Gestão do Patrimônio por Agentes Autônomos


O volume financeiro acumulado pelos 118 mil ricaços do Private Banking cresceu já 10,71% nos sete primeiros meses do governo neoliberal em Economia e neofascista em Política. Mas não existe só R$ 1,2 trilhão em riqueza financeira possuída pelos ricaços brasileiros. Há 14,3% a mais fora desse segmento de clientes bancários.

Adriana Cotias (Valor, 06/09/19) informa: o segmento de gestão de patrimônio, englobando a administração de carteiras e de fundos restritos fora do canal bancário tradicional, chegou a junho com R$ 170,7 bilhões, distribuídos em pouco mais de 9 mil grupos econômicos face a 57 mil grupos familiares no Private Banking.

Houve um crescimento de 15,3% no volume financeiro em relação a dezembro e de 7,5% no número de famílias atendidas por “single” ou multi-family office, estruturas dedicadas à assessoria financeira e patrimonial independente — não vinculada a nenhuma instituição financeira.

Os dados, atualizados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), representante do mercado de capitais e de investimentos, agora trazem uma fotografia mais completa do setor. Neste ano o novo código de administração de recursos de terceiros da entidade passou a exigir o reporte obrigatório das casas aderentes às regras e atuantes na gestão de patrimônio. Ao todo, 69 empresas abriram os seus números, em comparação a 27 participantes até o fim de 2018. Continuar a ler

Operação Lava-Jato: Projeto Pessoal de Poder e Enriquecimento

A Operação Lava-Jato manipulou a opinião pública desavisada através da mídia. É responsável, em parte significativa, pelo desastre político e econômico vivenciado atualmente no País.

Jornalistas da “grande” imprensa brasileira estão tendo lições de jornalismo com Glenn Greenwald para não serem mais manipulados pelos vazamentos seletivos e dirigidos. Lição número 1: conferir a veracidade da notícia e não atacar o mensageiro por ele comunicar fatos verdadeiros de interesse público. Se a mensagem é verdadeira e de interesse público, tem de ser publicada!

O procurador Deltan Dallagnol considerou se candidatar ao Senado nas eleições de 2018, revelam mensagens trocadas via Telegram e entregues ao Intercept por uma fonte anônima. Num chat consigo mesmo, ele chegou a se considerar “provavelmente eleito”. Também avaliou que a mudança que desejava implantar no país dependeria de “o MPF lançar um candidato por Estado” — uma evidente atuação partidária do Ministério Público Federal, proibida pela Constituição.

Em 29 de janeiro de 2018, numa longa mensagem enviada para ele mesmo, Dallagnol refletiu: “Tenho apenas 37 anos. A terceira tentação de Jesus no deserto foi um atalho para o reinado. Apesar de em 2022 ter renovação de só 1 vaga e de ser Álvaro Dias, se for para ser, será. Posso traçar plano focado em fazer mudanças e que pode acabar tendo como efeito manter essa porta aberta”.

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Concentração de Renda no Brasil: Segunda Pior do Mundo

Fernando Canzian e Fernanda Mena (FSP, 19/08/19)

Dados do FGV Social dão a dimensão da piora na concentração: do fim de 2014 a junho deste ano, a renda per capita do trabalho dos 10% mais ricos subiu 2,5% acima da inflação; e a do 1% mais rico, 10,1%.

Já o rendimento dos 50% mais pobres despencou 17,1%; e dos 40% “do meio” (a classe média entre os mais ricos e os mais pobres), caiu 4,2%.

Isso levou o índice de Gini a 0,629, muito próximo ao recorde da série desde 2012 (medido de 0 a 1, quanto mais perto de 1, pior a desigualdade).

