Austeridade contra Aumento da Arrecadação Fiscal

Uma anedota corporativa é a pergunta: qual é a diferença entre contabilistas e economistas? Resposta: hipótese. Aqueles registram dados do passado para verificar se há saldo entre despesas e receitas. Os economistas levantam cenários hipotéticos sobre o futuro fluxo de renda. Pensam ser oniscientes: tudo sabem e conhecem.

Os cristãos acreditam na onipresença, onisciência e onipotência de Deus. Não percebem a contradição lógica entre essas duas últimas virtudes: se sabe e anuncia o futuro, Ele perde o poder de mudá-lo, ou seja, deixa de ser onipotente…

Não existe o saber absoluto. Não há conhecimento certo sobre tudo, inclusive o futuro. Este é incerto por ser resultante de interativas decisões descentralizadas, descoordenadas e desinformadas umas das outras, inclusive por serem defasadas. O diabo é essa sequência DDDDD resultar em complexidade…

Pautados por economistas midiáticos, com cadeira cativa (e exclusiva) na “grande” imprensa brasileira, jornalistas econômicos de ideias afirmam de modo peremptório o seguinte. “O que estimula o crescimento é o ajuste fiscal – equilíbrio entre despesas e receitas de modo a viabilizar o aumento do investimento privado – e para isso torna-se fundamental cortar gastos”.

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Bolsa ganhou 374.822 novas contas de investidores com até 25 anos desde o início de 2019

Aos 23 anos, a estudante de administração de empresas Júlia Abi-Sâmara está ajudando a encorpar as estatísticas de novos jovens investidores no mercado brasileiro, depois de ela mesma se tornar um deles. Após ministrar, em 2019, cursos para cerca de 130 amigas e amigas de amigas, no ano passado, ela resolveu criar um canal no Instagram para disseminar seu conhecimento para ainda mais pessoas, em especial mulheres. O perfil “@as.investidoras” tem hoje mais de 29 mil seguidores.

O empurrão inicial para deixar de ser uma poupadora, uma vez que mantinha todo o dinheiro na caderneta, e passar a investir em títulos públicos, ações, fundos e criptomoedas veio de um observação machista de um colega da faculdade. Ao dizer que gostaria de entender mais sobre investimentos, foi surpreendida com o comentário machista “finanças não é coisa de mulher”. Estimulada por um sentimento de vingança e pela determinação de provar o contrário, ela passou a estudar o assunto.

Mais confiante, começou a dar aula para duas amigas. Elas acabaram trazendo outras colegas e, assim, tornou-se referência no tema para o grupo. Ele percebia a importância de gerir o próprio dinheiro, mas não sabia se tinha recurso suficiente, nem por onde começar e o que fazer.

“Conforme fui estudando, via o quanto aquele conhecimento estava impactando minha vida financeira. Passei a entender onde colocar meu dinheiro para render mais, como estipular metas e como cuidar melhor das minhas finanças. Mas, o mais importante é que melhorei minha autoestima e autoconfiança por estar aprendendo sobre um assunto que eu mesma achava que não seria capaz de aprender”, conta Júlia, em entrevista ao Valor Investe.

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Explicação pelos Interesses dos Detentores do Poder Político

A segunda linha de argumentação, apresentada por John Zysman, no livro Governments, Markets, and Growth (Cornell University Press, 1983), sustenta, enquanto os problemas confrontados por cada país definem os termos pelos quais as escolhas devem ser feitas, as diferentes decisões de ações de um governo dependem das personalidades governantes e da natureza de seus objetivos. Portanto, devemos considerar o papel das coalizões, grupos de interesse e interesses políticos.

Uma coalizão governante – uma “grande maioria” na expressão de Charles Lindbloom – define a gama de finalidades para as quais a máquina estatal pode ser usada. Se as coalizões nacionais devem delimitar a gama de políticas, em um conjunto de setores, deve haver políticas capazes de restringir as escolhas a serem feitas dentro de cada setor ou em uma situação onde muitos dos mesmos atores são envolvidos nas decisões em cada setor. Ambos podem ser o caso. 

