Schumpeter, o Dinheiro e a Moeda (por Luiz Gonzaga Belluzzo)

Meu ex-professor Luiz Gonzaga Belluzzo, professor aposentado da Unicamp e fundador da Facamp, em 2001, foi um dos 100 maiores economistas heterodoxos no Biographical Dictionary of Dissenting Economists. Escreveu artigo defendendo um posicionamento adotado também por mim: “financeirização” não é uma deformação do capitalismo, mas um “aperfeiçoamento” de sua natureza (Valor, 04/02/2020). Compartilho-o abaixo.

“Reconhecido pelos senhores dos mercados depois da crise financeira de 2008, o economista keynesiano Hyman Minsky, falecido em 1996, escreveu em 1992 um artigo intitulado “Schumpeter and Finance”. O artigo narra a temporada de Minsky em Harvard na companhia de Paolo Sylos-Labini, então jovem economista italiano, mais tarde referência no mundo acadêmico ao escrever o clássico Oligopólio e Progresso Técnico.

Os dois chegaram a Harvard para a temporada 1948-49. Labini aportou a Harvard depois de algum tempo em Chicago. “Como completei minha graduação em Chicago, Labini e eu compartilhamos nossas opiniões sobre Chicago e Harvard em animada discussão”.

Minsky graduou-se em Matemática em 1941. Do mestrado (1947) ao PhD (1954), foi supervisionado por Schumpeter, Wassily Leontief e Alvin Hansen. Schumpeter morreu em janeiro de 1950.

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André Lara Resende debate com L. Randall Wray sobre a MMT

À luz da Teoria Monetária Moderna (MMT, na sigla em inglês), a política de cortes orçamentários profundos para reduzir o déficit público no Brasil está equivocada do ponto de vista macroeconômico, porque o país ainda sofre com altas taxas de desemprego e insuficiência de investimentos públicos em setores essenciais. O diagnóstico feito ontem pelo economista André Lara Resende reverberou vários dos pontos defendidos por um dos formuladores dessa relativamente nova vertente teórica, o americano L. Randall Wray.

As premissas básicas fundamentais da MMT foram apresentadas por Wray e Resende em palestra promovida pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), na Casa Firjan, e na Fundação Getulio Vargas (FGV), em evento promovido pelo Cebri em parceria com o Valor e o Centro de Estudos do Novo Desenvolvimentismo, da FGV-SP.

“Alguns dos nossos críticos dizem: ‘Não há nada de novo na MMT’. E eu respondo: ‘Você está certo. Foi o que dissemos o tempo todo’”, ironizou Wray, professor do Bard College, em Nova York, e membro do Levy Institute. Apesar de argumentar a MMT ter agregado fragmentos de estruturas teóricas já estabelecidas, Wray ganhou destaque por suas críticas à teoria e às políticas monetárias ortodoxas.

Para ele, o aumento da relação entre a dívida pública e o PIB, mesmo por longos períodos, não caracteriza por si só uma trajetória econômica insustentável. Wray citou especificamente o exemplo dos Estados Unidos para justificar sua posição: “Até agora, a relação entre a dívida pública e o PIB vem crescendo desde 1791 a uma taxa média de 1,82% [ao ano]”, explicou. “Meu argumento é: se algo vem acontecendo por 200 anos, provavelmente é sustentável.

Entre outros pontos, a MMT preconiza: os governos emissores de sua própria moeda não podem quebrar. O excesso de moeda não provoca necessariamente inflação. “A inflação não é resultado do excesso de moeda, mas do excesso de demanda agregada ou das expectativas de inflação”, afirmou Lara Resende, em artigo publicado pelo Valor em março.

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Pós-keynesianos, Teoria da Regulação e Institucionalismo

Concluo a tradução do artigo LAS CORRIENTES TEÓRICAS Y LOS FUNDAMENTOS DEL ANÁLISIS POST-KEYNESIANO, publicado na revista equatoriana Cuestiones Económicas Vol. 27, No. 2:2, 2017, de autoria de Jean-François Ponsot.

A proximidade entre PK e reguladores franceses foi discutida por Lavoie (2014) e Boyer (2011). Os dois concordam: certos temas de Pascal Petit, Robert Boyer e Jacques Mazier são similares aos dos Kaldorianos e dos PKs institucionalistas. Os modelos de crescimento ou acumulação, de um e do outro, para os quais a distribuição de renda é muito importante, particularmente, naqueles capazes de levar em consideração os aumentos de produtividade, são altamente vinculados.

De acordo com Lynne Chester e Joy Paton (Chester & Paton, 2011), os PKs estariam interessados em colaborar mais com especialistas em Karl Polanyi e reguladores. Seus quadros teóricos estão, evidentemente, de acordo. É totalmente simbólico a primeira edição da Revue de la Régulation, em 2007, incluir uma longa entrevista com Marc Lavoie.

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Modelagem Pós-keynesiana comparada à Econometria das Escolas Ortodoxas

Continuo a tradução do artigo LAS CORRIENTES TEÓRICAS Y LOS FUNDAMENTOS DEL ANÁLISIS POST-KEYNESIANO, publicado na revista equatoriana Cuestiones Económicas Vol. 27, No. 2:2, 2017, de autoria de Jean-François Ponsot.

Os pós-keynesianos (PK) têm sido relutantes em métodos empíricos e instrumentos econométricos Nesse ponto, eles foram leais a Keynes, a quem a econometria nascente de Tinbergen atribuía “alquimia”. Esta posição crítica do PK pode ser entendido por alguns trabalhos do Programa de Pesquisa Científico ortodoxo: apenas validam ou confirmam empiricamente a teoria ortodoxa como um “artefato” simples, segundo Lavoie (2014).

