Inflação, Juro Real e Salário Real: Rendimento do Capital (r) > Rendimento do Trabalho (g)

IPCA 2003-2017Salário Real 2003-2017Taxas de Juros Nominal e Real 2003-2017Selic Média X Swap de 2 anos 2011-2015O argumento convencional é que a inflação corrói o poder aquisitivo dos salários, provocando queda do salário real, portanto, de acordo com o Regime de Meta Inflacionária, tem de ser combatida com elevação do juro nominal (Selic-meta). No entanto, o crescimento da taxa de inflação diminui o juro real, “obrigando” o COPOM a dar uma overdose de juro nominal benéfica ao rendimento do capital e prejudicial ao emprego do trabalho.

Vale a pena perder o emprego em nome de baixar a inflação para o centro da meta (4,5% aa)?! Vale para o capital…

Diferentemente do diagnóstico monetarista de Milton Friedman para economias inflacionárias, a brasileira não é viciada em “dinheiro farto e barato”. Aqui é “farto, porém caro”!

O “excesso de liquidez” é retido em operações compromissadas, que elevam a dívida pública bruta, com elevadíssima taxa de juros, seja nominal, seja real. Ou ainda, seja este ex-ante, seja ex-post

O juro real ex-ante (Swap futura que configura a expectativa de O Mercado) é relevante para a tomada de decisões financeiras com exame do cenário futuro. O juro real ex-post (média da Taxa Selic nominal deflacionada pelo IPCA) é relevante para a análise da evolução do potencial poder aquisitivo do capital ocorrido no período passado. Continuar a ler

O Enigma das Altas Taxas de Juros no Brasil

Taxa Real de Juros Ex-ante e Taxa Fed 2002-2014Alex Segura-Ubiergo, economista do FMI, escreveu sobre O Enigma das Altas Taxas de Juros no Brasil. O texto abaixo é um pequeno resumo do IMF Working Paper SEGURA-UBIERGO, Alex. The Puzzle of Brasil’s High Interest Rates. IMF wp12.62, comentado brevemente por mim.

As taxas de juros chegaram a um nível historicamente baixo no Brasil, se considerarmos sua tendência histórica. Mas essas taxas ainda são muito altas se comparadas com as de outros países emergentes que, como o Brasil, utilizam o regime de metas de inflação (Figura 1).

Comparação entre taxas de juros reaisExcluindo-se o período de hiperinflação (1988-1994), quando as taxas de juros reais foram extremamente voláteis (o que poderia distorcer a análise), as taxas de juros ex-post (aquelas medidas após se conhecer o valor da inflação no período em que se avalia a taxa de juros) caíram, em média, de aproximadamente 40% ao ano nos anos 1980 para algo como 20% na segunda metade da década de 90, antes da introdução do regime de metas de inflação e da mudança do regime cambial de fixo para flutuante em 1999. As taxas declinaram ainda mais, para 10% ao ano no período 2000-2005, decrescendo para menos de 8% ao ano entre 2006 e 2009, atingindo seu menor nível em toda a série histórica considerada em 2009, ficando um pouco abaixo de 5% ao ano. Esse é um nível bastante baixo para os padrões brasileiros, ainda que esteja em torno de quatro pontos percentuais acima da média dos países emergentes que usam o regime de metas de inflação. Continuar a ler

Submissão (Editorial da FSP, 12/06/15)

Capa Submissao_Alfaguara para novo padrao.inddComo deixei de ler a Folha impressa, depois de 35 anos de assinatura, pois sentia-me agredido diariamente por seus colunistas direitistas em campanhas golpistas, surpreendi-me com a mensagem compartilhada que recebi de meu filho com o Editorial da Folha de S.Paulo no último domingo, dia 14 de junho de 2015. Imaginei que por seu título — Submissão –, o mesmo do best-seller francês que li e resenhei aqui neste modesto blog — leia também o post Possíveis Mudanças Econômicas no Caso da Islamização da França –, ele tenha me enviado.

Mas, mais importante que isso, o Editorial é sintoma que até os liberais que posam de “esquerda do PSDB” já perceberam o que a campanha sistemática de destruição, isolamento e criminalização do PT, sangramento da Presidenta Dilma e destruição da imagem pública de Lula já passou dos limites, atentando contra a própria democracia brasileira. Quando não se permite a liberdade de expressão aos petistas na mídia brasileira, pois os segregam e agridem, cotidianamente, quem mais perderá será a História brasileira, que se atrasará com mais um retrocesso político.

O Editorial da Folha de S.Paulo já percebe os sintomas e os riscos dessa maré conservadora-religiosa falsamente moralista. Compartilho-o abaixo, devido à importância política de criticar este Congresso dominado por bancadas BBBB — Bíblia, Boi, Bala e Bola. Continuar a ler

Operação Compromissada: “Jabuticaba” ou Universal “Preferência por Liquidez”?

