Modelo “Jabuticaba” do Sistema de Pagamentos do Varejo com Cartões

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Alessandra Bellotto (Valor, 23/12/16) informa que, com a limitação do prazo do crédito rotativo para 30 dias, as taxas de juros cobradas nos cartões de crédito vão convergir para níveis mais baixos, de até um dígito ao mês, sem a necessidade de tabelamento de preço aventada pelo governo. Essa é a expectativa do presidente da Abecs, associação que representa as empresas do setor.

Ao transformar automaticamente a linha do crédito rotativo, cuja taxa alcança 475,8% ao ano, em crédito parcelado, com juros de 156% aa, o cliente passa a ter um prazo mais elástico para o pagamento do saldo remanescente.

Consequentemente, há um menor comprometimento da renda mensal, o que reduz a inadimplência e abre espaço para a convergência para taxas menores. A redução da taxa se dá por razões técnicas. Porém, ninguém garante que as taxas de cada banco vão cair significativamente para os níveis do parcelado, hoje de um dígito ao mês.

Segundo dados do Banco Central, em outubro de 2016, a inadimplência da pessoa física atingiu 36,1% no rotativo do cartão de crédito, ante 1% no crédito parcelado. Das concessões totais no cartão de crédito para a pessoa física naquele mês, equivalentes a R$ 91,2 bilhões, o rotativo respondeu por mais de 30% (R$ 27,5 bilhões) e o parcelado, por 2,6% (R$ 2,3 bilhões). A diferença refere-se ao pagamento à vista (67,4% ou R$ 61,4 bilhões).

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Bancos: Migração de Clientes para Atendimento Digital

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Felipe Marques e Vinícius Pinheiro (Valor, 27/12/16) informam sobre a possibilidade de resolver a maior parte da vida financeira via celular, fora de horário comercial, com um gerente de prontidão do outro lado da tela é o benefício mais visível da transformação digital do sistema financeiro do Brasil. Mas a mudança que facilitou a vida dos clientes trouxe também ganhos expressivos de eficiência porta giratória adentro e explica por que os grandes bancos vêm apostando tão alto na digitalização de suas interações com correntistas.

Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander traduzem em números os ganhos trazidos pelo modelo de atendimento digital. No BB, os clientes atendidos pelos canais eletrônicos têm uma margem de contribuição, que mede o consumo de produtos e serviços do banco, 40% superior à dos clientes “analógicos” do banco. No Itaú, o índice de eficiência — relação entre despesas (DP + ODA) e receitas (RBIF + RPS) — de uma agência digital é entre 10 e 15 pontos percentuais melhor que o do ponto de atendimento físico.

O que diferencia o modelo digital de atendimento bancário do tradicional? Embora as minúcias da resposta variem de banco para banco, em linhas gerais a grande diferença é que o gerente responsável pelo cliente não fica mais localizado em uma agência de rua tradicional, mas sim em uma espécie de escritório.

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Império Inca

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Carlos Fausto, em Os Índios Antes do Brasil (Rio de Janeiro; Zahar; 200?), diz que não houve nada em toda a América do Sul que se compare ao desenvolvimento ocorrido nos Andes. Em 1500, o império inca estendia-se por cerca de 4.300km, desde o que é hoje a fronteira sul da Colômbia até o rio Maule, no Chile.

A expansão começara no século XIV, e em menos de cem anos a elite incaica conseguira controlar um vasto território habitado por, talvez, 10 milhões de pessoas. O império estava dividido territorial e administrativamente em quatro cantões, que por sua vez dividiam-se em províncias.

Cada cantão possuía um comandante; cada província, um governador. Esses postos eram ocupados por membros da nobreza inca, escolhidos pelo imperador, o Sapan Inca. Em nível provincial, havia chefes classificados hierarquicamente de acordo com o número de casas ou famílias (unidades de tributação) sob sua responsabilidade. Continue reading “Império Inca”

Visão Continental dos Nativos da América do Sul

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No livro de autoria de Carlos Fausto, “Os Índios antes do Brasil”, ele ressalta que, “Antes de focalizarmos algumas regiões da América do Sul, é preciso ter uma visão geral do continente. Há duas razões para isso.

Os sistemas sociais indígenas existentes às vésperas da conquista não estavam isolados, mas articulados local e regionalmente. Ao que tudo indica, vastas redes comerciais uniam áreas e povos distantes. Movimentos em uma parte produziam efeitos em outra, por vezes a quilômetros de distância. O comércio, a guerra e as migrações articulavam as populações indígenas do passado de um modo mais intenso do que observamos hoje.

