Princípio da Casta dos Comerciantes

De acordo com a definição “pura” da meritocracia, o processo de ascensão profissional e social é uma consequência dos méritos individuais de cada pessoa, ou seja, dos seus esforços e dedicações. As posições hierárquicas estariam condicionadas às pessoas que apresentam os melhores valores educacionais, morais e aptidões técnicas ou profissionais específicas e qualificadas em determinada área.

No entanto, a meritocracia pode ser entendida também como um termo pejorativo, pois está relacionado com a narração de uma sociedade que seria segregada tendo como base dois principais aspectos:

  1. a inteligência (QI elevado) e
  2. um grande nível de esforço puramente individual.

Outra crítica desferida sobre a meritocracia neste contexto, seria o método eficaz de avaliação destes “méritos”. Mérito tem quem se parece com o avaliador?!

Na verdade, a ascensão profissional ou social não depende exclusivamente do esforço individual, mas também das oportunidades que cada indivíduo tem ao longo da vida. As pessoas que nascem com melhores condições financeiras, com acesso às melhores instituições de ensino e à rede de contatos profissionais exclusivos, têm maiores chances de conquistar uma posição privilegiada em relação àquelas que não tiveram esta mesma “sorte”. Continue reading “Princípio da Casta dos Comerciantes”

Política Fiscal Depressiva Eleva Desemprego

A Secretaria de Política Econômica (SPE) divulgou, no dia 08/05/17, a nova edição do Resultado Fiscal Estrutural – 2016. O boletim traz o cálculo do resultado fiscal estrutural do Brasil, com base em metodologia desenvolvida pela SPE. Também estão disponíveis a planilha com os dados de 2016 e a nota metodológica.

A divulgação do resultado fiscal estrutural alinha-se à experiência internacional de monitoramento da política fiscal, que aponta como um passo importante o ajuste do indicador ao ciclo econômico do país.

O indicador desconsidera o efeito de eventos não recorrentes, como, por exemplo, o aumento de receitas ou de despesas devido a programas específicos. Por isso, a análise deste resultado oferece uma melhor percepção sobre o quão expansionista ou contracionista é a ação discricionária da política fiscal entre cada período, chamado de “impulso fiscal”.

Resultado Fiscal Estrutural 2016

Continue reading “Política Fiscal Depressiva Eleva Desemprego”

Efeito Temer: Temer Perda de Riqueza

O ódio de O Mercado contra a Dilma se elevou depois da perda de capital em investimentos prefixados (LTNs e NTNs) com a retomada da alta dos juros em abril de 2013. A mesma “dor-no-bolso”, pior do que a “dor-de-cotovelo”, se repetiu após o dia 17 de maio de 2017 com o Efeito Temer. O presidente da República foi grampeado cometendo os crimes de obstáculo à Justiça e prevaricação ao não seguir o Princípio da Impessoalidade que rege o cargo. Estadista certamente ele não é, pois prefere sacrificar o País em benefício próprio: manutenção do foro privilegiado e uso de recursos públicos federais em causa pessoal, ou seja, para cuidar da própria defesa.

Adriana Cotias (Valor, 24/05/17) informa que praticamente todos os investidores que tinham recursos em Fundos Multimercados ou de Ações perderam dinheiro em 18 de maio, dia seguinte à divulgação do conteúdo entre a conversa do presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, do grupo JBS.

Segundo filtro feito pelo consultor Marcelo D’Agosto, em 1.122 fundos das categorias renda fixa, multimercados, ações e previdência, na base de dados da Morningstar, só os portfólios de renda fixa resistiram, de certa maneira.

Na mediana, esses fundos tiveram ganho de 0,04% no dia, embora na amostra os fundos com exposição a títulos prefixados ou indexados à inflação de longo prazo na carteira tenham apresentado uma queda maior, com mais de duas dezenas deles apresentando perda entre 6,94% e 9,85% nas suas cotas.

Continue reading “Efeito Temer: Temer Perda de Riqueza”

Em Direção a uma Ética Individualista

A defesa do capitalismo oferecida por Ayn Rand – e realizada em ensaio publicado no livro organizado por Tom G. Palmer, A Moralidade do Capitalismo, pelo filósofo objetivista David Kelley – se baseia em uma ética individualista que:

  1. reconhece o direito moral de buscar o interesse próprio e
  2. rejeita o altruísmo na raiz.

Os altruístas argumentam que a vida nos apresenta uma escolha fundamental: é preciso sacrificar os outros por nós mesmos ou então nos sacrificarmos pelos outros. Este último é o curso de ação altruísta, e a premissa é que a única alternativa é a vida de predador.