Por exemplo, acordos gerais para reduzir as tarifas podem tornar mais difícil para as empresas de uma indústria específica obterem proteção contra as importações.

Em um sistema centralizado como o da França ou do Japão, os mesmos burocratas têm participação na política de muitos setores econômicos. De acordo com esta linha de argumentação, então, as mudanças nas coalizões governantes quanto à filiação partidária ou o poder relativo dos constituintes da coalizão partidária são os elementos explicativos das mudanças nas direções básicas da política.

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Transnacionalização das Corporações

John Zysman, no livro Governments, Markets, and Growth (Cornell University Press, 1983), afirma: na verdade, a década de 1960 foi um momento liberal no comércio externo, onde a acordos de Bretton Woods e os acordos comerciais incorporados em GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio) estavam sendo aplicados. A busca por mercados ainda mais livres estava a todo vapor. 

O emblema popular desta Nova Era Internacional era a corporação multinacional. Simbolizava tanto as novas liberdades das corporações gigantes produzidas em todo o mundo e a capacidade diminuída de governos para regular o comportamento das empresas importantes para suas economias nacionais. 

À medida que a década de 1960 avançava, o aumento da internacionalização das finanças também começou a colocar sérias restrições em qualquer capacidade de governo conduzir uma política econômica agregada autônoma.

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Em Defesa de um Novo Plano Marshall

Pedro Cafardo (Valor, 02/02/21) cita John Kenneth Galbraith para explicar porque é necessário um novo Plano Marshall, inclusive porque a vacinação deve acentuar desigualdade e conflitos sociais.

Logo no início da atual pandemia, em março do ano passado, o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, conclamou as principais economias do mundo a promover ações conjuntas com ambição de um Plano Marshall. Cada vez mais, a recomendação se justifica.

Para quem não se lembra ou nunca leu a respeito, vale explicar o que foi o Plano Marshall. Quando terminou a Segunda Guerra Mundial, em 1945, os grandes países da Europa e o Japão estavam destruídos. As perdas mais terríveis eram humanas, com cerca de 60 milhões de mortos entre civis e militares. Ferrovias, portos, pontes, casas e a infraestrutura em geral haviam sido arrasados pelos bombardeios. Estima- se que 40% das habitações foram destruídas na Alemanha, 30%, no Reino Unido, e 25%, no Japão.

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“Racha” na Casa das Garças

Alex Ribeiro (Valor, 01/02/21) informa: o economista Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real, fez um estudo que mostra os limites de replicar no Brasil a estratégia do presidente americano, Joe Biden, de aproveitar os juros estruturalmente baixos para estimular a economia com um gigantesco programa de gastos públicos.

A base teórica para o pacote fiscal é um recente trabalho do professor de Harvard Jason Furman e do ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos Larry Summers que mostra que, devido a uma queda estrutural dos juros, o governo americano pode ter uma dívida pública mais alta.

Bacha replicou a metodologia de Furman e Summers para o Brasil, levando em conta a queda dos juros ocorrida nos últimos anos e a tendência de alta da dívida pública. Sua conclusão é que, embora o governo tenha ficado mais endividado nos últimos anos, o custo para carregar essa dívida está em níveis historicamente baixos.

Mas essa folga não deve durar muito: o mercado financeiro já espera uma alta de juros por aqui. Bacha calcula que o peso do pagamento de juros, comparado com o tamanho da economia, deverá dobrar até 2023. “Isso significa que o respiro será temporário”, diz o economista, no estudo. “O melhor é se preparar para consertar as contas fiscais antes que o tempo se esgote.”

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Posição relativa do PIB per capita do Brasil entre as maiores economias do mundo

Admiro o trabalho estatístico de Cláudio Considera. Quando fui convidado a palestrar no IBRE-FGV descobri: seus pesquisadores respeitam fatos e dados, não são como os professores de ideologia neoliberal na EPGE-FGV. Compartilho seu importante artigo informativo abaixo.

