Grande Depressão Deflacionária

Atif Mian (Princeton University) e Amir Sufi (University of Chicago) propõem uma Teoria da Demanda Endividada, cuja ideia-chave é grandes dívidas sobrecarregarem as famílias e os governos, diminuindo a demanda agregada e, portanto, as taxas de juros naturais. No centro dessa teoria está a observação simples, porém subestimada, de tomadores de empréstimo e poupadores diferirem em suas propensões marginais a economizar suas rendas permanentes. Incorporando esse insight de duplicidade dos agentes econômicos, 90% de devedores mais pobres e 10% de poupadores mais ricos, os coautores apontam as tendências recentes de desigualdade de renda e liberalização financeira levarem à demanda endividada das famílias, reduzindo as taxas de juros naturais.

Além disso, políticas expansionistas populares – como política monetária acomodatícia e gasto público deficitário – geram um boom de curto prazo, financiado por dívida, às custas de corte da demanda endividada no futuro. Quando a demanda está excessivamente endividada, a economia fica presa em uma armadilha de liquidez, originada na armadilha da dívida. Escapar dessa armadilha exige a consideração de novos fatores macroeconômicos e menos políticas econômicas padronizadas, dando lugar às políticas sociais ativas, focadas na redistribuição de renda ou redutoras das fontes estruturais de alta desigualdade da riqueza.

Download do Texto para DiscussãoFernando Nogueira da Costa – Grande Depressão Deflacionária – junho 2020

Vamos Salvar o Brasil! Live com a AFBNDES

O propósito deste livreto eletrônico, ou melhor, texto para discussão, é apresentar brevemente fatos e dados para esse debate de “como salvar o Brasil”. Para abordar um Sistema Complexo é necessário conhecimento transdisciplinar.

O primeiro tópico é sobre Política, analisando a ameaça fascista do populismo miliciano de extrema-direita à democracia republicana brasileira.

O segundo tópico é sobre Sociologia, analisando o efeito social do crash de março de 2020 sobre a concentração da riqueza financeira no País.

O terceiro tópico diz respeito ao debate público atual entre economistas sobre a fonte de financiamento do aumento do déficit público, em função da pandemia, mais adequada: se tributária, endividamento ou monetária.

O quarto tópico é um trabalho inédito de pesquisa, onde se apresenta a desigualdade em posses pessoais de estoques de riqueza financeira, tanto por segmentos de clientes bancários, quanto por localizações regionais e estaduais.

Finalmente, a conclusão esboça um Projeto Social-Desenvolvimentista para Salvar o Brasil. Passada a fase da industrialização nascente, já com economia diversificada, o melhor a ser feito pelo Estado é investir em bem-estar da população pobre. O modelo nórdico de economia social de mercado é um exemplo a ser adequado aos Tristes Trópicos.

Baixe o Texto para Discussão, com meus sete últimos artigos, escritos no último mês. Acrescentei um Anexo Estatístico com gráficos para facilitar a referência e divulgar uma live entre todos os associados da AFBNDES.

Fernando Nogueira da Costa – Vamos Salvar o Brasil. junho de 2020

Empatia: Capacidade de Análise dos Argumentos dos Adversários

Inicio este Texto para Discussão com uma síntese do documento oficial da Secretaria da Política Econômica, onde ela explicita por escrito a base teórico-ideológica da estratégia de política econômica implementada atualmente na economia brasileira.

Em seguida, exponho os dois polos do debate público na área econômica.

No terceiro tópico, contraponho duas correntes teológicas para sugerir como o debate entre essas correntes de pensamento econômico está carregado de dogmatismos quase religiosos.

No quarto tópico, para entender a fase do ciclo vivenciada atualmente, apresento um diagnóstico de acordo com as flutuações do endividamento nos principais ciclos de alavancagem financeira da economia brasileira.

No quinto tópico, apresento conceitos-chaves do pensamento neoliberal: reaganomics, “trickle-down economics” ou Economia do Gotejamento, Economia pelo Lado da Oferta e Curva de Laffer.

Concluo com a defesa da importância do conhecimento da Ciência da Complexidade, para um terceiro pensamento oferecer uma alternativa ao pensamento binário (“preto ou branco”) e ser incluído na discussão sobre a política econômica.

Download: Fernando Nogueira da Costa – Empatia: Capacidade de Análise de Argumentos dos Adversários

Capitalismo Financeiro como Sistema Complexo e Dinâmico: Em Comemoração dos 10 Anos do Blog Cidadania & Cultura

Hoje, data de aniversário do meu pai  (98 anos caso estivesse vivo), comemoro os dez anos deste meu blog pessoal. Não poderia imaginar, em 22 de janeiro de 2010, ir tão longe. Por que se prolongou por toda essa década?

Sem dúvida, por eu ter prazer em o alimentar com novo conhecimento, adquirido a cada dia, para o compartilhar com outras pessoas eventualmente interessadas. Foram postados 8.836 Artigos, classificados em 69 Categorias e 25 Etiquetas. Receberam 8.232.225 visualizações e 9.111 comentários. Há 1.732 Seguidores no site e 673 no Twitter.

