Maioria na População = Minoria em Empresas

Minorias em Empresas

Letícia Arcoverde (Valor, 09/05/16) informa que a parcela de pessoas que trabalha nas maiores empresas do Brasil é bastante diferente da população brasileira como um todo, segundo uma pesquisa do Instituto Ethos e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mulheres e negros estão sub-representados em todos os níveis da hierarquia. São poucas as companhias que têm medidas concretas para modificar essa realidade. No geral, os executivos das empresas não têm ao menos a percepção de que essas discrepâncias existem.

Embora sejam maioria da população brasileira, afrodescendentes são apenas 36% do nível operacional das empresas participantes, excluídos aprendizes, estagiários e trainees. O número diminui consideravelmente na medida em que se sobe na hierarquia da empresa: 26% entre supervisores, 6% na gerência e menos de 5% entre executivos e conselho de administração.

Mulheres têm participação parecida a nível operacional (35%), mas uma presença maior nas camadas hierárquicas mais altas. Elas são 38% entre supervisores, 31% das gerências, 14% do quadro executivo e 11% nos conselhos.

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Sem Palavras (por Alessandro Martins)

Viver é desenhar sem borrachaSem palavras

Recebi a seguinte mensagem de Alessandro Martins, compartilhada por Claudemir Massami Takahashi:

Olá,

diante de tudo o que temos testemunhado acontecer no Brasil, fico sem palavras, na verdade.

Poderia falar de:

  1. o Estado cada vez menos laico,
  2. os sete investigados que ganharam foro privilegiado nos ministérios,
  3. o fim do Ministério da Cultura (pra que cultura, né?),
  4. o ministro que era advogado do PCC e que maquiava dados da criminalidade em São Paulo,
  5. o presidente que, além de ficha suja, é mau poeta (como a múmia do mesmo partido, que tinha bigode),
  6. como eles, durante esses seis meses temporários farão tudo parecer ótimo, sabe lá a custa de que conchavos, para arrochar quem já está arrochado, quando se tornarem permanentes,
  7. como os projetos que precisavam ser votados no legislativo para não estarmos na atual situação começarão a ser votados num passe de mágica e acordos espúrios,
  8. como dirão, pela frente, de pés juntos, que a investigação continua e, por trás, farão tudo para que acabe (e conseguirão),
  9. como o tal juiz é amiguinho do empresário pré-candidato à prefeitura paulistana,
  10. como farão para os que não têm trabalho hoje aceitem trabalhos em piores condições amanhã porque, afinal, é a lei da oferta e da procura,
  11. como a sensação de impunidade sumirá mas a impunidade não,
  12. como a primeira coisa privatizada foi a opinião pública, nas mãos de uma imprensa vendida,
  13. como O Mercado, feliz, não está disposto a matar a fome de ninguém, apenas na medida para que as pessoas continuem a se vender barato,
  14. a maior ilusão da democracia, o voto, enquanto não houver uma reforma política decente que não será feita por políticos indecentes,
  15. como a representatividade do executivo, do legislativo e do judiciário é tudo menos a cara dos brasileiros.

De muitas outras coisas eu poderia falar e também de como não reconheço o atual governo como meu. Mas tudo isso seria falar com eles e eu quero falar com você.

Por isso, digo: Continue reading “Sem Palavras (por Alessandro Martins)”

Capital Sexy: De-Puta-dos Deputados

Tiririca

Ao ler a reportagem abaixo de Eliane Trindade (FSP, 21/04/16) lembrei-me de outra sobre o mesmo tema — putaria, depravação de costumes, devassidão, libertinagem, imoralidade, falta de honestidade, de princípios, safadeza, sacanagem, vileza dos políticos em Brasília — publicada quando se iniciava o primeiro mandato do governo Lula em 2003. Havia um estranhamento pela chegada no Distrito Federal de militantes petistas menos machistas e mais críticos dos costumes anteriores dos tucanos.

Pude confirmar isso in loco. No hotel Blue Tree, onde hospedávamo-nos, quando chegávamos à noite “quase-mortos” pelo trabalho na Caixa, havia no início, sentadas no hall da recepção, várias garotas lindas buscando um flerte. Passou-se um tempo e elas sumiram. Quando eu já era conhecido da gerente do hotel, ela um dia comentou comigo que “as garotas ficaram desapontadas com os petistas tão sérios e compenetrados que passavam direto…”

Outra vez, quando visitamos um outro hotel para ver se era mais conveniente, o gerente ao ver que nos reparamos na entrada da boate junto à entrada do hotel logo apressou-se em justificar: “aqui é para diversão dos deputados, mas colocamos um biombo quando suas patroas visitam Brasília!”:)

