Desigualdade Inflacionária

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Se for confirmada a mediana das atuais expectativas do mercado para o IPCA, de 8,12% ao fim deste ano, conforme o último boletim Focus do Banco Central (BC), que reúne as estimativas de indicadores econômicos feitas por analistas, significará a maior variação anual do IPCA desde 2003, quando o governo Lula herdou uma taxa de inflação crescente que atingiu 17,5% aa em março. O número impressiona, mas dá poucas pistas sobre como as famílias em cada faixa de renda sentem e lidam com o peso da alta de preços em seus orçamentos.

A média esconde o impacto dos fatores microeconômicos, ou seja, como a dinâmica das categorias de despesas afeta, na prática, os custos de cada perfil de consumo familiar.

Há indicadores específicos, ajustados para medir a inflação em determinadas faixas de rendas, como:

  • o Índice de Preços ao Consumidor Classe 1 (IPC-C1), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que mede a variação de preços para famílias com ganhos até 2,5 salários mínimos, e
  • o Índice do Custo de Vida da Classe Média (ICVM), calculado pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB), que acompanha a inflação de uma cesta de produtos e serviços com maior peso entre as famílias de renda entre 10 e 39 salários mínimos.

Eles mostram ao longo da última década comportamentos muito parecidos ao do IPCA, que tem como referência famílias com rendimentos entre 1 e 40 salários mínimos e, portanto, tem abrangência muito maior (ver quadro acima).

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Rotatividade de Mão-de-Obra por Setor

Rotatividade da mão-de-obra por setor

A alteração na regra de concessão do seguro-desemprego atinge em cheio atividades como construção civil e agricultura, onde a rotatividade é crônica e é muito difícil permanecer por 18 meses em um ou mais empregos com carteira assinada no prazo de 24 meses, como define a nova regra. Esses setores já estão se movimentando para forçar uma mudança na nova proposta de legislação.

Juntas, construção civil e agricultura representaram, entre janeiro e novembro de 2014, 3,6 milhões de demissões, ou quase 20% do total de 19,4 milhões de desligamentos que ocorreram no período no país. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

As medidas anunciadas pelo governo atingem as pessoas mais vulneráveis. É claro que há distorções e abusos em algumas situações. Mas é difícil aceitar novas regras de acesso ao seguro-desemprego sob o ponto de vista de reduzir rotatividade, pois nesse caso o efeito é nulo.

Nos últimos anos, houve benefícios para diversos setores como, por exemplo, a desoneração da folha de pagamento e redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de carros. Agora, a “lógica do mercado” quer fazer ajuste fiscal em cima da parcela mais vulnerável.

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Caça às Bruxas e Velho Golpismo: Má Educação

Golpistas 12.04.15 Perfil dos golpistas 12.04.15 Velhos e ricos golpistas

O perfil dos manifestantes que foram às ruas, no domingo, nas principais capitais brasileiras, mostra que o golpismo contra a Presidenta Dilma Rousseff não conseguiu extrapolar os limites de classe privilegiada: endinheirada e com diplomas de faculdades de segunda linha. Isso se manifestou, tal como nos estádios da Copa, pela má educação, com violentos discursos de ódio antipetista e cartazes cinicamente “moralistas”. A contrapartida é que a esquerda acha a direita muito burra!

A velha direita é primária, pois se apresenta sem consistência ou grandeza, de maneira mesquinha, superficial, com insuficiente instrução ou capacidade intelectual. É gente com mentalidade limitada, estreita, bronca, que demonstra rudeza, falta de cultura, de sofisticação. Perdeu a vergonha de se mostrar grosseira, rude, primitiva, quando viu que tinha em torno de si a classe média individualista, com pavor do “Estado” — e dos impostos para pagar a segurança pública que exige.

Reúne pessoas que defendem princípios ultraconservadores, contrárias à evolução política ou social. São, essencialmente, antidemocráticas, porque se mostram hostis à democracia que possibilita a ascensão de gente que considera inferior à autoimagem enganadora. Então, opõe-se às ideias voltadas para a transformação da sociedade.

