Desigualdade Inflacionária

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Se for confirmada a mediana das atuais expectativas do mercado para o IPCA, de 8,12% ao fim deste ano, conforme o último boletim Focus do Banco Central (BC), que reúne as estimativas de indicadores econômicos feitas por analistas, significará a maior variação anual do IPCA desde 2003, quando o governo Lula herdou uma taxa de inflação crescente que atingiu 17,5% aa em março. O número impressiona, mas dá poucas pistas sobre como as famílias em cada faixa de renda sentem e lidam com o peso da alta de preços em seus orçamentos.

A média esconde o impacto dos fatores microeconômicos, ou seja, como a dinâmica das categorias de despesas afeta, na prática, os custos de cada perfil de consumo familiar.

Há indicadores específicos, ajustados para medir a inflação em determinadas faixas de rendas, como:

  • o Índice de Preços ao Consumidor Classe 1 (IPC-C1), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que mede a variação de preços para famílias com ganhos até 2,5 salários mínimos, e
  • o Índice do Custo de Vida da Classe Média (ICVM), calculado pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB), que acompanha a inflação de uma cesta de produtos e serviços com maior peso entre as famílias de renda entre 10 e 39 salários mínimos.

Eles mostram ao longo da última década comportamentos muito parecidos ao do IPCA, que tem como referência famílias com rendimentos entre 1 e 40 salários mínimos e, portanto, tem abrangência muito maior (ver quadro acima).

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CARF: Corrupções de O Mercado

CARF

Deflagrada na última semana de março de 2015, a Operação Zelotes, reforçou a necessidade de alterações no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que foi alvo de operação da Polícia Federal para desarticular organizações criminosas que atuavam para manipular o andamento de processos e resultado de julgamentos. Há anos os conselheiros já debatiam como aprimorar o Carf, onde são analisadas autuações em que o Fisco exige o pagamento de valores elevados aos cofres públicos, sendo que em alguns casos era detectada a intenção de burlar o sistema tributário.

A organização criminosa, segundo a Polícia Federal, causou um prejuízo de R$ 6 bilhões ao caixa da União, mas esse número, que supera o valor (R$ 4,4 bilhões) levantado em propinas pela Operação Lava-Jato, representa a “sonegação” de apenas algumas empresas. Pode subir com o julgamento correto de outros casos, chegando a se estimar que alcançaria cerca de R$ 19,5 bilhões. Isso representa quase 1/3 do ajuste fiscalde R$ 66 bilhões pretendido no ano corrente.

Com a investigação pela CPI e pela SRF da Swisleak (fuga de capitais para a Suíça pelo HSBC), talvez o susto dos sonegadores eleve a arrecadação tributária. Falta ainda “fechar a brecha” para os CPFs que pagam impostos como CNPJs….

Investigações apontaram que o esquema formado buscava influenciar e corromper conselheiros com o objetivo de conseguir anular ou diminuir os valores cobrados pelo Fisco. O principal alvo foi negócios como a aquisição de bancos com prejuízos para se aproveitar de créditos tributários e ágios sobre os quais os bancos compradores não pagaram impostos.

Nessas operações, algumas empresas usaram indevidamente, segundo a Receita, valores para amortizar e, assim, diminuir o pagamento de impostos. Grandes empresas do setor bancário e telefônico, além de empreiteiras, estão na lista dos grupos autuados pelo Fisco por supostamente terem tentado fugir da tributação por meio do “uso indevido de ágio”.

Quando os auditores fiscais acreditam que a empresa pagou menos do que deveria, eles fazem uma autuação. Isso pode ser questionado administrativamente, ou seja, fora da Justiça, até chegar ao Carf.

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Ajuste Fiscal e Projeções das Dívidas Líquida e Bruta

Bolsas 1 T 2015

O Banco Central (BC) projeta alta da dívida líquida e da dívida bruta em proporção do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 na comparação com 2014, considerando parâmetros de mercado e da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). As novas projeções reforçam que um superávit de 1,2% do PIB não é suficiente para estabilizar a trajetória do endividamento. Como já dito pelo próprio BC, o percentual necessário está ao redor de 2% de superávit.

