Cartel e Acordo de Leniência

bruxas

Um debate público importante está acontecendo devido à contingência ocorrida com a Operação Lava-Jato e a dependência de trajetória que leva ao risco de crise sistêmica. De um lado, o Ministério Publico Federal (MPF) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), desejam denunciar criminalmente por cartel tanto os executivos de empreiteiras e os ex-diretores da Petrobras, quanto as empresas, responsabilizando-as por ilícitos. De outro lado, lideranças políticas que têm responsabilidade quanto à condução do desenvolvimento do País insistem na tese de que o País precisa punir apenas pessoas físicas envolvidas nos crimes investigados e fazer Acordos de Leniência com as pessoas jurídicas.

A gana de “caça às bruxas” não pode ser “mais realista que o próprio rei”! Condenará a população brasileira a sofrer as consequências de um maior atraso econômico na construção de infraestrutura, inclusive energética, e logística, durante o longo período de investigação e julgamento desse processo jurídico. Há substitutos nacionais para as empreiteiras do porte das envolvidas no cartel da indústria do petróleo? Haverá tempestividade na criação de novas empresas? Continuar a ler

Aos que defendem a ditadura, o desprezo (por Luiz Caversan)

Demanda de intervenção militar

Eu não quero ter hora para voltar para casa.

Eu não quero ser proibido de sair de casa.

Eu não quero ser proibido de voltar para casa.

Eu não quero ser exilado do meu país.

Eu não quero viver na clandestinidade.

Eu não quero ser proibido de ler um livro, qualquer livro.

Eu não quero ser proibido de assistir a um filme, qualquer filme.

Eu não quero ser proibido de escrever livros ou fazer filmes, se for o caso.

Eu não quero ser proibido de viajar, sair do país a qualquer dia, a qualquer hora, ir para qualquer lugar que me aceite, e depois voltar tranquilamente.

Eu não quero que me digam o que eu posso e o que eu não posso falar, como estou falando tudo isso aqui neste espaço.

Eu não quero que este espaço seja censurado.

Eu não quero que este jornal, que jornais, revistas, rádios e TVs digam apenas o que quem está no poder permitir.

Eu não quero, jamais, a volta da censura.

Eu não quero ser proibido de andar na rua, qualquer rua, a qualquer hora, sob o pretexto de eu ofereço perigo à sociedade.

Eu não quero ser preso sem saber por quê.

Eu não quero ser proibido de falar bem de Cuba e de falar mal dos Estados Unidos, ou vice-versa.

Eu não quero ser proibido de me manifestar, em ambiente público ou privado, a respeito do que quer que seja, contra ou a favor governo, governos, políticos, agentes públicos civis ou militares.

Eu não quero ser proibido de usar camiseta vermelha. Ou camiseta azul ou branca ou do Corinthians ou do Palmeiras.

Eu não quero ter minha residência violada, invadida, desrespeitada, a não ser que eu ou alguém da minha família tenha cometido um crime, e que haja ordem da Justiça a este respeito.

Eu não quero ver amigos sumirem, desaparecerem.

Eu não quero ver nenhum cidadão sumir, desaparecer, muito menos sabendo que o Estado tem responsabilidade nisso.

Eu não quero que os agentes públicos civis ou militares possam matar, torturar, perseguir, ameaçar, abusar das pessoas impunemente e respaldados, ainda que de forma dissimulada, pelo Estado.

Eu não quero ser proibido de votar, seja para presidente, para governador, deputado, senador, vereador ou síndico do meu prédio.

Eu quero ter o direito de ser a favor ou contra e inclusive de mudar de opinião.

Por isso eu não quero – nunca, jamais, em tempo algum – a volta da ditadura militar.

Se você é a favor da volta da ditadura militar você é a favor de tudo isso o que relacionei acima.

É a favor da ilegalidade.

Se você tem coragem de ir para a rua ostentando uma faixa pedindo a volta do horror, você faz parte deste horror de tão triste memória –ou não sabe disso, ou não quer saber disso ou quer se beneficiar pessoalmente disso.

Se você defende a volta da ditadura militar, conforme lembrou recentemente o professor e filósofo Renato Janine Ribeiro, você defende a volta de crimes e de criminosos.

Portanto, você merece desprezo.

Fonte: FSP, 21/03/15

FNC: eu não quero viver na minha velhice a falta de liberdade de expressão que vivi na minha juventude!

naoaogolpismo

Aprender a Aprender com a Web

Ronaldo Lemos (FSP, 10/02/15) publicou um artigo interessante com dicas para aprender com a internet, que é a proposta deste modesto blog Cidadania & Cultura há cinco anos. Compartilho-o abaixo com os links.

