Corte de Programas de Transferência Direta de Renda de Estados

Luciano Máximo, Marina Falcão, Marcos de Moura e Souza e Bruno Villas Bôas (Valor, 25/08/17) informam que, em um momento de crise econômica dramática, com mais de 13 milhões de desempregados e renda em queda, os governos estaduais deixam de dar prioridade política ao combate à pobreza para não elevar ainda mais o rombo no campo fiscal. De 2014 para cá, oito Estados acabaram com programas próprios de transferência direta de renda. Os que mantiveram essas políticas reduziram o número de famílias beneficiadas.

Levantamento mostra que mais de 400 mil famílias – quase 2 milhões de pessoas – de baixa renda, ou em situação de extrema pobreza, foram prejudicadas pelo fim de benefícios, ou enxugamento de orçamentos estaduais, em cerca de R$ 500 milhões anualmente. O movimento segue tendência do Bolsa Família, no âmbito federal, que expurgou 1,3 milhão de famílias entre 2014 e 2017.

Os casos mais expressivos vêm de dois dos Estados mais problemáticos quando o assunto é descontrole das contas públicas: Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Ambos decretaram fim dos programas de transferência de renda que ajudavam a complementar o benefício do Bolsa Família de quase 200 mil famílias pobres. Continue reading “Corte de Programas de Transferência Direta de Renda de Estados”

Emprego Zero ou Informalidade no Mercado de Trabalho

Bruno Villas Bôas (Valor, 18/08/17) informa que, com o avanço da informalidade, o número de brasileiros que atuam em chamados subempregos aumentou 11% no segundo trimestre, na comparação aos três primeiros meses do ano — e chegou a 5,829 milhões de pessoas. Trata-se do maior contingente desse grupo desde segundo trimestre de 2012.

Subempregadas são as pessoas que trabalham menos de 40 horas semanais, mas gostariam e poderiam exercer sua atividade por mais tempo. São trabalhadores que vivem de bicos e jornadas de trabalho reduzidas, normalmente sem a carteira de trabalho assinada, e que buscam sem sucesso uma alternativa melhor.

De acordo com o IBGE, o somatório de pessoas desempregadas, subempregadas e na força de trabalho potencial (que estão disponíveis, mas não buscam emprego) é de 26,337 milhões de pessoas subutilizadas no país, o que representa 23,8% da força de trabalho. Continue reading “Emprego Zero ou Informalidade no Mercado de Trabalho”

População Brasileira em 2017

O Brasil possui 207.660.929 habitantes, alta de 0,77% em relação aos 206.081.432 do ano passado, segundo nova estimativa populacional divulgada no dia 30 de agosto de 2017 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No ranking entre os Estados, os três mais populosos são da região Sudeste, enquanto os cinco menos populosos estão no Norte. O maior número de habitantes está no Estado de São Paulo, com 45,1 milhões, concentrando 21,7% da população do país. Roraima é o estado menos populoso, com 522,6 mil habitantes (0,3% da população total).

A capital paulista também se mantém no topo do ranking como a cidade com maior população: 12,1 milhões de pessoas.

 Confira:

Reajuste Real de Planos de Saúde: Repasse de Custos com a Indústria de Exames

Beth Koike (Valor, 24/08/17) informa que, apesar da queda no IPCA, projetada em 3,5% neste ano, a inflação médica (custos de consultas, exames, materias, medicamentos, despesas hospitalares, honorários médicos e salários) continua subindo em patamares expressivos. Em 2017, os planos de saúde corporativos devem sofrer um reajuste na casa dos 17% e a expectativa é que a tendência de alta permaneça em 2018. Esse cenário é unanimidade entre as principais consultorias especializadas em saúde Aon, It’s Seg, Mercer Marsh e Willis Towers Watson consultadas pelo Valor.

