Para ler como um escritor

para-ler-como-um-escritorO prefácio e o posfácio do livro de autoria de Francine Prose, “Para ler como um escritor: Um guia para quem gosta de livros e para quem quer escrevê-los” (Rio de Janeiro; Zahar; 2006) foram escritos por Ítalo Morriconi. Ele o apresenta dizendo que “Para ler como um escritor” proporciona uma espécie de viagem visceral por obras-primas da literatura.

Tem tudo de manual, de guia, de livro-texto especificamente orientado:

  • para quem está se colocando na posição de escritor aprendiz ou iniciante, assim como
  • para quem deseja perceber a literatura com os olhos livres do escritor e não com as lentes grossas do intelectual ou do ideólogo acadêmico.

Seu modo visceral de ser conduz o leitor pelas entranhas do texto de prosa ficcional sem apelar para categorias macro de compreensão, sem camisas de força apriorísticas. Aqui, a indução prevalece sobre a dedução. Literatura não como ciência, mas como exercício de sensibilidade.

O método é o “close reading”, a leitura atenta, a leitura densa, a leitura linha a linha, cuja meta é evidenciar como grandes escritores do passado e do presente obtiveram e continuam a obter resultados literários apreciáveis e diversificados através desse ou daquele jeito de fazer.

A lei maior de Francine Prose é: aprendemos através de exemplos. Não para imitá-los (isso também, um pouco), mas para refletir intensamente sobre eles. Como tratar a frase? Como e por que quebrar um parágrafo? Como avaliar o impacto de uma palavra? Como apresentar uma personagem ao leitor? Continue reading “Para ler como um escritor”

Nova Estética: Três Notas Sobre Blogs e o Plágio (por Charles Kiefer)

resenha-livro-para-ser-escritor-charles-kiefer-editora-leya“Não escrevo este rápido e conciso texto com pressa. Mas ele poderá ser lido rapidamente.

Ele deve ser lido rapidamente, que os bytes e os neurônios têm pressa, muita pressa.

Porque a nossa atual locomotiva chama-se internet. E ela é rápida, muito rápida.

Além de gerar palavras novas – os dinossauros as chamavam neologismos –, essa nova machina exige textos curtos, parágrafos curtos, frases curtas.

Hoje, com um olhar retrospectivo, podemos ver a revolução industrial parindo novas formas artísticas, a short storie, a crônica, o folhetim, o romance policial, o romance psicológico, o romance de aventuras.

Com um olhar prospectivo, podemos ver um novo gênero, ainda sem nome, retorcendo-se na tela do computador.”

[Trecho de: Charles Kiefer. Para ser escritor. São Paulo; Leya, 2010.] Continue reading “Nova Estética: Três Notas Sobre Blogs e o Plágio (por Charles Kiefer)”

Theasurus e Economia

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Do latim thesaurus (“tesouro”), em diversos idiomas (português, inglês etc.), usa-se esse termo para designar listas ou dicionários cujas palavras são agrupadas por temas.

Tesauro, também conhecido como dicionário de ideias afins, é uma lista de palavras com significados semelhantes, dentro de um domínio específico de conhecimento. Por definição, um tesauro é restrito. Não deve ser encarado simplesmente como uma lista de sinônimos, pois o objetivo do tesauro é justamente mostrar as diferenças mínimas entre as palavras e ajudar o escritor a escolher a palavra exata. Tesauros não incluem definições, pelo menos muito detalhadas, acerca de vocábulos, uma vez que essa tarefa é da competência de dicionários.

O Dicionário Analógico supõe que temos noção de um significado, uma intenção de uso, mas não nos ocorre uma palavra satisfatória. Ele, a partir de um contexto de possíveis significados, oferece uma nuvem de palavras em torno desse significado, ou seja, palavras analógicas em maior ou menor grau de proximidade e exatidão, para que nessa nuvem possamos achar a palavra – ou expressão – que melhor nos convém, em qualquer de suas mais prováveis funções gramaticais. Continue reading “Theasurus e Economia”

O Ato de Escrever

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O ato de escrever é a arte de sentar-se em uma cadeira e enfrentar o desafio de deparar-se com uma página ou um arquivo em branco. O que escrevi, escrevi…

Gostaria de não saber escrever. Mas quem me dera saber bem escrever!

Escrever sem o esforço da criatividade corresponde a ser lido sem prazer.

