Rio: 450 Anos de História do Brasil

Rio 400 AnosRio 450 AnosViolência no Rio

Fazer declaração de amor ao Rio é redundante, principalmente por parte de quem se casou com uma carioca, embora tenha se apaxionado por muitas… Frequento o Rio praticamente desde que nasci. Lá morei quando ainda era bebê (confira foto ao lado) e no início de minha carreira profissional (1978-1985), ou seja, entre os 26 e os 34 anos. Bom tempo para lá viver e fazer militância pelo fim da ditadura. Luta & Prazer. Fiz tantos amigos — e o lugar que a gente gosta é onde estão os amigos — que até hoje, depois de viver trinta anos entre Campinas, Brasília e alguns dias em São Paulo, sinto-me mais à vontade no Rio, mais até do que em Belo Horizonte, minha terra-natal. Talvez ainda realize meu desejo de voltar a morar perto das (praias) cariocas… :)

O que me surpreende é que quando pergunto aos meus alunos e amigos paulistas, muitos dizem que, devido ao medo, nunca foram ao Rio! Digo que nenhum brasileiro deve se privar do prazer de conhecer pessoalmente o que é o “bem-estar” na Cidade Maravilhosa. É uma cidade do prazer da Rua e não do conforto da Casa, como são as outras.

Hoje, comemora-se 450 anos do Rio de Janeiro. Compartilho dois artigos polêmicos que representam o “espírito carioca”, para o bem, para o mal…

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Verticalização das Favelas: Onde?

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Sabetai Calderoni é urbanista, economista e membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp. José Pedro Santiago é agrônomo e membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp. Ambos demonstram maior sensibilidade social que os pesquisadores do Ibre-FGV citados no post anterior. Publicaram o seguinte artigo (Valor, 02/02/15), avaliando o Programa MCMV.

“Nossas cidades, sobretudo as áreas metropolitanas, estão se transformando em praça de guerra, no confronto entre polícia e moradores envolvidos em frequentes episódios de invasão de edifícios e até de parques públicos. Conflitos com os sem-teto vão se repetir e as cidades brasileiras vão virar campo de batalha se não for resolvido, com urgência, o problema da falta de moradia.

As maiores dificuldades para eliminar o déficit habitacional brasileiro, de 5,8 milhões de moradias, são a escassez e os elevados custos dos terrenos e da infraestrutura, sobretudo nas grandes cidades. A opção por construções populares de um único andar, sequer geminadas, agrava esse quadro. Por que subutilizar terrenos caros e raros, elevando ainda mais os custos da infraestrutura?

Alternativa promissora para solução do problema é implantar edificações verticalizadas nas próprias favelas. O caminho é promover a permuta de habitações situadas em áreas planas dessas comunidades por apartamentos a serem edificados no mesmo local, em prédios, por exemplo, de dez ou doze andares.

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Síntese dos Indicadores Sociais (SIS) – 2014

Distribuição da Renda Familiar Per Capita 2004-2008-2013

A escolaridade média da população de 25 anos ou mais aumentou entre 2004 e 2013, passando de 6,4 para 7,7 anos de estudo. Esse incremento foi mais intenso entre os 20% com os menores rendimentos, que elevaram de 3,7 para 5,4 os seus anos de estudo. Entre 2004 e 2013, a proporção de pessoas da faixa etária 25 a 34 anos com ensino superior praticamente dobrou, passando de 8,1% para 15,2%. Porém, o percentual é o menor, se comparado aos países da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No mesmo período, os estudantes que fazem parte dos 20% com os maiores rendimentos (5°quinto) deixaram de ser maioria tanto nas universidades públicas (38,8%) quanto nas particulares (43,0%), aumentando o acesso a esse nível de ensino dos demais estratos de renda, inclusive dos mais pobres. Em 2004, apenas 1,7% dos estudantes do ensino superior pertencentes aos 20% com os menores rendimentos (1° quinto) frequentavam universidades públicas. Em 2013, essa proporção chegou a 7,2%.

Por outro lado, os estudantes do ensino fundamental regular de 13 a 16 anos de idade que faziam parte do quinto mais pobre possuíam taxa de distorção idade-série 3,3 vezes maior do que a taxa dos 20% mais ricos (5°quinto), fazendo com que o atraso escolar afetasse mais da metade desses estudantes (54,0%) em 2013. Em 2004, a distância entre essas taxas para o 1° quinto e o 5° quinto era ainda maior (4,3 vezes).

É o que revela o estudo Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2014, que mostra, ainda, que, apesar de avanços, a desigualdade de gênero no mercado de trabalho ainda persiste, principalmente quando a jornada de trabalho é conjugada aos afazeres domésticos. Entre as mulheres ocupadas de 16 anos ou mais, 88% realizavam afazeres domésticos, enquanto, entre os homens, este percentual era 46%. As mulheres tinham uma jornada média em afazeres domésticos mais que o dobro da observada para os homens (20,6 horas/semana). Considerando a jornada no mercado de trabalho e aquela com a realização de afazeres domésticos, a jornada feminina semanal era de 56,4 horas, superior em quase 5 horas à masculina.

A SIS também detectou mudanças nos arranjos familiares entre 2004 e 2013, período em que houve redução na proporção de casais com filhos e aumento dos sem filhos, além do aumento dos arranjos unipessoais.O estudo mostra ainda que, em 2013, no Brasil, em 25,7% dos domicílios urbanos alugados (ou 5,2% do total de domicílios urbanos), o aluguel ultrapassava 30% do rendimento domiciliar.