Recentemente, no artigo “Como o Brasil se situa entre as maiores economias do mundo no pós-Covid”, publicado no Blog do IBRE, mostramos os “rankings” das maiores economias do mundo, com base nos dados do FMI, sob duas métricas: nível do PIB (dólares em preços correntes) e também em dólares, preços correntes, PPP (paridade de poder de compra). Lá concluímos que “em função da queda de atividade econômica do Brasil, somada á forte desvalorização cambial, o Brasil deve perder três posições, e passar a ser a 12º maior economia do mundo em 2020, segundo as projeções do FMI, com base nos dados do PIB em dólar. Já ao se comparar o PIB em US$ PPP, o Brasil deve ser a oitava maior economia do mundo neste ano, ‘melhorando’ duas posições”.

No presente artigo, vamos dar continuidade á discussão anterior, mostrando a posição do Brasil, dentre as maiores economias do mundo, mas com base no PIB per capita de cada país. Para calcularmos o PIB per capita, primeiro calculamos o nível do PIB em US$, PPP, e depois dividimos esse PIB pelo tamanho da população.[1] Diferentemente do post anterior acima mencionado, para o cálculo do PIB, selecionamos, de forma arbitrária, um ano para servir de base (no caso, o ano escolhido foi 2000).[2] Para este ano selecionado, utilizamos o nível do PIB, em US$, PPP (preços correntes), e a partir desse ano, adicionamos as taxas reais de crescimento do PIB de cada país. Com isso, procuramos eliminar o efeito do câmbio ao longo dos anos, com a evolução do nível do PIB dependendo, exclusivamente, da variação da atividade econômica, em moeda local.

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Cidades com Capacidade Fiscal de Pagamento

As 713 cidades classificadas com rating “A” de capacidade de pagamento (Capag), nota máxima na classificação da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), investem proporcionalmente mais que as demais. Essas cidades representam 13,2% das 5.422 prefeituras com relatórios fiscais de 2019 entregues ao Tesouro e 15,8% da população total desses municípios. Nos investimentos, porém, o quinhão dessas cidades nota “A” é maior. Elas são responsáveis por 24% do valor de investimento agregado no mesmo universo de prefeituras.

O investimento por 100 mil habitantes nas cidades nota “A” é mais alto do que nos demais municípios. Esse indicador vai a R$ 26,4 milhões por 100 mil habitantes no grupo do rating “A”, valor 33,5% acima dos R$ 19,76 milhões de prefeituras com rating “B”.

Os dados levantados pelo Valor consideram a população e os valores liquidados de investimentos e despesas em 2019 declarados nos relatórios fiscais entregues ao Tesouro. As atuais notas de Capag foram calculadas pelo Tesouro com base no desempenho do ano passado. A classificação vai de “A” a “D” e considera indicadores de endividamento, poupança e liquidez.

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Política Externa Desastrosa

Daniel Rittner (Valor, 23/11/2020) informa; a presença do Brasil na África diminuiu fortemente na última década, período quando o continente africano teve crescimento do PIB acumulado de 55%. De 2011 a 2020, considerando sempre os nove primeiros meses de cada ano, a corrente de comércio encolheu de US$ 20,3 bilhões para US$ 8,3 bilhões.

As exportações brasileiras caíram, sem exceção, para todas as dez principais economias africanas. Para Nigéria e África do Sul, os dois maiores PIBs, a queda foi respectivamente de 48% e 47%. A corrente de comércio é a soma de exportações e importações.

“A história do Brasil na África tem alternado ondas de expansão e de retração. O governo [Jair] Bolsonaro é um período de recuo”, definiu Alex Vines, diretor do programa de África da Chatham House, centro de estudos sobre política internacional sediado em Londres, durante um seminário recente do banco sul- africano Standard Bank.

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Má Compra: Automóvel Zero X Boa Compra: Seminovo

Marli Olmos (Valor, 20/11/2020) informa: a pandemia exacerbou a distância entre classes sociais de várias formas. Entre os exemplos mais marcantes, a necessidade de isolamento expôs o abismo que separa o estudante de baixa renda daquele que conseguiu acompanhar todas as aulas a distância graças a uma boa velocidade de conexão à internet.

Na área da saúde, logo no início do surto de covid-19 apareceram no noticiário cenas de pacientes endinheirados que deixavam suas cidades a bordo de jatimhos particulares rumo a hospitais de ponta em São Paulo.

