Antipluralismo Bolsonarista (por Cláudio Gonçalves Couto)

Obs.: veja acima o resultado da submissão do atual (des)governo ao Trump: elevação do superávit do balanço comercial em favor dos EUA contra o Brasil!

Cláudio Gonçalves Couto é cientista político, professor da FGV-SP. Como colunista convidado do Valor (09/01/2020) publicou uma análise realista sobre o neofascismo tupiniquim.

“Uma das principais referências políticas do bolsonarismo é a Hungria de Viktor Orbán — como já deixou claro em mais de uma ocasião o filho 03, Eduardo Bolsonaro, líder ideológico local do movimento capitaneado pelo pai. Em célebre discurso de 2014, Orbán expressou seu desejo de transformar a Hungria em uma “democracia iliberal”, como já o seriam a Rússia de Vladimir Putin e a Turquia de Recep Tayyp Erdogan. Nesses regimes, o apoio plebiscitário de uma maioria ao líder entronizado lhe permite governar passando por cima de eventuais limites.

Assim, restringe-se ou mesmo se elimina a liberdade de imprensa; perseguem-se e até se encarceram opositores; combate-se a independência dos centros de produção intelectual autônoma – como as universidades e as artes; deslegitima-se a oposição, apontando-lhe como formada por traidores da pátria – não existiria, como no Reino Unido, uma oposição “de” Sua Majestade, mas apenas “a” Sua Majestade.

O modus operandi da democracia iliberal passa por sufocar as divergências e subalternizar as minorias não alinhadas à linha dominante, personificada pelo líder máximo e amparada plebiscitariamente no apoio de uma maioria baseada em critérios identitários – como valores, etnia, religião ou um conjunto de todas essas coisas. Continuar a ler

Direita Evangélica Antipetista X Esquerda Ateia Petista

Malu Delgado (Valor, 17/12/2019) fez uma entrevista para reflexão política.Tem quase metade da população brasileira “despolitizada”: ela não é petista nem antipetista. Eles votam com o afeto em valores morais ou de acordo com o estado da economia.

Preocupado em identificar antipatias partidárias, e não necessariamente as simpatias, como captavam os institutos de pesquisa do país, o cientista político Cesar Zucco, da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape)/Fundação Getúlio Vargas, no Rio, pesquisa em detalhes o antipetismo. Em entrevista ao Valor, Zucco, ex-professor titular em Princeton, explica as conclusões recentes a partir da atualização de estudos que embasaram o seguinte livro:

Partisans, Antipartisans, and Nonpartisans: Voting Behavior in Brazil

Foi escrito em parceria com o professor David Samuels e lançado em 2018.

Com base em microdados de pesquisas do Datafolha e Ibope, e sobretudo em surveys acadêmicos, os pesquisadores concluíram que de 1989 até aproximadamente 2014, os petistas e os antipetistas eram grupos com grande semelhança sociodemográfica. A partir desta data, no entanto, antipetistas se tornam mais ricos e mais escolarizados.

A diferenciação crucial vem em 2018, com a predominância de evangélicos entre os antipetistas, conclusão mais recente comprovada por Zucco. “A coalizão antipetista é a dos mais ricos, mais escolarizados e também evangélicos.” Questionado se o crescimento gradual do antipetismo inviabilizaria uma vitória eleitoral do PT nos próximos anos, Zucco sugere que tudo dependerá da economia e da capacidade do partido tentar fazer pontes com o heterogêneo universo das igrejas evangélicas. A seguir, os principais trechos da entrevista: Continuar a ler

Fuga de Cérebros: “o último apaga a luz do aeroporto!”

No mês passado, tive uma confirmação de uma impressão: o cientista ou intelectual com possibilidade de emigrar do país para ir trabalhar em outro mais civilizado, não está tendo dúvidas! O fator de repulsão daqui está muito forte!

Uma ex-aluna, hoje colega como professora e pesquisadora de destaque do IE-UNICAMP fez concurso para a UNCTAD e passou entre muitos outros candidatos de todo o mundo. Está se mudando para Genebra, Suíça. Ela tem pós-graduação no exterior e é uma intelectual promissora.