Pelo visto abaixo, depois do golpe de Estado, “os bons (sic) costumes estarão de volta”…

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Desigualdade Educacional e de Oportunidades versus Meritocracia

PNE por faixa de renda

Ligia Guimarães (Valor, 02/02/16) informa que, nas metas do Plano Nacional de Educação (PNE) que têm por objetivo colocar todas as crianças e jovens na escola até 2024, o retrato ainda é de dois “Brasis” diferentes. Independentemente do quanto se esforce, a chance de um aluno pobre concluir os estudos na idade certa e aprender o conteúdo esperado é, historicamente e ainda hoje, bem menor que a de um aluno rico. A probabilidade de sucesso piora se o aluno for negro, morar na zona rural ou na periferia das grandes metrópoles. “Isso quer dizer que, independentemente do esforço da criança, da sua capacidade, da sua inteligência, a questão do território em que ela vive importa”, afirma Vanda Ribeiro, especialista em equidade educacional e pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação e Ação Comunitária (Cenpec).

Não à toa, a escolaridade média dos jovens brasileiros aos 15 anos, segundo dados de 2014, é de 6,3 anos entre os 20% mais pobres, bem abaixo dos 10,8 anos de estudo observados entre os alunos 20% mais ricos. Dos adultos de 18 a 29 anos, faixa em que a meta é alcançar escolaridade média de no mínimo 12 anos ao final do último ano, a média geral brasileira em 2014 era de 10 anos; 8 anos entre os 20% mais pobres e 12,3 anos entre os 20% mais ricos. Os dados estão em levantamento organizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2014 (Pnad).

Os dados mostram que, em alguns indicadores, a distância já foi maior entre os números dos 20% mais pobres e dos 20% mais ricos (ver gráficos acima), mas também deixam claro que, na corrida por uma educação de qualidade e um futuro melhor, ainda há muita desigualdade de oportunidades.

Para Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor no Insper, discutir meritocracia em um país tão desigual em oportunidades como o Brasil não faz sentido. “Sem resolver a desigualdade de oportunidades, ficar falando em meritocracia é piada. Como discutir o mérito de quem chegou em primeiro lugar em uma corrida onde as pessoas saíram em tempos diferentes e a distâncias diferentes?”, questiona Paes de Barros, um dos principais especialistas em desigualdade social. “Não faz nenhum sentido discutir o mérito em uma regata na qual os barcos não são iguais, ou em uma corrida de Fórmula 1 em que não se está sujeito ao mesmo regulamento.” Para ele, o país já avançou ao reduzir a discriminação, que ocorria até nas escolas, contra alunos menos favorecidos.

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Mercado de Trabalho em 2015

Mercado de Trabalho em 2015Massa Salarial 2013-15Emprego com carteira 2002-2015

Salário Mínimo X Renda Média

A política de reajustes reais do salário mínimo em vigor desde 2007, combinada ao efeito da recessão sobre a renda dos trabalhadores, deve reduzir um pouco mais a distância entre o piso nacional e o rendimento médio dos ocupados. Nos cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), o mínimo equivalia a 45% da renda média nacional em 2015, proporção que deve subir para 47% neste ano e alcançar 48% em 2017. A renda usada como referência foi a estimada pelo Ibre para a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, do IBGE.

Tomando como base a comparação com a renda média, o salário mínimo brasileiro é relativamente mais elevado do que em países-membros da Organização para o Desenvolvimento e a Cooperação Econômica (OCDE), como EUA (37,4%), Japão (39%) e Canadá (44,1%), mas ainda bem abaixo do nível observado em outro grupo de economias desenvolvidas, em que se destacam França (62,8%), Nova Zelândia (59,5%) e Portugal (55,8%). Os dados mais recentes da organização são de 2013.

Com a correção de 11,68% efetuada em janeiro de 2016, o mínimo passou a R$ 880, suficiente para comprar 2,14 cestas básicas, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Essa quantidade é a maior nas médias anuais da série histórica desde 1979. Ainda segundo o Dieese, o piso atual representa o maior valor real da série desde 1983. Para fazer esse cálculo, a entidade corrigiu os valores médios anuais anteriores do mínimo pela inflação do segmento de menor renda apontada pelo Índice do Custo de Vida (ICV).

O Dieese estima que 48,3 milhões de brasileiros tenham rendimento referenciado no salário mínimo. Desses, 22,5 milhões são beneficiários da Previdência Social, 13,46 milhões são empregados, 8,16 milhões trabalham por conta própria e 3,9 milhões são trabalhadores domésticos.

Drenado por uma onda de demissões em quase todos os setores, o mercado de trabalho perdeu, no ano de 2015, 1,5 milhão de postos formais, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Com a redução de 3,7% no volume de carteiras assinadas no país, o número de trabalhadores formalizados chegou a 39,6 milhões, nível semelhante ao registrado em 2012.

