Corrupção no Futebol Internacional: E a TV Globo Nada a Ver?

Neymar

O curioso da investigação do MP, PF e Poder Judiciário brasileiros sobre corrupção é que não envolve o conluio extremamente visto há anos entre a CBF e a Rede Globo. Se esta não deve, não temeria ser investigada. Mas todos ficam de “bico calado”, assim como não investigam as corrupções nos Estados governados por aquelas espécies de bico grande. A classe dominante sabe se defender enquanto golpeia os adversários…

Em alguns exemplos, os promotores americanos estão investigando as próprias empresas por possíveis irregularidades. Em outros, ainda não está claro se as empresas são o alvo da investigação ou se os promotores buscam apenas a cooperação delas.

Embora as autoridades dos EUA pretendam chegar a acordos com algumas companhias, possivelmente nos próximos 12 meses, o progresso tem sido mais lento que o esperado, em parte porque as investigações envolvem dezenas de outros países e estruturas empresariais obscuras. Continue reading “Corrupção no Futebol Internacional: E a TV Globo Nada a Ver?”

Executivos versus Empresas e Arrocho Salarial

Remuneração de Executivos

Letícia Arcoverde (Valor, 07/04/2016) informa que a remuneração executiva nas empresas brasileiras não está alinhada com resultados financeiros que geram valor e trazem retorno aos acionistas, segundo um estudo da consultoria PwC e da Fundação Getulio Vargas (FGV) com 134 companhias de capital aberto. A maioria delas (76%) não registrou geração de valor e teve queda no lucro líquido, mas ainda assim aumentou a remuneração fixa e variável de seus altos executivos.

As organizações incluídas no estudo compõem o Índice de Governança Corporativa da Bovespa, e estão listadas no Novo Mercado ou nos níveis 1 e 2 da bolsa. Das companhias analisadas, 42% apresentaram faturamento acima de R$ 3 bilhões em 2014. Não foram incluídas instituições financeiras, por causa das diferenças nas regras contábeis. A pesquisa teve como base os demonstrativos financeiros e os formulários de referência, que incluem informações sobre remuneração executiva, publicados entre 2010 e 2015.

Continue reading “Executivos versus Empresas e Arrocho Salarial”

Declarações de Bens e Direitos Recebidos Em Doações ou Herança

 

familia-dinheiro

A doação é regulada no Brasil pelo Código Civil. Trata-se, de modo geral, de um contrato pelo qual uma pessoa (doador), por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o patrimônio de outra (donatário), que aceita receber os bens ou vantagens, gratuitamente.

O regulamento determina que não incide imposto de renda sobre o valor dos bens ou direitos adquiridos por doação (ou herança). Contudo, incide sobre os bens doados a tributação do ganho de capital (caso a doação tenha sido efetuada por valor superior ao que foi reportado na última Declaração de Bens e Direitos do doador), cabendo ao doador pagar os 15% devidos sobre o valor do bem doado. Então, o pagamento de imposto de renda sobre ganho de capital em doações deve ser efetuado pelo doador e não pelo donatário.

Sobre a doação ainda é prevista a incidência do ITCMD, o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos. O ITCMD é um tributo de competência dos Estados e do Distrito Federal, cujo fato gerador é a transmissão causa mortis de imóveis e a doação de quaisquer bens ou direitos.

Continue reading “Declarações de Bens e Direitos Recebidos Em Doações ou Herança”

De Volta o “Toma De Cá e Dá Prá Lá”

Ranking de Riqueza e Renda por Ocupações

Vetado ano passado pela presidente Dilma Rousseff, o reajuste dos servidores do Poder Judiciário está voltando à pauta do Congresso Nacional, anunciando o agravamento da desigualdade social em renda e riqueza. Veja no ranking acima quanto ganhavam, em 2013, e em média per capita, “os coitadinhos (sic) dos Membros do Poder Judiciário e do Ministério Público” para não cumprirem seu papel de defesa da Constituição brasileira.

Líderes de diversos partidos políticos golpistas se reuniram recentemente com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, e deram apoio à proposta de um “tomá-lá-dá-cá”. A Câmara pode votar ainda o requerimento de urgência para que o projeto de aumento seja votado direto no plenário, sem necessidade de ser apreciado nas comissões da Casa.

O veto de Dilma impediu aumentos nas faixas de 53% a 78% para as várias carreiras do Judiciário. O Executivo alegou falta de recursos para bancar esse aumento. Um acordo entre Executivo e Judiciário, após o veto, derrubou essas faixas para patamares de 16,5% a 41,4%.

Na justificativa de seu projeto, o STF diz que as carreiras de nível superior dos Poderes Legislativo e Executivo têm remuneração variando de R$ 14,2 mil e R$ 26 mil, para os níveis inicial e final. Um Professor Titular das Universidades estaduais paulistas (USP-UNICAMP-UNESP) tem o teto de sua carreira, baseada em mérito e/ou títulos, cortado para R$ 21.600 pelo governador tucano do Estado de São Paulo.

A remuneração de um Analista Judiciário está atualmente entre R$ 8,8 mil e R$ 13,2 mil. “Verifica-se, portanto, que o nível final da carreira de Analista Judiciário não atinge, sequer, o inicial das carreiras tomadas como referência”, argumenta o projeto do STF enviado em 2015, assinado por vários ministros da Corte. O que o projeto não diz é que o salário mensal de Ministro do STF vai para R$ 39.900 em um efeito-cascata também para os membros do Poder Legislativo corruptos que aprovarão o aumento para depois serem julgados pelos beneficiados!

Antonio Lassance, cientista político, em seu blog, mostra que “o STF nunca viu golpe no país”! Leia abaixo seu post e julgue se você acha justo remunerar essa gente golpista, voltada para seus próprios interesses de acumulação de riqueza pessoal.