Como ficar em um país onde o ministro da Educação ataca diariamente as Universidades públicas?! Despeja a TV Escola! Desrespeita alunos e professores! Mas não é só ele…

Anaïs Fernandes e Marcos de Moura e Souza (Valor, 16/12/2019) conta outras histórias.

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Resistência Partidária contra o Neofascismo Brasileiro

Neste gráfico, o Nexo apresenta como os partidos se posicionam em relação ao governo do capitão. Os dados foram obtidos com a API do Congresso Nacional e vão desde o início da atual legislatura até o dia 22 de outubro de 2019. Para atribuir o posicionamento do governo em determinado assunto, tomamos como base o voto do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo, do PSL de Goiás. Dentre as atribuições do líder está justamente a articulação de bancadas aliadas em votações de interesse do governo.

Depois do próprio PSL, o Novo é o partido que mais se alinha com o governo em suas votações. Ao todo, são 18 siglas com mais de 80% de alinhamento ao governo. Neste grupo estão partidos tradicionais, como PSDB, DEM e MDB, e siglas menores, como Patriotas, Podemos e PMN. Dos partidos de oposição, as siglas que mais se aproximaram do governo foram PDT, PSB e Rede, com mais de 30% de alinhamento. A mais distantes foram o PT, com 11%, PSOL, com 16%, e PCdoB, com 22%.

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Wanderley (por Liszt Vieira)

Eu não o conheci, pessoalmente, mas meu amigo Liszt Vieira fala por mim a seu respeito. Eu sempre admirei sua coragem de se posicionar politicamente.

“Conheci o cientista político e professor Wanderley Guilherme dos Santos como aluno do Curso de Ciências Sociais da UFF, nos idos de 1968. Em plena ditadura, às vésperas do AI-5, muitos professores foram afastados da Faculdade Nacional de Filosofia da UFRJ, onde já imperava a censura, e atravessaram a Baía para dar aula de filosofia, sociologia, ciência política e antropologia em Niterói.

Não me lembro se este era o caso do Wanderley, mas recordo muito bem sua proposta de fazer na UFF uma “guerrilha cultural”, pois lá ainda havia então um espaço de liberdade. Recordo uma reunião de representantes de alunos e professores com o Reitor quando Wanderley citou o linguista Roman Jacobson, que, naquela ocasião, eu não sabia quem era, mas o Reitor visivelmente também não sabia.

Culto, inteligente, brilhante, ficou famoso quando publicou seu livro ‘Quem Vai dar o Golpe no Brasil’ em 1962, dois anos antes do Golpe Militar de 64. Seu conceito de ‘cidadania regulada’ no livro ‘Cidadania e Justiça: a política social na ordem brasileira’ (1979), tornou-se um marco da sociologia brasileira. Publicou inúmeros livros de análise da conjuntura política, tornando-se uma das principais referências da ciência política no Brasil.

Quando fui candidato a deputado federal em 1986, interessado que estava em participar da Constituinte que produziu a Constituição de 1988, em uma das inúmeras reuniões de campanha com as pessoas que me apoiavam, eis que entra na sala o Wanderley, que para mim era vaca sagrada, sentou-se e participou da reunião como qualquer outro militante que ali se encontrava.

A meu pedido, prefaciou a 1ª. edição do meu livro de memórias da luta contra a ditadura militar ‘A Busca – Memórias da Resistência’. No atual momento político de regressão às trevas da irracionalidade – a serviço de um mercado dominado por um capitalismo improdutivo controlado por uma lumpen burguesia, com apoios no aparelho judiciário, nas forças armadas e nas igrejas evangélicas – Wanderley vai fazer muita falta.”

Locaute Empresarial para o Golpe em maio de 2016: Caça à Bruxa ou Bode-Expiatório pelo Mau Desempenho Econômico-Financeiro após junho de 2013