Este blog pessoal constitui um banco de dados para meu proveito em preparar aulas e palestras, além de possibilitar escrever com base nessas fontes, motivado por acessá-lo facilmente. Eu já não teria memória mental para guardar tantas informações.

Enquanto estiver em vida intelectual ativa, penso em mantê-lo, dada sua utilidade. Por quanto tempo? O futuro é incerto

Para comemorar os 10 anos, “o presente de aniversário” é um novo Texto para Discussão: Fernando Nogueira da Costa – Capitalismo Financeiro como Sistema Complexo e Dinâmico.

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Que país é este? Dimensões da Desigualdade Social

Fiz uma compilação das estatísticas recentemente divulgadas e capazes de revelar o quadro atual da desigualdade social no Brasil. Algumas de suas dimensões não são muito conhecidas.

O IE-UNICAMP disponibiliza o Texto para Discussão n. 370, nov. 2019. Favor acessar:

http://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/artigos/TD/TD370.pdf

 

Desacontecimentos e Desconhecimentos: Subversão de Ideias

O Portal do IE-UNICAMP disponibiliza o Texto para Discussão n. 367, out. 2019 de minha autoria com pesquisa sobre fonte jornalística sobre o debate público atual referente a Juros Negativos, Teoria Moderna da Moeda (MMT) e Risco de Dolarização.

Favor acessar em:

http://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/artigos/TD/TD367.pdf

O objetivo neste Texto para Discussão é reunir argumentos em defesa da hipótese de a economia mundial estar em uma fase cíclica de “empurrar corda”, pré-normalização, para posterior retomada de alavancagem financeira em novo ciclo de endividamento. Embora em fase de “desglobalização”, protecionismo e isolacionismo, a economia brasileira, ainda sem ter ultrapassado plenamente a fase de desalavancagem financeira, se subordina ao ciclo econômico de endividamento mundial.

Começo com um estudo de caso real (“laboratório” de economista) para o “dinheiro de helicóptero”: o que acontece quando um helicóptero do Mercado, sob o ordenamento do Estado, irriga liquidez (dinheiro) sobre uma Comunidade para drenar a dor da morte sob a lama com consumismo. Em seguida, analiso a Era dos Juros Negativos. Como fazer a preservação da riqueza financeira acumulada para a aposentadoria sob essa situação?

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Retomada do Crescimento: Condições para Combate ao Desemprego

 

Depois, abordo a disjuntiva entre mercado externo e mercado interno. Por fim, analiso a perspectiva futura de desemprego tecnológico face à Revolução Industrial 4.0 e as inovações financeiras, destacando as possíveis reações políticas a esse quadro de desemprego desesperador.

Contra esta, apresento na conclusão algumas ideias para um programa alternativo de obtenção dos bens básicos universais para uma boa vida.

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Dos Discípulos À Mestra: Atualidade do Pensamento de Conceição Tavares

Encontra-se disponível, para download, o Texto para Discussão do IE-UNICAMP:
Fernando Nogueira da Costa Dos discípulos à Mestra – Atualidade do pensamento de Conceição Tavares 09/2018

O objetivo deste artigo-resenha é verificar se o método histórico-estruturalista da obra de Maria da Conceição Tavares se reproduz na análise da economia contemporânea realizada por seus discípulos.

TDIE 348 – Dos Discípulos  à Mestra – Atualidade do Pensamento da Conceição Tavares

Complexidade do Sistema Bancário Brasileiro: Interações de Pessoas Jurídicas e Físicas, Bancos Privados e Públicos

O portal do IE-UNICAMP acabou de disponibilizar o seguinte Texto para Discussão:

O objetivo deste artigo é a focalização, em uma rede de relacionamentos financeiros, de quatro nódulos-chave: Pessoas Jurídicas e Físicas, Bancos Privados e Públicos. As particularidades desses componentes importam, dentro de suas cadeias de interconexões, para simplificar a análise da complexidade do sistema bancário nacional.

Considerando o todo, em uma visão holística, superamos o individualismo metodológico da literatura da “financeirização”, cujo foco se restringe ao pressuposto parasitismo do capital financeiro face ao capital produtivo.

Contrapomos a cidadania financeira – acesso popular a crédito, investimentos e sistema de pagamentos –, a ser progressivamente conquistada, como a inovação capaz de reorientar a dependência de trajetória que se afasta das condições iniciais desse sistema.

A democracia da propriedade implica na inclusão financeira de cidadãos ainda à margem dos benefícios das funcionalidades do complexo sistema bancário brasileiro.

Abordagem Estruturalista e Projeto Social-Desenvolvimentista

O TDIE 324 – Abordagem Estruturalista e Projeto Social-Desenvolvimentista  é espécie de coda do anterior, postado aqui anteontem: TDIE 323 – Economia Brasileira como Sistema Complexo. É quase um relatório de pesquisa que fiz na literatura (fontes secundárias) sobre as principais cadeias produtivas brasileiras para entendimento mais profundo da complexidade da economia brasileira.