Assim como os presentes na Avenida Paulista, pesquisados pelo Datafolha, o manifestante típico que protestou em Copacabana, na zona sul do Rio, era escolarizado (82,5% tinham ensino superior completo ou incompleto); com renda familiar elevada (52,3% acima da faixa de dez salários mínimos); mais velho (56,8% tinham acima de 45 anos de idade) e morador da zona sul (66,3% dos participantes eram da região mais rica da cidade). Os números são de pesquisa realizada pelo Grupo de Investigação Eleitoral (Giel), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), que entrevistou 280 pessoas, em faixas de horário distintas. A manifestação reuniu 10 mil pessoas segundo a Polícia Militar e 25 mil de acordo com os organizadores.

Para o professor e cientista político Felipe Borba, que coordenou o levantamento, os resultados indicam uma mobilização de “perfil muito definido”, que não atraiu os eleitores de Dilma Rousseff, vencedora da eleição em outubro com 51,5% dos votos válidos. Defendem o “Terceiro Turno” golpista: a campanha eleitoral acabou e eles não perceberam!

Entre os manifestantes, 64,3% votaram em Aécio Neves (PSDB) no primeiro turno e 83,9% escolheram o tucano no segundo turno. “Essa não é a base política do PT. Trata-se de pessoas escolarizadas e com dinheiro, que compõem o perfil do eleitor oposicionista desde 2006. É o cidadão que votou em Aécio (2014), em José Serra (2010) e Geraldo Alckmin (2006)”, afirma Borba.

Por que os ataques ao PT? Ignacio Godinho Delgado — professor de História e Ciência Política na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia-Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (INCT-PPED), doutorado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1999, Visiting Senior Fellow na London School of Economics and Political Science (LSE), entre 2011 e 2012 — mostra que, historicamente, é a repetição de um velho expediente da direita e de seu braço golpista na mídia. Compartilho uma mensagem enviada por ele.

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Indústria ou Serviços? Servindústria!

Participações percentuais das atividades 2000-2014

Grau de Urbanização e Estrutura Produtiva

Há certo tempo, postei neste modesto blog um artigo em que defendi uma nova expressão para expressar a mudança na estrutura produtiva brasileira: Servindústria Brasileira. Jorge Arbache, professor da UnB, publicou artigo exatamente sobre o que eu queria dizer, naturalmente, com mais brilhantismo por parte dele. Compartilho-o abaixo. Continuar a ler

Produtividade no Setor de Serviços

Produtividade por Setor 1950-2005

Pode estar no nível da expansão do setor de serviços sobre o Produto Interno Bruto (PIB) e sua
composição a dificuldade que a economia brasileira passou nos últimos anos para alavancar o investimento e aumentar a produtividade. Essa é uma das principais constatações do estudo “Produtividade no Setor de Serviços” no Brasil liderado pelo professor da UnB, Jorge Arbache. Em dez anos, o peso de serviços no PIB saltou de 60% para 70% na estimativa para 2014.

O trabalho mostra, baseado na análise de dados de mais de um milhão de empresas na última década, que:

  1. o setor de serviços no Brasil tem baixa produtividade,
  2. é formado por empresas com apenas cinco funcionários em média,
  3. não tem fôlego para aumentar os investimentos, carece de incentivos para se modernizar e
  4. é um dos responsáveis pela perda de competitividade da indústria nacional.

Tal quadro foi gestado pelo tipo de crescimento da economia na última década, que desenvolveu demanda por serviços de baixo valor agregado ligados à expansão da renda, como cabeleireiro, telefonia celular e internet, ao passo que a parte de serviços sofisticados encolheu junto com a indústria e sua perda de densidade.

Como resultado, há um gigantismo precoce. O setor de serviços:

  • concentra hoje cerca de 74% da força de trabalho no país e
  • foi responsável por 83 de cada 100 novos postos formais de trabalho nos últimos anos.

Portanto, as condições observadas no setor afetam todas as outras áreas da atividade. Se há pouco investimento ou tecnologia, não há ganho de produtividade aproveitado por quem necessita de algum serviço para produzir. Essa estrutura é o principal empecilho ao aumento da competitividade da economia brasileira.