Gráfico 1.2.3.1: Indicadores econômico-financeiros

Fonte: Economática e Banco Central do Brasil
Empresas Não-Financeiras
Rentabilidade Índice de cobertura de juros Dívida Líquida / EBITDA
201206 6,4 4,8 2,3
201209 6,0 5,2 2,2
201212 6,4 5,3 2,3
201303 6,0 4,9 2,3
201306 6,6 5,2 2,3
201309 6,4 4,9 2,2
201312 6,3 4,6 2,1
201403 6,2 4,6 2,2
201406 5,9 4,8 2,3
201409 5,4 4,0 2,4
201412 5,8 3,8 2,5
201503 5,2 3,8 2,6
201506 5,2 3,5 2,7
201509 3,9 3,1 3,0
201512 2,5 2,5 3,1
201603 2,2 2,7 3,2
201606 1,2 2,6 3,1
201609 1,5 3,1 2,8
201612 3,2 3,0 2,6
201703 4,0 3,2 2,6
201706 2,5 2,7 2,8
201709 3,0 3,2 2,7
201712 4,2 3,6 2,4
201803 5,1 3,7 2,7
201806 5,4 3,5 2,8
201809 5,3 3,7 2,8
201812 7,1 4,1 2,5
201903 7,4 4,4 2,7
201906 7,3 4,6 2,4

A rentabilidade patrimonial foi obtida pelo quociente entre lucro líquido e patrimônio líquido médio (ROE – Return on Equity).

O índice de cobertura de juros foi obtido pelo quociente entre EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization) e despesa financeira bruta. O indicador EBITDA / Despesas Financeiras mede o grau de cobertura das despesas financeiras pela geração de lucro operacional.

A relação Dívida Líquida / EBITDA representa o grau de fragilidade financeira das empresas não-financeiras. A dívida é líquida quando se desconta dos juros pagos pelo endividamento os juros recebidos por aplicações financeiras. Compara esse fluxo de juros com o fluxo de lucro operacional.

O grau de endividamento pode ser medido pela relação entre o endividamento líquido e o capital próprio. Nesse caso, é uma relação entre estoques ou saldos.

Um boxe do Relatório da Estabilidade Financeira, publicado pelo Banco Central do Brasil em setembro de 2016, apresentou uma breve análise dos indicadores econômico-financeiros das companhias não financeiras de capital aberto. Demonstrava, de modo sintético, os principais efeitos do ambiente econômico na situação financeira dessas empresas.

Lembre-se: em abril de 2013, encerrando a “Cruzada da Dilma”, o Banco Central voltou a elevar os juros de 7,25% aa até 14,25% em junho de 2015. Permaneceu nesse elevado patamar até outubro de 2016. O atraso em abaixá-lo, quando a inflação já caia desde fevereiro, levou ao enriquecimento de muitos, agravando a concentração da riqueza financeira no Brasil.

Do mau desempenho empresarial é possível deduzir a motivação golpista de associações patronais tipo FIESP. A casta dos mercadores, inclusive dos midiáticos, aliou-se, inicialmente, com a casta dos sábios-juristas e sabidos-pastores e a casta dos oligarcas-governantes do Congresso. Em 2018, aliou-se, eleitoralmente, com a casta dos guerreiros-milicianos. Lançou-se contra a aliança socialdemocrata entre a casta dos trabalhadores organizados e a casta dos sábios-intelectuais. De suas perversas alianças vieram o desemprego, a reforma trabalhista e a reforma da Previdência Social com corte de direitos dos trabalhadores, inclusive intelectuais. A ameaça agora é cortar a estabilidade dos servidores públicos, ou seja, da casta dos sábios-tecnocratas. Enquanto esses conflitos de interesses acontece entre as castas brasileiras, os “párias”… sofrem mais ainda.

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Mas quem é, hem? (a partir de Leandro Karnal)

Para quem idealiza o mito como um gênio do mal, é preciso dizer: se o mal é bem empregado no caso, gênio é um equívoco. Não cabe dizer: “Ele é um miliciano, mas é brilhante”. Mesmo as biografias apologéticas já indicam: não se pode sustentar a tese da inteligência do capitão reformado.

De forma ainda mais contundente é possível derrubar, tijolo por tijolo, a imagem de estrategista político poderoso ou brilhante. É homem medíocre, limitado em todos os sentidos, com uma visão de mundo na qual sua tacanhice faz par com seus ódios.

Ele é tão banal a ponto de ficar o incômodo de como alguém assim chegou ao ponto de ameaçar de genocídio a ecologia amazônica e, junto, os nativos remanescentes. Talvez o segredo de sua popularidade vulgar seja este: ele entende o brasileiro comum por ser um homem comum. Usa (e é abusado por) a cultura brega tipo Bahamas, Havan, Record, SBT, casta dos sabidos-pastores…

Como alguém tão estúpido chega ao poder? Oh, brasileiros, oh, cidadãos da minha terra amada: vocês têm certeza de desejar lhes fazerem esse questionamento? Por que o presidente seria diferente de nós?