Os resultados são parciais, devido ao fato de adotarem procedimentos fracos. A ferramenta Econometria é usada como um “instrumento mágico”. Mas não é porque a Economia Ortodoxa abusa de técnicas quantitativas a razão de dever ser rejeitada. Pelo contrário, algumas PKs, principalmente Kaldorianos ou Kaleckianos, consideram os trabalhos heterodoxos necessitam ser usados ​​mais cientificamente, na medida em que se baseiam em hipóteses realistas, ao contrário dos trabalhos ortodoxos.

Este é o caso particular do processo de modelagem de empresas de Godley e Lavoie (Godley & Lavoie, 2007) no final dos anos 90, com modelagem SFC (Fluxos e Estoque Coerentes). Hoje amplamente desenvolvido, esta modelagem PK tenta superar a confusão entre fluxos e estoques, é considerada o “pecado original” da Macroeconomia, de acordo com Kalecki. Através de seus desenvolvimentos mais recentes, em particular a Mobilização de Modelos Multiagentes (ABM), isso abre a modelagem para vários problemas.

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Preceitos estritamente Pós-keynesianos

Continuo a tradução do artigo LAS CORRIENTES TEÓRICAS Y LOS FUNDAMENTOS DEL ANÁLISIS POST-KEYNESIANO, publicado na revista equatoriana Cuestiones Económicas Vol. 27, No. 2:2, 2017, de autoria de Jean-François Ponsot.

Um método histórico nos permite ir além na explicação dos fundamentos da PK. Para simplificar, a constituição de seu corpo teórico, depois da consolidação do paradigma pós-keynesiano, pode ser resumida na tabela acima.

A abordagem PK começa afirmando a economia de mercado ser imperfeita e ineficiente. Isso não tende a se corrigir automaticamente, com tendência a subutilizar e abusar das capacidades produtivas da economia. As empresas raramente trabalham com todo o seu potencial. Elas subutilizam sua usabilidade e produzem desemprego involuntário.

Como postulado central das Teorias do PK, a economia depende crucialmente da demanda efetiva, pouco importa o nível dos salários, tanto em curto como em longo prazo. Pelo contrário, são as antecipações dos empresários em relação ao nível futuro de demanda agregada (e, em seguida, decisões de investimentos) os determinantes do nível de demanda efetiva.

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Fundamentos da Análise Pós-Keynesiana

Continuo a tradução do artigo LAS CORRIENTES TEÓRICAS Y LOS FUNDAMENTOS DEL ANÁLISIS POST-KEYNESIANO, publicado na revista equatoriana Cuestiones Económicas Vol. 27, No. 2:2, 2017, de autoria de Jean-François Ponsot.

Uma das principais dificuldades na definição do pós-keynesianismo vem de da falta de preocupação em discutir os fundamentos de um novo paradigma entre os membros fundadores PK (Pasinetti, 2007). Eichner e Kregel (1957) foram os primeiros PK a tentar compilar sistematicamente os pilares do novo paradigma PK. A tarefa não é fácil.

Lavoie (2014, p. 34) lista quinze características específicas da análise PK, mas indica imediatamente o escopo limitado neste trabalho: essas listas combinam diferentes registros, misturando preceitos metodológicos, hipóteses teóricas e prescrições políticas.

Para facilitar a tarefa, dois processos são frequentemente usados ​​para evitar essa dificuldade:

  1. identificar o que a análise PK tem em comum com heterodoxia,
  2. esclarecer o que a análise PK rejeita da análise econômica padrão.

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Correntes Teóricas e Fundamentos da Análise Pós-keynesiana

O artigo LAS CORRIENTES TEÓRICAS Y LOS FUNDAMENTOS DEL ANÁLISIS POST-KEYNESIANO, publicado na revista equatoriana Cuestiones Económicas Vol. 27, No. 2:2, 2017, é de autoria de Jean-François Ponsot, Doctor en Ciencias Económicas de la Université de Bourgogne y University of Ottawa, Director del Centro de Investigaciones en Economía de Grenoble CREG – Université Grenoble Alpes.

Ele trata da herança de Keynes na análise econômica pós-keynesiana e sua contribuição na heterodoxia contemporânea. Também propõe uma análise da Escola Pós-Keynesiana com base nas cinco correntes: Fundamentalistas, Kaleckianos, Sraffianos, Institucionalistas e Kaldorianos. Mostra a existência de uma base comum dessas abordagens em torno de de cinco pressupostos brevemente expostos. Finalmente, questiona a crítica pós-keynesiana a modelos macroeconômicos padrão de críticos neo-keynesianos. Estes, em conjunto com regulacionistas e institucionalistas, radicalizaram seu discurso desde a crise financeira global (Stiglitz, Krugman, Blanchard).

O pós-keynesianismo (PK) é uma escola heterodoxa de pensamento econômico. Ela se desenvolve em meados da década de 1950. Suas origens estão nas reações críticas às obras de John Maynard Keynes. Foram, em especial, reações à Teoria Geral, obra publicada em 1936, mas antes ainda com as reflexões críticas contribuídas por um grupo de jovens economistas de Cambridge agrupados em The Circus, depois da publicação do livro A Treatise on Money, em 1930. No entanto, é necessário esperar, até início da década de 1970, para essa escola de pensamento assumir o nome de pós-keynesianismo.

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