Queria dimensioná-las, pois os herdeiros da tradição cepalina do estruturalismo têm o diagnóstico de que a economia brasileira alcançou um estágio de complexidade mais avançada em relação à do estágio primário-exportador e/ou da pauta mono exportadora. Com planejamento indicativo e certos incentivos fiscais e creditícios, há condições de dar dinamismo à ordenação sequencial de cadeias produtivas diversas, estabelecendo conexão, concatenação, junção de seus distintos elos com foco prioritário no mercado interno e, colateralmente, no externo.

O objetivo desta pesquisa é contribuir para maior elaboração do Projeto Social-Desenvolvimentista para o Brasil a partir de uma abordagem estruturalista, contemporânea e complexa, porque emergente das interações de todas as cadeias produtivas e comerciais.

Para a simplicidade dessa complexidade, a visão holística destaca, na rede de relacionamentos de seus componentes, os nódulos principais. São eles, na economia brasileira, as cadeias relacionadas a agronegócio, extrativa de petróleo, construção e imobiliária, automobilística, segmentos da indústria de transformação por intensidade tecnológica, serviços de agregação de valor e diferenciação de produtos, serviços de custos e serviços de demanda final como educação e saúde.

Diante desse quadro, mostra o diagnóstico e a receita das correntes de pensamento econômico neoliberal e novo-desenvolvimentista para enfrentar os problemas econômicos brasileiros. Elas serão contrapostas ao Projeto Social-Desenvolvimentista para a crítica a essas correntes ser construtiva.

Economia Brasileira como Sistema Complexo: Dimensões da Economia Política da Complexidade

O objetivo deste Texto para Discussão — Fernando Nogueira da Costa e outros – Economia Brasileira como Sistema Complexo TDIE 323 — é dimensionar e ponderar os diversos componentes que interagem para a emergência da economia brasileira como um Sistema Complexo. A partir da metodologia do Sistema de Contas Nacionais, analisamos tanto o valor agregado na produção quanto a apropriação e utilização privada e pública da renda e da riqueza (capital) pelas distintas castas brasileiras, ocupações com Éthos cultural e político.

A produção pode ser medida como oferta ou criação de novos bens e serviços, como demanda ou consumo de produtos de uso pessoal e de meios de produção, e como renda enquanto geração de salários dos trabalhadores, lucros dos capitalistas e rendas dos proprietários.

Para não reduzir a evolução da economia brasileira como Sistema Complexo apenas à emergência das interações desses componentes, mas também captar as rupturas, as reorientações e os retrocessos em relação à dependência de trajetória prévia, demos uma dimensão multidisciplinar à análise. Interpretamos a estratificação social da renda e riqueza na sociedade e o relacionamos ao jogo de alianças políticas, golpes e contragolpes entre as castas brasileiras.

Nas entrelinhas – ou mesmo explícito nas linhas – comparamos o Social-Desenvolvimentismo e o Novo-Desenvolvimentismo, duas correntes de pensamento econômico aliadas em muitos pontos, mas com pequenas divergências metodológicas e a respeito de medidas de política econômica necessárias à complexa economia brasileira.

Para conferir o que é o Novo-Desenvolvimentismo, leia o artigo do Professor Bresser-Pereira (FSP, 17/12/17), reproduzido abaixo.

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Brasil como Sistema Complexo: Interações de Castas

Cabe uma revisão da história social e política do Brasil à luz do modo que, antigamente, a casta dos sábios brasileiros via a sociedade, ou seja, através da historiografia clássica brasileira.

A sociedade nem sempre era vista a la credo liberal como um aglomerado de indivíduos atomizados, nem tampouco como as classes econômicas de Marx, segundo as quais as pessoas são categorizadas conforme suas propriedades, lutando entre si.

O Poder não deve ser visto, no Brasil, como fosse simplesmente apropriado por partidos político-ideológicos, mas sim por grupos profissionais, cada um dos quais gerando seu próprio éthos, isto é, espírito, caráter, mentalidade.

Isso permitiria ver os grupos sociais não só como organismos que buscam o interesse próprio e a vantagem econômica, mas também como encarnações de ideias e estilos de vida, que com frequência procuram impor aos outros.

Tentei elaborar o início de um esboço do que seria “uma nova história do Poder no Brasil” através do jogo de alianças, ascensão e queda de coalizões governamentais entre representantes das castas dos comerciantes, guerreiros, sábios e trabalhadores no seguinte Texto para Discussão (clique para download)TDIE 299 Brasil Complexo por Interações de Castas.

Dentro da dependência de trajetória caótica e não linear desse sistema complexo, há predominâncias de comportamentos de acordo com os valores impostos por cada casta. São os principais nódulos dos relacionamentos entre as castas brasileiras: conciliação, autoritarismo, elitismo, populismo, culto à personalidade, e corrupção.

Obs.: este TDIE 299 complementa o postado anteriormente: TDIE 294 Instituições e Valores das Castas no Brasil.