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Neofascismo Verde-e-Amarelo

fascismo no Brasil teve na Ação Integralista Brasileira (AIB) sua principal organização, criada na década de 1930, logo após o Movimento Constitucionalista de 1932. Seu principal representante foi Plínio Salgado, e os membros da AIB eram conhecidos por integralistas, camisas verdes ou, pejorativamente, como galinhas-verdes, por conta da cor de seus uniformes. O que principalmente caracterizava o integralismo era o exacerbado militarismo e o nacionalismo.

Renato Janine Ribeiro é ex-ministro da Educação (2015, governo Dilma), professor titular de ética e filosofia política da USP e professor visitante da Unifesp. Reproduzo seu artigo (FSP, 17/09/19) sobre o neofascismo verde-e-amarelo. Os galinhas-verdes acrescentaram o amarelo-canarinho aos seus uniformes: up-grade para serem chamados de canarinhos! Ou canalhinhas… junção de canarinhos com galinhas.

“Afirmei nesta Folha, em meu artigo “A Flip e o fascismo” (16.jul), que a principal diferença entre o fascismo e outros autoritarismos de extrema-direita é que ele tem militantes ativos, empenhados, empolgados: quem o apoia não se envergonha de usar a violência de forma banal e corriqueira. Foi o caso dos ataques a Glenn Greenwald, durante a Flip, e das ameaças a Miriam Leitão, convidada a outra feira literária.

Mas há mais dois fatores, pelo menos, que distinguem o fascismo do restante da extrema-direita: um é o desgaste ou destruição das instituições; o outro, a invasão totalitária da vida privada. Mussolini dizia: “Nada acima do Estado, nada contra o Estado” —e, pior ainda, “nada fora do Estado”. Ora, numa democracia o Estado tem várias instituições que se equilibram, fazendo o que chamamos de pesos e contrapesos. No Brasil, por forte que seja o presidente, seu poder é limitado por ao menos quatro instituições civis que pertencem também ao Estado. Como vão elas?

Virtude da Tolerância e Vício da Omissão

Pedro Cafardo é editor-executivo do Valor Econômico. Escreveu artigo (Valor, 10/09/19) sobre a atual ascensão do neofascismo-neoliberal brasileiro. Reproduzo-o abaixo.

“Quem já conseguiu atravessar as 1.200 páginas da edição condensada da monumental obra de Winston Churchill denominada “Memórias da Segunda Guerra Mundial” pôde notar a decepção do autor com o fracasso das democracias europeias por ter permitido aquela absurda matança do século XX. Cerca de 60 milhões de pessoas morreram durante a guerra, sendo 8% da população da Alemanha e 14% dos habitantes da então União Soviética.

Churchill, que foi primeiro-ministro do Reino Unido durante a guerra, confessa que teria sido extremamente fácil evitar aquela tragédia. Observa que a maldade dos perversos foi reforçada pela fraqueza dos virtuosos; que as recomendações de prudência e continência se transformaram nos principais agentes de um perigo mortal; que o meio-termo adotado em função de desejos de segurança e de uma vida tranquila conduziu ao desastre.

Quando Churchill expõe essas ideias, está falando claramente de omissão. Está dizendo que se pode pagar muito caro por omissões e que elas muitas vezes são mortais.

Depois da Primeira Guerra Mundial, escreve Churchill, teria sido simples manter a Alemanha desarmada e os vencedores aliados armados, para impor um longo período de paz na Europa. Mas não se fez isso.

Em 1936, Adolf Hitler invadiu a Renânia, região da fronteira da Alemanha com a França que havia sido desmilitarizada pelo Tratado de Versalhes no fim da Primeira Guerra. A região era uma barreira natural para uma eventual invasão da França pelos alemães. Violando o Tratado de Versalhes, Hitler enviou suas tropas para a Renânia e os países aliados, para evitar conflitos, toleraram. Acreditaram no blefe de Hitler de que o exército alemão tinha ordens para não resistir e retirar- se da região se houvesse algum confronto.

