Origem do Conhecimento: Racionalismo

Johannes Hessen, no livro “Teoria Do Conhecimento”, diz que se chama de racionalismo (de ratio, razão) o ponto de vista epistemológico que enxerga no pensamento, na razão, a principal fonte do conhecimento humano.

Segundo o racionalismo, um conhecimento só merece realmente esse nome se for necessário e tiver validade universal. Se minha razão julga que deve ser assim, que não pode ser de outro modo e que, por isso, deve ser assim sempre e em toda parte, então (e só então), segundo o modo de ver do racionalismo, estamos lidando com um conhecimento autêntico.

Ocorre algo assim quando, por exemplo, eu expresso o juízo “o todo é maior do que a parte” ou “todos os corpos são extensos”. Em ambos os casos, percebo que deve ser assim e que a razão estaria se contradizendo se quisesse afirmar o contrário. E porque tem que ser assim é assim sempre e em toda parte. Esses juízos, portanto, possuem necessidade lógica e validade universal.

Esse juízo não está baseado, portanto, em uma experiência qualquer, mas no pensamento. Daí resulta que os juízos baseados no pensamento, provindos da razão, possuem necessidade lógica e validade universal; os outros, não.

Assim, prossegue o racionalista, todo conhecimento genuíno depende do pensamento. É o pensamento, portanto, a verdadeira fonte e fundamento do conhecimento humano. Continue reading “Origem do Conhecimento: Racionalismo”

Candidatos a-narcocapitalistas no Rio: Estado Mínimo e Intervenção Militar

O destaque dado no caderno Eu&Fim-de-Semana por Malu Delgado (Valor, 16/02/18) à formação doutrinária dos jovens conservadores de direita na pós-graduação [extensão?] em Escola Austríaca do Instituto Mises, em São Paulo, presta um serviço de utilidade pública: a luz do sol é o melhor desinfetante.

Quem ler a quantidade de asneiras que, durante um fim de semana, um grupo de “novos liberais” brasileiros fala, por certo, não se tornará outro crente ou fiel seguidor da doutrina direitista de Von Mises. A maioria se intitula “ancap“, sigla de anarcocapitalista, menos por acharem que “ser anarquista é ser contra o Estado”, mais por defenderem O Livre Mercado também para os “narcos“.  São a favor da liberalização de drogas, nesse caso, sem nenhuma preocupação de gradualismo: de leves a pesadas, O Livre Mercado cuidará do extermínio dos drogados!

Eles têm dificuldade em definir o que é dinheiro? Mas, apesar disso, defendem a criptomoeda fora do controle dos Bancos Centrais dos Estados nacionais? Bitcoin é um tema que move paixões dos alunos candidatos a-narcocapitalistasNão à toa, o bitcoin é uma moeda usada na rota do dinheiro sujo do tráfego internacional de drogas sob domínio de cartéis dos narcos.

Um aluno deixa escapar em voz alta sua inquietação por não ter compreendido bem a diferença entre moeda e dinheiro. Em vez de lhe explicarem que “todo dinheiro é moeda, mas nem todas as moedas são dinheiro por não cumprirem suas três funções básicas: reserva de valor, unidade de conta e meio de pagamento”, eles optam pela piadinha que só tem graça para direitistas obtusos. “A gente sabe, você fez Unicamp. Tá tudo certo. Tinha que ser o sindicalista”, dispara um colega. Quando li isso, pensei: “confirma que nós da Unicamp estamos no caminho certo, dando um ensino plural, já que incomoda tanto à direita intolerante com o pluralismo”

O dito cujo egresso da Unicamp, “uma universidade com viés muito de esquerda”, é um físico de 34 anos. Por esse pecado — ninguém é perfeito –, é o “Sindicalista”.

A Universidade Estadual de Campinas é vista pelos anarcos como no prólogo de todas as edições dos livros de Asterix, o gaulês: “Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos … Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos…”

Eu resisto com meus amigos em uma pequena aldeia paulista situada em um distrito de Campinas, Barão Geraldo, a 100 km de O Mercado em São Paulo. Para resistir ao pleno domínio da casta dos mercadores, a casta dos sábios conta com a ajuda de uma poção mágica – muito estudo de todas as correntes de pensamento econômico, político e social – que lhe dá uma força sobre-humana, preparada pelo druida Pluralix. A exceção é o Marxix, que caiu dentro de um caldeirão cheio da poção marxista, quando ainda era um bebê, e daí adquiriu permanentemente a superforça que espanta direitistas. 🙂 Continue reading “Candidatos a-narcocapitalistas no Rio: Estado Mínimo e Intervenção Militar”

Candidato Entreguista da Principal Riqueza Brasileira

O candidato de O Mercado rentista, o “picolé-de-chuchu” (passivo-e-omisso) já derrotado em 2006, segundo Vandson Lima (Valor, 08/02/18), afirmou que vários setores da Petrobras serão privatizados caso ele vença a disputa pelo Palácio do Planalto.

