Evolução da Riqueza Financeira do Private Banking no Ano até Setembro de 2017: 14,2%

No Relatório da ANBIMA de setembro de 2017 com estatísticas do Private Banking, isto é, a riqueza financeira acumulada pelos ricaços há pelo menos dois fenômenos interessantes para os estudiosos da desigualdade social brasileira.

Primeiro, a evolução percentual acumulada no ano corrente, até o fim do terceiro trimestre, foi de 14,2%. É como o Banco Central do Brasil tivesse mantido, para os clientes privilegiados, a mesma taxa de juro que vigorou durante quase quinze meses, de 29 de julho de 2015 até 19 de outubro de 2016. A partir daí, de maneira muito lenta e gradual, assumiu um viés de baixa a cada 45 dias: 13,9%aa, 13,65%aa, 12,9%aa, 12,15%aa, 11,15%aa, 10,15%aa, 9,15%aa…

Deu para continuar acumulando legal sem adicionar valor na produção, gerando empregos. Não à toa, os apologistas classificam essa equipe econômica neoliberal, para eles, como uma “equipe-de-ouro”! Continue reading “Evolução da Riqueza Financeira do Private Banking no Ano até Setembro de 2017: 14,2%”

Desigualdade no Brasil: Uma Perspectiva Regional

Ligia Guimarães (Valor, 08/11/17) informa que, dependendo do Estado do Brasil em que se vive, a distância entre a renda dos mais ricos e a dos mais pobres pode ser ainda maior do que já é na média nacional, revela estudo divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Enquanto no extremo mais igualitário do país, Santa Catarina, a desigualdade de renda é 20% menor que a média do país, no Distrito Federal, unidade da federação que abriga a capital, Brasília, a disparidade de renda é 18% mais alta que a média brasileira. As conclusões estão no estudo “Inequality in Brazil: A Regional Perspective“, elaborado pelos economistas Carlos Góes e Izabela Karpowicz para o FMI.

Na pesquisa, os autores calculam o nível de desigualdade de renda para cada unidade federativa, ajustado pelo custo de vida de cada região, a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2014. A pesquisa também conclui que, para os muito pobres ou muito ricos, o Estado do país em que se vive não faz tanta diferença para determinar o padrão de vida. Para a classe média, no entanto, a localização importa muito.

“Se você está entre os 5% mais pobres, ou 5% mais ricos, de um Estado, você provavelmente está entre os 5% mais ricos, ou mais pobres, do país. A divergência ocorre mais nas classes médias estaduais“, explica Góes, citando um exemplo que considera intuitivo. “Se você mora em uma favela, não faz muita diferença para o seu padrão de vida se você mora em Porto Alegre ou no Recife”, diz.

O estudo compara também as discrepâncias no rendimento de cada percentual da distribuição de renda de Estado para Estado. Continue reading “Desigualdade no Brasil: Uma Perspectiva Regional”

I PRÊMIO LARES IBAPE/SP

Caros seguidores deste modesto blog: compartilho uma boa notícia. O artigo que meus alunos e eu fomos coautores, escrito no curso de Doutoramento do IE-UNICAMP, na disciplina “Economia Interdisciplinar”, ministrada no segundo semestre de 2016,  foi o trabalho vencedor do I PRÊMIO LARES IBAPE/SP.

O I PRÊMIO LARES IBAPE/SP foi conferido na XVII Conferência Internacional da LARES 2017. Veja: http://lares.org.br/lares2017/
 
Leia o trabalho vencedor: TDIE 284 – Riqueza Imobiliária

Brasil: País de Renda Per Capita Média com Poucos “Muito Rico” e Muitos “Muito Pobre”

er rico no Brasil não é o mesmo que ser rico na França. É mais. Enquanto a renda média do 1% mais rico no Brasil ronda US$ 541 mil ao ano, na França, esse 1% ganha de US$ 450 mil a US$ 500 mil.

A conclusão, de estudo do World Wealth and Income Database, codirigido pelo economista Thomas Piketty, denota a assimetria brasileira.Pela pesquisa, baseada em dados de 2015, o grupo do 1% mais rico equivale a 1,4 milhão de brasileiros.

Quando se depura a estatística para o 0,1% mais rico, um grupo de 140 mil indivíduos recebe ao menos US$ 799,2 mil todos os anos. Isso é só a faixa de corte. A média para tal grupo gira em torno de US$ 2,8 milhões ao ano.

Como base de comparação, Marc Morgan, autor do estudo, aponta que a renda média de toda a população fica em US$ 19,5 mil ao ano. Continue reading “Brasil: País de Renda Per Capita Média com Poucos “Muito Rico” e Muitos “Muito Pobre””

Evolução da Renda e Riqueza das Castas Brasileiras na Era Social-Desenvolvimentista: 2015 X 2007

Alianças, Golpes e Contragolpes entre Castas Brasileiras

Arbitrei que 25,2 milhões declarantes do imposto de renda, em 2007, pertencem às castas brasileiras, ou seja, 1/4 da PEA. Porém, 8,4 milhões declarantes foram classificados entre inválidos, não informados, e outras ocupações não especificadas. É interessante observar que, descontando os 6,0 milhões da casta dos trabalhadores de nível médio de escolaridade (e de baixo rendimento), as outras castas somavam, nesse ano, um número pouco acima dos formados em curso superior em 2010: 10,8 milhões contra 9,6 milhões apurados pelo Censo Demográfico.