Composição da dívida públicaEditorial do Valor (10/06/15) reconhece que o que pregava a maioria de seus colunistas ortodoxos, contraditoriamente, atenta contra a própria estabilidade das Finanças Públicas! A overdose de elevação do juro básico em conjunto com o ajuste fiscal, ao mesmo tempo, não só derruba a demanda agregada, o nível de emprego, o salário real, etc., como também, via realinhamento tarifário em energia e combustível, inflamou a inflação, elevando-a dois pontos percentuais acima do teto da meta. Pior, comprometeu o próprio déficit nominal com a elevação dos encargos financeiros da dívida pública. Nada disso, porém, está fora do script previsto pelos economistas “heterodoxos”… Continuar a ler

Construção da Comunicação Governamental

Internet X MídiaCarlos Henrique Santana (INCT/ TU Darmstadt), neste post, analisa a Política de Comunicação do Governo brasileiro em contraponto à oposição midiática sistemática.

“Os dados sobre a cobertura da imprensa em relação ao governo brasileiro já se encontram razoavelmente sistematizados por conta do trabalho de levantamento realizado pela equipe de pesquisadores do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ, reunidos em torno do Machetometro. Não é novidade que a inclinação ideológica e partidária da imprensa brasileira é de oposição ao governo do PT, como aliás o é em relação aos demais governos de centro esquerda que chegaram ao poder nos últimos quinze anos na América do Sul. Certamente, a imprensa não tem obrigação de se alinhar a governo nenhum no mundo, embora a historia demonstre que assim o fizeram sempre que a ocasião se mostrou favorável aos seus próprios interesses, como ocorreu durante os regimes ditatoriais nos anos 1960 e 70 na região.

Por razões de sustentabilidade comercial, a teoria prediz que os veículos jornalísticos tendem a buscar uma posição de independência editorial que alimente sua credibilidade junto ao público leitor e sua conseqüente alavancagem junto aos poderes constituídos. No entanto, há um conjunto de assimetrias no modelo regulatório brasileiro de distribuição das concessões de rádio e tv, no padrão de vetos de entrada à participação estrangeira no capital das empresas de midia, alem de mecanismos de distribuição das verbas publicitárias que praticamente inviabilizam o funcionamento horizontal e não oligopolizado do mercado de produção e distribuição notícias.

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Estrutura de Vetos Mútuos da Burocracia

Três Poderes desbalanceadosNeste post, Carlos Henrique Santana (INCT/ TU Darmstadt) analisa a “judicialização” da política brasileira.

“Atualmente é possível constatar um gigantesco protagonismo dos órgãos de controle da burocracia pública como o Tribunal de Contas, Ministério Público e Justiça Federal. A capacidade que essas instâncias têm de ditar o ritmo das políticas públicas há muito deixou de ser um aspecto lateral de sua tramitação nos escaninhos burocráticos. Não há dúvida de que a transparência dos procedimentos administrativos públicos são sempre muito bem vindos para estabelecer lisura e isonomia às políticas públicas e os órgãos encarregados de aplicação dessas regras merecem ser valorizados e equipados para tanto.

No entanto, tem emergido na literatura uma preocupação, também legítima, em torno da ausência de instrumentos de segurança jurídica que lide com uma estrutura de vetos mútuos burocráticos e suas consequências onerosas para a execução das políticas públicas.[1]. Sabe-se que o governo Lula adotou uma política sem precedentes de fortalecimento burocrático e autonomia de órgãos como o Tribunal de Contas, Polícia Federal, Ministério Público. Mas algumas análises recentes tem salientado que esse grau de autonomia não está previsto no ordenamento institucional brasileiro e tem estabelecido um padrão novo de comportamento no qual esses órgãos veem a si mesmos como instâncias demiúrgicas com agendas reformadoras próprias sobre o ordenamento institucional da democracia brasileira.

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Déficit na Rede de Saneamento

Déficits na rede de saneamento Déficit de Saneamento nas capitaisCoisa que aprendi na Caixa: não falta dinheiro federal para diminuir o déficit de saneamento no Brasil. Falta sim vontade política dos governos locais, sejam estaduais, sejam prefeituras, para superar a incapacidade técnica de elaborar projetos aceitáveis para o financiamento.

Andrea Vialli (Valor, 15/05/15) informa que o déficit de saneamento básico afeta todas as regiões brasileiras, os Estados ricos e pobres, reduz a expectativa de vida da população e até seu salário. De Norte a Sul do país, é possível verificar extremos como os Estados de Rondônia, onde 94% das moradias não são atendidas pela coleta de esgoto, e São Paulo, onde a falta de saneamento afeta 13,3% das residências. Em números de moradias, as carências se espalham: o Rio Grande do Sul concentra 3 milhões de domicílios sem coleta de esgoto (84% do total) e a Bahia tem 2,2 milhões de casas que não estão ligadas à rede coletora, segundo dados de 2010 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).

Os números foram compilados para a publicação “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro“, estudo coordenado pelo Instituto Trata Brasil e pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) para traçar uma radiografia dos impactos econômicos da falta de saneamento, além dos benefícios que sua universalização traria em indicadores econômicos e de qualidade de vida, como saúde, educação, trabalho e renda, valorização de imóveis e incrementos na indústria do turismo.

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