Sindicalismo Representativo, Autêntico e Combativo na Defesa dos Trabalhadores

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Fabio Graner (Valor, 06/01/17) avalia que a estrutura sindical brasileira é frágil e isso pode ser um complicador para o objetivo de colocar a negociação coletiva em patamar mais elevado no mercado de trabalho, objetivo declarado da reforma trabalhista enviada ao Congresso no fim de dezembro de 2016. Um texto publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) destaca a necessidade de sindicatos mais representativos para atuar no novo ambiente que o governo pretende criar.

“Há milhares de sindicatos no Brasil, mas muitos com parcas condições de promover novas formas de regulação do trabalho”, diz o texto assinado por André Gambier Campos, técnico do Ipea. Provavelmente, a fim de mitigar esse tipo de problema, algumas mudanças estruturais (e históricas) na estrutura sindical talvez sejam necessárias e urgentes, com o intuito de promover sindicatos mais representativos e atuantes.

O estudo mostra que hoje no Brasil há 10,8 mil sindicatos de trabalhadores, sendo que 73,8% deles representam trabalhadores da área urbana. Pela legislação brasileira, mesmo com baixo índice de filiação, os sindicatos representam todos os trabalhadores que estão no território de atuação.

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“O crime organizado começa na favela e termina em Wall Street”

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Cristina Klein (Valor, 06/01/17) entrevistou o jornalista e escritor, Carlos Amorim, 64 anos, é autor de uma trilogia sobre o crime organizado, publicada pela editora Record e com a qual ganhou o Prêmio Jabuti por duas vezes. No primeiro livro, remonta a história da formação do Comando Vermelho (CV); no segundo, conta a construção da aliança do CV com o Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo e a expansão das duas facções por países vizinhos; no terceiro livro, “Assalto ao poder”, dedica-se a mostrar a infiltração do crime em instituições do Estado e do mercado. “O crime organizado começa na favela e termina em Wall Street”, afirma.

Amorim ressalta que, com ganhos entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões pelo mundo, segundo a ONU, o crime organizado não tem como movimentar esse volume de recursos sem as conexões com o sistema bancário. No Brasil, lembra que o mensalão teve no núcleo financeiro a direção do Banco Rural.

Em sua opinião, o Brasil representa o segundo caso mais grave da América Latina, depois do México, com um sistema prisional que fortalece as facções criminosas. “As condições carcerárias no país são tão péssimas que elas fomentam o surgimento de grupos organizados para resistir a essas condições. O fato de que o sujeito se organiza na cadeia é para sobreviver”. Amorim critica a reação de autoridades como o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ao massacre que matou 60 detentos em presídio de Manaus e expôs as vísceras de um sistema negligenciado pelos governos. “O governo de São Paulo, por exemplo, sempre deixou muito claro que o PCC não existia, que o PCC era uma ficção da imprensa”, diz.

A seguir, leia os principais trechos da entrevista concedida ao Valor:

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Pacote Temeroso de Maldades contra Viúvas Pobres

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Uma das maiores maldades que o governo golpista e impopular lançou em sua proposta de reforma da Previdência Social é o agravamento das sofridas condições de vida das viúvas que recebem cerca de um salário mínimo!

Edna Simão e Fabio Graner (Valor, 02/01/17) avaliam que a desvinculação das pensões por morte do salário mínimo deve atingir mais da metade dos beneficiários do sistema, número próximo de quatro milhões de pessoas. O Valor apurou que 55% das pensões são de até um salário mínimo. Essa é uma das mudanças mais maldosas na proposta de reforma da Previdência Social. Em 2015, último dado oficial disponível, havia 7,41 milhões de pensionistas.

A partir da aprovação da reforma, o governo vai editar um projeto de lei para definir como será o reajuste desses benefícios, que deixarão de acompanhar o piso salarial. A tendência é que o valor seja corrigido pela inflação, mas o aumento poderá deixar de ser anual, como atualmente é praticado na correção do Bolsa Família. Com isso, a elevação do benefício passará a ser feita conforme a margem fiscal do governo federal.

Será um genocídio, ou seja, a destruição total ou parcial de um grupo de viúvas através do método cruel de eliminação pelas condições subumanas de vida!

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Projeções Demográficas X Dados Verificados na Realidade

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Camilla Veras Mota (Valor, 02/01/17) informa que a América Latina, junto da Ásia, é atualmente a região em que a população envelhece mais rapidamente, como constataram os economistas Rogério Nagamine Costanzi, especialista em Previdência, e Julimar da Silva Bichara, da Universidade Autónoma de Madrid.

Com base nas últimas projeções de população da Organização das Nações Unidas (ONU), eles verificaram que a proporção de pessoas com mais de 60 anos na América Latina deve saltar dos atuais 11,2% para 37,4% em 2100, nível maior do que o previsto para a Europa, hoje o continente mais envelhecido, 35%.

Para o Brasil, a expectativa é ainda superior, 38,8% em 2100, ante 11,7% atualmente. A marca dos 33%, afirma Costanzi, chegaria ainda em 2060, de acordo tanto com as projeções da ONU quanto com as do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que só divulga estimativas até esse período.