Mesmo a privatização total da Petrobras não está descartada pelo tucano, que se disse “totalmente favorável” à ideia de se desfazer de empresas em áreas que considera a participação do Estado desnecessária. Ele citou, nominalmente, Empresa Brasil de Comunicação (EBC); a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás); e a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) como candidatas ao repasse ao setor privado em sua gestão.

“Muitos setores da Petrobras podem ser privatizados. Inúmeras áreas que não são o core, o centro objetivo da empresa, tudo [isso] pode ser privatizado. Se tivermos um bom marco regulatório, até pode, no futuro, privatizar tudo“, afirmou Alckmin em Brasília, ao participar de reunião com representantes de diversos setores da indústria na sede do Sinduscon local.

[Fernando Nogueira da Costa: curiosamente, “o uso do cachimbo faz a boca torta”. Agora, em tese, sem caixa-dois, ele não poderia apelar para o financiamento eleitoral de O Mercado. Portanto, não necessitaria prometer que entregaria de graça o patrimônio público nacional! Aliás, um presidente da República não pode tratar a coisa pública como posse privada, prometendo vender tudo!]

A equipe que trabalha em seu plano de governo, inclusive, já trabalha em propostas sobre o tema. “Distribuição, por exemplo [que é lucrativa para compensar as pesquisas realizadas pela empresa estatal], não precisa ser da Petrobras. Tem 147 empresas estatais, precisa olhar uma a uma”. Ele ressalvou, contudo que a “Petrobras hoje está muito bem gerida pelo [presidente] Pedro Parente”. [Detalhe: o tucano demonstra sua parcialidade pró-grã tucanato.]

Questionado sobre a mudança de posição ao defender as privatizações agora, ao contrário do que fez na campanha presidencial em 2006, quando chegou até a vestir uma jaqueta com as marcas da Petrobras, Correios, Caixa e Banco do Brasil para assegurar que não ia vendê-las à iniciativa privada, Alckmin lembrou que, à época, sofreu com acusações do PT. “Lula dizia que eu ia privatizar o Banco do Brasil, o que era mentira. Não pretendia na época e não pretendo agora”, apontou.

Em seguida, o suspeito declara em “ato-falho”: “Quando fui vice-governador do Mario Covas, comandei o processo de privatizações em São Paulo. Petrobras não é primeiro ou único caso. Temos uma equipe estudando isso, modelos de concessão e PPP“.

É este o candidato alternativo ao de extrema direita no segundo turno da eleição presidencial?! Jamais, não passará!

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Problemas do Conhecimento Humano: Subjetivismo e Relativismo

Johannes Hessen, no livro “Teoria Do Conhecimento”, afirma que, enquanto o ceticismo ensina que não há verdade alguma, o subjetivismo e o relativismo não vão tão longe. Para ambos, a verdade certamente existe, mas é limitada em sua validade. Não há verdade alguma universalmente válida.

O subjetivismo, como seu nome já indica, restringe a validade da verdade ao sujeito que conhece e que julga. Este pode ser tanto o sujeito individual ou indivíduo humano quanto o sujeito genérico ou o gênero humano:

  • no primeiro caso, temos o subjetivismo individual;
  • no segundo, o subjetivismo genérico.

De acordo com o subjetivismo individual, um juízo vale apenas para o sujeito individual que o formula. Quando eu julgo, esse juízo é, segundo o subjetivismo, verdadeiro apenas para mim. Para outra pessoa, ele pode ser falso.

Segundo o subjetivismo genérico, há certamente verdades supra individuais, mas nenhuma que tenha validade geral. Todo juízo tem validade apenas para o gênero humano. O juízo matemático vale para todo indivíduo humano. Que valha também para seres diferentemente organizados é algo, no mínimo, duvidoso. Seja como for, o fato é que existe a possibilidade de que um juízo verdadeiro para os homens seja falso para seres de outro tipo. O subjetivismo genérico é idêntico, por isso, ao psicologismo ou antropologismo.

