Trabalho Presencial, Home Office ou Híbrido

Mais comuns no mundo do trabalho após o arrefecimento da pandemia, os formatos híbrido e remoto são uma realidade mais presente na vida dos trabalhadores de renda mais alta do que entre aqueles de grupos com renda menor. Pesquisa inédita encomendada pelo Loft Analytics (núcleo de dados do grupo Loft, do setor imobiliário) mostra mais da metade (55%) dos trabalhadores da classe A revelaram trabalhar atualmente no formato híbrido ou mais da metade (55%) dos apenas remoto. Na outra ponta, entre aqueles pertencentes às classes D e E, a parcelaé bem menor, de 36%.

Quando se considera exclusivamente o trabalho remoto, no entanto, a análise é um pouco diferente. Na classe A, o formato é adotado por 9% dos entrevistados, enquanto nas classes D/E é um percentual maior, de 19%. O trabalho exclusivamente presencial, por sua vez, é mais frequente nas classes C (63%) e D/E (64%) que nas classes A (45%) e B (51%). A diferença, no caso do trabalho remoto, pode estar relacionada ao empreendedorismo entre a população de mais baixa renda, que usa a própria casa para gerar rendimento.

É possível esse trabalho remoto maior nas classes D/E estar, sim, associado a formas de trabalho por necessidade, principalmente considerando as perguntas não visarem captar apenas a população em home office, mas em qualquer atividade geradora de renda dentro do lar.

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Erros do Auxílio Brasil: Volta, Bolsa-Família!

A Câmara dos Deputados aprovou na semana passada a Medida Provisória (MP) 1.076/2021, que fixou em R$ 400 o valor do Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família, e tornou o benefício permanente. Apoiado por 418 deputados, com sete votos contrários, o texto segue agora para análise do Senado. A votação da MP deve ser concluída até 16 de maio para não expirar.Já tinha passado da hora de reajustar o Auxílio Brasil, cujo valor médio é de R$ 224, especialmente no cenário de escalada da inflação dos últimos meses. Em abril, o IPCA-15 saltou 1,73%, a m a i o r e l e v a ç ã o m e n s a l desde 1995 , acumulando alta de 12,03 % em 12 meses, puxado pelos combustíveis, mas também transporte e alimentos.

A experiência com o Auxílio Emergencial durante a pandemia mostrou a importância das políticas de transferência de renda. O auxílio da pandemia só chegou a R$ 600 por pressão do Congresso. O governo Bolsonaro queria a metade disso.

De acordo com cálculos do pesquisador da área de Economia Aplicada do FGV Ibre Daniel Duque, a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e da Pnad Covid-19 do I IBGE, graças ao benefício, a pobreza diminuiu no país, mesmo com a pandemia. Em 2019, 6,6% dos brasileiros estavam em extrema pobreza e 24% em pobreza não extrema; em julho de 2020, essas taxas tinham caído para 2,4% e 20,3%. Com o fim do benefício, as taxas pioraram e 7% dos brasileiros estão em extrema pobreza e 27% em pobreza não extrema.

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Burla do Princípio da Impessoalidade: Generais do governo ganham até R$ 350 mil a mais ao ano após medida do capital reformado para beneficiar a si próprio

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 37, apresenta os princípios para nortear a administração pública e o administrador público a prestar o serviço público em prol dos administrados, sem ter vantagens pessoais. Dentre os princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, e eficiência, onde se destaca no presente artigo o princípio da impessoalidade.

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 37, apresenta os princípios que norteia a administração pública e o administrador público a prestar o serviço público em prol dos administrados, sem ter vantagens pessoais. Dentre os princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, e eficiência, onde se destaca no presente artigo o princípio da impessoalidade.

Lucas Marchesini (FSP, 10/05/22) fez excelente reportagem investigativa a respeito do tratamento da coisa pública sem a impessoalidade exigida pelo cargo. O presidente da República atua só para beneficiar a si e aos seus parceiros ou cúmplices. Generais do governo de Jair Bolsonaro (PL) receberam até R$ 350 mil a mais em um ano após portaria assinada pelo presidente permitir o acúmulo de salários e aposentadorias acima do teto constitucional.

