Críticas à Ciência da Complexidade

2001 Odisseia no Espaço

Os autores do TD-IPEA 2019, Complexidade: Uma Revisão dos Clássicos, Bernardo Alves Furtado e Patrícia Alessandra Morita Sakowski, mostram que não há definição inconteste de Complexidade na literatura. Complexo e Complicado são sinônimos?

Há também uma crítica à alegação da Ciência da Complexidade de que não é possível manter o paradigma do reducionismo científico, dado que a soma das partes constituintes não seria suficiente para explicar o fenômeno. Este fenômeno (macrossocial por exemplo) seria mais que a soma de suas partes. Em outras palavras, a abordagem complexa postula que há mecanismos “novos ou inesperados” nas interações que apenas “emergem” quando se observa o conjunto de interações entre os indivíduos.

Contra o conceito de O Todo como “mais que” soma das partes, argumenta-se que a definição usual “o todo como a soma das partes” não implica ausência de propriedades emergentes. De fato, as propriedades são efeitos das ações das partes, o que incluiria suas interações.

Aliás, este sinergismo entre as partes já estaria considerado na análise matemática recente, com a ajuda de computação. De todo modo, seria contraditório definir um objeto como a soma de suas partes e, ao mesmo tempo, dizer que há propriedade emergente porque o sistema se comporta diferente de suas partes. Continuar a ler

HAL e IA (Inteligência Artificial)

2001 A Space Odyssey

Os autores do TD-IPEA 2019, Complexidade: Uma Revisão dos Clássicos, Bernardo Alves Furtado e Patrícia Alessandra Morita Sakowski, afirmam que Von Neumann não distingue “complicação” de complexidade. Ele anuncia o conceito sabidamente vago e imperfeito de “complicação” para, em seguida, definir complexidade.

“Um objeto se classifica no mais alto grau de complexidade se consegue fazer coisas muito difíceis e intrincadas.”

Ainda em relação aos organismos vivos, Von Neumann reforça que os organismos são como “agregações complicadas”, probabilisticamente “improváveis”, de partes elementares.

Von Neumann vai além e descreve sua surpresa com o fato de que os organismos conseguem gerar outros organismos mais “complicados” que eles próprios. E, nesse sentido, não estão necessariamente imbuídas no organismo original receitas, dicas ou “previsões” acerca do organismo que o sucede.

Isto não ocorre no caso de autômatos artificiais, ou seja, a síntese feita por dado autômato precisa estar completamente descrita. Continuar a ler

Caos: Impossibilidade de Previsões de Longo Prazo

teoria-do-caos

Ainda na discussão sobre modelos, os autores da Ciência da Complexidade desenvolveram teorema segundo o qual o regulador de um sistema que almeja simplicidade e efetividade deve necessariamente ter um modelo. Além disso, o regulador deve conhecer, pelo menos estruturalmente, exatamente como o sistema funciona. Em outras palavras, deve se identificar com o sistema a ponto de conhecer sua estrutura e forma. Mais ainda, a continuidade da efetividade do regulador depende do aprofundamento de seu conhecimento sobre o sistema.

Portanto, para desenvolver o teorema, os autores definem, sucessivamente, regulação, modelo e sistema.

Modelos não lineares, ainda que muito simples, podem apresentar uma vasta gama de comportamentos dinâmicos, que vão desde a existência de pontos estáveis até flutuações aparentemente aleatórias.

Uma mesma lógica de recorrência, em que a magnitude de uma população em uma geração se relaciona com a magnitude desta mesma população na geração anterior, pode ser encontrada em diferentes campos do conhecimento. Na Economia, podem-se estudar relações entre preço e quantidade de bens, ciclos econômicos e efeitos temporais de variáveis econômicas. Nas Ciências Sociais, pode-se analisar o número de bits de informação lembrados após um intervalo t, ou a propagação de rumores em diferentes estruturas da sociedade. Continuar a ler

Complexidade: Construção de Modelos

Complexidade Gestão

Os autores do TD-IPEA 2019, Complexidade: Uma Revisão dos Clássicos, Bernardo Alves Furtado e Patrícia Alessandra Morita Sakowski, esperam, com este texto para discussão, fornecer ao leitor acesso direto ao pensamento original (e complexo) que se encontra em partes dispersas, com tênues linhas temporais em algumas disciplinas, mas ainda não consolidadas em forma de texto único como eles se propõem apresentar.