A SIS 2014 tem como principal base de informações a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2013, além de fontes de dados como o Censo Demográfico 2010, a Projeção da População do Brasil por sexo e idade 2013, além de bases de dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), do Ministério da Educação, e Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Seus resultados completos estão disponíveis no link:

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/indicadoresminimos/sinteseindicsociais2014/default.shtm. Continuar a ler

Imigração dos Emigrantes Brasileiros

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Feliz Natal! E feliz regresso ao Brasil a aqueles que passam o Natal longe de suas famílias!

Como “presente de Natal”, compartilho informações com os emigrantes brasileiros para ajudar na hora da escolha de imigrar de volta sem Síndrome do Regresso — este é o tema de um post deste modesto blog que é um dos mais visitados por brasileiros que moram no exterior.

Lígia Guimarães (Valor, 16/12/14) publicou reportagem de utilidade pública sobre o regresso de brasileiros. Reproduzo-a abaixo para aqueles que não tiveram a oportunidade de lê-la.

“Nos últimos anos, o número de brasileiros vivendo no exterior caiu em alguns dos destinos mais tradicionais. De 2011 para 2013, a comunidade brasileira residente no Japão diminuiu de 230 mil para 181 mil; baixou de 1,4 milhão para 1 milhão nos Estados Unidos, e de 111,4 mil para 92,1 mil em Portugal. Embora não haja estatísticas comprovando que todos esses emigrantes tenham voltado ao Brasil definitivamente, há indicações de que o movimento de retorno à terra natal cresceu expressivamente desde 2007. Continuar a ler

Tábuas Completas de Mortalidade do Brasil de 2013: Expectativa de Vida

Longevidade 1980-2013

Em 2013, a esperança de vida ao nascer no Brasil era de 74,9 anos (74 anos, 10 meses e 24 dias), um incremento de 3 meses e 25 dias em relação a 2012 (74,6 anos). Para a população masculina, o aumento foi de 3 meses e 29 dias, passando de 71,0 anos em 2012 para 71,3 anos em 2013. Já para as mulheres, o ganho foi um pouco menor (3 meses e 14 dias), passando de 78,3 anos para 78,6 anos. A taxa de mortalidade infantil (até 1 ano de idade) em 2013 ficou em 15 para cada mil nascidos vivos e a taxa de mortalidade na infância (até 5 anos de idade), em 17,4 por mil.

Essas e outras informações estão nas Tábuas Completas de Mortalidade do Brasil de 2013, que apresenta as expectativas de vida às idades exatas até os 80 anos e são usadas pelo Ministério da Previdência Social como um dos parâmetros para determinar o fator previdenciário, no cálculo das aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social. A pesquisa completa pode ser acessada na página:

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/tabuadevida/2013/default.shtm Continuar a ler

Estatísticas do Registro Civil

Em 2013, pela primeira vez, as Estatísticas do Registro Civil investigaram o casamento entre pessoas de mesmo sexo. A aprovação da Resolução nº 175 do Conselho Nacional de Justiça possibilitou o levantamento das informações referentes a casamentos entre pessoas de mesmo sexo em todo o território nacional. Em 2013, foram realizados 3.701 registros de casamentos entre cônjuges de mesmo sexo, dos quais 52,0% foram entre mulheres e 48,0% entre homens. São Paulo foi o estado com o maior percentual de casamentos de pessoas de mesmo sexo, tanto de homens (50,5%) quanto de mulheres (54,4%). A idade mediana observada para os cônjuges de mesmo sexo foi de 37 anos para os homens e 35 anos para as mulheres, mais alta do que nos casais de cônjuges de sexo diferente (30 e 27 anos, respectivamente).

A pesquisa também traz informações e comparações históricas sobre casamentos, divórcios, nascimentos e óbitos, como, por exemplo:

O número total de casamentos aumentou 1,1% em 2013, em relação a 2012, ficando em 1,1 milhão. A maior concentração ficou no Sudeste (48,2%). A taxa de nupcialidade legal (proporção de casamentos por mil pessoas de 15 anos ou mais de idade) ficou em 6,9 por mil, se mantendo estável desde 2011.

Em 2013, foram concedidos 324.921 divórcios em 1ª instância e sem recursos ou por escrituras extrajudiciais, representando uma redução de 4,9%, 16.679 divórcios a menos em relação a 2012. As taxas gerais de divórcios (proporção de divórcios por mil pessoas de 20 anos ou mais de idade) foram mais elevadas nos grupos etários compreendidos entre 40 a 44 anos de idade para as mulheres e de 45 a 49 anos de idade para os homens.

A estimativa do sub-registro de nascimentos (conjunto de nascimentos não registrados no próprio ano de ocorrência ou até o fim do primeiro trimestre do ano subsequente) caiu de 18,8% em 2003 para 5,1% em 2013. Apenas nas regiões Norte e Nordeste observaram-se indicadores significativos em 2013, de 15,8% e 14,1%, respectivamente; nas demais regiões, a cobertura foi completa.

No grupo etário dos 15 aos 29 anos, 80,5% dos óbitos foram masculinos e 19,5% foram femininos. Os percentuais mais altos para homens decorrem, especialmente, da mortalidade por causas violentas ou acidentais.

Em 2013, 67,4% dos óbitos de menores de um ano de idade registrados no país ocorreram até os 27 dias de vida, indicando avanços nas questões estruturais relacionadas às áreas de saneamento e acesso à saúde da gestante e da criança.

A publicação completa da pesquisa pode ser acessada pelo link

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/registrocivil/2013/default.shtm Continuar a ler