O relativismo tem parentesco com o subjetivismo. Também para ele, não há qualquer validade geral, nenhuma verdade absoluta. Toda verdade é relativa, tem validade restrita. Continue reading “Problemas do Conhecimento Humano: Subjetivismo e Relativismo”

Crise Financeira: Quando Será A Próxima?

Gente de O Mercado já apoiou os golpes na democracia eleitoral brasileira — contra a Presidenta reeleita e o Presidente que seria reeleito novamente –, agora a sequestra, colocando os eleitores sob ameaça. Veja o ultimato de um típico represente de O Mercado, Sérgio Goldenstein, sócio-gestor da Flag Asset e ex-chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) do Banco Central do Brasil (Valor, 08/02/17):

“O que se pode esperar para o rumo da política monetária depois das eleições depende basicamente do resultado das urnas. Se um candidato reformista [neoliberal de direita] vencer, a apreciação do real fruto da melhora de expectativa vai ajudar na queda das expectativas para o IPCA. E isso daria espaço para o BC manter o juro na mínima histórica por mais tempo, eventualmente até cortando mais. Num cenário oposto – de vitória de um candidato populista [desenvolvimentista de esquerda] -, o BC correria o risco de ter de subir os juros antecipadamente, num quadro em que o dólar estaria acima de R$ 3,60″.

Não é um verdadeiro “democrata” (sic)?! Ou os eleitores votam no candidato de O Mercado, o governador tucano, que faz “olhar-de-paisagem” quanto ao que ocorreu no Rodoanel e no metrô paulista, beneficia os que o julgariam e corta salários conquistados em carreiras meritocráticas, ou virá uma catástrofe econômica! Já vimos esse filme, em 2002, e aconteceu o contrário do que ameaçava O Mercado.

O índice de volatilidade CBOE VIX, conhecido como “termômetro do medo” em Wall Street, disparou no dia 5 de fevereiro de 2018, que ganhou o apelido de “segunda-feira negra“. O indicador mede a oscilação esperada no curto prazo ao acompanhar os preços das opções de 30 dias do S&P 500.

O VIX subiu 116% em um dia, no maior salto percentual da história. Desde então, o indicador passou a oscilar com força: fechou em 37,32 em 5 de fevereiro, caiu para 29,98 no dia seguinte, recuou para 27,73 na quarta-feira, teve repique para 33,46 na quinta e fechou a semana passada em 29,06. Na segunda, dia 12, o índice se retraiu para 25,61 e no dia 13 terminou em 24,97.

Em 2017, a máxima de fechamento do VIX foi 15,96 em 13 de abril. O índice chegou a atingir o menor nível da história em 3 de novembro, a 9,14. O aumento das apostas na manutenção da baixa volatilidade nos últimos dois anos, por meio de produtos como os Exchange Traded Notes (ETN) negociados em bolsas, contribuiu para sustentar o VIX perto das mínimas.

Christian Gattiker é estrategista-chefe do Julius Baer. Publicou artigo (Valor, 09/02/2018) intitulado “Cinco lições para detectar a próxima crise financeira“. Por seu didatismo, reproduzo-o abaixo.

“A economia não foi feita para ser usada em previsões, e é por isso que, sempre que você pergunta aos economistas sobre a próxima crise financeira, eles abrem seus livros de histórico financeiro.

Enquanto alguns especialistas já começam a prever a próxima crise, gostaríamos de definir sua natureza histórica e linha do tempo. Crises financeiras ocorrerão exatamente como aconteceram no passado, mas é improvável que enfrentemos em breve uma situação pior ou igual à de 2008.

Quando a rainha Elisabeth perguntou “Por que ninguém percebeu?”, referindo-se à crise financeira de 2008, um economista respondeu que as crises financeiras são tão difíceis de prever quanto os terremotos e as pandemias da gripe. Eles apenas acontecem.

[Fernando Nogueira da Costa: Ora, mentira, todos os bons economistas sabiam da bolha imobiliária norte-americana e discutiam quando ela estouraria. Em abril de 2005, fui a um congresso internacional de banqueiros em Madri-Espanha. Essa era a discussão lá porque, de maneira inédita, todas as economias tinham crescido em 2004 de maneira sincronizada. Ninguém, i.é, nenhum banco central queria colocar “um alfinete para estourar a bolha inflada”, justamente, porque todos os países ganhavam com aquele equilíbrio instável e precário: os norte-americanos consumiam e o resto do mundo os financiava…] Continue reading “Crise Financeira: Quando Será A Próxima?”

