Mortalidade Infantil

Hugo Passarelli e Leila Souza Lima (Valor, 15/04/19) informam: após registrar alta inédita em 2016, a taxa brasileira de mortalidade infantil voltou a cair em 2017. A retração foi de 2,7% entre um ano e outro, embora o indicador tenha voltado para o mesmo patamar de 2015 – 12,4 óbitos por mil nascidos. Na desagregação do resultado, há piora nas mortes de crianças que não atingiram seu primeiro mês de vida (neonatais), com número absoluto de ocorrências passando de 25,1 mil para 25,5 mil. Já os óbitos pós-neonatais, que ocorrem entre o primeiro mês de vida até um ano de idade, caíram de 11,2 mil para 10,6 mil.

Os dados são de levantamento da Fundação Abrinq com base em informações do Ministério da Saúde. Os resultados são preliminares e estão sujeitos a revisão antes da compilação oficial pelo governo, que costuma ocorrer no segundo semestre do ano. Mas a tendência deve se confirmar quando forem conhecidos os números finais.

As informações confirmam que há uma nítida desaceleração na queda das taxas de mortalidade a partir de 2010, após mais de duas décadas de melhora consistente. Quando a taxa de mortalidade é mais alta, o governo emprega aquelas políticas públicas mais básicas, de larga escala. Mas, a partir de um determinado ponto, é preciso de políticas mais específicas e acuradas.

A estagnação também ocorre na mortalidade na infância, que considera um recorte maior, com os óbitos até quatro anos de idade. Nessa faixa, o indicador foi de 14,4 óbitos por mil nascidos em 2017, queda ante 2016 (14,9), mas levemente acima do registrado em 2015 (14,3). Continuar a ler

Falta Esgoto, Água e Gás Encanado no País: Está um Lixo!

Bruno Villas Bôas e Alessandra Saraiva (Valor, 23/05/19) informam: mesmo ainda distante da universalização, o saneamento básico ficou estagnado no país no ano passado. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados pelo IBGE mostram que 72,4 milhões de brasileiros viviam em domicílios sem acesso à rede coletora de esgoto em 2018, resultado pior que no ano anterior (72,1 milhões). É uma população da França.

De acordo com a pesquisa, 66,3% dos domicílios brasileiros estavam diretamente conectados com a rede geral ou tinham fossa ligada à rede de coleta. No ano anterior, a proporção era de 66% – a diferença, de 0,3 ponto, é considerada estabilidade pelo instituto. A pesquisa não aprofundou, porém, se esse esgoto está sendo mais bem tratado ou se recebia tratamento melhor anteriormente.

A estagnação tem a ver com a falta de investimentos a partir de 2015, com a volta da Velha Matriz Neoliberal, quando a crise econômica começou. O setor depende de recursos públicos para expandir e o que vimos foi a falta de capacidade de investimento dos Estados. Eles tiveram perdas de receita e estão sem espaço de endividamento.

Além da estagnação no acesso à rede de esgoto, o levantamento mostra que a coleta de lixo não avançou. Cerca de 20 milhões de pessoas – 9,7% da população brasileira – viviam em residências sem serviço de coleta de lixo, estável na comparação ao ano anterior. Já a proporção de lares com água pela rede geral de distribuição está em 88,3%, mesmo nível do ano anterior. Continuar a ler

Crise Profissional na Meia-idade

Emma Jacobs (Valor, 25/02/19) escreveu reportagem sobre a crise profissional na meia-idade.

Jane Lockwood teve uma pequena epifania no ano passado. Ela percebeu que sua idade – 54 – afetou sua autoconfiança profissional. “Tendo a ser menos confiante quanto a promoções… Eu me limitei e comecei a pensar que as promoções são apenas para jovens. Sempre pensei em subir na carreira, mas perdi essa aspiração.”

A revelação dessa gerente de operações foi feita durante um check-up de
carreira organizado por seu empregador, a companhia de seguros Aviva. O
evento foi parte de um projeto piloto para 100 funcionários com mais de 45 anos que cobriu três áreas: carreira, bem-estar e finanças. Após o elevado nível de participação, a companhia decidiu que este ano vai ampliá-lo para todos os funcionários com mais de 45 anos.

Programas parecidos, ao lado de inciativas como coaching e períodos sabáticos, podem ajudar os trabalhadores a fazer um balanço e planejar suas carreiras. A maior longevidade e os déficits previdenciários indicam que muitos vão trabalhar por mais tempo e se aposentar mais tarde.

Os trabalhadores na meia-idade se sentem espremidos entre a vida profissional e a vida familiar. Iniciativas voltadas para aqueles que estão na faixa dos 40 e dos 50 podem ajudar a energizar os que se sentem pouco valorizados em uma cultura que privilegia os mais jovens e baratos. Essa atitude foi resumida de maneira memorável na afirmação de Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, de que “os jovens são simplesmente mais espertos”.