Escrever divinamente significa sofrer como o diabo…

O escritor pode se arriscar, pois aqui quase ninguém lê…

Escrevo pelos outros ou por necessidade pessoal? Simplesmente, tenho vontade de escrever e, então, escrevo.

Escrever para si só? Só se for narcisista ao extremo! Escrever é a esperança de, porventura, atrair um(a) leitor(a), encantá-lo(a), ser amado(a)…

Escrever por vaidade não tem nenhuma criatividade, pois já se sabe a priori tudo que dirá sobre si.

Escrever é cortar. Reduzir. Sintetizar. Dizer as mínimas palavras necessárias de serem ditas.

Escrever não é nada mais do que aproveitar o tempo sobrante para ter tempo de refletir que este tempo está acabando – e você quer deixar uma lembrança dele. Continue reading “O Ato de Escrever”

Indicadores para Análise do Desempenho do Setor Bancário

indicadores-dos-6-maiores-bancos-2014-2009Veja apresentação em Prezi: Indicadores Bancários

Com o objetivo de analisar o desempenho do setor bancário brasileiro, constata-se a tendência da rentabilidade em relação à registrada no ano anterior. Por exemplo, o efeito das receitas de floating fica patente a partir da evolução da conta de ganhos com passivos sem encargos deduzidos das perdas com ativos não-remunerados.

Compara-se o resultado bruto da intermediação financeira do ano corrente em relação ao ano anterior; busca-se a explicação para sua variação, verificando o custo de captação e as receitas de operações de crédito.

Examina-se, então, se as receitas de prestação de serviços (decorrentes da cobrança de tarifas bancárias) desempenharam papel relevante para a sustentação do nível de rentabilidade dos bancos.

Interessante também é ver até que ponto estas últimas receitas, isoladamente, cobririam as despesas administrativas ou, pelo menos, as despesas de pessoal.

Vale comparar as margens de intermediação financeira (relação do resultado bruto da intermediação com receitas de intermediação financeira) entre distintos grupos de bancos. Continue reading “Indicadores para Análise do Desempenho do Setor Bancário”

Contas de Resultados dos Bancos

balanc%cc%a7o-de-resultados-dos-6-maiores-bancos-2014-2009É útil conhecer também a variação sofrida, em sucessivos períodos, pelos elementos que formam o patrimônio dos bancos. Para tanto, o comum é calcular-se um índice de base fixa (igual a 100), para o período inicial, sendo os demais calculados em relação a ele.

Define-se os índices como indicações numéricas das gradações de um fenômeno, relacionadas com seu número básico inicial. Qualquer número só tem valor quando comparado com outro, pois isoladamente não fornece elementos de julgamento.

Comparações entre componentes de diferentes conjuntos patrimoniais e de variações patrimoniais permitem a determinação de coeficientes-padrão. O coeficiente-padrão é aquele que com maior frequência se apresenta nos balanços de empresas do mesmo ramo de atividade.

A classificação geral de cada instituição financeira nos rankings publicados por revistas especializadas, geralmente, considera variáveis que refletem:

  1. a representatividade global de cada banco (ativo total),
  2. a dimensão de seu capital próprio (patrimônio líquido) e
  3. o seu resultado no exercício considerado (lucro líquido).

Discriminam a composição por origem de capital:

  1. bancos estatais,
  2. privados nacionais e
  3. estrangeiros.

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Processo de Análise de Balanços de Bancos

balanc%cc%a7os-patrimoniais-dos-6-maiores-bancos-2014-2009O primeiro passo do processo de análise de balanços de bancos deve constituir a análise propriamente dita dos componentes do patrimônio – agregados segundo o “corte” estabelecido -, para conhecimento detalhado de cada grupo de contas representativas do ativo e do passivo. Poderá se aprofundar até onde for o interesse do analista de conhecer as subdivisões das próprias contas.

A determinação da percentagem de cada elemento patrimonial em relação ao conjunto indica o coeficiente dos diversos grupos patrimoniais, oferecendo assim uma ideia precisa de distribuição dos valores no conjunto patrimonial. Pode-se então avaliar se há excesso de imobilização, insuficiência de capitais ou de disponibilidades (liquidez), a proporção necessária e definida entre os capitais próprios e de terceiros, etc.

Os bancos, diferentemente de empresas de outros ramos de atividade:

  1. movimentam mais capitais de terceiros que capitais próprios,
  2. têm maiores disponibilidades que valores imobilizados e
  3. dispõem de mais realizáveis do que de ativos disponíveis. Continue reading “Processo de Análise de Balanços de Bancos”