“Se não caiu a ficha, está na hora de cair: a maior parte do conhecimento teórico e prático já produzido pela humanidade está disponível na internet, de graça e abertamente. Quem tiver a curiosidade e a energia necessárias pode tomar nas mãos os caminhos do próprio aprendizado. Esse é um desafio para o sistema educacional: a missão da escola nos dias de hoje passa a ser ensinar a aprender dentro desse novo contexto em que vivemos.

Quem viu o documentário acima sobre Aaron Swartz (“O Menino da Internet“), disponível também de graça e abertamente no YouTube, deve se lembrar da cena em que ele, com poucos anos de idade, aprende a ler sozinho. Em depoimento para a câmera, seus pais dizem: “Aaron aprendeu muito cedo a aprender“. Apesar de nunca ter completado a faculdade, circulava entre professores das melhores universidades e conversava com eles como igual.

[O filme narra a história do jovem Aaron Swartz (1986-2013), um jovem programador norte-americano que acreditava na mudança radical do mundo através da internet e da computação. Durante toda a sua vida, Aaron usou a programação computacional como uma forma de nos ajudar a resolver problemas e tornar o mundo um lugar mais democrático, justo e eficiente. Em uma destas tentativas, Aaron irá usar a rede do MIT (Massachusetts Institute of Technology) para realizar o download massivo de milhões de artigos acadêmicos de uma base de dados privada chamada JSTOR. Nesse meio-tempo, o Ministério Público dos Estados Unidos irá conduzir um processo criminal contra Aaron, que termina por levá-lo ao suicídio.]

Swartz aprendeu no mesmo lugar — a internet — tanto a programar quanto a ler clássicos da filosofia política (como Henry David Thoreau, um dos seus favoritos). Qualquer um pode seguir seu caminho. Continuar a ler

Música: Em Busca do Som Perdido

Som

Gustavo Brigatto e João Luiz Rosa (Valor, 17/03/15) publicaram reportagem sobre atualidades no mundo do som musical. O vinil, que surgiu no fim do século XIX, permaneceu como o padrão principal até os anos 80 do século passado. Foi um reinado de quase cem anos, que se encerrou com o surgimento do CD. Os disquinhos prateados, que pareciam definitivos, tiveram um domínio bem mais curto. No início dos anos 2000 foram depostos pela música digital, sob a hegemonia do formato MP3. Mas essa não é a palavra final. Novos formatos de música estão surgindo enquanto velhos hábitos voltaram a atrair o consumidor, o que inclui a ressurreição do vinil.

Segundo a IFPI, a associação internacional das gravadoras, as vendas globais de vinil vêm se recuperando desde 2007, tendo alcançado US$ 218 milhões em 2013. É uma mudança significativa em relação a 2006, quando o formato chegou a fundo do poço, com vendas inferiores a US$ 50 milhões. Os dados não levam em conta a inflação no período, mas, mesmo assim, indicam uma redescoberta dos velhos discos pretos.

Boa parte desse interesse está ligado à busca do consumidor pelo som mais puro que puder conseguir. Os CDs ganharam o mercado sob a promessa de que ofereciam uma qualidade muito superior à do vinil, sem os chiados característicos e inconveniências como os riscos que faziam uma faixa específica – geralmente a sua favorita – ficar “pulando” ou voltar ao início. A música digital pareceu ainda melhor por oferecer som de CD sem um suporte físico. Agora, são comuns as críticas de que a música digital é pasteurizada, por causa dos sistemas de compressão de arquivos, e não consegue reproduzir fielmente a qualidade da gravação. Faltaria calor, ou “alma”, à tecnologia. E onde estaria essa alma? No vinil!

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Dicas do Reinaldo Cristo

Reinaldo CristoOs seguidores deste modesto blog devem ter acostumado a ler os comentários sempre instrutivos do Reinaldo Cristo. Ateísta militante, admiro-o não só por isso, mas também por sua disponibilidade em ensinar (e aprender), transmitindo seu vasto conhecimento, especialmente em Informática, para o amplo público navegante da internet de forma voluntária e gratuita. Ele já me deu dicas preciosas, entre as quais o post mais acessado Download Gratuito de Livros Clássicos de Ciências Humanas.

Só que agora necessito compilar algumas de suas dicas em um post que eu encontre facilmente. Por exemplo, meu iMac voltou a ficar com a navegação super-lenta, mesmo assinando banda larga da Net em 30 MB. Tentei mudar de navegador (brownser) do Chrome Google, onde não consigo acessar o próprio Gmail, para o Safari e daí para o Firefox e nada: continua lento!

Fiz uma limpeza nos arquivos temporários do meu navegador Chrome: Ctrl + Shift + Del (simultaneamente) > Marquei as checkbox que achei necessário > cliquei em Limpar dados de navegação. Também não resultou em aumento de velocidade.

Sobre o problema com os Vírus e Spyware segue suas recomendações. Continuar a ler