Considerando um superávit primário de 1% do PIB (parâmetro de mercado), a dívida líquida sobe de 34,1% no fim de 2014, para 34,8% no fim deste ano. Aqui o BC já considera a nova métrica do PIB divulgada na semana passada pelo IBGE. A dívida bruta, por outro lado, sobe de 58,9% do PIB no fim do ano passado para 62,2% em 2015.

Utilizando o superávit primário da LDO, de R$ 66,3 bilhões, a projeção do BC para a dívida líquida fica em 34,7% (34,1% no fim de 2014), a dívida bruta fica em 62% (58,9% no fim de 2014).

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Relatório Anual da Dívida Pública Federal – 2014 e Plano Anual de Financiamento – 2015

Indicadores da Dívida Pública Federal 2014Composição do Estoque da DPF 2002-2014Carregadores da DPMFi 2013-14

O Relatório Anual da Dívida Pública Federal (RAD) apresenta os resultados e os principais avanços no gerenciamento da dívida ao longo do ano passado, tendo como referência as diretrizes e metas traçadas pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) para o mesmo ano. O documento traz ainda a evolução das expectativas macroeconômicas para o ano a qual se refere, os avanços institucionais do Tesouro Nacional e uma seção dedicada aos resultados do Programa Tesouro Direto (PTD).

Acesse, por meio dos links abaixo, a última edição disponível e a apresentação que sumariza seus principais pontos.

Relatório Anual da Dívida Pública 2014

Publicação Completa

Apresentação

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Mercado de Trabalho em 2014

Mercado de Trabalho em 2014

Leia maisPesquisa Mensal de Emprego – Dezembro de 2014

Pior que está não pode ficar… Este autoengano é comum em momentos de infelicidade. Quando o “tornar-se presente” é um ato triste, o ser humano lembra das coisas boas que já ocorreram no passado — “ele era feliz e não sabia” — e busca esperança de que outras poderão ocorrer no futuro. Ou então verifica que também aconteceram coisas boas em 2014, por exemplo, o desempenho no mercado de trabalho (4,8% foi a menor taxa de desemprego média anual desde o início da série em 2003) — que pode piorar…

Outra fuga mística é ver que pior aconteceu com o Egito Antigo, quando uma doutrina religiosa que defendia a existência de uma única divindade quis impor o culto ou a adoração de um único deus: o seu.

As 10 Pragas que um deus vingativo lançou sobre o Egito tiveram por fim levar Faraó a reconhecer e a confessar que o deus dos hebreus era supremo, estando o seu poder acima da nação mais poderosa que era então o Egito, cujos habitantes deveriam ser punidos por sua grosseira idolatria a outros deuses. Coitados, eram inocentes úteis nessa disputa de poder:) Continuar a ler

Balanço de Pagamentos em 2014

Importação brasileira por categoria de uso 2014-13 Importação brasileira por origem 2014-13 Exportação brasileira por fator agregado 2014-13 Principais destinos da exportação brasileira 2013-14 Taxa de Câmbio 2012-2014 Safra brasileira de grãos 2002-2014 Conta Petróleo 2014 Demanda externa 2014 Queda dos preços das commodities 2014

A exportação brasileira em 2014 foi de US$ 225,1 bi, redução de 7,0% sobre 2013, pela média diária (valor de US$ 242,0 bi). Em 2011, tinha atingido US$ 256,0 bi. Houve aumento do número de exportadores, pelo segundo ano consecutivo. Em 2013 foram 18.809, em 2014 foram 19.250. (+441 exportadores, +2,3%). A importação ficou em US$ 229,0 bi, redução de 4,4% sobre 2013, pela média diária (valor de US$ 239,6 bi). A corrente de comércio somou US$ 454,1 bi, cifra 5,7% menor que 2013 (US$ 481,7 bi). Em 2011, tinha atingido US$ 482,3 bi. O saldo do balanço comercial apresentou um déficit de US$ 3,93 bilhões, com a queda da demanda externa refletindo a crise mundial e, especialmente, as exportações brasileiras sofrendo com a explosão da bolha de commodites, ou seja, a queda dos seus preços.