O texto conta com a introdução – que define o conceito geral e faz discussão inicial de cunho epistemológico (seção 1) — resumida neste post; uma seção sobre modelos e regulação (seção 2), seguida da discussão sobre sistemas dinâmicos, suas regras e comportamentos emergentes (seção 3). A seção 4 apresenta os autômatos celulares e sua importância para a consolidação da computação e da inteligência artificial. A seção seguinte fundamenta a Teoria da Informação (seção 5) e é seguida pelos princípios de redes (seção 6). Finalmente, apresentam-se conceitos adotados da área de evolução (seção 7). Conclui-se o texto com críticas (contemporâneas) sobre a “ciência da complexidade” e são feitas as considerações finais. Faremos, neste post, apontamentos sobre a construção de modelos científicos. Continuar a ler

Ciência da Complexidade

O Texto para Discussão 2019 do IPEA – Complexidade: Uma Revisão dos Clássicos, de autoria de Bernardo Alves Furtado e Patrícia Alessandra Morita Sakowski – está inserido no projeto Modelagem de Sistemas Complexos para Políticas Públicas. Ele faz uma didática resenha dos autores clássicos que, em conjunto, contribuíram com os avanços do que seria uma “ciência da complexidade”.

Com base no pensamento original destes autores, os conceitos centrais de sistemas complexos são discutidos, a saber:

  1. a interação entre agentes (homogêneos ou heterogêneos) e meio-ambiente (físico e socioeconômico);
  2. as propriedades emergentes com classes de comportamentos e a auto-organização sem autoridade (ou planejamento) central;
  3. a importância da não linearidadedesvios, percalços ou complicações – e das escalas, dada a redundância da 1:1;
  4. as regras de interações sem possibilidade de dedução precisa de seu determinismo caótico;
  5. a ênfase na dinâmica, variações ao longo do tempo, seja com dependência de trajetória, seja com retroalimentação;
  6. as noções de aprendizado, adaptação e evolução com inovação.

Por fim, as críticas contemporâneas à existência de uma Ciência da Complexidade são apresentadas. Elas sugerem que os argumentos de sistemas complexos não sustentam epistemologicamente a constituição de suposta nova ciência, mas não rejeitam os avanços propostos nos estudos de complexidade.

Para efeito de divulgação, estudo e memorização, faremos em uma série de posts um resumo da Introdução, Alguns Apontamentos, Crítica e Conclusão. Continuar a ler

Era Uma Vez, O Mundo

TDIE 252

Resumo

O objetivo deste Texto para Discussão — TDIE 252 Era Uma Vez, O Mundo (click para download) — de minha autoria é servir de guia para contextualização dos filmes apresentados e debatidos no Curso Economia no Cinema.

A metodologia de exposição empregada foi a sugerida por roteiros cinematográficos.

Na Introdução (“Era uma vez”), a trama (a evolução da humanidade) e o personagem (o ser humano) são apresentados.

Na Ação Crescente (ou Complicação), conflitos se anunciam dentro da evolução histórica (“Todos os dias: as grandes eras econômicas e políticas”).

Chegam ao seu ápice ou Ponto de Ruptura (“Até que um dia: re-evoluções”).

A partir daí, apresenta-se a Ação Decrescente, com a dissolução ou resolução dos conflitos (“Por causa disso: Civilização Ocidental X Civilização Oriental”).

Até que chega à Conclusão Final (“Finalmente, Liberté, Igualité et Paternité”).

Os principais resultados alcançados foram:

  1. apresentar a periodização das grandes eras econômicas e políticas,
  2. esboçar os perfis de desenvolvimento dos atores principais nessa trama histórica, tanto os países centrais – Inglaterra, Estados Unidos, França e Alemanha – quanto os países emergentes – Rússia, China, Índia e Brasil.

Palavras-chave: História Econômica; História Política – Geral ou Comparativa.

Financiamento Interno de Longo Prazo

TD-IPEA

Sinopse: Além da introdução e das conclusões finais, este TD-IPEA _Financiamento Interno de Longo Prazo (click para download) tem quatro seções. A primeira apresenta o “estado da arte”, isto é, o debate atual a respeito do financiamento em longo prazo do capitalismo de Estado neocorporativista no Brasil. Em seguida, mostra-se as riquezas pessoal e corporativa como potenciais fontes de funding para este financiamento. Depois, avalia-se por que meios poderá ser realizada a realocação de capital necessária nos portfólios. Por fim, demonstra a possibilidade futura de incorporar novas fontes de financiamento do investimento por meio do fundo de riqueza soberana e de fundos previdenciários. Continuar a ler