14/07/17): “Esquerda precisa desapegar de crenças e fazer avaliação honesta de anos FHC”. Lembrei-me, de imediato, da velha piada corporativa: “1a. Lei dos Economistas: para cada um, existe outro igual e contrário; 2a. Lei dos Economistas: ambos estão errados”. E refleti: “direita não se desapega de crenças e faz avaliação desonesta de anos Lula/Dilma”. Continue reading “Carta-Aberta a Porta-Voz da Direita”

Candidatos Vermelho, Azul, Verde e… Camisa Preta

O quadro acima é apontado por pesquisa do Datafolha que mede a opinião ideológica no país. As perguntas elaboradas buscam demarcar as diferenças entre convicções associadas à direita e à esquerda, em temas econômicos e comportamentais.

Com base nas respostas, os eleitores são agrupados em uma das cinco posições da escala ideológica (esquerda, centro-esquerda, centro, centro-direita e direita).

Na comparação com o levantamento anterior, feito em setembro de 2014, nota-se uma maior sensibilização de brasileiros a questões que envolvem a igualdade, possível reflexo da crise econômica e do alto desemprego que atingem o Brasil nos últimos anos.

Subiu, por exemplo, de 58% para 77% a parcela que acredita que a pobreza está relacionada à falta de oportunidades iguais para todos. Já a que crê que a pobreza é fruto da preguiça para trabalhar caiu de 37% para 21%.

No mesmo campo de ideias à esquerda, cresceram:

  1. a tolerância à homossexualidade (64% para 74%),
  2. a aceitação de migrantes pobres (63% para 70%) e
  3. a rejeição à pena de morte (52% para 55%).

Estabelecer essas classificações ideológicas é sempre muito complexo. A noção de igualdade é ampla. Pode ser materializada no Bolsa Família, nas cotas, no aumento do salário mínimo. E aí o cidadão pode apoiar ou refutar cada uma dessas aplicações concretas. Continue reading “Candidatos Vermelho, Azul, Verde e… Camisa Preta”

Inovação no Sistema de Pagamentos: Meritocracia versus Nepotismo

Publiquei o seguinte artigo há cerca de um ano e meio, ainda durante o Governo Dilma:

Fernando Nogueira da Costa – Diferenciação entre os preços à vista e a prazo – Valor, 21.12.2015

No entanto, foi o atual presidente golpista e impopular que sancionou a medida provisória que permite a cobrança de preços diferentes dependendo do prazo ou do meio de pagamento utilizado. A iniciativa faz parte da estratégia do governo de apresentar uma série benesses para contrabalançar a repercussão da atual crise política, cuja solução mais rápida e menos dolorosa para a Nação — caso ele tivesse ética (e vergonha) — seria sua renúncia.

Outra demanda dos lojistas que continua em avaliação no governo é a redução do prazo de repasse de recursos de bancos e operadoras de cartão de crédito para lojistas. A diferenciação de preços vai permitir uma queda nos custos para lojistas e consumidores, contribuir para maior concorrência, dar segurança jurídica e promover justiça social.

Os menos favorecidos não têm cartão de crédito. Por isso, pagavam mais do que precisavam pagar, ou seja, o preço a prazo com cartão de crédito era apresentado como sendo o preço à vista para todos, inclusive os “sem-cartão”. O desconto no preço à vista é requisito básico deduzido da Teoria das Finanças Racionais. Tem o potencial de “desinflar o custo-de-vida”. 

O foco da medida sancionada é diminuir o custo da transação para o consumidor e o varejista. O lojista, no entanto, não é obrigado a conceder os descontos nas compras à vista. Mas ele pode reduzir de 5% a 7% o preço, devido a receber à vista.

A medida vai facilitar a negociação entre lojistas e consumidores, o que pode ajudar na redução de preços, além de impedir a transferência de renda em desfavor dos mais pobres “sem-cartão”.

A medida de, finalmente, adotar a diferenciação de preços, que estimula a redução de custo de vida, tem a influência de um dos bons servidores públicos concursados que trabalham na máquina governamental. Ele é o diretor de regulação do Banco Central, Otávio Damaso. Eu tive a oportunidade de conhecê-lo.

Damaso ressaltou que a autoridade monetária continua estudando a diminuição do prazo de repasse de recursos de bancos e operadoras de cartão de crédito para lojistas. “Está em estudo o prazo de pagamento. Não tem nada definido”, disse o diretor. Hoje o prazo para o repasse aos lojistas está na casa de 30 dias.

A partir desse exemplo, com a “fácil sabedoria ex-post” constatamos o erro de manter ministros e tecnocratas da área de Economia, nomeados politicamente, por muito tempo em seus cargos. Muitos criam promiscuidade com corruptores do setor privado. Tratam a “coisa pública” como “cosa nostra”… e não têm iniciativas nem tomam medidas necessárias sugeridas pela opinião especializada. Continue reading “Inovação no Sistema de Pagamentos: Meritocracia versus Nepotismo”

Sigam o Dinheiro!

Claudia Safatle e Eduardo Campos (Valor, 13/06/17) informam que o acordo de leniência previsto na Medida Provisória 784, que ampliou os poderes punitivos do Banco Central (BC) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), alcança exclusivamente as infrações administrativas cometidas por agentes do sistema financeiro e do mercado de capitais. Para abranger condutas criminais, como lavagem de dinheiro e corrupção, será preciso editar um projeto de lei ou apresentar uma emenda à medida provisória já em tramitação no Congresso prevendo a atuação do Ministério Público Federal (MPF), do BC e da CVM em um trabalho conjunto. Só o MPF tem a prerrogativa de persecução penal.

O procurador-geral do Banco Central, Cristiano Cozer, explicou: “O acordo de leniência com o BC só alcança infrações administrativas, não crimes. Não faria sentido um infrator celebrar acordo só com o BC, porque precisaria confessar e correr o risco de responder a ação penal movida pelo Ministério Público. Menos ainda no caso de fatos anteriores à edição da MP 784, quando a multa era [e continua sendo] de no máximo R$ 250 mil”.

Editada na primeira quinzena de junho de 2017, a medida tem sido objeto de críticas do MPF e de interpretações equivocadas seja em relação ao seu conteúdo quanto ao “timing” da sua publicação.

O BC atribui esses ruídos ao clima de “animosidade” que domina o país hoje. Seria essa a razão para se identificar a publicação da MP 784 com a eventual delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, envolvendo participantes do sistema financeiro, e às investigações sobre “insider trading” que teriam produzido ganhos da JBS no mercado de câmbio e de juros. Continue reading “Sigam o Dinheiro!”