O balanço de pagamentos registrou, no ano de 2014, o resultado em conta corrente negativo em US$ 90,9 bilhões, equivalentes a 4,17% do PIB, comparativamente a deficit de US$ 81,1 bilhões, 3,62% do PIB, em 2013. No ano, a conta financeira acumulou saldo positivo de US$ 99 bilhões, destacando-se novamente os ingressos líquidos de IED, que atingiram US$ 62,5 bilhões.

Déficits Gêmeos 2014

Em 2014, a conta serviços registrou despesas líquidas de US$48,7 bilhões, elevação de 3,3% na comparação com 2013. As despesas líquidas com aluguel de equipamentos atingiram US$22,7 bilhões no ano, acréscimo de 18,8% em relação a 2013. Continuar a ler

Política Fiscal em 2014

Resultados Fiscais do Setor Público 1997-2014Arrecadação Fiscal em 2014Contas Públicas de 2014Principais despesas federais em 2014Resultado fiscal do GovernoReceita fiscal em quedaDIRPF mais pesada para empregadoDespesa com pessoal e encargos sociais 2002-2014Déficit da PrevidênciaParadoxo Tributário 1994-2010

Participação dos estrangeiros na dívida interna brasileira 2007-2014

O setor público consolidado registrou deficit primário de R$12,9 bilhões em dezembro de 2014. O Governo Central apresentou superavit de R$755 milhões, enquanto os governos regionais e as empresas estatais apresentaram deficits de R$11,3 bilhões e R$2,3 bilhões, respectivamente.

No ano, o resultado primário foi deficitário em R$ 32,5 bilhões (0,63% do PIB), comparativamente a superavit de R$ 91,3 bilhões (1,88% do PIB) em 2013. O Governo Central, os governos regionais e as empresas estatais registraram deficits, na ordem, de R$ 20,5 bilhões, R$ 7,8 bilhões e R$ 4,3 bilhões.

A tarefa da nova equipe econômica de cumprir a meta de 1,2% de superávit primário em 2015 é bem mais complexa do que parece. Considerando o resultado primário recorrente de 2014, ou seja, excluindo da conta receitas extraordinárias como as obtidas com programas de parcelamento de débitos (Refis), concessões (como os leilões de telefonia 4G) e antecipações de dividendos, o déficit do governo central em 2014 salta de 0,63% para 1,2% do PIB.

Partindo-se desse déficit recorrente, o esforço do governo central necessário para atingir a meta de 2015 mais do que dobra, atingindo 2,2% do PIB. A nova equipe econômica estabeleceu como meta para o governo central um superávit de 1% do PIB neste ano. O esforço adicional fica ainda 1 ponto percentual acima da meta de 1,2% do PIB estabelecida para todo o setor público consolidado no ano de 2015.

No ano de 2014, os juros nominais atingiram R$ 311,4 bilhões (6,07% do PIB), comparativamente a R$ 248,9 bilhões (5,14% do PIB) em 2013. Entre os fatores determinantes dessa trajetória destacam-se as elevações da taxa Selic e do IPCA no ano, que incidem sobre parcela significativa do endividamento líquido, e o resultado das operações de swap cambial no período.

Entende porque os “rentistas” — nós, vós, e não “os nós não, cara-pálidas” — ficam nervosos com a solvência do setor público, a capacidade de pagamento do setor público? Querem os cumprimentos dos contratos, i.é, na visão deles: “a Nação trabalhando para pagar o endividamento irresponsável” (sic). Só que a dívida pública, em parte, é repactuada de acordo com os juros de mercado. Em outras palavras, quando os ortodoxos se alarmam contra “a inflação sob descontrole” (sem se envergonharem), os tecnocratas do COPOM reagem, imediatamente, aumentando os juros básicos de referência: a SELIC. Enfim, O Mercado pauta a Autoridade Monetária e não vê só quem é cego por sua ideologia…

O resultado nominal, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados por competência, foi deficitário em R$ 60,1 bilhões em dezembro. No ano, o deficit nominal alcançou R$ 343,9 bilhões (6,70% do PIB), comparativamente a R$ 157,6 bilhões (3,25% do PIB) em 2013. Entende a volta de Joaquim Levy?
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