Como funciona a Economia como Componente de um Sistema Complexo

Analisando a Economia com um dos componentes interativos dos quais emerge um Sistema Complexo, abandona-se o paradigma inspirado na Física Newtoniana, referência para todo o pensamento — e jargão — neoclássico: equilíbrio. Os ortodoxos são binários. Pensam a economia como em equilíbrio ou fora do equilíbrio. Neste caso, provavelmente, culpam o Estado e os sindicatos — e defendem o livre-mercado, isto é, a autorregulação da comunidade pelo mercado ou a  “desincrustração” deste em relação à sociedade!

Na visão do mainstream, em especial da Escola Austríaca, não há nada a fazer contra o desequilíbrio, o laissez-faire se encarrega de tudo, porque há apenas dois tipos de problemas no mundo:

  1. os insolúveis…
  2. os que se resolvem por si só!

Economia como parte de um Sistema Complexo, incrustada na Sociedade, ou Mercado e Estado submissos à Comunidade, analisa a auto-organização a cada momento. São configurações transitórias como fossem um fractal.

Entenda, didaticamente, como se analisa a economia-de-mercado em ciclos de endividamento assistindo o vídeo acima, baseado no livro de Ray Dalio. São seguidas (e irregulares) fases sem periodicidade predefinida.

Leia minha tradução de parte do livroRAY DALIO – Crise da Grande Dívida

Pensando em Equilíbrio

Foi publicado, em 9 de agosto de 2019, um artigo reproduzindo uma versão editada de uma entrevista conduzida pelo Professor Eric Beinhocker, diretor executivo do INET (Institut New Economic Thinking) da Oxford University, com o professor Sanjit Dhami da Universidade de Leicester, autor de Análise dos Fundamentos da Economia Comportamental. Este livro foi lançado em 9 de maio de 2019 na Universidade de Oxford.

A análise de equilíbrio é muito útil para ilustrar alguns dos principais princípios econômicos por trás das curvas de demanda e oferta. Em dadas condições, geralmente fazem previsões sensatas.

Por exemplo, um aprimoramento do gosto em relação a um bem aumenta seu preço no curto prazo, por exemplo, um aumento do preço dos abacates após sua identificação como super alimento sanitário. Ou um aumento de impostos aumenta os custos marginais dos produtores e aumenta o preço de um bem.

No entanto, em longo prazo, a oferta poderá recuperar o atraso e os preços poderão realmente cair. Tudo isso também pode ser acomodado na análise de equilíbrio. No entanto, e este é um ponto que é muitas vezes esquecido, o mesmo também pode ser previsto por modelos de não equilíbrio.

Também muitas vezes não se percebe a noção de equilíbrio ser adaptada à dinâmica de sistemas em constante estado de fluxo, o que também é uma característica de sistemas complexos. Isso, por exemplo, pode ser encontrado no trabalho de Peyton Young e colegas que pesquiso em Dhami (2016, capítulo 16, intitulado “Dinâmica social estocástica”). Dá origem a equilíbrios pontuados e outras noções de equilíbrios temporais, tais como estados estocásticos estáveis. Foram úteis no estudo de normas sociais.

Acontece existir uma conexão estreita entre os equilíbrios de Nash na teoria neoclássica dos jogos e as normas sociais previstas por esses modelos sob o pressuposto de os indivíduos se envolverem em uma racionalidade de baixo nível, ou seja, usando simples regras práticas e simples regras adaptativas de aprendizado. Para vários exemplos ver Dhami (2016, capítulo 16). Infelizmente, este trabalho quase não teve impacto em Economia Convencional.

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Sistemas Adaptativos Complexos

Eric Beinhocker: Muito do nosso trabalho no INET Oxford é enquadrado por uma visão sistêmica da Economia como componente de um Sistema Complexo Adaptativo. Nesse quadro, o comportamento macro emerge de baixo para cima através de interações de agentes em redes e instituições e, portanto, uma compreensão realista do comportamento humano é fundamental para essa agenda. Técnicas como modelos baseados em agentes permitem a incorporação de mais realismo comportamental nos modelos, mas exige o abandono de algumas ideias econômicas básicas, por exemplo, individualismo metodológico e equilíbrio. Quais são seus pensamentos sobre essa agenda e abordagem na fronteira do conhecimento econômico?