Não faltaram histórias de quem pôde, por exemplo, dar-se ao luxo de cumprir a quarentena em uma confortável fazenda, enquanto a famílias que dividem um único cômodo restava apenas torcer para que ninguém fosse contaminado.

Do lado da mobilidade, há também muito para contar. O transporte público transformou-se num vilão, foco de disseminação do novo vírus. Quem pôde, fugiu de ônibus, trens e demais meios compartilhados, seguindo, assim, uma direção contrária a tudo o que até então se propagava como futuro para o deslocamento sensato nos grandes centros urbanos.

Nas concessionárias de veículos, vendedores se apavoraram, nos primeiros dias com o “sumiço” do consumidor e a obrigação de fechar as portas para cumprir novas normas sanitárias. Mas, depois, aos poucos, com a permissão para reabertura do comércio, começaram a aparecer clientes com um punhado de novas razões para desejar o transporte individual.

Proteger-se do vírus dentro de um carro levou muita gente que guardara dinheiro a trocar planos de viajar pela compra de um automóvel, nem que fosse pequeno, ou mesmo usado.

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Apple acima do Brasil

O valor de mercado das ações da Apple, uma das big-tech (FAAMG: Facebook, Amazon, Apple, Microsoft, Google), supera o PIB do Brasil: R$ 7,2 trilhões ou US$ 1,307 trilhão com o R$ 5,52/US$.

Segundo Daniela Braun (Valor, 04/11/2020), se quiser se manter no posto da empresa mais valiosa do mundo, a Apple, cujo valor de mercado chegou a superar os US$ 2 trilhões em agosto, precisa colocar em prática seu próprio slogan da década de 1990 e “pensar diferente”. Para reduzir a dependência do iPhone, sendo a nova geração lançada com atraso, representou 40,8% da receita líquida no último trimestre, a empresa aposta em diversificação de produtos e na oferta de serviços de assinatura de conteúdo e armazenamento de dados.

A Apple ainda tem uma dependência muito grande do iPhone, o que pode ser muito bom porque é um produto vencedor, mas pode ser ruim se ela não tiver um bom ano de vendas.

De fato, o atraso em um mês no lançamento do iPhone fez com os consumidores segurarem a troca de aparelhos para o quarto trimestre e gerou uma queda de 20% na receita com smartphones.

No período encerrado em setembro, a Apple registrou lucro líquido de US$ 12,67 bilhões, queda de 7,4% na comparação anual, e a receita líquida avançou 1% no período para US$ 64,7 bilhões

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Brasil: Pior dos BRICS nos Últimos 6 Anos

Pedro Cafardo é editor-executivo do Valor e integra a equipe que fundou o jornal. Foi editor-chefe de “O Estado de S. Paulo” e editor de Economia em várias publicações. Publicou artigo (Valor 20/10/2010) com alerta: eventual vitória de Biden nos EUA acabará com o espaço para o negacionismo ambiental e pode levar o país a um bloqueio internacional capaz de asfixiar ainda mais a economia brasileira. Compartilho-o abaixo.

O Brasil é, de longe, a maior decepção entre as quatro grandes países emergentes incluídos no histórico trabalho da Goldman Sachs que criou o grupo do Brics – Brasil, Rússia, Índia e China. Se você quer saber quais desses países mais corresponderam às previsões de crescimento econômico, basta ler a sigla de traz para frente. A China foi disparadamente melhor, seguindo-se Índia e Rússia, com o Brasil na lanterna.

O estudo da Goldman Sachs é normalmente atribuído a Jim O’Neill, que formulou o conceito e a sigla em 2001, mas foi assinado por Dominic Wilson e Roopa Purushothaman, com a publicação do “Dreaming With BRICs: The Path to 2050”. Embora tenha sido divulgado em outubro de 2003, esse “paper” trabalha com uma série histórica que começa no ano 2000. A previsão principal é que os quatro grandes emergentes – o texto original não inclui a África do Sul – deverão se tornar, até 2050, a maior força da economia mundial, superando em valor de PIB os países do G-6 – Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália.

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