Verticalização das Favelas: Onde?

MCMV 020215

Sabetai Calderoni é urbanista, economista e membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp. José Pedro Santiago é agrônomo e membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp. Ambos demonstram maior sensibilidade social que os pesquisadores do Ibre-FGV citados no post anterior. Publicaram o seguinte artigo (Valor, 02/02/15), avaliando o Programa MCMV.

“Nossas cidades, sobretudo as áreas metropolitanas, estão se transformando em praça de guerra, no confronto entre polícia e moradores envolvidos em frequentes episódios de invasão de edifícios e até de parques públicos. Conflitos com os sem-teto vão se repetir e as cidades brasileiras vão virar campo de batalha se não for resolvido, com urgência, o problema da falta de moradia.

As maiores dificuldades para eliminar o déficit habitacional brasileiro, de 5,8 milhões de moradias, são a escassez e os elevados custos dos terrenos e da infraestrutura, sobretudo nas grandes cidades. A opção por construções populares de um único andar, sequer geminadas, agrava esse quadro. Por que subutilizar terrenos caros e raros, elevando ainda mais os custos da infraestrutura?

Alternativa promissora para solução do problema é implantar edificações verticalizadas nas próprias favelas. O caminho é promover a permuta de habitações situadas em áreas planas dessas comunidades por apartamentos a serem edificados no mesmo local, em prédios, por exemplo, de dez ou doze andares.

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Avaliação do Programa Habitacional Minha Casa Minha Vida

Programa MCMV 2014

Estão sendo publicadas as primeiras avaliações do Minha Casa Minha Vida. Trata-se do maior Programa de Financiamento Habitacional já realizado na história do País.

Os compromissos assumidos pelo Tesouro com empreiteiras na construção de moradias do Programa Minha Casa, Minha Vida somam R$ 26,2 bilhões. A cifra, com vencimento concentrado nos próximos 18 meses, resume os desafios para executar, em período de restrição fiscal, o programa que a presidente Dilma assumiu, corretamente, como prioritário em sua administração.

Uma avaliação atuarial feita pela auditoria Deloitte Touche Tohmatsu no Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), o veículo financeiro que abriga as operações da faixa de renda mais baixa do Minha Casa, Minha Vida, apontou “uma deficiência total” de R$ 28,830 bilhões em dezembro de 2013. Ainda não foi divulgada a avaliação atuarial de 2014.

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Reclamações de Clientes dos Bancos

Reclamações de Clientes de Bancos

Recentemente, um telemarketing me ligou para cobrar, agressivamente, a fatura de um cartão de crédito Mastercard da Caixa que eu não possuo! Só investi em uma LCI dela. Mas pode ser que, mesmo sem o solicitar, tenham me enviado algum cartão e aí ter ocorrido o extravio. Já recebi vários sem os solicitar, o que é ilegal. Lógico que não foram desbloqueados. Porém, o comércio eletrônico pode ser fraudado apenas com o preenchimento de nome e números do cartão extraviado ou roubado…

Algumas das situações de queixas contra os bancos são descritas no site Reclame Aqui, em que é possível publicar queixas sobre produtos e serviços, isso não foi mera coincidência. Cobranças indevidas estão entre as principais reclamações registradas contra instituições financeiras não apenas na internet, mas também no Banco Central e nos órgãos de defesa do consumidor.

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Comparando ROE, ROA e Alavancagem Financeira: Eficiência Bancária?

Eficiência Bancária Comparada

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dá sinais consistentes de mais eficiência se comparado a seus pares internacionais e até mesmo a bancos privados brasileiros. A conclusão é de um estudo conduzido pelo economista Felipe Rezende, doutor em Economia e Matemática pela Universidade de Missouri, em Kansas City, a partir dos balanços e demonstrações financeiras de bancos públicos e privados entre 2000 e 2014.

FNC: grau de eficiência bancária é medida, precisamente, pela relação entre despesas (de pessoal e outras administrativas) e receitas (resultado bruto de intermediação financeira e receita de prestação de serviços). Despesas de pessoal e outras administrativas de Bancos de Desenvolvimento são muito menores do que as de Bancos de Varejo que operam rede de agências. Não se deve confundir “alhos” com “bugalhos”…

Comparações de eficiência  (DP+ODA)/(RBIF+RPS) — não só tendem a cometer a falácia de agregação, como também ocultam diferença muito importante para a gestão pública: IFPF servem de grandes alavancagens financeiras para governar.

Grau de eficiência é indicado por ([LL’ + DF] / PT) – (LL / PL) > 0 onde: PT = PL + P3º.