O resultado foi o pior da série e o primeiro negativo desde 1999, devido ao retorno da lógica neoliberal ao comando do Ministério da Fazenda. Se ela permanecer em 2016, ou seja, se a formação desenvolvimentista do Nelson Barbosa foi temperada pela “lavagem cerebral” habitual dos que viram PhD nos States, projeta-se o fechamento de mais de um milhão de vagas. Assim, o biênio 2015-2016 pode superar a marca dos 2,5 milhões de empregos formais perdidos. A quem interessa o ajuste econômico em que o ônus é assumido pelas pessoas de baixa renda? Obviamente, as de alta renda…

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Regressão Social

Redução da NCM

Sistema de Proteção SocialSaldo da Previdência SocialQueda do Consumo e da Arrecadação Fiscal

Novos consumidores brasileiros

Déficit Habitacional 2010-2014

“Prá não dizer que não falei de flores”, o déficit habitacional caiu entre 2010 e 2014! Confirma-se, assim, que a política habitacional do primeiro mandato da Dilma foi a melhor entre as de todos os governos da história brasileira.

Camilla Veras Mota (Valor, 11/01/16) informa que o aumento do desemprego e a queda nos rendimentos dos brasileiros já mostram efeito sobre o processo de mobilidade social em curso no país de meados de 2004 até 2014. A economista do Bradesco Ana Maria Barufi, com base nos dados de renda da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), calcula que, entre janeiro e novembro do ano passado, a participação da classe C na pirâmide social brasileira caiu dois pontos percentuais, passando de 56,6% para 54,6%. Com 3,7 milhões de pessoas a menos, o grupo passou a somar 103,6 milhões.

Uma parcela dessa queda alimentou as classes D e E, cuja participação avançou de 16,1% para 18,9% e de 15,5% para 16,1% no período. Com o agravamento e o alongamento da crise, não está descartada a possibilidade de a classe C voltar a responder por menos de 50% do total da população do país – nível semelhante ao registrado em 2010.

O levantamento tem como base os cortes de renda estabelecidos pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), atualizados para valores de 2015. Assim, a classe C compreende as famílias com renda mensal entre R$ 1.646 e R$ 6.585, a classe D, de R$ 995 a R$ 1.646 e a classe E, até R$ 995. A distribuição percentual das faixas, por sua vez, é feita sobre a média móvel em 12 meses do contingente populacional.

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Imigrantes no Brasil

Estrangeiros no Brasil

Camilla Veras Mota (Valor, 21/01/16) informa que a presença de trabalhadores estrangeiros no mercado de trabalho brasileiro cresceu 26,3% entre 2013 e 2014 e ajudou a amenizar o problema crônico de falta de mão de obra em ramos específicos da indústria e do comércio. Do total de 111,8 mil registros contabilizados pela Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgada no fim do ano passado, 31% estão concentrados em apenas 10 das 276 categorias do chamado Cadastro Nacional de Atividades (Cnae), entre segmentos como o abate e fabricação de produtos de carne (8,3 mil), o setor de restaurantes (5,8 mil), varejo (5,7 mil) e construção de edifícios (4,5 mil).

Mesmo diante da desaceleração forte da economia, essa participação seguiu crescendo no ano passado, como aponta a análise feita pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da FGV com base nos dados da Polícia Federal. “Os movimentos migratórios não respondem tão rapidamente assim à mudança conjuntural”, avalia o economista Wagner Oliveira, um dos autores de estudo sobre o tema divulgado recentemente pelo DAPP.

Os registros da Rais mostram que o número de haitianos mais que dobrou, passando de 11,3 mil em 2013 para 23,9 mil, fazendo deles o maior contingente de trabalhadores estrangeiros do país. A presença de paraguaios também cresceu de forma expressiva. Em 2014, eles somaram 7,1 mil carteiras assinadas, volume semelhante ao de bolivianos, com quem dividem a presença no setor têxtil. Nacionalidades como bengalesa, senegalesa e ganesa, que não apareciam em 2013, contam, somadas, quase 4 mil contratações.

O número de refugiados também tem se tornado cada vez mais expressivo. Conforme balanço do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), esse grupo cresceu 43,3%, de 5,3 mil em 2013 para 7,6 mil de 2014, e já soma 8,5 mil pessoas até agosto do ano passado. Desse total, 80% têm mais de 18 anos e 65,6%, entre 18 e 39 – a faixa etária mais ativa no mercado de trabalho. Os sírios, que, ainda sem categoria própria, foram contabilizados na Rais na rubrica “outras nacionalidades”, são 2,9 mil dos refugiados reconhecidos em 2015.

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