Reconcentração de Renda Após o Golpe

Segundo os dados acima, 1,028 milhão de  famílias constituem a Classe A (1%), 6,4 milhões a Classe B (9%), 16,8 milhões a Classe C (24%) e 45,4 milhões a Classe D (66%). Isto pela renda do trabalho (salários). Se for considerada a riqueza financeira, da qual resulta renda do capital financeiro (juros), o Private Banking são 114,8 mil CPFs (1% dos clientes em FIFs e TVMs), o Varejo de Alta Renda, 3,6 milhões (35%), e o Varejo Tradicional, 6,7 milhões (64%). Os 57 milhões de depositantes de poupança com mais de R$ 100 (saldo médio de R$ 10.646) são considerados “párias“. A Classe C se classifica mais adequadamente entre eles, somando 90% dos “investidores financeiros”, ou são “rentistas”?! 🙂

Bruno Villas Bôas (Valor, 12/09/17) informa que, depois de liderar as perdas durante a recessão, a renda da classe A é agora a que mais cresce na retomada econômica. Levantamento da Tendências Consultoria mostra que a massa de rendimento do trabalho do “topo da pirâmide” cresceu 10,3%, em termos reais, no primeiro semestre de 2017, frente ao mesmo período de 2016. Isso significa incremento de R$ 2,9 bilhões no rendimento somado desse grupo.

Esse avanço da massa salarial da classe A — composto por famílias com renda superior a R$ 17.286 mensais, no critério do estudo — foi seis vezes mais rápido que a média geral (+1,5%) no primeiro semestre. Superou, desta forma, a recuperação percebida pelas classes B (+0,69%) e C (+1,06%). A massa de renda das classes D e E, por sua vez, apresentou perda de 3,15% no período.

Fernando Nogueira da Costa: entenderam por que parte da classe média — a reacionária — reagiu contra o governo social-desenvolvimentista? Para voltar a concentração de renda! Continue reading “Reconcentração de Renda Após o Golpe”

Brasil: O Mais Desigual entre Os Grandes Países

Um novo artigo de M. Morgan, “Desigualdade extrema e persistente: novas evidências para o Brasil combinando Contas Nacionais, Pesquisas e Dados Fiscais, 2001-2015 “, WID. World Working Paper, 2017/12″ (http://wid.world/wpcontent/
uploads / 2017/09 / Morgan2017BrazilDINA-.pdf), combina contas nacionais, inquéritos e dados fiscais para fornecer séries consistentes sobre a desigualdade de renda no Brasil. DownloadExtreme and Persistent Inequality New Evidence for Brazil – MARC MORGAN WID WP 2017-12

Os novos resultados com pesquisa em SCN e DIRPF fornecem uma forte revisão no sentido ascendente das estimativas oficiais da desigualdade no Brasil, mostrando que as tendências de desigualdade decrescente foram revertidas de acordo com a série de referência da renda nacional.

A concentração de renda no topo é impressionante, com a participação do top 1% de renda superior aumentando para 28% no final do período, de uma participação inicial de 25%. Os 10% de renda superior aumentaram sua participação na renda bruta (antes do imposto de renda) de cerca de 54% para 55% e capturou 61% do crescimento da renda nacional total.

Enquanto isso, a participação dos 50% de renda inferior aumentou de 11% para 12%, com maior crescimento do que o decil superior, mas capturando apenas 18% do crescimento total, devido ao seu recebimento de renda extremamente baixo.

Mesmo diante da manutenção desse quadro de desigualdade de renda e riqueza, os conservadores golpearam um governo eleito com hegemonia trabalhista que lhe fugia do controle político. Enquanto não vigorar uma democracia estável e representativa das camadas populares, no País, os brasileiros terão motivos para ter vergonha dele.

“Deus dará… E o Diabo tomará!”