Os planos de saúde corporativos, benefício concedido pelas empresas a seus funcionários, representam 66,5% do setor. Já os planos de saúde coletivos por adesão, que equivalem a 13,5% do mercado, devem ter reajuste médio de 22% neste ano. Os convênios médicos individuais, modalidade regulada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), aumentaram 13,55%.

Nos planos corporativos, o reajuste varia de 14,82% no caso da Hapvida a 20,4% na Care Plus (ver acima). Porém, esses percentuais variam conforme a frequência de uso (sinistralidade) do convênio. Continue reading “Reajuste Real de Planos de Saúde: Repasse de Custos com a Indústria de Exames”

Custo Social da Volta da Velha Matriz Neoliberal

Lucas Marchesini e Ligia Guimarães (Valor, 15/08/17) informam que o encolhimento da renda em níveis mais baixos do que os obtidos em 2012 fez com que o desenvolvimento humano em 2015 estagnasse pela primeira vez desde 2010, revelam dados divulgados ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

A pesquisa, atualizada com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que a renda per capita do vulnerável brasileiro caiu de R$ 803,35 para R$ 746,84 de 2014 para 2015, quando o salário mínimo era R$ 788,00, ano em que 4,1 milhões entraram na pobreza, sendo 1,4 milhão na extrema pobreza.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) permaneceu em 0,761 entre 2014 e 2015. O indicador vai de zero a 1 e quanto maior o número, melhor o resultado. O IDHM cresceu em média 0,8% ao ano entre 2011 e 2015, menos que o 1,7% anual registrados entre 2000 e 2010. Com a volta da Velha Matriz Neoliberal, 2015 foi o primeiro ano em que o índice do Brasil ficou igual. Continue reading “Custo Social da Volta da Velha Matriz Neoliberal”

Azul discrimina Velho

Pela primeira vez, senti uma discriminação pela minha faixa etária. Fui desalojado do mesmo lugar que ocupei no voo da véspera (assento 1D) sob a ameaça de que se eu não mudasse de lugar o avião não decolaria, jogando todos os demais passageiros contra mim.

Não teve nenhum impedimento — ou alerta — quando reservei tal lugar (“espaço Azul”), aliás, onde sempre busco assentar. Entretanto, o comissário invadiu minha privacidade não só ao perguntar minha idade (65 anos) como também me expulsar do lugar com assédio moral. Resultado: tive de sentar no banco de trás. Ironicamente, eu era o passageiro mais próximo para abrir a porta de emergência no avião turbo-hélice, caso sobrevivesse à queda do avião, pois não tinha nenhum na fileira da frente!

Pior: uma mulher veio me dizer na hora que “o Brasil está assim porque pessoas como eu não obedecem as ordens vinda de cima”. Retruquei: “o Brasil está assim porque pessoas conservadoras como ela obedecem cegamente a um governo e legisladores ilegítimos e não fazem desobediência civil face a normas arbitrárias absurdas”.

Enfim, fiquei muito chateado — e sofri dano moral — por ser discriminado por idade pelo representante da companhia aérea. Hoje, 14% dos habitantes no Brasil têm mais de 60 anos, daqui a 40 anos serão 34%. Para trabalhar até os 65 anos servimos, mas não temos direito a ter assento preferencial em avião.

Áreas Urbanizadas do Brasil 2015

O IBGE lançou, no dia 27 de julho de 2017, a publicação Áreas Urbanizadas do Brasil 2015. O projeto, que está em sua segunda edição, retorna mais moderno e alinhado às necessidades dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.

O propósito do estudo é fornecer um panorama das áreas urbanizadas do país a partir de uma base consolidada. Dessa forma, a expectativa é colaborar com pesquisas que abordem:

  1. a forma urbana e suas diferenciações regionais,
  2. a influência de aspectos geográficos na conformação das áreas urbanizadas,
  3. a identificação de tendências e potenciais vetores de expansão das cidades.

Além disso, pretende auxiliar a elaboração de políticas públicas e investimentos. Continue reading “Áreas Urbanizadas do Brasil 2015”