A principal fase de envelhecimento duraria entre 2020, quando se encerra o chamado “bônus demográfico“, até as décadas de 2060 e 2070, quando o nível passaria a crescer em ritmo bem menos acelerado.

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Repetições da História: Tragédias e Farsas

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A história aparece como tragédia e se repete como farsa”, escreveu Karl Marx no livro “Dezoito Brumário de Louis Bonaparte”, em 1852. Estudamos História para iluminar o entendimento do presente ou para nos servir como guia a seguir no futuro desconhecido?

A heurística – a arte de inventar ou fazer descobertas – mostra que as pessoas fazem seus julgamentos baseadas na similaridade entre situações atuais e outras situações vividas ou protótipos daquelas situações. Essa ligação heurística conduz-nos a acreditar que novo evento “parece igual” a alguma experiência prévia e confundir “aparência” e “realidade”. Porém, “semelhança com a verdade não é o mesmo que a verdade”…

Por exemplo, o populista de direita, Jânio Quadros, era avesso a partidos. Elegeu-se como deputado estadual, deputado federal, prefeito da capital paulista e governador estadual e presidente da República por coalizões improvisadas, sem se ater a nenhuma agremiação, sem ligar para nenhuma ideologia política. Confiava mais no instinto e no talento cênico. Seus discursos giravam em torno de dois temas de eterno apelo eleitoral: o combate à corrupção e a má qualidade da gestão pública. Ele cultivava a imagem de administrador incorruptível, ou seja, o que o moralismo inculcado como fosse a única “regra do jogo” a ser seguida por todos os políticos. Há eleitor que só cobra isso. Continue reading “Repetições da História: Tragédias e Farsas”

Espiritualismo e Materialismo: O Resultado Econômico de Crendices

sucesso-financeiroSucesso financeiro se deve a investimento de sobra de renda do trabalho e/ou da herança em acumulação de renda capitalizada por juros compostos, cuja referência é determinada em última instância pelo Banco Central. Este não é Deus, talvez seja o Papa de O Mercado… Os neoliberais veem O Mercado como Deus.

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Desde agosto de 2006 até o fim da Era Social-desenvolvimentista em 2014, houve pequena evolução da renda dos evangélicos. Depois da volta da Velha Matriz Neoliberal, nos últimos dois anos, caiu o nível de renda deles. A fé em Deus diminuiu?

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Esta fé, que “Deus dará”, é falseada pelos dados de distribuição de renda no Brasil — isto sem considerar a dos países onde os povos seguem outras religiões: budismo, hinduísmo, islamismo, etc. –, já que apenas 1,7% da população ocupada — considerando o contingente de 94,8 milhões na população ocupada (PO) em 2015, eram 1,6 milhão pessoas — recebiam mais do que dez salários mínimos (R$ 8.800), sendo a Classe B [10-20 SM] 1,4% e a Classe A [>20 SM] 0,3% ou apenas 284,4 mil pessoas. A Classe C [2-10 SM] tinha 21% da PO, a Classe D [1-2 SM], 37%, tendo aumentado em 3,5 pontos percentuais em 2015, e a Classe E, 30,4%. Que riqueza esperada é esta — material ou espiritual? Continue reading “Espiritualismo e Materialismo: O Resultado Econômico de Crendices”

O que esperar deste ano de 2017?

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O que esperar deste ano de 2017? Eu não digo mais “pior do que está não pode ficar”, como disse — e errei — no final de 2015. Infelizmente, talvez ocorra “o quanto pior, melhor”. Melhor será porque, neste ano pré-eleitoral, por razão pragmática de sobrevivência — e o político profissional tem esse instinto bastante apurado — serão prováveis as dissidências na imensa base governista formada pelos golpistas no Congresso Nacional. Quem se arriscará a tomar um “abraço-de-afogado”? O PSDB/DEM/PPS?! 🙂

Os potenciais candidatos desses partidos apostam no “quanto pior, melhor”, já que assim o eleitor achará qualquer um melhor do que o golpista Temer!

Eu não me arrisco a fazer nenhuma previsão econômica, simplesmente, porque não há nenhuma experiência passada similar a o que poderá ocorrer na geopolítica mundial com a posse de um xenófobo/misógino/racista na presidência do Império (EUA). Será similar ao que ocorreu em 1933, quando o Partido Nazista se tornou o maior partido eleito no Reichstag, com seu líder, Adolf Hitler, sendo apontado Chanceler da Alemanha no dia 30 de janeiro do mesmo ano?

Após novas eleições, ganhas por sua coalizão, o Parlamento aprovou a Lei Habilitante de 1933, que começou o processo de transformar a República de Weimar na Alemanha Nazista, uma ditadura de partido único totalitária e autocrática de ideologia nacional-socialista. A questão-chave é: entramos na ante-sala da Terceira Guerra Mundial com a possibilidade de eleições de populistas de direita neofascista em diversos países do mundo ocidental?

Já o que ocorreu nos EUA, na virada do século XIX para o XX, talvez possa servir como guia do passado para o que ocorrerá no futuro do Brasil.

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