A medida foi editada em abril do ano passado, ocasião quando o funcionalismo estava com salários congelados, e beneficiou o próprio Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos), ministros militares e um grupo restrito de cerca de mil servidores federais que até então tinham desconto na remuneração para respeitar o teto constitucional.​

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Resistência da Sociedade Civil contra Novo Golpe Militar

A alternância de Poder é um princípio constitucional da democracia, não aceito pelo atual mandatário diante da derrota inapelável face ao seu péssimo governo, comparado com o saudoso governo do seu rival: Lula.

Maria Cristina Fernandes (Valor, 10/05/22) mostra a resistência do TSE contra as pressões dos militares prepostos do capital reformado para não ser expulso do Exército.

O Tribunal Superior Eleitoral deu ontem o passo mais importante para reverter o erro cometido ao colocar as Forças Armadas dentro da comissão de transparência montada pela Corte. O presidente do TSE, Edson Fachin, divulgou toda a agenda de encontros que tem tido, para desmentir a alegação de que não recebe os militares e deixou claro, ao publicar as perguntas do representante do Exército,general Heber Portella, – e lhe dar as respostas – o quão primário é o questionamento sobre a segurança das urnas eletrônicas.

“Com o devido respeito, há um erro de premissa nas considerações ora apresentadas”, diz o anexo do TSE sobre a probabilidade de erro apresentada pelo Exército. O questionamento tem a sofisticação de uma brincadeira de criança que, diante de duas mãos fechadas, tem 50% de chance de acertar qual delas encerra um bombom.

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Empobrecimento depois de Governos Social-Desenvolvimentistas de Lula/Dilma

Lucianne Carneiro (Valor, 25/04/22) informa: mesmo com alguma redução frente a 2021, a parcela dos pobres no total dos brasileiros deve encerrar 2022 acima da que estava há dez anos, em 2012. Um estudo da Tendências Consultoria prevê que a participação das classes D/E no total de domicílios brasileiros deve fechar o ano em 50,7%. Isso representa recuo em relação a 2021 (quando era de 51,3%), mas ainda acima da metade do total e também superior aos 48,7% de 2012.

As projeções de longo prazo da consultoria também apontam que levará sete anos, até 2028, para se retomar o nível observado em 2014, de 47%, o menor da série histórica do levantamento, iniciado em 1999.

O estudo considera como classe D/E aqueles domicílios com renda mensal até R$ 2,9 mil, a preços de novembro de 2021. O montante considera os recursos disponíveis para toda a família. Ou seja, quanto mais numerosa ela for, menor é o valor para cada um do domicílio. O grupo reúne, portanto, pobres e também extremamente pobres, ou miseráveis, com renda mais perto do limite inferior da faixa de renda das classes D e E.

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Estratificação Social

Lucianne Carneiro (Valor, 18/04/22) fez reportagem a respeito das diferenças entre classes sociais – mais ligadas à sociologia e aos aspectos culturais – e classes econômicas. Estas consideram essencialmente critérios de renda, apontam especialistas. Mesmo a divisão por classes de renda tem mais de um parâmetro, já que não há medida oficial da estratificação social no país.

Pesquisadores e consultorias constroem suas classificações, com faixas de renda diversas, a partir de dados de rendimento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e de outras fontes, como transferências sociais, aposentadorias, aluguel e investimentos.

Pelo critério monetário, a classe média é a classe C, que está na média da renda da população brasileira. Em geral, é uma parcela da população que depende quase exclusivamente da renda do trabalho, seja ele formal ou informal. É um grupo que vive com mais vulnerabilidade econômica, por estar mais próximo da base da pirâmide de renda. Mesmo considerando diferentes divisões monetárias, analistas são unânimes em destacar o empobrecimento da classe C nos últimos anos.

É um processo que começou na recessão dos anos 2015 e 2016, não foi contornado no pós-crise por causa da recuperação fraca da economia e acabou sendo reforçado com a pandemia.

