Despesa com Saúde e Envelhecimento Populacional

Fabio Graner (Valor, 07/01/2020) informa: o envelhecimento e o aumento da população devem gerar até 2027 uma pressão por expansão de R$ 10,6 bilhões nas despesas do governo federal com saúde, de acordo com cálculos do Tesouro Nacional publicados em seu recente boletim de riscos fiscais. Por sua vez, a evolução demográfica diminuirá a pressão por gastos na área da educação (-R$ 1,1 bilhão em 2027), devido à queda na população jovem.

A estimativa de impacto da evolução demográfica brasileira sobre as despesas selecionadas de saúde e educação de 2019-2027 é de cerca de R$ 9,5 bilhões “em demanda adicional por despesas públicas, reflexo da modificação da estrutura etária, com aumento do número de idosos e redução do número de jovens na população”, segundo o Tesouro. “Tal cifra representa 10,1% do valor despendido em 2018 nos mesmos programas.”

·O coordenador-geral de estudos econômico-fiscais do Tesouro, Rafael Araújo, explicou ao Valor que as contas só trabalham com simulações de efeitos demográficos, mantendo todas as demais variáveis constantes. Ou seja, não leva em conta, por exemplo, possíveis aumentos de cobertura.

Ele ressalta que, no caso da saúde, são dois os fatores de pressão. O envelhecimento da população gera mais despesas com remédios e serviços médicos para idosos, como internações. Além disso, também se espera maior pressão de gastos com recém-nascidos. Continuar a ler

Avanço da Informalidade e a Perda de Influência do Salário Mínimo

Bruno Villas Bôas (Valor, 13/01/2020) informa: a perda dos empregos formais ao longo da crise e a posterior recuperação do mercado de trabalho pela informalidade podem ter reduzido parte do poder de fogo dos reajustes do salário mínimo sobre o consumo das famílias nos últimos anos.

Levantamento do pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), mostra que apenas 30% dos trabalhadores informais com rendimento na faixa de um salário mínimo conseguem reajustes semelhantes ao do mínimo.

Os cálculos realizados consideram pessoas empregadas no setor privado, como funcionários sem carteira assinada de lojas ou de fábricas, por exemplo. Também incluem trabalhadores por conta própria, que vivem sem patrão e sem funcionários. A base são dados da Pnad Contínua do segundo trimestre de 2019.

Essa proporção era maior antes da crise. No segundo trimestre de 2015, quando os efeitos da recessão eram limitados sobre o emprego e a renda, 40% dos informais que viviam com renda ao redor do salário mínimo conseguiam acompanhar os reajustes determinados pelo governo. No pior momento da crise, em 2017, a proporção era de 20%. Continuar a ler

Economia das Favelas

Bruno Villas Bôas (Valor, 24/01/2020) informa: os moradores das favelas brasileiras reúnem um poder de consumo de R$ 119,8 bilhões por ano, o que supera a massa de rendimento de 20 das 27 unidades da federação do país. É superior, inclusive, ao de países inteiros, como Paraguai, Uruguai e Bolívia. São 13,6 milhões de pessoas em comunidades, com renda domiciliar per capita de R$ 734,10.

Os indicadores fazem parte da pesquisa “Economia das Favelas”, dos institutos Data Favela e Locomotiva, que foi a campo de 8 a 16 de dezembro em 465 comunidades de 116 cidades. No total, foram entrevistadas 2.670 pessoas de 16 anos ou mais e que declararam-se moradores de favelas.

O levantamento mostra a maior parte da massa de rendimento das favelas ter origem no trabalho. Dos moradores com alguma renda, 71% declaram ter renda do trabalho (formal ou informal). Também do total, 40% recebem auxílio-desemprego, e 24%, recursos do programa Bolsa Família. Somente 15% vivem com aposentadoria ou pensão.

A pesquisa revela também as favelas formarem um grande mercado consumidor, com um universo de pessoas com poder de compra, conectadas à internet e bancarizadas. No entanto, é um mercado ainda subestimado pelas grandes empresas.

Vemos empresas expandindo para cidades de 7 mil habitantes antes de se apropriar das favelas. Elas têm mais consumidores. Entender as favelas como território aberto ao consumo pode ser um atalho para expansão das empresas brasileiras. Continuar a ler

Público Alvo dos Sabidos Pastores Evangélicos


Mulheres respondem por 58% do naco religioso evangélico, seis pontos acima da parcela feminina do país (52%), segundo pesquisa Datafolha feita nos dias 5 e 6 de dezembro de 2019, com 2.948 entrevistados em 176 municípios de todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Entre as congregações neopentecostais, em igrejas como a Universal do Reino de Deus e a Renascer em Cristo a participação do mulherio chega a 69%.

A ala feminina nos templos evangélicos fica ainda mais evidente se comparada com o catolicismo — ainda a maior crença nacional, embora em processo contínuo de retração (preferência de 90% nos anos 1980 e 50% hoje). Entre adeptos dessa fé, mulheres são 51%, e homens, 49%. Compatível, portanto, com a representação dos dois gêneros na sociedade.

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Queda da Taxa de Sindicalização com a Reforma Trabalhista Neoliberal

A casta dos mercadores em conluio com a casta dos oligarcas governantes e apoiada pela casta dos militares, depois do golpe de 2016, atacaram os direitos da casta dos trabalhadores aliados à casta dos sábios universitários e tecnocratas. Essa aliança socialdemocrata foi derrotada pelo neoliberalismo aliado a milicianos.

