Um Novo Modo de Ensinar Economia

 

John Cassidy (The New Yorker, 11/09/17) informa que, com o início de novo ano letivo, na América do Norte, há uma boa notícia para os estudantes ingressantes em curso de Economia – e qualquer outra pessoa que queira aprender sobre questões como a desigualdade, a globalização e as formas mais eficientes de enfrentar a mudança climática. Um grupo de economistas de ambos os lados do Atlântico, fazendo parte de um projeto chamado Core Econ, organizou um novo currículo de Introdução à Economia, que é moderno, abrangente e disponível gratuitamente online (clique para download no link verde).

Nos Estados Unidos, muitas faculdades encorajam os estudantes da Econ 101 a comprar (ou alugar) livros didáticos caros, que podem custar até trezentos dólares, ou mesmo mais para algumas edições de capa dura. O currículo básico inclui um longo e-book intitulado “The Economy“, slides de conferência e questionários para testar a compreensão. Alguns dos materiais já foram utilizados com sucesso em faculdades como University College London e Sciences Po, em Paris.

O projeto é um esforço colaborativo que surgiu após a crise financeira mundial de 2008-2009 e a Grande Recessão, quando muitos estudantes (e professores) se queixaram de que os livros didáticos existentes não faziam um bom trabalho para explicar o que estava acontecendo. Em muitos países, grupos de estudantes exigiram uma revisão do modo como a Economia era ensinada, com menos ênfase nas doutrinas do mercado livre e mais ênfase nos problemas do mundo real.

You can find an interactive version of this figure athttp://tinyco.re/7434364.

https://jackblun.github.io/Globalinc/html/fig_1980.html

Na Figura acima, por exemplo, o Core Econ mostra a distribuição de renda entre e dentro dos países em 2014. A altura de cada barra no gráfico varia ao longo de dois eixos. O primeiro eixo de variação, da esquerda para a direita da figura, é uma classificação de países de acordo com a renda interna bruta per capita dos mais pobres à esquerda (Libéria), aos mais ricos à direita (Cingapura). O segundo eixo, de frente para trás da figura, mostra a distribuição de renda da camada pobre até a rica em cada país.

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Emprego Zero ou Informalidade no Mercado de Trabalho

Bruno Villas Bôas (Valor, 18/08/17) informa que, com o avanço da informalidade, o número de brasileiros que atuam em chamados subempregos aumentou 11% no segundo trimestre, na comparação aos três primeiros meses do ano — e chegou a 5,829 milhões de pessoas. Trata-se do maior contingente desse grupo desde segundo trimestre de 2012.

Subempregadas são as pessoas que trabalham menos de 40 horas semanais, mas gostariam e poderiam exercer sua atividade por mais tempo. São trabalhadores que vivem de bicos e jornadas de trabalho reduzidas, normalmente sem a carteira de trabalho assinada, e que buscam sem sucesso uma alternativa melhor.

De acordo com o IBGE, o somatório de pessoas desempregadas, subempregadas e na força de trabalho potencial (que estão disponíveis, mas não buscam emprego) é de 26,337 milhões de pessoas subutilizadas no país, o que representa 23,8% da força de trabalho. Continue reading “Emprego Zero ou Informalidade no Mercado de Trabalho”

Rede Atlas: Financiamento da Direita Golpista Brasileira


A história da Rede Atlas e seu profundo impacto na ideologia e no poder político nunca foram totalmente contadas. Mas os registros de negócios e os registros políticos em três continentes, juntamente com entrevistas com líderes neoliberais em todo o hemisfério, revelam o alcance de sua influente história.

A rede neoliberal, que reestruturou o poder político em país após país, também funcionou como uma extensão silenciosa da política externa dos EUA, com os think tanks associados ao Atlas recebendo financiamento silencioso do Departamento de Estado e do National Endowment for Democracy, um braço de soft power americano.