Uma visão continental é também necessária porque muitos dos modelos sobre a pré-história e a história do continente foram forjados a partir de uma oposição entre as terras altas e as baixas:

  • de um lado, a grande formação montanhosa andina, que se ergue paralela à costa do Pacífico;
  • de outro, todo o resto a leste, mas, principalmente, a floresta tropical.

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Sindicalismo Representativo, Autêntico e Combativo na Defesa dos Trabalhadores

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Fabio Graner (Valor, 06/01/17) avalia que a estrutura sindical brasileira é frágil e isso pode ser um complicador para o objetivo de colocar a negociação coletiva em patamar mais elevado no mercado de trabalho, objetivo declarado da reforma trabalhista enviada ao Congresso no fim de dezembro de 2016. Um texto publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) destaca a necessidade de sindicatos mais representativos para atuar no novo ambiente que o governo pretende criar.

“Há milhares de sindicatos no Brasil, mas muitos com parcas condições de promover novas formas de regulação do trabalho”, diz o texto assinado por André Gambier Campos, técnico do Ipea. Provavelmente, a fim de mitigar esse tipo de problema, algumas mudanças estruturais (e históricas) na estrutura sindical talvez sejam necessárias e urgentes, com o intuito de promover sindicatos mais representativos e atuantes.

O estudo mostra que hoje no Brasil há 10,8 mil sindicatos de trabalhadores, sendo que 73,8% deles representam trabalhadores da área urbana. Pela legislação brasileira, mesmo com baixo índice de filiação, os sindicatos representam todos os trabalhadores que estão no território de atuação.

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Os Índios Antes do Brasil

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Carlos Fausto é professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Museu Nacional, UFRJ. Nascido em São Paulo, em 1963, graduou-se em Ciências Sociais pela USP e obteve seu mestrado e doutorado em Antropologia na universidade em que hoje leciona. É fundador e editor da revista Mana: Estudos de Antropologia Social e editor de Ciências Humanas da revista Ciência Hoje.

Os Índios Antes do Brasil, livro de autoria de Carlos Fausto (Rio de Janeiro; Zahar; 200?), lembra-nos que não houve “descoberta do Brasil”, como é praxe encontrar na historiografia brasileira, mas sim conquista de um largo território já ocupado por nativos há milênios.

Imagine-se nas Américas no momento de sua “descoberta”. Imagine-se um membro da expedição de Colombo deixado, em 1492, na ilha de Hispaniola. Imagine que, trazido ao continente, você teve tempo de conhecer a América do Sul, de ponta a ponta, antes de Cabral aportar por aqui. O que teria visto? Como viveriam os índios? Quantos eram? Como se organizavam? Como eram suas aldeias? Quem eram seus chefes e especialistas religiosos? Como conduziam a guerra e cultivavam a paz? Estas são algumas das perguntas que este livro pretende enfrentar. Continue reading “Os Índios Antes do Brasil”

“O crime organizado começa na favela e termina em Wall Street”

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Cristina Klein (Valor, 06/01/17) entrevistou o jornalista e escritor, Carlos Amorim, 64 anos, é autor de uma trilogia sobre o crime organizado, publicada pela editora Record e com a qual ganhou o Prêmio Jabuti por duas vezes. No primeiro livro, remonta a história da formação do Comando Vermelho (CV); no segundo, conta a construção da aliança do CV com o Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo e a expansão das duas facções por países vizinhos; no terceiro livro, “Assalto ao poder”, dedica-se a mostrar a infiltração do crime em instituições do Estado e do mercado. “O crime organizado começa na favela e termina em Wall Street”, afirma.

Amorim ressalta que, com ganhos entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões pelo mundo, segundo a ONU, o crime organizado não tem como movimentar esse volume de recursos sem as conexões com o sistema bancário. No Brasil, lembra que o mensalão teve no núcleo financeiro a direção do Banco Rural.

Em sua opinião, o Brasil representa o segundo caso mais grave da América Latina, depois do México, com um sistema prisional que fortalece as facções criminosas. “As condições carcerárias no país são tão péssimas que elas fomentam o surgimento de grupos organizados para resistir a essas condições. O fato de que o sujeito se organiza na cadeia é para sobreviver”. Amorim critica a reação de autoridades como o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ao massacre que matou 60 detentos em presídio de Manaus e expôs as vísceras de um sistema negligenciado pelos governos. “O governo de São Paulo, por exemplo, sempre deixou muito claro que o PCC não existia, que o PCC era uma ficção da imprensa”, diz.

A seguir, leia os principais trechos da entrevista concedida ao Valor:

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