Nas DIRPF 2016-AC2015, entre os 27,5 milhões de declarantes, desconsiderando 8,5 milhões não classificados e somando os 6,6 milhões da casta de trabalhadores, a elite socioeconômica restante somava 11,477 milhões, número que contempla os 9,6 milhões com Ensino Superior registrados no Censo de 2010 e mais os concluintes que exerciam a profissão em que se graduaram. Essa correlação pode apontar uma causalidade.

Os quase ¾ restante da PEA seriam constituídos pelos “párias” brasileiros? Eles eram pessoas físicas residentes no Brasil que não foram obrigadas a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física referente ao exercício de 2016, pois sequer receberam rendimentos tributáveis, no ano-calendário de 2015, sujeitos ao ajuste na declaração, cuja soma anual foi superior a R$ 28.123,91 — ou 13 salários brutos mensais de R$ 2.163,30.

Agrupei sob denominações de castas as 131 ocupações listadas nas DIRPF 2016 – AC 2015, a última divulgada pela SRF-MINFAZ, e as comparei com as da DIRPF 2008 – AC 2007, a primeira divulgada sob forma dos grandes números em big data. À primeira vista, o que se destaca em termos de hierarquia da riqueza per capita é que a subcasta dos “atletas, desportistas e afins” superava até a da casta dos mercadores: 30% em 2007 e 47% em 2015. Este é o País do futebol!

No entanto, são muito distintas as quantidades de declarantes de cada qual: milhões contra milhares. Embora os dirigentes, presidentes, diretores de empresas industriais, comerciais ou prestação de serviços estejam incluídos nessa casta, o fenômeno da “pejotização” avançou, extraordinariamente nesses oito anos. Eram 1,089 milhão de Declarações de Recebedores de Lucros e Dividendos somadas às de Rendimentos de Sócio e Titular de Microempresa por Ocupação Principal em 2007. Somaram 2,425 milhões em 2015. Continue reading “Evolução da Renda e Riqueza das Castas Brasileiras na Era Social-Desenvolvimentista: 2015 X 2007”

Mulheres Ricas: Herdeiras, Viúvas, Empreendedoras ou Divorciadas

Minha amiga Prof(a). Dr(a). Hildete Pereira (UFF) sugeriu à Cássia Almeida, Repórter Especial de Economia do Jornal O Globo, escrever uma matéria sobre desigualdade entre os sexos dos ricos nacionaisPreparando-me para a entrevista, resolvi fazer uma breve pesquisa preliminar a respeito. Hildete me disse: “sabemos que há desigualdades entre as grandes fortunas, as mulheres não detêm nem 20% do patrimônio das contas de investimentos dos bancos”. Eu não sabia. Mesmo com minha longa carreira como pesquisador do sistema financeiro nacional, não me lembrava de nenhuma estatística de riqueza financeira por gênero.

Só tinha conhecimento da lista das bilionárias… Pessoalmente, só tive o prazer de conhecer a Milu Vilela que me convidou para um almoço no MAM quando meu livro “Brasil dos Bancos” foi publicado. Disse-me que desejava conhecer o autor, pessoalmente, pois eu fui muito fiel na descrição de seus antecedentes. Foi muito simpática.

Pesquisando na internet, constatei que existem 21 mulheres brasileiras bilionárias, segundo o ranking da revista Forbes Brasil de 2015. A maioria teve a sorte de nascer em “berço de ouro”, herdeiras de famílias que são donas de holding econômico-financeira, ou casou-se bem, separou-se ou tornou-se viúva. No restrito grupo dentro do já seleto de pessoas mais ricas do mundo em dólares, apenas 16 mulheres do planeta ingressaram no ranking de ricaços sem ser por meio de uma herança ou um divórcio. Continue reading “Mulheres Ricas: Herdeiras, Viúvas, Empreendedoras ou Divorciadas”

Aumento da Desigualdade ou Diminuição da Pobreza: o que mais importa para a sociedade?

Em entrevista a Ricardo Balthazar (FSP, 01/10/17), o economista Ricardo Paes de Barros, responsável por alguns dos principais estudos publicados sobre pobreza e desigualdade no Brasil, afirma que trabalhos como o do irlandês Marc Morgan estão longe de negar os avanços feitos pelo país nos últimos anos.

Os dados de Morgan indicam maior concentração de renda no topo da pirâmide social, mas confirmam que também houve ganhos significativos para as camadas mais pobres da população, diz Paes de Barros, que é economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, doutor em economia pela Universidade de Chicago e professor do Insper.

Para ele, seria importante rediscutir o sistema tributário brasileiro, para torná-lo mais justo e eficiente, mas o debate sobre os impostos dos ricos não deveria deixar em segundo plano esforços para aprimorar as políticas sociais do governo e tornar mais produtiva a economia brasileira. Continue reading “Aumento da Desigualdade ou Diminuição da Pobreza: o que mais importa para a sociedade?”