Embora as investigações recentes tenham esclarecido o papel de bilionários conservadores poderosos, como os irmãos Koch, ao desenvolver uma “versão amistosa” do pensamento neoliberal, a rede Atlas, que recebe financiamento das fundações de Koch, recriou métodos aprimorados no mundo ocidental para países em desenvolvimento. Continue reading “Rede Atlas: Financiamento da Direita Golpista Brasileira”

Salvando o Capitalismo dos Capitalistas?!

A sub-casta dos sábios-economistas neoliberais dizem coisas absurdas sem a menor vergonha! São mais realistas que o rei, ou seja, mais capitalistas que os donos do capital!

Pior, quando é um leviano observador “de fora”, costuma afirmar com empáfia coisas idiotas, não tendo consciência do mal que faz contra a própria reputação profissional e os demais idiotas que o acolhem e o louvam.

Leia (como exemplo dessa interferência externa descabida) sobre a Rede Atlas do movimento internacional direitista que esteve por trás do golpe no Brasil: Atlas Network. São ativistas neoliberais e/ou facistóides patrocinados pela Atlas Economic Research Foundation, uma organização sem fins lucrativos que os lidera, conhecida agora simplesmente como a Rede Atlas. Ao tramar e apoiar o golpe de Estado atentou contra a soberania nacional.

O italiano Luigi Zingales, economista e professor da Universidade de Chicago, diz que “a Itália e o Brasil têm o mesmo nível de corrupção, o mesmo nível de intervenção governamental”. Ele é um dos mais reconhecidos especialistas — e crítico — do capitalismo de compadrio, em que alguns poucos setores empresariais formam aliança econômica e política com o governo, combinação rica na produção de ineficiência e corrupção. Seus dois livros tratam do tema: “Salvando o capitalismo dos capitalistas” e “Um capitalismo para o povo: Reencontrando a chave da prosperidade americana“.

O Brasil, infelizmente, é um dos grandes exemplos desse tipo de modelo pouco transparente. Em épocas de profundas mudanças na estrutura econômica nacional, Zingales sugere medidas radicais para que o país não apenas supere a pior crise de sua história, mas dê um salto institucional. Por exemplo: a substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pela Taxa de Longo Prazo (TLP), alvo da ira de entidades empresariais, não é o bastante, diz o neoliberal. O oportunismo político apressado é aterrador!

“O BNDES é muito poderoso e muito forte”, diz. “Talvez fosse possível dividi-lo e privatizar algumas partes.” Sem medidas desse tipo, afirma, o Brasil está condenado a permanecer indefinidamente no ciclo negativo: “O capitalismo de compadrio populista está muito vivo e bem no Brasil.” Este representante da classe média “moralista e justiceira”, que não se enxerga, paradoxalmente, em nome de seu suposto saber, age contra os capitalistas e contra o povo!

Zingales participou do 8o Congresso de Mercados Financeiro e de Capitais, onde falou ao Estevão Taiar (Valor, 28/08/17): Continue reading “Salvando o Capitalismo dos Capitalistas?!”

Do avarento

Os utopianos, habitantes da ilha Utopia, na concepção de Thomas More, em 1516, chamam volúpia todo o estado ou todo movimento da alma e do corpo, nos quais o homem experimenta uma deleitação natural.

Não é sem razão que eles acrescentam a palavra natural, porque não é semente a sensualidade, é também a razão que nos atrai para as coisas naturalmente deleitáveis. Por isto, devemos compreender os bens que se podem procurar sem injustiça, os gozos que não privem de um prazer mais vivo e que não arrastem consigo nenhum mal.

coisas fora da natureza, que os homens, por uma convenção absurda, intitulam prazeres (como se tivessem o poder de transformar a essência tão facilmente como modificam as palavras). Essas coisas, longe de contribuir para a felicidade, são outros tantos obstáculos em seu caminho. Aos que seduzem, elas impedem gozarem satisfações puras e verdadeiras, viciam o espírito, preocupando-o com a ideia de um prazer imaginário.