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Dez carreiras profissionais com maior rendimento no Brasil

 

Contas Públicas: Câmara quer acelerar projeto que prevê demissão de servidor

A pesquisa, do professor Marcelo Neri, tomou como base os dados doImposto de Renda Pessoa Física de 2018, referente ao ano-calendário de 2017. O estudo considerou o total de rendimentos declarados pelo contribuinte, o que inclui não só o salário mas também outras fontes de renda, como aluguel e investimentos em aplicações financeiras. Continuar a ler

Desigualdade Após o Golpe

Brasil vive o ciclo mais longo de aumento da desigualdade de sua história Estudo do economista Marcelo Neri, diretor do FGV Social, mostra que a concentração de renda cresce no país há 17 trimestres, pouco mais de quatro anos.

piora na desigualdade, segundo Neri, é resultado do aumento do desemprego no país, que ainda aflige 12 milhões de pessoas :

— O principal fator que influencia o aumento da desigualdade é o desemprego. Embora apresente sinais de alguma recuperação, ainda é grande no país.

Renda: Jovens foram os que mais perderam renda desde 2014; queda foi de 17% Continuar a ler

Estagdesigualdade e Retroalimentação

Devido à taxa de juro básica em ascensão desde 7,25% aa em abril de 2013 até sua permanência por quinze meses (de julho de 2015 a outubro de 2016) em 14,25% aa – equivalente a 1,1% ao mês –, combinada à obsessiva política de ajuste fiscal com a volta da Velha Matriz Neoliberal, a partir de 2015, a economia brasileira passou por uma Grande Depressão. Com o atraso na política de afrouxamento monetário ou queda do juro, embora a sazonal inflação de alimentos tenha sido naturalmente ultrapassada, em lugar da costumeira estagflação, a economia entrou em uma estagdesigualdade, isto é, recessão e processo de concentração de riqueza.

Para entender esse círculo vicioso, o conceito de realimentação colabora. Refere-se a qualquer processo por intermédio do qual uma ação é controlada pelo conhecimento do efeito de suas respostas. A reação resultante desse processo é uma retroalimentação: um fluxo de realimentação retrógrada através do sistema socialmente complexo, cuja economia é um dos componentes de alimentação

Como todo ser vivo a sociedade necessita de um abastecimento renovado do conjunto das substâncias necessárias à conservação da vida. O sustento da comunidade necessita do contínuo ato de abastecer, prover, fornecer, por parte do mercado – e o Estado deve estimular com o necessário ao seu funcionamento regular. Sua força em política proativa fornece tensão ou corrente ao circuito econômico-financeiro.

O pensamento sistêmico se utiliza de três metáforas para esboçar essa visão holística. Os níveis de estoque de riqueza mudam com o tempo, devido ao saldo entre suas entradas e saídas, ou seja, por conta dos fluxos, seja de empréstimos, seja de renda multiplicada e recebida pelos diversos agentes econômicos.

Ciclos de feedback, por sua vez, são interconexões de reforço, estabelecidas pelos agentes, ou de balanceamento, realizadas pelo governo. Com reforços de feedback, quanto mais fortuna se tem, mais se ganha. Sem controle ou regulação, para certo equilíbrio nos distintos fluxos de renda das classes sociais, amplificam o movimento em círculos virtuosos ou viciosos favoráveis ao enriquecimento das afortunadas castas de natureza ocupacional. A equipe econômica, para estimular o dinamismo econômico, isto é, variações ao longo do tempo, necessita, e se atentar para os atrasos nos distintos fluxos de renda ou crédito (alavancagem financeira) para acumulação de estoque.

Diferentes mecanismos explicativos são responsáveis por processos de dependência da trajetória, tornando-se indispensável identificar:

  1. a lógica operativa das peças e engrenagens de cada um deles,
  2. as potenciais fontes de mudança, e
  3. a susceptibilidade às inovações disruptivas.

Há dependência da trajetória (path dependence) quando o resultado de um processo depende de toda a sequência de decisões tomadas pelos agentes e não apenas das condições iniciais – muitas vezes desconhecidas – e das atuais. Isto é feito por economistas desatualizados adeptos de modelos mentais de estática comparativa entre equilíbrios. Os estudiosos da Economia da Complexidade focalizam os mecanismos de retroalimentação (reforço de feedback positivo), como “efeito do movimento inercial do vencedor inicial”, originadores de path dependence.