Mas de acordo com Rand, essa é uma falsa dicotomia. A vida não exige sacrifícios em qualquer uma das direções. Os interesses das pessoas racionais não entram em conflito [ordem espontânea?!] e a busca pelo autointeresse verdadeiro exige que lidemos com os outros por meio de trocas pacíficas e voluntárias [a história do mundo não é de guerras e conflitos?!].

Para entender o porquê, podemos perguntar como decidimos qual é o nosso autointeresse. Um interesse é um valor que buscamos obter: riqueza, prazer, segurança, amor, autoestima ou algum outro bem. Continue reading “Em Direção a uma Ética Individualista”

Re-evolução

O instinto da competição predomina entre os capitalistas? O instinto da cooperação entre os socialistas? Há tais predominâncias nas bagagens genéticas de seres humanos?

A definição de “instinto” está na diferença entre a mente com a qual nascemos e a mente que formamos via aprendizado, cultura e socialização. Então, instinto é essencialmente a parte do nosso comportamento que não é fruto de aprendizado. Contudo, nosso meio-ambiente socioeconômico e institucional e, portanto, nosso aprendizado, podem ter influência no modo pelo qual nossos instintos se expressam.

O instinto é constituído de elementos humanos herdados de ação, desejo, razão e comportamento. Esses instintos especificamente humanos são aqueles que se formaram durante nosso tempo na savana. Essas características são genéticas.

Nossa linguagem singular evoluiu como um meio de compartilhar informações sobre o mundo e os demais humanos, por exemplo, quem é confiável e quem não é.  Evoluiu como uma forma de fofoca. Esta é uma habilidade informativa muito difamada que, na realidade, é essencial para a cooperação ou a aliança entre inúmeros seres humanos. Continue reading “Re-evolução”

Viés de Queda da Arrecadação Federal

Ribamar Oliveira (Valor, 12/05/17) informa que a grande questão hoje, entre os especialistas em finanças públicas, é saber qual será o ritmo de recuperação das receitas tributárias com a retomada do crescimento econômico. A própria Secretaria da Receita Federal, que faz a estimativa oficial, está cautelosa. A projeção que ela fez para a arrecadação em 2018 é bastante conservadora, pois prevê queda na comparação com a estimativa para este ano. Na área acadêmica, os prognósticos não são mais animadores.

O economista José Roberto Afonso, por exemplo, está convencido de que a receita da União está com um viés de queda desde antes da atual recessão econômica. Em apresentação feita na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na terça-feira, Afonso, que é professor do mestrado do Instituto de Direito Público (IDP), argumentou que o fenômeno pode ser explicado pelas mudanças estruturais que estão ocorrendo na economia brasileira, com perda relativa de importância da indústria, que tem uma tributação mais elevada, e avanço do setor de serviços, principalmente de “outros serviços”, com taxação mais amena.

Continue reading “Viés de Queda da Arrecadação Federal”

Igualitarismo: distribuição “justa”

Passando para o igualitarismo, em ensaio publicado no livro organizado por Tom G. Palmer, A Moralidade do Capitalismo, o filósofo objetivista David Kelley chega ao mesmo princípio por um percurso lógico diferente. O quadro ético do igualitário é definido pelo conceito de justiça em vez de direitos.

Se olharmos para a sociedade como um todo, veremos que riqueza, renda e poder são distribuídos de uma certa maneira entre os indivíduos e grupos. A pergunta básica é: a distribuição existente é justa? Se não, então ela deve ser corrigida pelos programas governamentais de redistribuição.

Uma economia de mercado pura, é claro, não produz igualdade entre os indivíduos. Mas poucos igualitários afirmam que a igualdade de resultados estrita é necessária para a justiça. A posição mais comum é a de que:

  1. existe uma presunção em favor de resultados iguais e
  2. qualquer desvio da igualdade deve ser justificado pelos seus benefícios para a sociedade como um todo.

O famoso “Princípio da Diferença” de John Rawls afirma que as desigualdades são permitidas desde que sirvam aos interesses das pessoas menos favorecidas na sociedade. Em outras palavras, os igualitários reconhecem que o nivelamento rigoroso teria um efeito desastroso sobre a produção. Eles admitem que nem todos contribuem igualmente para a riqueza de uma sociedade. Em certa medida, portanto, as pessoas devem ser recompensadas de acordo com sua capacidade produtiva, como incentivo para se esforçarem ao máximo. Mas tais diferenças devem ser limitadas àquelas necessárias para o bem público. Continue reading “Igualitarismo: distribuição “justa””