Sanjit Dhami: Permitam-me dizer, desde logo, estou muito animado com a agenda e a abordagem de sistemas adaptativos complexos, dos quais os modelos baseados em agentes (Agent Based Models – ABMs) são os principais exemplos em Economia. Em resposta à sua pergunta, devemos seguir as evidências. E se isso requer o abandono de qualquer uma das ideias econômicas centrais, seja feita vossa vontade!

De que outra forma fazemos progresso? Mas essa realização requer treinamento e apreciação da Metodologia e da Filosofia da Ciência. Como observado anteriormente, esse treinamento está faltando entre muitos economistas.

Meu co-autor de longa data Professor Ali al-Nowaihi. Ele e eu estamos escrevendo uma pequena monografia sobre esse assunto com base em nossas palestras em aulas-inaugurais do ano letivo em 2012. Fizemos isso progredir com um rascunho inicial, o que é muito empolgante. Então, aguarde.

Permitam-me agora apontar alguns prós e contras da abordagem da Complexidade, aplicada à Economia. Suponho o leitor ter um conhecimento básico desses conceitos; para uma Introdução à Complexidade, modelos baseados em agentes e aprendizado de máquina, valem as referências para as citações feitas no texto ou consultar Dhami (2019, Vol. 6, Capítulo 4) e as referências bibliográficas citadas nele.

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Interação Estratégica entre Jogadores, Operadores ou Agentes

Foi publicado, em 9 de agosto de 2019, um artigo reproduzindo uma versão editada de uma entrevista conduzida pelo Professor Eric Beinhocker, diretor executivo do INET (Institut New Economic Thinking) da Oxford University, com o professor Sanjit Dhami da Universidade de Leicester, autor de Análise dos Fundamentos da Economia Comportamental. Este livro foi lançado em 9 de maio de 2019 na Universidade de Oxford.

A ​​Teoria dos Jogos forma a base da teoria econômica moderna. Herb Gintis (2009, 2017) argumenta: ela deveria ser a base para todas as Ciências Sociais, mas sua visão para a Teoria dos Jogos é bastante diferente da atualmente praticada em Economia Neoclássica. A evidência sugere duas amplas conclusões (Camerer, 2003; Dhami, 2019, Vol. 4).

Primeiro, as previsões de economista neoclássico, baseadas em Teoria dos Jogos, são rotineiramente rejeitadas pela evidência em muitos jogos / domínios diferentes, quando a racionalidade limitada parece ser um fator e mesmo onde não é.

Segundo, quando as previsões estão em conformidade com a evidência, então, modelos comportamentais concorrentes dependem de suposições cada vez menos realistas. Eles também são capazes de fazer as mesmas previsões (por exemplo, no jogo de entrada no mercado; consulte Dhami, 2019, Vol. 4, Seção 2.4.4).

Existem alguns tópicos emergentes particularmente interessantes e empolgantes em Economia Comportamental, referida à Teoria dos Jogos.

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Desafios para Desenvolvimento da Economia Comportamental

Foi publicado, em 9 de agosto de 2019, um artigo reproduzindo uma versão editada de uma entrevista conduzida pelo Professor Eric Beinhocker, diretor executivo do INET (Institut New Economic Thinking) da Oxford University, com o professor Sanjit Dhami da Universidade de Leicester, autor de Análise dos Fundamentos da Economia Comportamental. Este livro foi lançado em 9 de maio de 2019 na Universidade de Oxford.

É sempre difícil prever de onde virão os desenvolvimentos futuros, mas aqui está uma lista de alguns problemas amplos necessitados de serem resolvidos:

  • Explicar a aversão à ambiguidade provou ser um dos problemas mais desafiadores para teorias comportamentais e neoclássicas, embora as teorias comportamentais (por exemplo, preferências dependentes da fonte) se saem melhor. No entanto, nenhum dos dois pode explicar a descoberta de, nas experiências de Ellsberg, haver ambiguidade na busca de baixas probabilidades e aversão à ambiguidade por altas probabilidades. Ver Dhami (2019, Vol. 1, Seções 4.4, 5.3).