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Reducionismo da Economia às Expectativas

An Experiment on a Bird in an Air Pump by Joseph Wright of Derby, 1768

Expectativas de inflação são cruciais para a determinação da própria inflação. Quando a inflação esperada é muito baixa, os agentes econômicos não se preocupam em reajustar preços e salários por conta da perda de poder aquisitivo da moeda. Mas, à medida que a inflação esperada se eleva, trabalhadores passam a reclamar reajustes salariais e firmas tentam repassar seus custos majorados a preços na tentativa de manter a margem de lucro. É a chamada desancoragem das expectativas inflacionárias, tão temida pelos bancos centrais.

O exemplo mais famoso de desancoragem das expectativas ocorreu nos Estados Unidos durante a década de 60 e 70, na esteira do aumento gradual da inflação na década de 60. Quando, em 1973, o primeiro choque do petróleo se abateu sobre a economia americana, profundamente dependente do petróleo, a inflação disparou. Para reduzi-la, o Fed, sob a batuta de Paul Volcker, teve que gerar penosa recessão, na virada dos anos 80.

A situação fiscal pode complicar ainda mais a difícil tarefa do BC de trazer a inflação de volta à meta

Quando me refiro a este episódio aos meus alunos de graduação, costumo explicar o processo de desancoragem das expectativas de inflação fazendo alusão a uma frase famosa atribuída a Abraham Lincoln: “Pode-se enganar a todos por algum tempo, a alguns por todo o tempo mas não a todos por todo o tempo”.1

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Canal de Transmissão da Política Monetária

Thiago de Moraes Moreira é consultor em planejamento estratégico e professor do Corecon/RJ, Ibmec/RJ e IE/UFRJ. Publicou artigo (Valor, 15/03/22) sobre canal de transmissão da política monetária.

Um dos temas recorrentes no debate macroeconômico diz respeito aos efeitos que as ações de política monetária provocam sobre o funcionamento da economia, em particular sobre o ritmo de crescimento, geração de empregos e, principalmente, sobre a inflação. Este tema ganhou maior relevância devido à forte expansão dos preços em diversas economias no ano passado, impulsionado no início de 2022 pela explosão nos preços das commodities como consequência da guerra na Ucrânia. Com isso, é crescente a expectativa de elevação das taxas básicas de juros pelos Bancos Centrais ao redor do mundo como resposta à dinâmica inflacionária.

No Brasil, sabemos que, com o mesmo propósito de controle inflacionário, o Banco Central já vem elevando a taxa básica de juros (Selic) desde março do ano passado, que depois de atingir o piso histórico de 2% ao ano em fevereiro de 2021 passou por sucessivos aumentos, e atualmente está 10,75% ao ano, com expectativa de que supere os 12% ao ano até o fim deste ano.

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Empreendedorismo em Favelas

João Luiz Rosa (Valor, 14/04/22) avalia: quem mora em uma das mais de 13 mil favelas existentes no Brasil sabe da força econômica do lugar onde vive: é das próprias favelas que muitos tiram seu sustento. Agora, com ações de empreendedorismo e inovação, comunidades que sempre ficaram à margem das políticas públicas estão ganhando visibilidade para mostrar aos demais brasileiros – os que vivem no asfalto – seu potencial para consumir produtos e serviços, criar negócios, gerar empregos e desenvolver tecnologia. É a favela como geradora de riqueza.

Por ano, a renda própria dos moradores de favela movimenta R$ 124,1 bilhões no país. É mais que a riqueza produzida por 20 das 27 unidades formadas por 26 Estados e o Distrito Federal ou por países inteiros como Uruguai, Paraguai e Bolívia, revela uma pesquisa inédita do instituto Data Favela. Se fosse um Estado, mostra o levantamento, a favela seria o 4o mais populoso do país, com 17 milhões de habitantes, atrás apenas de São Paulo, Minas e Rio.