Para as empresas, o benefício é a conservação de habilidades importantes e conhecimento. A Aviva, por exemplo, vai monitorar a retenção entre os que têm mais de 45 anos quando o programa for lançado. Jonathan Rauch, autor do livro “The Happiness Curve: Why Life Gets Better After Midlife” (“A curva da felicidade: Por que a vida melhora após a meia- idade”), diz que tradicionalmente a meia-idade é um período negligenciado. Continuar a ler

Características Gerais dos Moradores no Brasil – 2018

Bruno Villas Bôas e Alessandra Saraiva (Valor, 23/05/19) informam: a população brasileira com 65 anos ou mais cresceu 26% de 2012 a 2018, ao passo que a população de até 13 anos recuou 6%, mostram dados da pesquisa “Características Gerais dos Domicílios e dos Moradores 2018“, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A população residente no Brasil no ano passado foi estimada em 207,8 milhões de pessoas, 5,1% a mais do que em 2012. As pessoas com 65 anos ou mais de idade representavam 10,5% desse total, o correspondente a 21,9 milhões de pessoas. A parcela de crianças era 18,6% do total, o equivalente a 38,6 milhões de pessoas. isso.

Apesar de o contingente de crianças permanecer muito superior ao de idosos, o envelhecimento da população reforça a necessidade de políticas voltadas aos idosos. É preciso observar se o Estado e a sociedade estão se preparando.

O mudança do perfil demográfico também reforça a importância da reforma da Previdência. Com o declínio da população em idade ativa, a tendência é de menor número de contribuintes para sustentar os benefícios dos aposentados. Vai precisar aumentar a produtividade desses jovens para compensar.

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Mitificação da Meta de Inflação

O regime de meta de inflação foi um avanço em relação à baboseira monetarista de seguir uma inexequível programação monetária, ou seja, estimular uma meta na oferta de moeda e, daí, achar atingir um controle da inflação via controle monetário geral. Substituiu o instrumento (meio) para atingir o mesmo objetivo (fim): prioridade total ao combate à inflação e não à retomada do crescimento, embora o contexto da economia brasileira (e mundial) tenha se alterado inteiramente, com a inflação deixando de ser o problema maior.

Mas, enfim, para mentes com apenas “2 neurônio” (sem S), é fácil entender a mecânica de gangorra: se subir a taxa de inflação, em seguida sobe mais a taxa de juros. Só.

Alex Ribeiro (Valor, 21/06/19) tenta analisar se há “ciência” nessa política monetária tosca sem nenhuma sofisticação.

Nas idas e vindas para escolher as metas de inflação nos últimos 20 anos, o Conselho Monetário Nacional (CMN) nunca se utilizou de estudos técnicos mais aprofundados para embasar as suas decisões, mostram os votos inéditos apreciados pelo colegiado, solicitados pelo Valor.

O principal argumento para reduzir as metas de inflação, ao longo do tempo, foi a convergência para os padrões adotados por economias emergentes como México e Chile. Em geral, quem ficou contra baixar o objetivo citou razões conjunturais, como altas internacionais de preços de commodities. Continuar a ler

Resolução do Problema da Dívida Bruta: Trocar Operações Compromissadas por Depósitos Voluntários dos Bancos no BCB

A redução na alíquota de recolhimento compulsório sobre recursos a prazo, de 33% para 31%, anunciada na última semana de junho de 2019 pelo Banco Central, é positiva para os ratings dos bancos brasileiros, segundo a Moody’s. A agência diz a mudança permitir os bancos alocarem os R$ 16 bilhões liberados de maneira mais eficiente, beneficiando as margens. Embora a originação de novos empréstimos continue crescendo pouco desde o fim de 2017, puxada pelos bancos privados, a demanda por crédito segue fraca.

Essa é a segunda redução de depósito compulsório anunciada pelo BC este ano, o que levou o estoque total para R$ 409 bilhões. O estoque atual representa quase 21% dos depósitos totais do sistema. Comparado com outros países, o Brasil impõe um dos maiores níveis de compulsórios.

Por exemplo, a taxa de recolhimento compulsório para depósitos a prazo:

  • na China, é 13,50%;
  • na Turquia, de 7%;
  • em Rússia e Peru, de 5%;
  • nos EUA, de 3%;
  • na África do Sul, de 2,50%; e
  • na zona do euro, de apenas 1,00%.

Na avaliação da Moody’s, a liberação dos compulsórios não representa uma injeção substancial de liquidez no sistema financeiro. Na realidade, os bancos já possuem atualmente bastante espaço em seus balanços para reforçar o crédito, falta é demanda de crédito! Oferta de crédito é igual à de luz elétrica: só ocorre sob demanda! Continuar a ler

Estado Mínimo: Erro do Ajuste Fiscal em Plena Recessão

Fábio Pupo (Valor, 22/05/19) informa: a União encerrou o primeiro trimestre registrando o menor patamar de investimentos em pelo menos 13 anos. O valor de R$ 6,2 bilhões de janeiro a março corresponde a 0,35% do Produto Interno Bruto (PIB), percentual mais baixo para o período em toda a série histórica (com início em 2007). A queda é resultado da contenção de despesas do governo em meio à dificuldade de cumprir a meta fiscal do ano. O contingenciamento de recursos deve agravar o cenário.

Os números foram calculados com base nos mais recentes dados de investimento divulgados pelo Tesouro Nacional e pelos dados preliminares do PIB do Banco Central (BC). O indicador mostra a magnitude do corte de despesas promovido pelo Executivo federal nos últimos anos e, mais intensamente, nos últimos meses.

O percentual representa menos de um quarto do registrado no primeiro trimestre de 2014, ápice da série histórica para o período. O valor era de R$ 27,4 bilhões (considerando números atualizados), ou 1,48% do PIB no fim do período social-desenvolvimentista. Continuar a ler