Continue reading “De Volta o “Toma De Cá e Dá Prá Lá””

Renda do Capital como Substituta da Renda do Trabalho para Manutenção do Padrão de Vida na Aposentadoria

Idade de Aposentadoria

Gleise de Castro (Valor, 10/12/2015) informa que os trabalhadores brasileiros querem parar de trabalhar mais cedo e manter o padrão de vida que têm na ativa, mas não se preparam para isso. Essa é a principal conclusão de pesquisas recentes feitas por operadoras de Previdência Privada, como a Icatu Seguros. Em levantamento feito pela empresa com seus 400 clientes de previdência, 45% disseram querer se aposentar aos 55 anos. Para isso, 37% informaram destinar apenas 3% da renda mensal ao plano de previdência privada. Outros 22% disseram aplicar 6%.

Calcula-se que o valor mínimo de investimento na previdência privada deve ser de 10% da renda mensal, nível de contribuição que apenas 17% afirmaram aplicar no plano, conforme a pesquisa.

[FNC: por meus cálculos, se investir 20% da renda mensal durante 30 anos em renda fixa com juros de 0,5% a.m., ao final desse período o trabalhador já terá renda do capital similar à renda do trabalho em termos nominais.]

Para 47,79% dos entrevistados, a principal preocupação em relação à aposentadoria é conseguir manter o padrão de vida atual, enquanto 22% disseram estar mais preocupados com dificuldades financeiras e 18,58%, com despesas de saúde. Continue reading “Renda do Capital como Substituta da Renda do Trabalho para Manutenção do Padrão de Vida na Aposentadoria”

Preferência pela Liquidez ou Aversão ao Risco dos Investidores Brasileiros

Consolidado de Produtos Financeiros dez 2015

Luciana Seabra (Valor, 18/04/2016) avalia que, em um momento político tão conturbado, a aversão a risco do investidor brasileiro está em níveis máximos. Duas pesquisas, uma da BlackRock e outra da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostram que ele está excessivamente concentrado em liquidez, gostaria de estar menos, mas tem medo e falta de informação. O histórico não ajuda: a pessoa física sempre erra a hora certa de abrir mão de liquidez e correr risco na bolsa brasileira.

No viés heurístico classificado pelas Finanças Comportamentais como “diversificação ingênua” — via Regra dos 3 Terços, 1/3 para curto prazo, 1/3 para médio prazo e 1/3 para longo prazo, ou 1/3 para LTN, 1/3 para LFT e 1/3 para NTN-B, ou ainda 1/3 para RF prefixada, 1/3 para RF pós-fixada e 1/3 para Renda Variável, pois “a mente humana abomina complexidade” — o “brasileiro” (sic — veja a desigualdade da riqueza financeira per capita na tabela acima) gostaria de ter 32% do patrimônio em ativos líquidos, como poupança, fundos e títulos de curto prazo.

Na realidade, tem 67%, segundo entrevistas da BlackRock com mil investidores locais, sendo 606 de varejo e 394 do segmento afluente, com pelo menos R$ 200 mil em patrimônio investido. Na faixa de idade entre 55 e 64 anos, essa fatia é ainda maior, de 76%. Lógico, está em fase de pré-aposentadoria, prefere ter mobilidade do capital.

A indústria de fundos é um retrato dessa concentração. Os dados da Anbima, associação que representa o mercado, mostram que as carteiras de renda fixa têm hoje 48% de todo o dinheiro alocado em fundos no Brasil, um total de R$ 1,5 trilhão. A fatia administrada pelos gestores de ações é de somente 4,7% desse bolo, ou R$ 144,93 bilhões. Em outras palavras, o único agente que dá importância à Bovespa é o PIG, já que ela lhe fornece manchetes escandalosas tipo “a Bolsa ou O Mercado caiu ou subiu em função das oscilações do golpe em andamento”:) Continue reading “Preferência pela Liquidez ou Aversão ao Risco dos Investidores Brasileiros”

ECO 200 – Macroeconomia

UnicampCurso de Especialização em Economia Financeira

Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas

Maiores Informações: Secretaria de Extensão (das 09h00 às 21h00)Fone: (019) Fone: (019) 3521-5709 / 3521-5834
E-mail: extensao@eco.unicamp.br :http://www.eco.unicamp.br

Macroeconomia – carga horária: 30 horas

Prof. Titular Fernando Nogueira da Costa

OBJETIVO:

O objetivo geral do curso é mostrar como o conhecimento multidisciplinar possibilita uma melhor análise para as diversas tomadas de decisão econômico-financeira, no nosso cotidiano, sistematizando o conhecimento genérico do cidadão e socializando o conhecimento específico do economista. O primeiro objetivo parcial é examinar microfundamentos da macroeconomia através das teorias das decisões básicas dos agentes econômicos ou das firmas. O segundo objetivo parcial é examinar macrofundamentos da microeconomia através das teorias dos principais problemas resultantes sistêmicos (inflação, desemprego, ciclo econômico e crise cambial) e das relações internacionais entre as decisões de políticas macroeconômicas, em economia aberta. Portanto, diversas disciplinas (economia monetária, microeconomia, macroeconomia e economia internacional) serão apresentadas de maneira integrada ou articuladas entre si.

PROGRAMA E BIBLIOGRAFIA:

O programa seguirá a ordem de apresentação do livro Economia em 10 Lições (São Paulo, Makron Books, 2000), cuja autoria é do professor do curso. As dez aulas propiciarão uma leitura dirigida, com foco nas respostas das seguintes perguntas-chave.

Leia também23 Coisas que não nos Contaram sobre o Capitalismo – Ha-Joon Chang

Continue reading “ECO 200 – Macroeconomia”