Rentabilidade patrimonial ou ROE (= LL/PL) e rentabilidade sobre ativos — ROA (= LL/AT) — são indicadores de rentabilidade para acionistas. Provisões sujeitas à discricionaridade e tributações influenciam-nos.

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Desempenho dos Grandes Bancos em 2014

Juros do Cheque Especial do G4 Desempenho dos Bancos em 2014

Assim que Dilma iniciou a “cruzada” contra os juros altos, em março de 2012, a Caixa fez uma redução imediata e abrupta de diversas taxas, com destaque para o cheque especial, que caiu de 8% para 4% ao mês. O BB teve uma postura mais cautelosa. Reduziu os juros apenas para clientes que trocassem o pacote de serviços para o Bompratodos, com tarifa mais cara que o similar com taxa de juros sem desconto.

No entanto, diante da pressão do governo e do comportamento da Caixa, o BB também reduziu seus juros fortemente, em julho de 2012. Na época, alegava que tinha feito todos os cálculos para saber até onde poderia ir. O fato é que as taxas ficaram baixas até junho de 2013, quando começou uma leve inclinação para cima, dois meses após o BC iniciar o ciclo de alta da Selic, até então no piso histórico, em 7,25% ao ano.

Pouco tempo depois, quando viu que o custo de captação subiu, o BB acelerou a correção de rumo, até que no segundo semestre de 2014, a taxa cobrada no cheque especial voltou aos 8,5% ao mês vigentes no primeiro trimestre de 2012.

O que se nota é que o BB tentou proteger a rentabilidade do banco no primeiro momento, mas não resistiu à pressão política quando ela atingiu seu auge. A queda da rentabilidade sobre o patrimonio, nesse período, foi clara. Saiu de pouco mais de 20% para pouco mais de 15%, ainda bem acima dos 6% apresentados atualmente pela Petrobras. Entretanto, cumpriu sua missão social de, via atuação anticíclica, evitar o aprofundamento do desemprego em época de crise mundial. Além disso, ganhou market-share.

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Grandes Bancos Credores X Cadastro Positivo de Devedores

Dúvida

Em funcionamento desde agosto de 2013, o cadastro positivo conta com apenas cerca de 1,5 milhão de clientes cadastrados, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O número está bem abaixo da previsão de 40 milhões de cadastros até o fim de 2014 feita pelo Serviço de Proteção ao Consumidor (SPC) à época do lançamento.

Bancos e birôs de crédito colocam sobre os ombros da legislação parte da lentidão na adoção. Dizem ainda que a demora é natural, já que é preciso criar um banco de dados com um volume de informação substancial. Mas os executivos de bancos reconhecem que as instituições têm pouco interesse em alavancar o processo porque não querem compartilhar informações sobre os seus melhores clientes.

Muitos bancos têm receio de lidar com as informações dos clientes por causa das regras de sigilo bancário. A questão é também saber quanto é do interesse das instituições a construção do cadastro positivo. Uma preocupação dos bancos sempre foi ver quem é o cliente que não paga. Talvez eles estejam formando seus próprios bancos de dados positivos com os clientes que têm em carteira. Os adimplentes pagam toda a inadimplência. Em outras palavras, “os justos pagam pelos pecadores” — e os bancos pouco perdem!

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Empréstimo Consignado On-Line X “Pastinhas”

Movimento Ludista

Enquanto no resto do mundo, a tecnologia busca superar a formalidade dos negócios bancários, aqui ela é combatida pela “informalidade”, ou melhor, pelo trabalhadores manuais e seus contratantes — bancos pequenos e médios –, que resistem  ao avanço tecnológico. O bilionário mercado de crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) está às vésperas de uma importante mudança que tem provocado discussão, inclusive judicial, entre bancos, promotores de crédito e aposentados.

A transformação será causada pela implantação de um novo sistema tecnológico para a liberação de empréstimos, o chamado ECO (Empréstimo Consignado On-Line). Além de prometer acelerar o desembolso dos recursos para aposentados e pensionistas, a plataforma tem como objetivo também reduzir as fraudes.

Uma decisão liminar da Justiça, porém, impede que o novo sistema entre em operação, atendendo a um pedido feito pela Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Cobap).

Desenvolvido pela Dataprev, empresa de tecnologia vinculada ao Ministério da Previdência Social, e pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), o ECO vai permitir que a liberação de um empréstimo consignado INSS, que hoje pode levar até cinco dias, ocorra em menos de 12 horas e até diretamente pelo caixa eletrônico. Em operações de crédito que são levadas de um banco para outro, há casos em que o desembolso do dinheiro demora até 20 dias.

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