“Favela não é carência; é potência”, diz Celso Athayde, presidente da Favela Holding, que reúne 22 empresas, todas originadas na favela e orientadas a seus moradores. Em fevereiro, Athayde lançou um fundo de R$ 50 milhões para investir em startups com esse DNA. Amanhã, no World Trade Center, em São Paulo, ele vai abrir a Expo Favela, que durante dois dias reunirá empreendedores, marcas e investidores interessados em fazer negócios e aproximar o asfalto do morro.

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Geração Prateada do Baby-Boom de Consumidores do E-Comércio

Lucianne Carneiro (Valor, 16/03/22) informa: dois terços das pessoas com 55 anos ou mais na América Latina – considerando México, Argentina, Uruguai, Chile, Peru e Colômbia – fizeram alguma compra pela internet nos últimos 12 meses, enquanto no Brasil foram quatro a cada dez. Mais de 90% têm smartphones, sendo 95% na média dos seis países latino-americanos e 93% no caso brasileiro. O acesso diário à internet é realidade para 65% dos brasileiros e para 84% dos latino-americanos, considerando a média desses seis países citados.

Os números mostram a extensão do uso da tecnologia por pessoas maduras ou da chamada “ geração prateada” (que remete aos cabelos grisalhos) e são parte do Tsunami8 Latam, um amplo estudo com o Brasil e seis países da América Latina que entrevistou mais de 17 mil pessoas sobre hábitos ligados a tecnologia, consumo, saúde e comportamento.

Há dados tanto para a geração prateada – identificada como aquela de 55 anos ou mais, embora haja diferentes correntes para o marco do início dessa geração (50, 55, 60 ou 65 anos) – quanto para o que chamam de “geração invisível” – aquela a partir dos 45 anos, que já começa a se preocupar com o aumento da longevidade.

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Gordofobia: Punição para Assédio Moral

Adriana Aguiar (Valor, 12/04/22) informa: a pessoa gorda tem sofrido discriminação desde o processo de seleção no mercado de trabalho. E essa prática também tem gerado ações judiciais contra quem deixa de contratar com a justificativa da aparência do candidato.

“Cerca de 65% dos executivos não gostam de contratar pessoas gordas. Quando se trata de mulher, a gordofobia é ainda mais intensificada”, diz a professora de Direito do Trabalho da PUC-SP, Cristina Paranhos Olmos, do Olmos e Olmos Sociedade de Advogados, que fez mestrado em discriminação estética e tem um livro sobre o tema.

Na média geral, 29,5% das mulheres têm obesidade – praticamente uma em cada três – contra 21,8% dos homens. O sobrepeso, por sua vez, foi encontrado em 62,6% delas e em 57,5% deles, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, do IBGE com o Ministério da Saúde.

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Menor Dívida Bruta exige Superávit Primário: Exigência de Tributação de Multinacionais

A inflação elevada de março deve reforçar o cenário de alívio, ao menos temporário, às contas públicas pelo segundo ano seguido. A tendência é que a aceleração da trajetória de preços ajude a diminuir em 2022 a dívida bruta do governo geral, considerada principal indicador de solvência de um país.

Em março, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,62%, o mais alto para o mês desde 1994, segundo o IBGE. Em 12 meses, o indicador subiu de 10,54% em fevereiro para 11,3% em março. A projeção mediana e a mais alta do Valor Data eram respectivamente de 10,97% e 11,09%.

A inflação contribui, mas não é determinante, porque está nos dois lados da equação, pois influencia o PIB e a dívida.

No período entre 2014 e 2016, a dívida teve forte alta mesmo com inflação elevada. Uma diferença em relação àquele período foi a implantação do teto de gastos. Ele agravou a estagflação, porque impede o crescimento real das despesas primárias (excluindo gastos com a dívida) da União.

O alinhamento do Brasil ao padrão de preços de transferência da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Economico (OCDE) vai evitar ao país continuar a sofrer perdas de receita de bilhões de reais por ano, afirma Pascal Saint-Amans, diretor do Centro de Política e Administração Fiscal da OCDE, em entrevista a Assis Moreira (Valor,11/04/22).

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