Há, com efeito, uma quantidade de coisas, às quais a natureza não juntou nenhuma doçura, as quais ela chegou até a misturar de amargura. No entanto, os homens as olham como altas volúpias de algum modo necessárias à vida, apesar de, na sua maioria, serem essencialmente más e só estimular as paixões perversas.

Os utopianos classificam nessa espécie de prazeres bastardos, a vaidade daqueles que se crêem melhores porque usam uma roupa mais bonita. A vaidade desses tolos é duplamente ridícula. Continue reading “Do avarento”

Pesquisa de Dados via FTP

Sou de uma “geração não nativa digital”. Não fiz curso sobre aplicativos. O (pouco) que sei aprendi “fuçando” ou com dicas de colegas e alunos. No meu curso “Métodos de Análise Econômica” a respeito de metodologia, fontes de dados e uso de informações, ensino e aprendo muito com os jovens alunos. Trocamos informações, dicas e macetes.

Na aula de hoje, por exemplo, conheci uma nova fonte de informações.  O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil (http://atlasbrasil.org.br/2013/pt/home/) engloba o Atlas do Desenvolvimento Humano nos Municípios e o Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas. O Atlas é, uma plataforma de consulta ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 5.565 municípios brasileiros, 27 Unidades da Federação (UF), 20 Regiões Metropolitanas (RM) e suas respectivas Unidades de Desenvolvimento Humano (UDH). O Atlas traz, além do IDHM, mais de 200 indicadores de demografia, educação, renda, trabalho, habitação e vulnerabilidade, com dados extraídos dos Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010.

Concebido como uma ferramenta simples e amigável de disponibilização de informações, o Atlas Brasil facilita o manuseio de dados e estimula análises. A ferramenta oferece um panorama do desenvolvimento humano e da desigualdade interna dos municípios, estados e regiões metropolitanas.

A relevância do Atlas do Desenvolvimento Humano nos Municípios vem justamente da capacidade de fornecer informações sobre a unidade político-administrativa mais próxima do cotidiano dos cidadãos: o município. Por sua vez, o Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas permite conhecer as desigualdades em nível intramunicipal, entre “bairros” de uma mesma região metropolitana.

Outra novidade, pelo menos para mim, que desejo compartilhar com os seguidores deste modesto blog pessoal, é o uso de FTP. Muito antes dos sistemas de armazenamento em nuvem, nasceu o FTP (File Transfer Protocol ou Protocolo de Transferência de Arquivos). Desde os primórdios da Internet, ele é o responsável por enviar arquivos pela web. Forma prática e versátil de transferência de arquivos, ela serve basicamente para que usuários possam enviar ou receber documentos da rede por meio de um endereço no navegador ou um software instalado no PC. Continue reading “Pesquisa de Dados via FTP”

Da Sabedoria dos Utopianos

Nossos insulares da Utopia, segundo Thomas Morus, adquirem tais sentimentos de desprezo da riqueza, parte no estudo das letras, parte na educação que recebem no seio de uma República cujas instituições são formalmente opostas a todas as nossas espécies e gêneros de extravagância.

É verdade que um número muito pequeno é dispensado dos trabalhos materiais [manuais], entregando-se exclusivamente à cultura do espírito. São, como já disse, aqueles que, desde a infância, demonstraram aptidões raras, um gênio penetrante, vocação científica. Mas nem por isso se deixa de dar uma educação liberal a todas as crianças. E a grande massa dos cidadãos – homens e mulheres – consagra, cada dia, seus momentos de repouso e liberdade aos trabalhos intelectuais.

Os utopianos aprendem as ciências em sua própria língua, rica e harmoniosa intérprete fiel do pensamento. Ela é difundida, mais ou menos alterada, sobre uma grande extensão do globo.

Os utopianos nunca tinham ouvido falar de filósofos tão famosos no mundo. Entretanto, fizeram as mesmas descobertas que os visitantes estrangeiros, no terreno da música, da aritmética, da dialética, da geometria. Continue reading “Da Sabedoria dos Utopianos”