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Riqueza Pessoal do Top da Pirâmide Social

A convergência de renda per capita do Brasil e outros países da América Latina com os Estados Unidos estagnou, em meio ao fraco crescimento econômico, aponta o banco espanhol BBVA em relatório sobre as perspectivas para a região no terceiro trimestre. O processo de convergência da renda per capita da América Latina com a dos Estados Unidos deixou de verificar-se na maioria dos países da região a partir de 2012-13, logo após a explosão da bolha de commodities em setembro de 2011.

Nos casos do Brasil e da Argentina, houve um claro retrocesso. Isso ocorre depois de um período de aproximadamente dez anos, entre 2002-2012, de convergência relativamente rápida. Os bons anos da Era Social-Desenvolvimentista ficaram pra trás.

O PIB per capita do Brasil em relação ao dos EUA, em paridade de poder de compra, deve registrar uma queda de 39%, em 1980, para 25,4% em 2020. O brasileiro médio vai continuar empobrecendo.

No caso da Argentina, seu PIB per capita comparado aos EUA no mesmo período declina de 50,5% para 31,6%. O BBVA aponta aumento apenas no caso do Chile, de 27,4% para 41,9%, da Colômbia de 22% para 24,1% e do Uruguai de 33,8% para 37,6%.

Adriana Cotias (Valor, 10/07/19) informa: a riqueza pessoal dos brasileiros aumentou 7% no ano passado, cinco pontos percentuais acima da média global, e alcançou cerca de US$ 2 trilhões. Até 2023, a expectativa é o ritmo ficar mais em linha com o desempenho mundial, com crescimento acumulado composto da ordem de 6% ao ano, para a casa dos US$ 2,8 trilhões, segundo estimativas da Boston Consulting Group (BCG). Na América Latina, a taxa prevista de expansão anual é de 8% para o intervalo até 2023. O Brasil tende a perder participação nesse bolo, saindo dos 39% atuais para 36%.

Os dados fazem parte de um recorte de Brasil disponibilizado pela consultoria
para o Valor e que compôs o mapeamento de América Latina no relatório “Global Wealth 2019 – Reigniting Radical Growth”. A BCG colhe dados macro e ouve os maiores participantes do setor de gestão de recursos em diversos países para radiografar a riqueza financeira da população como um todo.

Os números incluem a riqueza investida, tais como ações listadas, títulos de dívida, fundos de investimentos, moedas e depósitos, bem como a parcela não investida. Esta contempla seguros de vida, pensões, ações não listadas e outras participações em empresas.

Segundo a BCG no Brasil, as projeções para o país são bastante conservadoras. No ano passado, México e Brasil ocuparam um importante papel na evolução das riquezas da América Latina, economias onde há grande concentração de dinheiro em seguradoras e fundos de pensão. Ainda que a fatia aplicada em ações seja relativamente pequena, a performance das bolsas foi suficientemente sólida para a região não se contaminar com o movimento de vendas generalizadas de outros mercados no quarto trimestre de 2018, evento que freou a expansão da riqueza na média global. No mundo, o valor dos ativos financeiros aumentou em cerca de 2%, atingindo US$ 206 trilhões, enquanto na América Latina o crescimento foi de 6,3%.

Em dólar, o número de pessoas com mais de US$ 1 milhão no mundo cresceu 2,1% no ano passado, a 22,1 milhões de indivíduos. Eles respondem por 50% dos ativos globalmente. A América Latina tinha 200 mil milionários – 48% dos recursos nas mãos dos mais ricos. Historicamente, a América do Norte concentra o maior número de milionários (68% do total). Entre 2018 e 2023, entretanto, a região que deve experimentar o maior incremento de indivíduos com mais de US$ 1 milhão é a Ásia (excluindo-se o Japão), de 10,1%, seguida pela África (9,1%) e América Latina (9,1%). A BCG estima 27,6 milhões de milionários em cinco anos.

No Brasil, a evolução recente da riqueza pessoal da população até perdeu ritmo, comparando-se ao intervalo entre 2013 e 2018, quando o conjunto apresentou crescimento anual composto de 9%.

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