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Produtividade e Armadilha do Lento Crescimento

Taxas anuais do crescimento do PIB 1950-2014

O quarto captítulo do livro Produtividade no Brasil : Desempenho e Determinantes (organizadores: Fernanda De Negri, Luiz Ricardo Cavalcante. – Brasília : ABDI : IPEA, 2014) — “Produtividade e Armadilha do Lento Crescimento* é de autoria do excelente econometrista Regis Bonelli (IBRE-FGV-RJ). Eu fui apresentado a ele por minha primeira chefe do Departamento de Estudos Econômicos e Estatísticas Derivadas (DESDE-IBGE), Magdalena Goés, como um bom (e raro) exemplo de economista que respeita os dados e os fatos.

Aprecio bastante seus trabalhos, mesmo que tenha, em alguns casos, uma linha analítica distinta da minha. Mas Bonelli me faz pensar a respeito de outras razões explicativas cabíveis. No caso desse capítulo, eu (FNC) vou resumir abaixo os pontos mais interessantes e suas conclusões. Observo antes que o trabalho foi escrito antes da divulgação das novas séries temporais do SCN com metodologia atualizada, cujas estimativas do PIB e da FBCF tem alterações significativas. Continuar a ler

Dilemas e Desafios da Produtividade no Brasil

PIB per capita e produtividade do trabalho 1992-2011Produtividade do trabalho comparada internacionalmente - 1960 e 2011Participação dos setores nas ocupações - 1995 e 2012Diferencial da produtividade do trabalho Brasil X Outros - vários anos

Fernanda De Negri é minha (excelente) ex-aluna no Mestrado do IE-UNICAMP. Não só por isso ( :) ), é Diretora da Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação, Regulação e Infraestrutura – DISET / Ipea. Luiz Ricardo Cavalcante é Consultor Legislativo do Senado Federal. Ambos foram os organizadores do livro Produtividade no Brasil : Desempenho e Determinantes / organizadores: Fernanda De Negri, Luiz Ricardo Cavalcante. – Brasília : ABDI : IPEA, 2014. e autores do primeiro capítulo-resumo, cuja conclusão compartilho abaixo.

Download do livroProdutivivade_no_Brasil_IPEA-ABDI

Antes de apresentar o resumo das principais conclusões, eu (FNC) devo alertar que tenho algumas dúvidas a priori a respeito da medição desse indicador macroeconômico. Ele é elaborado a partir do conceito de uma função da produção e seus “fatores de produção” (trabalho, capital, recursos naturais e capacidade técnica), cuja origem está no pensamento econômico neoclássico.

Qualquer proxy desse conceito, tipo PIB / PO (população ocupada), em vez de ser causa, não será um resultado ex-post pro-ciclo da produção ou contra-ciclo do emprego, isto é, a produtividade nacional cairá quando o PIB cair, mas, devido às políticas anticíclicas, o nível de emprego se sustentar?  Nessa fase (temporária), emprega-se “demasiadamente” (segundo o ponto-de-vista dos empresários) e, então, mantem-se elevados os salários reais, dado o melhor poder-de-barganha sindical. Vice-versa, logo que o desemprego for elevado, produzir-se-á mais com menos. Então, a produtividade não se elevará?

Outra coisa que me incomoda é a medição da produtividade em setor de Serviços, por exemplo, em um multibanco cujos funcionários lidam com múltiplos produtos e cujo “faturamento” (VP) é dado pela soma de RBIF (Resultado Bruto de Intermediação Financeira que é um diferencial de juros dependente de decisões discricionárias) e RPS (Receita por Prestação de Serviços). Aumenta sua “produtividade” de acordo com a política discricionária de juros?!

Além disso, para ressalvar só em atividades que mais conheço, o caso do Serviço Educacional. Um professor é mais “eficiente” quando dá aulas para mais alunos em uma só turma?! Certamente que sim para uma IES (Instituição de Ensino Superior) privada que não se atenta para a qualidade do ensino.  Interessa-lhe, particularmente, a quantidade de alunos matriculados / professor, explorando-o mais. Porém, creio que sua produtividade em termos de qualidade de ensino cairá…

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