A quantidade de trabalhadores sindicalizados atingiu o menor patamar dos últimos sete anos por conta da reforma trabalhista e do ataque golpista ao PT. Dos 92,3 milhões de pessoas ocupadas em 2018 no país, 11,5 milhões estavam associadas a sindicatos. A taxa de sindicalização ficou em 12,5%, a menor desde 2012, quando atingiu 16,1%, de acordo com a Pesquisa Nacional de Domicílios (PNAD Contínua), divulgada no dia 18/12/19 pelo IBGE.

O estudo mostrou a pequena recuperação da população ocupada, com crescimento de 1,4% em 2018, não foi acompanhada do crescimento no número de sindicalizados. O movimento foi oposto, devido à reforma trabalhista, com redução de 11,9% dos sindicalizados de 2017 para 2018, representando 1,5 milhão de pessoas a menos e a queda mais intensa desde o início da série. Continuar a ler

Miséria Nacional e Desesperança pelo Desgoverno

Gabriel Vasconcelos (Valor, 11/11/2019) informa: com o avanço da automação nas próximas duas décadas, o Brasil tende a perder número consideravelmente de empregos com carteira assinada criados em anos anteriores. Cerca de 9,2 milhões dos 16 milhões postos de trabalho que foram criados entre 2003 e 2016 têm 70% de chance ou mais de sucumbirem à chegada de máquinas controladas por computadores. O índice é considerado alto para os padrões internacionais. As estimativas estão em levantamento do Laboratório do Futuro, do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

A maior parte dos empregos gerados no período (6 milhões) tem mais de 90% de chance de serem eliminados nos próximos dez anos. O fenômeno, explica, está ligado à natureza dos postos gerados no período anterior, caracterizados por baixa qualificação e pouca especialização, portanto mais propensos a serem substituídos por máquinas.

Os pesquisadores da Coppe adaptaram os resultados de pesquisas internacionais sobre automação para a realidade brasileira e os cruzaram com informações da Relação Anual de Informações Sociais do governo federal (Rais). O objetivo de médio prazo é determinar o impacto da automação na matriz de empregos de cada um dos 5.570 municípios do país, indicando alternativas personalizadas para cada cidade enfrentar o cenário que se aproxima. No Rio de Janeiro, município-piloto da plataforma, os pesquisadores puderam precisar, por exemplo, que, no setor de varejo, 148 mil pessoas podem perder seus empregos em razão da automação.

Na avaliação por atividade, os mais afetados entre os trabalhadores formalizados serão vendedores do varejo, assistentes administrativos e outros empregados do setor de serviços, como é o caso dos auxiliares do setor de alimentação. Outras categorias prováveis de desaparecer em uma década são estoquistas e operadores de caixa. Continuar a ler

Expectativa de Vida de Quem Nasceu em 2018: 76,3 Anos

Uma pessoa nascida no Brasil em 2018 tinha expectativa de viver, em média, até os 76,3 anos. Isso representa um aumento de três meses e 4 dias em relação a 2017. A expectativa de vida dos homens aumentou de 72,5 anos em 2017 para 72,8 anos em 2018, enquanto a das mulheres foi de 79,6 para 79,9 anos.

A probabilidade de um recém-nascido do sexo masculino em 2018 não completar o primeiro ano de vida era de 13,3 a cada mil nascimentos. Já para as recém-nascidas, a chance era de 11,4 meninas não completarem o primeiro ano de vida.

A mortalidade na infância (de crianças menores de cinco anos de idade) caiu de 14,9 por mil em 2017 para 14,4 por mil em 2018. Das crianças que vieram a falecer antes de completar os 5 anos de idade, 85,5% teriam a chance de morrer no primeiro ano de vida e 14,5% de vir a falecer entre 1 e 4 anos de idade. Em 1940, a chance de morrer entre 1 e 4 anos era de 30,9%, mais que o dobro do que foi observado em 2018.

Entre as Unidades da Federação, a maior expectativa de vida foi encontrada em Santa Catarina, 79,7 anos, e a menor no Maranhão, 71,1 anos. Uma pessoa idosa que completasse 65 anos em 2018 teria a maior expectativa de vida (20,4 anos) no Espírito Santo. Por outro lado, em Rondônia, uma pessoa que completasse 65 anos em 2018 teria expectativa de vida de mais 16,1 anos. Considerando-se a diferença por sexo, a população idosa masculina capixaba viveria mais 18,4 anos e a feminina, 22,2 anos. Entre as menores expectativas, estão os homens idosos do Piauí, com mais 14,7 anos, e as mulheres de Rondônia, com mais 17,3 anos.

Essas e outras informações estão disponíveis na Tábua Completa de Mortalidade para o Brasil – 2018, que apresenta as expectativas de vida às idades exatas até os 80 anos, e são usadas como um dos parâmetros para determinar o fator previdenciário, no cálculo das aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social. A presente edição traz comparações com 1940, ano a partir do qual foi verificada uma primeira fase de transição demográfica, caracterizada pelo início da queda nas taxas de mortalidade.

O material de apoio da Tábua de Mortalidade está  abaixo:

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