Problemas do Conhecimento Humano: Pragmatismo e Criticismo

Johannes Hessen, no livro “Teoria Do Conhecimento”, afirma que o ceticismo é um ponto de vista essencialmente negativo. Significa a negação da possibilidade do conhecimento.

Com o pragmatismo (do gregoprâgma, ação) moderno, o ceticismo dá uma guinada para o positivo. Como o ceticismo, ele também abandona o conceito de verdade como concordância entre pensamento e ser. Entretanto, não se detém nessa negação, mas põe outro conceito de verdade no lugar do que foi abandonado. Verdadeiro, segundo essa concepção, significa o mesmo que útil, valioso, promotor da vida.

O pragmatismo chega a esse deslocamento valorativo do conceito de verdade porque parte de uma determinada concepção da essência humana. Para ele, o homem é, antes de mais nada, um ser prático, dotado de vontade, ativo, e não um ser pensante, teórico.

Seu intelecto está totalmente a serviço de seu querer e de seu agir. O intelecto não foi dado ao homem para investigar e conhecer, mas para que possa orientar-se na realidade.

É dessa determinação prática de fins que o conhecimento humano retira seu sentido e seu valor. A verdade do conhecimento consiste na concordância do pensamento com os objetivos práticos do homem, naquilo, portanto, que provar ser útil e benéfico para sua conduta prática. Por exemplo, o juízo “a vontade humana é livre” é verdadeiro porque e apenas na medida em que demonstra ser útil e benéfico para a vida humana, especialmente para a vida em sociedade. Continue reading “Problemas do Conhecimento Humano: Pragmatismo e Criticismo”

Extrema-Direita: Composta de Haters e Divulgadores de “Fake News” e Trolls

Neste modesto blog pessoal a seleção de leitores é feita pela inteligência, isto é, gente burra não se interessa por ele!  🙂

A maioria dos haters de direita desistiu de postar aqui comentários que não serão aprovados. Em vez em quando um visita e, como é recorrente, vejo o nome e jogo seu comentário no lixo sem o ler.

Esse tipo de censura é necessária pela leviandade de seus comentários, cheios de erros ortográficos e xingamentos. Eles não buscam o debate profícuo, mas sim apenas a desmoralização do outro que pensa diferente dele. Todos os fascistas só visam o aniquilamento moral — sempre violento — daqueles que eles enxergam como adversários da ideologia de extrema direita, conservadora em costumes e preconceituosa contra a diversidade. Homofóbicos, misóginos, racistas e fascistas não têm direito de usufruir a liberdade de expressão para a destruir.

No entanto, eu me deparo com comentários levianos quando é postado algum artigo meu em outro site ou portal. Por exemplo, fiz cálculos extremamente trabalhosos em big data – uma imensa planilha (10.304 linhas e 65 colunas) de ESTBAN, baixada no site do Banco Central do Brasil. Contém dados das agências de todos os bancos em todas as cidades brasileiras. Calculei a relação entre empréstimos e depósitos (a prazo e de poupança) para cada banco e cada cidade em estados selecionados. Consegui provar com números que a Caixa e o BB, ao contrário dos grandes bancos privados, mais emprestam do que captam na maioria das cidades. É um trabalho factual, original e inédito.

Veja o comentário que o artigo, em que divulgo esse resultado de pesquisa estatística, recebeu de João Carlos Campos (mas quem é, hein?) no Jornal GGN:

“Eu não acreditei no que eu li…

Meu Deus o Brasil exige a venda do que restou (Caixa e BB) e vem um rapaz falar isto?

Certamente ele nao viu o que o PT fez col Banrisul Caixa e Banco do Brasil”

Deixei os erros de pontuação e ortográficos típicos da demonstração de ignorância sem pudor. “Um rapaz”, no caso, eu com 66 anos, estuda o assunto há 40 anos, desde a defesa da dissertação de Mestrado em 1978 sobre “Bancos em Minas Gerais”. Nesse período, não li nada publicado a respeito do tema por esse João… E ele me arrasou em nome do Brasil! E de Deus! 🙂

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