Em resumo, a eclosão da Segunda Guerra, depreende-se do relato de Churchill, se deu por causa de omissões. Quando Hitler colocou seus exércitos na Renânia, que deveria ficar desmilitarizada, França e Reino Unido disseram “deixa pra lá, ele vai parar por aí”. Mas depois ele invadiu a Áustria, a Checoslováquia e não parou. Quando França e Reino Unido se deram conta, era tarde demais.

Teria sido extremamente fácil, portanto, ter impedido a ascensão de Hitler, segundo Churchill, se os vencedores da Primeira Guerra não tivessem pecado pela omissão. Viram, mas se omitiram quando Hitler tornou o serviço militar obrigatório e foi ampliando seu exército, quando montou as fábricas de munições e quando transformou toda a sua indústria num arsenal bélico. Continuar a ler

Brevemente, Ruptura da Casta dos Mercadores com a Casta dos Milicianos

Hugo Passarelli (Valor, 06/09/19) anuncia: o baixo crescimento da economia brasileira e a retórica contundente do governo boçalnaro em temas sensíveis, como o meio-ambiente, afastam investidores estrangeiros do Brasil, isolando ainda mais o país nas trevas. Antes do isolacionismo adotado como política externa brasileira por sujeitos ineptos para os cargos nomeados, os investidores estrangeiros planejavam entrar em projetos de infraestrutura, concessões ou privatizações, opinam especialistas nessa corretagem da venda de patrimônio público.

Já houve uma virada brusca de humor em relação ao Brasil — acabou o “soft-power” brasileiro!

São inúmeros exemplos de elementos estúpidos trazidos pelo novo governo e prejudiciais à economia brasileira. São capazes de frustrar a tentativa de, em cenário de restrição fiscal, atrair capital privado para destravar investimentos.

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Valeu a pena eleger a burrice?

Bruno Bimbi é jornalista e escritor argentino, doutor em estudos da linguagem (PUC-Rio) e autor dos livros “O fim do armário” e “Casamento igualitário” (ed. Garamond). Expressa (FSP, 06/09/19) uma pergunta-chave a ser respondida por muitos brasileiros: valeu a pena eleger o capitão despreparado para o cargo?!

Deve fazer mea culpa quem, no segundo turno das eleições presidenciais de 2018, esteve entre 57,8 milhões de eleitores iludidos. Isso representou 55,1% dos votos válidos e 39,2% do eleitorado total apto a votar, 147,3 milhões de pessoas.

“Desde janeiro, ninguém governa o Brasil. Enquanto Jair Bolsonaro (PSL) insulta e ameaça adversários e jornalistas, seus filhos se dedicam a outras coisas —zero um, a lavar dinheiro da milícia; zero dois, a difamar pessoas com fake news; e zero três, a explicar que ter fritado hambúrguer nos EUA o habilita a ser embaixador. Ninguém cuida dos assuntos públicos, que, em países normais, são prioridade. Não é um mau governo, nem mesmo um desgoverno, mas um antigoverno.

A função do ministro da Educação é destruí-la. Cortando bolsas de pós-graduação e pesquisa, asfixiando as universidades e incentivando a caça às bruxas contra o comunismo imaginário e a inexistente “ideologia de gênero” nas escolas, sua missão é deseducar. Enquanto isso, o presidente e seu guru terraplanista negam o conhecimento científico e reescrevem a história. Da mesma forma, o ministro do Meio Ambiente ataca ONGs ambientalistas, demite cientistas e técnicos concursados, flexibiliza normas e controles e incentiva a depredação ambiental.

Enciclopédia do Golpe em Dois Volumes

A Enciclopédia do Golpe (Projeto editorial Praxis/Declatra, 2017), organizado por Bárbara Caramuru Teles e coordenado por Giovanni Alves, Mírian Gonçalves, Maria Luiza Quaresma Tonelli e Wilson Ramos Filho, é um grandioso esforço de parcela importante da intelectualidade brasileira de esquerda na tarefa de esclarecimento político do Golpe de 2016. Contra as Trevas do Golpe, o Esclarecimento da Razão histórica.

Em comemoração das 8 milhões visitas recebidas neste modesto blog pessoal, faça o download gratuito em:

Enciclopedia do Golpe – vol_1

Enciclopedia do Golpe – vol_2