Adriana Cotias (Valor, 03/0717) informa que, em meio às discussões para a reforma da Previdência, “o brasileiro” [mas quem é este tipo representativo da heterogeneidade dos habitantes no Brasil, heim?] aumentou a sua reserva para a aposentadoria, mas ainda poupa menos do que o necessário para manter a sua renda e qualidade de vida, segundo uma pesquisa mundial da gestora americana Legg Mason.

No recorte de Brasil, a instituição ouviu 900 investidores, separando-os por grupos geracionais, de gênero e classes de renda. A percepção geral dos entrevistados é que um ano de salário seria suficiente para viver os anos da velhice fora do trabalho, e mesmo nas classes de renda mais alta se observa esse tipo de ilusão financeira.

Ao redor do mundo, os entrevistados têm poupado entre 3,7% e 14,6% do que precisariam, de fato, para prover um sustento estimado em 70% do que tinham na ativa por 20 anos, como recomenda a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No Brasil se fica com uma reserva de 5,3% do valor considerado adequado.

Pelo levantamento, na média:

  • quem já tem algum dinheiro para a aposentadoria acredita que R$ 170 mil acumulados são suficientes para viver a fase da velhice.
  • Os “millenials” (de 18 a 35 anos) calculam que R$ 133 mil bastam.
  • Já o grupo da geração X (de 36 a 52 anos) pensa que R$ 189,5 mil é um valor adequado.
  • Os “baby boomers” (de 53 a 71 anos) falam em R$ 233 mil.
  • Mesmo entre os indivíduos da alta renda afluente uma acumulação de R$ 519,8 mil é considerada o bastante.

O algoritmo 1 – 3 – 6 – 9 (abaixo) oferece maior realismo quanto às necessidades de reservas financeiras para manter o padrão de vida durante vinte anos de aposentadoria.


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Brasil é Paraíso Tributário para Super-ricos

Seminário discutiu experiências brasileiras de combate à pobreza em áreas urbanas. Foto: Wikimedia Commons / chensiyuan (CC)

Mais ricos representam 71 mil pessoas (0,05% da população adulta brasileira) e se beneficiam de isenções de impostos sobre lucros e dividendos, uma de suas principais fontes de renda. Entre os países da OCDE, além do Brasil somente a Estônia oferece esse tipo de isenção tributária ao topo da pirâmide.

Os brasileiros super-ricos pagam menos imposto, na proporção da sua renda, que um cidadão típico de classe média alta, sobretudo assalariado, o que viola o princípio da progressividade tributária, segundo o qual o nível de tributação deve crescer com a renda.

Essa é uma das conclusões de artigo publicado em dezembro pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), vinculado ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O estudo, que analisou dados de Imposto de Renda referentes ao período de 2007 a 2013, mostrou que os brasileiros “super-ricos” do topo da pirâmide social somam aproximadamente 71 mil pessoas (0,05% da população adulta), que ganharam, em média, 4,1 milhões de reais em 2013. Continue reading “Brasil é Paraíso Tributário para Super-ricos”

Tributação Progressiva

Nelson Barbosa é Doutor em Economia pela New School for Social Research. Ele foi ministro da Fazenda e do Planejamento no governo Dilma. No seu artigo abaixo (FSP, 07/07/17) demonstra que é mais fácil fazer oposição do que implementar o que deseja quando está no governo, mesmo ocupando um cargo-chave.

Lá, um governo com base de apoio partidária minoritária enfrenta obstáculos políticos quase intransponíveis no Congresso Nacional. Mas sua proposta deve ser incorporada a um Programa de Governo a ser debatido pela sociedade brasileira — e eleito nas próximas eleições.

“Em maio de 2016, dois dias antes do afastamento da presidente Dilma Rousseff, o Ministério da Fazenda publicou o primeiro Relatório Anual de Distribuição de Renda e Riqueza no Brasil.

O objetivo da iniciativa era apresentar dados sobre nossa desigualdade com base nas informações do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

De acordo com a portaria MF 165/16, a Receita Federal deveria divulgar anualmente os dados do IRPF por cada grupo de 1% dos contribuintes (centil).