Esse é um achado empírico robusto, mas geralmente não é destacado. Um novo pensamento é necessário, talvez uma Teoria Quântica da Decisão possa explicar esses dois fenômenos (al-Nowaihi e Dhami, 2017; Wei et al., 2019).

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Fundamentos Comportamentais do Novo Pensamento Econômico

Foi publicada em 9 de agosto de 2019 um artigo reproduzindo uma versão editada de uma entrevista conduzida pelo Professor Eric Beinhocker, diretor executivo do INET (New Economic Thinking) da Oxford University, com o professor Sanjit Dhami da Universidade de Leicester, autor de Análise dos Fundamentos da Economia Comportamental. Este livro foi lançado em 9 de maio de 2019 na Universidade de Oxford.

As questões propostas pelo professor Beinhocker cobrem um amplo terreno interdisciplinar. Trata de:

  • as importantes contribuições da Economia Comportamental e o caminho a seguir;
  • a inércia na profissão de economistas dificultando aceitar a nova pesquisa interdisciplinar;
  • o método científico;
  • a interação entre cultura, comportamento e instituições;
  • o papel das normas; e
  • uma crítica da Ciência da Complexidade aos modelos baseados em agentes.

A publicação desta entrevista contribui como fosse um documento de trabalho para promover o debate e a reflexão entre economistas e outros cientistas a respeito de algumas das questões “gerais” nas Ciências do Comportamento. Destaca o papel poderoso da Economia Comportamental ser capaz de desempenhar na iluminação de uma compreensão mais profunda da Economia e de outros sistemas sociais complexos. Faz uma avaliação da Economia Comportamental e seus desenvolvimentos. Continuar a ler

Sincronização de Ciclos de Negócios Endógenos

A palestra acima discute como décadas de pesquisa e a crise financeira de 2008 expuseram graves deficiências no modelo econômico neoclássico ortodoxo e levantaram questões sobre políticas e ideologias políticas derivadas desse modelo. Eric Beinhocker argumenta a Economia não ser o sistema de equilíbrio estático da teoria tradicional, mas é sim, de fato, um “sistema adaptativo complexo“.

Ele discute o significado dessa perspectiva e como esse entendimento muda radicalmente nossas noções de como a economia funciona e como ela pode funcionar melhor para mais pessoas. Eric também conclui com algumas reflexões sobre as implicações dessa perspectiva para a política, a política e o futuro do capitalismo.

O módulo de graduação Repensando o Capitalismo fornece aos alunos do INET uma perspectiva crítica sobre esses “grandes desafios” e os apresenta a novas abordagens de economia e política capazes de desafiarem o pensamento padrão.

O módulo baseia-se no livro “Repensando o capitalismo” [Rethinking Capitalism – Economics and Policy for Sustainable and Inclusive Growth], editado por Mariana Mazzucato (diretora do IIPP) e Michael Jacobs (pesquisador visitante na Escola de Políticas Públicas da UCL). Possui palestras acadêmicas de alguns dos autores do capítulo.

Sincronização de Ciclos de Negócios Endógenos é um paper escrito por Marco Pangallo na área de Economia da Complexidade [Complexity Economics] e apresentado em Seminário para Pesquisadores do INET [Institute for New Economic Thinking].

A sincronização é um dos fenômenos mais fascinantes nas ciências naturais e sociais. É a tendência de sistemas tão diversos como pêndulos oscilantes, vaga-lumes piscantes, neurônios disparadores e aplausos do público para alinhar suas dinâmicas não lineares de maneira a operar em sincronia.

Apesar das muitas aplicações da Teoria da Sincronização, até agora ela teve pouco impacto na Economia. Isso se deve a três razões principais:

  • supostas evidências contra a dinâmica não linear em séries temporais econômicas;
  • dificuldade em associar mecanismos econômicos a modelos de sincronização de cavalos de batalha;
  • relativamente pouca atenção a choques exógenos na teoria da sincronização.

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