A mesma portaria determinou que o 1% mais rico deveria ser desagregado por milésimos do total de declarações, para viabilizar uma análise mais detalhada do “andar de cima”.

Em março deste ano, sem alarde ou divulgação, o fisco atualizou os dados de 2014 e 2015 em sua página da internet. Os números indicam que, em 2015, os 10% mais ricos da população concentraram 47,4% do total da renda pessoal, isto é, da renda tributável pelo IRPF acrescida de dividendos e rendimentos sujeitos à tributação exclusiva.

A concentração foi ainda maior na riqueza, pois os 10% mais ricos tinham em mãos 56,3% do total de bens e direitos líquidos declarados ao governo em 2015. Continue reading “Tributação Progressiva”

Concentração de Renda devido à Desigualdade Educacional

A renda média de pessoas com diploma universitário é pelo menos duas vezes maior quando comparado ao grupo daqueles que interromperam os estudos no ensino médio. Na faixa etária de 30 a 39 anos, o rendimento mensal das pessoas com ensino médio é de R$ 1,8 mil. Esse salário salta para R$ 4,7 mil quando se tem uma diploma de ensino superior, segundo informações do estudo “Valor Análise Setorial – Ensino Superior“, que foi lançado e custa R$ 3.400,00.

A renda dobra já nos primeiros anos da faculdade ou logo após a conclusão do curso. A grande diferença de salário entre as pessoas com e sem diploma universitário se mantém até a aposentadoria. Entre 50 e 64 anos, o rendimento das pessoas que se formaram atinge R$ 7 mil, quase três maior comparada com a de R$ 2,4 mil de quem só tem o segundo grau médio concluído.

Segundo o Ministério da Educação (MEC) havia, em 2015, pouco mais de 6,6 milhões de universitários em instituições privadas e públicas no país. No entanto, apenas 34,6% da população com idade entre 18 e 24 anos têm diploma de ensino superior. Os percentuais mudam de acordo com a classe social:

  • No grupo dos 25% mais ricos, 85% deles têm ensino superior.
  • No grupo dos 25% mais pobres, somente 12,3% têm diploma universitário.

Há uma demanda potencial de 10,341 milhões de alunos, sendo 2,2 milhões de estudantes que frequentam o ensino médio e mais 8,1 milhões com o ensino médio concluído.

Observa-se a formação de analistas e/ou estrategistas em Ciência Política, Ciências Sociais e Economia, predominantemente, em Universidades Públicas. Já a formação de gestores, advogados, gerenciamento e administração — talvez por ser ensinada por “homens práticos” e com custo mais barato — se dá em Privadas.

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Concentração de Renda devido à Sociedade de Executivos

Thomas Piketty, em seu livro O Capital do Século XXI, afirma que a elevação da concentração de renda contemporânea é devido, principalmente, à auto remuneração através de bônus (“prêmios”), PLR, elevadíssimos salários e opções de ações na Sociedade dos Executivos. Eles próprios decidem quanto ganham!

Cláudia Rolli (FSP, 11/06/17) informa sobre executivos que receberam salários até 144% acima da média do segmento em que atuam e pertencem a um grupo que faturou R$ 10 milhões no ano passado. São conhecidos no meio em que circulam, no alto escalão das empresas, como “executivos fora da curva“.

Seus nomes, assim como os das companhias que comandam, são mantidos em sigilo em acordos de confidencialidade que preveem multas tão altas quanto os contratos que assinaram.

A remuneração desses executivos é negociada, diretamente, com os Conselhos de Administração e incluem salários mensais de “três dígitos” (R$ 280 mil a R$ 300 mil), bônus e incentivos de longo prazo — que podem abranger ações da própria companhia.

Cinco dos executivos do alto escalão que conseguiram ficar “acima da média” e se destacar em 2016 comandam empresas de consumo, commodity, varejo, incorporação e saúde (rede hospitalar). Uai, cadê a “financeirização”? 🙂 Continue reading “Concentração de Renda devido à Sociedade de Executivos”